ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO PAPA

 

CRISTO É O CENTRO E O FIM DA HISTÓRIA E PARA ELE RUMA O PROGRESSO DA HUMANIDADE

Cidade do Vaticano, 04 jan (Rádio Vaticano) - Foi articulada em duas fases, a primeira Audiência Geral de Bento XVI, neste 2006, dedicada à centralidade de Cristo na história e ao papel dos cristãos no progresso da humanidade.

Em virtude do frio, o Papa fez a catequese na Sala Paulo VI, totalmente lotada, e, a seguir, foi até à Basílica de São Pedro, para saudar os demais fiéis, que não puderam entrar na Sala Paulo VI.

Trabalhar pelo progresso da humanidade tem, para os cristãos, um só significado: aproximar os homens de Cristo. Esta é a direção e a "meta" da história.

A reflexão de Bento XVI na Audiência Geral partiu do comentário ao Cântico de São Paulo aos Colossenses, que fala do primado de Cristo "quer na criação, quer na história da redenção".

O célebre hino de Paulo, observou o Papa no início da catequese, "nos ajuda a criar a atmosfera espiritual para viver bem estes primeiros dias de 2006".

Cristo, afirmou Bento XVI, "repropõe, em meio a nós, de modo visível, o "Deus invisível", através da natureza comum que os une". E por essa "sua altíssima dignidade" o Filho de Deus "precede "todas as coisas" não somente por causa da sua eternidade, mas também e, sobretudo, por sua obra criadora e providente".

Uma verdade _ prosseguiu o Pontífice _ que contém um ensinamento e um imperativo para todo cristão: "A história tem uma meta, tem uma direção. A história caminha rumo à humanidade unida em Cristo, caminha assim rumo ao homem perfeito, ao humanismo perfeito, à humanidade divinizada e, portanto, realmente humanizada. São Paulo nos diz com outras palavras: "Sim, existe progresso na história, existe, se quisermos, uma evolução na história." Progresso é tudo aquilo que nos aproxima de Cristo, que nos aproxima da humanidade unida, ao verdadeiro humanismo. E, assim, por trás dessas indicações, se esconde também um imperativo para nós, ou seja, trabalhar pelo progresso, o que todos queremos."

"Eis, portanto, aquela plenitude de vida e de graça que está no próprio Cristo e que nos é doada e comunicada. Com essa presença vital que nos torna partícipes da divindade somos transformados interiormente, reconciliados, novamente pacificados. E viver como cristãos quer dizer deixar-se desse modo, interiormente transformados na forma de Cristo, e assim se realiza a reconciliação, a nova pacificação."

Deixando a Sala Paulo VI, o Santo Padre foi até à basílica vaticana, onde dirigiu uma saudação em várias línguas as fiéis e peregrinos que não puderam entrar na Sala Paulo VI.

BENTO XVI AO PESSOAL DA ANTECÂMARA PONTIFÍCIA: "MARIA APRESENTOU JESUS AOS MAGOS E CONTINUA A OFERECÊ-LO À HUMANIDADE"

Cidade do Vaticano, 05 jan (Rádio Vaticano) - A Epifania vivida através dos olhos de Maria: na vigília da solenidade da Manifestação do Senhor, Bento XVI ressaltou o dom que a Virgem continua a apresentar hoje, ao mundo, como fez dois mil anos atrás aos Reis Magos. Foi o tema de seu discurso, esta manhã, ao pessoal da Antecâmara Pontifícia, recebido em audiência na Sala Clementina, no Vaticano.

A Antecâmara Pontifícia é formada por aqueles que são habitualmente chamados de "Família Pontifícia". São todos, em diferentes funções e níveis _ quer leigos quer eclesiásticos _ auxiliares muito próximos ao Pontífice. Eles prestam seu precioso serviço durante os encontros do Papa com as autoridades políticas e os embaixadores acreditados junto à Santa Sé.

Na vigília da solenidade da Epifania, Bento XVI dirigiu o pensamento a Maria. A Mãe, disse o Papa, "apresenta o Menino Jesus aos Magos, vindos de longe para adorá-Lo". E assim faz também hoje, continuando "a oferecê-lo à humanidade".

"Acolhamos o Menino Jesus de suas mãos: Cristo preenche as expectativas mais profundas do nosso coração e dá sentido pleno a todos os nossos projetos e ações. Que Ele esteja presente nas famílias e reine em todos os lugares, com a potência de seu amor."

Que a materna intercessão de Maria _ disse ainda o Santo Padre _ nos permita "experimentar, cada vez mais, a comunhão profunda" com o Senhor, "comunhão que se inicia na terra e alcançará a sua plenitude no céu, onde, como recorda São Paulo, seremos concidadãos dos santos e familiares de Deus".

Bento XVI se deteve, a seguir, sobre o serviço que os membros da Antecâmara prestam ao Papa, por ocasião das visitas oficiais. O agradecimento do Pontífice foi acompanhado de uma reflexão sobre o espírito que deve sempre animar quem serve Jesus Cristo: "O serviço de vocês comporta também um compromisso assíduo de testemunho para com Aquele que é o verdadeiro Senhor e proprietário da casa: Jesus Cristo. Isso requer que se mantenha com Ele um diálogo constante na oração, que se cresça na sua amizade e intimidade, e que estejamos prontos a testemunhar o seu amor acolhedor com quem quer que se encontre."

Esse serviço _ acrescentou _ pode se tornar "uma ocasião para transmitir, com cortesia e cordialidade, a alegria de ser discípulos de Cristo em todas as situações e em todos os momentos da nossa vida".


"Mudam os tempos, mudam os usos e costumes, mas resta invariável o espírito com o qual cada um é chamado a trabalhar junto àquele que a providência divina chama para reger a Igreja presente no mundo inteiro. Porque esta casa, a Casa Pontifícia, é a casa de todos os fiéis, cabe também a vocês, caros membros da Antecâmara, torná-la sempre acolhedora a quem quer que venha encontrar o Papa."

Acerca das origens desse organismo da Família Pontifícia têm-se poucas notícias. Os historiadores são concordes em afirmar que os membros da Antecâmara Pontifícia já existiam no ano 1592, sob o pontificado do Papa Clemente VIII, com o nome de "Cavaleiros da Bússola". Com o Motu Próprio "Pontificalis Domus", de Paulo VI, em março de 1968, esses cavalheiros foram denominados membros da Antecâmara.

 

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ

1 DE JANEIRO DE 2006

NA VERDADE, A PAZ

1. Com a tradicional Mensagem para o Dia Mundial da Paz, ao início do ano novo, desejo fazer chegar afetuosos votos a todos os homens e mulheres da terra, e de modo particular a quantos sofrem por causa da violência e dos conflitos armados. São votos repletos de esperança por um mundo mais sereno, onde cresça o número daqueles que, individual ou comunitariamente, se empenham a percorrer os caminhos da justiça e da paz.

2. Desde já gostaria de prestar um sincero tributo de gratidão a meus predecessores, os grandes Pontífices Paulo VI e João Paulo II, clarividentes obreiros da paz. Animados pelo espírito das Bem-aventuranças, souberam ler, nos numerosos acontecimentos históricos que marcaram os respectivos pontificados, a intervenção providencial de Deus que jamais Se esquece da sorte do gênero humano. Repetidas vezes, como infatigáveis mensageiros do Evangelho, convidaram toda a pessoa a recomeçar de Deus para se conseguir promover uma convivência pacífica em todas as regiões da terra. É na esteira deste nobilíssimo ensinamento que se coloca a minha primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz: através dela, desejo uma vez mais reiterar a firme vontade da Santa Sé de continuar a servir a causa da paz. O próprio nome — Bento — que escolhi no dia da eleição para a Cátedra de Pedro, pretende indicar o meu convicto empenho a favor da paz. De fato, com ele quis fazer alusão seja ao Santo Patrono da Europa, inspirador de uma civilização pacificadora no Continente inteiro, seja ao Papa Bento XV, que condenou a I Guerra Mundial como um « inútil massacre » [1] empenhando-se para que fossem reconhecidas por todos as razões superiores da paz.

3. O tema de reflexão deste ano — « Na verdade, a paz » — exprime esta convicção: sempre que o homem se deixa iluminar pelo esplendor da verdade, empreende quase naturalmente o caminho da paz. A constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio Ecumênico Vaticano II, concluído há 40 anos, afirma que a humanidade não conseguirá « construir um mundo mais humano para todos os homens, a não ser que todos se orientem com espírito renovado para a verdade da paz ». [2] Mas que significados pretende sugerir a expressão « verdade da paz »? Para se responder de maneira adequada a tal questão, é preciso ter em conta que a paz não pode ser reduzida a simples ausência de conflitos armados, mas tem de ser entendida como « um fruto da ordem que o divino Criador estabeleceu para a sociedade humana », uma ordem « que deve ser realizada pelos homens, sempre anelantes por uma mais perfeita justiça ». [3] Enquanto resultado duma ordem planeada e querida pelo amor de Deus, a paz possui uma intrínseca e irresistível verdade própria e corresponde « a um anseio e a uma esperança que vivem indestrutíveis em nós ». [4]

4. Assim delineada, a paz configura-se como dom celeste e graça divina, que requer, a todos os níveis, o exercício da nossa responsabilidade maior que é a de conformar — na verdade, na justiça, na liberdade e no amor — a história humana à ordem divina. Quando vem a faltar a adesão à ordem transcendente das coisas, assim como o respeito daquela « gramática » do diálogo que é a lei moral universal escrita no coração do homem, [5] quando fica obstaculizado e impedido o progresso integral da pessoa e a tutela dos seus direitos fundamentais, quando muitos povos são obrigados a suportar injustiças e desigualdades intoleráveis, como se pode esperar na consecução do bem da paz? De fato, faltam aqueles elementos essenciais que dão forma à verdade deste bem. Santo Agostinho descreveu a paz como « tranquillitas ordinis », [6] a tranqüilidade da ordem, ou seja, aquela situação que, em última análise, permite respeitar e realizar cabalmente a verdade do homem.

5. E, então, quem e que coisa pode impedir a realização da paz? A este respeito, a Sagrada Escritura põe em evidência, no seu primeiro livro — o Gênesis —, a mentira, pronunciada ao início da história pelo ser de língua bífida que o evangelista João designa como « pai da mentira » (Jo 8, 44). E a mentira é também um dos pecados que lembra a Bíblia no último capítulo do seu último livro — o Apocalipse —, ao referir a exclusão dos mentirosos da Jerusalém Celeste: « Ficarão de fora (...) todos os que amam e praticam a mentira » (22, 15). Com a mentira, está ligado o drama do pecado com as suas conseqüências perversas, que causaram, e continuam a causar, efeitos devastadores na vida dos indivíduos e das nações. Basta pensar naquilo que aconteceu no século passado, quando aberrantes sistemas ideológicos e políticos mistificaram de forma programada a verdade, levando à exploração e à supressão de um número impressionante de homens e mulheres, exterminando mesmo famílias e comunidades inteiras. Depois destas experiências, como não sentir-se seriamente preocupado diante das mentiras do nosso tempo, que enquadram cenários ameaçadores de morte em não poucas regiões do mundo? A busca autêntica da paz deve partir da consciência de que o problema da verdade e da mentira diz respeito a cada homem e mulher e aparece como decisivo para um futuro pacífico do nosso planeta.

6. A paz é anseio irreprimível presente no coração de cada pessoa, independentemente das suas identidades culturais específicas. Por isso mesmo, cada um deve colocar-se ao serviço de um bem tão precioso, trabalhando para que não se insinue qualquer forma de falsidade que venha contaminar a convivência. Todos os homens pertencem a uma única e mesma família. A excessiva exaltação das próprias diferenças contrasta com esta verdade basilar. É preciso recuperar a consciência de estarmos irmanados num mesmo e, em última análise, transcendente destino, para se poder valorizar da melhor forma as próprias diferenças históricas e culturais sem as contrapor mas, antes, harmonizando-as com os que pertencem a outras culturas. São estas verdades simples que tornam possível a paz; e são facilmente compreensíveis quando se escuta o próprio coração com pureza de intenção. A paz apresenta-se então de um modo novo: não como simples ausência de guerra, mas como convivência dos diversos cidadãos numa sociedade governada pela justiça, na qual se realiza também, na medida do possível, o bem de cada um deles. A verdade da paz chama todos a cultivarem relações fecundas e sinceras, estimula a procurarem e a percorrerem os caminhos do perdão e da reconciliação, a serem transparentes nas conversações e fiéis à palavra dada. De modo particular, o discípulo de Cristo, que se sente insidiado pelo mal e conseqüentemente necessitado da intervenção libertadora do divino Mestre, a Ele se dirige com confiança por saber que « Ele não cometeu pecado, e a sua boca não proferiu mentira » (1 Ped 2, 22; cf. Is 53, 9). Com efeito, Jesus definiu-Se a Verdade em pessoa e, falando em visão ao vidente do Apocalipse, declarou a sua total aversão a « todos os que amam e praticam a mentira » (Ap 22, 15). É Ele que manifesta a verdade total do homem e da história. Com a força da sua graça é possível estar na verdade e viver de verdade, porque só Ele é totalmente sincero e fiel. Jesus é a verdade que nos dá a paz.

7. A verdade da paz deve valer, e fazer valer o seu resplendor benéfico de luz, mesmo quando nos encontramos na trágica situação duma guerra. Os Padres do Concílio Ecumênico Vaticano II, na constituição pastoral Gaudium et spes, ressaltam que, « uma vez começada lamentavelmente a guerra, nem tudo se torna lícito entre as partes beligerantes ». [7] A Comunidade Internacional dotou-se de um direito internacional humanitário para limitar ao máximo, sobretudo nas populações civis, as conseqüências devastadoras da guerra. Em numerosas circunstâncias e com diversas modalidades, a Santa Sé manifestou o seu apoio a este direito humanitário, encorajando o seu respeito e pronta atuação, convencida de que existe, mesmo na guerra, a verdade da paz. O direito internacional humanitário deve ser incluído entre as expressões mais felizes e eficazes das exigências que derivam da verdade da paz. Por isso mesmo, o respeito de tal direito impõe-se como um dever para todos os povos. Há que apreciar o seu valor e garantir a sua correta aplicação, atualizando-o com normas pontuais capazes de fazer frente aos mutáveis cenários dos conflitos armados em curso e também ao uso de novos armamentos cada vez mais sofisticados.

8. Penso com gratidão às Organizações Internacionais e a todos os que se esforçam quotidianamente pela aplicação do direito internacional humanitário. Como poderia aqui esquecer tantos soldados empenhados em delicadas operações que visam a conciliação dos conflitos e a restauração das condições necessárias para a realização da paz? A eles desejo recordar também estas palavras do Concílio Vaticano II: « Aqueles que se dedicam ao serviço da pátria no exército, considerem-se servidores da segurança e da liberdade dos povos; na medida em que se desempenham como convém desta tarefa, contribuem verdadeiramente para o estabelecimento da paz ». [8] Neste exigente âmbito, coloca-se a ação pastoral dos Ordinariatos Castrenses da Igreja Católica: tanto para os Ordinários militares como para os capelães militares vai o meu encorajamento para que, em toda a situação e ambiente, se mantenham fiéis evangelizadores da verdade da paz.

9. Hoje em dia, a verdade da paz continua a ser comprometida e negada, de maneira dramática, pelo terrorismo que, com as suas ameaças e ações criminosas, é capaz de ter o mundo em estado de ansiedade e insegurança. Os meus predecessores Paulo VI e João Paulo II intervieram diversas vezes para denunciar a tremenda responsabilidade dos terroristas e para condenar a insensatez dos seus desígnios de morte. De fato, tais desígnios estão inspirados por um niilismo trágico e desconcertante, que o Papa João Paulo II descrevia com estas palavras: « Quem mata, com atos terroristas, cultiva sentimentos de desprezo pela humanidade, manifestando desespero pela vida e pelo futuro: nesta perspectiva, tudo pode ser odiado e destruído ». [9] E não é só o niilismo; também o fanatismo religioso, hoje freqüentemente denominado fundamentalismo, pode inspirar e alimentar propósitos e gestos terroristas. Intuindo, desde o início, o perigo dilacerante que representa o fundamentalismo fanático, João Paulo II estigmatizou-o duramente, acautelando contra a pretensão de impor com a violência, em vez de propor à livre aceitação dos outros, a própria convicção acerca da verdade. Assim escrevia ele: « Pretender impor aos outros com a violência aquela que se presume ser a verdade, significa violar a dignidade do ser humano e, em última instância, ultrajar a Deus, de quem ele é imagem ». [10]

10. Bem vistas as coisas, o niilismo e o fundamentalismo relacionam-se de forma errada com a verdade: os niilistas negam a existência de qualquer verdade, os fundamentalistas avançam a pretensão de poder impô-la com a força. Mesmo tendo origens diversas e sendo manifestações que se inserem em contextos culturais distintos, o niilismo e o fundamentalismo têm em comum um perigoso desprezo pelo homem e sua vida e, em última análise, pelo próprio Deus. Com efeito, na base deste trágico recurso está, em definitivo, a falsificação da verdade plena de Deus: o niilismo nega a sua existência e providencial presença na história; o fundamentalismo fanático desfigura a sua face amorosa e misericordiosa, substituindo-O por ídolos feitos à própria imagem. Ao analisar as causas do fenômeno contemporâneo do terrorismo, é desejável que, além das razões de caráter político e social, se tenham em conta também as mais profundas motivações culturais, religiosas e ideológicas.

11. Perante os riscos que a humanidade vive em nossa época, é dever de todos os católicos intensificar, em todas as partes do mundo, o anúncio e o testemunho do « Evangelho da paz », proclamando que o reconhecimento da verdade plena de Deus é condição prévia e indispensável para a consolidação da verdade da paz. Deus é amor que salva, Pai amoroso que deseja ver os seus filhos reconhecerem-se mutuamente como irmãos, procurando responsavelmente pôr os seus vários talentos ao serviço do bem comum da família humana. Deus é fonte inesgotável da esperança que dá sentido à vida pessoal e coletiva. Deus, e só Ele, torna eficaz qualquer obra de bem e de paz. A história demonstrou amplamente que, fazer guerra a Deus para extirpá-Lo do coração dos homens, leva a humanidade, assustada e empobrecida, para decisões que não têm futuro. Isto deve impelir os crentes em Cristo a fazerem-se testemunhas convictas de um Deus que é inseparavelmente verdade e amor, colocando-se ao serviço da paz numa ampla colaboração ecumênica e com as outras religiões e ainda com todos os homens de boa vontade.

12. Contemplando o atual contexto mundial, podemos com satisfação registrar alguns sinais promissores no caminho da construção da paz. Penso, por exemplo, na diminuição numérica dos conflitos armados. Trata-se certamente de passos ainda muito tímidos na senda da paz, mas capazes já de perspectivar um futuro de maior serenidade, particularmente para as aflitas populações da Palestina, a Terra de Jesus, e para os habitantes de algumas regiões da África e da Ásia, que há vários anos esperam a conclusão positiva dos percursos iniciados de pacificação e reconciliação. São sinais consoladores que requerem, para ser confirmados e consolidados, uma ação concorde e diligente por parte sobretudo da Comunidade Internacional e dos seus Órgãos instituídos para prevenir os conflitos e dar solução pacífica aos que ainda perduram.

13. Mas, tudo isto não deve induzir a um ingênuo otimismo. De fato, não se podem esquecer os sangrentos conflitos fratricidas e as guerras devastadoras que ainda continuam, infelizmente, semeando lágrimas e morte em vastas zonas da terra. Há situações onde o conflito, que está latente como o fogo debaixo das cinzas, pode novamente alastrar causando destruições de alcance incalculável. As autoridades que, em vez de realizarem quanto está ao seu alcance para promoverem eficazmente a paz, fomentam nos cidadãos sentimentos de hostilidade contra outras nações, arcam com uma gravíssima responsabilidade: colocam em perigo, em regiões de alto risco, os delicados equilíbrios alcançados à custa de árduas negociações, contribuindo assim para tornar mais inseguro e nebuloso o futuro da humanidade. Além disso, que dizer dos governos que contam com as armas nucleares para garantir a segurança dos seus países? Juntamente com inúmeras pessoas de boa vontade, pode afirmar-se que tal perspectiva, além de ser funesta, é totalmente falaz. Numa guerra nuclear, não haveria realmente vencedores, mas apenas vítimas. A verdade da paz requer que todos — tanto os governos que de forma explícita ou tácita possuem armas nucleares, como os que pretendem consegui-las — invertam conjuntamente a marcha mediante opções claras e decididas, orientando-se para um progressivo e concordado desarmamento nuclear. Os recursos assim poupados poderão ser destinados para projetos de desenvolvimento em benefício de todos os habitantes e, em primeiro lugar, dos mais pobres.

14. A este respeito, não é possível deixar de registrar com pena os dados de um aumento preocupante dos gastos militares e do comércio sempre próspero das armas, enquanto permanece atolado no pântano duma indiferença quase geral o processo político e jurídico atuado pela Comunidade Internacional para consolidar o caminho do desarmamento. Se se continua a investir na produção de armas e na pesquisa para criar novas, que futuro de paz será possível? Os votos que me vêm do fundo do coração são de que a Comunidade Internacional saiba reencontrar a coragem e a sabedoria de relançar com convicção e unidade o desarmamento, dando aplicação concreta ao direito à paz que pertence a todo o homem e povo. Empenhando-se por salvaguardar o bem da paz, os vários Organismos da Comunidade Internacional poderão reencontrar aquela autoridade que é indispensável para tornar credíveis e incisivas as suas iniciativas.

15. Os primeiros a beneficiarem duma decisiva opção pelo desarmamento serão os países pobres, que reclamam justamente, depois de tantas promessas, a atuação concreta do direito ao desenvolvimento. Tal direito foi reafirmado solenemente ainda na recente Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, que celebrou este ano o 60o aniversário da sua fundação. A Igreja Católica, ao confirmar a própria confiança nesta Organização internacional, deseja-lhe uma renovação institucional e operativa que a ponha em condições de responder às novas exigências da época atual, marcada pelo vasto fenômeno da globalização. A Organização das Nações Unidas deve tornar-se um instrumento sempre mais eficiente para promover no mundo os valores da justiça, da solidariedade e da paz. A Igreja, por sua vez, fiel à missão recebida do seu Fundador, não se cansa de proclamar por todo o lado o « Evangelho da paz ». Animada como está pela firme persuasão de prestar um indispensável serviço a quantos se dedicam a promover a paz, ela lembra a todos que a paz, para ser autêntica e duradoura, deve ser construída sobre a rocha da verdade de Deus e da verdade do homem. Só esta verdade pode sensibilizar os ânimos para a justiça, abri-los ao amor e à solidariedade, encorajar a todos a trabalharem por uma humanidade livre e solidária. Sim, apenas sobre a verdade de Deus e do homem assentam os alicerces de uma paz autêntica.

16. Na conclusão desta mensagem, gostaria agora de dirigir-me particularmente aos que acreditam em Cristo, renovando-lhes o convite para se tornarem discípulos do Senhor atentos e disponíveis. Escutando o Evangelho, queridos irmãos e irmãs, aprendemos a fundar a paz sobre a verdade duma existência quotidiana inspirada no mandamento do amor. É necessário que cada comunidade se empenhe numa intensa e capilar obra de educação e testemunho que faça crescer em cada um a noção da urgência de descobrir sempre mais profundamente a verdade da paz. Ao mesmo tempo peço que se intensifique a oração, porque a paz é primariamente dom de Deus que se há de implorar incessantemente. Graças à ajuda divina, será certamente mais convincente e iluminador o anúncio e o testemunho da verdade da paz. Com confiança e abandono filial, voltemos o olhar para Maria, a Mãe do Príncipe da Paz. Ao início deste novo ano, pedimos-Lhe que ajude todo o Povo de Deus a ser, em cada situação, agente de paz, deixando-se iluminar pela Verdade que nos torna livres (cf. Jo 8, 32). Pela sua intercessão, possa a humanidade crescer no apreço por este bem fundamental e comprometer-se na consolidação da sua presença no mundo, para entregar um futuro mais sereno e seguro às gerações que hão de vir.

Vaticano, 8 de Dezembro de 2005. 

BENEDICTUS PP. XVI                                                                           http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/index_po.htm

 

DEUS ABENÇOA A VIDA HUMANA DESDE O SEIO MATERNO: A CATEQUESE DE BENTO XVI NA ÚLTIMA AUDIÊNCIA GERAL DO ANO

Cidade do Vaticano, 28 dez (Rádio Vaticano) - Um salmo que é um hino à vida, a Deus que a cria e que olha para o embrião com toda a benevolência de seu amor.

Na última Audiência Geral deste 2005, Bento XVI voltou a falar do Salmo 138, já comentado nas semanas precedentes, ressaltando que a vida humana constitui um mérito da glória divina. O pensamento do Papa voltou-se também para as vítimas do tsunami, que, um ano atrás, devastou o sul e sudeste asiáticos.

Milhares de fiéis e peregrinos, reunidos na Praça São Pedro, escutaram o Papa descrever a vida humana vista com os olhos de Deus. A síntese está no versículo 4 do Salmo 138, retomado após a catequese de quarta-feira passada, dedicada ao Natal: o homem _ lê-se no texto da Liturgia das Vésperas _ é "o prodígio de Deus".

Como o oleiro que plasma a argila para a sua obra de arte, assim Deus _ explicou o Papa _ cria a sua "obra prima": no pequeno núcleo que cresce no útero da mãe, já repousa "o olhar benévolo e amoroso dos olhos de Deus".

"É extremamente forte, no nosso Salmo, a idéia de que Deus já vê todo o futuro daquele embrião ainda "informe": no livro da vida do Senhor, já estão escritos os dias que a criatura viverá e preencherá de obras durante a sua existência terrena. Volta, assim, a emergir a grandeza transcendente da consciência divina, que não abarca somente o passado e o presente da humanidade, mas também o arco escondido do futuro."

A ausência de formas definidas de um embrião em crescimento se torna, em São Gregório Magno, uma metáfora do _ nem sempre fácil _ caminho espiritual de muitos cristãos. Bento XVI recordou aquelas palavras, evidenciando o esforço feito por aqueles fiéis que _ observou ele _ embora "frágeis na fé", fazem parte da "arquitetura da Igreja".

"Também eles contribuem para a edificação da Igreja, porque se apóiam no fundamento do temor e do amor, no qual encontram a sua solidez. A mensagem de São Gregório se torna, então, um convite à esperança dirigido a todos, também àqueles que trilham com fadiga, o caminho da vida espiritual e eclesial. O Senhor nos conhece e nos circunda a todos, com seu amor."

Ao saudar em várias línguas os diversos grupos de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, Bento XVI fez votos de que "a luz de Cristo, que na noite de Natal brilhou sobre a humanidade, resplandeça sobre cada um de vocês, caros amigos, e os conduza no compromisso de um corajoso testemunho cristão".

A de se despedir, entre os aplausos da multidão, o Pontífice dirigiu um último pensamento àqueles que perderam a vida no devastador maremoto de 26 de dezembro de 2004, pedindo ajuda para os atingidos e pelas vítimas de outras tragédias do planeta: "Rezemos ao Senhor por eles e por todos que, em outras regiões do mundo, sofreram calamidades naturais, e esperam ainda a nossa concreta solidariedade."

 

PAPA NO ANGELUS FALA SOBRE ELO DE LIGAÇÃO ENTRE O NATAL E A FESTA DE SANTO ESTEVÃO

Cidade do Vaticano, 26 dez (Rádio Vaticano) - O santo que a Igreja festeja hoje é Santo Estevão, protomártir. E foi justamente a sua figura e a ligação que ela tem com o Natal que serviram como tema para a reflexão do Papa, no encontro com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, para rezar junto com o Pontífice, a oração mariana do Angelus.

Ao meio-dia, Bento XVI assomou à janela de seus aposentos, que se abre para a monumental Praça São Pedro, de onde ilustrou, para os fiéis e peregrinos presentes, a estreita ligação entre a solenidade de ontem e a festa de hoje.

Após ter celebrado ontem, solenemente, o Natal de Cristo, recordamos hoje o nascimento para o céu, de Santo Estevão, o primeiro mártir. Uma ligação particular une essas duas festas _ disse o Santo Padre _ e essa ligação é sintetizada na liturgia ambrosiana, com a seguinte afirmação: "Ontem o Senhor nasceu na terra a fim de que Santo Estevão nascesse no céu."

"Estevão _ prosseguiu i Papa _ é um autêntico discípulo de Jesus e um perfeito imitador d'Ele. Inicia-se com ele, a longa série de mártires que marcaram a própria fé com a oferta da vida, proclamando com o seu heróico testemunho, que Deus se fez homem para abrir ao homem o Reino dos Céus."

O Santo Padre observou que, na atmosfera de alegria do Natal, não deve parecer fora de lugar a referência ao martírio de Santo Estevão. "Na manjedoura de Belém _ observou o Papa _ já se espalhava a sombra da cruz. Cruz preanunciada pela pobreza da estrebaria na qual o Menino emite seu primeiro vagido, pela profecia de Simeão sobre o sinal de contradição e pela espada destinada a traspassar a alma da Virgem, e pela perseguição de Herodes, que tornará necessária a fuga ao Egito."

Bento XVI ressaltou que, portanto, "não deve surpreender que, um dia, esse Menino que se tornou adulto, peça a seus discípulos que O sigam no caminho da Cruz com total confiança e fidelidade".

"Como não reconhecer que também neste nosso tempo, em várias partes do mundo, professar a fé cristã requer o heroísmo dos mártires? Como não dizer que em todas as partes do mundo, mesmo onde não existe perseguição, viver com coerência o Evangelho comporta um alto preço a ser pago?" - perguntou o Pontífice.

Concluindo, Bento XVI convidou os fiéis a viverem com coerência a própria fé.

Após a oração mariana e a bênção, o Papa passou a saudar, como faz habitualmente, os diversos grupos de fiéis e peregrinos presentes, desejando a todos que conservem nestes dias o clima espiritual de alegria e serenidade do Santo Natal.

 

BENTO XVI - "Urbi et Orbi"

MENSAGEM DA BÊNÇÃO "URBI ET ORBI" DO SANTO PADRE - NATAL 2005

Cidade do Vaticano, 25 dez (Rádio Vaticano) - Mensagem do Santo Padre que precedeu a bênção "urbi et orbi" (à cidade de Roma e ao mundo): 
"Anuncio-vos uma grande alegria (…): hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor" (Lc 2, 10-11). Na noite passada, ouvimos uma vez mais estas palavras do Anjo aos pastores, e de novo vivemos o clima daquela Noite santa, a Noite de Belém, quando o Filho de Deus Se fez homem e, nascendo numa pobre gruta, veio habitar entre nós. Neste dia solene, ressoa o anúncio do Anjo que é um convite – dirigido também a nós, homens e mulheres do terceiro milênio – para acolher o Salvador. Que a humanidade atual não hesite em fazê-Lo entrar nas suas casas, nas cidades, nas nações e em qualquer ângulo da terra! É verdade que, ao longo do milênio há pouco terminado e de modo especial nos últimos séculos, foram muitos os progressos realizados em campo técnico e científico; podemos hoje dispor de vastos recursos materiais. Mas, o homem da era tecnológica corre o risco de ser vítima dos próprios êxitos da sua inteligência e dos resultados das suas capacidades inventivas, caminha para uma atrofia espiritual, um vazio do coração. Por isso, é importante abrir a sua mente e o seu coração ao Natal de Cristo, acontecimento de salvação capaz de imprimir uma renovada esperança à existência de todo o ser humano.

"Desperta, ó homem! Por ti, Deus Se fez homem" (Santo Agostinho, Sermões, 185). Desperta, ó homem do terceiro milênio! No Natal, o Onipotente faz-Se menino e pede ajuda e proteção; o seu modo de ser Deus põe em crise o nosso modo de ser homens; o seu bater às nossas portas interpela-nos, interpela a nossa liberdade e pede-nos para rever a nossa relação com a vida e o nosso modo de concebê-la. Muitas vezes, a Idade Moderna é apresentada como um despertar do sono da razão, como se a humanidade, saindo dum período escuro, chegasse à luz. Mas, sem Cristo, a luz da razão não basta para iluminar o homem e o mundo. Por isso, a palavra evangélica do dia de Natal – "O Verbo era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina" (Jo 1, 9) – ressoa, hoje mais do que nunca, como anúncio de salvação para todos. "O mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente" (Const. Gaudium et spes, 22). A Igreja vai repetindo incansavelmente esta mensagem de esperança, reproposta pelo Concílio Vaticano II que terminou precisamente há quarenta anos.

Ó homem moderno, adulto e todavia às vezes débil de pensamento e de vontade, deixa o Menino de Belém conduzir-te pela mão; não temas, confia n"Ele! A força vivificante da sua luz dá-te coragem para te empenhares na edificação duma nova ordem mundial, fundada sobre relações éticas e econômicas justas. O seu amor guie os povos e ilumine a sua consciência comum de que são uma "família" chamada a construir relações de confiança e de mútuo apoio. Unida, a humanidade poderá enfrentar os numerosos e preocupantes problemas da atualidade: desde a ameaça terrorista às condições de humilhante pobreza em que vivem milhões de seres humanos, desde a proliferação das armas às pandemias e à degradação ambiental que ameaça o futuro do planeta.

Deus, que Se fez homem por amor do homem, ampare aqueles que trabalham em África a favor da paz e do desenvolvimento integral, opondo-se às lutas fratricidas, para que se consolidem as atuais transições políticas ainda frágeis e sejam salvaguardados os direitos mais elementares de quantos vivem em trágicas situações humanitárias, como em Darfur e noutras regiões da África central. Induza os povos latino-americanos a viverem em paz e concórdia. Infunda coragem nos homens de boa vontade que trabalham na Terra Santa, no Iraque, no Líbano, onde os sinais de esperança, que não faltam, aguardam por ser confirmados através de comportamentos inspirados pela lealdade e sabedoria; favoreça os processos de diálogo na Península Coreana e noutros países asiáticos, para que, superadas perigosas divergências, se chegue, com espírito conciliador, a coerentes desfechos de paz, tão ansiados por aquelas populações.

No Natal, o nosso espírito abre-se à esperança, ao contemplar a glória divina escondida na pobreza de um Menino envolvido em panos e reclinado numa manjedoura: é o Criador do universo, reduzido à impotência de um recém-nascido! Aceitar este paradoxo, o paradoxo do Natal, é descobrir a Verdade que liberta, o Amor que transforma a existência. Na Noite de Belém, o Redentor faz-Se um de nós, para ser nosso companheiro nas estradas insidiosas da história. Acolhamos a mão que Ele nos estende: é uma mão que não nos quer tirar nada, mas apenas dar.

Com os pastores, entremos na gruta de Belém sob o olhar amoroso de Maria, silenciosa testemunha do prodigioso nascimento. Que Ela nos ajude a viver um bom Natal; ensine-nos a guardar no coração o mistério de Deus, que por nós Se fez homem; nos guie ao testemunharmos no mundo a sua verdade, o seu amor, a sua paz.


DESPERTA, Ó HOMEM DO TERCEIRO MILÊNIO! NO NATAL, O ONIPOTENTE SE FAZ MENINO E PEDE AJUDA E PROTEÇÃO

Cidade do Vaticano, 25 dez (Rádio Vaticano) - Ao meio-dia deste domingo, do Natal do Senhor, Bento XVI assomou ao balcão central da Basílica de São Pedro, para a tradicional bênção "urbi et orbi" (à cidade de Roma e ao mundo).

Roma amanheceu sob uma pesada capa de nuvens escuras, e com uma chuva fina e persistente que, todavia, não impediu que milhares de fiéis e peregrinos se reunissem na Praça São Pedro, para ouvir a mensagem de Natal do Pontífice e receber a sua bênção "urbi et orbi".

Antes de saudar os fiéis em 32 línguas diversas, Bento XVI falou sobre o significado daquela noite santa, quando o Filho de Deus Se fez homem e veio habitar entre nós. O anúncio para acolher o Salvador é dirigido também a nós, homens e mulheres do terceiro milênio...

"Que a humanidade atual não hesite em fazê-Lo entrar em suas casas, nas cidades, nas nações e em qualquer ângulo da terra! É verdade que, ao longo do milênio há pouco terminado, e de modo especial nos últimos séculos, foram muitos os progressos realizados em campo técnico e científico; podemos hoje dispor de vastos recursos materiais. Mas há um porém _ observou _ o homem da era tecnológica corre o risco de ser vítima dos próprios êxitos de sua inteligência e dos resultados de suas capacidades inventivas, caminha para uma atrofia espiritual, um vazio do coração."

"Por isso _ afirmou Bento XVI _ é importante abrir a mente e o coração ao Natal de Cristo, acontecimento de salvação capaz de imprimir uma renovada esperança à existência de todo o ser humano."

"Desperta, ó homem do terceiro milênio! No Natal, o Onipotente se faz menino e pede ajuda e proteção; com seu modo de ser, Deus põe em crise o nosso modo de ser homens; o seu bater às nossas portas interpela-nos, interpela a nossa liberdade e nos pede para revermos a nossa relação com a vida e o nosso modo de concebê-la."

Muitas vezes, afirmou o Papa, a Idade Moderna é apresentada como um despertar do sono da razão, como se a humanidade, saindo dum período escuro, chegasse à luz. Mas, sem Cristo, a luz da razão não basta para iluminar o homem e o mundo.

O Santo Padre pediu, portanto, que o homem moderno se deixe conduzir pelo Menino de Belém. Que a força vivificante de sua luz dê-lhe coragem para se empenhar na edificação de uma nova ordem mundial _ uma nova ordem fundada em relações éticas e econômicas justas.

"Unida _ sublinhou o Pontífice _ a humanidade poderá enfrentar os numerosos e preocupantes problemas da atualidade: desde a ameaça terrorista às condições de humilhante pobreza em que vivem milhões de seres humanos; desde a proliferação das armas às pandemias e à degradação ambiental que ameaçam o futuro do planeta.

O Papa citou os conflitos abertos na África, em especial na região sudanesa de Darfur, e em outras regiões da África central. Falou ainda da Terra Santa, do Iraque e do Líbano, onde os sinais de esperança devem ser confirmados.

Lembrou a península coreana e outros países asiáticos e, também, a América Latina. Para o nosso continente, o Papa pediu que Deus induza os povos latino-americanos a viverem em paz e concórdia.

No Natal, afirmou, o nosso espírito se abre à esperança ao contemplar a glória divina escondida na pobreza de um Menino. "Aceitar esse paradoxo, o paradoxo do Natal _ concluiu Bento XVI _ é descobrir a Verdade que liberta, o Amor que transforma a existência."

 

AUDIÊNCIA DO DIA 21 DE DEZEMBRO DE 2005

"Que seja compromisso de todos, acolher o valor das tradições natalinas, que fazem parte do patrimônio da nossa fé e da nossa cultura, para transmiti-las às novas gerações."

Cidade do Vaticano, 21 dez (Rádio Vaticano) - As tradições cristãs do Natal devem ser defendidas da mentalidade consumista que quer eliminá-las e devem também ser transmitidas aos jovens.

Na última Audiência Geral antes de 25 de dezembro, Bento XVI dedicou sua catequese à "luz do Natal". Falando aos milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, apesar da temperatura excepcionalmente fria que, há dias, envolve a capital italiana, o Pontífice abordou o sentido cristão da Natividade, com seus valores transmitidos há mais de dois mil anos, indicando-os como "um patrimônio sacro que deve ser conservado e transmitido", da maneira mais intensa possível, para neutralizar os pseudo-valores que utilizam o Natal como uma mercadoria.

"Preparando-nos para celebrar com alegria, o nascimento do Salvador em nossas famílias e em nossas comunidades eclesiais, enquanto uma cultura moderna e consumista tende a fazer desaparecer os símbolos cristãos da celebração do Natal, que seja compromisso de todos, acolher o valor das tradições natalinas, que fazem parte do patrimônio da nossa fé e da nossa cultura, para transmiti-las às novas gerações."

Um tema que pouco antes, Bento XVI havia introduzido, falando da luz que é um dos "símbolos" do "mistério do Natal". Um símbolo _ disse _ que evoca "uma realidade que toca o íntimo do homem": a luz "do bem que vence o mal, do amor que supera o ódio, da vida que derrota a morte".

Também pelas ruas da cidade e nas praças, observou o Papa, a luz dos ornamentos e das luminárias domina, nestes dias de festa. Mas aquela luz _ advertiu _ deve convidar os fiéis "a outra luz, invisível aos olhos, mas não ao coração".

"Ao mesmo tempo em que as admiramos, ao mesmo tempo em que acendemos as velas nas Igrejas ou a iluminação do presépio e da árvore de Natal nas casas, que o nosso ânimo se abra à verdadeira luz espiritual, concedida a todos os homens de boa vontade."

Bento XVI concluiu a Audiência Geral com uma invocação da liturgia de hoje, que canta a vinda de Cristo como um "Astro" de "luz eterna"...

"Esse Astro de luz que não conhece ocaso, nos comunica a força para seguir sempre o caminho da verdade, da justiça e do amor! Vivamos intensamente estes últimos dias que precedem o Natal, juntos a Maria, a Virgem do silêncio e da escuta (…) Com esses sentimentos, exortando vocês a manterem vivo o estupor interior, na fervorosa espera pela celebração do nascimento do Salvador, tenho a satisfação de formular desde já, os mais cordiais votos de um santo e alegre Natal a todos vocês aqui presentes, a seus familiares, às suas comunidades e a todos os que lhes são caros. Bom Natal a todos."

 

Papa: 

 

CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI reiterou hoje que nenhuma forma de relação pode ser equiparada ao casamento formado por um homem e uma mulher, e pediu que esta instituição familiar fosse ajudada para que possa continuar com sua crucial função educativa dos jovens.

 

A nova declaração a favor do casamento tradicional foi feita pelo Pontífice no discurso que dirigiu hoje ao novo embaixador da França na Santa Sé, Bernard Kessedjian, que apresentou suas cartas credenciais.

 

''Nenhuma outra forma de relação pode ser comparada à instituição conjugal e familiar. Ela é, efetivamente, o fundamento da vida social e tem papel insubstituível na educação dos jovens'', afirmou o papa, que disse que é preciso prestar atenção especial à família.

 

Bento XVI ressaltou ainda que a família tem que ser ajudada para que não diminua seu trabalho educativo, "e para que os jovens não sejam abandonados à própria sorte".

 

De acordo com o papa, a família, "unindo autoridade e apoio afetivo", transmite aos jovens os valores indispensáveis para seu amadurecimento pessoal e para o sentido do bem comum.

 

O Pontífice também falou sobre a bioética, e disse que os seres humanos, "principalmente nos primeiros instantes de sua vida, não podem ser considerados simples objetos de pesquisa".

 

O papa também se referiu aos recentes distúrbios que aconteceram em bairros das grandes cidades francesas. Após condená-los, disse que esse tipo de violência representa uma mensagem, principalmente dos jovens, que convida à reflexão e a uma resposta, que é a integração de todos na sociedade. (19.DEZ.2005 - O Globo)

 

 

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