PAPA NA AUDIÊNCIA GERAL: CARIDADE CRIA UM MUNDO DE PAZ E DE HARMONIA

Cidade do Vaticano, 25 jan (Rádio Vaticano) - O tema da caridade, desenvolvido por Bento XVI em sua primeira encíclica, foi ouvido também na Audiência Geral desta manhã, na Sala Paulo VI, no Vaticano, onde o Papa se encontrou com os milhares de peregrinos e fiéis que, semanalmente, acorrem a Roma, para ver e ouvir o Sucessor de Pedro.

A catequese do Pontífice foi dedicada ao Salmo 143, com o pensamento voltado para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se conclui justamente nesta quarta-feira.

Recordamos que a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada, no Brasil, na semana entre as solenidades da Ascensão do Senhor e Pentecostes.

Para radicar no mundo a paz e a justiça, os homens, mas também quem os governa, devem escolher Deus, que é o Senhor desses valores. No dia em que publica sua primeira encíclica, Bento XVI reiterou, na Audiência Geral, o forte valor social que a caridade traduzida em ações porta consigo.

"Todos juntos _ disse o Santo Padre _ podemos aplicar esse projeto de harmonia e de paz, fazendo cessar a ação destruidora do ódio, da violência e da guerra. Porém, é preciso fazer uma opção, colocando-se da parte de Deus, do amor e da justiça."

Uma mensagem clara e universal na sua aplicação, que se contrapõe àquela que, no Salmo, é chamada "a voz do mal", na qual _ explicou Bento XVI _ ecoam a mentira e as falsidades dos "malvados", ou seja, dos "opressores do povo de Deus e de sua fé".

Traduzindo a simbologia do Salmo, o Papa disse que fazem parte dos "quadros de vida social", as famílias abertas ao dom dos filhos, "esperança do futuro". Fazem parte também, os frutos e os animais nas pastagens, e a vida econômica, vivida à luz de Deus, que dá "bem-estar" e, sobretudo, a "paz" aos homens e às suas cidades.

Cidades não mais devastadas pelo "gemido dos desesperados, dos feridos, das vítimas e dos órfãos, triste legado das guerras". Nessa passagem, a imagem antiga do Salmo se torna uma representação perfeita de dramas atualíssimos.

Um mundo transformado pela caridade de Deus e pela fidelidade do homem às "leis" da caridade _ os Dez Mandamentos. "A caridade é a plenitude da lei que vive os mandamentos como dimensão da única caridade: canta realmente o canto novo. A caridade que nos une aos sentimentos de Cristo é o verdadeiro canto novo do homem novo, idôneo a criar também um mundo novo. E assim esse Salmo _ frisou o Papa _ nos convida a cantar com a "harpa de dez cordas" um canto novo. Cantar com os sentimentos de Cristo, viver os dez mandamentos, a dimensão do amor e assim contribuir para o mundo da paz e da harmonia" _ sublinhou o Santo Padre.

 


"DEUS É AMOR": PUBLICADA A PRIMEIRA ENCÍCLICA DE BENTO XVI

Cidade do Vaticano, 25 jan (Rádio Vaticano) - Esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, realizou-se a apresentação da primeira carta encíclica de Bento XVI: "Deus caritas est".

Participaram da apresentação, o Cardeal Renato Raffaele Martino, Presidente do Pontifício Conselho "da Justiça e da Paz", o Arcebispo William Joseph Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Arcebispo Paul Josef Cordes, Presidente do Pontifício Conselho "Cor Unum".

"Uma profunda e iluminadora reflexão sobre o amor cristão": assim o Cardeal Martino definiu a primeira encíclica de Bento XVI. Encíclica que se pode "indubitavelmente" definir como programática, no sentido mais alto do termo, porque, advertiu o purpurado, com a "Deus caritas est", o Papa convida todos a "irem ao centro da fé cristã".

O Presidente do "Justiça e Paz" ressaltou, por outro lado, que se trata de uma encíclica "permeada, sobretudo na primeira parte, de um grande cunho espiritual que, diante do risco de um ativismo social e caritativo sem alma, chama todos ao cultivo das razões e motivações espirituais do ser da Igreja e do ser cristãos, que dão sentido e valor ao fazer e ao agir".

Bento XVI _ disse ainda o Cardeal Martino _ evoca reiteradas vezes, a Doutrina Social da Igreja, de modo particular hoje, que o sonho marxista "desvaneceu", mas a globalização apresenta novos desafios à humanidade.

Portanto, a caridade _ foi a reflexão do Cardeal Martino _ "deve animar toda a existência dos fiéis leigos e, conseqüentemente, também sua atividade política, vivida como caridade social".

O Papa _ prosseguiu o Presidente do "Justiça e Paz" _ estimula portanto, "uma espiritualidade que rejeita quer o espiritualismo intimista, quer o ativismo social, e que saiba se expressar numa síntese vital que dê unidade, significado e esperança da existência".

"O amor _ caritas _ será sempre necessário _ concluiu o Cardeal Martino _ até mesmo na sociedade mais justa. Não existe nenhuma ordem estatal justa que possa tornar supérfluo o serviço do amor… O Estado que quer prover tudo, que absorve tudo em si, se torna definitivamente uma instância burocrática que não pode assegurar o essencial necessário ao homem sofredor e a todo homem, vale dizer, a amorosa dedicação pessoal."

Por sua vez, o Arcebispo Levada reiterou que a "Deus caritas est" é um texto forte que "quer opor-se ao uso errôneo do nome de Deus e à ambigüidade da noção de "amor" que é tão evidente no mundo de hoje".

O Santo Padre, acrescentou o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, "quer demonstrar que os dois conceitos não se opõem, mas se harmonizam entre si para oferecer uma concepção realista do amor humano, um amor que corresponde à totalidade _ corpo e alma _ do ser humano".

"A encíclica nos oferece uma visão do amor pelo próximo e da tarefa eclesial de viver a caridade como cumprimento do mandamento do amor, que encontra suas raízes na própria essência de Deus, que é Amor. A encíclica convida a Igreja a um renovado compromisso no serviço da caridade (diakonia), como parte essencial da sua existência e missão" _ disse Dom Levada.

A última parte da apresentação foi reservada ao Arcebispo Cordes, Presidente de "Cor Unum", que ressaltou a importância dessa encíclica para o organismo por ele presidido. Dom Cordes frisou que a "Deus caritas est" é, em absoluto, a primeira encíclica sobre a caridade.

Bento XVI _ explicou ele _ "nos chama a ouvir o espírito que nos conduz ao dar as nossas respostas aos que sofrem". "Hoje _acrescentou _ muitos estão prontos a ajudar quem sofre, e o registramos com gratidão e satisfação; mas isso pode insinuar nos fiéis a idéia de que a caridade não entra de modo essencial na missão eclesial."

O exercício da caridade _ reiterou _ ao invés, faz "parte integrante da herança do Salvador". As agências eclesiais não podem identificar-se com as ONGs e. por isso, se deve evitar o risco de secularismo nesse campo. O Presidente do "Cor Unum" se analisou a parte da encíclica, na qual Bento XVI critica o marxismo. "O Papa rejeita expressamente a teoria marxista da miséria e a define como uma "filosofia desumanizadora"."

Por último, uma nota técnica sobre a encíclica: o porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, declarou que a "Deus caritas est" foi "iniciada em Castel Gandolfo, no verão europeu passado, após os dias de repouso do Papa em Vale d'Aosta", norte da Itália".

Por sua vez, Dom Levada disse que a encíclica foi assinada no dia 25 de dezembro passado, tendo sido necessário um mês para as traduções. A "Deus caritas est" é a 294ª encíclica da história da Igreja.

 

BENTO XVI ALERTOU O EPISCOPADO DO CONGO PARA O PERIGO REPRESENTADO PELAS SEITAS QUE, "EXPLORANDO A CRENÇA DOS FIÉIS" PROPÕEM A ESTES "UMA FALSA IMAGEM DO EVANGELHO BEM COMO UMA MORAL CÔMODA"

Cidade do Vaticano, 27 jan (RÁDIO VATICANO) - Bento XVI recebeu em audiência, esta manhã, um grupo de bispos do Episcopado da República Democrática do Congo, aos quais dirigiu um encorajamento, estendido a todo o povo desse país africano que, após a tragédia da guerra, tenta agora a difícil estrada rumo à democracia e à paz.

Falando aos prelados que estavam concluindo sua visita "ad Limina", o Papa expressou sua proximidade espiritual à Igreja no Congo, aos fiéis e a todos os homens de boa vontade comprometidos com a paz e a segurança.

"Nos últimos anos _ recordou o Papa _ a RDC viveu uma série de conflitos sangrentos que deixaram profundas cicatrizes na memória do povo." Em tal contexto _ reconheceu o Pontífice _ os bispos tiveram a força de "denunciar com mensagens vigorosas" as violências em curso, pedindo às partes em conflito "que dessem prova de responsabilidade e coragem", a fim de que os congoleses pudessem viver na paz e na segurança.

Portanto, a Conferência Episcopal deve continuar sendo vigilante "para acompanhar os progressos em curso"_ foi a exortação do Santo Padre, fazendo, a seguir, uma premente invocação ao Senhor a fim de que os homens de boa vontade "perseverem, com firme esperança, na edificação da paz e da fraternidade".

"Conheço _ disse o Pontífice _ as difíceis condições em que muitos de vocês exercem sua missão e agradeço pelo serviço muitas vezes heróico em vista do crescimento espiritual de suas comunidades."

O Papa dedicou parte de discurso ao discernimento das vocações sacerdotais e à formação dos futuros sacerdotes, e alertou para o perigo representado pelas seitas que, "explorando a crença dos fiéis" propõem a estes "uma falsa imagem do Evangelho bem como uma moral cômoda".

Para defender-se dessas seitas _ advertiu Bento XVI _ é particularmente importante o papel das "comunidades eclesiais vivas". Elas _ ressaltou _ devem ser comunidades verdadeiramente missionárias e em condições de dar testemunho do Evangelho diante dos homens.

Por fim, o Papa criticou a permanência de conflitos, que incidem negativamente na unidade do presbítero. Um fenômeno _ acrescentou _ que favorece "o tribalismo e a luta pelo poder, comportamentos nefastos para a edificação do Corpo de Cristo e fontes de confusão para os fiéis".

 

 

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