o papa na terra santa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRIMEIRO DIA

1º DIA

ENTREVISTA CONCEDIDA AOS JORNALISTAS PELO SANTO PADRE O PAPA BENTO XVI, NO AVIÃO A CAMINHO DA JORDÂNIA

Cidade do Vaticano, 09 mai (Rádio Vaticano) - Paz no Oriente Médio, diálogo inter-religioso, presença dos cristãos na Terra Santa: foram esses alguns dos temas abordados por Bento XVI, durante a coletiva concedida à imprensa, a bordo do avião que o levou a Amã, capital da Jordânia, nesta sexta-feira.

O Santo Padre indicou aos jornalistas as três dimensões mediante as quais a Igreja pode dar sua contribuição para o difícil processo de paz no Oriente Médio. Em primeiro lugar, a oração: uma força através da qual Deus pode agir na história. O pontífice ressaltou que "milhões de fiéis em oração são uma contribuição para o processo de paz".

"A Igreja é também chamada a formar as consciências, a ajudá-las a perceber a verdade, e a libertá-las dos interesses particulares que se contrapõem à paz. A Igreja, que não é uma força política, fala à razão e, à luz da fé, apóia as posições realmente racionais" – ponderou o papa.

"Certamente, procuro contribuir para a paz não como indivíduo, mas em nome da Igreja Católica. Nós não somos um poder político, mas uma força espiritual, e essa força espiritual é uma realidade que pode contribuir para o progresso no processo de paz."

Judeus e cristãos têm a mesma raiz – ressaltou o Santo Padre aos jornalistas – mas dois mil anos de história distinta levaram, inevitavelmente, a equívocos: foram formadas tradições diferentes de pensamento e cosmos semânticos diferentes, tanto que a mesma palavra nas duas culturas tem hoje significados diferentes.

"Devemos fazer de tudo para que cada um aprenda a linguagem do outro. Hoje, temos a possibilidade que os jovens, os futuros professores de teologia, possam estudar em Jerusalém, na Universidade judaica, e os judeus têm contatos acadêmicos conosco."

O pontífice explicou ainda, que está prevista, nesta peregrinação à Terra Santa, uma mensagem comum dirigida às três religiões que evocam o Patriarca Abraão, ressaltando a importância do diálogo trilateral entre cristãos, muçulmanos e judeus.

"O diálogo trilateral deve seguir adiante, é importantíssimo para a paz e também – digamos – para viver bem a própria religião."

Por fim, o Santo Padre dirigiu seu pensamento aos cristãos no Oriente Médio, encorajando-os a não deixarem a Terra Santa, lugar de origem do Cristianismo. Porque os cristãos "são um componente importante da vida dessas regiões". "Espero, realmente, que os cristãos possam encontrar a coragem, a humildade e a paciência de permanecer nesses países, de oferecer sua contribuição para o futuro desses países."

Bento XVI constatou que a presença cristã é de grande importância também porque oferece assistência humanitária, hospitais e formação à população. A esse propósito, o pontífice citou a futura Universidade Católica na Jordânia: lugar em que jovens árabes e cristãos poderão encontrar-se, e centro de formação para a promoção da paz.

LINK PARA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA EM VÁRIOS IDIOMAS
[Alemão, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

 

1º DIA

PAPA SAÚDA CHEFES DE ESTADO DOS PAÍSES SOBREVOADOS PELO AVIÃO QUE O LEVOU À TERRA SANTA

Cidade do Vaticano, 08 mai (Rádio Vaticano) - Ao deixar Roma esta manhã, com destino à Terra Santa, o papa enviou telegramas aos presidentes da Itália, Giorgio Napolitano, da Grécia, Karolos Papoulias, de Chipre, Demetris Christofias, do Líbano, Michel Sleiman, e da Síria, Bachar el-Assad. Essa é uma praxe cerimonial das viagens aéreas pontifícias: em sinal de cordialidade, o pontífice envia um telegrama de saudação ao chefe de Estado de cada um dos países sobrevoados.

Ao Presidente Napolitano, o papa explica que sua peregrinação à Terra Santa será uma ocasião providencial para percorrer as pegadas do Divino Mestre, encontrar irmãos e irmãs na fé, dividir com eles momentos de forte espiritualidade, rezar pela justiça e a paz, e encorajar o diálogo ecumênico e inter-religioso. Bento XVI saúda o presidente e todo o povo italiano, com votos de "progresso espiritual civil e social para este querido país". 

No texto ao chefe de Estado grego, Papoulias, o papa envia suas bênçãos a toda a cidadania, afirmando que acompanha a nação helênica em seus esforços para construir uma sociedade onde haja um convívio sempre mais harmonioso. 

O telegrama sucessivo foi endereçado ao presidente de Chipre, Demetris Christofias, a quem o pontífice envia saudações e bênçãos estendidas a todos os cipriotas, com votos de prosperidade e paz. 

No texto ao presidente libanês, Michel Sleiman, o Santo Padre manifesta seus auspícios de que os libaneses encontrem força e coragem para construir uma nação unida e solidária, no respeito por todos os seus componentes. 

E finalmente, ao presidente Bachar el-Assad e ao povo sírio, o papa apresenta saudações e faz ardentes votos de paz e prosperidade, concedendo abundantes bênçãos divinas.

 

1º DIA

BENTO XVI NA JORDÂNIA: VENHO COMO PEREGRINO PARA VENERAR OS LUGARES SANTOS

Amã, 08 mai (Rádio Vaticano) - Bento XVI deu início, esta manhã, à sua XII Peregrinação Apostólica Internacional, que o leva, desta vez, à Terra Santa. De fato, o Santo Padre deixou esta manhã a capital italiana, com destino a Amã – capital da Jordânia – primeira etapa desta sua viagem, que o levará também a Israel e os Territórios Palestinos.

O avião que levou o papa e sua comitiva à Jordânia aterrissou pouco antes das 14h30 locais (8h30 de Brasília) no aeroporto internacional "Queen Alia", da capital jordaniana.

O rei da Jordânia, Abdullah II, e a Rainha Rania aguardavam o Santo Padre aos pés da escada do avião, acompanhados de ilustres personalidades que deram as boas-vindas ao pontífice. Logo em seguida, teve lugar a cerimônia de boas-vindas propriamente dita. Após a execução dos hinos pontifício e jordaniano, foram feitos os respectivos discursos de Abdullah II e Bento XVI.

"A religião islâmica é religião de tolerância, o profeta nos ensinou que ninguém pode dizer-se um bom fiel se não ama seu irmão" − afirmou o soberano em seu discurso, acrescentando que existem jordanianos muçulmanos e jordanianos cristãos, e que o país quer que haja um mundo único, onde se possa viver em paz, juntos. "A nossa esperança é que juntos possamos difundir o diálogo que aceita as identidades religiosas e honra os nossos laços de amizade, distanciando as sombras" – disse.

A propósito do conflito palestino-israrelense, o monarca reiterou que é preciso garantir a existência de um Estado palestino, mas que é também justo que Israel viva com segurança – ponderou.

Por sua vez, o Santo Padre iniciou seu discurso, expressando sua alegria ao saudar todos os presentes, ao dar início à sua primeira visita como pontífice, ao Oriente Médio. Manifestou ainda, a satisfação de colocar os pés naquele solo, "terra tão rica de história e pátria de tantas antigas civilizações" e profundamente permeada de significado religioso para os judeus, cristãos e muçulmanos.

Em seguida, Bento XVI referiu-se à natureza dessa sua visita apostólica: "Venho à Jordânia como peregrino, para venerar os Lugares Santos que tiveram tão importante papel em alguns dos eventos cruciais da história bíblica. No Monte Nebo, Moisés levou seu povo a olhar para a terra que se tornaria a sua casa, e ali morreu e foi sepultado. Em Betânia, para além do Jordão, João Batista pregou e deu testemunho de Jesus, que ele mesmo batizou, nas águas do rio que dá o nome a esta terra."

O Santo Padre disse ainda que, nos próximos dias, visitará ambos os Lugares Santos e terá a alegria de abençoar as pedras fundamentais das igrejas que serão construídas no lugar tradicional do Batismo do Senhor.

O pontífice frisou que a possibilidade que a comunidade católica da Jordânia tem, de edificar lugares de culto, é um sinal do respeito daquele país pela religião e, em nome dos católicos, manifestou o grande apreço por essa abertura, acrescentando que a liberdade religiosa é, certamente, um direito humano fundamental.

Em seguida, Bento XVI manifestou sua esperança e assegurou suas orações para que o respeito pelos direitos inalienáveis e a dignidade de todo homem e toda mulher sejam cada vez mais afirmados e defendidos, não somente no Oriente Médio, mas em toda parte do mundo.

"Minha visita à Jordânia me dá a oportunidade de expressar meu profundo respeito pela comunidade muçulmana, e de louvar o papel de guia desempenhado por Sua Majestade, o Rei, na promoção de uma melhor compreensão das virtudes proclamadas pelo Islã. Agora que já se passaram alguns anos da publicação da Mensagem de Amã e da Mensagem Inter-religiosa de Amã, podemos dizer que essas nobres iniciativas alcançaram bons resultados, ao favorecer uma aliança de civilização entre o mundo ocidental e o mundo muçulmano, desmentindo as previsões de quem considerava a violência e o conflito como inevitáveis."

Em seguida, o papa reconheceu que o reino da Jordânia se encontra, já de há muito, na linha de frente nas iniciativas voltadas para a promoção da paz no Oriente Médio e no mundo, encorajando o diálogo inter-religioso, ajudando os esforços para encontrar uma justa solução para o conflito palestino-israrelense, acolhendo os refugiados no vizinho Iraque, e buscando frear o extremismo.

"Caros amigos, no seminário realizado em Roma, no ano passado, no âmbito do Foro Católico-Muçulmano, os participantes examinaram o papel central desempenhado, em nossas respectivas tradições religiosas, pelo mandamento do amor. Espero muito, que esta visita e, na realidade, todas as iniciativas programadas para promover as boas relações entre cristãos e muçulmanos − concluiu − possam ajudar-nos a crescer no amor para com Deus Onipotente e Misericordioso, bem como no amor fraterno recíproco."
 

LINK PARA A Cerimônia de boas-vindas no Aeroporto Internacional "Queen Alia" de Amã (8 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

 

 

 

1º DIA

PAPA VISITA CENTRO DE REABILITAÇÃO EM AMÃ: SOFRIMENTO PODE DETERMINAR MUDANÇA PARA MELHOR

Amã, 08 mai (Rádio Vaticano) - O primeiro compromisso do papa em terras jordanianas foi a visita ao Centro "Regina Pacis", um centro para reabilitação dos portadores de deficiências físicas. Tratou-se de um encontro muito comovente. "A experiência da dor feita por vocês – disse o pontífice – o seu testemunho em favor da compaixão, e a determinação de vocês a superar os obstáculos que encontram, me encorajam a acreditar que o sofrimento pode determinar uma mudança para melhor."

Bento XVI prosseguiu, afirmando que nas nossas provações pessoais, permanecendo ao lado dos outros em seus sofrimentos, colhemos a essência da nossa humanidade, tornamo-nos, por assim dizer, mais humanos.

"E começamos a aprender que, em outro nível, mesmo os corações endurecidos pelo cinismo ou pela injustiça, ou pela relutância a perdoar, jamais estão fora do alcance da ação de Deus. Eles podem ser sempre abertos a um novo modo de ser, a uma visão de paz."

Antes, o papa havia agradecido ao patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, pelas palavras de saudação a ele dirigidas.

Ressaltando que aquela visita constituía a primeira etapa de sua peregrinação, o pontífice destacou que − como numerosos peregrinos antes dele − agora era a sua vez de satisfazer o profundo desejo de visitar e receber conforto daqueles lugares onde Jesus viveu e que foram santificados pela sua presença, e venerá-los.

Caros amigos – disse Bento XVI – diferentemente dos peregrinos do passado, eu não venho trazendo presentes ou ofertas. Eu venho simplesmente com uma intenção, uma esperança: rezar pelo presente precioso da unidade e da paz, mais especificamente para o Oriente Médio.

Concluída a visita ao Centro "Regina Pacis" de Amã, o papa fez uma visita de cortesia ao Rei Abdullah II e à Rainha Rania, no Palácio "al-Husseinye", de Amã.

Amanhã, sábado, o papa celebrará a santa missa de forma privada, no início da manhã, na Nunciatura Apostólica em Amã, onde se encontra hospedado. Às 9h15 locais, visitará, no Monte Nebo, a antiga Basílica do Memorial de Moisés. Às 10h30 locais, abençoará a pedra fundamental da Universidade de Madaba, do Patriarcado Latino. E às 11h30h, visitará o Museu Hashemita e a mesquita "al-Husein bin-Talal" de Amã.

Às 11h45 manterá, fora da mesquita, um encontro com os chefes muçulmanos, com o corpo diplomático e com os reitores das Universidades jordanianas.

Por fim, às 17h30 locais, na Catedral greco-melquita de São Jorge, de Amã, presidirá à celebração das Vésperas, com os sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas e membros de movimentos eclesiais.

 

LINK PARA A Visita ao centro "Regina Pacis" de Amã (8 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

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SEGUNDO DIA

2º DIA

PAPA NO MONTE NEBO: "IGREJA UNIDA DE MODO INSEPARÁVEL AO POVO JUDEU"

 

 

 

 

 

 

 

Amã, 09 mai (Rádio Vaticano) - Segundo dia da viagem de Bento XVI à Terra Santa. O papa se encontra desde ontem na capital da Jordânia, Amã. 

O programa deste sábado é intenso: às 7h15 (hora local), o papa celebrou a santa missa, de forma privada, na capela da Nunciatura Apostólica em Amã, onde se encontra hospedado. Duas horas depois, visitou a antiga Basílica do Memorial de Moisés, no Monte Nebo.

Em seu discurso, Bento XVI afirmou que é justo que sua peregrinação tenha início sobre esta montanha, de onde Moisés contemplou de longe a Terra Prometida.

"No alto do Monte Nebo, a recordação de Moisés nos convida a "elevar o olhar" para abraçar, com gratidão, não somente as obras maravilhosas de Deus no passado, mas também olhar com fé e esperança para o futuro que Ele reservou para nós e para o mundo inteiro."

Falando da peregrinação aos Lugares Santos, Bento XVI afirmou que essa antiga tradição recorda o inseparável vínculo que une a Igreja ao povo judeu. 

"Desde o início, a Igreja nestas terras comemorou, na própria liturgia, as grandes figuras do Antigo Testamento, como sinal de seu profundo apreço pela unidade dos dois Testamentos. Possa este nosso encontro de hoje inspirar em nós um amor renovado pelo cânone da Sagrada Escritura, e o desejo de superar todos os obstáculos que se contrapõem à reconciliação entre cristãos e judeus, no respeito recíproco e na cooperação a serviço daquela paz à qual a palavra de Deus nos chama" – disse.

Do Monte Nebo, o pontífice se dirigiu à cidade de Madaba, onde abençoou a pedra fundamental da Universidade do Patriarcado Latino.

Ao saudar os presentes, Bento XVI elogiou a política do reino da Jordânia, de privilegiar a educação – missão que envolve em primeira pessoa a Rainha Rania, "cuja dedicação é motivo de inspiração para muitos" – disse o papa.

Falando das Universidades, o Santo Padre recordou que sua missão não é somente transmitir conhecimento, mas promover nos estudantes o amor pela verdade, para fazer da Universidade um local de compreensão e de diálogo. Todavia, nessa busca da verdade, a religião − assim como a ciência, a tecnologia e a filosofia − pode corromper-se. 

"A religião é desfigurada, quando é obrigada a servir a ignorância e o preconceito, o desprezo, a violência e o abuso." Quando isso acontece − explicou o pontífice − não vemos somente a perversão da religião, mas também a corrupção da liberdade humana. "Sem dúvida, quando promovemos a educação, proclamamos a nossa confiança no dom da liberdade" – concluiu o Santo Padre.

Visita à antiga Basílica do Memorial de Moisés no Monte Nebo (9 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

Bênção da primeira pedra da Universidade de Madaba do Patriarcado Latino
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

2º DIA

BENTO XVI PEDE FIM DA MANIPULAÇÃO IDEOLÓGICA DA RELIGIÃO

Amã, 09 mai (Rádio Vaticano) – O terceiro compromisso de Bento XVI neste sábado, na Jordânia, foi a visita ao Museu Hashemita e à mesquita al-Hussein bin-Talal e, a seguir, o encontro, sempre na mesquita, com os líderes religiosos muçulmanos, com o corpo diplomático e com os reitores das Universidades jordanianas.

Bento XVI dedicou seu discurso à relação entre cristãos e muçulmanos. Hoje, disse o pontífice, a religião é acusada de falir na sua pretensão de ser, por sua natureza, construtora de unidade e de harmonia. 

"De fato, muitos afirmam que a religião é, necessariamente, causa de divisão no nosso mundo". Certamente − reconheceu o papa − o contraste de tensões e divisões entre fiéis de diferentes religiões não pode ser negado. Todavia, isso não é o fruto de instrumentalização ideológica da religião, às vezes com fins políticos, o real catalisador das tensões e das divisões e também das violências em nossa sociedade?" – questionou Bento XVI.

É por isso que, hoje, cristãos e muçulmanos devem se empenhar para ser reconhecidos como adoradores de Deus fiéis à oração, desejosos de comportar-se e viver segundo as disposições do Onipotente.

 

 

 

 

 

 

 

 

A seguir, o papa citou uma série de iniciativas promovidas pelo reino da Jordânia, para incentivar o diálogo inter-religioso, afirmando que o país constitui um exemplo persuasivo para a região e para todo o mundo, da contribuição positiva e criativa que a religião pode e deve dar à sociedade civil.

Neste testemunho, cristãos e muçulmanos podem contribuir de maneira especial, pois reconhecem o vasto potencial da razão humana, principalmente quando iluminada pela fé. Portanto − afirmou o pontífice − a adesão genuína à religião, longe de restringir as nossas mentes, amplia os horizontes da compreensão humana. Isso protege a sociedade civil dos excessos de um ego ingovernável, que tende a absolutizar o finito e a eclipsar o infinito.

Voltando-se ao patriarca de Bagdá, Sua Beatitude Emmanel III Delly, presente no encontro, como representante da comunidade cristã iraquiana que vive na Jordânia, o Santo Padre fez um apelo aos presentes... 

"Mais uma vez, peço com insistência, aos diplomatas e à comunidade internacional, aos líderes políticos e religiosos locais, que façam todo o possível para garantir à antiga comunidade cristã daquela nobre terra o direito fundamental da coexistência pacífica com os próprios concidadãos" – concluiu Bento XVI.

Para esta tarde, está previsto um único compromisso: a celebração das Vésperas com os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os seminaristas e os movimentos eclesiais na Catedral Greco-melquita de São Jorge, em Amã.
 

 

 

Encontro com os Chefes Religiosos Muçulmanos, com o Corpo Diplomático e com os Reitores das universidades jordanianas, em frente à Mesquita al-Hussein bin-Talal
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

2º DIA

PAPA NA CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS: "O BEM DO TESTEMUNHO CRISTÃO ULTRAPASSA FRONTEIRAS DA RELIGIÃO"

Amã, 09 mai (Rádio Vaticano) - Bento XVI celebrou no final desta tarde, às 17h30 locais (11h30 de Brasília), na Catedral greco-melquita de São Jorge, em Amã, a oração das Vésperas, com sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e membros de movimentos eclesiais.

O pontífice foi calorosamente acolhido pelo patriarca greco-melquita, Sua Beatitude Gregório III Laham, e pelo vigário, Dom Yasser Ayyach. Encontravam-se presentes também, sacerdotes dos diversos ritos católicos. A celebração das Vésperas foi feita segundo o rito greco-melquita.

Na homilia da celebração, o papa agradeceu inicialmente, pela oportunidade de rezar com os presentes e de experimentar, assim, "algo da riqueza das nossas tradições litúrgicas" – frisou.

O pontífice situou o lugar das Igrejas do Oriente na Igreja presente no mundo inteiro como paradigma da natureza peregrina da Igreja, que cumpre sua missão mediante eventos determinantes, e no fluxo de diversas épocas culturais. Ademais, acrescentou que o antigo tesouro vivo das tradições das Igrejas Orientais enriquece toda a Igreja e jamais deve ser entendido simplesmente como objeto a ser conservado passivamente.


O Santo Padre descreveu a feição específica da Igreja na Jordânia, no caminho universal da evangelização: "A maioria de vocês tem antigos laços com o Patriarcado de Antioquia, e assim, suas comunidades estão bem radicadas aqui no Oriente Médio. E, justamente como dois mil anos atrás em Antioquia, os discípulos foram chamados de cristãos pela primeira vez, assim também hoje, como pequenas minorias em comunidades espalhadas nestas terras, também vocês são reconhecidos como seguidores do Senhor."

O pontífice acrescentou ainda, que as numerosas iniciativas deles, de caridade universal, se estendem a todos os jordanianos – muçulmanos e de outras religiões – bem como ao vasto número de refugiados que aquele reino acolhe tão generosamente.

O Salmo 103 e a leitura de Efésios 6, 10-20 – da liturgia das Vésperas – foram utilizadas pelo papa para desenvolver a reflexão sobre a dinâmica das duas passagens: da morte à abundância da vida; das trevas à luz.

"Esse dinâmico movimento – ressaltou – nos assegura que a própria Igreja permanece jovem" e estimula a uma perseverante resposta por parte dos fiéis, para levar os outros a conhecerem e a amarem o Senhor.

Destacando o importante serviço prestado, que caracteriza o trabalho apostólico da comunidade cristã – das creches aos institutos superiores de educação, aos orfanatos e casas para anciãos, clínicas médicas e hospitais, do diálogo inter-religioso às iniciativas culturais – o Santo Padre disse que a presença deles nessa sociedade "é um maravilhoso sinal da esperança que nos qualifica como cristãos".

Tal esperança – acrescentou – vai além dos confins das nossas comunidades cristãs. Assim, comumente, vocês descobrem que as famílias de outras religiões, para as quais trabalham e oferecem seu serviço de caridade universal, têm preocupações e dificuldades que ultrapassam os confins culturais e religiosos.

Por fim, o papa dirigiu uma palavra especial de encorajamento aos presentes que se encontram em formação para o sacerdócio e para a vida religiosa, e a todos os jovens jordanianos: "Não tenham medo de dar sua contribuição sábia, comedida e respeitosa para a vida pública do reino. A voz autêntica da fé sempre trará integridade, justiça, compaixão e paz!"

Para amanhã, domingo, o ponto alto dos compromissos do papa em seu terceiro dia na Terra Santa, nesta sua XII viagem apostólica internacional, será a santa missa que presidirá às 10h locais (4h de Brasília), no Estádio Internacional de Amã.

A Rádio Vaticano estará transmitindo essa celebração, ao vivo, via satélite, para todo o Brasil e demais países de língua portuguesa – cujas emissoras nos retransmitem – a partir das 3h50 do horário de Brasília.

Celebração das Vésperas com os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os seminaristas e os movimentos eclesiais na Catedral Greco-Melquita de São Jorge de Amã (9 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

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TERCEIRO DIA

 

 

 

 

 

3º DIA

MISSA EM AMÃ: PAPA ENCORAJA OS CRISTÃOS DA TERRA SANTA

Amã, 10 mai (Rádio Vaticano) – Este terceiro dia da peregrinação de Bento XVI à Terra Santa é dedicado aos cristãos. Esta manhã, na capital jordaniana, Amã, o papa celebrou a missa no Estádio Internacional da cidade.

Na sua homilia Bento XVI falou da rica diversidade da Igreja Católica na Terra Santa. Comentando sua visita, ontem, ao Monte Nebo, o pontífice disse que rezou para que a Igreja nestas terras possa ser confirmada na esperança e fortificada no seu testemunho ao Cristo Ressuscitado, o Salvador da humanidade.

"A comunidade católica daqui está profundamente tocada pelas dificuldades e incertezas que afligem todos os habitantes do Oriente Médio; nunca esqueçam a grande dignidade que deriva de sua herança cristã" – disse.

A seguir, o pontífice recordou que hoje, na Jordânia, se celebra o Dia Mundial de Oração pelas Vocações e, em toda a Terra Santa, celebra-se o Ano da Família: "Possa cada família cristã crescer na fidelidade a esta nobre vocação de ser uma verdadeira escola de oração, onde as crianças aprendem o sincero amor de Deus, onde amadurecem na autodisciplina e na atenção às necessidades dos outros e onde contribuem para a construção de uma sociedade sempre mais justa e fraterna".

Para o papa, outro importante aspecto da reflexão deste Ano da Família é a particular dignidade, vocação e missão das mulheres no plano de Deus: "Quanto a Igreja nestas terras deve ao testemunho de fé e de amor de inúmeras mães cristãs, freiras, educadoras e enfermeiras, de todas aquelas mulheres que, de diferentes maneiras, dedicaram sua vida à construção da paz e à promoção do amor!".

Infelizmente, constatou o pontífice, esta dignidade e esta missão doadas por Deus às mulheres nem foram sempre suficientemente compreendidas e estimadas. Todavia, é com o testemunho público de respeito pelas mulheres que a Igreja na Terra Santa pode dar uma importante contribuição ao desenvolvimento de uma cultura de verdadeira humanidade e à construção da civilização do amor.

Comentando o Evangelho da liturgia de hoje, Bento XVI destacou o pedido feito ao Pai para que nos dê a força da coragem de Cristo nosso pastor. 

Na Terra Santa, concluiu o pontífice, os cristãos devem ter um tipo de coragem "especial": a coragem da convicção que nasce de uma fé pessoal, não simplesmente de uma convicção social ou de uma tradição familiar; a coragem para se empenhar no diálogo e trabalhar lado a lado com os outros cristãos a serviço do Evangelho e na solidariedade para com o pobre, o desabrigado e as vítimas de profundas tragédias humanas; a coragem de construir novas pontes com pessoas de diferentes religiões e culturas.

Diante de 50 mil pessoas oriundas não somente da Jordânia, mas de comunidades cristãs dos países vizinhos, inclusive do Iraque, antes da oração do Regina Coeli, Bento XVI falou novamente do carisma profético das mulheres e propôs como exemplo supremo das virtudes femininas a Bem-aventurada Virgem Maria.

"Invoquemos a sua materna intercessão para todas as famílias destas terras, para que possam ser realmente escolas de oração e escolas de amor."

Bento XVI confiou a Nossa Senhora todos os cristãos da Terra Santa, para que possam ser realmente uma só coisa na fé que professam e no testemunho que oferecem, e os jovens que hoje discernem a própria vocação, para que possam se dedicar generosamente a realizar a vontade do Senhor.

Depois da missa, o papa se dirigiu ao Vicaritado Patriarcal Latino para a Jordânia, para o almoço com os patriarcas e os bispos.

Para esta tarde, às 17h30, hora local, está prevista a visita à Betânia da Transjordânia (Bethany beyond the Jordan), para a cerimônia para a bênção das primeiras pedras da Igreja dos latinos e da Igreja greco-melquita.

Homilia durante a Santa Missa no Estádio Internacional de Amã (10 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3º DIA

PAPA AOS CRISTÃOS: TESTEMUNHAR O EVANGELHO NO ORIENTE MÉDIO MARCADO PELO SOFRIMENTO

Amã, 10 mai (Rádio Vaticano) – Na parte da tarde deste domingo, Bento XVI visitou Betânia, do outro lado do Rio Jordão (Bethany beyond the Jordan).

A região foi o centro da atividade de João Batista e o cenário da vida pública de Jesus. Ainda hoje, Betânia permanece sepultada e sua precisa posição é desconhecida.

O local é conhecido com o nome de "Wadi Al-Kharrar" (vale melodiosa), em referência ao murmúrio das águas do Jordão.

O papa foi acolhido pelo diretor do Centro Al-Maghtas e visitou o itinerário arqueológico do local do Batismo. O percurso se concluiu onde estão sendo erigidas a igreja dos latinos e a dos greco-melquitas, para o rito de bênção das primeiras pedras. 

Em seu discurso, Bento XVI recordou que a primeira pedra de uma igreja é símbolo de Cristo: "A igreja se apóia em Cristo, é amparada por Ele e não pode ser separada d'Ele. (...) Esta é a realidade da Igreja; ela é Cristo e nós, Cristo conosco".

Por meio da Igreja, explicou o papa, Cristo purifica os nossos corações, ilumina as nossas mentes, nos une ao Pai e, no único Espírito, nos conduz a um exercício cotidiano de amor cristão. "Confessamos esta jubilosa realidade como a Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja."

A seguir, o pontífice recordou que entramos na Igreja mediante o Batismo e a memória do Batismo de Cristo está vivamente presente neste lugar: "Possa o Jordão recordar que vocês foram lavados nas águas do Batismo e se tornaram membros da família de Jesus". 

Que a contemplação deste mistério, disse, os enriqueça de coragem moral para promover o diálogo e a compressão na sociedade civil, especialmente quando reivindicarem seus legítimos direitos: "No Oriente Médio, marcado por trágico sofrimento, por anos de violência e por questões irresolutas, os cristãos são chamados a oferecer sua contribuição inspirada no exemplo de Jesus, de reconciliação e paz com o perdão e a generosidade".

Após o rito da bênção das primeiras pedras, Bento XVI voltou à Nunciatura Apostólica, onde se encontra hospedado.

Amanhã, depois da cerimônia de despedida da Jordânia no aeroporto Queen Alia de Amã, Bento XVI prosseguirá de avião para Telaviv, onde permanecerá 45 minutos para a cerimônia de boas-vindas no aeroporto Bem Gurion. 

De Telaviv, o pontífice se transferirá de helicóptero para Jerusalém. À tarde, estão previstos três eventos: a visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel, Shimon Peres; a visita ao Memorial de "Yad Vashem"; e o encontro com as organizações para o diálogo inter-religioso no Centro Notre Dame de Jerusalém.

 

 

 

Recitação do Regina Cæli no Estádio Internacional de Amã (10 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

 

Bênção das primeiras pedras das Igrejas dos Latinos e dos Greco-Melquitas em Betânia do outro lado do Jordão (10 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

 

 

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QUARTO DIA

4º DIA

AO DEIXAR A JORDÂNIA, PAPA ENCORAJA CRISTÃOS E RESSALTA IMPORTÂNCIA DO RESPEITO MÚTUO

Amã, 11 mai (RÁDIO VATICANO) - Após celebrar a santa missa bem cedo, esta manhã, o papa se despediu da Nunciatura Apostólica de Amã que o hospedou nos últimos dias, e se transferiu, de automóvel, ao aeroporto da capital jordaniana, onde pronunciou seu último discurso nessa cidade. 

 


 

As primeiras palavras do papa foram de agradecimento às autoridades e voluntários pela organização, e à imprensa, pela cobertura de sua visita, que permitiu que tantas pessoas pudessem acompanhar os diversos eventos, através do rádio e da televisão. 

Bento XVI elogiou o trabalho do Rei Abdullah II ao promover o diálogo inter-religioso e reservar particular consideração à comunidade cristã na Jordânia: "Este espírito de abertura ajuda os membros das várias comunidades étnicas do país a viverem juntos em paz e concórdia" – disse.

 


 


Fazendo uma resenha de sua agenda desde a chegada, na sexta feira, o pontífice destacou a celebração das Vésperas, na tarde de sábado, e a missa de ontem, domingo, que ficaram especialmente impressas em sua memória: "Foi realmente uma alegria participar dessas celebrações pascais com católicos de diversas tradições, unidos na comunhão da Igreja e em seu testemunho a Cristo. Encorajo todos – exortou Bento XVI – a permanecerem fiéis a seu compromisso batismal, recordando que Cristo
recebeu o Batismo de São João Batista nas águas do rio Jordão."

 

 

Cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional  "Queen Alia" (11 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

4º DIA

BENTO XVI: A EMOÇÃO DA VISITA AO YAD VASHEM

Jerusalém, 11 mai (RÁDIO VATICANO) - Depois do encontro com o presidente israelense, Bento XVI se dirigiu para um dos momentos mais aguardados desta viagem: a visita ao Memorial Yad Vashem, de Jerusalém, que é o monumento à memória das vítimas do holocausto.

O papa foi acolhido pelo presidente e pelo diretor do Centro, e percorreu a pé o perímetro do Memorial, até chegar ao ingresso de honra, onde o aguardavam Shimon Peres e o rabino-presidente do Conselho do Yad Vashem.

Ao tomar a palavra, Bento XVI disse: "Vim aqui para deter-me em silêncio diante deste monumento, erigido para honrar a memória de milhões de judeus assassinados na terrível tragédia do holocausto. Eles perderam a própria vida, mas jamais seus nomes: os nomes estão estavelmente inscritos nos corações de seus familiares, dos seus companheiros de prisão e de quem combate para impedir que um horror semelhante possa desonrar novamente a humanidade. Especial e principalmente, seus nomes estão inscritos de modo indelével na memória de Deus Onipotente."

Como aconteceu com Abraão − recordou o pontífice − a fé de milhões de judeus foi provada. Assim como aconteceu com Jacó, também eles se viram imergidos na luta entre o bem e o mal, enquanto lutavam para discernir os desígnios do Onipotente. "Que o nome dessas vítimas jamais pereça! Que seus sofrimentos nunca sejam negados, diminuídos ou esquecidos!" 

Por sua vez, disse o pontífice, a Igreja Católica sente profunda compaixão pelas vítimas: "Do mesmo modo, ela se alia com as pessoas que hoje estão sujeitas a perseguições por causa da raça, da cor, da condição de vida ou da religião: o sofrimento delas é o sofrimento da Igreja, assim como é sua, a esperança delas por justiça. Como Bispo de Roma e Sucessor do Apóstolo Pedro, reitero o empenho da Igreja a rezar e a trabalhar sem cansar, para garantir que o ódio nunca mais reine no coração dos homens."

Mas é do Livro das Lamentações que Bento XVI tira as palavras para manifestar a confiança inabalável em Deus – palavras repletas de significado seja para judeus, seja para cristãos:

"Os favores de Iahweh não terminaram,
suas compaixões não se esgotaram;
Elas se renovam todas as manhãs,
grande é a sua fidelidade!
Eu digo: 'Minha porção é Iahweh!
eis porque nele espero'.
Iahweh é bom para quem nele confia,
para aquele que o busca.
É bom esperar em silêncio
a salvação de Iahweh."

"Queridos amigos, sou profundamente grato a Deus e a vocês pela oportunidade que me foi dada de me deter aqui em silêncio: um silêncio para recordar, um silêncio para esperar" – concluiu o papa.

Visita ao Memorial de "Yad Vashem" (Jerusalém, 11 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

Assinatura do Santo Padre - Visita ao Memorial de Yad Vashem (Jerusalém, 11 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

4º DIA

PAPA: "REZO TODOS OS DIAS PARA QUE A PAZ REGRESSE À TERRA SANTA"

Jerusalém, 11 mai (RV) - Ao chegar a Jerusalém, o primeiro compromisso do Santo Padre foi a visita de cortesia ao presidente de Israel, Shimon Peres.

No discurso ao presidente israelense, o papa recordou que sua peregrinação aos Lugares Santos é uma peregrinação de oração em favor do dom precioso da unidade e da paz para o Oriente Médio e para toda a humanidade.

"Na verdade, rezo todos os dias para que a paz que nasce da justiça regresse à Terra Santa e a toda a região, trazendo segurança e renovada esperança para todos" – disse o pontífice.



 

Segurança, integridade, justiça e paz: no desígnio de Deus para o mundo – sublinhou o Santo Padre − esses valores são inseparáveis e provêm da relação fundamental de Deus com o homem e residem como patrimônio comum no coração de cada indivíduo.

Uma segurança duradoura – ressaltou − é questão de confiança, alimentada na justiça e na integridade, sigilada pela conversão dos corações, que nos obriga a olhar o outro nos olhos, e a reconhecê-lo como semelhante, como irmão ou irmã. Somente assim − observou o pontífice − a sociedade será um jardim repleto de frutos, e não uma comunidade marcada por bloqueios e obstruções.

 

"Que pai deseja violência, insegurança e divisões para seu filho? Que objetivo humano pode ser servido por meio de conflitos e violências?" – questionou Bento XVI.

"Ouço o grito das pessoas que vivem neste país, que invocam justiça, paz, respeito por sua dignidade, segurança estável, e uma vida cotidiana livre do medo de ameaças externas e de violência insensata" – concluiu o pontífice.

Cerimônia de boas-vindas no Aeroporto Internacional Ben Gurion (Tel Aviv, 11 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

Visita de cortesia ao Presidente de Israel no Palácio Presidencial de Jerusalém
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

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QUINTO DIA

5º DIA

NA ESPLANADA DAS MESQUITAS, PAPA PEDE FIDELIDADE AO ÚNICO DEUS

Jerusalém, 12 mai (RV) - O programa deste segundo dia de Bento XVI em Jerusalém é intenso: a manhã do papa teve início com a visita à Esplanada das Mesquitas, onde se encontram duas grandes mesquitas, sendo a Cúpula da Rocha o mais antigo monumento islâmico na Terra Santa: remonta ao ano 640.

Diante da Cúpula da Rocha, o pontífice foi recebido pelo Grão-mufti Muhammad Ahmad Hussein. Após uma breve visita ao local, o papa foi acompanhado a uma sala onde o aguardavam os expoentes da comunidade muçulmana. No discurso que lhes dirigiu, o Santo Padre afirmou que, naquele lugar, as três grandes religiões monoteístas se encontram, recordando o que têm em comum.

"Em um mundo tristemente lacerado por divisões, este lugar sagrado serve de estímulo e constitui um desafio para homens e mulheres de boa vontade, a se empenharem para superar incompreensões e conflitos do passado, e a se colocarem no caminho de um diálogo sensível, voltado para a construção de um mundo de justiça e de paz para as futuras gerações."

A fidelidade ao único Deus, o Criador – recordou Bento XVI − leva a reconhecer que os seres humanos são fundamentalmente ligados uns aos outros, porque todos recebem a própria existência de uma só fonte e são remetidos a uma meta comum. 

Marcados por esta imagem indelével do divino − afirmou o pontífice − os fiéis são chamados a desempenhar um papel ativo ao aplacar as divisões e ao promover a solidariedade humana.

Isso significa que cada um de nós é responsável por aquilo que faz − explicou o papa − e esta é a razão pela qual devemos trabalhar para salvaguardar os corações humanos do ódio, da raiva ou da vingança.

"Empenhemo-nos a viver em espírito de harmonia e de cooperação, testemunhando o Deus único, mediante o serviço que generosamente prestamos uns aos outros" – concluiu Bento XVI.

Encontro com as organizações para o diálogo inter-religioso no Auditório de Notre Dame no Jerusalem Center (Jerusalém, 11 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

Visita de cortesia ao Grão Mufti na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém 
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

5º DIA

ORAÇÃO DO SANTO PADRE NO MURO DAS LAMENTAÇÕES

Jerusalém, 12 mai (RV) – No quinto dia desta sua XII Peregrinação Apostólica Internacional, que o leva ao Oriente Médio, o Santo Padre esteve, no decorrer desta manhã, no Muro Ocidental de Jerusalém, conhecido como Muro das Lamentações.

O Muro das Lamentações é o coração do Judaísmo, considerado uma sinagoga a céu aberto.

O Rabino-chefe, Yona Metzger, acolheu o papa e o acompanhou até junto do Muro. O rabino leu um Salmo em hebraico e o papa, um Salmo em latim. A seguir, como é tradição, Bento XVI colocou entre os blocos de pedra do Muro das Lamentações, uma folha onde estão escritas suas intenções, e orou silenciosamente.



 

 

 

 

 

Eis o conteúdo do bilhete depositado pelo Santo Padre:
"Deus de todos os tempos,
na minha visita a Jerusalém, a "Cidade da Paz",
morada espiritual de judeus, cristãos e muçulmanos,
trago diante de Ti as alegrias, as esperanças e as aspirações,
as angústias, os sofrimentos e as dores de todo o Teu povo espalhado pelo mundo.
Deus de Abraão, Isaac e Jacó, 
escuta o clamor dos aflitos, dos amedrontados, dos desesperados,
manda a Tua paz sobre esta Terra Santa, sobre o Oriente Médio,
sobre toda a família humana;
desperta o coração de todos aqueles que chamam o Teu nome
para que queiram caminhar humildemente no caminho da justiça e da piedade.
"O Senhor é bom para quem n'Ele confia,
para aquele que O busca." (Lm 3, 25)

 

 

 

 

 

 

Oração no Muro Ocidental de Jerusalém (12 de maio de 2009)
[Espanhol,
Francês, Inglês, Italiano, Português]

5º DIA

BENTO XVI AOS RABINOS: "CONFIANÇA É UM ELEMENTO ESSENCIAL PARA O DIÁLOGO"

Jerusalém, 12 mai (RV) – Prossegue a peregrinação de Bento XVI pela Terra Santa. Esta manhã, o pontífice visitou o Muro das Lamentações de onde, a seguir, foi para a sede do Grão-rabinato de Israel, o Centro "Hechal Shlomo", para uma visita de cortesia aos dois grão-rabinos de Jerusalém.

O discurso de Bento XVI aos dois religiosos judeus foi dedicado ao diálogo entre as duas religiões, diálogo que se realiza através da Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo e da Comissão do Grão-rabinato para as Relações com a Igreja Católica.

A boa vontade dos delegados de ambas as comissões em discutir, com abertura e paciência, não somente os pontos em comum, mas também as questões que geram desacordo, abriu o caminho para uma colaboração mais eficaz na vida pública.

Bento XVI citou os temas que unem judeus e cristãos: respeito pela sacralidade da vida humana, a centralidade da família, uma educação válida dos jovens, a liberdade de religião e de consciência para uma sociedade saudável, o relativismo moral e as ofensas que tal relativismo gera para a dignidade da pessoa humana. "Esses temas de diálogo representam somente a fase inicial daquilo que nós esperamos seja um sólido e progressivo caminho rumo a uma melhor compreensão recíproca." 

"A confiança é, inegavelmente, um elemento essencial para um diálogo efetivo" – disse o papa. Citando a declaração conciliar Nostra Aetate, Bento XVI reiterou que a Igreja Católica está, irrevogavelmente, empenhada na estrada decidida pelo Concílio Vaticano II, rumo a uma autêntica e duradoura reconciliação entre cristãos e judeus, como provam os sete encontros realizados pela comissão bilateral.

Ao se despedir dos rabinos, Bento XVI sublinhou: "Olhando para os resultados até então alcançados, podemos apostar com confiança, numa cooperação sempre mais convicta entre as nossas comunidades, ao condenar o ódio e a perseguição em todo o mundo".
 

 

 

Visita de cortesia aos Grão-Rabinos de Jerusalém no Centro Hechal Shlomo (Jerusalém, 12 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

5º DIA

NO CENÁCULO, PAPA RECORDA O CONCÍLIO VATICANO II

Jerusalém, 12 mai (RV) – No âmbito de sua peregrinação à Terra Santa, o papa visitou, na manhã desta terça-feira, o Cenáculo. A estrutura de dois andares se insere num grande conjunto de construções no alto do Monte Sion. É a primeira sede da Igreja nascente, o local da instituição do sacerdócio ordenado e dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação. A palavra latina "Coenaculum" indica o local da ceia, mas antigamente, significava simplesmente "o andar superior, a parte comum de uma casa". 

Nesse sugestivo ambiente, o papa rezou a oração mariana do Regina Coeli, junto com os frades da Custódia da Terra Santa, instituição fundada em 1217, e encarregada da manutenção e guarda dos Lugares Sagrados da Terra Santa. O atual custódio é Fr. Pierbattista Pizzaballa que reside no convento do Santíssimo Salvador e, assistido por conselheiros de vários grupos linguísticos, tem jurisdição sobre todos os conventos franciscanos da região.

Após a execução do hino "Veni creator" e a saudação de Fr. Pizzaballa, o papa fez um breve discurso, nesse local "onde Deus abriu seu coração aos discípulos por Ele escolhidos e celebrou o Mistério Pascal; e onde, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo inspirou os primeiros discípulos a pregarem a Boa Nova". 

"Vocês são como velas acesas que iluminam os Lugares Santos do Cristianismo, que foram honrados pela presença de Jesus, nosso Deus que vive" – disse o papa. 

Bento XVI recordou que Deus nos amou antes de tudo e continua a nos amar ainda hoje, com amor divino que recebemos da Eucaristia. Esse amor, que é graça e verdade, nos solicita como homens e como comunidade, a superarmos tentações como o egoísmo, a indolência, o isolamento, o preconceito e o medo, e a nos doarmos generosamente ao Senhor e ao próximo.


Nesse ponto do discurso, o papa abordou o tema da comunhão entre as Igrejas, sublinhando que a sua diversidade na Terra Santa representa um patrimônio espiritual e é sinal das múltiplas formas de interação entre o Evangelho e as várias culturas.

"Um novo impulso espiritual rumo à comunhão na diversidade, na Igreja Católica, e uma nova consciência ecumênica marcaram o nosso tempo, especialmente depois do Concílio Vaticano II. O Espírito conduz nossos corações à humildade e à paz, rumo à aceitação recíproca, à compreensão e à cooperação" – disse o Santo Padre. 

Reiterando a importância da presença cristã na Terra Santa e nas regiões vizinhas, o pontífice ressaltou que as palavras de Jesus sobre o amor, a misericórdia, a compaixão, a paz e o perdão são capazes de transformar os corações e plasmar as ações. Apesar das dificuldades e restrições, os cristãos do Oriente Médio estão contribuindo para a promoção e a consolidação do clima de paz, na diversidade. 

Assim, o papa reafirmou sua solidariedade a quem vive cotidianamente num clima de insegurança, sofrimento e medo. Aos bispos, garantiu seu amparo e encorajamento, a fim de que os cristãos permaneçam naquela Terra e sejam mensageiros e promotores de paz. Bento XVI manifestou apreço por seus esforços e reconheceu que a instrução, a preparação profissional e outras iniciativas sociais e econômicas podem melhorar a situação das comunidades cristãs. Nesse contexto, elogiou o serviço acolhedor e generoso oferecido pelos Frades da Custódia aos peregrinos, "que aqui se inspiram e se renovam na fé". 

Concluído o discurso, o papa rezou a oração mariana do Regina Coeli, confiando a Maria, Rainha dos Céus, o bem-estar e a renovação espiritual de todos os cristãos na Terra Santa, para que, na esperança e na caridade, cresçam na fé e perseverem em sua missão de promotores de comunhão e de paz. Após a prece, Bento XVI concedeu sua bênção apostólica.

Em seguida, o pontífice se dirigiu à Catedral latina de Jerusalém, onde cerca de 300 pessoas o aguardavam. Ali, houve um breve momento de veneração do Santíssimo, e o Patriarca Fouad Twal proferiu seu discurso de saudação. 

Bento XVI agradeceu as palavras do patriarca e se disse muito feliz por estar na catedral onde, desde os primeiros dias da Igreja, a comunidade cristã se reúne. "De Jerusalém – disse – o Evangelho se difundiu por toda a terra... até os confins do mundo. Em todos os tempos, os esforços dos missionários foram sustentados pelas orações dos fiéis, reunidos ao redor do altar do Senhor, para invocar a força do Espírito Santo sobre a obra de pregação."

Antes de concluir essa visita, o pontífice manifestou seu apreço pela vida contemplativa, dirigindo-se a um grupo de religiosas contemplativas presente na catedral, ressaltando sua vocação "de ser o amor profundo no coração da Igreja". O Santo Padre dirigiu palavras de apreço e gratidão às religiosas, por sua generosa dedicação e abnegação, pedindo que "rezem pela paz de Jerusalém; que rezem continuamente pelo fim do conflito que já provocou tantos sofrimentos aos povos desta região".

Oração do Regina Cæli com os Ordinários da Terra Santa no Cenáculo de Jerusalém (12 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

Visita à Co-Catedral dos Latinos de Jerusalém (12 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

5º DIA

PAPA ASSEGURA SOLIDARIEDADE, AMOR E APOIO DE TODA A IGREJA AOS CRISTÃOS NA TERRA SANTA

Jerusalém, 12 mai (RV) - Bento XVI presidiu nesta terça-feira − quinto dia de sua peregrinação na Terra Santa, segundo em Jerusalém − às 16h30 locais (10h30 de Brasília), à santa missa no Vale de Josafá, que se encontra diante da Basílica do Getsêmani e do Horto das Oliveiras. Ao chegar à entrada do vale, o Santo Padre transferiu-se do automóvel fechado – que o levara da sede da Delegação Apostólica até aquele local – para o papamóvel, dando uma volta entre os fiéis e peregrinos presentes, que o acolheram com entusiasmo e muita alegria.

No início da celebração, o patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, dirigiu algumas palavras de saudação ao Santo Padre. Ao dar as boas-vindas ao papa à cidade onde Jesus Cristo obteve a vitória sobre o pecado e sobre a morte, e a salvação para aqueles que acreditam n'Ele, o patriarca ressaltou que em muitos aspectos, a situação hoje não mudou muito, em relação ao tempo de Jesus.

"De um lado, assistimos à agonia do povo palestino, que sonha viver num Estado palestino livre e independente, mas não consegue; de outro, assistimos à agonia de um povo israelense, que sonha uma vida normal na paz e na segurança, mas, não obstante a sua potência midiática e militar, não consegue" – ponderou Dom Twal.

"Deste Vale de Josafá, vale de lágrimas, façamos subir a nossa oração para que se realizem os sonhos desses dois povos" – acrescentou.


"Com a sua visita – disse Dom Twal – o senhor nos traz a solicitude e a solidariedade de toda a Igreja, e atrai a atenção do mundo para esta região, para estes povos, sua história, seus combates e suas esperanças, seus sorrisos e suas lágrimas. "A sua visita hoje – continuou – é um grande conforto para os nossos corações e a ocasião de dizer a todos que o Deus de compaixão e aqueles que acreditam n'Ele não são nem cegos, nem esquecidos, nem insensíveis."

Agradecendo ao patriarca pelas palavras de boas-vindas a ele dirigidas, Bento XVI quis expressar, em primeiro lugar, também a sua alegria por estar ali, para celebrar a Eucaristia com os presentes, Igreja de Jerusalém. O papa quis saudar também os fiéis da Terra Santa que, por várias razões, não puderam estar presentes.

Como sucessor de Pedro – disse o pontífice – percorri os seus passos, para proclamar, entre vocês, o Senhor Ressuscitado, para confirmá-los na fé de seus pais e invocar sobre vocês a consolação que é o dom do Paráclito.
 

"Espero que minha presença aqui seja um sinal de que vocês não foram esquecidos – frisou o Santo Padre – que sua perseverante presença e testemunho são, de fato, preciosas aos olhos de Deus, e são um componente do futuro dessas terras." Dito isso, o pontífice fez uma exortação aos cristãos daquele lugar:

"Vocês, cristãos da Terra Santa, são chamados a servir não somente como um farol de fé para a Igreja presente no mundo inteiro, mas também como fermento de harmonia, sabedoria e equilíbrio na vida de uma sociedade que, tradicionalmente, foi e continua sendo pluralista, multiétnica e multirreligiosa."

Referindo-se à liturgia da palavra, o papa ressaltou que, na segunda leitura, o Apóstolo Paulo pede aos colossenses que "busquem as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus" (Col 3, 1). A exortação de Paulo a "buscar as coisas do alto" – frisou o pontífice – deve ressoar continuamente em seus corações. As suas palavras nos indicam o cumprimento da visão de fé naquela Jerusalém celeste, onde, em conformidade com as antigas profecias, Deus enxugará toda lágrima e preparará um banquete de salvação para todos os povos (cfr Is 25, 6-8; Ap 21, 2-4).

"Infelizmente – constatou o Santo Padre – entre os muros desta mesma cidade, somos levados a considerar como o nosso mundo se encontra distante do cumprimento dessa profecia e promessa. Nesta mesma Cidade Santa onde a vida derrotou a morte, onde o Espírito foi infundido como primeiro fruto da nova criação, a esperança continua combatendo o desespero, a frustração e o cinismo, enquanto a paz, que é dom e chamado de Deus, continua sendo ameaçada pelo egoísmo, pelo conflito, pela divisão e pelo peso das ofensas sofridas."

Por essa razão – continuou Bento XVI em sua homilia – a comunidade cristã nesta cidade que viu a ressurreição de Cristo e a efusão do Espírito, deve fazer todo o possível para conservar a esperança oferecida pelo Evangelho, considerando grandemente o penhor da vitória definitiva de Cristo sobre o pecado e sobre a morte, testemunhando a força do perdão e manifestando a natureza mais profunda da Igreja como sinal e sacramento de uma humanidade reconciliada, renovada e feita una em Cristo, o novo Adão.

"Reunidos entre os muros desta cidade, sagrada para os seguidores das três grandes religiões, como não dirigir os nossos pensamentos à vocação universal de Jerusalém? Anunciada pelos profetas, essa vocação se mostra como um fato indiscutível, uma realidade irrevogável fundada na complexa história desta cidade e de seu povo. Judeus, muçulmanos e cristãos juntos, qualificam, esta cidade como a sua pátria espiritual."

Quanto ainda precisa ser feito para torná-la realmente uma "cidade da paz" para todos os povos – ressaltou – onde todos possam vir em peregrinação em busca de Deus, e para ouvir a voz, "uma voz que fala de paz" (cf. Sl 85, 8)!

Como um microcosmo do nosso mundo globalizado, esta cidade deve viver a sua vocação universal – exortou o pontífice – deve ser um lugar que ensina a universalidade, o respeito pelos outros, o diálogo e a compreensão recíproca; um lugar onde o preconceito, a ignorância e o medo que os alimenta, sejam superados pela honestidade, pela integridade e pela busca da paz.

Entre esses muros – enfatizou – não deveria haver lugar para a discriminação, a violência e a injustiça. Aqueles que crêem num Deus de misericórdia – sejam eles judeus, cristãos ou muçulmanos – devem ser os primeiros a promover essa cultura da reconciliação e da paz, por mais lento que o processo possa ser, e por pesado que seja o fardo das recordações passadas.

O papa concluiu, exortando as autoridades a respeitarem a presença cristã naquela terra, assegurando, ao mesmo tempo, a solidariedade, o amor e o apoio de toda a Igreja e da Santa Sé aos cristãos na Terra Santa.
 

 

Santa Missa na Josafat Valley (Jerusalém, 12 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

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SEXTO DIA

6º DIA

PAPA EM BELÉM: "MANTENHAM VIVA A CHAMA DA ESPERANÇA"

Belém, 13 mai (RV) - Prossegue a peregrinação de Bento XVI pela Terra Santa. Na manhã de hoje o Santo Padre iniciou sua visita aos Territórios Palestinos. 

Ele foi recebido em Belém pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Abu Mazen, e pelas autoridades políticas, civis e religiosas. Abu Mazen é o presidente da ANP desde 2005. 

A ANP é uma organização concebida para ser um governo de transição até o estabelecimento do Estado palestino independente. Criada por meio do Acordo de Oslo (1993-95), firmado entre Israel e a Organização pela Libertação da Palestina (OLP), com mediação dos Estados Unidos, a ANP administra nominalmente partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. 

A cerimônia de boas-vindas ao Santo Padre se realizou na praça diante do Palácio Presidencial de Belém, cidade majoritariamente muçulmana, mas que abriga uma das maiores comunidades de cristãos palestinos.

Bento XVI agradeceu o acolhimento do presidente Abu Mazen e disse que sua peregrinação à Terra Santa não teria sido completa se não visitasse a cidade de Belém, a Cidade de Davi e lugar do nascimento de Jesus Cristo. 

O pontífice saudou o povo palestino e frisou que sabe o quanto eles sofreram e continuam sofrendo por causa dos conflitos que assolam esta terra. "Tenho no coração as famílias que perderam suas casas. Expresso a minha solidariedade e proximidade às pessoas que perderam seus familiares nas hostilidades, sobretudo, no recente conflito efetuado na Faixa de Gaza", frisou o papa. 

O Santo Padre disse ainda que a Santa Sé apóia o direito do povo palestino de ter uma pátria independente, segura e que viva em paz com os países vizinhos, dentro dos confins internacionalmente reconhecidos. 

Bento XVI encorajou o povo palestino a manter viva a chama da esperança, "esperança que possa achar um ponto de encontro entre as legítimas aspirações tanto dos israelenses quanto dos palestinos em vista da paz e da estabilidade".

O Santo Padre fez um apelo a todas as partes em conflito para que abandonem o rancor e tomem o caminho da reconciliação. Ele pediu à comunidade internacional para que faça todos os esforços possíveis em prol da solução dos conflitos e que ajude na reconstrução de casas, escolas e hospitais destruídos no recente conflito na Faixa de Gaza.

"Uma coexistência justa e pacífica entre os povos do Oriente Médio pode se realizar somente por meio do espírito de cooperação e do respeito recíproco, em que os direitos e a dignidade de todos sejam reconhecidos e respeitados", frisou o pontífice. 

O Santo Padre fez um apelo aos jovens palestinos para que não deixem que as perdas de vidas humanas nos conflitos e as destruições causem amargura e ressentimento em seus corações.

"Tenham a coragem de resistir a toda tentação sem recorrer a atos de violência e ao terrorismo. Promovam a paz e o futuro da Palestina. Que se cumpra nesta terra o cântico dos anjos que ressoou neste lugar: paz na terra aos homens de boa vontade", concluiu o papa.

Cerimônia de boas-vindas na praça em frente ao Palácio Presidencial (13 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

6º DIA

EM BELÉM, PAPA PEDE FIM DO EMBARGO EM GAZA

Belém, 13 mai (RV) - Após a cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial de Belém, a comitiva papal se dirigiu para a Praça da Manjedoura, a cerca de 2 km, onde Bento XVI celebrou uma missa. A Praça da Manjedoura é o ‘coração’ comercial da cidade, além de centro da atividade religiosa em Belém: é circundada pela Basílica da Natividade, pela Igreja de Santa Catarina, a Mesquita de Omar e o Centro Palestino pela Paz. 

Saudando o pontífice, o patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, afirmou que até quando houver instabilidade política e o muro que separa Belém de Jerusalém e do resto mundo continuar de pé, esta terra não terá paz. 

“A guerra em Gaza é ainda uma ferida aberta para centenas de milhares de pessoas, assim como a ocupação e a falta de esperança num futuro melhor. Nossas feridas precisam ser curadas, os prisioneiros libertados; nossos corações purificados do ódio, porque este povo, que continua a sofrer com a injustiça, precisa viver em paz e segurança” – completou. 

Em sua homilia, o papa expressou seu pesar pelos sofrimentos das famílias e comunidades que perderam componentes no conflito e enfrentam adversidades cotidianas. O papa saudou de modo especial os 50 peregrinos provenientes de Gaza, que receberam a autorização do governo israelense para participar da cerimônia, assegurando a todos a sua solidariedade com a obra de reconstrução e orações para que o embargo seja em breve levantado. 

Belém, local onde Deus escolheu tornar-se homem, é associada por todos à feliz mensagem do nascimento, da renovação, da luz e da liberdade. Mas “enquanto as pedras desta cidade continuam a anunciar a ‘Boa Nova’, este Reino de paz, segurança, justiça e liberdade, é uma promessa hoje ainda longe de ser realizada” - disse. 

“Cristo trouxe um Reino de amor divino, um Reino que é capaz de mudar este mundo, pois tem o poder de transformar os corações, iluminar as mentes e reforçar as intenções. Ele nos chamou a sermos testemunhas de sua vitória sobre o pecado e a morte; e é isto que devemos ser: testemunhas do triunfo do amor sobre o ódio, o egoísmo, o medo e o rancor que paralisam as relações humanas e criam divisões entre os irmãos que deveriam viver juntos, destruição no lugar de construção, desespero onde deveria haver esperança!”. 

O papa recordou que a conversão a Cristo se reflete em nossas ações e em nosso modo de pensar, na coragem de abandonar linhas de ação e de reação infrutuosas e estéreis. Viver na esperança gera pensamentos pacifistas, uma cultura de justiça, de respeito de direitos e deveres; o compromisso com o bem-comum; nos faz perseverar no bem e rejeitar o mal. 

Assim como o fez João Paulo II, em 2000, Bento XVI também assegurou a colaboração da Igreja universal e encorajou os cristãos a reforçarem sua presença, oferecendo alternativas àqueles tentados em imigrar. 

“Sejam uma ponte de diálogo e colaboração construtiva na edificação de uma cultura de paz que supere o atual estado de medo, de agressão e de frustração. Construam suas Igrejas locais a partir de laboratórios de diálogo, tolerância, esperança, solidariedade e caridade concreta”. 

Na conclusão, Bento XVI reafirmou que a vida doada por Cristo ressuscitado pode iluminar e transformar até as situações humanas mais sombrias e desesperadoras. “Sua terra precisa de novas estruturas econômicas, mas principalmente – frisou – de uma nova estrutura ‘espiritual’, que estimule homens e mulheres ao serviço de educação, desenvolvimento e promoção do bem-comum”.

 

Santa Missa na Praça da Manjedoura (Belém, 13 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

6º DIA

BENTO XVI VISITA HOSPITAL PEDIÁTRICO

Belém, 13 mai (Rádio Vaticano) - Após o almoço com os ordinários da Terra Santa e a comunidade dos franciscanos, o papa visitou nesta quarta-feira a Gruta da Natividade.

Venerado por cristãos das diversas confissões, a gruta tem um profundo significado histórico e religioso, por ser o lugar onde Jesus veio ao mundo. 

No chão da gruta, uma estrela de prata marca o local do nascimento de Jesus, com a inscrição em latim "Aqui, Jesus Cristo nasceu da Virgem Maria" (Hic de Virgine Maria Jesus Christus natus est). Sobre a estrela, estão penduradas quinze lâmpadas de prata, que representam as diversas comunidades cristãs.

Segundo informações do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, a visita foi marcada por um breve, mas intenso momento de oração. Primeiramente, Bento XVI rezou diante do altar da Natividade e, depois, diante da Gruta da Manjedoura. 

Da Gruta da Natividade, Bento XVI se dirigiu ao Hospital Caritas Baby, financiado pelas Conferências Episcopais de Suíça e Alemanha.

De fato, o arcebispo de Friburg (Alemanha), Dom Robert Zollitsch, e o bispo da Basiléia (Suíça), Dom Kurt Koch, guiaram o papa na visita à maternidade e à capela do hospital.
 Segundo o Pe. Lombardi, a visita ao hospital foi "comovente". Em especial, o papa conheceu uma criança prematura, de dois quilos e meio, de nome Elias. O pontífice, aliás, presenteou o hospital com um aparelho de respiração artificial para crianças prematuras.

 

 

 

 

Visita ao Caritas Baby Hospital de Belém (13 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

6º DIA

PAPA VISITA CAMPO DE REFUGIADOS: CORAGEM E IMAGINAÇÃO PARA ALCANÇAR A PAZ

Belém, 13 mai (Rádio Vaticano) - Após visitar o Hospital Caritas Baby, na tarde desta quarta-feira, o papa seguiu para o campo de refugiados de Aida, onde vivem entre três e quatro milhões de palestinos.

O encontro com as autoridades políticas e representantes da ONU ocorreu no campo de basquete de uma escola feminina. 

O pontífice assistiu a uma apresentação de dança do folclore palestino e diante de centenas de pessoas, manifestou sua solidariedade a todos os palestinos que perduram tudo: parentes, casa e trabalho.

Assim como no discurso na cerimônia de boas-vindas a Belém, o papa citou as vítimas do recente conflito de Gaza, afirmando que elas são constantemente recordadas em suas orações. 

O pontífice agradeceu às inúmeras agências da Igreja que trabalham no local, entre elas, a comunidade franciscana. São Francisco, aliás, foi citado várias vezes no discurso do Santo Padre, por ser um defensor da paz:

"Quanto as pessoas deste campo e de toda a região anseiam a paz. Agora, vocês se encontram em condições precárias e difíceis, com limitadas oportunidades de emprego" – afirmou, acrescentando que é compreensível o sentimento de frustração, já que as aspirações a uma pátria permanente, a um Estado Palestino independente, permanecem incompletas.

Em meio a uma espiral de violência, de ataques e contra-ataques, de vinganças e de destruições contínuas, é duro constatar que as negociações entre israelenses e palestinos se encontram em um "ponto morto" – e o muro simboliza essa inércia.

"Em um mundo em que as fronteiras estão sempre mais abertas, é trágico ver que ainda hoje são construídos muros. Quanto rezamos ardentemente para que acabem as hostilidades que causaram sua construção!"

De ambos os lados do muro, afirmou o pontífice, é necessário grande coragem para superar o medo e a desconfiança. É preciso magnanimidade para buscar a reconciliação depois de anos de confrontos armados.

Bento XVI constatou que a ajuda humanitária tem um papel essencial a desempenhar; todavia, a solução a longo prazo para o conflito só pode ser política, com o apoio da comunidade internacional, mas com a coragem e a imaginação de israelenses e palestinos.

O papa conclui seu discurso com alguns trechos da famosa "Oração da Paz" de S. Francisco: "Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz".

 

Visita Aida Refugee Camp de Belém (13 de maio de 2009)
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6º DIA

PAPA AO POVO PALESTINO: EMBORA MUROS POSSAM SER FACILMENTE CONSTRUÍDOS, NÃO DURARÃO ETERNAMENTE

Belém, 13 mai (Rádio Vaticano) - O último compromisso do Santo Padre nos Territórios palestinos foi a visita de cortesia, às 18h locais (meio-dia de Brasília) ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Abu Mazen, no palácio presidencial, em Belém. Ali, o pontífice encontrou também representantes de algumas comunidades palestinas de Gaza e da Cisjordânia.

Após o colóquio privado entre Bento XVI e Abu Mazen, teve lugar, no pátio do palácio presidencial, a cerimônia de despedida.

Ao agradecer ao presidente da ANP pela sua hospitalidade e pelas palavras a ele dirigidas, o papa disse ter sido motivo de grande emoção escutar também o testemunho dos residentes que falaram das condições de vida na zona ocidental e em Gaza. "Asseguro a todos vocês que os tenho no meu coração e anseio ver paz e reconciliação nestas terras atormentadas" – enfatizou o Santo Padre.

Bento XVI expressou ainda, a alegria de ter podido celebrar a missa com uma grande multidão de fiéis no lugar onde nasceu Jesus Cristo, "luz das nações e esperança do mundo". A seguir, o papa descreveu a experiência vivida em cada etapa de sua visita aos Territórios palestinos.

Referindo-se ao muro existente nos Territórios, separando os vizinhos e dividindo as famílias, exortou os presentes a olharem para o futuro.


"Embora os muros possam ser facilmente construídos, todos sabemos que não duram eternamente. Mas antes é necessário remover os muros que construímos em torno dos nossos corações, as barreiras que erigimos contra o nosso próximo. Eis o motivo pelo qual, ao despedir-me de vocês, quero renovar o meu apelo à abertura e à generosidade de espírito, ao fim da intolerância e da exclusão. Por mais que um conflito possa parecer profundo e sem saída, existem sempre motivos para esperar que possa ser resolvido, que os esforços pacientes e perseverantes daqueles que trabalham pela paz e a reconciliação, no fim darão os seus frutos."

O Santo Padre expressou ainda, que seu fervoroso desejo é que isso possa logo se realizar, e que o povo palestino possa finalmente gozar aquela paz, liberdade e estabilidade da qual há tanto tempo tem sido privado. Em seguida, o papa assegurou, nesse sentido, o empenho da Santa Sé:

"Asseguro a todos vocês que aproveitarei toda oportunidade para exortar aqueles que estão envolvidos nas negociações de paz a trabalharem por uma solução justa que respeite as legítimas aspirações de ambos, israelenses e palestinos. Como passo importante nessa direção, a Santa Sé deseja estabelecer brevemente, de acordo com a Autoridade Palestina, a Comissão Bilateral de Trabalho Permanente que foi delineada no Acordo de base, assinado no Vaticano no dia 15 de fevereiro do ano 2000 (cfr Acordo de base entre a Santa Sé e a Organização para a Libertação da Palestina, art. 9)."

Concluída a cerimônia de despedida, o Santo Padre deixou os Territórios palestinos, retornando para a Delegação Apostólica de Jerusalém, onde se encontra hospedado nestes dias da sua XII viagem apostólica internacional.

Amanhã, quinta-feira, sétimo dia de sua peregrinação na Terra Santa, Bento XVI passará todo o dia em Nazaré, onde, às 10h locais (4h de Brasília), no Monte do Precipício, presidirá à santa missa. Às 15h50 locais, no Convento dos Franciscanos de Nazaré, terá um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu.

Em seguida, às 16h30, no Santuário da Anunciação de Nazaré, terá um encontro com os chefes religiosos da Galiléia. Às 17h, visitará a Gruta da Anunciação, no Santuário de Nazaré.

No último compromisso do dia, meia hora depois, sempre no Santuário da Anunciação, fará a celebração das Vésperas com os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, membros de Movimentos eclesiais e agentes de pastoral da Galiléia.

No final do dia, Bento XVI deixará Nazaré, retornando para a Delegação Apostólica de Jerusalém.

Cerimônia de despedida no Palácio Presidencial (13 de maio de 2009)
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

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SÉTIMO DIA                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                

7º DIA

PAPA EM NAZARÉ: 'QUE O ESTADO PROTEJA OS DIREITOS DA FAMÍLIA'

Nazaré, 14 mai (Rádio Vaticano) - Bento XVI continua a sua peregrinação na Terra Santa. Do esplêndido cenário do Monte do Precipício, em Nazaré, o papa presidiu, nesta manhã, a Santa Missa de encerramento do Ano da Família, proclamado pela Igreja Católica na Terra Santa. 

Nazaré é a maior cidade árabe ao norte do Estado de Israel e a mais importante da região da Galiléia. Os habitantes da cidade antiga são quarenta mil entre cristãos e muçulmanos. Desde a proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, surgiu a Nazaré Illit, parte nova da cidade e independente, formada por judeus imigrantes que somam trinta mil habitantes. O Novo Testamento descreve a cidade de Nazaré como a terra onde Jesus passou sua infância, e por isto ela se tornou um centro de peregrinação cristã.

O Santo Padre foi acolhido nesta manhã pelos prefeitos de Nazaré e de Nazaré Illit, pelo vigário patriarcal latino para Israel, Dom Giacinto-Boulos Marcuzzo, pelo arcebispo maronita de Haifa e Terra Santa, Dom Paul Nabil El-Sayah, e por quarenta e cinco mil fieis que o aguardavam no Monte do Precipício.


O papa agradeceu o arcebispo greco-melquita de Akka, Dom Elias Chacour, pelas boas-vindas e saudou, desejando a paz, aos bispos, sacerdotes, religiosos e todos os fiéis da Galiléia que, com vários ritos e tradições, expressam a universalidade da Igreja de Cristo. 

O pontífice saudou todos aqueles que organizaram a celebração eucarística e trabalharam no planejamento e na construção do esplêndido panorama do Monte do Precipício. 

O papa desejou que Ano da Família possa promover o compromisso da vida familiar na região e encoraje as famílias em sua insubstituível missão na sociedade. 

"Seguindo o exemplo de Maria, José e Jesus possamos apreciar ainda mais a santidade da família, que, no plano de Deus, se baseia na fidelidade por toda a vida entre um homem e uma mulher, santidade consagrada no pacto conjugal aberta ao dom de Deus a novas vidas. Os homens e as mulheres de nosso tempo precisam se reapropriar desta verdade fundamental, que é a base da sociedade, e por isso é importante o testemunho das pessoas casadas a fim de ajudar na formação de consciências amadurecidas e na construção da civilização do amor", ressaltou Bento XVI.

O pontífice disse ainda em sua homilia que a Sagrada Escritura apresenta a família como a primeira escola de sabedoria, a Igreja doméstica, uma escola que educa os seus membros na prática de virtudes que levam à autêntica felicidade. O Santo Padre exortou o Estado a proteger os direitos das famílias e ajudá-las em sua missão de educadora.


"Nazaré nos recorda o dever de reconhecer e respeitar a dignidade e a missão dada por Deus às mulheres, como também os seus carismas e talentos particulares. Sejam como mães de família, como presença vital no trabalho e nas instituições da sociedade, como também no particular chamado a seguir o Senhor mediante os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, as mulheres têm a função indispensável de criar aquela ecologia humana de que o mundo e também esta terra tanto precisam: um ambiente onde as crianças aprendam a amar e a respeitar os outros, a serem honestas e praticar as virtudes da misericórdia e do perdão", frisou o papa.

O Santo Padre falou também de São José, homem justo que deu um grande exemplo paterno. Com ele Jesus aprendeu como a autoridade colocada a serviço do amor se torna fecunda. 

O pontífice exortou os jovens a se deixarem guiar pelo exemplo de Jesus não somente respeitando seus pais, mas também ajudando-os a descobrir o amor que dá sentido completo à nossa vida. 

Bento XVI recordou que Nazaré foi palco de conflitos nos últimos anos que prejudicaram as relações entre as comunidades cristãs e muçulmanas. O Santo Padre convidou todas as pessoas de boa vontade das duas comunidades ao diálogo e a fidelidade ao único Deus, para que construam pontes de diálogo e promovam a convivência pacífica.

O papa concluiu agradecendo a todos aqueles que trabalham para levar o amor de Deus às crianças de Nazaré e na educação das futuras gerações nos caminhos da paz, e lembrou os esforços da Igreja local em suas escolas e instituições caritativas a fim de abater os obstáculos, desejando que elas sejam um terreno fértil de encontro, diálogo, reconciliação e solidariedade.

O Santo Padre encorajou os sacerdotes, religiosos, catequistas, professores, pais, e os que se dedicam ao bem dos jovens, a testemunharem do Evangelho e terem confiança no triunfo do bem e da verdade, e que confiem em Deus que multiplicará todas as iniciativas em prol da propagação do seu Reino de santidade, solidariedade, justiça e paz. 

No final da celebração eucarística o papa abençoou as primeiras pedras do Centro Internacional da Família, do Parque Memorial João Paulo II e da Universidade Papa Bento XVI. 

A seguir o Santo Padre almoçou com os bispos e com os frades da Custódia da Terra Santa no Convento dos Frades Franciscanos de Nazaré.

Santa Missa no Monte do Precipício (Nazaré, 14 de maio de 2009)
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7º DIA

JORNAIS ÁRABES DESTACAM VISITA DO PAPA A BELÉM

Roma, 14 mai (Rádio Vaticano) - “O Papa é a favor de um Estado independente e do fim dos muros de separação”: esse é um título comum hoje para muitos jornais árabes, grande parte dos quais publica a foto do Pontífice que fala diante da barreira que Israel construiu ao redor da Cisjordânia.

“Diante da Basílica da Natividade em Belém, berço da cristandade, o Papa disse aos palestinos que compreende o seu sofrimento e expressou o seu mais aberto e significativo apoio a uma pátria para os palestinos na terra dos seus antepassados”, escreve o jornal libanês An Nahar.

“O Papa afirma que o muro de separação pode ser derrubado”, escreve o jornal saudita al Ryadh, que até agora tinha ignorado a visita de Bento XVI à Terra Santa. Também a imprensa governamental síria rompeu hoje o seu longo silêncio sobre a viagem do Santo Padre. “O Papa define “trágico” o muro de separação”, escreve al Thawra na sua primeira página. “O Papa pede o fim do embargo de Gaza”, escreve por sua vez Tishtrin, na primeira página.

“O Papa pede a criação de um Estado palestino e reza na Basílica da Natividade pelo fim do embargo contra Gaza”, destaca o jornal internacional árabe saudita al Awsat.

O jornal al Jazeera do Catar deu início hoje uma pesquisa pedindo aos seus leitores se acreditam que a viagem do Papa conseguiu o seu objetivo declarado de favorecer a reaproximação entre religiões e consideram a visita do Santo Padre

 

7º DIA

PRESIDENTE DE ISRAEL FAZ BALANÇO DA VIAGEM DO PAPA

Roma, 14 mai (Rádio Vaticano) - “Bento XVI tocou os temas mais profundos do nosso tempo. O novo anti-semitismo, uma doença que as pessoas devem saber tratar. O Papa tomou distância, com voz clara”. O presidente israelense Shimon Peres faz um balanço positivo da visita do Pontífice ao Oriente Médio.

Em uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Peres sublinha as palavras claras de Bento XVI e diz: “Hoje o problema não é distinguir entre Estado e Igreja ou entre judeus, cristãos e muçulmanos. É necessária uma nítida separação entre violência e fé”. Sobre essa questão “não há espaço para a confusão e creio que para isso o Papa esteja fazendo todo o possível”.

Falando sobre o conflito com os palestinos, e sobre se o premier israelense Netanyahu é contrário à solução de dois povos e dois Estados, o presidente Peres disse que “Netanyahu não disse nada. Nem que é contra. Somente pediu tempo. O governo sempre apoiou a idéia de um Estado palestino, como o Papa e os Estados Unidos. Agora podemos discutir, e não se pode dizer que existe contraste”.

Em cima das preocupações do presidente Peres está Teerã: “O Irã – destaca – não é um problema de Israel, é um problema mundial. Ouvi Putim e Obama dizerem isso. Mas a comunidade internacional encontra-se dividida. Se alguém diz sim e outros não, Ahmadinejad sai ganhando. Não sabem o quanto ele é perigoso, ele é o único líder do mundo que deseja destruir outro membro da ONU”.
 

7º DIA

PAPA NO ENCONTRO COM CHEFES RELIGIOSOS DA GALILÉIA: A PAZ É DOM DE DEUS, MAS NÃO PODE SE REALIZAR SEM ESFORÇO DO HOMEM

Nazaré, 14 mai (Rádio Vaticano) - Bento XVI manteve esta tarde, às 16h30 locais, no auditório do Santuário da Anunciação, de Nazaré, um encontro com os chefes religiosos da Galiléia.

O vigário patriarcal latino de Jerusalém, Dom Giacinto-Boulos Marcuzzo, saudou o Santo Padre, ressaltando a importância de sua peregrinação na Terra Santa, e a alegria deste cordial encontro com os chefes religiosos da Galiléia.

Agradecendo pelas palavras de boas-vindas a ele dirigidas e pelo caloroso acolhimento, o Santo Padre saudou os líderes das diversas comunidades presentes: cristãos, muçulmanos, judeus, drusos e outros.

Após ressaltar perceber como uma bênção particular poder visitar a cidade venerada pelos cristãos como o lugar onde o anjo anunciou à Virgem Maria que conceberia por obra do Espírito Santo, e que ali o Menino Jesus "crescia em sabedoria e graça diante de Deus" (Lc 2, 40), o papa frisou que o mundo, longe de ser um fato cego, foi querido por Deus e revela o seu esplendor glorioso.

Dito isso, o pontífice acrescentou:

"No coração de toda tradição religiosa encontra-se a convicção de que a própria paz é um dom de Deus, embora esta não possa ser alcançada sem o esforço humano. Uma paz duradoura provém do reconhecimento que o mundo não é nossa propriedade, mas, sobretudo, o horizonte no qual somos convidados a participar do amor de Deus e a cooperar na condução do mundo e da história sob a sua inspiração."

Bento XVI advertiu ainda que não podemos fazer com o mundo tudo aquilo que nos apraz; aliás, somos chamados a conformar as nossas escolhas segundo as complexas e, todavia, perceptíveis leis escritas no universo pelo Criador, e a modelar as nossas ações segundo a bondade divina presente no reino da criação – ressaltou.

O pontífice prosseguiu recordando que a Galiléia, uma terra conhecida pela sua heterogeneidade étnica e religiosa, é a pátria de um povo que conhece bem os esforços exigidos para viver em harmoniosa coexistência.

"As nossas diversas tradições religiosas – destacou – têm em si notáveis potencialidades em relação à promoção de uma cultura da paz, especialmente mediante o ensino e a pregação dos valores espirituais mais profundos da nossa comum humanidade".

Em seguida, o Santo Padre fez questão de observar que plasmando o coração dos jovens, plasmamos o futuro da própria humanidade, acrescentando que os cristãos se unem a judeus, muçulmanos, drusos e pessoas de outras religiões no desejo de salvaguardar as crianças do fanatismo e da violência, ao tempo em que os preparam para que sejam construtores de um mundo melhor.

Por fim, o pontífice fez uma exortação aos chefes religiosos da Galiléia:

"Meus caros amigos, sei que vocês acolhem com alegria e com a saudação da paz os muitos peregrinos que chegam à Galiléia. Encorajo-os a continuarem exercendo o respeito recíproco, ao tempo em que trabalham para aliviar as tensões concernentes aos lugares de culto, garantindo assim um ambiente sereno para a oração e a meditação, aqui e em toda a Galiléia. Representando diversas tradições religiosas, vocês partilham o desejo comum de contribuir para o melhoramento da sociedade e testemunham assim os valores religiosos e espirituais que ajudam a fortalecer a vida pública."

Bento XVI concluiu assegurando o compromisso da Igreja Católica de participar dessa nobre tarefa.

Após o encontro com os chefes religiosos da Galiléia, o Santo Padre deixou o auditório do Santuário da Anunciação, transferindo-se para a Basílica Inferior do Santuário de Nazaré, onde, acolhido pelo Ministro Geral dos Franciscanos, foi acompanhado até a Gruta da Anunciação, momento marcado de grande comoção. Ali, o papa se deteve por alguns instantes em oração e recolhimento.

Saudação aos Chefes Religiosos da Galileia no Auditório do Santuário da Anunciação (Nazaré, 14 de maio de 2009)
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7º DIA

PROCESSO DE PAZ NO ORIENTE MÉDIO NORTEIA ENCONTRO DO PAPA COM PREMIER ISRAELENSE

Nazaré, 14 mai (Rádio Vaticano) - Bento XVI prosseguiu seus compromissos desta quinta-feira em Nazaré − penúltimo dia de sua peregrinação na Terra Santa − mantendo um importante encontro privado, esta tarde, às 15h50 locais (9h50 de Brasília), no Convento dos Franciscanos, com o primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu, 32º premier desde o nascimento do Estado de Israel, à frente do Governo desde 1º de abril passado.

Estiveram no centro do colóquio privado, que durou quinze minutos, sobretudo, "o tema do processo de paz no Oriente Médio e os modos como fazê-lo progredir" – disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi.

Logo em seguida, se reuniram as duas delegações: a delegação israelense, composta por seis pessoas; e a delegação vaticana, conduzida pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e composta pelo substituto da Secretaria de Estado, Dom Fernando Filone, e pelo núncio apostólico em Israel e delegado apostólico em Jerusalém e Palestina, Dom Antonio Franco, acompanhado de um secretário.

Nos vinte minutos de colóquio entre as delegações, falou-se dos temas relacionados à aplicação do acordo econômico e financeiro entre Israel e Santa Sé, com destaque para alguns temas concretos, entre os quais a questão dos vistos de entrada e permanência no país, para religiosos católicos em Israel.

 

7º DIA

BENTO XVI CONVIDA CRISTÃOS DA TERRA SANTA A PERSEVERAREM NA UNIDADE E NA COMUNHÃO

Nazaré, 14 mai (Rádio Vaticano) - No final da tarde, o Santo Padre manteve o último compromisso desta quinta-feira − penúltimo dia de sua peregrinação na Terra Santa: a celebração das Vésperas com os bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, membros de movimentos eclesiais e agentes de pastoral da Galiléia, no Santuário da Anunciação.

Em sua homilia, partindo de uma reflexão sobre o mistério da anunciação, o pontífice convidou os cristãos da Terra Santa a perseverarem na unidade e na comunhão entre si, a renovarem sua esperança na solução das dificuldades e a permanecerem na Terra Santa, testemunhando Jesus nos lugares em que Ele viveu.

O papa ressaltou que quando nosso Senhor Jesus Cristo foi concebido por obra do Espírito Santo no seio virginal de Maria, Deus se uniu com a nossa humanidade, entrando numa permanente relação conosco e inaugurando uma nova Criação.

Deus não impõe a si mesmo, não predetermina simplesmente a parte que Maria terá em seu plano salvífico, mas busca, em primeiro lugar, o seu consentimento – frisou o pontífice.

Bento XVI destacou ainda, que Maria está no lugar de toda a humanidade. E Maria disse: "Faça-se em mim segundo a vossa palavra." E a Palavra de Deus se fez carne. Refletir sobre esse alegre mistério – observou – nos dá esperança, "a segura esperança de que Deus continuará conduzindo a nossa história, agindo com poder criativo, para realizar os objetivos que segundo os cálculos humanos parecem impossíveis".

As condições dos cristãos na Terra Santa são difíceis, mas o Magnificat de Maria nos dá a esperança de que Deus fará maravilhas para nós – exortou Bento XVI.

"No Estado de Israel e nos Territórios Palestinos, os cristãos formam uma minoria da população. Por vezes, pode parecer que a voz de vocês conte pouco. Muitos de seus amigos cristãos emigraram, na esperança de encontrar segurança e melhores perspectivas em outros lugares. A situação de vocês faz lembrar a situação da jovem Virgem Maria, que viveu uma vida no anonimato em Nazaré, com pouco para o cotidiano em relação à riqueza e à influência moderna" – disse ainda o papa.

Por fim, Bento XVI pediu aos cristãos que tenham a coragem de ser fiéis a Cristo e que permaneçam na terra que Ele santificou com a sua própria presença. Como Maria – disse – vocês têm um papel a desempenhar no plano de salvação de Deus, levando Cristo ao mundo, dando testemunho d'Ele e difundindo a Sua mensagem de paz e de unidade. Por isso, é essencial que vocês sejam unidos entre si, de modo que a Terra Santa possa ser claramente reconhecida como "um sinal e um instrumento de comunhão com Deus e de unidade de todo o gênero humano".

Após a celebração das Vésperas, o Santo Padre deixou Nazaré, retornando à Delegação Apostólica, em Jerusalém, cidade que será palco dos últimos compromissos do pontífice nesta sua histórica e emocionante XII Peregrinação Apostólica Internacional.
 

 

Celebração das Vésperas com os Bispos, os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os movimentos eclesiásticos e os agentes pastorais da Galileia na Basílica Superior da Anunciação de Nazaré
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

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ÚLTIMO DIA

8º DIA

PAPA NO SANTO SEPULCRO: "CRISTO RESSUSCITOU! O AMOR VENCEU A MORTE"

Jerusalém, 15 mai (Rádio Vaticano) - Bento XVI visitou, neste derradeiro dia de sua peregrinação apostólica na Terra Santa, a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e ressuscitou no Domingo de Páscoa. 

Era chamado Gólgota, que em aramaico, significa "lugar do crânio": por sua forma arredondada que é semelhante a um crânio; e pela tradição que narra da sepultura, ali, do crânio de Adão.

"Diante deste Santo Sepulcro de onde o Senhor venceu a morte e abriu o caminho do Reino dos Céus, saúdo todos os fiéis, na alegria do tempo pascal" − ressaltou o papa. 

O Santo Padre agradeceu ao patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, e ao custódio da Terra Santa, Fr. Pierbattista Pizzaballa, pelas boas-vindas. Agradeceu também o acolhimento da hierarquia da Igreja Greco-ortodoxa e da Igreja Apostólica Armênia, bem como dos membros de outras comunidades cristãs da Terra Santa. 

O papa saudou o Grão-mestre da Ordem Eqüestre do Santo Sepulcro, Cardeal John Patrick Foley, e agradeceu a todos os membros da ordem ali presentes, pela incansável dedicação à missão da Igreja na Terra Santa. 

"Depois de cerca de vinte séculos, o Sucessor de Pedro e Bispo de Roma está aqui, neste lugar, diante do sepulcro vazio, contemplando o mistério da ressurreição" − frisou o pontífice.

A partir daí, a história da humanidade mudou definitivamente. "O longo domínio do pecado e da morte foi destruído pelo triunfo da obediência e da vida. O julgamento de Deus foi proferido sobre este mundo e a graça do Espírito Santo desceu sobre toda a humanidade" − sublinhou o papa. 

Em seu discurso, Bento XVI ressaltou que Cristo, o novo Adão, nos ensina que o mal nunca vencerá o bem, que o amor é mais forte que a morte, que o nosso futuro e de toda humanidade está nas mãos do Deus providente e fiel.

"O sepulcro vazio nos fala de esperança, daquela esperança que não nos engana, porque é dom do Espírito da vida. Possa essa esperança reinar sempre, pela graça de Deus, no coração de cada pessoa que vive nestas terras. Possa a esperança se arraigar em seus corações, permanecer nas famílias e comunidades, e inspirar em cada um de vocês, um testemunho sempre mais fiel ao Príncipe da Paz" – ressaltou o Santo Padre. 

O pontífice disse ainda, que a Igreja na Terra Santa não deve cessar de anunciar a mensagem de esperança que o sepulcro vazio proclama, e "fez votos de que os amargos frutos de recriminação e de hostilidade possam ser superados, e que um futuro de justiça, paz, prosperidade e colaboração possa surgir para cada homem e mulher, e para toda a humanidade, sobretudo, para o povo que vive nesta terra, tão querida pelo Salvador". 

O papa convidou todos a olharem com os olhos da fé o rosto do Senhor crucificado e ressuscitado. Ele fez votos de que a Igreja na Terra Santa possa adquirir cada vez mais força na contemplação do Sepulcro vazio e fortificar seu compromisso de proclamar o triunfo do perdão de Cristo e a promessa de uma nova vida. 

O pontífice concluiu com um encorajamento aos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas que trabalham, servindo a Igreja na Terra Santa: "Aqui, diante do sepulcro vazio, coração da Igreja, convido todos vocês a renovarem o entusiasmo da consagração a Cristo e o compromisso de amor a serviço da Igreja."

Visita ao Santo Sepulcro de Jerusalém (15 de maio de 2009)
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8º DIA

PATRIARCA LATINO DE JERUSALÉM: PAPA DEIXA NA TERRA SANTA MENSAGEM DE ESPERANÇA

Jerusalém, 15 mai (Rádio Vaticano) - Concluída, nesta sexta-feira, a XII Viagem Apostólica Internacional de Bento XVI, que o levou, desta vez, à Cisjordânia, Israel e Territórios Palestinos, a Rádio Vaticano procurou saber do patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, qual mensagem o papa deixou à Terra Santa.

Dom Fouad Twal:- "Deixa uma mensagem de esperança. Após sua partida, não devemos esperar milagres, mas ele semeou muito, e agora cabe a nós dar ao Senhor o tempo e o momento para que possamos colher aquilo que semeamos, todos juntos. A meu ver, os contatos do papa com a Igreja local e com as autoridades civis foram muito positivos. Deixou uma esperança para todos, tanto na Jordânia quanto em Israel e Belém. Depois, no encontro formal com o Primeiro-ministro Netanyahu, abordou temas pertinentes à vida da Igreja local. Isso, para nós, é indispensável, e estamos sempre na expectativa e com esperança."

P. Qual a incumbência que Bento XVI confia à Igreja na Terra Santa?

Dom Fouad Twal:- "Deixa esse apelo a resistir, a permanecer, a ter a consciência de que não podemos permanecer nesta terra sem a cruz. Devemos entender isso e aceitar esse desafio, um desafio histórico. Cabe a nós aceitá-lo. É verdade que a situação é sempre difícil, sempre dramática. Também o Santo Padre e sua comitiva tiveram a oportunidade de conhecer de perto essas dificuldades, essa situação complexa que nós vivemos a cada dia. E então, sentimos o papa e toda a Igreja mais próximos de nós. Certamente, essa voz do Santo Padre deve chegar à Igreja presente no mundo inteiro, a todos os cristãos, para pedir-lhes mais oração pela Terra Santa, mais solidariedade em todos os sentidos."

P. Há uma imagem que tenha singularmente marcado essa viagem, que tenha ficado particularmente gravada em sua memória?

Dom Fouad Twal:- "A imagem do Santo Padre é a imagem do sorriso. Em alguns momentos, nós nos sentíamos nervosos e impacientes, mas ele tinha uma serenidade interior impressionante. Isso, para mim, é o espelho de outra união com Alguém que lhe dá essa força e essa serenidade."

Encontro Ecumênico na Sala do trono da Sede do Patriarcado Greco-Ortodoxo de Jerusalém (15 de maio de 2009)
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8º DIA

PAPA SE DESPEDE DA TERRA SANTA: "VIM COMO AMIGO DOS ISRAELENSES E DOS PALESTINOS"

Telaviv, 15 mai (Rádio Vaticano) - No discurso na cerimônia de despedida no aeroporto Ben Gurion, de Telaviv, Bento XVI falou dos momentos mais marcantes desta sua peregrinação, e citou a visita ao memorial do holocausto, Yad Vashem, como um deles.

No memorial, ele teve a oportunidade de recordar sua visita de três anos atrás, ao campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, onde "muitos judeus foram brutalmente exterminados, sob um regime sem Deus, que propagava uma ideologia de antissemitismo e de ódio". 

Agradecendo pela hospitalidade, o pontífice disse que visitou o país seja como amigo dos israelenses seja como amigo dos palestinos. Os amigos – sublinhou − gostam de estar juntos e se entristecem profundamente ao ver o sofrimento do outro. 

"Nenhum amigo dos israelenses e dos palestinos pode deixar de se sentir triste, ao ver a contínua tensão entre os dois povos. Nenhum amigo pode evitar o choro, pelos sofrimentos e pela perda de vidas humanas que ambos os povos sofreram, nas últimas décadas" – observou o Santo Padre.

"Chega de derramamento de sangue! Chega de confrontos! Chega de terrorismo! Chega de guerra!" – foi o derradeiro apelo do papa.

Bento XVI citou o muro que divide os dois povos como uma das visões mais tristes de sua visita. "Enquanto o percorria, rezei por um futuro em que os povos da Terra Santa possam viver juntos, em paz e harmonia, sem a necessidade de instrumentos do gênero, de segurança e separação, mas se respeitando e confiando um no outro, na renúncia a qualquer forma de violência e de agressão."

O papa concluiu seu discurso, assegurando suas orações, assim como a dos católicos de todo o mundo, a fim de que a Terra Santa possa alcançar uma paz justa e duradoura. 

Após o discurso e a saudação das autoridades, Bento XVI deixou a Terra Santa.

Visita à Igreja Patriarcal Armênia Apostólica de São Tiago de Jerusalém
[Alemão, Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

 

Cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional Ben Gurion (Tel Aviv, 15 de maio de 2009)
[Alemão,
Árabe, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português]

8º DIA

O SANTO PADRE NO AVIÃO DE VOLTA: "VIM COMO PEREGRINO E ESPERO QUE MUITOS SIGAM ESTE CAMINHO E ASSIM ENCORAJEM A UNIDADE DOS POVOS DESTA TERRA SANTA"

O Papa Bento XVI concluiu a sua perigrinação na Terra Santa. O avião da companhia israelense El Al aterrissou às 16:43h, horário local, na base militar de Ciampino. Durante a viagem, a bordo do avião o Santo Padre dirigiu umas breves palavras aos jornalistas presentes dando algumas impressões sobre sua viagem. Em especial afirmou da necessidade de se falar mais sobre o desejo comum de paz que existe nesta terra: não devemos esconder as dificuldades, mas devemos encorajar mais a paz. Eis  o que disse o Papa:

PALAVRAS DO SANTO PADRE

Cidade do Vaticano, 16 mai (Rádio Vaticano) - Durante o vôo de retorno da peregrinação apostólica na Terra Santa, concluída ontem, sexta-feira, Bento XVI teve um breve encontro com os jornalistas, no qual lhes agradeceu pelo trabalho realizado.

O papa deteve-se também sobre as impressões suscitadas pela peregrinação nos lugares de Jesus, ressaltando, em particular, a necessidade de alimentar o desejo comum de paz. "Não devemos esconder as dificuldades, mas encorajar mais para a reconciliação" – disse.

O pontífice recordou aos jornalistas algumas imagens inesquecíveis de sua peregrinação na Terra Santa: entre elas, "a comovente descida ao ponto mais profundo da terra, no Jordão, símbolo da descida de Cristo aos pontos mais profundos da existência humana".

Outros momentos evocados pelo Santo Padre foram a visita ao Santo Sepulcro e ao Cenáculo, "onde o Senhor nos deu a Eucaristia, onde teve lugar o Pentecostes". Bento XVI uniu essas imagens ao significado de sua viagem apostólica à Terra Santa:

"Vim como peregrino de paz. O peregrino é um elemento essencial de muitas religiões, como no Islã, na religião judaica e no Cristianismo. É também a imagem da nossa existência, que é um caminhar avante, rumo a Deus e, assim, rumo à comunhão da humanidade. Vim como peregrino e espero que muitos sigam essas pegadas e, assim, encorajem a unidade dos povos desta Terra Santa e se tornem, por sua vez, mensageiros de paz."

Em seguida, o pontífice afirmou que "as impressões fundamentais" suscitadas pela peregrinação na Terra Santa foram três: "A primeira é que em todos os ambientes – muçulmano, cristão e judeu - encontrei uma firme disponibilidade ao diálogo inter-religioso, ao encontro e à colaboração entre as religiões. E é importante que todos vejam isso, não somente como uma ação inspirada por motivos políticos suscitados pela situação, mas como fruto do próprio núcleo de fé, porque acreditar no único Deus que criou todos nós, Pai de todos nós, acreditar neste Deus que criou a humanidade como uma família, acreditar que Deus é amor e quer que o amor seja a força dominante no mundo, implica esse encontro, essa necessidade do encontro, do diálogo, da colaboração como exigência da própria fé."

Bento XVI ainda acrescentou ter encontrado "um clima ecumênico muito encorajador": "Tivemos muitos encontros com o mundo ortodoxo, com grande cordialidade; tive a oportunidade de falar com um representante da Igreja Anglicana e dois representantes luteranos, e se vê que exatamente esse clima da Terra Santa encoraja também o ecumenismo."

A terceira impressão suscitada pela viagem foi a constatação das "enormes dificuldades" ao lado de "um profundo desejo de paz por parte de todos": "As dificuldades são mais visíveis e não devemos escondê-las; existem e devem ser esclarecidas. Mas não é tão visível o desejo comum da paz e de fraternidade, e creio que devemos falar também disso, encorajar todos nesta vontade de encontrar as soluções certamente não fáceis para essas dificuldades."


 

ORIGINAL EM ITALIANO

 

8º DIA

FR. PIERBATTISTA PIZZABALLA: PAPA MOSTRA QUE PAZ NA TERRA SANTA NÃO É UTOPIA

Jerusalém, 15 mai (Rádio Vaticano) - O Boeing-777 da companhia israelense "El Al", que trouxe o papa e sua comitiva da Terra Santa, aterrissou às 16h43 desta sexta-feira (hora de Roma, correspondente às 11h43 de Brasília) no aeroporto militar de Ciampino. Em seguida, o Santo Padre transferiu-se, de helicóptero, para o Vaticano, concluindo assim a sua XII Viagem Apostólica Internacional. 

Sobre a intensa peregrinação de Bento XVI na Terra Santa, iniciada na última sexta-feira, dia 8 do corrente, eis o que disse o custódio da Terra Santa, Fr. Pierbattista Pizzaballa, entrevistado pela Rádio Vaticano:

Frei Pierbattista Pizzaballa:- "Realmente, foi uma semana muito intensa. No início, estávamos um pouco ansiosos, como sempre neste país. Nós nos perguntávamos como o papa seria recebido. O balanço é absolutamente positivo. O papa conseguiu transmitir uma palavra clara e forte, sobretudo, aos cristãos da Terra Santa e, ademais, nessse contexto inter-religioso, também aos judeus e muçulmanos. Sem cair na retórica, disse coisas que deveriam ser ditas. Uma palavra clara, com aquele espírito de liberdade, de serenidade, que deixou um sentido de gratidão, como também de liberdade ao interlocutor."

P. Durante esta semana de peregrinação do Santo Padre, ouviu-se repetidas vezes a palavra "shalom, "salaam", "paz", "peace". O senhor acredita que o reiterado apelo destes dias em favor da paz possa mudar alguma coisa?

Frei Pierbattista Pizzaballa:- "Certamente, a verdadeira paz aqui exigirá muito tempo: aquela paz que se baseia na integração, na dignidade das pessoas, nas relações livres e na confiança. De fato, exigirá muito tempo, mas é preciso prepará-la. Esses sinais, esses gestos, a visita do papa – por exemplo – são etapas importantes que indicam a meta e, sobretudo, fazem ver que é possível; não é um sonho, uma utopia, mas se quisermos, pode ser realidade."

P. Dentre os lugares visitados nestes dias de peregrinação do papa, dentre os marcantes momentos vividos, qual fotografia o senhor guardaria em seu arquivo de recordações como emblema dessa presença do Sucessor da Pedro na Terra Santa?

Frei Pierbattista Pizzaballa:- "Existem vários momentos marcantes. Um deles foi a visita ao Cenáculo, que talvez caracterize o momento mais pobre do ponto de vista externo, mas que foi, ao mesmo tempo, muito intenso, muito bonito, muito forte. Outro momento de grande intensidade foi a missa em Nazaré, aquela multidão de fiéis... Esses dois momentos mostram dois lados da vida. O Cenáculo nos faz ver a pobreza, as dificuldades e a solidão. Em Nazaré, por sua vez, vimos a beleza, o entusiasmo e a paixão que existe. A Terra Santa é ambas as coisas."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VÍDEOS

SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (08.MAIO)

VISITA À MESQUITA DE AMÃ - VÍDEO REPUBBLICA.IT TV (09.MAIO)

VISITA AO MONTE NEBO - VÍDEO CORRIERE TV (09.MAIO)

SANTA MISSA NO ESTÁDIO DE AMÃ - VÍDEO REPUBBLICA.IT TV (10.MAIO)

SANTA MISSA NO ESTÁDIO DE AMÃ - VÍDEO SKY.IT TV - STEFANO MARIA PACI (10.MAIO)

DISCURSO DO SANTO PADRE NA CHEGADA A ISRAEL - SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (11.MAIO)

VISITA DE CORTESIA AO PRESIDENTE DE ISRAEL SHIMON PERES - SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (11.MAIO)

VISITA AO YAD VASHEM - SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (11.MAIO)

VISITA AO CENÁCULO E CATEDRAL LATINA DE JERUSALÉM - SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (12.MAIO)

ORAÇÃO DO SANTO PADRE NO MURO DAS LAMENTAÇÕES - SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (12.MAIO)

RESUMO DO SEGUNDO DIA DE BENTO XVI EM ISRAEL - VÍDEO SKY.IT TV - STEFANO MARIA PACI (12.MAIO)

DISCURSO DO PAPA A ABU MAZEN EM BELÉM - VÍDEO CORRIERE TV (13.MAIO)

SANTA MISSA EM BELÉM - VÍDEO SKY.IT TV - STEFANO MARIA PACI (13.MAIO)

O DIA DO PAPA EM NAZARÉ - VÍDEO SKY.IT TV - STEFANO MARIA PACI (14.MAIO)

SANTA MISSA EM NAZARÉ - SERVIÇO DE VÍDEO DO VATICANO (14.MAIO)

ÚLTIMO DIA DA PERIGRINAÇÃO DO PAPA NA TERRA SANTA - VÍDEO SKY.IT TV - STEFANO MARIA PACI (15.MAIO)

ÚLTIMO DIA DA PERIGRINAÇÃO DO PAPA NA TERRA SANTA - VÍDEO  MEDIASET - MARNIA RICCI (15.MAIO)

 

FOTOS

GALERIA DE FOTOS DO QUOTIDIANO.NET (08.MAIO)

VISITA À MESQUITA DE AMÃ: GALERIA FOTOGRÁFICA DE REPUBBLICA.IT (09.MAIO)

SANTA MISSA NO ESTÁDIO DE AMÃ: GALERIA FOTOGRÁFICA DO CORRIERE.IT (10.MAIO)

CHEGADA DE BENTO XVI A ISRAEL E VISITA AO YAD VASHEM: GALERIA FOTOGRÁFICA DO CORRIERE.IT (11.MAIO)

VISITA DO SANTO PADRE AO MURO DAS LAMENTAÇÕES: GALERIA FOTOGRÁFICA DO CORRIERE.IT (12.MAIO)

O SANTO PADRE EM BELÉM: GALERIA FOTOGRÁFICA DO CORRIERE.IT (13.MAIO)

O SANTO PADRE NO ÚLTIMO DIA DE VIAGEM: GALERIA FOTOGRÁFICA DO CORRIERE.IT (15.MAIO)

O PAPA NA TERRA SANTA - GALERIA FOTOGRÁFICA DO LA CROIX.COM (8-15.MAIO)

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

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