
Duc in
altum!
“Para
a Igreja, o novo mundo do espaço cibernético, é uma exortação à grande
aventura do uso do seu potencial para proclamar a mensagem evangélica. Este
desafio está no centro do que significa, no início do milênio, seguir o
mandato do Senhor, de <<fazer-se
ao largo>>:
Duc in altum! (Lc 5, 4)”.
Este é um trecho da mensagem do Santo Padre para a celebração do 36º dia mundial das comunicações sociais – Internet: um novo foro para a proclamação do Evangelho – . (texto integral)
Impulsionados
pelas palavras do Papa João Paulo II e seguindo sua exortação, lançamos o
site “Duc in altum!” que pretende
ser um instrumento de evangelização, um meio de encontro e reencontro de
mulheres e homens com Jesus Cristo.
Oferecemos
este serviço ao Coração Imaculado de Maria para que a nossa Mãe Celeste
possa servir-se dele para repetir o seu perene SIM à Vontade do Pai.
16
de julho de 2002 - Festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo

Novidades
do Santo Padre:
A Palavra do Papa: Internet: um novo foro para a proclamação do Evangelho, Os benefícios de Deus a favor do povo; Carta aos Cavaleiros de Colombo, Angelus - 30.jun.2002; 97º Viagem Apostólica; 98º Viagem Apostólica à Polônia, Carta do Papa ao Presidente da Federação Bíblica Católica , Angelus - 29 set 2002, Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, Carta às Famílias Monfortinas sobre a doutrina do seu fundador, São Luís Maria Grignion de Montfort (13 de janeiro de 2004); ÚLTIMO TEXTO ESCRITO PELO SANTO PADRE.
Cardeais assinam carta pela beatificação do papa;
João Paulo II, viajante incansável, visitou 129 países;
De Simão Pedro a João Paulo II, a história dos Papas em números.
MENSAGEM DO SANTO
PADRE
PARA A CELEBRAÇÃO DO
36° DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
TEMA: "Internet: um novo foro para a proclamação do Evangelho"
12 de maio de 2002
Queridos Irmãos e Irmãs
1. A Igreja de todos os tempos dá continuidade à obra que teve início no dia do Pentecostes, quando os Apóstolos, no poder do Espírito Santo, partiram pelas ruas de Jerusalém para pregar o Evangelho de Jesus Cristo em muitas línguas (cf. Act 2, 5-11). Ao longo dos séculos seguintes, esta missão evangelizadora espalhou-se pelos quatro cantos da terra, na medida em que o Cristianismo se enraizava em muitos lugares e aprendia a falar as diversas línguas do mundo, sempre em obediência ao mandato de Cristo, de anunciar o Evangelho a todas as nações (cf. Mt 28, 19-20).
Contudo, a história da evangelização não é apenas uma questão de expansão geográfica, dado que a Igreja teve de ultrapassar também muitos confins culturais, cada um dos quais exigiu renovadas energia e imaginação na proclamação do único Evangelho de Jesus Cristo. A época das grandes descobertas, a Renascença e a invenção da imprensa, a Revolução Industrial e o nascimento do novo mundo: também estes foram momentos de vanguarda, que exigiram novas formas de evangelização. Atualmente, com a revolução das comunicações e da informática em pleno desenvolvimento, sem dúvida a Igreja encontra-se diante de outra porta de entrada. Por conseguinte, neste Dia Mundial das Comunicações de 2002, é oportuno refletimos sobre o tema: «Internet: um novo foro para a proclamação do Evangelho».
2. Sem dúvida, a Internet constitui um novo «foro», entendido no antigo sentido romano do lugar público em que se decidia sobre a política e o comércio, onde se cumpriam os deveres, se desenrolava uma boa parte da vida social da cidade e se expunham os melhores e os piores aspectos da natureza humana. Tratava-se de um espaço urbano apinhado e movimentado, que refletia a cultura circunvizinha e criava uma cultura que lhe era própria. Isto não é menos verdadeiro no que se refere ao espaço cibernético que é, por assim dizer, uma nova fronteira que se abre no início deste novo milênio. Assim como as novas fronteiras dos outros tempos, também esta está cheia da ligação entre perigos e promessas, e não é desprovida do sentido de aventura que caracterizou os outros grandes períodos de mudança. Para a Igreja, o novo mundo do espaço cibernético é uma exortação à grande aventura do uso do seu potencial para proclamar a mensagem evangélica. Este desafio está no centro do que significa, no início do milênio, seguir o mandato do Senhor, de «fazer-se ao largo»: Duc in altum! (Lc 5, 4).
3. A Igreja aproxima-se deste novo meio com realismo e confiança. Como os outros instrumentos de comunicação, ele é um meio e não um fim em si mesmo. A Internet pode oferecer magníficas oportunidades de evangelização, se for usada com competência e uma clara consciência das suas forças e debilidades. Sobretudo, oferecendo informações e suscitando o interesse, ela torna possível um encontro inicial com a mensagem cristã, de maneira especial entre os jovens que, cada vez mais, consideram o espaço cibernético como uma janela para o mundo. Portanto, é importante que a comunidade cristã descubra formas muito especiais de ajudar aqueles que, pela primeira vez, entram em contacto com a Internet, a passar do mundo virtual do espaço cibernético para o mundo real da comunidade cristã.
Numa etapa seguinte, a Internet pode oferecer também o tipo de continuidade requerida pela evangelização. Especialmente numa cultura desprovida de fundamentos, a vida cristã exige a instrução e a catequese permanentes e este é, talvez, o campo em que a Internet pode oferecer uma ajuda excelente. Na «Net» já existem inúmeras fontes de informação, documentação e educação sobre a Igreja, a sua história e a sua tradição, a sua doutrina e o seu compromisso em todos os sectores, em todas as partes do mundo. Assim é óbvio que, apesar de a Internet nunca poder substituir aquela profunda experiência de Deus, que só a vida concreta, litúrgica e sacramental da Igreja pode oferecer, ela pode certamente contribuir com um suplemento e um apoio singulares, tanto preparando para o encontro com Cristo na comunidade, como ajudando o novo crente na caminhada de fé, que então tem início.
4. Contudo, há algumas questões necessárias, até mesmo óbvias, que surgem do uso da Internet na causa da evangelização. Com efeito, a essência da Internet é a sua oferta de um fluxo quase infinito de informação que, na sua maioria, passa num instante. Numa sociedade que se alimenta do que é efêmero, corre-se facilmente o risco de acreditar que o que importa são os fatos e não os valores. A Internet oferece vastos conhecimentos, mas não ensina valores; e quando estes são ignorados, a nossa própria humanidade é diminuída e o homem facilmente perde de vista a sua dignidade transcendente. Apesar do seu enorme potencial para o bem, alguns dos modos degradantes e prejudiciais em que a Internet pode ser usada já são óbvios para todos, e as autoridades públicas têm certamente a responsabilidade de garantir que este instrumento maravilhoso sirva o bem comum e não se torne uma fonte de prejuízo.
Além disso, a Internet volta a definir a relação psicológica da pessoa com o tempo e o espaço. Presta-se atenção àquilo que é tangível, útil e alcançável instantaneamente; pode vir a faltar o estímulo para o pensamento e a reflexão mais profundos. Contudo, os seres humanos têm a necessidade vital do tempo e do silêncio interior, para refletir e examinar a vida e os seus mistérios, e para crescer de modo gradual até atingir um domínio amadurecido de si mesmos e do mundo que os rodeia. A compreensão e a sabedoria são o fruto de uma análise contemplativa do mundo, e não derivam de uma simples acumulação de fatos, por mais interessantes que sejam. São o resultado de uma introspecção que penetra o significado mais profundo das coisas, na relação de umas com as outras e com o conjunto da realidade. Além disso, como foro em que praticamente tudo é aceitável e quase nada é duradouro, a Internet favorece uma forma relativista de pensar e, às vezes, alimenta a fuga da responsabilidade e do compromisso pessoais.
Neste contexto, como havemos de cultivar a sabedoria que deriva não só da informação, mas da introspecção, a sabedoria que compreende a diferença entre o que é correto e o que é errado, e sustenta a escala de valores que provém desta diferença?
5. O fato de que, através da Internet, as pessoas multiplicam os seus contactos de maneiras até agora impensáveis, oferece maravilhosas oportunidades para a propagação do Evangelho. Todavia, é também verdade que as relações mantidas eletronicamente jamais podem substituir o contacto humano direto, necessário para uma evangelização autêntica, porque a evangelização depende sempre do testemunho pessoal daquele que é enviado para evangelizar (cf. Rm 10, 14-15). Como é que a Igreja orienta a partir do tipo de contacto que se tornou possível pela Internet, para uma comunicação mais profunda, exigida pela proclamação do Evangelho? Como edificamos sobre os primeiros contacto e permuta de informações, que a Internet tornou possível?
Não há dúvida de que a revolução eletrônica apresenta a promessa de grandes conquistas positivas para o mundo em vias de desenvolvimento; contudo, há também a possibilidade de agravar efetivamente as desigualdades já existentes, na medida em que aumenta o fosso da informação e das comunicações. Como podemos garantir que a revolução da informação e das comunicações, que tem na Internet o seu primeiro motor, atuará em benefício da globalização do desenvolvimento e da solidariedade humana, objetivos que estão estreitamente ligados à missão evangelizadora da Igreja?
Por fim, nestes tempos de dificuldade, permiti-me perguntar: como é que podemos garantir que este maravilhoso instrumento, inicialmente concebido no âmbito das operações militares, pode agora servir a causa da paz? Pode ele favorecer a cultura do diálogo, da participação, da solidariedade e da reconciliação, sem a qual a paz não consegue florescer? A Igreja acredita que sim; e para assegurar que é isto que acontecerá, ela está determinada a entrar neste novo foro, armada com o Evangelho de Cristo, o Príncipe da Paz.
6. A Internet faz com que bilhões de imagens apareçam em milhões de monitores de computadores no planeta inteiro.Desta galáxia de imagens e sons, emergerá o rosto de Cristo e ouvir-se-á a sua voz? Porque somente quando vir o seu rosto e ouvir a sua voz, é que o mundo conhecerá a boa nova da nossa redenção. Esta é a finalidade da evangelização. E é isto que fará da Internet um espaço autenticamente humano, porque se não houver lugar para Cristo, não haverá lugar para o homem. Por conseguinte, neste Dia Mundial das Comunicações, ouso exortar toda a Igreja a ultrapassar com coragem este novo limiar, para se fazer ao largo na «Net», de tal maneira que no presente, assim como foi no passado, o grande compromisso do Evangelho e da cultura possa mostrar ao mundo «a glória de Deus e o rosto de Cristo» (2 Cor 4, 6). O Senhor abençoe todos aqueles que trabalham em ordem a esta finalidade.
Vaticano, 24 de Janeiro de 2002, festa de São
Francisco de Sales.
JOANNES PAULUS II
“O cântico de Moisés torna-se desta forma um exame de consciência de todos para que, finalmente, os benefícios divinos sejam correspondidos com a fidelidade, e não com o pecado.”
CATEQUESE
Alocução
da Audiência geral de quarta-feira, 19 de Junho
1. "E Moisés fez ouvir
a toda a assembléia de Israel as palavras deste cântico, até ao fim" (Dt
31, 30). Lê-se assim na abertura do cântico que acabamos de proclamar,
tirado das últimas páginas do livro do Deuteronômio, precisamente do capítulo
32. Dele, a Liturgia das Laudes escolheu os primeiros doze versículos,
reconhecendo neles um jubiloso hino ao Senhor que protege e cura com amor o seu
povo no meio dos perigos e das dificuldades do dia. A análise do cântico
revelou que se trata de um texto antigo mas posterior a Moisés, sobre cujos lábios
foi posto, para lhe conferir um caráter de solenidade. Este cântico litúrgico
situa-se na própria origem da história do povo de Israel. Não faltam nessa página
orante notas ou ligações com alguns Salmos e com a mensagem dos profetas:
desta forma, ela tornou-se uma sugestiva e intensa expressão da fé de Israel.
2. O cântico de Moisés é mais amplo do que o trecho proposto pela Liturgia
das Laudes, que constitui apenas o seu prelúdio. Alguns estudiosos pensaram
detectar na composição um gênero literário que tecnicamente é definido com
a palavra hebraica rîb, isto é "controvérsia", "litígio
processual". A imagem de Deus presente na Bíblia não se mostra
absolutamente como a do ser obscuro, uma energia anônima e feia, um
acontecimento incompreensível. Ao contrário, é uma pessoa que tem
sentimentos, age e reage, ama e condena, participa na vida das suas criaturas e
não é indiferente às suas obras. Assim, no nosso caso, o Senhor convoca uma
espécie de assembléia judicial, na presença de testemunhas, denuncia os
delitos do povo acusado, exige uma pena, mas deixa impregnar a sua sentença por
uma misericórdia infinita. Seguimos agora os vestígios desta vicissitude,
embora nos detenhamos apenas nos versículos que a Liturgia nos propõe.
3. Vem imediatamente a menção dos espectadores-testemunhas cósmicos:
"Escutai, ó céus... ouça, toda a terra" (Dt 32, 1). Neste
processo simbólico Moisés serve de autoridade pública. A sua palavra é
eficaz e fecunda como a profética, expressão da divina.
Observe-se o fluxo significativo das imagens para a definir:
trata-se de sinais deduzidos da natureza como a chuva, o orvalho, o aguaceiro, a
chuvarada e as gotas de água que fazem com que a terra seja verdejante e
coberta de caules de trigo (cf. v. 2).
A voz de Moisés, profeta e intérprete da palavra divina, anuncia a iminente
entrada em cena do grande juiz, o Senhor, do qual ele pronuncia o nome santíssimo,
exaltando uma das suas numerosas características. De fato, o Senhor é chamado
a Rocha (cf. v. 4), um título que aparece em todo o nosso cântico (cf. vv.
15.18.30.31.37), uma imagem que exalta a fidelidade estável e indiscutível de
Deus, que é muito diferente da instabilidade e da infidelidade do povo. O tema
é desenvolvido com uma série de afirmações sobre a justiça divina:
"A Sua obra é perfeita; todos os Seus caminhos são a própria justiça;
Deus de verdade, jamais iníquo, constantemente eqüitativo e reto" (v. 4).
4. Depois da solene apresentação do Juiz supremo, que também é a parte
lesada, o objetivo do cantor desloca-se para o acusado. Para o definir, ele
recorre a uma eficaz representação de Deus como pai (cf. v. 6). As suas
criaturas, tão amadas, são chamadas seus filhos, mas infelizmente são
"raça perversa" (cf. v. 5). Com efeito, sabemos que já no Antigo
Testamento se tem uma concepção de Deus como pai solícito em relação aos
seus filhos que com muita freqüência desiludem (Êx 4, 22; Dt 8,
5; Sl 102, 13; Sir 51, 10; Is 1, 2; 63, 16; Os 11,
1-4). Por isso, a denúncia não é fria mas apaixonada: "É assim
que recompensas o Senhor, povo louco e insensato? Não é Ele o teu Pai, o teu
Criador? Não foi Ele que te formou e te consolidou?" (Dt 32, 6). De
fato, é muito diferente insurgir-se contra um soberano implacável ou
revoltar-se contra um pai amoroso.
Para tornar concreta a acusação e fazer com que a conversão provenha da
sinceridade do coração, Moisés faz apelo à memória: "Recorda-te
dos dias antigos, medita os anos de cada século" (v. 7). Com efeito, a fé
bíblica é um "memorial", isto é, uma redescoberta da ação eterna
de Deus que se espalha com o passar do tempo; é tornar presente e eficaz aquela
salvação que o Senhor proporcionou e continua a oferecer ao homem. O grande
pecado de infidelidade coincide, então, com o "esquecimento", que
apaga a recordação da presença divina em nós e na história.
5. O acontecimento fundamental que não se deve esquecer é o da travessia do
deserto depois da saída do Egito, o tema fundamental do Deuteronômio e de todo
o Pentateuco. Desta forma, recorda-se a viagem terrível e dramática no deserto
do Sinai, "nas solidões ululantes e selvagens" (v. 10), como se diz
com uma imagem de grande impacto emotivo. Mas ali Deus inclina-se sobre o seu
povo com uma ternura e doçura surpreendentes. Com o símbolo paterno entrelaça-se
alusivamente também o materno da águia: "Protegeu-o e velou por
ele. Guardou-o como a menina dos Seus olhos. Como a águia vela pelo seu ninho.
E paira sobre as suas aguiazinhas; estende as asas para as recolher, e leva-as
sobre as suas penas robustas" (v. 10.11). O caminho no deserto
transforma-se então num percurso tranqüilo e sereno, porque há o manto
protetor do amor divino.
O cântico remete também para o Sinai, onde Israel se tornou aliado do Senhor,
a sua "porção" e "herança", isto é, a realidade mais
preciosa (cf. v. 9; Êx 19, 5). O cântico de Moisés torna-se desta
forma um exame de consciência de todos para que, finalmente, os benefícios
divinos sejam correspondidos com a fidelidade, e não com o pecado.
(©L'Osservatore
Romano - 22 de Junho de 2002)
CARTA
Aos Cavaleiros de Colombo, por
ocasião do seu 120º Conselho Supremo anual
Nos
dias 6-8 de Agosto teve lugar na localidade californiana de Anaheim, nos Estados
Unidos da América, o 120º Encontro anual do Conselho Supremo dos Cavaleiros de
Colombo. Aos participantes nesta reunião, subordinada ao tema "Este é o
tempo para a grande Pesca", que reflete o
Duc
in altum! da Carta Apostólica "Novo millennio ineunte", (Lc 5,
4), João Paulo II enviou uma carta de bons votos, cuja tradução passamos a
apresentar aos nossos leitores:
Aos Cavaleiros de Colombo
Uma vez mais, transmito os meus sinceros bons votos por ocasião do encontro
anual do Conselho Supremo, que está a realizar-se na localidade de Anaheim, na
Califórnia. Esta assembléia anual oferece ao Conselho Supremo a oportunidade
de comprometer a sua Ordem de maneira sempre renovada nos nobres ideais da
fraternidade e do serviço à Igreja, transmitidos pelo seu Fundador, o Servo de
Deus Padre Michael McGivney. Rezo para que este encontro ofereça inspiração e
orientação a todos os Cavaleiros de Colombo, enquanto eles procuram dar
testemunho de Cristo, trabalhando com zelo pela difusão do seu Reino na terra.
O tema deste 120º encontro anual "Este é o tempo para a grande
pesca" constitui uma admoestação a ter uma confiança cada vez mais
convicta no mandato do Senhor, que consiste em "avançar para águas mais
profundas e lançar a rede" (Lc 5, 4), em obediência à sua
palavra. Como observei na minha Carta Apostólica Novo millennio ineunte,
este convite Duc in altum! é dirigido a toda a Igreja, no alvorecer no
terceiro milênio. Os anos de preparação espiritual para o grande Jubileu, a
copiosa concessão de graças, simbolizada pela abertura das Portas Santas das
principais Basílicas de Roma, e o sentido vivo da missão que se seguiu à
experiência do Ano Santo foram um incentivo para os cristãos de toda a parte,
"a lembrar com gratidão o passado, a viver com paixão o presente e a
abrir-se com confiança para o futuro" (Novo millennio ineunte, 1).
Efetivamente este é o tempo de "se fazer ao largo", sem temor nem
hesitação! Como a experiência do grande Jubileu realçou, no centro da nova
evangelização deve verificar-se um renovado florescimento de santidade na
Igreja (cf. ibdt., 30-31). Por este motivo, é com imenso prazer que tomo
conhecimento de que os Cavaleiros de Colombo têm continuado a valorizar a
necessidade de uma profunda renovação espiritual, considerando-a como um
fundamento para as numerosas e diversificadas iniciativas, tomadas em benefício
da missão da Igreja. O recente Congresso Eucarístico dos Cavaleiros de Colombo
assinalou um significativo marco miliário na vida da vossa Ordem, imprimindo um
renovado ímpeto aos vossos esforços, em ordem a responderdes às tarefas e aos
desafios que os leigos católicos devem enfrentar neste momento crítico na história
da Igreja. Como "centro vivo e permanente, à volta do qual se congrega
toda a comunidade eclesial" (Ecclesia in America, 35), a Eucaristia
é a fonte de todo o apostolado e, ao mesmo tempo, o maior tesouro espiritual da
Igreja. Que uma profunda e constante devoção a Jesus Cristo, presente no Santíssimo
Sacramento do Altar, caracterize a vida espiritual de cada um dos Conselhos,
inspire um apostolado cada vez mais vigoroso ao serviço da Igreja e da
comunidade, e promova a transformação da sociedade, em conformidade com a
vontade de Deus, que é a essência da vocação dos leigos.
Consciente do fato de que o Conselho Supremo deste ano está a realizar-se num
período de dolorosa purificação e de enorme sofrimento para a Igreja que
peregrina nos Estados Unidos da América, aproveito esta oportunidade para fazer
eco da gratidão expressa por um elevado número de bispos e sacerdotes, pelo
apoio espiritual e pessoal que lhes tem sido oferecido pelos Cavaleiros de
Colombo, no âmbito dos seus Conselhos tanto locais como regionais. Enquanto a
Igreja que está nos Estados Unidos da América procura progredir com fé e
confiança sinceras na graça confortadora do Senhor, exorto todos os Cavaleiros
de Colombo e as suas respectivas famílias a intensificarem as suas orações
por uma autêntica renovação da vida eclesial e pela promoção dos "laços
de paz, para conservar a unidade do Espírito" (Ef 4, 3). Neste
contexto, volto a exprimir o meu agradecimento pelo compromisso invicto dos
Cavaleiros de Colombo, na promoção das vocações ao sacerdócio e à vida
religiosa. A experiência tem demonstrado que quanto mais se desenvolve o
apostolado dos leigos, mais se sente a necessidade dos sacerdotes; e quanto mais
se enraíza o sentido que os leigos têm, em relação à vocação que lhes é
própria, mais profundamente é valorizado o papel singular dos presbíteros.
Neste espírito, rezo a fim de que os Cavaleiros de Colombo, em plena fidelidade
à visão do Padre Michael McGivney, não poupem qualquer esforço para atrair
os jovens a Jesus Cristo e para os ajudar a compreender que o significado e o
valor verdadeiros da vida se encontram no dom generoso de si mesmos a Deus e ao
próximo. Desta forma, uma nova geração descobrirá no coração da Igreja os
recursos espirituais necessários para a edificação de uma sociedade
caracterizada pela liberdade autêntica, pelo respeito em relação às exigências
da verdade e pelo interesse abnegado pelo bem de todos, de modo especial pelos
pobres e menos favorecidos.
Com estes sentimentos, confio as decisões do Conselho Supremo à intercessão
amorosa de Maria, Mãe da Igreja. A todos os Cavaleiros de Colombo e às suas
respectivas famílias, concedo cordialmente a minha Bênção apostólica, como
penhor de alegria e paz duradouras, em nosso Senhor Jesus Cristo.
Vaticano, 10 de Julho de 2002.
(©L'Osservatore
Romano - 10 de Agosto de 2002)
Neste texto do Angelus
do dia 30 de julho de 2002, pelas palavras do próprio Papa, nos é confirmada a
importância de rezarmos para o Santo Padre, estarmos unidos a ele pela nossa
oração, sacrifício e amor.
Com a clareza que lhe é
característica o Papa nos convida a estarmos como a primeira comunidade cristã
de Jerusalém unidos com Maria em oração, num só coração, numa só
alma.
Tenho
sempre a necessidade da vossa oração! Sem ela como poderia responder a palavra
do Senhor que comanda a Pedro: “Faça-se ao largo!”?
Celebramos ontem a festa dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, que a Igreja de Roma venera como seus principais Patronos. Nesta especial circunstância fiz saber, como sucessor de Pedro, a profunda solidariedade de toda Comunidade eclesiástica. Retornaram-me a mente as palavras do Livro dos Atos dos Apóstolos: “Uma prece subia incessantemente a Deus da Igreja por [Pedro]”(At 12, 5). Sim, tenho sentido em torno a mim a intensa oração da Igreja inteira, e por isso desejo hoje exprimir a todos o meu “obrigado” cordial.
De fato, experimento todo dia que o meu ministério é sustentado pela oração incessante do Povo de Deus: de tantas pessoas por mim incógnitas – mas juntíssimas ao meu coração! – que oferecem ao Senhor a sua oração e o seu sacrifício nas intenções do Papa. Nos momentos de maior dificuldade e sofrimento, esta força espiritual é válida ajuda e íntimo conforto.
Necessito sempre da vossa oração, caríssimos fiéis de Roma e do mundo inteiro! Sem ela, de fato, como poderia responder à palavra do Senhor, que comanda a Simão Pedro: “Duc in altum!”, “Faça-se ao largo” (Lc 5, 4)?
Pedro e Paulo, depois de haver superado múltiplas provas, até mortais, com a ajuda de Deus cumpriram a sua missão apostólica nesta nossa Cidade, onde tantos vestígios nos recordam a memória.
Encorajados pelo seu testemunho, renovamos o compromisso de
permanecer unidos pela oração, como um só coração e uma só alma. Junto a nós,
como na primeira comunidade de Jerusalém, reza a Mãe do Senhor e de todo cristão,
Maria Santíssima. A Ela, modelo da Igreja orante, nos dirigimos com confiança
filial.
(João Paulo II, Angelus, 30 de junho de 2002)
(L’Osservatore
Romano – 1-2 julho de 2002)
98º Viagem Apostólica à Polônia, 16-19 agosto 2002
Carta do Papa ao Presidente da Federação Bíblica Católica
Angelus - 29 de setembro de 2002