Primeiras Vésperas da Santa Mãe de Deus e o "Te Deum"

Cidade do Vaticano (RV) – Neste último dia do ano, 31 de dezembro de 2016, o Papa Francisco preside na Basílica Vaticana, às 17h00 locais (14h00 de Brasília), às Primeiras Vésperas da Solenidade da Santíssima Mãe de Deus, Maria, com o canto do Te Deum e a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Origem do "Te Deum"

O Te Deum é um hino litúrgico tradicional. Seu texto foi musicado por vários compositores, entre os quais Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Joseph Haydn, Hector Berlioz, Anton Bruckner, Antonín Dvorák, e até o imperador do Brasil, Dom Pedro I.

O Te Deum “é um hino muito antigo, alguns atribuem até a Santo Ambrósio e Santo Agostinho, mas já no século VI, São Bento fez menção a este hino. Trata-se de um hino de louvor a Deus, de ação de graças.

Este hino, que inicia com as palavras “Te Deum laudamos” (“a vós, ó Deus, louvamos”), tem um sentido trinitário porque menciona três pessoas, fazendo com que nós nos unamos aos anjos quando dizem: “A Ti aclamam todos os Anjos, os céus, todas as potestades, os querubins e os serafins”.

Assim, nós nos unimos a esta aclamação dos anjos a Deus, dizendo “Santo, Santo, Santo”, como na Missa. Com este canto, também pedimos a Deus que venha em socorro dos seus servos.

Este hino é cantado na tarde do último dia do ano (31), no final das Primeiras Vésperas da Solenidade da Santa Mãe de Deus. Antigamente, este celebração era comum.

Na história do Brasil, sabemos que quando Dom João VI chegou em terras brasileiras, ao desembarcar foi à Catedral para participar do canto do Te Deum. Quando Dom Pedro I e Dom Pedro II visitavam as cidades eram recebidos com este canto de agradecimento. Não eram celebradas Missas, mas o Te Deum.

A celebração das Vésperas, que contava com uma homilia, algum canto, uma celebração litúrgica, se perdeu um pouco no século XIX. Hoje em dia, é prescrita para o Ofício Divino, aos domingos, festas e solenidades, equivalente ao Glória da Missa.

Anos atrás, Paulo VI e João Paulo II iam à igreja dos jesuítas, Igreja do Jesus, em Roma, no último dia do ano e presidiam ao hino do Te Deum. Muitas vezes, este canto se faz durante a exposição do Santíssimo Sacramento. (MT)

Hino do "Te Deum"

A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos.

A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra.

A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades;

a Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam:

Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos!

Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade.

A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos,

a Vós, a respeitável assembleia dos Profetas,

a Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores!

A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade,

ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objeto das nossas adorações, do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado.

Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo!

Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Omnipotente!

Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes

Vos dignastes de entrar no casto seio duma Virgem!

Vós, vencedor do estímulo da morte,

abristes aos fiéis o Reino dos Céus;

Vós estais sentado à direita de Deus,

no glorioso trono do vosso Pai!

Nós cremos e confessamos firmemente

que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo.

A Vós, portanto, rogamos que socorrais os vossos servos

a quem remistes com o Vosso preciosíssimo Sangue.

Fazei que sejamos contados na eterna glória,

entre o número dos Vossos Santos.

Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança,

regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa.

Todos os dias Vos bendizemos e esperamos

glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos.

Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado.

Tende compaixão de nós, Senhor,

compadecei-Vos de nós, miseráveis.

Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia,

pois em Vós colocamos toda a nossa esperança.

Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido.


O 2016 do Papa Francisco: a reforma real é o amor dos santos

Cidade do Vaticano, 30.dzembro.2016 (RV) - O ano de 2016 está chegando ao fim. É tempo de balanço. O ano que termina foi muito intenso para o Papa com as suas seis viagens internacionais e as três realizadas na Itália, a publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia sobre a família, o Jubileu da Misericórdia, com seus muitos eventos e, ainda os encontros, as audiências gerais, as Missas na Casa Santa Marta e as novas etapas da reforma da Cúria. Mas o traço comum também deste ano é a profunda renovação espiritual que o Papa Francisco está promovendo na Igreja para que os cristãos levem em todo o mundo a alegria do Evangelho.

O amor de Deus é o centro do Evangelho, não a lei

“No centro não está a lei”, mas “o amor de Deus, que sabe ler o coração de cada pessoa, para compreender o desejo mais escondido, e que deve ter a primazia sobre tudo”. São, talvez, essas as palavras mais significativas deste ano do Papa Francisco: estão contidas na Carta Apostólica “Misericordia et Misera” publicada na conclusão do Jubileu. “Este é o tempo da misericórdia”, reafirma. É o poder do Evangelho que nós sempre tentamos engaiolar nos padrões tranquilizadores, assim como fazem os escribas e fariseus que fazem perguntas capciosas a Jesus citando Moisés e a Lei, porque “sempre foi feito assim”: mas o amor do Senhor é mais forte. “O cristão - escreve o Papa - é chamado a viver a novidade do Evangelho” e “também nos casos mais complexos, onde se procura fazer prevalecer uma justiça que vem apenas das regras, se deve acreditar na força que brota da graça divina”:

“O que isso significa? Que muda a lei? Não! Que a lei está a serviço do homem que está a serviço de Deus, e por isso o homem deve ter um coração aberto. O “sempre foi feito assim” é coração fechado e Jesus nos disse: “Vou enviar o Espírito Santo e Ele os conduzirá à plena verdade”. Se você tem o coração fechado à novidade do Espírito, nunca vai chegar à plena verdade”.

Rigidez e soberba

Não é fácil caminhar na Lei do Senhor “sem cair na rigidez”, disse o Papa. “A Lei não é feita para nos tornar escravos, mas para nos tornar livres, para nos tornar filhos”. O risco dos rígidos é cair na soberba, e considerarem-se mais justos do que os outros:

“Vamos rezar por nossos irmãos e irmãs que acreditam que caminhar na Lei do Senhor é tornar-se rígido. Que o Senhor faça com quem eles sintam que Ele é Pai e que Ele ama a misericórdia, a ternura, a bondade, a mansidão, a humildade. E a todos nos ensine a caminhar na Lei do Senhor com estas atitudes”.

Abertos às surpresas do Espírito

Desde o início, o Espírito Santo impele a Igreja para a frente, em direção de novas estradas, das novidades de Deus. Cresce, de fato, a compreensão da fé, as verdades de sempre são cada vez mais entendidas na sua plenitude. A partir do primeiro Concílio da história, o de Jerusalém, onde os apóstolos decidiram juntos de não impor a Lei Mosaica aos gentios convertidos:

“Este é o caminho da Igreja até hoje. E quando o Espírito nos surpreende com algo que parece novo ou que “nunca se fez assim”, “se deve fazer assim”, pensem no Vaticano II, às resistências que teve o Concílio Vaticano II, e digo isto porque é mais perto de nós. Quantas resistências: "Oh, não ... '. Também hoje resistências que continuam, de uma forma ou de outra, e o Espírito que vai avante. E o caminho da Igreja é este: reunir-se, unir-se, ouvir, discutir, rezar e decidir. E isso é a chamada sinodalidade da Igreja, na qual se expressa a comunhão da Igreja. E quem faz a comunhão? E o Espírito! Outra vez o protagonista. O que o Senhor pede de nós? Docilidade ao Espírito. O que o Senhor pede de nós? Não ter medo, quando vemos que é o Espírito que nos chama”.

O diabo quer destruir a Igreja com as divisões

O Papa Francisco convida a trabalhar pela unidade da Igreja, a não dilacerar o Corpo de Cristo. É o diabo - disse - que procura destruir a Igreja através de divisões teológicas e ideológicas. A sua “é uma guerra suja” e “nós ingênuos nos submetemos”:

“As divisões na Igreja não deixam que o Reino de Deus cresça; não deixam que o Senhor se mostre bem, como Ele é. As divisões fazem com que se veja esta parte, esta outra, contra esta, contra contra ... Sempre contra! Não há o óleo da unidade, o bálsamo da unidade (...) eu lhe peço para fazer todo o possível para não destruir a Igreja com as divisões, sejam ideológicas, sejam de ganância e de ambição, sejam de ciúmes” .

A Igreja - disse o Papa Francisco - tem necessidade constante de renovar-se, porque é um corpo vivo. Mas os verdadeiros reformadores são os santos.


Semana do Papa Especial Natal
 
Cidade do Vatican, 30.DEZ.2016 (RV) – Nesta “Semana do Papa Especial Natal” fazemos uma síntese das principais mensagens, atividades e celebrações do Santo Padre neste início do Tempo de Natal.

Não à loucura homicida

Começamos esta nossa rubrica pelo atentado terrorista que manchou o Natal na Europa: o ataque a um mercado de Natal em Berlim, na Alemanha, perpetrado por um grupo ligado ao auto proclamado Estado Islâmico. Um atentado que aconteceu na segunda-feira dia 19 de dezembro e que provocou doze mortos e dezenas de feridos.

O Papa Francisco, através de um telegrama assinado pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, manifestou o seu pesar pelas vítimas do atentado dizendo que foi com “profunda comoção” que soube do “terrível ato de violência ocorrido em Berlim, no qual, além do considerável número de feridos, muitas pessoas encontraram a morte” – disse o Santo Padre numa mensagem endereçada ao Arcebispo de Berlim, Heiner Koch.

Francisco afirmou neste telegrama a sua proximidade no sofrimento e no luto dos familiares das vítimas e assegurou a sua oração dizendo que “confia os falecidos à misericórdia de Deus, suplicando a Ele também a cura dos feridos”.

Nesta mensagem, o Papa Francisco uniu-se a todos os homens de boa vontade que se empenham “para que a loucura homicida do terrorismo não encontre mais espaço no nosso mundo”.

12 critérios para a Reforma da Cúria

Na quinta-feira dia 22 de dezembro o Papa Francisco encontrou-se na Sala Clementina no Vaticano com os seus colaboradores da Cúria Romana. Esta audiência é uma tradição e uma ocasião para a troca de votos natalícios.

No seu discurso o Santo Padre destacou as “prescrições” que devem ser seguidas na Reforma da Cúria que está em curso na Santa Sé.

Francisco recordou que nos encontros natalícios anteriores tinha abordado as “doenças” e as “virtudes” respetivamente em 2014 e 2015. Desta vez, o Papa falou dos tratamentos necessários para a Reforma. Uma Reforma que não tem uma finalidade meramente estética – disse o Papa:

“A reforma não tem uma finalidade estética, como se se quisesse tornar mais bela a Cúria; nem se pode entender como uma espécie de lifting, ou de maquilhagem para embelezar o idoso corpo curial, e nem mesmo como uma operação de cirurgia plástica para tirar as rugas.  Caros irmãos, não são as rugas que se devem temer na Igreja, mas as manchas!”

Os 12 “critérios” para a reforma da Cúria Romana propostos pelo Papa são os seguintes: individualidade, pastoralidade, missionariedade, racionalidade, funcionalidade, modernidade, sobriedade, subsidiariedade, sinodalidade, catolicidade, profissionalismo e gradualidade.

O Papa sublinhou no seu discurso as medidas que já foram tomadas na Reforma da Cúria: no IOR, Instituto para as Obras de Religião, no Comité de Segurança Financeira da Santa Sé, na Autoridade de Informação Financeira, na Comissão para a Tutela de Menores.

Francisco destacou ainda a criação da Secretaria para a Economia e da Secretaria para a Comunicação e, em particular, a instituição de dois novos dicastérios: o Dicastério para Leigos, Família e Vida e o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.

No Menino Jesus a interpelação das crianças migrantes

Sábado, 24 de dezembro, Missa da Noite de Natal com o Papa Francisco na Basílica de S. Pedro. O Santo Padre afirmou que esta é uma noite de glória, alegria e luz e recordou as crianças que “jazem nas miseráveis manjedouras de dignidade”.

Na sua homilia Francisco declarou que no Menino que Deus nos dá “faz-se concreto o amor de Deus por nós”. Na simplicidade e fragilidade de um recém-nascido está Deus e não na “sala nobre de um palácio” – disse o Papa.

É um Menino que nos “interpela” e que “nos chama a deixar as ilusões do efémero para ir ao essencial, a renunciar às nossas insaciáveis pretensões” – afirmou o Santo Padre que se referiu à interpelação do Menino na manjedoura:

“Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço nem acariciadas pelo carinho de uma mãe e de um pai, mas jazem nas miseráveis ‘manjedouras de dignidade’: no refúgio subterrâneo para fugir aos bombardeamentos, no passeio de uma grande cidade, no fundo de uma barca sobrecarregada de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas.”

O “Mistério do Natal” interpela-nos – acrescentou Francisco – porque é ao mesmo tempo um mistério de esperança e de tristeza. O sabor da tristeza descobre-se quando José e Maria encontram portas fechadas e tiveram que pôr Jesus numa manjedoura – disse o Papa que sublinhou que o Natal é sobretudo o sabor da esperança: “Deus, enamorado de nós, atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no meio de nós”.

O Papa salientou ainda que “Jesus nasce rejeitado por alguns e na indiferença da maioria. E a mesma indiferença pode reinar também hoje, quando o Natal se torna uma festa onde os protagonistas somos nós, em vez de ser Ele; quando as luzes do comércio põem na sombra a luz de Deus; quando nos afanamos com as prendas e ficamos insensíveis a quem está marginalizado” – observou.

No final da sua homilia na Missa da Noite de Natal neste ano de 2016 o Papa Francisco exortou os cristãos a entrarem “no verdadeiro Natal” com os pastores que estavam entre os marginalizados daquele tempo e sentirmo-nos “amados por Deus”.

Que as armas se calem

Domingo, 25 de dezembro, Mensagem e Benção Urbi et Orbi com o Papa na Praça de S. Pedro.

No Dia de Natal o Santo Padre apelou para a paz no conflito israelo-palestiniano e recordou a “guerra e brutais ações terroristas” no Iraque, na Líbia e no Iémen, e também o sofrimento humano em várias regiões da África, particularmente na Nigéria.

Destaque para os apelos para a reconciliação em países como o Sudão do Sul, a República Democrática do Congo, Mianmar, o leste da Ucrânia, a Colômbia e a Venezuela. O Papa citou também a península coreana pedindo um renovado espírito de colaboração.

Referências na mensagem do Santo Padre para quem perdeu familiares por causa do terrorismo. Votos de paz para os migrantes, os excluídos e os refugiados. Citadas também as pessoas que “sofrem por causa das ambições económicas de poucos” e uma saudação para as crianças “privadas das alegrias da infância” por causa da fome e da guerra.

Importante o apelo de Francisco para a paz na Síria:

“Paz aos homens e mulheres na martirizada Síria, onde já demasiado sangue foi versado. Sobretudo na cidade de Aleppo, cenário nas últimas semanas de uma das batalhas mais atrozes, é tão urgente assegurar assistência e conforto à população civil exausta, que se encontra ainda numa situação desesperada e de grande sofrimento e miséria. É tempo que as armas se calem definitivamente, e a comunidade internacional se empenhe ativamente para se alcançar uma solução negociada e restabelecer a convivência civil no país.”

E com a Benção Urbi et Orbi do Papa Francisco no Dia de Natal deste ano de 2016 terminamos esta “Semana do Papa Especial Natal”. “Venite Adoremus!”

Papa: "é tempo que as armas se calem definitivamente"


Rádio Vaticano, 25.DEZ.2016 (RV) - Ao meio-dia deste domingo de Natal, o Papa Francisco assomou ao balcão central da Basílica de São Pedro para a tradicional bênção Urbi et Orbi (para a cidade e para o mundo) do Pontífice.

Em suas intenções de paz, o Papa recordou as regiões em guerra e incentivou as negociações aos países que buscam a concórdia. Francisco também recordou as famílias que perderam entes queridos em atos de terrorismo.

Abaixo, a íntegra da mensagem de Francisco:

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Hoje, a Igreja revive a maravilha sentida pela Virgem Maria, São José e os pastores de Belém ao contemplarem o Menino que nasceu e jaz em uma manjedoura: Jesus, o Salvador.

Neste dia cheio de luz, ressoa o anúncio profético:

«Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros e o seu nome é: Conselheiro-Admirável, Deus herói, Pai-Eterno, Príncipe da Paz» (Is 9, 5).

O poder deste Menino, Filho de Deus e de Maria, não é o poder deste mundo, baseado na força e na riqueza; é o poder do amor. É o poder que criou o céu e a terra, que dá vida a toda a criatura: aos minerais, às plantas, aos animais; é a força que atrai o homem e a mulher e faz deles uma só carne, uma só existência; é o poder que regenera a vida, que perdoa as culpas, reconcilia os inimigos, transforma o mal em bem. É o poder de Deus. Este poder do amor levou Jesus Cristo a despojar-Se da sua glória e fazer-Se homem; e o levará a dar a vida na cruz e ressurgir dentre os mortos. É o poder do serviço, que estabelece no mundo o reino de Deus, reino de justiça e paz.

Por isso, o nascimento de Jesus é acompanhado pelo canto dos anjos que anunciam:

«Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Hoje este anúncio percorre a terra inteira e quer chegar a todos os povos, especialmente aos povos que vivem atribulados pela guerra e duros conflitos e sentem mais intensamente o desejo da paz.

Paz aos homens e mulheres na martirizada Síria, onde já demasiado sangue foi versado. Sobretudo na cidade de Aleppo, cenário nas últimas semanas de uma das batalhas mais atrozes, é tão urgente assegurar assistência e conforto à população civil exausta, respeitando o direito humanitário. É tempo que as armas se calem definitivamente, e a comunidade internacional se empenhe ativamente para se alcançar uma solução negociada e restabelecer a convivência civil no país.

Paz às mulheres e homens da amada Terra Santa, eleita e predileta de Deus. Israelenses e palestinos tenham a coragem e a determinação de escrever uma página nova da história, onde o ódio e a vingança cedam o lugar à vontade de construir, juntos, um futuro de mútua compreensão e harmonia. Possam reencontrar unidade e concórdia o Iraque, a Líbia e o Iêmen, onde as populações padecem a guerra e brutais ações terroristas.

Paz aos homens e mulheres em várias regiões da África, particularmente na Nigéria, onde o terrorismo fundamentalista usa mesmo as crianças para perpetrar horror e morte. Paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo, para que sejam sanadas as divisões e todas as pessoas de boa vontade se esforcem por embocar um caminho de desenvolvimento e partilha, preferindo a cultura do diálogo à lógica do conflito.

Paz às mulheres e homens que sofrem ainda as consequências do conflito no leste da Ucrânia, onde urge uma vontade comum de levar alívio à população e implementar os compromissos assumidos.

Concórdia, invocamos para o querido povo colombiano, que sonha realizar um novo e corajoso caminho de diálogo e reconciliação. Tal coragem anime também a amada Venezuela a empreender os passos necessários para pôr fim às tensões atuais e edificar, juntos, um futuro de esperança para toda a população.

Paz para todos aqueles que, em diferentes áreas, suportam sofrimentos devido a perigos constantes e injustiças persistentes. Possa o Myanmar consolidar os esforços por favorecer a convivência pacífica e, com a ajuda da comunidade internacional, prestar a necessária proteção e assistência humanitária a quantos, delas, têm grave e urgente necessidade. Possa a Península Coreana ver as tensões que a atravessam superadas num renovado espírito de colaboração.

Paz para quem perdeu uma pessoa querida por causa de brutais atos de terrorismo, que semearam pavor e morte no coração de muitos países e cidades. Paz – não em palavras, mas real e concreta – aos nossos irmãos e irmãs abandonados e excluídos, àqueles que padecem a fome e a quantos são vítimas de violência. Paz aos deslocados, aos migrantes e aos refugiados, a todos aqueles hoje são objeto do tráfico de pessoas. Paz aos povos que sofrem por causa das ambições econômicos de poucos e da avidez insaciável do deus-dinheiro que leva à escravidão. Paz a quem suporta dificuldades sociais e econômicas e a quem padece as consequências dos terremotos ou de outras catástrofes naturais.

Paz às crianças, neste dia especial em que Deus Se faz criança, sobretudo às privadas das alegrias da infância por causa da fome, das guerras e do egoísmo dos adultos.

Paz na terra a todas as pessoas de boa vontade, que trabalham diariamente, com discrição e paciência, em família e na sociedade para construir um mundo mais humano e mais justo, sustentadas pela convicção de que só há possibilidade de um futuro mais próspero para todos com a paz.

Queridos irmãos e irmãs!

“Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado”: é o “Príncipe da Paz”. Acolhamo-Lo!

***

[depois da Bênção]

A vocês, queridos irmãos e irmãs, reunidos de todo o mundo nesta Praça e a quantos estão unidos conosco de vários países por meio do rádio, televisão e outros meios de comunicação, formulo os meus cordiais votos.

Neste dia de alegria, todos somos chamados a contemplar o Menino Jesus, que devolve a esperança a todo o ser humano sobre a face da terra. Com a sua graça, demos voz e demos corpo a esta esperança, testemunhando a solidariedade e a paz. Feliz Natal a todos!


últimas manifestações do Santo Padre em seu Twitter:

25/12/2016
Cristo nasceu por nós, exultemos no dia da nossa salvação!
24/12/2016
Como para os pastores de Belém, possam os nossos olhos encherem-se de admiração contemplando no Menino Jesus, o Filho de Deus.


Papa na Missa do Galo: “deixar as ilusões do efêmero”

Rádio Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou a Missa de Natal na noite do dia 24 de dezembro de 2016 na Basílica de São Pedro.

Em sua homilia, o Pontífice refletiu sobre alguns significados da celebração do nascimento do Menino.

Apresentamos a íntegra da homilia:

«Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11). Estas palavras do apóstolo Paulo revelam o mistério desta noite santa: manifestou-se a graça de Deus, o seu presente gratuito; no Menino que nos é dado, concretiza-se o amor de Deus por nós.

É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós hoje em todo o mundo. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, o Infinito, é Deus conosco: não está longe, não temos de O procurar nas órbitas celestes nem em qualquer ideia mística; está próximo, fez-Se homem e não Se separará jamais desta nossa humanidade que assumiu. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9).

Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentram num único ponto, no sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus.

Com este sinal, o Evangelho desvenda-nos um paradoxo: fala do imperador, do governador, dos grandes de então, mas Deus não Se apresentou lá; não aparece no salão nobre dum palácio real, mas na pobreza dum curral; não nos fastos ilusórios, mas na simplicidade da vida; não no poder, mas numa pequenez que nos deixa surpreendidos. E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino. O Menino que nasce interpela-nos: chama-nos a deixar as ilusões do efêmero para ir ao essencial, renunciar às nossas pretensões insaciáveis, abandonar aquela perene insatisfação e a tristeza por algo que sempre nos faltará. Far-nos-á bem deixar estas coisas, para reencontrar na simplicidade de Deus-Menino a paz, a alegria, o sentido da vida.

Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas num berço nem acariciadas pelo carinho duma mãe e dum pai, mas jazem nas miseráveis «manjedouras de dignidade»: no abrigo subterrâneo para escapar aos bombardeamentos, na calçada duma grande cidade, no fundo dum barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas.

O mistério do Natal, que é luz e alegria, interpela e mexe conosco, porque é um mistério de esperança e simultaneamente de tristeza. Traz consigo um sabor de tristeza, já que o amor não é acolhido, a vida é descartada. Assim acontece a José e Maria, que encontraram as portas fechadas e puseram Jesus numa manjedoura, «por não haver lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7). Jesus nasce rejeitado por alguns e na indiferença da maioria. E a mesma indiferença pode reinar também hoje, quando o Natal se torna uma festa onde os protagonistas somos nós, em vez de ser Ele; quando as luzes do comércio põem na sombra a luz de Deus; quando nos afanamos com as prendas e ficamos insensíveis a quem está marginalizado. Esta mundanidade nos pegou como reféns.

Mas o Natal tem sobretudo um sabor de esperança, porque, não obstante as nossas trevas, resplandece a luz de Deus. A sua luz gentil não mete medo; enamorado por nós, Deus atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no nosso meio, como um de nós. Nasce em Belém, que significa «casa do pão»; deste modo parece querer dizer-nos que nasce como pão para nós; vem à nossa vida, para nos dar a sua vida; vem ao nosso mundo, para nos trazer o seu amor. Vem, não para devorar e comandar, mas alimentar e servir. Há, pois, uma linha direta que liga a manjedoura e a cruz, onde Jesus será pão repartido: é a linha direta do amor que se dá e nos salva, que dá luz à nossa vida, paz aos nossos corações.

Compreenderam-no, naquela noite, os pastores, que se contavam entre os marginalizados de então. Mas ninguém é marginalizado aos olhos de Deus, e precisamente eles foram os convidados de Natal. Quem se sentia seguro de si, autossuficiente, ficara em casa com as suas coisas; ao contrário, os pastores «foram apressadamente» (Lc 2, 16). Deixemo-nos, também nós, interpelar e convocar nesta noite por Jesus, vamos confiadamente ter com Ele, a partir daquilo em que nos sentimos marginalizados, a partir dos nossos limites. Deixemo-nos tocar pela ternura que salva. Aproximemo-nos de Deus que Se faz próximo, detenhamo-nos a olhar o presépio, imaginemos o nascimento de Jesus: a luz e a paz, a pobreza extrema e a rejeição. Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim.
Boletim da Santa Sé



Papa visita Bento XVI para felicitações de Natal

Rádio Vaticano (RV) - O Papa Francisco foi até o Mosteiro Mater Ecclesia nos Jardins Vaticanos na tarde desta sexta-feira (23/12/2016), para levar pessoalmente as suas felicitações de Natal a Bento XVI.

"O gesto é parte da simplicidade da relação entre o Santo Padre e o Papa Emérito", lê-se numa comunicação interna da Rádio Vaticano.

Encontros públicos

O primeiro – histórico – foi o encontro em Castel Gandolfo, no dia 23 de março de 2013, quando Bento XVI e Francisco rezaram juntos por alguns momentos.

Depois disso, em 5 de julho de 2013, Bento XVI apareceu novamente ao lado de Francisco durante a inauguração de um monumento a São Miguel, nos Jardins Vaticanos.

Em 22 de fevereiro de 2014, durante o consistório para a criação de novos cardeais, a Basílica Vaticana teve pela primeira vez na história a presença de dois papas.

Ratzinger voltaria a encontrar o público – e Bergoglio – em 27 de abril de 2014, quando da canonização de São João Paulo II e São João XXIII, na Praça São Pedro.

Dois meses mais tarde, em 28 de setembro, a convite de Francisco, Bento XVI voltou à Praça São Pedro, onde participou do encontro com a terceira idade. O Papa emérito aparecera bem disposto, apesar de caminhar muito devagar e com a ajuda de uma bengala.

Sempre a convite do Papa Francisco, Bento XVI esteve novamente na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2014, quando concelebrou o rito de beatificação do Papa Paulo VI.

Em 2015, Bento XVI voltou à Basílica de São Pedro, onde participou do consistório no qual Francisco criou 20 novos cardeais em 14 de fevereiro.

No final de 2015, Bento XVI passou a Porta Santa da Misericórdia da Basílica de São Pedro, aberta pelo Papa Francisco para o Jubileu, em 8 de dezembro.

Em 20 de novembro de 2016, Francisco foi até o Mosterio Mater Ecclesia, onde foi recebido pelo Papa emérito junto com os novos cardeais criados no Consistório do mesmo dia.


Íntegra do Discurso do Santo Padre à Cúria

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco reuniu-se na manhã desta quinta-feira, 22 de dezembro, com os Cardeais da Cúria Romana, pra a apresentação dos votos natalícios. Eis a íntegra do pronunciamento do Santo Padre:

“Amados irmãos e irmãs!

Gostaria de começar este nosso encontro, apresentando os meus cordiais votos a todos vós – Superiores, Oficiais, Representantes Pontifícios e Colaboradores nas Nunciaturas espalhadas pelo mundo, todas as pessoas que prestam serviço na Cúria Romana – e aos vossos familiares. Votos de um santo e sereno Natal e um feliz ano novo de 2017.

Ao contemplar o rosto do Menino Jesus, Santo Agostinho exclamou: «Imenso na natureza divina, pequeno na natureza de servo».[1] Também São Macário, monge do século IV e discípulo do abade Santo Antão, para descrever o mistério da Encarnação, recorreu ao verbo grego smikruno, isto é, fazer-se pequeno reduzindo-se quase ao mínimo: «Ouvi com atenção! Por sua imensa e inefável bondade, o Deus infinito, inacessível e incriado tomou um corpo e – diria – diminuiu-se infinitamente a sua glória».[2]

Assim, o Natal é a festa da amante humildade de Deus, de Deus que inverte a ordem da lógica esperada, a ordem do devido, do dialético e do matemático. Nesta inversão, está toda a riqueza da lógica divina que transtorna a limitação da nossa lógica humana (cf. Is 55, 8-9). Disse Romano Guardini: «Que grande inversão de todos os valores familiares ao homem – não só humanos, mas também divinos! Verdadeiramente este Deus subverte tudo aquilo que o homem pretende edificar por si mesmo».[3] No Natal, somos chamados a dizer «sim, com a nossa fé, não ao Dominador do universo nem mesmo às mais nobres das ideias, mas precisamente a este Deus que é o humilde-amante.

O Beato Paulo VI, no Natal de 1971, afirmava: «Deus poderia ter vindo revestido de glória, esplendor, luz, poder, assustando-nos, deixando os nossos olhos arregalados pela maravilha. Mas não! Veio como o menor dos seres, o mais frágil, o mais fraco. E porquê? Para que ninguém tivesse vergonha de se aproximar d’Ele, para que ninguém tivesse medo, precisamente para que todos pudessem senti-Lo vizinho, aproximar-se d’Ele, já sem qualquer distância entre nós e Ele. Houve um esforço, por parte de Deus, de mergulhar, afundar-Se dentro de nós, para que cada um – digo cada um de vós – possa familiarizar com Ele, possa ter confidência, possa aproximar-se d’Ele, possa sentir-se pensado por Ele, por Ele amado... por Ele amado. Reparai que esta é uma grande afirmação! Se compreenderdes isto, se lembrardes isto que vos estou a dizer, tereis compreendido todo o cristianismo».[4]

Na realidade, Deus escolheu nascer pequenino,[5] porque quis ser amado.[6] E assim a lógica do Natal é a subversão da lógica do mundo, da lógica do poder, da lógica do controle, da lógica farisaica e da lógica causalística ou determinista.

Foi precisamente sob esta luz suave e imponente do rosto divino de Cristo menino que escolhi, como tema deste nosso encontro anual, a reforma da Cúria Romana. Pareceu-me justo e oportuno partilhar convosco o quadro da reforma, pondo em evidência os critérios orientadores, os passos feitos, mas sobretudo a lógica do porquê de cada passo realizado e daquilo que será feito.

Na verdade, aqui vem-me espontaneamente à memória o antigo ditado que ilustra a dinâmica dos Exercícios Espirituais no método inaciano, ou seja: deformata reformare, reformata conformare, conformata confirmare e confirmata transformare.

Não há dúvida que, na Cúria, o significado da re-forma pode ser duplo: antes de mais nada, torná-la con-forme à Boa Nova que deve ser proclamada jubilosa e corajosamente a todos, especialmente aos pobres, aos últimos e aos descartados; con-forme aos sinais do nosso tempo e a tudo o que de bom alcançou o homem, para melhor atender às exigências dos homens e das mulheres que somos chamados a servir;[7] ao mesmo tempo, trata-se de tornar a Cúria mais con-forme à sua finalidade que é colaborar no ministério próprio do Sucessor de Pedro[8] («cum Ipso consociatam operam prosequuntur», diz o Motu Proprio Humanam progressionem) e, por conseguinte, apoiar o Romano Pontífice no exercício do seu poder singular, ordinário, pleno, supremo, imediato e universal.[9]

Consequentemente, a reforma da Cúria Romana está orientada eclesiologicamente in bonum e in servitium, como o está o serviço do Bispo de Roma,[10] segundo uma significativa frase do Papa São Gregório Magno, retomada pelo capítulo III da constituição Pastor Aeternus do Concílio Vaticano I: «A minha honra é a da Igreja universal. A minha honra é a força firme dos meus irmãos. Sinto-me verdadeiramente honrado, quando não é negada a devida honra a cada um deles».[11]

Não sendo a Curia uma estrutura imóvel, a reforma é, antes de tudo, sinal da vivacidade da Igreja em caminho, em peregrinação, e da Igreja viva e, consequentemente, semper reformanda,[12]  necessitada de ser reformada porque está viva. Torna-se necessário reiterar vigorosamente que a reforma não é fim em si mesma, mas constitui um processo de crescimento e sobretudo de conversão. Por isso, a reforma não tem uma finalidade estética, como se se quisesse tornar mais bela a Cúria; nem se pode entender como uma espécie de avivamento, maquilhagem ou truco para embelezar o velho corpo curial, e nem mesmo como uma operação de cirurgia plástica para tirar as rugas.[13] Amados irmãos, não são as rugas que se devem temer na Igreja, mas as manchas!

Nesta perspetiva, é preciso destacar que a reforma será eficaz única e exclusivamente se for implementada com homens «renovados» e não apenas com homens «novos».[14] Não basta contentar-se em mudar o pessoal, mas é preciso levar os membros da Cúria a renovar-se espiritual, humana e profissionalmente. A reforma da Cúria não se atua de forma alguma com a mudança das pessoas –  que, sem dúvida, tem acontecido e acontecerá[15] – mas com a conversão nas pessoas. Na realidade, não basta uma formação permanente, é preciso também e sobretudo uma conversão e uma purificação permanente. Sem uma mudança de mentalidade, o esforço funcional não teria qualquer utilidade.[16]

Foi por esta razão que, nos nossos dois encontros natalícios anteriores, me detive no ano de 2014, tendo como modelo os Padres do deserto, sobre algumas «doenças» e em 2015, partindo da palavra «misericórdia», sobre uma espécie de catálogo das virtudes necessárias para quem presta serviço na Cúria e para quantos querem tornar fecunda a sua consagração ou o seu serviço à Igreja. A razão fundamental é que, como para toda a Igreja, também na Cúria o sempre reformanda deve transformar-se numa conversão pessoal e estrutural permanente.[17]

Era necessário falar de doenças e tratamentos, porque cada operação, para ter sucesso, deve ser antecedida por diagnósticos profundos, por análises cuidadosas e deve ser acompanhada e seguida por prescrições concretas.

Neste percurso, é normal, até mesmo salutar, encontrar dificuldades, que, no caso da reforma, poder-se-iam apresentar segundo diferentes tipologias de resistências: as resistências abertas, que nascem muitas vezes da boa vontade e do diálogo sincero; as resistências ocultas, que nascem dos corações assustados ou empedernidos que se alimentam das palavras vazias da hipocrisia espiritual; há também as resistências malévolas, que germinam em mentes doentes e aparecem quando o diabo inspira más intenções (muitas vezes disfarçadas sob pele de cordeiros). Este último tipo de resistência esconde-se por trás das palavras justificadoras e, em muitos casos, acusatórias, refugiando-se nas tradições, nas aparências, nas formalidades, no conhecido, ou então em querer reduzir tudo a um caso pessoal, sem distinguir entre o ato, o ator e a ação.[18]

A ausência de reação é sinal de morte! Por isso as resistências boas – e até as menos boas – são necessárias e merecem ser escutadas, acolhidas e encorajadas a expressar-se.

Tudo isto, para dizer que a reforma da Cúria é um processo delicado que deve ser vivido com fidelidade ao essencial, discernimento contínuo, coragem evangélica, sabedoria eclesial, escuta cuidadosa, ação tenaz, silêncio positivo, decisões firmes, muita oração, profunda humildade, clarividência, passos concretos em frente e – se necessário – passos também para trás, vontade decidida, vitalidade vibrante, poder responsável, obediência incondicional; mas, em primeiro lugar, com o abandono à orientação segura do Espírito Santo, confiando no seu apoio necessário.

ALGUNS CRITÉRIOS ORIENTADORES DA REFORMA

São principalmente doze: individualidade, pastoralidade, missionariedade, racionalidade, funcionalidade, modernidade, sobriedade, subsidiariedade, sinodalidade, catolicidade; profissionalismo, gradualidade.

1- Individualidade (conversão pessoal)

Volto a reiterar a importância da conversão individual, sem a qual serão inúteis todas as mudanças nas estruturas. A verdadeira alma da reforma são os seres humanos que estão envolvidos nela e a tornam possível. Com efeito, a conversão pessoal sustenta e reforça a comunitária.

Há uma forte relação de intercâmbio entre o comportamento pessoal e o comunitário. Uma única pessoa pode fazer muito bem a todo o corpo, como poderia danificá-lo e fazê-lo adoecer. E um corpo saudável é aquele que sabe recuperar, acolher, fortificar, cuidar e santificar os seus próprios membros.

2- Pastoralidade (conversão pastoral)

Fazendo apelo à imagem do pastor (cf. Ez 34, 16; Jo 10, 1-21) e sendo a Cúria uma comunidade de serviço, «far-nos-á bem, também a nós, chamados a ser Pastores na Igreja, deixar que a Face do Deus Bom Pastor nos ilumine, nos purifique, nos transforme e nos restitua plenamente renovados à nossa missão. Que também nos nossos ambientes de trabalho possamos sentir, cultivar e praticar um forte sentido pastoral, antes de tudo em relação às pessoas que encontramos todos os dias. Que ninguém se sinta ignorado ou maltratado, mas cada um possa experimentar, antes de tudo aqui, a atenção carinhosa do Bom Pastor».[19]

O compromisso de todo o pessoal da Cúria deve ser animado por uma pastoralidade e uma espiritualidade de serviço e comunhão, pois isto é o antídoto contra todos os venenos da vã ambição e da rivalidade ilusória. Neste sentido, o Beato Paulo VI advertiu: «Não seja, portanto, a Cúria Romana uma burocracia, como erradamente alguém a julga, pretensiosa e apática, apenas canonista e ritualista, um ringue de ocultas ambições e surdos antagonismos, como a acusam outros; mas seja uma verdadeira comunidade de fé e caridade, de oração e ação; de irmãos e filhos do Papa, que tudo fazem, cada um no respeito da competência alheia e com sentido de colaboração, para o servir no seu serviço aos irmãos e aos filhos da Igreja universal e de toda a terra».[20]

3- Missionariedade[21] (cristocentrismo)

É o fim principal de todo o serviço eclesial, ou seja, levar a boa nova a todos os confins da terra,[22] como nos lembra o magistério conciliar, porque «há estruturas eclesiais que podem chegar a

condicionar um dinamismo evangelizador; de igual modo, as boas estruturas servem quando há uma vida que as anima, sustenta e avalia. Sem vida nova e espírito evangélico autêntico, sem “fidelidade da Igreja à própria vocação”, toda e qualquer nova estrutura se corrompe em pouco tempo».[23]

4- Racionalidade

Com base no princípio de que todos os Dicastérios são juridicamente iguais entre si, era necessária uma racionalização dos organismos da Cúria Romana,[24] para evidenciar que cada Dicastério tem competências próprias. Tais competências devem ser respeitadas, mas também distribuídas com racionalidade, eficácia e eficiência. Por isso nenhum Dicastério pode atribuir-se a competência doutro Dicastério, segundo o que está estabelecido pelo direito, e todos os Dicastérios fazem referência direta ao Papa.

5- Funcionalidade

A eventual incorporação num único Dicastério de dois ou mais Dicastérios competentes sobre matérias afins ou intimamente relacionadas serve, por um lado, para dar ao mesmo Dicastério uma maior relevância (mesmo exterior) e, por outro, a contiguidade e a interação das diferentes realidades no seio de um único Dicastério ajuda a ter maior funcionalidade (são exemplo disso mesmo os dois novos Dicastérios recentemente instituídos).[25]

A funcionalidade requer também a revisão contínua das funções e da atinência das competências e responsabilidades do pessoal e, consequentemente, a realização de deslocamentos, assunções, interrupções e também promoções.

6- Modernidade ‎(atualização)

Ou seja, a capacidade de ler e auscultar os «sinais dos tempos». Neste sentido, «providenciemos solicitamente para que os Dicastérios da Cúria Romana se coadunem às situações

do nosso tempo e adaptem às necessidades da Igreja universal».[26] Assim o solicitara o Concílio Vaticano II: os Dicastérios da Cúria Romana «sejam reorganizados, segundo as necessidades dos tempos, das regiões e dos ritos sobretudo quanto ao número, nome, competência e modo de proceder de cada um, bem como no que respeita à coordenação recíproca dos trabalhos».[27] ‎

7- Sobriedade

Nesta perspetiva, são necessários uma simplificação e um aligeiramento da Cúria: incorporação ou fusão de Dicastérios segundo assuntos de competência e simplificação interna de cada um dos Dicastérios; eventuais supressões de Departamentos que se revelem desajustados das necessidades contingentes. Inserção nos Dicastérios ou redução das comissões, academias, comités, etc. Tendo sempre em vista a sobriedade indispensável para um testemunho digno e autêntico.

8- Subsidiariedade

Reordenamento de competências específicas dos vários Dicastérios, deslocando-as, se necessário, de um Dicastério para outro, a fim de alcançar a autonomia, a coordenação e a subsidiariedade nas competências e a interconexão no serviço.

Neste sentido, é necessário respeitar também os princípios da subsidiariedade e da racionalização na relação com a Secretaria de Estado e no seio dela mesma – entre as suas diferentes competências – para que, no cumprimento das próprias funções seja a ajuda direta e mais imediata do Papa.[28] E isto também para uma melhor coordenação dos vários setores dos Dicastérios e dos Departamentos da Cúria. A Secretaria de Estado poderá realizar esta sua importante função, precisamente na realização da unidade, interdependência e coordenação das suas Secções e dos seus vários setores.

9- Sinodalidade

O trabalho da Cúria deve ser sinodal: reuniões periódicas dos Chefes de Dicastério, presididas pelo Romano Pontífice;[29] audiências regulares previstas dos Chefes de Dicastério; reuniões habituais interdicasteriais. A redução do número de Dicastérios permitirá encontros mais frequentes e sistemáticos dos diferentes Prefeitos com o Papa e reuniões eficazes dos Chefes dos Dicastérios, não o podendo ser com um grupo demasiado grande.

A sinodalidade[30] deve ser vivida também dentro de cada Dicastério, dando particular realce ao Congresso e maior frequência pelo menos à Sessão ordinária. No seio de cada Dicastério, deve-

se evitar a fragmentação que pode ser determinada por vários fatores, tais como a proliferação de setores especializados, que podem tender para serem autorreferenciais. A coordenação entre eles deveria ser tarefa do Secretário ou do Subsecretário.

10- Catolicidade

Entre os colaboradores, além dos sacerdotes e consagrados/as, a Cúria deve refletir a catolicidade da Igreja com a assunção de pessoal proveniente de todo o mundo, de diáconos permanentes e fiéis leigos, cuja escolha deve ser cuidadosamente feita com base na sua vida espiritual e moral exemplar e na sua competência profissional. É oportuno prever o acesso de um número maior de fiéis leigos, especialmente nos Dicastérios onde eles possam ser mais competentes que os clérigos ou os consagrados. Além disso é de grande importância a valorização do papel da mulher e dos leigos na vida da Igreja e a sua integração nas lideranças dos Dicastérios, com particular atenção à multiculturalidade.

11- Profissionalismo

É indispensável que cada Dicastério adote uma política de formação permanente do pessoal, para evitar o enferrujamento e a queda na rotina do funcionalismo.

Por outro lado, é indispensável a arquivação definitiva da prática do promoveatur ut amoveatur.

12- Gradualidade (discernimento)

A gradualidade é o fruto daquele indispensável discernimento que envolve processo histórico, estipulação de tempos e etapas, verificação, verificação, correções, experimentação, aprovações ad experimentum. Nestes casos, portanto, não se trata de indecisão, mas da flexibilidade necessária para se poder alcançar uma verdadeira reforma.

ALGUNS PASSOS FEITOS[31]

Menciono brevemente e limitando-me a alguns passos realizados na implementação dos critérios orientadores, das recomendações feitas pelos Cardeais, durante as Reuniões plenárias antes do Conclave, da COSEA, do Conselho de Cardeais, bem como dos Chefes de Dicastério e de outras pessoas e peritos.

- Em 13 de abril de 2013, foi anunciado o Conselho dos Cardeais (Consilium Cardinalium Summi Pontifici) – o chamado C8, que se tornou C9 a partir de 1 de julho de 2014 – primariamente para aconselhar o Papa no governo da Igreja universal e sobre outros temas relacionados,[32] e também com a tarefa específica de propor a revisão da Constituição apostólica Pastor Bonus.[33]

- Com o Quirógrafo de 24 de junho de 2013, foi ereta a Pontifícia Comissão Referente sobre o Instituto para as Obras de Religião, a fim de se conhecer de modo mais aprofundado a posição jurídica do IOR e permitir uma sua melhor «harmonização» com «a missão universal da Sé Apostólica. Tudo para «permitir que os princípios do Evangelho permeiem também as atividades de natureza económica e financeira» e para alcançar uma completa e reconhecida transparência no seu trabalho.

- Com o Motu Proprio de 11 de julho de 2013, proveu-se a delinear a jurisdição dos órgãos judiciários do Estado da Cidade do Vaticano em matéria penal.

- Com o Quirógrafo de 18 de julho de 2013, foi instituída a COSEA (Pontifícia Comissão referente de estudo e orientação sobre a organização da estrutura económico-administrativa),[34] com a tarefa de estudar, analisar e recolher informações, em colaboração com o Conselho dos Cardeais para o estudo dos problemas organizativos e económicos da Santa Sé.

- Com o Motu Proprio de 8 de agosto de 2013, foi instituído o Comité de Segurança Financeira da Santa Sé para prevenir e contrastar o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e a proliferação de armas de destruição de massa. Tudo isso, para levar o IOR e todo o sistema económico vaticano à regular adoção e cumprimento completo, com empenho e diligência, de todas as normas internacionais sobre a transparência financeira.[35]

- Com o Motu Proprio de 15 de novembro de 2013, foi consolidada a Autoridade de Informação Financeira (AIF),[36] instituída por Bento XVI, com Motu Proprio de 30 de dezembro de 2010, para prevenir e contrastar atividades ilegais em campo financeiro e monetário.[37]

- Com o Motu Proprio de 24 de fevereiro de 2014 (Fidelis dispensator et prudens), foram eretas a Secretaria para a Economia e o Conselho para a Economia,[38] substituindo o Conselho dos 15 Cardeais, tendo o dever de harmonizar as políticas de controle a respeito da gestão económica da Santa Sé e da Cidade do Vaticano.

- Com o mesmo Motu Proprio (Fidelis dispensator et prudens) de 24 de fevereiro de 2014, foi ereto o Departamento do Auditor Geral (DAG) como novo ente da Santa Sé encarregado de fazer a revisão (audit) dos Dicastérios da Cúria Romana, das instituições ligadas à Santa Sé – ou que fazem referência a ela – e das administrações do Governatorado do Estado da Cidade do Vaticano.[39]

- Com o Quirógrafo de 22 de março de 2014, foi instituída a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores para «promover a tutela da dignidade dos menores e dos adultos vulneráveis, através das formas e modalidades, cônsones à natureza da Igreja, que se considerem mais oportunas».

- Com o Motu Proprio de 8 de julho de 2014, foi transferida a Secção Ordinária da Administração do Património da Sé Apostólica para a Secretaria para a Economia.

- Em 22 de fevereiro de 2015, foram aprovados os Estatutos dos novos Organismos Econômicos.

- Com o Motu Proprio de 27 de junho de 2015, foi ereta a Secretaria para a Comunicação com a tarefa de «dar resposta ao atual contexto comunicativo, caraterizado pela presença e o desenvolvimento dos mídias digitais, pelos fatores da convergência e da interatividade», e também reestruturar globalmente, através dum processo de reorganização e de incorporação de «todas as realidades que até hoje, de diferentes maneiras, se ocuparam da comunicação», a fim de «corresponder cada vez melhor às exigências da missão da Igreja».

- Em 6 de setembro de 2016, foi promulgado o Estatuto da Secretaria para a Comunicação, que entrou em vigor em outubro passado.[40]

- Com os dois Motu Proprio de 15 de agosto de 2015, proveu-se à reforma do processo canónico para as causas de declaração de nulidade do matrimónio: Mitis et misericors Iesus, no Código dos Cânones das Igrejas Orientais; Mitis Iudex Dominus Iesus, no Código de Direito Canónico.[41]

- Com o Motu Proprio de 4 de junho de 2016 (Come una madre amorevole), pretendeu-se obviar à negligência dos Bispos no exercício do seu cargo, particularmente em relação aos casos de abusos sexuais de menores e adultos vulneráveis.

- Com o Motu Proprio de 15 de agosto de 2016 (Sedula Mater), foi constituído o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, fazendo apelo antes de mais nada à finalidade pastoral geral do ministério petrino: «empenhamo-nos com prontidão por tudo dispor para que as riquezas de Cristo Jesus fluam apropriada e profusamente entre os fiéis».

- Com o Motu Proprio de 17 de agosto de 2016 (Humanam progressionem), foi constituído o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, a fim de que o desenvolvimento se implemente «mediante o cuidado pelos bens incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação». Neste Dicastério confluirão, a partir de 1 janeiro de 2017, quatro Conselhos Pontifícios: Justiça e Paz, Cor Unum, Pastoral dos Migrantes e Agentes Sanitários. Ocupar-me-ei diretamente «ad tempus» da Secção para a pastoral dos migrantes deste novo Dicastério.[42]

- Em 18 de outubro de 2016, foi aprovado o Estatuto da Pontifícia Academia para a Vida.

O nosso encontro teve início falando do significado do Natal como subversão dos nossos critérios humanos para destacar que o coração e o centro da reforma é Cristo (cristocentrismo).

Gostaria de concluir simplesmente com uma palavra e uma oração. A palavra serve para reiterar que o Natal é a festa da amante humildade de Deus. A oração é a convocatória natalícia do Padre Matta el Meskin (monge contemporâneo) que, dirigindo-se ao Senhor Jesus nascido em Belém, assim se exprime: «Se para nós a experiência da infância é uma coisa difícil, não o é para Vós, Filho de Deus. Se tropeçamos no caminho que leva à comunhão convosco segundo esta pequena estatura, Vós sois capaz de remover todos os obstáculos que nos impedem de o fazer. Sabemos que não tereis paz enquanto não nos achardes de acordo com a vossa semelhança e com esta estatura. Permiti-nos hoje, ó Filho de Deus, que nos aproximemos do vosso coração. Concedei-nos a graça de não nos julgarmos grandes nas nossas experiências. Ao contrário, concedei que nos tornemos pequenos como Vós, para poder estar junto de Vós e receber de Vós humildade e mansidão em abundância. Não nos priveis da vossa revelação, a epifania da vossa infância nos nossos corações, para podermos curar, com ela, todo o orgulho e arrogância. Temos uma necessidade extrema (...) de que reveleis em nós a vossa simplicidade, fazendo-nos a nós, antes a Igreja e todo o mundo, semelhantes a Vós. O mundo está cansado e esgotado, porque encontra-se em competição para ver quem é o maior. Há uma concorrência desumana entre governos, entre Igrejas, entre povos, no seio das famílias, entre uma paróquia e outra: quem é o maior entre nós? O mundo é atormentado por dolorosas feridas, porque a sua grande epidemia é esta: quem é o maior? Mas hoje encontramos em Vós, Filho de Deus, o nosso único remédio. Nós e o mundo inteiro não acharemos salvação nem paz, se não voltarmos a encontrar-Vos de novo na manjedoura de Belém. Ámen».[43]

Obrigado! Desejo-vos um santo Natal e um feliz ano novo de 2017!

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1 Sermo 187, 1: PL 38, 1001: «Magnus dies angelorum, parvus in die hominum (…) magnus in forma Dei, brevis in forma servi».

2 Hom. IV, 9: PG 34, 480.

3 Il Signore, Milão 1977, 404.

4 Homilia, 25 de dezembro de 1971.

5 Cf. São Pedro Crisólogo, Sermo 118: PL 52, 617.

6 Santa Teresa do Menino Jesus – enamorada pela pequenez de Jesus –, na sua última carta (25 de agosto de 1897, dirigida a um sacerdote que lhe fora confiado como «irmão espiritual») escreveu: «Não posso temer um Deus que, por mim, Se fez assim tão pequenino! Amo-O! De facto, Ele é apenas amor e misericórdia» (LT 266: Obras completas, Roma 1997, 606).

7 Cf. Carta apostólica sob forma de Motu Proprio pela qual se institui o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, 16 de agosto de 2016.

8 A Cúria Romana tem por função ajudar o Papa no seu governo quotidiano da Igreja, ou seja, nas tarefas que lhe são próprias: a) conservar todos os fiéis «no vínculo de uma só fé e da caridade» e também na «unidade de fé e comunhão»; b) «para que o episcopado fosse uno e indiviso» (Conc. Vat. I, Const. dogm. Pastor aeternus, prólogo). Isto mesmo retoma o Concílio Vaticano II, dizendo: «Este sagrado Concílio, seguindo os passos do Concílio Vaticano I, com ele ensina e declara que Jesus Cristo, pastor eterno, edificou a Santa Igreja tendo enviado os Apóstolos, como Ele fora enviado pelo Pai (cf. Jo 20, 21); e quis que os sucessores deles, os Bispos, fossem pastores na sua Igreja até ao fim dos tempos. Mas, para que o mesmo episcopado fosse uno e indiviso, colocou o bem-aventurado Pedro à frente dos outros Apóstolos e nele instituiu o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 18).

9 Efetivamente, a propósito da Cúria Romana, o Concílio Vaticano II explica que, «no exercício do poder supremo, pleno e imediato sobre a Igreja universal, o Romano Pontífice serve-se dos Dicastérios da Cúria Romana, que, por isso, trabalham em seu nome e com a sua autoridade, para bem das Igrejas e ao serviço dos sagrados pastores» (Decr. Christus Dominus, 9). Assim lembra-nos, antes de mais nada, que a Cúria é um organismo de ajuda ao Papa, especificando ao mesmo tempo que o serviço dos organismos da Cúria Romana é sempre realizado nomine et auctoritate do mesmo Romano Pontífice. É por isso que a atividade da Cúria é realizada in bonum Ecclesiarum et in servitium Sacrorum Pastorum, isto é, orientada quer para o bem das Igrejas particulares, quer para apoio dos seus Bispos. As Igrejas particulares são «formadas à imagem da Igreja universal, das quais e pelas quais existe a Igreja católica, una e única» (Lumen gentium, 23).

10 Paulo VI, Discurso à Cúria Romana, 21 de setembro de 1963: «Aliás tal concordância entre o Papa e a sua Cúria é uma norma constante. E não é só nas grandes horas da história que tal concordância revela a sua existência e a sua força; mas vigora sempre, em cada dia, em cada ato do ministério pontifício, como convém ao órgão de imediata aderência e absoluta obediência, de que o Romano Pontífice se serve para exercer a sua missão universal. E é esta relação essencial da Cúria Romana com o exercício da atividade apostólica do Papa a justificação, mais ainda a glória da própria Curia, derivando desta mesma relação a sua necessidade, a sua utilidade, a sua dignidade e a sua autoridade; com efeito, a Cúria Romana é o instrumento de que o Papa precisa e do qual o Papa se serve para desempenhar o próprio mandato divino. Um instrumento digníssimo, ao qual – não deve surpreender ninguém – todos, e Nós mesmos em primeiro lugar, pedem tanto, exigem tanto! A sua função reclama competência e virtude sumas, porque sumo é precisamente o seu cargo. Função delicadíssima, que é a de ser guardiã ou eco das verdades divinas e de dirigir a palavra e dialogar com os espíritos humanos; função vastíssima, pois tem por confins o orbe inteiro; função nobilíssima, que é ouvir e interpretar a voz do Papa e, ao mesmo tempo, não lhe deixar faltar toda a informação útil e objetiva, todo o filial e ponderado conselho».

11 Ep. ad Eulog. Alexandrin., epist. 30: PL 77, 933. Na verdade, a Cúria Romana «haure do Pastor da Igreja universal a própria existência e competência. Com efeito, ela vive e atua na medida em que estiver em relação com o ministério petrino e nele se basear» (João Paulo II, Const. ap. Pastor Bonus, Introd. n. 7; cf. art. 1).

12 A história atesta que a Cúria Romana se encontra em estado de permanente «reforma», pelo menos nos últimos cem anos. «De facto, a reforma anunciada em 13 de abril de 2013 com o comunicado da Secretaria de Estado é já a quarta a começar da implementada por São Pio X com a constituição Sapienti Consilio, de 1908. Esta reforma tornava-se certamente urgente na perspetiva do novo ordenamento canónico, já em preparação; mas mostrava-se ainda mais necessária com o fim do poder temporal. Seguiu-se-lhe a reforma feita pelo Beato Paulo VI com a Regiminis Ecclesiae Universae (1967), depois da celebração do Concílio Vaticano II. O mesmo Papa previra um reexame do texto, à luz duma primeira experimentação. Em 1988, chega a constituição Pastor Bonus de São João Paulo II, que na estrutura geral seguia o esquema de Paulo VI, mas insere uma classificação diferente dos vários organismos e respetivas competências em sintonia com o CIC 1983. No meio destas etapas fundamentais, registam-se outras intervenções importantes. Bento XV, por exemplo, criou e inseriu entre as Congregações romanas a Congregação para os Seminários (até então uma Secção dentro da Congregação Consistorial) e as Universidades dos Estudos (1915) e outra para as Igrejas Orientais (1917: anteriormente, estava constituída como secção na S. Congregatio de Propaganda Fide). João Paulo II fez mudanças na organização da Cúria mesmo depois da Pastor Bonus e, em seguida, foram feitas intervenções significativas por Bento XVI: basta pensar na instituição do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (2010), a transferência das competências sobre os Seminários da Congregação para a Educação Católica para a Congregação para o Clero e da competência sobre a Catequese desta última para o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização (2013). A isto vieram juntar-se as outras intervenções de simplificação realizadas ao longo dos anos restando algumas válidas até ao dia de hoje, com a unificação de vários Dicastérios sob uma única presidência» [Marcello Semeraro, «La riforma di Papa Francesco» in Il Regno (Ano LXI, n. 1240 – 15 de julho de 2016), 433-441].

13 Neste sentido Paulo VI, quando falava à Cúria Romana em 21 de setembro de 1963, disse: «É explicável que tal ordenamento sinta o peso da sua idade venerável, que se faça sentir a disparidade dos seus órgãos e da sua atividade relativamente às necessidades e usos dos novos tempos, que ao mesmo tempo se sinta a necessidade de simplificar e descentralizar e de se ampliar e habilitar para novas funções».

14 Em 22 de fevereiro de 1975, por ocasião do Jubileu da Cúria Romana, disse Paulo VI: «Nós somos a Cúria Romana (...). Ora a nossa consciência, que desejamos bem clara não apenas na sua definição canónica, mas também no seu conteúdo moral e espiritual, impõe a cada um de nós um ato penitencial conforme à disciplina própria do Jubileu, ato que podemos chamar de autocrítica para verificarmos, no segredo dos nossos corações, se o nosso comportamento corresponde ao múnus que nos foi confiado. A este confronto interior estimula-nos, antes de mais nada, a coerência da nossa vida eclesial, e, depois, a análise que, a Igreja e a sociedade, fazem a nosso respeito, com exigência muitas vezes não objetiva e tanto mais severa quanto mais representativa é esta nossa posição, da qual devia irradiar sempre uma exemplaridade ideal. (...) Dois sentimentos espirituais darão, por isso, sentido e valor à nossa celebração jubilar: um sentimento de sincera humildade, isto é, de verdade acerca de nós mesmos, declarando-nos os primeiros a ter necessidade da misericórdia de Deus» [Insegnamenti di Paolo VI, vol. XIII (1975), 172-176].

15 Neste sentido, a sucessão das gerações faz parte da vida; ai de nós, se pensarmos ou vivermos esquecidos desta verdade. Por conseguinte, a alternância das pessoas é normal, necessária e desejável.

16 Durante o seu discurso à Cúria em 20 de dezembro de 2010, Bento XVI lembrou, inspirando-se numa visão de Santa Hildegarda de Bingen, que o próprio rosto da Igreja pode, infelizmente, estar «salpicado de pó» e «o seu vestido rasgado». Por isso – recordava eu, em idêntica ocasião de 2014 – a cura «é fruto também da consciencialização da doença e da decisão pessoal e comunitária de se curar suportando com paciência e perseverança o tratamento» (Discurso à Cúria Romana, 22 de dezembro de 2014).

17 Trata-se de entender a reforma como uma transformação, ou seja, uma mutação para diante, um melhoramento: mudar/modificar in melius.

18 Cf. Francisco, Homilia, Domus Sanctae Marthae, 1 de dezembro de 2016.

19 Francisco, Homilia por ocasião do Jubileu da Cúria Romana, 22 de fevereiro de 2016; cf. Idem, Discurso na inauguração dos trabalhos do Consistório, 12 de fevereiro de 2015.

20 Paulo VI, Discurso à Cúria Romana, 21 de setembro de 1963.

21 «A tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja; tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar (…). A comunidade dos cristãos, realmente, nunca é algo de fechado em si mesmo. Nela, a vida íntima – vida de oração, ouvir a Palavra e o ensino dos Apóstolos, caridade fraterna vivida e fração do pão – não adquire todo o seu sentido senão quando ela se torna testemunho, que provoca a admiração e a conversão e se desenvolve na pregação e no anúncio da Boa Nova. Assim, é a Igreja toda que recebe a missão de evangelizar e a atividade de cada um é importante para o todo» (Idem, Evangelii nuntiandi, 14-15). Como escrevi na Exortação apostólica Evangelii gaudium, «não podemos ficar tranquilos, em espera passiva, em nossos templos», sendo necessário «passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária» (n. 15).

22 É preciso não perder a tensão para o anúncio àqueles que estão longe de Cristo, porque isto é o primeiro dever da Igreja (cf. João Paulo II, Carta enc. Redemptoris Missio, 34).

23 Francisco, Evangelii gaudium, 26. «Sonho com uma opção missionária (= missão paradigmática) capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial (= missão programática) se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à Auto preservação» (ibid., 27). Neste sentido, «o que derruba as estruturas caducas, o que leva a mudar os corações dos cristãos é justamente a missionariedade», porque «a missão programática, como o nome indica, consiste na realização de atos de índole missionária. A missão paradigmática, por sua vez, implica colocar em chave missionária a atividade habitual das Igrejas particulares» (Idem, Discurso aos Bispos responsáveis do CELAM, na 28ª JMJ do Rio de Janeiro, 28 de julho de 2013).

24 Cf. Paulo VI, Regimini Ecclesiae Universae, art. 1-§ 2; João Paulo II, Pastor Bonus, art. 2-§ 2.

25 «Hoje é de Roma que parte o convite à “atualização” (…), isto é, ao aperfeiçoamento de todas as coisas, internas e externas, da Igreja. A Roma papal hoje é outra completamente diferente e, por graça de Deus, muito mais digna, mais sábia e mais santa; muito mais consciente da sua vocação evangélica, muito mais comprometida na sua missão cristã, muito mais desejosa e, por isso, capaz de perene renovação» (Paulo VI, Discurso à Cúria Romana, 21 de setembro de 1963).

26 Francisco, Motu Proprio Sedula Mater, 15 de agosto de 2016.

27 Decr. Christus ‎Dominus, 9.

28 Entre as funções do Secretário de Estado, enquanto primeiro colaborador do Sumo Pontífice no exercício da sua missão suprema e executor das decisões que o Papa toma com a ajuda dos órgãos consultivos, deveria aparecer como primordial a reunião periódica e frequente com os Chefes de Dicastério. Em todo o caso, é uma necessidade primária a coordenação e a cooperação dos Dicastérios entre si e com os outros Departamentos.

29 Cf. João Paulo II, Const. ap. Pastor Bonus, 22.

30 Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta (cf. Francisco, Discurso na comemoração do cinquentenário da instituição do Sínodo dos Bispos, 17 de outubro de 2015; Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 171). Eis as etapas de auscultação para a Reforma da Cúria: 1) Recolha de pareceres no Verão de 2013: dos Chefes de Dicastério e outros; dos Cardeais do Conselho, de diferentes Bispos e Conferências Episcopais da área territorial de proveniência; 2) Reunião dos Chefes de Dicastério, em 10 de setembro de 2013 e 24 de novembro de 2014; 3) Consistório de 12-13 de fevereiro de 2015; 4) Carta do Conselho dos Cardeais aos Chefes de Dicastério, em 17 de setembro de 2014, para eventuais «descentralizações»; 5) Intervenções de diferentes Chefes de Dicastério nas reuniões do Conselho de Cardeais que lhes solicitara propostas e pareceres para a reforma do respetivo Dicastério (cf. Marcello Semeraro, «La riforma di Papa Francesco» in: Il Regno, pp. 433–441).

31 Para aprofundar os passos dados, as razões e os objetivos do processo de reforma, recomenda-se como particular referência as três Cartas Apostólicas sob forma de Motu Proprio com que se interveio até hoje para a criação, a alteração e a supressão de alguns Dicastérios da Cúria Romana.

32 Quanto ao ritmo do trabalho, este ocupa os membros do Conselho de manhã e de tarde, tendo-se realizado até hoje 93 reuniões.

33 As sessões de trabalho do Conselho já ultrapassam as dezasseis (em média, uma de dois em dois meses), assim repartidas no tempo: I Sessão: 1-3 de outubro de 2013; II Sessão: 3-5 de dezembro de 2013; III Sessão: 17-19 fevereiro de 2014;

IV Sessão: 28-30 de abril de 2014; V Sessão: 1-4 de julho de 2014; VI Sessão: 15-17 de setembro de 2014; VII Sessão: 9-11 de dezembro de 2014; VIII Sessão: 9-11 de fevereiro de 2015; IX Sessão 13-15 de março de 2015; X Sessão 8-10 de junho de 2015; XI Sessão 14-16 de setembro de 2015; XII Sessão: 10-12 de dezembro de 2015; XIII Sessão: 8-9 de fevereiro de 2016; XIV Sessão: 11-13 de abril de 2016; XV Sessão: 6-8 de junho de 2016; XVI Sessão: 12-14 de setembro de 2016; XVII Sessão: 12-14 de dezembro de 2016.

34 Foi ereta em 18 de julho de 2013 (e suprimida em 22 de maio de 2014) para oferecer apoio técnico de consultoria especializada e elaborar soluções estratégicas de melhoramento, visando evitar gastos de recursos económicos, favorecer a transparência nos processo de aquisição de bens e serviços, aperfeiçoar a administração do património mobiliário e imobiliário, agir com prudência cada vez maior na área financeira, assegurar uma correta aplicação das normas contabilísticas e garantir assistência sanitária e previdência social a todos os que têm direito: «uma simplificação e racionalização dos Organismos existentes e uma programação mais cuidadosa das atividades económicas de todas as Administrações do Vaticano» (Quirógrafo de 18 de julho de 2013).

35 Por exemplo, as Recomendações elaboradas pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). Hoje a atividade do IOR desenrola-se plenamente de acordo com a legislação vigente no Estado da Cidade do Vaticano em matéria de branqueamento de capitais e de combate ao financiamento do terrorismo.

36 A AIF é o Departamento de prevenção e luta contra o branqueamento do produto de atividades criminosas e o financiamento do terrorismo (cf. Estatuto, cap I, art 1- § 1). Com a tarefa, entre outras coisas, de supervisionar o cumprimento das obrigações estabelecidas para prevenir e contrastar a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, emanar disposições de implementação e adotar instruções e provisões de caráter particular com os sujeitos subordinados às obrigações.

37 A AIF foi instituída também para renovar o empenho da Santa Sé na adoção dos princípios e aplicação dos instrumentos jurídicos desenvolvidos pela Comunidade internacional, ajustando ainda mais o quadro institucional para efeitos de prevenção e combate da lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e proliferação de armas de destruição de massa.

38 O Conselho tem o «dever de supervisionar a gestão económica e vigiar sobre as estruturas e as atividades administrativas e financeiras dos Dicastérios da Cúria Romana, das instituições relacionadas com a Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano» (Motu Proprio Fidelis dispensator et prudens, 1).

39 O Departamento do Auditor Geral atua com plena autonomia e independência nos termos da legislação vigente e do seu próprio Estatuto, referindo diretamente ao Sumo Pontífice. Submete ao Conselho para a Economia um programa anual de auditoria bem como um relatório anual das suas atividades. Objetivo do programa de auditoria é individuar as mais importantes áreas gerenciais e organizacionais de potenciais riscos». O Departamento do Auditor Geral é a instituição que realiza a auditoria contabilística dos Dicastérios da Cúria Romana, das Instituições ligadas à Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano. A atividade do DAG visa fornecer pareceres profissionais e independentes a propósito da adequação dos procedimentos contabilísticos e administrativos (sistema de controlo interno) e a sua efetiva aplicação (compliance audit); bem como a credibilidade dos orçamentos dos diferentes Dicastérios e o Balanço consolidado (financial audit) e a regularidade da utilização dos recursos financeiros e materiais (value for money audit).

40 «O contexto comunicativo atual, caraterizado pela presença e o desenvolvimento dos mídias digitais, pelos fatores da convergência e da interatividade, exige repensar o sistema informativo da Santa Sé e obriga a uma reorganização que, valorizando tudo o que se foi desenvolvendo ao longo da história no âmbito da estrutura da comunicação da Sé Apostólica, avance decididamente para uma integração e gestão unitária».

41 Com o Motu Proprio de 31 de maio de 2016 (De concordia inter Codices), foram alteradas algumas normas do Código de Direito Canónico.

42 «O Organismo será competente para as questões que dizem respeito a migrações, necessitados, doentes e excluídos, marginalizados, vítimas de conflitos armados e catástrofes naturais, reclusos, desempregados e pessoas cuja dignidade corre perigo».

43 L’umanità di Dio, Qiqajon, Magnano 2015, 183-84.   


Papa: não à busca de sucesso, riqueza, poder e prazer a qualquer preço

Cidade do Vaticano (RV) - “A condição para fazer parte do reino é realizar uma mudança na nossa vida, isto é converter-se, dando um passo a cada dia: trata-se de deixar os caminhos, convenientes, mas enganosos, dos ídolos deste mundo: o sucesso a todo custo, o poder à custa dos mais fracos, a sede de riqueza, o prazer a qualquer preço: comportamentos que são do diabo”. Foi o que recordou o Papa Francisco na sua alocução que precedeu neste 2º Domingo do Advento (04/12/2016), a Oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em uma manhã de céu coberto o Papa disse que o convite é “abrir o caminho ao Senhor que vem. Ele não tira a nossa liberdade, mas nos dá a verdadeira felicidade”.

Missão do cristão

Com o nascimento de Jesus em Belém, é o próprio Deus que veio habitar no meio de nós, para nos libertar do egoísmo, do pecado e da corrupção”. “O Reino de Deus disse Jesus está no meio de vocês! Esta é a mensagem central de toda a missão cristã”, explicou Francisco revelando quanto seja importante esta “boa notícia”.

“Quando um missionário vai, um cristão vai anunciar Jesus, não vai fazer proselitismo, como se fosse um torcedor que busca para o seu time mais torcedores. Não, vai simplesmente a anunciar: o Reino de Deus está no meio de vocês! E assim o missionário prepara o caminho para Jesus que encontra o seu povo”.

Reino de Deus

“Certamente, o reino de Deus se estenderá indefinidamente para além da vida terrena, mas a boa notícia que Jesus nos traz - e que João antecipa - é que o reino de Deus, não devemos esperar por ele no futuro: se aproximou, e de alguma forma, já está presente e podemos experimentá-lo agora o poder espiritual.

“Deus vem estabelecer o seu domínio na nossa história, na nossa vida quotidiana; e lá onde é acolhido com fé e humildade brotam o amor, a alegria e a paz”.

Tempo de Natal

Nos aproximamos do Natal – destacou o Papa – “um dia de grande alegria, também exterior, mas é principalmente um evento religioso, por isso é necessária uma preparação espiritual”.

“Neste tempo de Advento, deixemo-nos guiar pela exortação de João Batista: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas'. Nós preparamos o caminho do Senhor e endireitamos as suas veredas, quando examinamos a nossa consciência, quando vemos nossas atitudes, quando com sinceridade e confiança confessamos os nossos pecados no sacramento da Penitência".

Neste Sacramento experimentamos em nossos corações a proximidade do reino de Deus e a sua salvação. A salvação de Deus é obra de um amor maior, maior do que nosso pecado; somente o amor de Deus pode cancelar o pecado e livrar do mal, e somente o amor de Deus pode guiar-nos no caminho do bem.

Que a Virgem Maria  - concluiu Francisco - nos ajude a nos preparamos para o encontro com este Amor-maior que na noite de Natal se fez pequeno pequeno, como uma semente, caída na terra, a semente do Reino de Deus.

Antes de se despedir dos fiéis o Papa dirigiu sua saudação aos romanos e peregrinos presentes na Praça São Pedro. Em especial saudou os fiéis que vieram de Córdoba, Jaén e Valência, na Espanha; de Split e Makarska, na Croácia; das paróquias de Santa Maria da Oração e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Roma. A todos desejou um bom domingo e um bom caminho de Advento marcando encontro para a próxima quinta-feira, festa de Maria Imaculada, na Praça Espanha. “Nestes dias – concluiu - vamos rezar juntos, pedindo a sua materna intercessão para a conversão dos corações e o dom da paz. E por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço”.


As mais recentes mensagens do Papa Francisco em seu Twitter

23/12/2016
O Senhor se fez homem para caminhar conosco na vida de cada dia.
22/12/2016
Aproxima-se o nascimento de Jesus, que vem assumir a nossa fraqueza.
21/12/2016
A misericórdia suscita alegria, porque o coração se abre à esperança de uma vida nova.
20/12/2016
A misericórdia é a ação concreta do amor de Deus que, perdoando, transforma e muda a vida.
19/12/2016
Nada daquilo que um pecador arrependido coloca diante da misericórdia de Deus permanece sem o abraço de seu perdão.
18/12/2016
A nossa alegria vem da certeza de que o Senhor está próximo, com a sua ternura, a sua misericórdia, o seu perdão e o seu amor.
17/12/2016
Agradeço-lhes pelo seu afeto. Não se esqueçam de rezar por mim.
16/12/2016
O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida.
15/12/2016
O amor de Deus, que sabe ler o coração de cada pessoa para entender o seu desejo mais escondido, deve ter primazia sobre tudo.
14/12/2016
É o momento de dar espaço à imaginação da misericórdia para dar vida a tantas novas obras, fruto da graça.
13/12/2016
Hoje eu gostaria que cada um fizesse memória da própria história, do dom recebido do Senhor.
12/12/2016
Na festa de Nossa Senhora de Guadalupe, confiemos a Ela os povos americanos e a missão da Igreja no Continente.
11/12/2016
O Advento seja um tempo de esperança. Vamos ao encontro do Senhor que vem ao nosso encontro.
10/12/2016
Todos nós trabalhemos com decisão para que ninguém seja excluído do efetivo reconhecimento dos direitos fundamentais da pessoa humana.
09/12/2016
Rezemos por todas as vítimas de genocídio e comprometemo-nos para que este crime não volte a acontecer no mundo.
04/12/2016
O Advento é o tempo para preparar os nossos corações para acolher Cristo Salvador, nossa esperança.
03/12/2016
Estamos todos convidados a sair como missionários e levar a mensagem do amor de Deus a cada pessoa e ambiente.
02/12/2016
Convido todas as pessoas de boa vontade a agirem contra o tráfico de pessoas e as novas formas de escravidão.
01/12/2016
Recordamos hoje o Beato Charles de Foucauld, que dizia: A fé é ver Jesus em cada ser humano.
30/11/2016
Hoje é a festa do Apóstolo André: com afeto fraterno estou próximo ao Patriarca Bartolomeu e rezo por ele e pela Igreja a ele confiada.
29/11/2016
Jesus nos chama a sermos portadores de alegria e consolação, como suas testemunhas misericordiosas.
28/11/2016
A misericórdia não é um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua própria existência, que torna palpável o Evangelho.


Francisco confia intenções de oração para dezembro


Rádio Vaticano (RV) – Foram divulgadas as intenções do Papa confiadas ao Apostolado de Oração para o mês de dezembro de 2016.

O tema central da mensagem de Francisco são as crianças-soldados.

“Neste mundo, que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, são vendidas armas que terminam nas mãos de crianças-soldados. Devemos fazer o possível para que seja respeitada a dignidade das crianças; e terminar com esta forma de escravatura. Quem quer que sejas, e se estás tão comovido como eu, peço-te que te unas a esta intenção: Para que seja eliminada em todo o mundo a praga dos meninos‐soldados”.


Papa: trabalho aos jovens para evitar que deixem seus países

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (1º/12/2016), na Sala Clementina, no Vaticano, cento e cinquenta participantes do IV Congresso mundial de pastoral para os estudantes internacionais, promovido pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes.

“O tema desse congresso é muito interessante: Fala sobre os desafios morais no mundo dos estudantes internacionais, em vista de uma sociedade mais saudável. Este é o objetivo que deve estar sempre presente: Construir uma sociedade mais saudável. É importante que as novas gerações caminhem nesta direção, se sintam responsáveis pela realidade em que vivem e artífices do futuro. As palavras de São Paulo recordam e inspiram também as novas gerações de hoje, quando ele recomenda ao jovem discípulo Timóteo de ser exemplo aos fiéis nas palavras, na conduta, no amor, na fé e na pureza, sem medo de que alguém o desprezasse por ser jovem.”

Desafios morais

Segundo Francisco, “em nosso tempo os desafios morais a serem enfrentados são muitos e não é sempre fácil lutar pela afirmação da verdade e dos valores, sobretudo quando se é jovem. Mas com a ajuda de Deus e com o desejo sincero de fazer o bem, todo obstáculo pode ser superado. Estou feliz porque, se vocês estão aqui é para mostrar que os desafios não causam medo a vocês, mas os impulsiona a trabalhar para construir um mundo mais humano. Não parem e nunca percam a coragem, porque o Espírito de Cristo os guiará, se vocês ouvirem a sua voz”.
 Solidariedade

Sobre a concepção moderna do intelectual, o Papa frisou que é necessário propor um modelo mais solidário que promova o bem comum e a paz. “Somente assim, o mundo intelectual se torna capaz de construir uma sociedade saudável. Quem tem o dom de estudar tem também a responsabilidade de servir ao bem da humanidade. O saber é um caminho privilegiado para o desenvolvimento integral da sociedade. Ser estudantes num país diferente do próprio, em outro horizonte cultural, ajuda a aprender novas línguas, novos usos e costumes. Ajuda a olhar o mundo de outra perspectiva e se abrir sem medo ao outro e ao diferente. Isso leva os estudantes e quem os acolhe, a se tornarem mais tolerantes e hospitaleiros. Aumentando as capacidades de relação, aumenta a confiança em si mesmos e nos outros, os horizontes se alargam, a visão do futuro se amplia e nasce o desejo de construir juntos o bem comum.”

Consciência

Segundo o Papa, “escolas e universidades são um âmbito privilegiado para a consolidação de consciências sensíveis em prol de um desenvolvimento mais solidário e para desenvolver um compromisso de evangelização de forma interdisciplinar e inclusiva”.

Francisco exortou os professores e agentes pastorais a infundirem nos jovens o amor pelo Evangelho, o desejo de vivê-lo concretamente e anunciá-lo aos outros. “É importante que o período transcorrido no exterior se torne uma ocasião de crescimento humano e cultural para os estudantes e seja para eles um ponto de partida para voltar ao seu país de origem e dar a sua contribuição qualificada, e um impulso interior para transmitir a alegria da Boa Nova. É necessária uma educação que ensine a pensar criticamente e que ofereça um percurso de amadurecimento nos valores. Deste modo, formam-se jovens sedentos de verdade e não de poder, prontos a defender os valores e a viver a misericórdia e a caridade, pilares fundamentais para uma sociedade mais saudável”.

Fuga de cérebros

“Que o enriquecimento pessoal e cultural ajude os jovens a se inserir mais facilmente no mundo do trabalho, garantindo-lhes um lugar na comunidade. A sociedade é chamada a oferecer às novas gerações oportunidades de trabalho válidas para evitar a fuga de cérebros”, ou seja, que deixem seus países.

“Se a pessoa escolhe livremente se especializar e trabalhar no exterior, isso é algo bom e fecundo; mas é doloroso que os jovens preparados sejam levados a abandonar o próprio país porque faltam possibilidades adequadas de inserção”, disse ainda Francisco.

Globalização

O Papa sublinhou que “o fenômeno dos estudantes internacionais não é algo novo, mas se intensificou por causa da globalização que abateu os confins de espaço e tempo, favorecendo o encontro e a troca de experiência entre as culturas. Também aqui vemos aspectos negativos, com o insurgir de certos fechamentos, mecanismos de defesa diante da diversidade, muros interiores que não permitem olhar o irmão ou a irmã nos olhos e perceber suas necessidades reais. Entre os jovens, e isso é muito triste, pode insinuar-se a ‘globalização da indiferença’ que nos torna ‘incapazes de sentir compaixão diante do grito de dor dos outros’. Acontece que esses efeitos negativos se repercutem sobre as pessoas e comunidades. Ao invés disso, queridos amigos, queremos apostar que a sua maneira de viver a globalização pode produzir êxitos positivos e motivar potencialidades”.

Passando um tempo distante de seus países, em famílias e contextos diferentes, vocês “podem desenvolver uma capacidade grande de adaptação, aprendendo a ser custódios dos outros como irmãos e da criação como casa comum. Isso é decisivo para tornar o mundo mais humano. Os percursos de formação podem acompanhar e orientar vocês jovens estudantes nesta direção, com o frescor da atualidade e audácia do Evangelho, para formar novos evangelizadores prontos a contagiar o mundo com a alegria de Cristo, até os confins da terra”.


Papa: vencer as resistências à graça de Deus

Cidade do Vaticano (RV) – Todos temos no coração resistências à graça: é preciso encontrá-las e pedir ajuda ao Senhor, reconhecendo-se pecadores. Esta foi a exortação do Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de quinta-feira (01/12/2016) na Casa Santa Marta.

A homilia do Pontífice teve início com uma frase da oração da coleta: “Que a tua graça vença as resistências do pecado”. E se concentrou sobre as resistências na vida cristã de ir avante. O Papa distingui vários tipos de resistências. Há “resistências abertas, que nascem da boa vontade”, como aquela de Saulo que resistia à graça, mas “estava convencido em fazer a vontade de Deus”. É Jesus que lhe diz de parar e Saulo se converte. “As resistências abertas são saudáveis”, no sentido que “são abertas à graça para se converter”. De fato, somos todos pecadores.

Resistências escondidas

Ao invés, para Francisco “as resistências escondidas” são as mais perigosas, porque são as que não se mostram. “Cada um de nós tem o próprio estilo de resistência escondida à graça”. Porém, é preciso encontrá-la e “colocá-la diante do Senhor, para que ele nos purufique”. É a resistência de que Estevão acusava os Doutores da Lei: resistir ao Espirito Santo enquanto fingiam buscar a glória de Deus. Dizer isso a Estevão custou-lhe a vida:

“Mas essas resistências escondidas, que todos temos, como são? Sempre vêm para deter um processo de conversão. Sempre! É deter, não é lutar contra. Não, não! É ficar parado; sorrir, talvez: mas você não passa. Resistir passivamente, de maneira escondida. Quando há um processo de mudança numa instituição, numa família, eu ouço dizer: ‘Há resistências ali’… Mas graças a Deus! Se não existissem, a coisa não seria de Deus. Quando há essas resistências é o diabo que as semeia ali, para que o Senhor não prossiga”.

Palavras vazias

Francisco falou então de três tipos de resistências escondidas. Há a resistência das “palavras vazias”. Para explicar, Francisco citou o Evangelho de hoje, quando Jesus diz que nem todo mundo que disser “Senhor, Senhor” entrará no reino dos céus. Como na parábola dos dois filhos que o Pai convida à vinha: um diz “não” e depois acaba indo, o outro diz “sim” e não aparece:

“Dizer sim, tudo sim, muito diplomaticamente; mas é ‘não, não, não’. Tantas palavras: ‘Sim, sim, sim; mudaremos tudo! Sim!’, para não mudar nada, não? Ali esta a camuflagem espiritual: os que tudo sim, mas que é tudo não. É a resistência das palavras vazias”.

Palavras justificatórias

Depois, tem a resistência “das palavras justificatórias”, ou seja, quando uma pessoa se justifica continuamente, “sempre há uma razão para se opor”: Não, fiz isso por aquilo”. Quando as justificações são muitas, “não há o bom cheiro de Deus”, disse o Papa, mas “existe o mau cheiro do diabo”. “O cristão não precisa se justificar”, esclarece Francisco. “Foi justificado pela Palavra de Deus”. Trata-se de resistência das palavras “que buscam justificar a minha posição para não seguir aquilo que o Senhor nos indica”, disse ainda o Pontífice.

Palavras acusatórias

Depois, existe a resistência “das palavras acusatórias”: quando se acusam os outros para não olhar para si mesmos, não se necessita de conversão e assim se resiste à graça como evidencia a Parábola do fariseu e do publicano.

As resistências não são somente aquelas grandes resistências históricas como a Linha Maginot ou outras, mas aquelas que “estão dentro de nosso coração todos os dias!” A resistência à graça é um bom sinal “porque nos indica que o Senhor está trabalhando em nós”. Devemos “deixar cair as resistências para que a graça vá adiante”. A resistência, de fato, procura sempre se esconder nas formalidades das palavras vazias, das palavras justificatórias, das palavras acusatórias e muitas outras, procura “não deixar-se levar pelo Senhor” porque “sempre existe uma cruz”. “Onde está o Senhor, pequena ou grande, haverá uma cruz. É a resistência à Cruz, a resistência ao Senhor que nos leva à redenção”, explica o Papa. Portanto, quando existem resistências não é preciso ter medo, mas pedir ajuda ao Senhor, reconhecendo-se pecador:

“Digo-lhes para não ter medo quando cada um vocês, cada um de nós, vê que em seu coração existem resistências. Digam claramente ao Senhor: ‘Olha, Senhor, eu procuro cobrir isso, fazer aquilo para não deixar entrar a sua palavra. Senhor, com grande força, socorre-me. A sua graça vença as resistências do pecado’. As resistências são sempre um fruto do pecado original que nós levamos. É feio ter resistências? Não, é bonito! O feito é tomá-las como defesa da graça do Senhor. Ter resistência é normal. É dizer: Sou pecador, ajuda-me Senhor! Preparemo-nos com esta reflexão para o próximo Natal.”

Beato Charles de Foucauld

No final da missa, o Papa recordou que hoje se celebra os 100 anos do assassinato do Beato Charles de Foucauld, ocorrido na Argélia em primeiro de dezembro de 1916. Era “um homem – disse – que venceu tantas resistências e deu um testemunho que fez bem à Igreja. Peçamos que nos abençoe do céu e nos ajude a caminhar nos caminhos de pobreza, contemplação e serviço aos pobres”.


Audiência: a misericórdia é saber rezar uns pelos outros

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco acolheu na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de sete mil fiéis para a Audiência Geral.

Com a catequese desta quarta-feira (30/11/2016), o Pontífice encerrou o ciclo dedicado à misericórdia, falando nesta ocasião sobre duas obras: uma espiritual de “rezar pelos vivos e pelos mortos”, e outra corporal, enterrar os mortos. “As catequeses terminam, mas a misericórdia deve continuar”, disse o Papa.

À primeira vista, afirmou Francisco, enterrar os mortos pode parecer estranho, mas se pensarmos em tantas regiões atribuladas pelo flagelo da guerra, enterrar os mortos se torna tristemente uma obra muito atual. Às vezes, significa colocar em risco a própria vida, como foi o caso do velho Tobi, no Antigo Testamento; outras vezes, exige uma grande coragem, como no caso de José de Arimatéia, que providenciou um sepulcro para Jesus, após a sua morte na Cruz.

“Para os cristãos, a sepultura é um ato de piedade, mas também de fé e esperança na ressurreição dos mortos”, explicou Francisco. Por isso, somos chamados também a rezar pelos defuntos, primeiramente porque reconhecemos o bem que essas pessoas nos fizeram em vida e, depois, para encomendá-las à misericórdia de Deus. “Todos ressuscitaremos e todos permaneceremos para sempre com Jesus”, recordou o Papa, que recomendou  que não se esqueça de rezar pelos vivos.

Trata-se de uma manifestação de fé na Comunhão dos Santos, que nos ensina que os batizados, encontrando-se unidos em Cristo e sob a ação do Espírito Santo, podem interceder uns pelos outros.

Lembrança

O Pontífice recordou que existem muitos modos de rezar pelo próximo, como as mães e os pais que abençoam os filhos antes de saíram de casa, “hábito ainda presente em algumas famílias”, a oração às pessoas doentes, a intercessão silenciosa às vezes com as lágrimas.

Francisco contou aos fiéis um episódio ocorrido no dia anterior, de um jovem empresário que participou da Missa celebrada por ele na capela da Casa Santa Marta. Após a celebração, chorando, o proprietário disse que deveria fechar a fábrica devido à crise, mas 50 famílias ficariam sem trabalho. “Eis um bom cristão”, disse o Papa, pois ele poderia declarar falência e ficar com o dinheiro, mas sua consciência não o permitia e ia à missa para pedir a Deus uma solução, não para ele, mas para as 50 famílias. “Este é um homem que sabe rezar, com o coração, com os fatos, sabe rezar pelo próximo numa situação difícil. E não busca a solução mais fácil. Fez-me tão bem ouvi-lo e espero que existam tantas pessoas assim hoje, pois muitos sofrem com a falta de trabalho.”

Comunhão

Ao rezar uns pelos outros, devemos pedir sempre que se faça a vontade de Deus, porque a sua vontade é certamente o bem maior, o bem de um Pai que jamais nos abandona.  “Abramos o nosso coração, disse o papa,  rezar e deixar que o Espírito Santo reze em nós. E isso é o belo da vida, rezar, agradecer, louvar a Deus, pedir algo, mesmo chorando quando há alguma dificuldade, mas com coração aberto ao Espírito para que reze em nós, conosco e por nós.”

Concluindo estas catequeses sobre a misericórdia, Francisco pede um esforço a rezar uns aos outros para que as obras de misericórdia corporais e espirituais se tornem sempre mais o estilo da nossa vida:

“Como disse anteriormente, as catequeses se concluem. Fizemos o percurso das 14 obras de misericórdia, mas a misericórdia continua e devemos exercitá-la nesses 14 modos.”


"Diversidades são oportunidades"

Cidade do Vaticano (RV) – Antes da audiência de quarta-feira, 30/11/2016, o Papa recebeu os participantes de uma peregrinação de políticos franceses eleitos na Região de Rhône–Alpes. O grupo está acompanhado pelo Cardeal-arcebispo de Lion, Philippe Barbarin, e pelos Bispos da Província.

No rápido encontro, o Papa sublinhou a necessidade de ‘reencontrar o sentido da política’ neste mundo em mudança. “A sociedade francesa é rica de potencialidades e diversidades que podem se tornar oportunidades, desde que seus valores de liberdade, igualdade e fraternidade não sejam apenas exibidos de maneira ilusória, mas aprofundados e compreendidos em seu fundamento transcendente”, disse.

“Neste sentido, a busca do bem comum que os anima deve conduzi-los a escutar com atenção as pessoas em condição de precariedade, sem esquecer os migrantes que fugiram de seus países por causa da guerra, da miséria e da violência. Assim, os senhores poderão contribuir na construção de uma sociedade mais justa e mais humana; acolhedora e fraterna”, concluiu o Pontífice.


Mensagem do Papa o 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Cidade do Vaticano (RV) - Íntegra da mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações que se celebrará em 7 de maio de 2017 - IV Domingo da Páscoa, sobre o tema «Impelidos pelo Espírito para a missão».

Amados irmãos e irmãs!

Nos anos passados, tivemos ocasião de refletir sobre dois aspetos que dizem respeito à vocação cristã: o convite a «sair de si mesmo» para pôr-se à escuta da voz do Senhor e a importância da comunidade eclesial como lugar privilegiado onde nasce, alimenta e se exprime a chamada de Deus.

Agora, no 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de me deter na dimensão missionária da vocação cristã. Quem se deixou atrair pela voz de Deus e começou a seguir Jesus, rapidamente descobre dentro de si mesmo o desejo irreprimível de levar a Boa Nova aos irmãos, através da evangelização e do serviço na caridade. Todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho. Com efeito, o discípulo não recebe o dom do amor de Deus para sua consolação privada; não é chamado a ocupar-se de si mesmo nem a cuidar dos interesses duma empresa; simplesmente é tocado e transformado pela alegria de se sentir amado por Deus e não pode guardar esta experiência apenas para si mesmo: «a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária» (FRANCISCO, Exort. ap. Evangelii gaudium, 21).

Por isso, o compromisso missionário não é algo que vem acrescentar-se à vida cristã como se fosse um ornamento, mas, pelo contrário, situa-se no âmago da própria fé: a relação com o Senhor implica ser enviados ao mundo como profetas da sua palavra e testemunhas do seu amor.

Se experimentamos em nós muita fragilidade e às vezes podemos sentir-nos desanimados, devemos levantar a cabeça para Deus, sem nos fazermos esmagar pelo sentimento de inaptidão nem cedermos ao pessimismo, que nos torna espetadores passivos duma vida cansada e rotineira. Não há lugar para o temor: o próprio Deus vem purificar os nossos «lábios impuros», tornando-nos aptos para a missão. «“Foi afastada a tua culpa e apagado o teu pecado!” Então, ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem será o nosso mensageiro?” Então eu disse: “Eis-me aqui, envia-me”» (Is 6, 7-8).

Cada discípulo missionário sente, no seu coração, esta voz divina que o convida a «andar de lugar em lugar» no meio do povo, como Jesus, «fazendo o bem e curando» a todos (cf. At 10, 38). Com efeito, já tive ocasião de lembrar que, em virtude do Batismo, cada cristão é um «cristóvão» ou seja, «um que leva Cristo» aos irmãos (cf. FRANCISCO, Catequese, 30 de janeiro de 2016). Isto vale de forma particular para as pessoas que são chamadas a uma vida de especial consagração e também para os sacerdotes, que generosamente responderam «eis-me aqui, envia-me». Com renovado entusiasmo missionário, são chamados a sair dos recintos sagrados do templo, para consentir à ternura de Deus de transbordar a favor dos homens (cf. FRANCISCO, Homilia na Missa Crismal, 24 de março de 2016). A Igreja precisa de sacerdotes assim: confiantes e serenos porque descobriram o verdadeiro tesouro, ansiosos por irem fazê-lo conhecer jubilosamente a todos (cf. Mt 13,44).

Com certeza não faltam as interrogações ao falarmos da missão cristã: Que significa ser missionário do Evangelho? Quem nos dá a força e a coragem do anúncio? Qual é a lógica evangélica em que se inspira a missão? Podemos dar resposta a estas questões, contemplando três cenas evangélicas: o início da missão de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-30); o caminho que Ele, Ressuscitado, fez com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35); e, por último, a parábola da semente (cf. Mc 4, 26-27).

Jesus é ungido pelo Espírito e enviado. Ser discípulo missionário significa participar ativamente na missão de Cristo, que Ele próprio descreve na sinagoga de Nazaré: «O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19). Esta é também a nossa missão: ser ungidos pelo Espírito e ir ter com os irmãos para lhes anunciar a Palavra, tornando-nos um instrumento de salvação para eles.

Jesus vem colocar-Se ao nosso lado no caminho. Perante as interrogações que surgem do coração humano e os desafios que se levantam da realidade, podemos sentir-nos perdidos e notar um défice de energia e esperança. Há o risco de que a missão cristã apareça como uma mera utopia irrealizável ou, em todo o caso, uma realidade que supera as nossas forças. Mas, se contemplarmos Jesus Ressuscitado, que caminha ao lado dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-15), é possível reavivar a nossa confiança; nesta cena evangélica, temos uma autêntica e real «liturgia da estrada», que precede a da Palavra e da fração do Pão e nos faz saber que, em cada passo nosso, Jesus está junto de nós. Os dois discípulos, feridos pelo escândalo da cruz, estão de regresso a casa percorrendo o caminho da derrota: levam no coração uma esperança despedaçada e um sonho que não se realizou. Neles, a tristeza tomou o lugar da alegria do Evangelho. Que faz Jesus? Não os julga, percorre a própria estrada deles e, em vez de erguer um muro, abre uma nova brecha. Pouco a pouco transforma o seu desânimo, inflama o seu coração e abre os seus olhos, anunciando a Palavra e partindo o Pão. Da mesma forma, o cristão não carrega sozinho o encargo da missão, mas experimenta – mesmo nas fadigas e incompreensões – que «Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (FRANCISCO, Exort. ap. Evangelii gaudium, 266).

Jesus faz germinar a semente. Por fim, é importante aprender do Evangelho o estilo de anúncio. Na verdade, acontece não raro, mesmo com a melhor das intenções, deixar-se levar por um certo frenesim de poder, pelo proselitismo ou o fanatismo intolerante. O Evangelho, pelo contrário, convida-nos a rejeitar a idolatria do sucesso e do poder, a preocupação excessiva pelas estruturas e uma certa ânsia que obedece mais a um espírito de conquista que de serviço. A semente do Reino, embora pequena, invisível e às vezes insignificante, cresce silenciosamente graças à ação incessante de Deus: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como» (Mc 4, 26-27). A nossa confiança primeira está aqui: Deus supera as nossas expetativas e surpreende-nos com a sua generosidade, fazendo germinar os frutos do nosso trabalho para além dos cálculos da eficiência humana.

Com esta confiança evangélica abrimo-nos à ação silenciosa do Espírito, que é o fundamento da missão. Não poderá jamais haver pastoral vocacional nem missão cristã, sem a oração assídua e contemplativa. Neste sentido, é preciso alimentar a vida cristã com a escuta da Palavra de Deus e sobretudo cuidar da relação pessoal com o Senhor na adoração eucarística, «lugar» privilegiado do encontro com Deus.

É esta amizade íntima com o Senhor que desejo vivamente encorajar, sobretudo para implorar do Alto novas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. O povo de Deus precisa de ser guiado por pastores que gastam a sua vida ao serviço do Evangelho. Por isso, peço às comunidades paroquiais, às associações e aos numerosos grupos de oração presentes na Igreja: sem ceder à tentação do desânimo, continuai a pedir ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho, capazes de se aproximar dos irmãos, tornando-se assim sinal vivo do amor misericordioso de Deus.

Amados irmãos e irmãs, é possível ainda hoje voltar a encontrar o ardor do anúncio e propor, sobretudo aos jovens, o seguimento de Cristo. Face à generalizada sensação duma fé cansada ou reduzida a meros «deveres a cumprir», os nossos jovens têm o desejo de descobrir o fascínio sempre atual da figura de Jesus, de deixar-se interpelar e provocar pelas suas palavras e gestos e, enfim, sonhar – graças a Ele – com uma vida plenamente humana, feliz de gastar-se no amor.

Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d’Ele. Que a sua intercessão nos obtenha a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de nos pormos a caminho, como Ela (cf. Lc 1, 39), para O anunciar ao mundo inteiro.

Cidade do Vaticano, 27 de novembro – I Domingo do Advento – de 2016.

[Franciscus]


Carta Apostólica do Papa Francisco “Misericordia et misera” após o fim do Jubileu

VATICANO, 21.Nov.2016 / 08:30 am (ACI).- O Vaticano divulgou a carta do Papa Francisco “Misericordia et misera”, mediante a qual quer recordar que a misericórdia é uma das atitudes próprias do cristão e convida a vivê-la tão intensamente quanto durante o Jubileu.

“A misericórdia não se pode reduzir a um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua própria existência, que torna visível e palpável a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai”, disse o Pontífice.

A seguir, o texto completo da carta:

FRANCISCO a quantos lerem esta Carta Apostólica misericórdia e paz!

MISERICÓRDIA E MÍSERA (misericordia et misera) são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera (cf. Jo 8, 1-11). Não podia encontrar expressão mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender o mistério do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador: «Ficaram apenas eles dois: a mísera e a misericórdia». Quanta piedade e justiça divina nesta narração! O seu ensinamento, ao mesmo tempo que ilumina a conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, indica o caminho que somos chamados a percorrer no futuro.

1. Esta página do Evangelho pode, com justa razão, ser considerada como ícone de tudo o que celebramos no Ano Santo, um tempo rico em misericórdia, a qual pede para continuar a ser celebrada e vivida nas nossas comunidades. Com efeito, a misericórdia não se pode reduzir a um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua própria existência, que torna visível e palpável a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai.

Encontraram-se uma mulher e Jesus: ela, adúltera e – segundo a Lei – julgada passível de lapidação; Ele que, com a sua pregação e o dom total de Si mesmo que O levará até à cruz, reconduziu a lei mosaica ao seu intento originário genuíno. No centro, não temos a lei e a justiça legal, mas o amor de Deus, que sabe ler no coração de cada pessoa incluindo o seu desejo mais oculto e que deve ter a primazia sobre tudo. Entretanto, nesta narração evangélica, não se encontram o pecado e o juízo em abstrato, mas uma pecadora e o Salvador. Jesus fixou nos olhos aquela mulher e leu no seu coração: lá encontrou o desejo de ser compreendida, perdoada e libertada. A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor. Da parte de Jesus, nenhum juízo que não estivesse repassado de piedade e compaixão pela condição da pecadora. A quem pretendia julgá-la e condená-la à morte, Jesus responde com um longo silêncio, cujo intuito é deixar emergir a voz de Deus tanto na consciência da mulher como nas dos seus acusadores. Estes deixam cair as pedras das mãos e vão-se embora um a um (cf. Jo 8, 9). E, depois daquele silêncio, Jesus diz: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? (...) Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar» (8, 10.11). Desta forma, ajuda-a a olhar para o futuro com esperança, pronta a recomeçar a sua vida; a partir de agora, se quiser, poderá «proceder no amor» (Ef 5, 2). Depois que se revestiu da misericórdia, embora permaneça a condição de fraqueza por causa do pecado, tal condição é dominada pelo amor que consente de olhar mais além e viver de maneira diferente.

2. Aliás Jesus ensinara-o claramente quando, em casa dum fariseu que O convidara para almoçar, se aproximou d’Ele uma mulher conhecida por todos como pecadora (cf. Lc 7, 36-50). Esta ungira com perfume os pés de Jesus, banhara-os com as suas lágrimas e enxugara-os com os seus cabelos (cf. 7, 37-38). À reação escandalizada do fariseu, Jesus retorquiu: «São perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa, pouco ama» (7, 47).

O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que possa ser subtraída a este imperativo do amor que chega até ao perdão. Até nos últimos momentos da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34).

Nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço do seu perdão. É por este motivo que nenhum de nós pode pôr condições à misericórdia; esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste, um amor incondicional e não merecido. Por isso, não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa.

A misericórdia é esta ação concreta do amor que, perdoando, transforma e muda a vida. É assim que se manifesta o seu mistério divino. Deus é misericordioso (cf. Ex 34, 6), a sua misericórdia é eterna (cf. Sal 136/135), de geração em geração abraça cada pessoa que confia n’Ele e transforma-a, dando-lhe a sua própria vida.

3. Quanta alegria brotou no coração destas duas mulheres: a adúltera e a pecadora! O perdão fê-las sentirem-se, finalmente, livres e felizes como nunca antes. As lágrimas da vergonha e do sofrimento transformaram-se no sorriso de quem sabe que é amado. A misericórdia suscita alegria, porque o coração se abre à esperança duma vida nova. A alegria do perdão é indescritível, mas transparece em nós sempre que a experimentamos. Na sua origem, está o amor com que Deus vem ao nosso encontro, rompendo o círculo de egoísmo que nos envolve, para fazer também de nós instrumentos de misericórdia.

Como são significativas, também para nós, estas palavras antigas que guiavam os primeiros cristãos: «Reveste-te de alegria, que é sempre agradável a Deus e por Ele bem acolhida. Todo o homem alegre trabalha bem, pensa bem e despreza a tristeza. (...) Viverão em Deus todas as pessoas que afastam a tristeza e se revestem de toda a alegria». Experimentar a misericórdia dá alegria; não no-la deixemos roubar pelas várias aflições e preocupações. Que ela permaneça bem enraizada no nosso coração e sempre nos faça olhar com serenidade a vida do dia a dia.

Numa cultura frequentemente dominada pela tecnologia, parecem multiplicar-se as formas de tristeza e solidão em que caem as pessoas, incluindo muitos jovens. Com efeito, o futuro parece estar refém da incerteza, que não permite ter estabilidade. É assim que muitas vezes surgem sentimentos de melancolia, tristeza e tédio, que podem, pouco a pouco, levar ao desespero. Há necessidade de testemunhas de esperança e de alegria verdadeira, para expulsar as quimeras que prometem uma felicidade fácil com paraísos artificiais. O vazio profundo de tanta gente pode ser preenchido pela esperança que trazemos no coração e pela alegria que brota dela. Há tanta necessidade de reconhecer a alegria que se revela no coração tocado pela misericórdia! Por isso guardemos como um tesouro estas palavras do Apóstolo: «Alegrai-vos sempre no Senhor!» (Flp 4, 4; cf. 1 Ts 5, 16).

4. Celebramos um Ano intenso, durante o qual nos foi concedida, em abundância, a graça da misericórdia. Como um vento impetuoso e salutar, a bondade e a misericórdia do Senhor derramaram-se sobre o mundo inteiro. E perante este olhar amoroso de Deus, que se fixou de maneira tão prolongada sobre cada um de nós, não se pode ficar indiferente, porque muda a vida.

Antes de mais nada, sentimos necessidade de agradecer ao Senhor, dizendo-Lhe: «Vós abençoastes a vossa terra (…). Perdoastes as culpas do vosso povo» (Sal 85/84, 2.3). Foi mesmo assim: Deus esmagou as nossas culpas e lançou ao fundo do mar os nossos pecados (cf. Miq 7, 19); já não Se lembra deles, lançou-os para trás de Si (cf. Is 38, 17); como o Oriente está afastado do Ocidente, assim os nossos pecados estão longe d’Ele (cf. Sal 103/102, 12).

Neste Ano Santo, a Igreja pôde colocar-se à escuta e experimentou com grande intensidade a presença e proximidade do Pai, que, por obra do Espírito Santo, lhe tornou mais evidente o dom e o mandato de Jesus Cristo relativo ao perdão. Foi realmente uma nova visita do Senhor ao meio de nós. Sentimos o seu sopro vital efundir-se sobre a Igreja, enquanto, mais uma vez, as suas palavras indicavam a missão: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos» (Jo 20, 22-23).


5. Agora, concluído este Jubileu, é tempo de olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina. As nossas comunidades serão capazes de permanecer vivas e dinâmicas na obra da nova evangelização na medida em que a «conversão pastoral», que estamos chamados a viver, for plasmada dia após dia pela força renovadora da misericórdia. Não limitemos a sua ação; não entristeçamos o Espírito que indica sempre novas sendas a percorrer para levar a todos o Evangelho da salvação.

Em primeiro lugar, somos chamados a celebrar a misericórdia. Quanta riqueza está presente na oração da Igreja, quando invoca a Deus como Pai misericordioso! Na liturgia, não só se evoca repetidamente a misericórdia, mas é realmente recebida e vivida. Desde o início até ao fim da Celebração Eucarística, a misericórdia reaparece várias vezes no diálogo entre a assembleia orante e o coração do Pai, que rejubila quando pode derramar o seu amor misericordioso. Logo na altura do pedido inicial de perdão com a invocação «Senhor, tende piedade de nós», somos tranquilizados: «Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna». É com esta confiança que a comunidade se reúne na presença do Senhor, especialmente no dia semanal que recorda a ressurreição. Muitas orações ditas «coletas» procuram recordar-nos o grande dom da misericórdia. No tempo da Quaresma, por exemplo, rezamos com estas palavras: «Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia». Mais adiante, somos introduzidos na Oração Eucarística pelo Prefácio que proclama: «Na vossa infinita misericórdia, de tal modo amastes o mundo que nos enviastes Jesus Cristo, nosso Salvador, em tudo semelhante ao homem, menos no pecado». Aliás a própria Oração IV é um hino à misericórdia de Deus: «Na vossa misericórdia, a todos socorrestes, para que todos aqueles que Vos procuram Vos encontrem». «Tende misericórdia de nós, Senhor»: é a súplica premente que o sacerdote faz na Oração Eucarística para implorar a participação na vida eterna. Depois do Pai-Nosso, o sacerdote prolonga a oração invocando a paz e a libertação do pecado, «ajudados pela vossa misericórdia» e, antes da saudação da paz que os participantes trocam entre si como expressão de fraternidade e amor mútuo à luz do perdão recebido, o celebrante reza de novo: «Não olheis aos nossos pecados, mas à fé da vossa Igreja». Através destas palavras, pedimos com humilde confiança o dom da unidade e da paz para a Santa Mãe Igreja. Assim a celebração da misericórdia divina culmina no Sacrifício Eucarístico, memorial do mistério pascal de Cristo, do qual brota a salvação para todo o ser humano, a história e o mundo inteiro. Em suma, cada momento da Celebração Eucarística faz referimento à misericórdia de Deus.

Mas, em toda a vida sacramental, é-nos dada com abundância a misericórdia. Realmente é significativo que a Igreja tenha querido fazer explicitamente apelo à misericórdia na fórmula dos dois sacramentos chamados «de cura»: a Reconciliação e a Unção dos Enfermos. Assim reza a fórmula da absolvição: «Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e infundiu o Espírito para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz»; e ao ungir a pessoa doente: «Por esta santa Unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo». Deste modo, a referência à misericórdia na oração da Igreja, longe de ser apenas parenética, é altamente realizadora, ou seja, enquanto a invocamos com fé, é-nos concedida; enquanto a confessamos viva e real, efetivamente transforma-nos. Este é um conteúdo fundamental da nossa fé, que devemos conservar em toda a sua originalidade: ainda antes e acima da revelação do pecado, temos a revelação do amor com que Deus criou o mundo e os seres humanos. O amor é o primeiro ato com que Deus Se deu a conhecer e vem ao nosso encontro. Por isso mantenhamos o coração aberto à confiança de ser amados por Deus. O seu amor sempre nos precede, acompanha e permanece conosco, não obstante o nosso pecado.

6. Neste contexto, assume significado particular também a escuta da Palavra de Deus. Cada domingo, a Palavra de Deus é proclamada na comunidade cristã, para que o Dia do Senhor seja iluminado pela luz que dimana do mistério pascal. Na Celebração Eucarística, é como se assistíssemos a um verdadeiro diálogo entre Deus e o seu povo. Com efeito, na proclamação das Leituras bíblicas, repassa-se a história da nossa salvação através da obra incessante de misericórdia que é anunciada. Deus fala-nos ainda hoje como a amigos, «convive» conosco oferecendo-nos a sua companhia e mostrando-nos a senda da vida. A sua Palavra faz-se intérprete dos nossos pedidos e preocupações e, simultaneamente, resposta fecunda para podermos experimentar concretamente a sua proximidade. Quão grande importância adquire a homilia, onde «a verdade anda de mãos dadas com a beleza e o bem», para fazer vibrar o coração dos crentes perante a grandeza da misericórdia! Recomendo vivamente a preparação da homilia e o cuidado na sua proclamação. Será tanto mais frutuosa quanto mais o sacerdote tiver experimentado em si mesmo a bondade misericordiosa do Senhor. Comunicar a certeza de que Deus nos ama não é um exercício de retórica, mas condição de credibilidade do próprio sacerdócio. Por conseguinte, viver a misericórdia é a via mestra para fazê-la tornar-se um verdadeiro anúncio de consolação e conversão na vida pastoral. A homilia, como também a catequese, precisam de ser sempre sustentadas por este coração pulsante da vida cristã.

7. A Bíblia é a grande narração que relata as maravilhas da misericórdia de Deus. Nela, cada página está imbuída do amor do Pai, que, desde a criação, quis imprimir no universo os sinais de seu amor. O Espírito Santo, através das palavras dos profetas e dos escritos sapienciais, moldou a história de Israel no reconhecimento da ternura e proximidade de Deus, não obstante a infidelidade do povo. A vida de Jesus e a sua pregação marcam, de forma determinante, a história da comunidade cristã, que compreendeu a sua missão com base no mandato que Cristo lhe confiou de ser instrumento permanente da sua misericórdia e do seu perdão (cf. Jo 20, 23). Através da Sagrada Escritura, mantida viva pela fé da Igreja, o Senhor continua a falar à sua Esposa, indicando-lhe as sendas a percorrer para que o Evangelho da salvação chegue a todos. É meu vivo desejo que a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida, para que se possa, através dela, compreender melhor o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia. Claramente no-lo recorda o Apóstolo: «Toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça» (2 Tm 3, 16).

Seria conveniente que cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Litúrgico, renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo. Não há de faltar a criatividade para enriquecer o momento com iniciativas que estimulem os crentes a ser instrumentos vivos de transmissão da Palavra. Entre tais iniciativas, conta-se certamente uma difusão mais ampla da lectio divina, para que, através da leitura orante do texto sagrado, a vida espiritual encontre apoio e crescimento. A lectio divina sobre os temas da misericórdia consentirá de verificar a grande fecundidade que deriva do texto sagrado, lido à luz de toda a tradição espiritual da Igreja, que leva necessariamente a gestos e obras concretas de caridade.

8. A celebração da misericórdia tem lugar, duma forma muito particular, no sacramento da Reconciliação. Este é o momento em que sentimos o abraço do Pai, que vem ao nosso encontro para nos restituir a graça de voltarmos a ser seus filhos. Nós somos pecadores e carregamos conosco o peso da contradição entre o que quereríamos fazer e aquilo que, ao invés, acabamos concretamente por fazer (cf. Rm 7, 14-21); mas a graça sempre nos precede e assume o rosto da misericórdia que se torna eficaz na reconciliação e no perdão. Deus faz-nos compreender o seu amor imenso precisamente à vista da nossa realidade de pecadores. A graça é mais forte, e supera qualquer possível resistência, porque o amor tudo vence (cf. 1 Cor 13, 7).

No sacramento do Perdão, Deus mostra o caminho da conversão a Ele e convida a experimentar de novo a sua proximidade. É um perdão que pode ser obtido, começando antes de mais nada a viver a caridade. Assim no-lo recorda o apóstolo Pedro, quando escreve que «o amor cobre a multidão dos pecados» (1 Ped 4, 8). Só Deus perdoa os pecados, mas também nos pede que estejamos prontos a perdoar aos outros, como Ele perdoa a nós: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 12). Como é triste quando ficamos fechados em nós mesmos, incapazes de perdoar! Prevalecem o ressentimento, a ira, a vingança, tornando a vida infeliz e frustrando o jubiloso compromisso pela misericórdia.

9. Uma experiência de graça que a Igreja viveu, com tanta eficácia, no Ano Jubilar foi, certamente, o serviço dos Missionários da Misericórdia. A sua ação pastoral pretendeu tornar evidente que Deus não põe qualquer barreira a quantos O procuram de coração arrependido, mas vai ao encontro de todos como um Pai. Recebi muitos testemunhos de alegria pelo renovado encontro com o Senhor no sacramento da Confissão. Não percamos a oportunidade de viver a fé, inclusive como experiência da reconciliação. «Reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20): é o convite que ainda hoje dirige o Apóstolo a cada crente para lhe fazer descobrir a força do amor que o torna uma «nova criação» (2 Cor 5, 17).

Quero expressar a minha gratidão a todos os Missionários da Misericórdia pelo valioso serviço oferecido para tornar eficaz a graça do perdão. Mas este ministério extraordinário não termina com o encerramento da Porta Santa. De facto desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo. Será responsabilidade do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização seguir, neste período, os Missionários da Misericórdia, como expressão direta da minha solicitude e proximidade e encontrar as formas mais coerentes para o exercício deste precioso ministério.

10. Aos sacerdotes, renovo o convite para se prepararem com grande cuidado para o ministério da Confissão, que é uma verdadeira missão sacerdotal. Agradeço-vos vivamente pelo vosso serviço e peço-vos para serdes acolhedores com todos, testemunhas da ternura paterna não obstante a gravidade do pecado, solícitos em ajudar a refletir sobre o mal cometido, claros ao apresentar os princípios morais, disponíveis para acompanhar os fiéis no caminho penitencial respeitando com paciência o seu passo, clarividentes no discernimento de cada um dos casos, generosos na concessão do perdão de Deus. Como Jesus, perante a adúltera, optou por permanecer em silêncio para a salvar da condenação à morte, assim também o sacerdote no confessionário seja magnânimo de coração, ciente de que cada penitente lhe recorda a sua própria condição pessoal: pecador mas ministro da misericórdia.

11. Gostaria que todos nós meditássemos as palavras do Apóstolo, escritas no final da sua vida, quando confessa a Timóteo ser o primeiro dos pecadores, mas «justamente por isso alcancei misericórdia» (1 Tm 1, 16). As suas palavras têm uma força que irrompe também em nós levando-nos a refletir sobre a nossa existência vendo em ação a misericórdia de Deus na mudança, conversão e transformação do nosso coração: «Dou graças Àquele que me conforta, Cristo Jesus Nosso Senhor, por me ter considerado digno de confiança, pondo-me ao seu serviço, a mim que antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia» (1 Tm 1, 12-13).

Por isso lembremos, com paixão pastoral sempre renovada, as palavras do Apóstolo: «Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18). Nós, primeiro, fomos perdoados, tendo em vista este ministério; tornamo-nos testemunhas em primeira mão da universalidade do perdão. Não há lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabraçar o filho que regressa a Ele reconhecendo que errou, mas decidido a começar de novo. Deter-se apenas na lei equivale a invalidar a fé e a misericórdia divina. Há um valor preparatório na lei (cf. Gal 3, 24), cujo fim é o amor (cf. 1 Tm 1, 5). Mas o cristão é chamado a viver a novidade do Evangelho, «a lei do Espírito que dá vida em Cristo Jesus» (Rm 8, 2). Mesmo nos casos mais complexos, onde se é tentado a fazer prevalecer uma justiça que deriva apenas das normas, deve-se crer na força que brota da graça divina.

Nós, confessores, temos experiência de muitas conversões que ocorrem diante dos nossos olhos. Sintamos, portanto, a responsabilidade de gestos e palavras que possam chegar ao fundo do coração do penitente, para que descubra a proximidade e a ternura do Pai que perdoa. Não invalidemos estes momentos com comportamentos que possam contradizer a experiência da misericórdia que se procura; mas, antes, ajudemos a iluminar o espaço da consciência pessoal com o amor infinito de Deus (cf. 1 Jo 3, 20).

O sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã; para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao serviço do «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18), de tal modo que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão.

Uma ocasião propícia pode ser a celebração da iniciativa 24 horas para o Senhor nas proximidades do IV domingo da Quaresma, que goza já de amplo consenso nas dioceses e continua a ser um forte apelo pastoral para viver intensamente o sacramento da Confissão.

12. Em virtude desta exigência, para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. Aquilo que eu concedera de forma limitada ao período jubilar fica agora alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário. Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação.

No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados. Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.

13. A misericórdia possui também o rosto da consolação. «Consolai, consolai o meu povo» (Is 40, 1): são as palavras sinceras que o profeta faz ouvir ainda hoje, para que possa chegar uma palavra de esperança a quantos estão no sofrimento e na aflição. Nunca deixemos que nos roubem a esperança que provém da fé no Senhor ressuscitado. É verdade que muitas vezes somos sujeitos a dura prova, mas não deve jamais esmorecer a certeza de que o Senhor nos ama. A sua misericórdia expressa-se também na proximidade, no carinho e no apoio que muitos irmãos e irmãs podem oferecer quando sobrevêm os dias da tristeza e da aflição. Enxugar as lágrimas é uma ação concreta que rompe o círculo de solidão onde muitas vezes se fica encerrado.

Todos precisamos de consolação, porque ninguém está imune do sofrimento, da tribulação e da incompreensão. Quanta dor pode causar uma palavra maldosa, fruto da inveja, do ciúme e da ira! Quanto sofrimento provoca a experiência da traição, da violência e do abandono! Quanta amargura perante a morte das pessoas queridas! E, todavia, Deus nunca está longe quando se vivem estes dramas. Uma palavra que anima, um abraço que te faz sentir compreendido, uma carícia que deixa perceber o amor, uma oração que permite ser mais forte... são todas expressões da proximidade de Deus através da consolação oferecida pelos irmãos.

Às vezes, poderá ser de grande ajuda também o silêncio; porque em certas ocasiões não há palavras para responder às perguntas de quem sofre. Mas, à falta da palavra, pode suprir a compaixão de quem está presente, próximo, ama e estende a mão. Não é verdade que o silêncio seja um ato de rendição; pelo contrário, é um momento de força e de amor. O próprio silêncio pertence à nossa linguagem de consolação, porque se transforma num gesto concreto de partilha e participação no sofrimento do irmão.

14. Num momento particular como o nosso que, entre muitas crises, regista também a da família, é importante fazer chegar uma palavra de força consoladora às nossas famílias. O dom do matrimónio é uma grande vocação, que se há de viver, com a graça de Cristo, no amor generoso, fiel e paciente. A beleza da família permanece inalterada, apesar de tantas sombras e propostas alternativas: «a alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja». A senda da vida que leva um homem e uma mulher a encontrarem-se, amarem-se e prometerem reciprocamente, diante de Deus, uma fidelidade para sempre, é muitas vezes interrompida pelo sofrimento, a traição e a solidão. A alegria pelo dom dos filhos não está imune das preocupações sentidas pelos pais com o seu crescimento e formação, com um futuro digno de ser vivido intensamente.

A graça do sacramento do Matrimónio não só fortalece a família, para que seja o lugar privilegiado onde se vive a misericórdia, mas também compromete a comunidade cristã e toda a atividade pastoral para pôr em realce o grande valor propositivo da família. Por isso, este Ano Jubilar não pode perder de vista a complexidade da realidade familiar atual. A experiência da misericórdia torna-nos capazes de encarar todas as dificuldades humanas com a atitude do amor de Deus, que não Se cansa de acolher e acompanhar.

Não podemos esquecer que cada um traz consigo a riqueza e o peso da sua própria história, que nos distingue de qualquer outra pessoa. A nossa vida, com as suas alegrias e os seus sofrimentos, é algo único e irrepetível que se desenrola sob o olhar misericordioso de Deus. Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus, participar ativamente na vida da comunidade e estar inserida naquele Povo de Deus que incansavelmente caminha para a plenitude do reino de Deus, reino de justiça, de amor, de perdão e de misericórdia.

15. Reveste-se de particular importância o momento da morte. A Igreja viveu sempre esta dramática passagem à luz da ressurreição de Jesus Cristo, que abriu a estrada para a certeza da vida futura. Temos aqui um grande desafio a abraçar, sobretudo na cultura contemporânea que, muitas vezes, tende a banalizar a morte até reduzi-la a simples ficção ou a ocultá-la. Ao contrário, a morte há de ser enfrentada e preparada como uma passagem que, embora dolorosa e inevitável, é cheia de sentido: o ato extremo de amor para com as pessoas que se deixam e para com Deus a cujo encontro se vai. Em todas as religiões, o momento da morte – como aliás o do nascimento – é acompanhado por uma presença religiosa. Nós vivemos a experiência das exéquias como uma oração cheia de esperança para a alma da pessoa falecida e para dar consolação àqueles que sofrem a separação da pessoa amada.

Estou convencido de que há necessidade, na pastoral animada por uma fé viva, de tornar palpável como os sinais litúrgicos e as nossas orações são expressão da misericórdia do Senhor. É Ele próprio que oferece palavras de esperança, porque nada nem ninguém poderá separar-nos jamais do seu amor (cf. Rm 8, 35.38-39). A partilha deste momento pelo sacerdote é um acompanhamento importante, porque lhe permite viver a proximidade à comunidade cristã no momento de fraqueza, solidão, incerteza e pranto.

16. Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração permanece sempre aberta de par em par. Aprendemos que Deus Se inclina sobre nós (cf. Os 11, 4), para que também nós possamos imitá-Lo inclinando-nos sobre os irmãos. A saudade que muitos sentem de regressar à casa do Pai, que aguarda a sua chegada, é suscitada também por testemunhas sinceras e generosas da ternura divina. A Porta Santa, que cruzamos neste Ano Jubilar, introduziu-nos no caminho da caridade, que somos chamados a percorrer todos os dias com fidelidade e alegria. É a estrada da misericórdia que torna possível encontrar tantos irmãos e irmãs que estendem a mão para que alguém a possa agarrar a fim de caminharem juntos.

Querer estar perto de Cristo exige fazer-se próximo dos irmãos, porque nada é mais agradável ao Pai do que um sinal concreto de misericórdia. Por sua própria natureza, a misericórdia torna-se visível e palpável numa ação concreta e dinâmica. Uma vez que se experimentou a misericórdia em toda a sua verdade, nunca mais se volta atrás: cresce continuamente e transforma a vida. É, na verdade, uma nova criação que faz um coração novo, capaz de amar plenamente, e purifica os olhos para reconhecerem as necessidades mais ocultas. Como são verdadeiras as palavras com que a Igreja reza na Vigília Pascal, depois da leitura da narração da criação: «Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo mais admirável o redimistes…»!

A misericórdia renova e redime, porque é o encontro de dois corações: o de Deus que vem ao encontro do coração do homem. Este inflama-se e o primeiro cura-o: o coração de pedra fica transformado em coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de amar, não obstante o seu pecado. Nisto se nota que somos verdadeiramente uma «nova criação» (Gal 6, 15): sou amado, logo existo; estou perdoado, por conseguinte renasço para uma vida nova; fui «misericordiado» e, consequentemente, feito instrumento da misericórdia.

17. Durante o Ano Santo, especialmente nas «sextas-feiras da misericórdia», pude verificar concretamente a grande quantidade de bem que existe no mundo. Com frequência, não é conhecido porque se realiza diariamente de forma discreta e silenciosa. Embora não façam notícia, existem muitos sinais concretos de bondade e ternura para com os mais humildes e indefesos, os que vivem mais sozinhos e abandonados. Há verdadeiros protagonistas da caridade, que não deixam faltar a solidariedade aos mais pobres e infelizes. Agradecemos ao Senhor por estes dons preciosos, que convidam a descobrir a alegria de aproximar-se da humanidade ferida. Com gratidão, penso nos inúmeros voluntários que diariamente dedicam o seu tempo a manifestar a presença e proximidade de Deus com a sua entrega. O seu serviço é uma genuína obra de misericórdia, que ajuda muitas pessoas a aproximar-se da Igreja.

18. É a hora de dar espaço à imaginação a propósito da misericórdia para dar vida a muitas obras novas, fruto da graça. A Igreja precisa de narrar hoje aqueles «muitos outros sinais» que Jesus realizou e que «não estão escritos» (Jo 20, 30), de modo que sejam expressão eloquente da fecundidade do amor de Cristo e da comunidade que vive d’Ele. Já se passaram mais de dois mil anos, e todavia as obras de misericórdia continuam a tornar visível a bondade de Deus.

Ainda hoje populações inteiras padecem a fome e a sede, sendo grande a preocupação suscitada pelas imagens de crianças que não têm nada para se alimentar. Multidões de pessoas continuam a emigrar dum país para outro à procura de alimento, trabalho, casa e paz. A doença, nas suas várias formas, é um motivo permanente de aflição que requer ajuda, consolação e apoio. Os estabelecimentos prisionais são lugares onde muitas vezes, à pena restritiva da liberdade, se juntam transtornos por vezes graves devido às condições desumanas de vida. O analfabetismo ainda é muito difuso, impedindo aos meninos e meninas de se formarem, expondo-os a novas formas de escravidão. A cultura do individualismo exacerbado, sobretudo no Ocidente, leva a perder o sentido de solidariedade e responsabilidade para com os outros. O próprio Deus continua a ser hoje um desconhecido para muitos; isto constitui a maior pobreza e o maior obstáculo para o reconhecimento da dignidade inviolável da vida humana.

Em suma, as obras de misericórdia corporal e espiritual constituem até aos nossos dias a verificação da grande e positiva incidência da misericórdia como valor social. Com efeito, esta impele a arregaçar as mangas para restituir dignidade a milhões de pessoas que são nossos irmãos e irmãs, chamados conosco a construir uma «cidade fiável».

19. Muitos sinais concretos de misericórdia foram realizados durante este Ano Santo. Comunidades, famílias e indivíduos crentes redescobriram a alegria da partilha e a beleza da solidariedade. Mas não basta. O mundo continua a gerar novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas. É por isso que a Igreja deve permanecer vigilante e pronta para individuar novas obras de misericórdia e implementá-las com generosidade e entusiasmo.

Assim, ponhamos todo o esforço em dar formas concretas à caridade e, ao mesmo tempo, entender melhor as obras de misericórdia. Com efeito, esta possui um efeito inclusivo pelo que tende a difundir-se como uma nódoa de azeite e não conhece limites. E, neste sentido, somos chamados a dar um novo rosto às obras de misericórdia que conhecemos desde sempre. De facto a misericórdia extravasa; vai sempre mais além, é fecunda. É como o fermento que faz levedar a massa (cf. Mt 13, 33), e como o grão de mostarda que se transforma numa árvore (cf. Lc 13, 19).

A título de exemplo, basta pensar na obra de misericórdia corporal vestir quem está nu (cf. Mt 25, 36.38.43.44). A mesma nos reconduz aos primórdios, ao jardim do Éden, quando Adão e Eva descobriram que estavam nus e, ouvindo aproximar-Se o Senhor, tiveram vergonha e esconderam-se (cf. Gn 3, 7-8). Sabemos que o Senhor castigou-os; no entanto, Ele «fez a Adão e à sua mulher túnicas de peles e vestiu-os» (Gn 3, 21). A vergonha é superada e a dignidade restituída.

Fixemos o olhar também em Jesus no Gólgota. Na cruz, o Filho de Deus está nu; a sua túnica foi sorteada e levada pelos soldados (cf. Jo 19, 23-24); Ele não tem mais nada. Na cruz, manifesta-se ao máximo a partilha de Jesus com as pessoas que perderam a dignidade, por terem sido privadas do necessário. Assim como a Igreja é chamada a ser a «túnica de Cristo» para revestir o seu Senhor, assim também ela se comprometeu a tornar-se solidária com os nus da terra a fim de recuperarem a dignidade de que foram despojados. Assim as palavras de Jesus – «estava nu e destes-me que vestir» (Mt 25, 36) – obrigam-nos a não desviar o olhar das novas formas de pobreza e marginalização que impedem às pessoas de viverem com dignidade.

Não ter trabalho nem receber um salário justo, não poder ter uma casa ou uma terra onde habitar, ser discriminados pela fé, a raça, a posição social... estas e muitas outras são condições que atentam contra a dignidade da pessoa; frente a elas, a ação misericordiosa dos cristãos responde, antes de mais nada, com a vigilância e a solidariedade. Hoje são tantas as situações em que podemos restituir dignidade às pessoas, consentindo-lhes uma vida humana. Basta pensar em tantos meninos e meninas que sofrem violências de vários tipos, que lhes roubam a alegria da vida. Os seus rostos tristes e desorientados permanecem impressos na minha mente; pedem a nossa ajuda para serem libertados da escravidão do mundo contemporâneo. Estas crianças são os jovens de amanhã; como estamos a prepará-las para viverem com dignidade e responsabilidade? Com que esperança podem elas enfrentar o seu presente e o seu futuro?

O caráter social da misericórdia exige que não permaneçamos inertes mas afugentemos a indiferença e a hipocrisia para que os planos e os projetos não fiquem letra morta. Que o Espírito Santo nos ajude a estar sempre prontos a prestar de forma efetiva e desinteressada a nossa contribuição, para que a justiça e uma vida digna não permaneçam meras palavras de circunstância, mas sejam o compromisso concreto de quem pretende testemunhar a presença do Reino de Deus.

20. Somos chamados a fazer crescer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos. As obras de misericórdia são «artesanais»: nenhuma delas é cópia da outra; as nossas mãos podem moldá-las de mil modos e, embora seja único o Deus que as inspira e única a «matéria» de que são feitas, ou seja, a própria misericórdia, cada uma adquire uma forma distinta.

Com efeito, as obras de misericórdia, tocam toda a vida duma pessoa. Por isso, temos possibilidade de criar uma verdadeira revolução cultural precisamente a partir da simplicidade de gestos que podem alcançar o corpo e o espírito, isto é, a vida das pessoas. É um compromisso que a comunidade cristã pode assumir, na certeza de que a Palavra do Senhor não cessa de a chamar para sair da indiferença e do individualismo em que somos tentados a fechar-nos levando uma existência cómoda e sem problemas. «Os pobres, sempre os tendes convosco» (Jo 12, 8): disse Jesus aos seus discípulos. Não há desculpa que possa justificar a incúria, quando sabemos que Ele Se identificou com cada um deles.

A cultura da misericórdia forma-se na oração assídua, na abertura dócil à ação do Espírito, na familiaridade com a vida dos Santos e na solidariedade concreta para com os pobres. É um convite premente para não se equivocar onde é determinante comprometer-se. A tentação de se limitar a fazer a «teoria da misericórdia» é superada na medida em que esta se faz vida diária de participação e partilha. Aliás, nunca devemos esquecer as palavras com que o apóstolo Paulo – ao contar o encontro depois da sua conversão com Pedro, Tiago e João – põe em realce um aspeto essencial da sua missão e de toda a vida cristã: «Só nos disseram que nos devíamos lembrar dos pobres – o que procurei fazer com o maior empenho» (Gal 2, 10). Não podemos esquecer-nos dos pobres: trata-se dum convite hoje mais atual do que nunca, que se impõe pela sua evidência evangélica.

21. Que a experiência do Jubileu imprima em nós estas palavras do apóstolo Pedro: outrora «não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia» (1 Ped 2, 10). Não guardemos ciosamente só para nós tudo o que recebemos; saibamos partilhá-lo com os irmãos atribulados, para que sejam sustentados pela força da misericórdia do Pai. As nossas comunidades abram-se para alcançar a todas as pessoas que vivem no seu território, para que chegue a todas a carícia de Deus através do testemunho dos crentes.

Este é o tempo da misericórdia. Cada dia da nossa caminhada é marcado pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força da graça que o Espírito infunde no coração para o plasmar e torná-lo capaz de amar. É o tempo da misericórdia para todos e cada um, para que ninguém possa pensar que é alheio à proximidade de Deus e à força da sua ternura. É o tempo da misericórdia para que quantos se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos possam individuar a presença de irmãos e irmãs que os sustentam nas suas necessidades. É o tempo da misericórdia para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso mas atento daqueles que, vencida a indiferença, descobrem o essencial da vida. É o tempo da misericórdia para que cada pecador não se canse de pedir perdão e sentir a mão do Pai, que sempre acolhe e abraça.

À luz do «Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente», celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21). Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11, 5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia.

22. Sobre nós permanecem pousados os olhos misericordiosos da Santa Mãe de Deus. Ela é a primeira que abre a procissão e nos acompanha no testemunho do amor. A Mãe da Misericórdia reúne a todos sob a proteção do seu manto, como A quis frequentemente representar a arte. Confiemos na sua ajuda materna e sigamos a indicação perene que nos dá de olhar para Jesus, rosto radiante da misericórdia de Deus.

Dado em Roma, junto de São Pedro, em 20 de novembro – Solenidade de Cristo Rei – do Ano do Senhor de 2016, quarto do meu pontificado.


No Advento, ampliar os horizontes e estar prontos para mudar

Cidade do Vaticano (RV) – O início do tempo do Advento foi o tema da reflexão do Papa Francisco neste domingo, 27 de novembro de 2016. “Um novo caminho de fé em que o povo de Deus vai ao seu encontro e Ele vem até nós”, como definiu o Pontífice.

As contínuas vindas do Senhor

O Evangelho de Mateus explica que depois da primeira visita do Senhor à humanidade, com o nascimento de Jesus na gruta de Belém; a segunda acontece no presente. Dirigindo-se aos fiéis, turistas e romanos presentes na Praça São Pedro, o Papa disse que “o Senhor nos visita continuamente, todo dia, caminha ao nosso lado, é uma presença de consolação”.

Mateus, narrando o dilúvio, ressalta o contraste entre a rotina cotidiana e a vinda repentina do Senhor. Ficai atentos e preparados! É sempre surpreente pensar nas horas que precedem uma grande calamidade: fazemos as coisas de sempre sem perceber que nossa vida está para se transformar.

“O Evangelho certamente não quer nos amedrontar, mas abrir o nosso horizonte para a dimensão ulterior, maior, que por um lado relativiza as coisas do cotidiano, mas, ao mesmo tempo as torna preciosas e decisivas”, acrescentou.

Não deixar-se dominar pelas coisas do mundo

“A partir desta perspectiva, surge também um convite à sobriedade, a não nos deixarmos dominar pelas coisas deste mundo, pelas realidades materiais, mas sim a governá-las. Quando, ao contrário, nos deixamos condicionar e dominar por elas, não conseguimos perceber que há algo muito mais importante: o nosso encontro com o Senhor que vem para nós. É um convite à vigilância, porque não sabendo quando Ele virá, é preciso estar sempre prontos para partir”.

“A página do Evangelho nos conduz a um dos temas mais sugestivos do Advento: a visita do Senhor à humanidade”, reconheceu.

“A primeira visita ocorreu com a encarnação, o nascimento de Jesus na gruta de Belém; a segunda acontece no presente, o Senhor nos visita continuamente, todo dia, caminha ao nosso lado e é uma presença de consolação; e em fim haverá ainda uma terceira e última vinda, que nós professamos todas as vezes que rezamos o Credo, ‘De novo Ele virá na glória para julgar os vivos e os mortos’”.

Finalizando, Francisco recomendou: 

“Neste tempo de Advento, somos chamados a ampliar o horizonte de nosso coração, a deixarmo-nos surpreender pela vida que apresenta a cada dia suas novidades. Para isso, é preciso aprender a não depender de nossas seguranças, de nossos esquemas demarcados, porque o Senhor vem na hora que não imaginamos. Vem para nos conduzir a uma dimensão mais bonita e maior”.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco referiu-se ao furacão que atingiu a Costa Rica e a Nicarágua e neste último país também um forte cisma. Francisco recordou também as inundações no Norte de Itália.

O Papa fez uma saudação especial aos peregrinos vindos do Líbano, do Egito, da Eslováquia, da Alemanha e ainda para comunidade equatoriana de Roma.

Francisco pediu para rezarem por ele e a todos desejou um bom domingo e um bom almoço.


Também na manhã deste domingo o Papa deixou uma mensagem em seu Twitter, como de costume:

27/11/2016
Com o Advento todos nós nos colocamos em caminho, através do tempo, em direção a Jesus, ao seu Reino de justiça e de paz.
26/11/2016
Concluído o Jubileu, é tempo de olhar adiante continuando a viver, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a riqueza da misericórdia divina.


Papa: condenação eterna não é uma sala de tortura mas distanciamento de Deus

Cidade do Vaticano (RV) - Jamais dialogar com o diabo, com o sedutor e o impostor, que afasta de Deus, fonte da felicidade. Foi o que disse o Papa na missa da manhã de sexta-feira, 25/11/2016, na Casa S. Marta, convidando-nos a aproximar-se do último encontro com o Senhor, no dia do Juízo, com o coração humilde.

Nestes dois últimos dias do ano litúrgico, a Igreja completa a reflexão sobre o fim do mundo e o Papa fala disso, lembrando a primeira carta do Apocalipse de João. Como será o juízo universal, questiona, e o encontro final com Jesus?

Diabo, sedutor que arruina a vida. Jamais dialogar com ele

A primeira imagem do Apóstolo é o juízo do “dragão, a antiga serpente, que é o diabo” e que o anjo descido do céu joga do Abismo, acorrentado para que “não pudesse mais seduzir as nações: porque ele é um sedutor”, destaca Francisco.

“Ele é um mentiroso, ou mais: é o pai da mentira, gera mentiras, é um impostor. Leva a crer que se comes a maçã, serás como Deus. Ele a vende assim e tu a compras; no fim, ele te engana, arruína tua vida. ‘Mas padre, o que podemos fazer para não nos deixarmos enganar pelo diabo? Com o diabo não se dialoga. O que Jesus fez com o diabo? Jesus o expulsava, lhe perguntava seu nome, mas não conversava”.

Também no deserto, acrescenta o Papa, Jesus nunca usou a palavra própria porque sabia bem do perigo. “Nas três respostas que deu ao diabo, se defendeu com a Palavra de Deus, a Palavra da Bíblia”. Jamais dialogar com este ‘mentiroso’, ‘impostor’, aquele que quer a ‘nossa ruína’ e que por isso, ‘será jogado no Abismo’.

Na página do Apocalipse, comparecem então as almas dos mártires, os ‘humildes’, observa o Papa, aqueles que testemunharam Jesus Cristo e não adoraram o diabo e seus seguidores: o ‘dinheiro, a mundanidade e a vaidade’, dando a vida por isso.

Condenação é estar distante de Deus, não sala de tortura

O Senhor julgará grandes e pequenos pelas suas obras, lê-se ainda no Apocalipse, e os condenados serão lançados no "lago de fogo". É sobre esta "segunda morte" que Francisco se detém:

“A condenação eterna não é uma sala de tortura, ela é uma descrição dessa segunda morte: é uma morte. E aqueles que não serão recebidos no reino de Deus é porque eles não se aproximaram do Senhor. São aqueles que sempre seguiram pelo seu caminho, afastando-se do Senhor e passando diante do Senhor e se distanciaram sozinhos. É a condenação eterna, é o distanciar-se constantemente de Deus. É a maior dor, um coração insatisfeito, um coração que foi feito para encontrar a Deus, mas por orgulho, por ter a certeza de si mesmo, se afasta de Deus”.

A distância para sempre de "Deus que dá a felicidade", do "Deus que nos ama tanto", este é o "fogo", reafirma o Papa, é "o caminho da condenação eterna." Mas a última imagem do Apocalipse abre à esperança e também Francisco o faz.

Abrir o coração para Jesus com humildade, dá a salvação

Se "abrimos os nossos corações", como Jesus nos pede, teremos "a alegria e a salvação", "céu e terra novos", dos quais se fala na primeira leitura. "Basta somente uma palavra," destaca ainda o Papa: "Senhor" e "Ele faz o resto." Portanto, deixar-se "acariciar" e "perdoar" por Jesus, sem orgulho, é o convite final:

A esperança que abre os corações para o encontro com Jesus Isto nos espera: O encontro com Jesus. É bonito, é muito bonito! Ele só nos pede para sermos humildes e dizer, 'Senhor'. Basta somente aquela palavra e Ele faz o resto. "


O flagelo dos narcóticos na globalização da indiferença

Cidade do Vaticano – O Papa Francisco recebeu, quinta-feira, dia 24 de Novembro de 2016, às 12 horas de Roma, em audiência no Vaticano, na Casina Pio IV, os cerca de 60 participantes ao simpósio sobre “ os desafios e soluções para o problema dos narcóticos a nível global”, promovido pela Pontifícia Academia das Ciências.

No seu breve discurso pronunciado em língua espanhola, o Papa Francisco iniciou por sublinhar aos presentes que “ a droga é uma chaga da nossa sociedade” e que os drogados são “pessoas que perderam a sua liberdade em troca da escravidão de uma dependência química”. Esta dependência, é certamente, disse o Santo Padre, “uma nova forma de escravidão” entre tantas outras que afligem as sociedades modernas e contemporâneas.

<<É evidente que não há uma única causa que leva a dependência da droga, mas sim são muitos os factores que intervêm, entre eles: a ausência de família, a pressão social, a propaganda dos traficantes, o desejo de viver novas experiências etc. Cada pessoa dependente da droga traz porém consigo uma história pessoal, distinta, que deve ser escutada, compreendida, amada e quanto possível curada e purificada. Não podemos cair na injustiça de classificar-lhes como se fossem objectos inúteis, mas sim cada um deve ser valorizado e apreciado na sua dignidade para poder ser curado. É a dignidade humana que vamos encontrar neles. Eles continuam preservando, mais do que nunca, uma dignidade enquanto pessoas e filhos de Deus>>.

As circunstâncias do nosso mundo actual fazem com que, sublinha Francisco, não seja de estranhar que haja tanta gente a cair na desgraça da dependência da droga, já que a mundanidade hodierna oferece amplas possibilidades de alcançar e gozar de uma felicidade efímera que no fim se torna num veneno que corrompe e mata. A pessoa vai deste modo, destruindo-se e com ela também todos aqueles que estão ao redor. O desejo inicial da fuga, procurando uma felicidade momentânea se transforma posteriormente numa devastação da pessoa na sua integridade e repercute em todas as camadas sociais.

Neste sentido, observa o Pontífice, é importante conhecer a amplidão do problema da droga e sobretudo a vastidão dos seus centros de produção e sistema de distribuição. Bem sabemos, prosseguiu o Papa, que ela representa uma parte importante do crime organizado, mas seria porém necessário identificar a maneira de controlar os circuitos da corrupção e as formas de bloquear a circulação do dinheiro. E para isso, vincou Francisco, não há outro caminho a seguir senão o da cadeia que vai desde o comércio da droga em pequena escala até às formas mais sofisticadas de trabalho, assim como no capital financeiro e nos bancos que se dedicam ao branqueamento do dinheiro sujo.

<<É certo que para bloquear o pedido de consumo de droga é necessário realizar grandes esforços e implementar amplos programas sociais, orientados a saúde, ao apoio familiar e sobretudo à educação, que considero fundamental; a formação humana integral é a prioridade; ela dá a pessoa a possibilidade de ter instrumentos de discernimento, com os quais pode avaliar as diferentes ofertas que lhe são feitas e ser capaz de ajudar também os outros>>.

Finalmente, sublinhou Francisco, se bem que a prevenção seja o caminho prioritário, é fundamental também trabalhar para se chegar a plena e segura reabilitação das vítimas da droga na sociedade, por forma a devolver-lhes a alegria e para que possam voltar a recuperar a dignidade que perderam. Neste sentido para o Pontífice é importante ter sempre presente que “ o mais necessitado dos nossos irmãos, que aparentemente não tem nada para dar, leva sempre consigo um tesouro para todos nós: o rosto de Deus que nos fala e nos interpela”. E Francisco fez então os votos à todos os presentes, para que consigam, com o seu trabalho, concretizar, dentro dos limites das suas possibilidades, as felizes iniciativas que propuseram realizar em prol daqueles que sofrem mais.


Papa: corrupção é uma forma de blasfêmia

Cidade do Vaticano (RV) – A corrupção é uma forma de blasfêmia, a linguagem de Babilônia para a qual “Deus não existe”, mas somente o “deus dinheiro, o deus bem-estar, o deus exploração”. Foi o que destacou o Papa na homilia da missa celebrada na manhã de quinta-feira (24/11/2016) na capela da Casa Santa Marta.

Francisco recordou que nesta última semana do Ano litúrgico, a Igreja nos faz refletir sobre o fim do mundo e sobre o nosso fim. Comentando a Leitura do Apocalipse, o Pontífice fala de três vozes. A primeira é o grito do Anjo: “Caiu Babilônia”, a grande cidade, “a que semeava a corrupção no coração das pessoas” e que “leva todos nós no caminho da corrupção”. E o papa explicou concretamente que a corrupção é o modo de viver na blasfêmia, a corrupção é uma forma de blasfêmia, a linguagem desta Babilônia, desta mundanidade, é a blasfêmia, Deus não está: está o deus dinheiro, o deus bem-estar, o deus exploração...”

A mundanidade ruirá

Mas esta mundanidade que seduz os grandes da terra ruirá:

“Mas esta cairá, esta civilização cairá e o grito do Anjo é um grito de vitória: ‘Caiu’, caiu esta que enganava com as suas seduções. Este é o império da vaidade, do orgulho, cairá, assim como Satanás cairá."

Pecador, mas não corrupto

Contrariamente ao grito do Anjo, que era um grito de vitória pela queda “desta civilização corrupta”, há uma outra voz poderosa, ressalta Francisco, o grito da multidão, que louva a Deus: “Salvação, glória e poder pertencem ao nosso Deus”:

É a voz poderosa “da adoração, da adoração do povo de Deus que se salva”, e também do povo em caminho, que ainda está sobre a terra. O povo de Deus pecador, mas não corrupto: pecador que sabe como pedir perdão, pecador que busca a salvação em Jesus Cristo.

Este povo se alegra quando vê o fim e a alegria da vitória se transforma em adoração. Não se pode permanecer somente com o primeiro grito do Anjo, se não há "esta voz poderosa da adoração de Deus". Mas para os cristãos “não é fácil adorar”, observa o Papa: “nós somos bons quando rezamos pedindo alguma coisa”, mas a oração de louvor “não é fácil fazê-la”. Mas é preciso aprendê-la, “devemos aprendê-la agora para não aprendê-la com pressa quando chegaremos lá, adverte Francisco, que enfatiza a beleza da oração de adoração diante do tabernáculo. Uma oração que diz apenas: “Vós sois Deus. Eu sou um pobre filho amado por Vós”.

Deus nos fala com um fio de silêncio sonoro

Por fim, a terceira voz é um sussurro. O Anjo que diz escrever: “Bem-aventurados os convidados à ceia do cordeiro!”. O convite do Senhor, de fato, não é um grito, mas “uma voz suave”. Do mesmo modo quando Deus fala a Elias. Francisco destacou a beleza deste falar ao coração com esta voz suave. “A voz de Deus – disse o Papa – quando fala ao coração é assim: como um fio de silêncio sonoro”.

E este convite às “núpcias do cordeiro” será o fim, “a nossa salvação”, disse Francisco. Os que entraram na ceia, segundo a parábola de Jesus, são aqueles que estavam nas encruzilhadas dos caminhos, “bons e maus, cegos, surdos, mancos, todos nós pecadores, mas com a humildade suficiente para dizer: ‘Sou um pecador e Deus me salvará’”. “E se temos isso no coração, Ele nos convidará”, acrescentou o Papa, e ouviremos “esta voz sussurrada” que nos convida à ceia:

“E o Evangelho se conclui com esta voz:  Quando começarem a acontecer estas coisas, - ou seja, a destruição da soberba, da vaidade, tudo isso - reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação”, isto é, está sendo convidado para a ceia do cordeiro. O Senhor nos dê esta graça de aguardar esta voz, de nos preparar para ouvir esta voz: ‘Vem, vem, vem servo fiel –  pecador mas fiel –, vem, vem para a ceia do teu Senhor.


Papa Francisco em seus mais recentes tweets:

25/11/2016
Quantas mulheres suportam o peso da vida e o drama da violência! O Senhor as quer livres e com dignidade.
24/11/2016
Devemos sair de nós mesmos para encontrar o próximo. Se não o fazemos, também nós cristãos, ficaremos doentes de divisão.
23/11/2016
O Espírito Santo nos ajude a sermos pacientes no suportar, humildes e simples no aconselhar.
22/11/2016
Como desejo que os próximos anos sejam cheios de misericórdia, de modo que cada pessoa encontre a bondade e a ternura de Deus!
21/11/2016
Recordamos com gratidão as pessoas consagradas que nos mosteiros de clausura rezam pela Igreja e o mundo.














A LITURGIA É SAGRADA


         

Continuo nesse artigo a citar pérolas do último livro do Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, com o título “A Força do Silêncio - contra a ditadura do barulho”, pois se trata do Cardeal encarregado pelo Papa de velar pela Liturgia na Igreja.          
           
“Não pretendo ocupar nosso tempo opondo uma liturgia à outra, ou o rito de São Pio V ao do Beato Paulo VI. Mas trata-se de entrar no grande silêncio da liturgia; é preciso saber deixar-se enriquecer por todas as formas litúrgicas latinas ou orientais que privilegiam o silêncio. Sem este espírito contemplativo, a liturgia se tornará uma ocasião de dilacerações odiosas e de enfrentamentos ideológicos em vez de ser o lugar da nossa unidade e da nossa comunhão no Senhor. Este é o momento de entrar neste silêncio litúrgico, voltados para o Senhor, que o Concílio quis restaurar”.
        
“O que vou dizer agora não entra em contradição com minha submissão e minha obediência à autoridade suprema da Igreja. Desejo profunda e humildemente servir a Deus, a Igreja e ao Santo Padre, com devoção, sinceridade e apego filial. Mas eis aqui a minha esperança: se Deus quiser, quando ele quiser e como ele quiser, na liturgia, a reforma da reforma será feita. Apesar do ranger de dentes, ela virá, pois nela está em jogo o futuro da Igreja”.
           
“Estragar a liturgia é destruir nossa relação com Deus e a expressão concreta de nossa fé cristã. A Palavra de Deus e o ensinamento doutrinal da Igreja são ainda ouvidos, mas as almas que desejam voltar-se para Deus, oferecer-lhe o verdadeiro sacrifício de louvor e adorá-lo, já não são cativadas por liturgias demasiadamente horizontais, antropocêntricas e festivas, assemelhadas muitas vezes a acontecimentos culturais barulhentos e vulgares. Os meios de comunicação invadiram totalmente e transformaram em espetáculo o Santo Sacrifício da Missa, memorial da morte de Jesus na cruz para a salvação das nossas almas. O sentido do mistério desaparece pelas mudanças, pelas adaptações permanentes, decididas de forma autônoma e individual para seduzir nossas mentalidades modernas profanadoras, marcadas pelo pecado, pelo secularismo, pelo relativismo e pela rejeição de Deus”.
           
“Em muitos países do Ocidente, vemos os pobres abandonar a Igreja católica, pois ela foi tomada de assalto por pessoas mal intencionadas que se fazem passar por intelectuais e que desprezam os pequenos e os pobres. Eis o que o Santo Padre deve denunciar em alto e bom som, pois uma Igreja sem os pobres não é mais a Igreja, mas um simples ‘clube’. Atualmente, no Ocidente, quantos templos vazios, fechados, destruídos ou transformados em estruturas profanas, violando sua sacralidade e seu destino original! Apesar disso, conheço numerosos sacerdotes e fiéis que vivem sua fé com um zelo extraordinário e lutam diariamente para preservar e enriquecer as casas de Deus. Devemos urgentemente redescobrir a beleza, a sacralidade e a origem divina da liturgia...”.
Dom Fernando Rifan - Bispo administrador apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.


Papa: Continua escancarada porta da misericórdia que é o Coração de Cristo

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu, neste domingo (20/11/2016), Solenidade de Cristo Rei, a missa de encerramento do Jubileu da Misericórdia com o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro.

“A solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo coroa o ano litúrgico e este Ano Santo da Misericórdia. O Evangelho apresenta a realeza de Jesus no auge de sua obra salvadora e o faz de maneira surpreendente. «O Messias de Deus, o Eleito, (…) o Rei» aparece sem poder nem glória: está na cruz, onde parece mais um vencido do que um vencedor. A sua realeza é paradoxal: o seu trono é a cruz; a sua coroa é de espinhos; não tem um cetro e não usa vestidos suntuosos, mas é privado da própria túnica; não tem anéis brilhantes nos dedos, mas as mãos transpassadas pelos pregos; não possui um tesouro, mas é vendido por trinta moedas.”

Amor humilde

“O Reino de Jesus não é deste mundo, mas Nele – como nos diz o Apóstolo Paulo na segunda leitura, encontramos a redenção e o perdão, pois a grandeza do seu reino não está na força segundo o mundo, mas no amor de Deus, um amor capaz de alcançar e restaurar todas as coisas. Por este amor, Cristo abaixou-se até nós, viveu a nossa miséria humana, provou a nossa condição mais ínfima: a injustiça, a traição, o abandono; experimentou a morte, o sepulcro, a morada dos mortos. Assim, se aventurou o nosso Rei até os confins do universo, para abraçar e salvar todo o vivente. Não nos condenou, nem sequer nos conquistou, nunca violou a nossa liberdade, mas abriu caminho com o amor humilde, que tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta. Somente este amor venceu e continua vencendo os nossos grandes adversários: o pecado, a morte e o medo.”

“Seria demasiado pouco crer que Jesus é Rei do universo e centro da história, sem fazê-lo tornar-se Senhor de nossa vida”. E o Papa citou três personagens presentes no Evangelho deste domingo.

Distância

O primeiro personagem, o povo, que “permanece longe, a ver o que sucedia. É o mesmo povo que, levado pelas próprias necessidades, se aglomerava em torno de Jesus e, agora, se mantém à distância. Diante das circunstâncias da vida ou de  nossas expectativas não realizadas, podemos também nós ser tentados a manter distância da realeza de Jesus, não aceitando completamente o escândalo do seu amor humilde, que interpela o nosso eu e o desassossega. Prefere-se ficar à janela, afastado, em vez de se aproximar e fazer-se próximo. Mas o povo santo, que tem Jesus como Rei, é chamado a seguir o seu caminho de amor concreto; a interrogar-se diariamente: «O que me pede o amor, para onde me impele? Que resposta dou a Jesus com a minha vida?»

Zombaria

O segundo grupo são vários personagens: os chefes do povo, os soldados e um dos malfeitores. Todos eles zombam de Jesus, dirigindo-Lhe a mesma provocação: «Que salve a si mesmo». É uma tentação pior que a do povo. Aqui tentam Jesus, como fez o diabo ao início do Evangelho para que renuncie a reinar à maneira de Deus e o faça segundo a lógica do mundo: desça da cruz e derrote os inimigos! Se é Deus, demonstre força e superioridade! Esta tentação é um ataque contra o amor: «Salve a si mesmo» (Lc 23, 37.39); não os outros, mas a si mesmo. Prevaleça o eu com a sua força, a sua glória, o seu sucesso. É a tentação mais terrível; a primeira e a última do Evangelho. Entretanto Jesus, diante desse ataque ao seu próprio modo de ser, não fala, não reage. Não se defende, não tenta convencer, não há uma apologética da sua realeza, mas continua a amar, perdoa, vive o momento da prova segundo a vontade do Pai, certo de que o amor dará fruto.”

“Para acolher a realeza de Jesus, somos chamados a lutar contra esta tentação, a fixar o olhar no Crucificado, para Lhe sermos fiéis cada vez mais. Mas, em vez disso, quantas vezes se procuraram – mesmo entre nós – as seguranças gratificantes oferecidas pelo mundo! Quantas vezes nos sentimos tentados a descer da cruz! A força de atração que tem o poder e o sucesso pareceu um caminho mais fácil e rápido para difundir o Evangelho, esquecendo depressa como atua o reino de Deus. Este Ano da Misericórdia convidou-nos a descobrir novamente o centro, a regressar ao essencial. Este tempo de misericórdia nos chama a contemplar o verdadeiro rosto do nosso Rei, aquele que brilha na Páscoa, e a descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor, missionária. A misericórdia, levando-nos ao coração do Evangelho, nos exorta também a renunciar a hábitos e costumes que podem obstaculizar o serviço ao reino de Deus, a encontrar a nossa orientação apenas na realeza perene e humilde de Jesus, e não na acomodação às realezas precárias e aos poderes mutáveis de cada época.”

Abertura

O outro personagem, mais perto de Jesus, é o malfeitor que o invoca dizendo: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino». “Com a simples contemplação de Jesus, ele acreditou no seu Reino. E não se fechou em si mesmo, mas, com os seus erros, os seus pecados e os seus problemas, dirigiu-se a Jesus. Pediu para ser lembrado, e saboreou a misericórdia de Deus: «Hoje estarás comigo no Paraíso». Deus, quando lhe damos tal possibilidade, se lembra de nós. Está pronto a apagar completamente e para sempre o pecado, porque a sua memória não é como a nossa: não registra o mal feito, nem continua a ter em conta as ofensas sofridas. Deus não tem memória do pecado, mas de nós, de cada um de nós, seus filhos amados. E crê que é sempre possível recomeçar, levantar-se”, disse o Papa.

Cristo, porta da misericórdia

Francisco nos convidou a pedir “o dom desta memória aberta e viva”. “Peçamos a graça de não fechar nunca as portas da reconciliação e do perdão, mas saber ir além do mal e das divergências, abrindo todas as vias possíveis de esperança. Assim como Deus acredita em nós, infinitamente para além de nossos méritos, também nós somos chamados a infundir esperança e a dar uma oportunidade aos outros. Com efeito, embora se feche a Porta Santa, continua sempre escancarada para nós a verdadeira porta da misericórdia que é o Coração de Cristo. Do lado transpassado do Ressuscitado jorram até o fim dos tempos a misericórdia, a consolação e a esperança”, frisou o Pontífice.

“Muitos peregrinos atravessaram as Portas Santas e, longe do fragor dos noticiários, saborearam a grande bondade do Senhor. Agradeçamos ao Senhor por isso e recordemo-nos de que fomos investidos em misericórdia para nos revestir de sentimentos de misericórdia, para nos tornarmos instrumentos de misericórdia. Prossigamos, juntos, este nosso caminho. Acompanhe-nos Nossa Senhora! Ela também estava junto da cruz; lá nos deu à luz enquanto terna Mãe da Igreja, que a todos deseja abrigar sob o seu manto. Ao pé da cruz, Ela viu o bom ladrão receber o perdão e tomou o discípulo de Jesus como seu filho. É a Mãe de misericórdia, a quem nos confiamos: toda situação nossa, toda oração nossa, dirigida aos seus olhos misericordiosos, não ficará sem resposta.”

Segundo a Gendarmaria Vaticana, participaram da missa de encerramento do Jubileu da Misericórdia, presidida pelo Papa Francisco, cerca de 70 mil pessoas.


Os mais recentes tweets do Papa Francisco:

20/11/2016
Confiamos a Igreja, toda a humanidade e o imenso cosmo ao Senhor, para que derrame sua misericórdia sobre todas as criaturas.
20/11/2016
A todos, fiéis e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente entre nós.
20/11/2016
Fechamos hoje a Porta Santa, agradecendo a Deus por nos ter concedido este tempo extraordinário de graça.
20/11/2016
O Jubileu da Misericórdia, que se encerra hoje, continue a dar frutos nos corações e nas obras dos fiéis.
19/11/2016
A misericórdia de Deus para conosco está ligada à nossa misericórdia para com o próximo.
18/11/2016
Se você quer um coração cheio de amor, seja misericordioso!
17/11/2016
Não é suficiente experimentar a misericórdia de Deus na própria vida, é preciso também tornar-se instrumento de misericórdia para os outros.
16/11/2016
Não devemos procurar realizar nada de extraordinário: muitas vezes são as pessoas mais próximas a nós que precisam de nossa ajuda.
15/11/2016
Se cada um de nós, todos os dias, faz uma obra de misericórdia, haverá uma revolução no mundo.
14/11/2016
Em um mundo atingido pelo vírus da indiferença, as obras de misericórdia são o melhor antídoto.
13/11/2016
Se quiseres encontrar Deus, procura-o onde Ele está escondido: nos mais necessitados, nos doentes, nos famintos, nos presos.
12/11/2016
Diante da Porta Santa peçamos: «Senhor, ajudai-me a abrir de par em par a porta do meu coração!».
11/11/2016
Queridos amigos, não esqueçamos nunca que, nas pessoas necessitadas se encontra Jesus.
10/11/2016
Não nos esqueçamos da beleza! A humanidade tem necessidade.
09/11/2016
Façamos brilhar a misericórdia de Deus em nosso mundo através do diálogo, da acolhida recíproca e da colaboração fraterna.
07/11/2016
A profecia é dizer que existe algo de mais verdadeiro, mais bonito, maior, melhor ao qual todos somos chamados.
Nenhuma cela é tão isolada de forma a excluir o Senhor: seu amor chega a todos os lugares. Rezo para que cada um abra o coração a este amor.
05/11/2016
O perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e pôr-lhe remédio.
04/11/2016
Deixemo-nos comover pelo olhar de Deus; tudo o que Ele deseja é que permaneçamos unidos como ramos vivos ao seu Filho Jesus.
03/11/2016
A vida cristã é um caminho, mas não é um caminho triste, é um caminho jubiloso.
02/11/2016
Com fé visitamos os túmulos dos nossos entes queridos, rezando também pelos mortos de que ninguém se recorda.
01/11/2016
O Pai nos vê, e o seu olhar de amor nos encoraja a purificar o nosso passado e a caminhar na unidade.
01/11/2016
Os santos descobriram o segredo da verdadeira felicidade, que mora no fundo da alma e tem a sua fonte no amor de Deus.
31/10/2016
A unidade entre os cristãos é uma prioridade, porque reconhecemos que entre nós é muito mais aquilo que nos une do… https://t.co/aQmTTqcBHG
31/10/2016
Peçamos ao Senhor que a sua Palavra, fonte de luz e de vida, torne os cristãos sempre mais unidos.
30/10/2016
Peço que rezem por minha viagem à Suécia, para que possa contribuir para a unidade de todos os cristãos29.
29/10/2016
Vamos abandonar a linguagem de condenação para abraçar a linguagem da misericórdia.
28/10/2016
Rezemos pelos irmãos e irmãs que são discriminados e pagam pessoalmente por sua fidelidade ao Evangelho.
27/10/2016
A lógica da caridade é chegar a perder tudo para que a unidade e o amor vençam.
26/10/2016
O amor é obra paciente de pessoas que vivem ouvindo e aproximando-se dos outros.
25/10/2016
Hoje, mais do que nunca, precisamos que a política e a economia se coloquem a serviço da vida.
                                           

Francisco: caminhar nas sendas do Apóstolo S. Paulo

Vaticano (RV) - Na manhã deste domingo (23/10/2016), o Papa Francisco presidiu, às 12 horas de Roma, na Praça de São Pedro repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, mais uma oração mariana do Ângelus no contexto da Jornada Missionária Mundial que se celebra precisamente hoje.

Partindo da segunda carta de S. Paulo ao seu colaborador Timóteo, capítulo. 4, 6-8. 16-18, que é o texto da segunda leitura da Liturgia da Palavra deste domingo, Francisco ressaltou um aspecto particular desta exortação na qual o apóstolo Paulo, já quase no ocaso da própria vida repercorre a própria existência de apóstolo que se consagrou inteiramente ao serviço da missão evangelizadora.

Paulo repercorre o percurso da sua existência missionária, disse o Santo Padre, analisando três momentos essenciais: o presente, o passado e o futuro.

O Presente, sublinha o Papa, Paulo o interpreta com a metáfora do sacrifício” eu já estou oferecido em libação”. No que diz respeito ao passado, Paulo fala da sua vida através da imagem do “bom combate” e da “carreira” de um homem que foi coerente com os próprios empenhos e as próprias responsabilidades. Finalmente, falando do futuro, Paulo fala da sua confiança em Deus que é um “Juiz justo” e que haverá, por conseguinte, de reconhecer a sua obra missionária.

Entretanto a missão de Paulo resultou eficaz, justa e fiel, adverte Francisco, só graças a proximidade e a força do Senhor que fez do apóstolo Paulo um anunciador do Evangelho a todos os povos da terra, tal como ele próprio reconheceu quando disse:” O Senhor esteve ao meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem”.
Ora, nesta narração autobiográfica de S. Paulo, disse ainda o Santo Padre, se espelha a Igreja sobretudo hoje, dia em que se celebra a Jornada Missionária Mundial, cujo tema, este ano é “Igreja missionária, testemunha de misericórdia”. O que significa que Para Francisco, em Paulo a comunidade cristã encontra o seu modelo na convicção de que é a presença do Senhor a tornar eficaz o trabalho apostólico e a obra de evangelização. Por conseguinte, a experiência do Apóstolo dos gentios recorda-nos que devemos empenharmo-nos nas nossas actividades pastorais e missionárias, dum lado, como se o resultado dependesse dos nossos esforços, mediante o espírito de sacrifício do atleta que não se desencoraja nem tão pouco nos momentos das derrotas; por outro lado, porém, sabendo que o verdadeiro sucesso da nossa missão é o dom da Graça: é o Espírito Santo que torna eficaz a missão da Igreja no mundo.

<<Hoje é tempo de missão e é tempo de coragem! Coragem para reforçar os passos vacilantes, coragem para retomar o gosto de dedicar a própria vida à causa do Evangelho; coragem para readquirir confiança na força que a missão traz consigo mesma. É tempo de coragem, mesmo se a coragem não significa ter a garantia de sucesso. É-nos pedido coragem para lutar, não necessariamente para vencer; é-nos pedido coragem para anunciar (o Evangelho), não necessariamente para converter (os outros); é-nos pedido coragem para ser alternativos ao mundo, sem contudo tornar-se polémicos ou agressivos; é-nos pedido coragem para abrirmo-nos à todos, sem nunca diminuir o valor absoluto e a unicidade de Cristo, único salvador de todos; é-nos pedido coragem para resistir à incredulidade sem transformarmo-nos em arrogantes; é-nos sobretudo pedido a coragem do publicano que, com humildade, rezava o Senhor para que tivesse compaixão dele que é pecador>>.

Que a Virgem Maria, Modelo da Igreja “em saída” e dócil ao Espírito Santo, concluiu dizendo Francisco, nos ajude a ser todos, em força do nosso Baptismo, discípulos missionários para levarmos a mensagem da salvação à inteira família humana.

Após a recitação do Ângelus, Francisco lançou um vibrante apelo sobre a situação do Iraque, ao mesmo tempo que convidou aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro a observar um minuto de silêncio e em seguida a rezar uma Ave-Maria, em memória das vítimas da guerra do Iraque.

 Nestas horas dramáticas, disse o Santo Padre, estou próximo à inteira população do Iraque, em particular à população de Mosul. A nossa alma está profundamente chocada pela violência que já há muito tempo está a ser efectuada contra cidadãos inocentes, sejam eles muçulmanos, sejam eles cristãos, sejam eles pertencentes à outras etnias e religiões. Fiquei profundamente chocado ao ouvir a notícia do assassinato, a sangue frio, de numerosos filhos desta terra amada, entre eles também, tantas crianças. Esta crueldade nos faz chorar, e nos deixa sem palavras. À palavra de solidariedade se acompanha também a certeza da minha oração, disse Francisco, para que o Iraque, mesmo duramente atingido, seja forte e firme na esperança de poder ir ao encontro de um futuro de segurança, de reconciliação e de paz.

Finalmente, o Papa saudou todos os presentes na Praça de S. Pedro, iniciando pelos polacos que recordam hoje em Roma e na Polónia, disse Francisco 1050 aniversário da presença do cristianismo na Polónia; em seguida Francisco saudou todos os participantes ao Jubileu dos grupos corais da Itália, os jovens das diversas Confraternidades das dioceses da Itália, os fiéis provenientes das diversas paróquias da Itália e também à comunidade peruana de Roma que hoje se encontrava na Praça de S. Pedro trazendo consigo a imagem do “Señor de los Milagros.

À todos, o Papa encorajou a prosseguir com alegria o seu caminho de fé e desejou um bom domingo, pedindo mais uma vez, que, por favor, não se esqueçam de rezar por Ele.


Papa: diálogo abate muros das divisões e das incompreensões

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre encontrou na Praça São Pedro, neste sábado (22/10/2016), memória litúrgica de São João Paulo II, cerca de 100 mil peregrinos e fiéis, provenientes de diversos países para a Audiência Jubilar, que se realiza no Vaticano durante este Ano Santo da Misericórdia.

Abaixo, a íntegra da reflexão de Francisco:

"O trecho do Evangelho de João que escutamos narra o encontro de Jesus com uma mulher samaritana. O que marca neste encontro é o diálogo intenso entre a mulher e Jesus. E isso hoje nos permite destacar um aspecto muito importante da misericórdia, que é justamente o diálogo.

O diálogo permite que as pessoas se conheçam e compreendam as exigências de ambas as partes. Antes de tudo, é um sinal de respeito, porque coloca as pessoas em escuta e na condição de transpor os melhores aspectos do interlocutor.

Em segundo lugar, o diálogo é expressão de caridade, porque, ao não ignorar as diferenças, pode ajudar a procurar e partilhar o bem comum. Além disso, o diálogo nos convida a colocar-nos diante do outro vendo-o como um dom de Deus, que nos interpela e nos pede para ser reconhecido.

Muitas vezes, não encontramos os irmãos mesmo vivendo ao lado deles, sobretudo quando fazemos prevalecer a nossa posição sobre a do outro. Não dialogamos quando não escutamos o suficiente ou temos a tendência de interromper o outro para demonstrar que temos razão. O verdadeiro diálogo, ao contrário, requer momentos de silêncio, nos quais se perceber o dom extraordinário da presença de Deus no irmão.

Caros irmãos e irmãs, dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações e a superar as incompreensões. Há tanta necessidade de diálogo em nossas famílias, e como se resolveriam mais facilmente as questões se se aprendesse a escutar reciprocamente!

É assim na relação entre marido e mulher, entre pais e filhos. Quanta ajuda pode vir também do diálogo entre professores e alunos, ou entre dirigentes e operários, para descobrir as melhores exigências do trabalho.

De diálogo vive também a Igreja com os homens e as mulheres de cada tempo, para compreender as necessidades que estão no coração de cada pessoa e para contribuir à realização do bem comum.

Pensemos ao grande dom da Criação e à responsabilidade que todos temos em preservar a nossa casa comum: o diálogo sobre um tema tão premente é uma exigência inevitável.

Pensemos ao diálogo entre as religiões, para descobrir a verdade profunda sobre sua missão em meio aos homens, e para contribuir à construção da paz e de uma rede de respeito e fraternidade.

Para terminar, todas as formas de diálogo são expressão da grande exigência de amor de Deus, que vai ao encontro de todos e em cada um planta uma semente da sua bondade, para que possa colaborar a sua obra criadora.

O diálogo abate os muros das divisões e das incompreensões; cria pontes de comunicação e não consente que ninguém se isole, fechando-se no próprio pequeno mundo.

Jesus conhecia bem aquilo que estava no coração da samaritana; e apesar disso não negou a ela o direito de se expressar e entrou aos poucos no mistério da sua vida. Este ensinamento vale também para nós. Por meio do diálogo, podemos fazer com que cresçam os sinais da misericórdia de Deus fazendo-o instrumento de acolhida e respeito".

Ao término da sua catequese na Audiência Jubilar, Francisco passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos, presentes na Praça São Pedro.

Aos fiéis da Polônia, que vieram em peregrinação nacional para agradecer a Deus pelo Batismo que seu povo recebeu há 1050 anos, Francisco aproveitou para recordar a grande figura de São João Paulo II, cuja memória litúrgica celebramos hoje, e sua Viagem Apostólica ao país, em julho passado:

“Estou imensamente agradecido a Deus, que me permitiu conhecer a sua nação, a pátria de São João Paulo II, onde pude visitar o Santuário mariano de Jasna Gora, o da Divina Misericórdia em Cracóvia e o centro João Paulo II intitulado ‘Não tenham medo’. Agradeço também pela visita silenciosa ao Campo de extermínio em Auschwitz-Birkenau”.

Aos peregrinos de língua italiana, Francisco recordou que há 38 anos, ressoava, precisamente na Praça São Pedro, as palavras que São João Paulo II dirigia ao mundo no início do seu Pontificado: “Não tenham medo... Abram, ou melhor, escancarem as portas a Cristo”. Tais palavras expressam a profunda espiritualidade do Santo polonês, plasmada pela herança histórica e cultural do seu povo.

Por fim, o Santo Padre se dirigiu aos presentes de língua portuguesa, aos quais disse:

“Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, de modo particular ao grupo de Póvoa de Varzim. Recordemos que a Virgem Maria nos ensina a ouvir no silêncio e a meditar todas as coisas no coração, de modo que possamos ir ao encontro das necessidades do próximo. Que seu exemplo possa nos ajudar a servir sempre mais os nossos irmãos e irmãs. Que Deus abençoe a vocês e aos seus entes queridos!”


Papa no encontro com a Pastoral Vocacional: "sair, ver e chamar"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa concluiu sua série de audiências, na manhã desta sexta-feira (21/10/2016), recebendo na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 255 participantes no Encontro Internacional de Pastoral Vocacional, promovido pela Congregação para o Clero.

Em seu discurso, Francisco expressou seu temor em usar algumas expressões comuns da linguagem eclesial. Por exemplo, disse, Pastoral Vocacional poderia dar a impressão de ser um dos tantos setores da ação eclesial, um departamento curial ou a elaboração de um projeto.

O Papa afirma que tudo isso é importante, mas a Pastoral Vocacional é bem mais do que isto “é um encontro com o Senhor”. A acolhida de Cristo é um encontro decisivo, que ilumina a nossa existência, nos livra da angústia do nosso pequeno mundo e nos torna discípulos apaixonados pelo Mestre:

“A Pastoral Vocacional é aprender o estilo de Jesus, que passa pelos lugares da vida cotidiana, se detém, sem pressa, e, olhando os irmãos com misericórdia, os conduz ao encontro com Deus Pai. Ele é o ‘Deus conosco’, que vive entre seus filhos, não teme misturar-se entre a multidão das nossas cidades”.

Aqui, Francisco citou o exemplo da vocação de Mateus: Jesus saiu de novo a pregar, depois viu Levi sentado no banco de impostos e, enfim, o chamou. O Papa se deteve nestes três verbos evangélicos para indicar o dinamismo de toda pastoral vocacional: “sair, ver e chamar”. Explicando o primeiro verbo “sair”, disse:

“A Pastoral Vocacional precisa de uma Igreja em movimento, capaz de ampliar seus confins, com base no grande coração misericordioso de Deus... Devemos aprender a sair da nossa rigidez, que nos tornam incapazes de comunicar a alegria do Evangelho, das fórmulas anacrônicas e das análises preconcebidas, que envolvem a vida das pessoas em esquemas frios”. 

Neste sentido, dirigindo-se sobretudo aos pastores da Igreja, aos Bispos e aos Sacerdotes, o Papa disse: “Vocês são os principais responsáveis das vocações cristãs e sacerdotais; saindo, vocês podem ouvir os jovens, ajudá-los a discernir as ações dos seus corações e orientar os seus passos. Somos chamados a ser pastores no meio ao povo, a animar a pastoral do encontro e a dispor de tempo para acolher e ouvir os outros, sobretudo os jovens. A seguir, o Santo Padre explicou o segundo verbo, “ver”:

“Quando Jesus passa pelas ruas, pára e cruza seu olhar com o do outro, sem pressa. Eis o que torna atraente e fascinante o seu chamado. Hoje, infelizmente, a pressa e velocidade dos estímulos nem sempre deixam espaço ao silêncio interior, no qual ressoa o chamado do Senhor”.

Às vezes, constatou Francisco, é possível correr este risco em nossas comunidades: pastores e agentes pastorais podem cair num ativismo vazio por causa da pressa e dos seus compromissos. Mas, o Evangelho nos ensina que a vocação inicia com um olhar de misericórdia.

Mateus não viu em Jesus um olhar de desprezo ou de julgamento, mas um olhar no seu interior. Logo um olhar de discernimento. Aqui, o Papa explicou a terceira ação de Jesus com Mateus, “chamar”:

“Chamar é o terceiro verbo típico da vocação cristã. Jesus não faz longos discursos, não apresenta um programa a se aderir e nem respostas preconcebidas. Eles se limita em dizer ‘segue-me’, Jesus suscita o desejo de pôr-se em marcha e de deixar uma vida sedentária”.

Este desejo de busca destaca-se sobretudo nos jovens: é o tesouro que o Senhor coloca em nossas mãos, que deve ser mantido, cultivado e germinado. O Pontífice convida os presentes a ajudar os jovens a pôr-se a caminho e descobrir a alegria do Evangelho de Jesus. E concluiu, exortando sobretudo os Bispos e Sacerdotes:

“Perseverem em ser próximos, sair, semear a Palavra com olhares de misericórdia. Tenham coragem de promover a Pastoral Vocacional mediante métodos possíveis, exercendo a arte do discernimento. Não tenham medo de anunciar o Evangelho com generosidade, de encontrar e orientar a vida dos jovens”.


São João Paulo II e Santa Faustina são testemunho da Divina Misericórdia, diz o Papa

VATICANO, 22.Outubro.2016 / 10:00 am (ACI).- Na sexta-feira, 21/10/2016, véspera da festa de São João Paulo II, celebrada pela Igreja neste dia 22 de outubro, o Papa Francisco exortou a seguir o exemplo do Pontífice polonês e de Santa Faustina Kowalska, os quais mencionou como “luminosas testemunhas” da Divina Misericórdia.

Assim o indicou o Santo Padre em seu discurso aos membros da Fundação João Paulo II,  durante uma audiência na manhã de sexta-feira na Sala do Consistório do Palácio Apostólico do Vaticano.

Francisco desejou que “o Ano Jubilar, que está para concluir, nos leve a refletir e meditar sobre a grandeza da Divina Misericórdia, em um tempo em que o homem, devido aos progressos em vários campos da técnica e da ciência, tende a se sentir autossuficiente e emancipado de toda autoridade superior”.

Em vez disso, continuou, “como cristãos, devemos estar cientes de que tudo é dom de Deus e que a verdadeira riqueza não é o dinheiro, que nos torna escravos, mas o amor de Deus que nos torna livres”.

“A finalidade de sua Fundação – explicou o Papa – é manter as iniciativas de caráter educacional, cultural, religioso e caritativo, inspiradas na figura de São João Paulo II, do qual celebramos, amanhã, a memória litúrgica”, disse o Pontífice ontem.

Depois de recordar que a Fundação ajuda inúmeros estudantes em seus estudos, sobretudo na Europa, o Santo Padre os encorajou seguir apoiando a juventude “para que possam enfrentar os desafios da vida sempre animados pela sensibilidade evangélica e o espírito de fé. Formar a juventude é investir no seu futuro: Que nunca roubem dos jovens a esperança do futuro!”.

O Papa recordou sua viagem a Polônia no final do mês de julho deste ano para presidir a Jornada Mundial da Juventude Cracóvia 2016, “onde senti a alegria da fé”.

Nesse sentido, o Pontífice disse que “há grandes personagens e filhos da nação polonesa: Santa Faustina Kowalska e São João Paulo II, ambos apóstolos da Divina Misericórdia” e recordou algumas palavras do Papa Wojtyla escritas em sua encíclica Dives in misericórdia:

“Jesus revelou, sobretudo com seu estilo de vida e com suas ações, como está presente o amor no mundo em que vivemos, o amor operante, o amor que se dirige ao homem e abraça tudo quanto constitui a sua humanidade. Este amor se nota particularmente no contato com o sofrimento, a injustiça, a pobreza; em contato com toda a ‘condição humana’ histórica, que de distintos modos demonstra a limitação e a fragilidade do homem, tanto física, como moral”.

Em seguida, o Papa citou um trecho do ‘Diário de Santa Faustina Kowalska’, uma exortação que o Senhor Jesus lhe fez: “Minha filha, observa meu coração misericordioso e reproduz no seu coração e em suas ações sua piedade, de modo que você mesma proclame no mundo a minha misericórdia”.

Ao concluir, o Papa Francisco os encorajou: “Possam as palavras e, sobretudo, os exemplos de vida destas duas luminosas testemunhas inspirar seu generoso compromisso. A Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, proteja e acompanhe suas atividades”.


Papa: não basta o catecismo para conhecer Jesus

Quinta-feira, 20 de outubro: não basta o catecismo para conhecer Jesus, é preciso oração, adoração e reconhecermo-nos pecadores – esta a principal mensagem do Papa Francisco na Missa em Santa Marta.

O Santo Padre desenvolveu sua homilia partindo da Carta de S. Paulo aos Efésios e observou que Paulo pede que o Espírito Santo dê aos Efésios a graça de “serem fortes, robustos”, por forma, a que Cristo habite nos seus corações”.

Mas como podemos conhecer Cristo? – perguntou Francisco. Como podemos compreender “o amor de Cristo que supera todo o conhecimento?”:

“Cristo está presente no Evangelho, lendo o Evangelho conhecemos Cristo. E todos fazemos isso, pelo menos ouvimos o Evangelho quando vamos à Missa. Com o estudo do catecismo: o catecismo ensina-nos quem é Cristo. Mas isso não é suficiente. Para ser capaz de compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade de Jesus Cristo é preciso entrar num contexto, primeiro, de oração, como faz Paulo, de joelhos: ‘Pai, envia-me o Espírito para conhecer Jesus Cristo.”

“Não se conhece o Senhor sem este hábito de adorar, de adorar em silêncio, adorar. Se não estou enganado, creio que esta oração de adoração seja a menos conhecida entre nós, é a que menos fazemos. Perder tempo, permito-me dizer, diante do Senhor, diante do mistério de Jesus Cristo. Adorar. Ali em silêncio, o silêncio da adoração. Ele é o Senhor e eu adoro-o”.

Na sua homilia o Papa afirmou ainda que “para conhecer Cristo é necessário ter consciência de nós mesmos, ou seja, ter o hábito de nos acusarmos”, de reconhecermo-nos pecadores. São pois três as coisas necessárias para entrar no mistério de Jesus Cristo: rezar, adorar e reconhecermo-nos pecadores:

“Não se pode adorar sem acusar-se a si mesmo. Para entrar neste mar sem fundo, sem margens, que é o mistério de Jesus Cristo, são estas as coisas necessárias: a oração: Pai, envia-me o Espírito para que Ele me leve a conhecer Jesus. Segunda, a adoração ao mistério, entrar no mistério, adorando. E terceira, acusar-se a si mesmo: Sou um homem de lábios impuros. Que o Senhor nos dê esta graça que Paulo pediu para os Efésios também a nós, esta graça de conhecer e merecer Cristo.”


Tweets recentes do Papa Francisco:

23/10/2016
Somos discípulos, missionários e portadores de Cristo lá onde Ele quer estar presente.
22/10/2016
“Não tenham medo! Abram, ou melhor, escancarem as portas a Cristo!” – São João Paulo II, 22 de outubro de 1978 https://t.co/FFnGuRmeOq
21/10/2016
As pessoas doentes e pobres, assim como os nascituros, são imagem de Deus e merecem o máximo respeito.
20/10/2016
Busquemos estar sempre unidos a Jesus, sobretudo seguindo-o na caminho da cruz.
19/10/2016
Santidade é viver com amor e oferecer o testemunho cristão nas situações de todos os dias.


Realidade deve ser enfrentada como é, diz Papa em catequese

Na catequese de hoje, Papa refletiu sobre duas obras de misericórdia: dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede

Cerca de 35 mil peregrinos participaram da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 19.outubro.2016, sobre duas obras de misericórdia: dar de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede. O ciclo de catequeses dedicadas a esse tema começou na semana passada.

Íntegra Catequese:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Uma das consequências do chamado “bem-estar” é aquela de conduzir as pessoas a se fecharem em si mesmas, tornando-as insensíveis às exigências dos outros. Faz-se tudo para iludir apresentando modelos de vida efêmeros, que desaparecem depois de alguns anos, como se a nossa vida fosse uma moda a seguir e a mudar a cada estação. Não é assim. A realidade deve ser acolhida e enfrentada pelo que é, e muitas vezes nos faz encontrar situações de necessidade urgente. É por isso que, entre as obras de misericórdia, está o chamado à fome e à sede: dar de comer aos famintos – e há tantos hoje – e de beber aos sedentos. Quantas vezes os meios de comunicação nos informam de populações que sofrem com a falta de comida e de água, com graves consequências especialmente para as crianças.

Diante de certas notícias e especialmente de certas imagens, a opinião pública se sente tocada e parte em campanhas de ajuda para estimular a solidariedade. As doações se fazem generosas e deste modo se pode contribuir para aliviar o sofrimento de tantos. Esta forma de caridade é importante, mas talvez não nos envolva diretamente. Em vez disso, quando andando pelo caminho, encontramos uma pessoa em necessidade, ou um pobre vem bater à porta da nossa casa, é muito diferente, porque não estamos mais diante de uma imagem, mas somos envolvidos em primeira pessoa. Não há mais distância alguma entre mim e ele ou ela, e me sinto questionado. A pobreza em abstrato não nos questiona, mas nos faz pensar, nos faz lamentar; mas quando vemos a pobreza na carne de um homem, de uma mulher, de uma criança, isso nos interpela! E por isso, aquele hábito que nós temos de fugir às necessidades, de não nos aproximarmos deles, trocando um pouco a realidade dos necessitados com os hábitos da moda para nos afastarmos deles. Não há mais distância alguma entre mim e o pobre quando cruzo com ele. Nestes casos, qual é a minha reação? Esquivo o olhar e vou além? Ou paro para falar e me interesso pelo seu estado? E se faz isso não faltará quem diga: “Está louco, porque fala com um pobre!”Vejo se posso acolher de algum modo aquela pessoa ou procuro me livrar disso o quanto antes? Mas talvez essa peça somente o necessário: algo para comer e para beber. Pensemos um momento: quantas vezes recitamos o “Pai nosso”, e muitas vezes não damos verdadeiramente atenção a essas palavras: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

Na Bíblia, um Salmo diz que Deus é aquele que “dá o alimento a todo vivente” (136, 25). A experiência da fome é dura. Sabe algo quem viveu períodos de guerra ou de fome. No entanto, essa experiência se repete todos os dias e convive próximo à abundância e ao desperdício. São sempre atuais as palavras do apóstolo Tiago: “De que serve, meus irmãos, se uma pessoa diz ter fé, mas não tem as obras? Aquela fé pode talvez salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã está sem vestir-se e desprovido do alimento cotidiano e um de vocês diz a eles: ‘vá em paz, seja aquecido e saciado’, mas não dá a eles o necessário para o corpo, de que serve? Assim também a fé: se não é seguida de obras, é morta em si mesma” (2, 14-17) porque é incapaz de fazer obras, de fazer caridade, de amar. Há sempre alguém que tem fome e sede e precisa de mim. Não posso delegar a outro. Este pobre precisa de mim, da minha ajuda, da minha palavra, do meu empenho. Estejamos todos envolvidos nisso.

É também o ensinamento daquela página do Evangelho em que Jesus, vendo tanta gente que há horas o seguia, pergunta a seus discípulos: “Onde podemos comprar o pão para que possam comer?” (Jo 6,5). E os discípulos respondem: “É impossível, é melhor que tu os deixe…”. Em vez disso, Jesus diz a eles: “Não. Dai a eles vós mesmos de comer” (cfr Mc 14, 16). Faz dar os poucos pães e peixes que tinham consigo, os abençoa, os parte e os distribui a todos. É uma lição muito importante para nós. Isso nos diz que o pouco que temos, se o confiamos às mãos de Jesus e o partilhamos com fé, torna-se uma riqueza abundante.

Papa Bento XVI, na Encíclica Caritas in veritate, afirma: “Dar de comer aos famintos é um imperativo ético para a Igreja universal […] O direito à alimentação, assim como aquele à água, revestem um papel importante para a realização dos outros direitos […] É necessário, portanto, que amadureça uma consciência solidária que conserve a alimentação e o acesso à água como direitos universais de todos os seres humanos, sem distinções nem discriminações” (n. 27). Não esqueçamos as palavras de Jesus: “Eu sou o pão da vida” (Jo 6, 35) e “Quem tem sede venha a mim” (Jo 7, 37). Essas palavras são para todos nós crentes uma provocação a reconhecer que, através do dar de comer aos famintos e de beber aos sedentos, passa a nossa relação com Deus, um Deus que revelou em Jesus sua face de misericórdia.


Papa: pastores fiéis e abandonados, mas não amargurados

Terça-feira, 18 de outubro: na Missa em Santa Marta, Francisco comentando a Segunda Carta a Timóteo, falou sobre o destino dos apóstolos que, como S. Paulo na fase conclusiva da sua vida, experimentam a solidão na dificuldade: são vítimas da hostilidade e estão abandonados e pedem qualquer coisa para si como mendicantes: 

“Sozinho, mendicante, vítima da hostilidade, abandonado... mas é o grande Paulo, o que ouviu a voz do Senhor, o chamamento do Senhor! Aquele que foi de um lado para o outro, que sofreu tanto e passou por diversas provações para pregar o Evangelho; o que fez entender aos apóstolos que o Senhor queria que os Gentios também entrassem na Igreja, o grande Paulo que na oração subiu até o Sétimo Céu e ouviu coisas que ninguém ouvira antes: o grande Paulo, naquele quartinho de uma casa aqui em Roma, esperando como é que vai acabar esta luta no interior da Igreja entre as partes, entre a rigidez dos tradicionalistas e os discípulos fiéis a ele. E assim, termina a vida do grande Paulo, na desolação: não no ressentimento e na amargura, mas com a desolação interior.”

E foi assim que aconteceu com Pedro e com o grande João Batista – disse o Papa – que “na cela, sozinho e angustiado” manda os seus discípulos perguntarem a Jesus se é ele o Messias e termina com a cabeça cortada “por causa do capricho de uma bailarina e da vingança de uma adúltera”.

Assim aconteceu com Maximiliano Kolbe – salientou o Santo Padre – “que tinha feito um movimento apostólico em todo o mundo e muitas coisas grandes” e morreu na cela de um campo de concentração.

“O apóstolo, quando é fiel” – sublinhou Francisco – “não espera outro fim senão o de Jesus”. Mas o Senhor permanece próximo, “não o deixa sozinho e ali encontra a sua força”. “Esta é a Lei do Evangelho: se a semente não morrer não dará fruto”. Depois vem a ressurreição. Um teólogo dos primeiros séculos dizia que o sangue dos mártires é a semente dos cristãos:

“Morrer assim como mártires, como testemunhas de Jesus é a semente que morre e dá fruto e enche a terra de novos cristãos. Quando o pastor vive assim, não está amargurado: talvez se sinta desolado, mas tem aquela certeza de que o Senhor está ao seu lado. Quando o pastor na sua vida ocupou-se de outras coisas que não dos fiéis – por exemplo, apegado ao poder, apegado ao dinheiro, apegado aos centros de poder, apegado a tantas coisas – no final, não estará só, talvez tenha os sobrinhos que aguardarão que morra para ver o que poderão levar com eles”.

O Papa Francisco conclui a sua homilia recordando S. Paulo e, em particular, os sacerdotes idosos que sentem que o Senhor está próximo deles:

“Quando eu vou visitar uma casa de repouso para sacerdotes idosos, encontro muitos daqueles bons, bons, que deram a vida pelos fiéis. E estão ali, doentes, paralíticos, na cadeira de rodas, mas logo se vê aquele sorriso. ‘Está bem, Senhor; está bem, Senhor’; porque sentem o Senhor muito próximo deles. E também aqueles olhos brilhantes que perguntam: ‘Como está a Igreja? Como está a diocese? Como vão as vocações?’. Até ao fim, porque são padres, porque deram a vida pelos outros.”

“Voltemos a Paulo. Só, mendicante, vítima da hostilidade, abandonado por todos, menos pelo Senhor Jesus: ‘Somente o Senhor está próximo de mim!’. E o Bom Pastor, o pastor deve ter esta segurança: se ele vai pelo caminho de Jesus, o Senhor lhe estará próximo até o fim. Rezemos pelos pastores que estão no final das suas vidas e que estão aguardando que o Senhor os leve com Ele. E rezemos para que o Senhor lhes dê a força, a consolação e a segurança e que, embora se sintam doentes e também sozinhos, o Senhor está com eles, perto deles. Que o Senhor lhes dê a força”.


A exemplo de Cristo, o Bom Pastor, o Santo Padre conduz o rebanho do "Povo de Deus" pelo Bom  Caminho, inclusive pelas mensagens diárias que nos escreve em seu Twitter :

18/10/2016
Senhor, ajudai-nos Vós! Dai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz. Maria, nossa Mãe, rezai por nós.
17/10/2016
Faço votos de que nada possa impedi-los de crescer na amizade com Deus.
16/10/2016
Vamos avante com coragem no caminho rumo à santidade!


Angelus: apelo do Papa contra pobreza, que "degrada, ofende e mata"

Cidade do Vaticano, 16.outubro.2016 (RV) – Ao final da celebração eucarística com o rito de canonização, o Papa Francisco rezou com os fiéis presentes na Praça S. Pedro a oração mariana do Angelus.

Depois de saudar as delegações oficiais dos países de origem dos novos santos, o Pontífice recordou que na segunda-feira, 17 de outubro, celebra-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“Unamos as nossas forças, morais e econômicas, para lutar juntos contra a pobreza que degrada, ofende e mata tantos irmãos e irmãs, colocando em prática políticas sérias para as famílias e para o trabalho”, foi o apelo do Papa

Padre Joseph Wresinski

A origem do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza está ligada a uma iniciativa do sacerdote francês Joseph Wresinski.

No dia 17 de outubro de 1987, ele convocou milhares de pessoas para o primeiro Dia Mundial para a Erradicação da Miséria, na Praça em Paris onde foi assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesse mesmo dia, inaugurou uma placa comemorativa lembrando que a presença dos mais pobres no meio de nós constitui um apelo à construção de uma humanidade verdadeiramente fraterna.

Na placa, foi inscrito o seguinte apelo: "Onde os homens estão condenados a viver na miséria, aí os Direitos Humanos são violados. Unir-se para que sejam respeitados é um dever sagrado. "

Em 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o 17 de outubro como sendo o “Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza”.



Papa: rezar é lutar; não é refugiar-se num mundo ideal

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu na manhã deste domingo (16/10/2016), na Praça S. Pedro, à Santa Missa com o rito de canonização de sete novos santos.

No início da celebração eucarística, com a participação de milhares de fiéis, foram canonizados: Salomão Leclercq (1745-1792), José Sanchez do Río (1913-1928), Manuel González Garcia (1877-1940), Ludovico Pavoni (1784-1849), Afonso Maria Fusco (1839-1910), Isabel da Santíssima Trindade (1880-1906) e José Gabriel do Rosário Brochero (1840-1914). Estavam presentes na Praça delegações oficiais dos cinco países de proveniência dos santos: Itália, Argentina, México, França e Espanha.

Apoiar-se uns nos outros

Em sua homilia, o Pontífice destacou a importância da oração, que aparece no centro das leituras bíblicas deste domingo.

A seguir, o texto completo da homilia:

Ao princípio da celebração de hoje, dirigimos esta oração ao Senhor: «Criai em nós um coração generoso e fiel, para podermos servir-Vos, sem cessar, com lealdade e pureza de espírito» (Oração Coleta).

Sozinhos, não somos capazes de formar em nós um coração assim; só Deus pode fazê-lo e, por isso, Lho pedimos na oração, Lho suplicamos como um dom, como uma «criação» d’Ele. Desta forma, fomos introduzidos no tema da oração, que aparece no centro das leituras bíblicas deste domingo e nos interpela também a nós aqui reunidos para a canonização de alguns Santos e Santas novos. Estes alcançaram a meta, tiveram um coração generoso e fiel, graças à oração: rezaram com todas as forças, lutaram e venceram.


Rezaram, como Moisés, que foi sobretudo homem de Deus, homem de oração. Hoje, no episódio da batalha contra Amalec, vemo-lo de pé no cimo da colina com os braços erguidos; mas de vez em quando, com o peso, caíam-lhe os braços e, nesses momentos, o povo perdia; então Aarão e Hur fizeram Moisés sentar-se numa pedra e sustentavam os seus braços erguidos, até à vitória final.

Este é o estilo de vida espiritual que a Igreja nos pede: não para vencer a guerra, mas para vencer a paz!

No episódio de Moisés, há uma lição importante: o compromisso da oração exige que nos apoiemos uns aos outros. O cansaço é inevitável; por vezes, já não a conseguimos fazer, mas, com o apoio dos irmãos, a nossa oração pode continuar, até que o Senhor leve a bom termo a sua obra.

Escrevendo a Timóteo, seu discípulo e colaborador, São Paulo recomenda-lhe que permaneça firme naquilo que aprendeu e crê firmemente (cf. 2 Tm 3, 14). Contudo, também Timóteo não o conseguiria sozinho: não se vence a «batalha» da perseverança sem a oração. Não uma oração esporádica, intermitente, mas feita como Jesus ensina no Evangelho de hoje: «orar sempre, sem desfalecer» (Lc 18, 1). Esta é a maneira cristã de agir: ser firme na oração para se manter firme na fé e no testemunho. Entretanto, dentro de nós, surge uma voz: «Mas, Senhor, como é possível não nos cansarmos? Somos seres humanos; o próprio Moisés se cansou!» É verdade, cada um de nós cansa-se. Mas não estamos sozinhos, fazemos parte dum Corpo. Somos membros do Corpo de Cristo, a Igreja, cujos braços estão dia e noite erguidos para o céu, graças à presença de Cristo ressuscitado e do seu Espírito Santo. E só na Igreja e graças à oração da Igreja é que podemos permanecer firmes na fé e no testemunho.

Ouvimos a promessa de Jesus no Evangelho: Deus fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite (cf. Lc 18, 7). Eis o mistério da oração: grita, não te canses e, se te cansares, pede ajuda para manteres as mãos erguidas. Esta é a oração que Jesus nos revelou e deu no Espírito Santo. Rezar não é refugiar-se num mundo ideal, não é evadir-se numa falsa tranquilidade egoísta. Pelo contrário, rezar é lutar e deixar que o próprio Espírito Santo reze em nós. É o Espírito Santo que nos ensina a rezar, guia na oração e faz rezar como filhos.

Os Santos são homens e mulheres que se entranham profundamente no mistério da oração. Homens e mulheres que lutam mediante a oração, deixando rezar e lutar neles o Espírito Santo; lutam até não poder mais, com todas as suas forças; e vencem, mas não sozinhos: o Senhor vence neles e com eles. Também estas sete testemunhas, que hoje foram canonizadas, travaram o bom combate da fé e do amor através da oração. Por isso permaneceram firmes na fé, com o coração generoso e fiel. Que Deus nos conceda também a nós, pelo exemplo e intercessão delas, ser homens e mulheres de oração; gritar a Deus dia e noite, sem nos cansarmos; deixar que o Espírito Santo reze em nós, e orar apoiando-nos mutuamente para permanecermos com os braços erguidos, até que vença a Misericórdia Divina.


Sacerdote que se salvou da morte e fez o Papa Francisco chorar será criado Cardeal



VATICANO, 10 Out.2016 / 05:00 pm (ACI).- Ernest Simoni é um sacerdote idoso que sobreviveu à pena de morte imposta pelo regime comunista da Albânia em 1963, salvou-se da morte e seu testemunho fez o Papa Francisco chorar durante a visita a este país em setembro 2014. Ontem, da Praça de São Pedro, o Pontífice anunciou que o Pe. Simoni será criado Cardeal no consistório de novembro.

O Santo Padre fez este anúncio no final da Missa do Jubileu Mariano, quando indicou que no dia 19 de novembro, durante a vigília de encerramento da Porta Santa da Misericórdia, criará 13 novos cardeais com direito a voto. Entretanto, também criará outros quatro cardeais que, devido à sua idade, não terão este direito, mas quer homenageá-los com este reconhecimento, pelo seu testemunho e trabalho apostólico nos anos anteriores.

“Eles representam muitos Bispos e sacerdotes que em toda a Igreja edificam o povo de Deus, anunciando o amor misericordioso de Deus no cuidado diário do rebanho do Senhor e na confissão de fé”, afirmou Francisco.

Entre eles, está o Pe. Simoni, sacerdote que sofreu a perseguição religiosa do ditador comunista Enver Hoxha, que proclamou a Albânia “o primeiro estado ateu do mundo”.

O sacerdote nasceu em Troshani em 1928 e foi ordenado sacerdote em 1956, doze anos depois que os comunistas tomaram o poder na Albânia.

O Código de Direito Canônico estabelece no artigo 351: “Os Cardeais a promover são escolhidos livremente pelo Romano Pontífice, pertencentes pelo menos à ordem do presbiterado, e que se distingam notavelmente pela doutrina, costumes, piedade e prudente resolução dos problemas; os que ainda não forem Bispos, devem receber a consagração episcopal”. Ou seja, qualquer sacerdote pode ser feito cardeal.

O martírio do Pe. Simoni

Conforme relatou o Pe. Simoni em setembro de 2014 – durante a visita do Papa Francisco –, em dezembro de 1944 o regime comunista ateu buscou eliminar a fé e o clero com “prisões, torturas e assassinatos de sacerdotes e leigos durante sete anos seguidos, derramando o sangue dos fiéis, alguns dos quais antes de ser fuzilados gritavam: ‘Viva Cristo Rei!’”.

Ao ver que não conseguiam alcançar o seu objetivo, em 1952, as autoridades comunistas reuniram os sacerdotes que sobreviveram ao regime e ofereceram a liberdade em troca de distanciar-se do Papa e do Vaticano, proposta que estes jamais aceitaram.

Assim, o Pe. Simoni relatou que antes de ser ordenado sacerdote estudou com os franciscanos de 1938 a 1948, mas, quando seus superiores foram fuzilados pelos comunistas, seguiu seus estudos clandestinamente. “Dois anos terríveis se passaram e no dia 7 de abril de 1956 fui ordenado sacerdote, um dia depois da Páscoa, e na Festa da Divina Misericórdia celebrei minha Primeira Missa”, indicou.

Em 24 de dezembro de 1963, ao concluir a Missa de Vésperas de Natal, quatro oficiais apresentaram o decreto de prisão e fuzilamento e o padre foi algemado e detido. No interrogatório, disseram-lhe que seria enforcado como um inimigo porque disse ao povo “que morreremos todos por Cristo se for necessário”.

As torturas o deixaram em um estado muito ruim. “O Senhor quis que continuasse vivendo”. Entre os cargos que lhe imputaram figurava celebrar uma Missa pela alma do Presidente John F. Kennedy, assassinado um mês antes de sua prisão, e por ter celebrado Missa, por indicação do Papa Paulo VI, por todos os sacerdotes do mundo.

“A Divina Providência quis que minha condenação à morte não fosse realizada imediatamente. Na sala, trouxeram outro prisioneiro, um querido amigo meu, com o propósito de me espiar, e começou a falar mal do partido”, relatou o sacerdote ao Papa Francisco.

“De todos os modos, eu respondia que Cristo tinha nos ensinado a amar os inimigos e a perdoá-los e que nós devíamos nos empenhar no bem do povo. Essas minhas palavras chegaram aos ouvidos do ditador que após alguns dias livrou-me da pena de morte”, explicou o Pe. Simoni.

Os comunistas trocaram sua sentença de morte por uma pena de 28 anos de trabalhos forçados. “Trabalhei nos canais de esgotos e durante o período da prisão celebrei a Missa, confessei e distribuiu a comunhão escondido”, relatou.

O sacerdote foi liberado quando caiu o regime comunista e começou a liberdade religiosa. “O Senhor me ajudou a servir tantos povos e a reconciliar muitas pessoas, afastando o ódio e o diabo dos corações dos homens”, assegurou antes de concluir seu testemunho diante do Papa Francisco.

“Santidade, seguro de poder expressar a intenção dos presentes, eu peço que pela intercessão da Santíssima Mãe de Cristo, o Senhor lhe dê vida, saúde e força na condução do grande rebanho que é a Igreja de Cristo, Amém”, concluiu o sacerdote antes de dar ao Papa um abraço que levou às lágrimas o Pontífice e os presentes.


IRMÃ LUCIA DE FÁTIMA: O ROSÁRIO É A ARMA DOS ÚLTIMOS TEMPOS



REDAÇÃO CENTRAL, 15 Out. 16 / 08:00 am (ACI).- Em 26 de dezembro de 1957, Padre Agostinho Fuentes, postulador da causa de beatificação de Francisco e Jacinta Marto, entrevistou a vidente das aparições de Fátima, Irmã Lúcia dos Santos, que assegurou que “o Rosário é a arma de combate das batalhas espirituais dos últimos tempos”.
Esta entrevista, à qual também assistiram alguns membros do alto clero, aconteceu no Convento das Religiosas Carmelitas Descalças de Santa Teresa, em Coimbra (Portugal).
Ali Irmã Lúcia manifestou que a Santíssima Virgem disse, tanto a seus primos como a ela, que dois eram os últimos remédios que deus dava ao mundo: o Santo Rosário e o Imaculado Coração de Maria.
A religiosa, que faleceu em 2005, destacou que com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas.
“Por isso, o demônio fará todo o possível para nos distrair desta devoção; nos colocará muitos pretextos: cansaço, ocupações etc., para que não rezemos o Santo Rosário”, advertiu.
Neste sentido, ressaltou que o programa de salvação é brevíssimo e fácil, porque com o Santo Rosário “praticaremos os Santos Mandamentos, aproveitaremos a frequência dos Sacramentos, procuraremos cumprir perfeitamente nossos deveres de estado e fazer o que Deus quer de cada um de nós”.
“Não há problema por mais difícil que seja: seja temporal e, sobretudo, espiritual; seja referente à vida pessoal de cada um de nós ou à vida de nossas famílias, do mundo ou comunidades religiosas, ou à vida dos povos e nações; não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário”, enfatizou a religiosa.


Papa canonizará sete novos santos: mártires e próximos dos pobres

O Papa Francisco preside, na manhã deste domingo (16/10/2016), na Praça São Pedro, à Santa Missa de Canonização de sete novos santos da Igreja católica.

São eles: Salomão Leclercq (1745-1792), José Sanchez do Río (1913-1928), Manuel González Garcia (1877-1940), Ludovico Pavoni (1784-1849), Afonso Maria Fusco (1839-1910), Isabel da Santíssima Trindade (1880-1906) e José Gabriel do Rosário Brochero (1840-1914).

• Salomão Leclercq, mártir, natural da França, da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs ou Lassalistas, durante os anos violentos da Revolução Francesa, foi preso e assassinado barbaramente, em 1792, no jardim do Convento dos Carmelitas, teatro de um dos mais terríveis massacres.

• José Sanchez do Río, leigo e mártir, nascido no estado de Michoacan, México. Com a explosão da guerra chamada “cristera”, durante a perseguição religiosa, com apenas 14 anos, foi preso e torturado para que regasse à sua fé. Foi assassinado, em 1928, no cemitério da sua terra natal. Suas últimas palavras foram: “Viva Cristo Rei! Viva Nossa Senhora de Guadalupe!”

• Manuel González Garcia, nasceu em Sevilha, Espanha. Ao se tornar sacerdote fundou a “Obra das Três Marias e dos Discípulos de São João. Sendo ordenado Bispo auxiliar de Málaga, fundou a União Eucarística Reparadora e da Congregação das Irmãs Missionárias Eucarísticas de Nazaré. Durante a guerra civil espanhola, revolucionários queimaram quase todas as igrejas e a sede episcopal. Dom Manuel, escritor de obras de espiritualidade eucarística e catequética, faleceu em Madrid em 1940.

• Ludovico Pavoni nasceu em Brescia, norte da Itália, sacerdote, dedicou-se aos pobres e abandonados, para os quais fundou o Instituto de São Barnabé, do qual nasceu a Congregação dos Filhos de Maria Imaculada. Deu um notável impulso às actividades editoriais e tipográficas. Durante o conflito dos “Dez Dias” em Brescia, Padre Ludovico tentou salvar seus jovens dos saques e das violências, foi acometido por uma broncopneumonia, vindo a falecer em 1949.

• Afonso Maria Fusco, sacerdote, nasceu na província italiana de Salerno, dedicou-se com grande zelo ao sacramento da Reconciliação e à pregação assídua da Palavra de Deus. Para ir ao encontro da instrução dos menores pobres, abriu uma escola em sua casa, que, posteriormente, se concretizou com a fundação da Congregação das Irmãs de São João Batista. A nova Instituição dedicou-se à educação das crianças órfãs e necessitadas. Padre Fusco faleceu em 1910, em Agri, sua cidade natal.

• Isabel da Santíssima Trindade, monja professa francesa, da Ordem das Carmelitas Descalças, nasceu no campo militar francês de Avor, em Bourges. Aos 18 anos, fez o voto de virgindade, que a levou a se dedicar à vida monacal do Carmelo de Dijon. A “grande mística” carmelita, contemporânea de Santa Teresinha do Menino Jesus, morreu em 1906, aos 26 anos, após um longo sofrimento, que suportou com fé e amor, devido à doença de Addison.

• José Gabriel do Rosário Brochero, sacerdote diocesano, nasceu em Cordova, Argentina, em 1840. conhecido como “El cura Brochero”, assim chamado, carinhosamente, pelos antigos moradores das áreas rurais da Argentina, Uruguai e do Sul do Brasil. O Padre gaúcho percorreu a Argentina, em cima de uma mula, para levar a educação e a mensagem do Evangelho de Jesus aos povos das regiões mais remotas e pobres do país. Divulgou a prática dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, conseguindo muitas conversões. Apesar de ser acometido pela hanseníase, continuou a levar adiante a sua missão pastoral. O “El cura Brochero” faleceu em 1914 e foi beatificado pelo Papa Francisco em 2013.

Durante seus 3 anos e meio de Pontificado, Francisco proclamou 29 santos, em oito cerimónias no Vaticano, duas fora da Itália (EUA e Sri Lanka) e sete canonizações por equipolência ou seja, sem necessidade de outro milagre. Entre os santos proclamados por Francisco recordamos, entre outros, os Papas João XXIII e João Paulo II, Madre Teresa de Calcutá e o Padre José de Anchieta.


Papa Francisco prossegue em suas mensagens diárias no Twitter:

15/10/2016
Hoje, Santa Teresa de Ávila nos convida a rezar mais, para estar mais perto de Deus e melhorar a nossa vida.
14/10/2016
Deus nunca deixa de querer o nosso bem, mesmo quando pecamos.


Papa aos avós: cada estação da existência é um dom de Deus

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã deste sábado, 15.outubro.2016, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de 7 mil avôs e avós. Um evento organizado pela “Senior Italia Federanziani”, junto com a Anla Onlus, Associação Nacional Trabalhadores Idosos, e com a colaboração de muitas associações da terceira idade. Participaram avós em representação de um mundo, “o dos idosos”, muitas vezes marginalizado.

O encontro com o Papa Francisco representou o ápice e o encerramento da Festa dos Avós 2016, organizada pela “Fundação Senior Italia à qual aderiu a Anla Onlus: com grande entusiasmo chegaram a Roma de todas as partes da Itália e também do exterior, com o convite do Papa a “não parar de remar” porque “precisamos dos sonhos dos avós, e de escutar esses sonhos”, disse um dos organizadores.

Festa dos Avós

No seu discurso aos presentes o Papa Francisco expressou a sua alegria em poder viver junto com eles este dia de reflexão e oração, inserido no contexto da Festa dos Avós. Manifesto o meu apreço – disse o Santo Padre - aos que enfrentaram dificuldades e desconforto para estar aqui neste encontro; e ao mesmo tempo estou próximo a todas as pessoas idosas, sozinhas e doentes, que não puderam sair de casa, mas que se unem a nós espiritualmente.

“A Igreja olha para as pessoas idosas com afeto, reconhecimento e grande estima. Elas são parte essencial da comunidade cristã e da sociedade, em particular representam as raízes e a memória de um povo. Vocês são uma presença importante, porque a sua experiência constitui um tesouro precioso, indispensável para olhar o futuro com esperança e responsabilidade. A sua maturidade e sabedoria, acumuladas nos anos, podem ajudar os mais jovens, sustentá-los no caminho do crescimento e da abertura ao futuro, na busca de seu caminho”.

Nunca se deve perder a confiança em Deus

Os idosos, de fato, - continuou o Papa - testemunham que, também nas provações mais difíceis, nunca se deve perder a confiança em Deus e no futuro melhor. Eles são como árvores que continuam dando frutos: Não obstante o peso dos anos, podem dar sua contribuição original por uma sociedade rica de valores e por uma afirmação da cultura da vida.

O Papa Francisco recordou que não são poucos os idosos que dedicam o seu tempo e seus talentos que Deus lhes deu, abrindo-se à ajuda e apoio aos outros. E o que dizer de seu papel no âmbito familiar?

“Quantos avós cuidam dos netos, transmitindo com simplicidade aos pequenos a experiência de vida, os valores espirituais e culturais de uma comunidade e de um povo! Nos países que sofreram uma grave perseguição religiosa, foram os avós que transmitiram a fé às novas gerações, conduzindo as crianças a receberem o Batismo num contexto de clandestinidade sofrida”.

Testemunhar os valores

Em um mundo como o atual, em que a força e aparência se tornam muitas vezes um mito, vocês têm a missão de testemunhar os valores que realmente contam e que permanecem para sempre, porque estão inscritos no coração de cada ser humano e são garantidos pela Palavra de Deus.

Como pessoas da terceira idade, vocês, ou melhor, nós, - disse Francisco -, porque eu também faço parte dessa categoria, somos chamados a trabalhar por um desenvolvimento da cultura da vida, testemunhando que cada estação da existência é um dom de Deus e tem a sua beleza e a importância mesmo se marcadas por fragilidades.

O Papa agradeceu ao Senhor pelas muitas pessoas e estruturas que se dedicam cotidianamente no serviço aos idosos, para favorecer contextos humanos adequados, em que cada um possa viver dignamente esta etapa importante da própria vida.

As instituições e as várias realidades sociais podem fazer ainda muito para ajudar os idosos e para fazer isso, é preciso combater a cultura nociva do descarte, que marginaliza os idosos, considerando-os improdutivos.

Testemunhar os valores com coragem

É importante também – acrescentou -, favorecer a ligação entre as gerações. O futuro de um povo requer o encontro entre jovens e idosos: os jovens são a vitalidade de um povo a caminho e os idosos reforçam esta vitalidade com a memória e a sabedoria.

“Queridos avôs e queridas avós, obrigado pelo exemplo que vocês oferecem de amor, dedicação e sabedoria. Continuem testemunhando com coragem esses valores! Que não falte para a sociedade o seu sorriso e o brilho bonito de seus olhos! Eu os acompanho com a minha oração, e vocês também não se esqueçam de rezar por mim”.

O encontro com o Papa Francisco na Sala Paulo VI foi precedido por um espetáculo, durante o qual os protagonistas foram os próprios avós que contaram o que eles fazem todos os dias e, sobretudo, quanto bem os idosos fazem à coletividade.


Papa encontra o Presidente da Argentina: "Força e em fente"!

Cidade do Vaticano (RV) – Em sua série de audiências, na manhã deste sábado (15/10/16), o Santo Padre recebeu, no Vaticano, o Presidente da República Argentina, Mauricio Macri, com sua família.

É a segunda vez que o Presidente argentino visita o Vaticano. A primeira, em 27 de fevereiro passado, quando os colóquios, de 22 minutos, se deram a portas fechadas.

Na ocasião, Mauricio Macri havia convidado Francisco a visitar seu país. Mas, segundo o próprio Papa, em uma mensagem ao povo argentino, por ocasião do Bicentenário da Independência do país, não poderá realizá-la nem no próximo ano, devido seus numerosos compromissos. “O mundo, afirmou na mensagem, é maior que a Argentina. Deixemos ao Senhor a escolha de uma data oportuna”.

Após a audiência, em uma coletiva de imprensa, na Embaixada da Argentina junto à Santa Sé, o Presidente Macri afirmou aos jornalistas: “Após quase uma hora de encontro, o Papa me disse: “Força e em frente!”

O encontro com o Papa, segundo Macri, foi “bom e positivo”, pois ambos se conhecem há anos; no passado, encontraram-se diversas vezes e mantiveram vários contatos telefônicos. Falando do Papa, Macri disse que ele “é um verdadeiro líder moral”.

Referindo-se ainda ao encontro de hoje com Francisco, o Presidente Macri declarou que foram abordados vários temas, como a preocupação com a situação da Argentina e do mundo.

Depois, Mauricio Macri expôs ao Papa seu novo plano de infraestruturas e, sobretudo, do sistema de transporte ferroviário, que o Papa conhece muito bem. Aliás, disse-lhe Francisco, “cada rede ferroviária que se recompõe é uma comunidade que revive, pois cria trabalho e, assim, não se deve ir procurá-lo em outros lugares.

Por fim, Francisco e Macri conversaram sobre o alto nível de pobreza na Argentina. Neste sentido, ambos concordaram que “não se pode perder nem mesmo um segundo”, pois os números representam as tantas famílias que vivem em necessidade.

Ao se despedir do Santo Padre, o Presidente argentino deu-lhe de presente uma escultura do artista argentino, Alejandro Marmo, realizada com materiais descartáveis, que simboliza o diálogo entre as três grandes Religiões do mundo.


Papa na Aldeia SOS: "Nenhuma criança nasce para crescer sozinha"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa tomou mais uma iniciativa espontânea nesta “Sexta da Misericórdia” (14/10/2016), ao visitar um Centro familiar no bairro Aurélio da capital italiana, que acolhe cerca de 30 crianças em condições de dificuldade pessoal, familiar e social.

A “Aldeia SOS” é composta de cinco casas; cada uma acolhe no máximo seis crianças, meninos e meninas, até aos 12 anos de idade. A responsável da casa chama-se “Mãe SOS”.

A finalidade da Aldeia é acompanhar as crianças durante o crescimento, no âmbito de uma verdadeira família, até à sua  integração na sociedade.

O Papa chegou, improvisamente, na parte da tarde, à Aldeia SOS, levando balas e doces para as crianças, com as quais brincou e lanchou, as abraçou e as abençoou.

O Presidente da Aldeia SOS, Pier Carlo Visconti, disse que havia recebido um telefonema de Dom Rino Fisichella, dizendo que o Papa estava indo visitá-los. De fato, após meia-hora, ele já estava lá”.

Em suas palavras de saudação espontâneas, Francisco dirigiu-se, de modo particular, aos responsáveis da estrutura, dizendo: “O trabalho de vocês é importantíssimo porque nenhuma criança nasce para crescer sozinha”.

Mas, de onde provêm aquelas crianças? Foi o que a Rádio Vaticano perguntou ao Diretor da estrutura, Paolo Contini, que disse:

“As nossas crianças provêm de realidades sociais degradantes, que vão das dificuldades econômicas aos problemas de pais toxicômanos, violência ou simplesmente pobreza cultural; são crianças que não podem contar com seus pais e, provisoriamente, se encontrar ali na esperança de um futuro melhor para suas respectivas famílias. Desta forma, os hóspedes da Aldeia levam uma vida de verdadeira família e formam um pequeno núcleo familiar. Enfim, foi geral a alegria e a surpresa das crianças com a visita inesperada do Papa, tanto é verdade que uma delas perguntou: “Mas este é o Papa de verdade”? Da nossa parte, ficamos muito impressionados pela frase que Francisco disse ao se despedir: “Nenhuma criança nasce para crescer sozinha”. Eis a grande lição que ele nos deixou para levar seriamente adiante o nosso trabalho com maior responsabilidade”.


Francisco: atual modelo de produção de alimentos está esgotado

Rádio Vaticano (RV) – O Papa rechaçou o atual modelo mundial de produção de alimentos que, segundo o Pontífice, “com toda a sua ciência, consente que cerca de 800 milhões de pessoas passem fome”.

Em mensagem enviada nesta sexta-feira, (14/10/2016) à Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, Francisco abordou inicialmente a questão das mudanças climáticas, pedindo que as decisões do Acordo de Paris “não fiquem somente nas palavras, mas se tornem em valentes decisões concretas”.

“No setor de atuação da FAO, está crescendo o número daqueles que pensam que são onipotentes e podem ignorar o ciclo das estações ou modificar indevidamente as diferentes espécies de animais e plantas, provocando a perda desta variedade que, se existe na natureza, significa que tem – e há de ter – uma função”, observou o Papa.

Sabedoria ancestral

No contexto das manipulações genéticas, o Papa observou ainda que “obter uma qualidade que dá excelentes resultados em laboratório pode ser vantajoso para alguns, mas pode ter efeitos desastrosos para outros”.

Neste ponto, Francisco convida a dar a devida atenção à sabedoria dos produtores rurais.

“Esta sabedoria que os agricultores, os pescadores, os pecuaristas conservam na memória das gerações, e que agora vêm como está sendo ridicularizada e esquecida por um modelo de produção que beneficia somente pequenos grupos e uma pequena porção da população mundial”, denunciou o Papa.

Caravana dos últimos

O Papa recordou ainda que as mudanças climáticas também contribuem para que “a mobilidade humana não pare”.

“Os dados mais recentes revelam que são cada vez mais os migrantes climáticos, que engrossam as filas desta caravana dos últimos, dos excluídos, daqueles a quem é negado um papel na grande família humana. Um papel que não pode ser outorgado por um Estado ou por um status, mas que pertence a cada ser humano enquanto pessoa, com sua dignidade e seus direitos”, apontou.

Distribuição justa

“Já não basta se impressionar e se comover diante de quem, em qualquer latitude, pede o pão de cada dia”, afirmou o Papa, ao condenar o desperdício de alimentos.

“É necessário decidir-se e atuar. Muitas vezes, também enquanto Igreja católica, recordamos que os níveis de produção mundial são suficientes para garantir a alimentação de todos, com a condição de que haja uma justa distribuição”, disse.

A mensagem do Papa termina com um apelo para uma mudança de rumo, à qual todos estamos chamados a cooperar:

“Cada um em seus âmbitos de responsabilidade, mas todos com a mesma função de construtores de uma ordenação interna nos países e uma ordenação internacional, que permita que o desenvolvimento não seja somente uma prerrogativa de poucos, nem que os bens da criação sejam patrimônio dos poderosos”.


Papa: "Dizer sempre a verdade para não cair na hipocrisia"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu a missa na Capela Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta sexta-feira (14/10/2016). Em sua homilia, abordando o Evangelho do dia, ele lembrou que Jesus convida a proteger-se do “fermento dos fariseus”.

Francisco observou que “existe um fermento bom e um fermento ruim. O que faz crescer o Reino de Deus e o que faz somente a aparência do Reino de Deus.

O fermento – afirma – faz sempre crescer; quando é bom, se torna um bom pão, substancioso, consistente... uma boa massa, porque cresce bem. Já o fermento ruim não faz crescer bem”. Para explicar este conceito, o Pontífice contou um episódio de sua infância:

Os biscoitos da vovó

“Lembro-me que no Carnaval, quando éramos pequenos, a vó fazia biscoitos com uma massa bem fina. Ela a jogava no óleo e ela inchava, crescia... mas quando começávamos a comer, víamos que o biscoito era vazio... a vó dizia ‘são como as mentiras: parecem grandes, mas não têm nada dentro, nada de verdade; não têm substância’. Jesus nos diz: ‘Fiquem atentos, guardem-se do fermento ruim, o dos fariseus’. E qual é? A hipocrisia. Protejam-se bem do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”.

A hipocrisia – prosseguiu o Papa – é quando se invoca o Senhor com os lábios, mas o coração fica distante dele:

Hipocrisia, esquizofrenia espiritual ou nominalismo existencial

“É uma divisão interna, a hipocrisia. É quando se diz uma coisa e se faz outra. É uma espécie de esquizofrenia espiritual. O hipócrita é um simulador: parece bom, gentil, mas tem um facão dentro de si! É como Herodes: com quanta cortesia havia recebido os Reis Magos! E depois, no momento de se despedir, diz: ‘Vão, mas voltem, e me digam aonde está o menino, para que eu vá adorá-lo’. Para matá-lo! O hipócrita tem duas caras! Jesus, falando destes doutores da lei, diz: ‘Estes dizem e não fazem’: uma outra forma de hipocrisia; um nominalismo existencial: quando acreditam que, dizendo as coisas, se faz tudo, mas não. As coisas devem ser feitas e não só ditas. E o hipócrita é um nominalista; acha que falando, se faz tudo. O hipócrita é também incapaz de se auto acusar. Nunca vê uma mancha em si mesmo; acusa os outros. Pensemos no cisco e na trave... e assim podemos descrever este fermento, que é a hipocrisia”.

Dizer a verdade e não ter duas caras

Convidando a um exame de consciência, para entender se crescemos com o fermento bom ou o ruim, o Papa pergunta: “Com que espírito fazemos as coisas? Com que espírito rezamos? Com que espírito me dirijo aos outros? Com o espírito que constrói? Ou com o espírito que se transforma em ar? O importante – conclui o Papa – é não nos enganarmos, não nos mentirmos, mas dizer a verdade”:

“Com quanta verdade as crianças se confessam! Nunca, nunca, as crianças dizem mentiras na confissão; nunca dizem coisas abstratas. ‘Fiz isso, aquilo, aquilo outro...’ sempre concretas. As crianças, quando estão diante de Deus e diante dos outros, dizem coisas concretas. Por que? Porque têm o fermento bom, o fermento que as faz crescer como cresce o Reino dos Céus. Que o Senhor nos dê, a todos nós, o Espírito Santo e a graça da lucidez para nos dizer com que fermento eu cresço, com que fermento eu ajo. Sou uma pessoa leal, transparente, ou sou um hipócrita?”.


Castel Gandolfo: Papa destina seu apartamento a museu

Cidade do Vaticano, 14.outubro,2016 (RV) – Três anos e meio depois da decisão de renunciar ao apartamento papal, no terceiro andar do Palácio Apostólico, o Papa decidiu renunciar também definitivamente ao uso do apartamento de Castel Gandolfo e anexá-lo ao museu já existente.

Residência para férias de verão

‘Residência de verão’ de todos Papas desde o início do século VII, aquela ala do Palácio nunca foi utilizada por Francisco para o descanso. Nos poucos dias em que repousa no verão, o Pontífice prefere permanecer na Casa Santa Marta. Assim, as salas de Castel Gandolfo, vazias desde 2013, serão abertas à visita de fiéis e turistas, assim como as restantes.

O museu será inaugurado no próximo 21 de outubro com a exibição de um coral chinês com o concerto “A beleza nos une”, na linha das intenções do Papa de construir pontes também com a China, país sempre no centro das atenções da diplomacia pontifícia.

Abertura ao público dos lugares privativos

São muitos os lugares exclusivos da residência que Francisco abre ao público. Antes de tudo, o quarto: um cômodo com as janelas voltadas para o mar, sem dúvida a o mais reservado de todo o Palácio. Após o desembarque estadunidense em Anzio, em janeiro de 1944, os arredores de Castel Gandolfo se transformaram em um dos mais sangrentos palcos de batalha da Segunda Guerra Mundial. O quarto, assim como as outras salas, foi destinado às gestantes. No leito utilizado pelos Pontífices nasceram naqueles meses cerca de quarenta bebês.

Pouco além do quarto, está a pequena capela na qual os Papas rezavam sozinhos. Na sequência, encontram-se a Biblioteca do Pontífice e o pequeno escritório, onde os Papas do passado, até Bento XVI, escreviam encíclicas e homilias. Há ainda dois cômodos reservados ao secretário particular e ao secretário adjunto; e o Salão dos Suíços, assim chamado porque antigamente era ali que se preparava o corpo da guarda armado que desde 1506 presta serviço aos Papas. Enfim, a Sala do Consistório, que recebeu raramente hóspedes leigos, pois era utilizada em geral apenas para as reuniões do colégio cardinalício com o Pontífice.

A partir de 21 de outubro, e até pelo menos quando Francisco estiver na Sé Pontifícia, tudo isto será uma vaga recordação. Mas não é dito que não possam voltar tempos como os de João XXIII, que gostava da residência de verão e frequentemente passeava pelas cidades, colinas ou praias vizinhas, em meio às pessoas. Ou os de João Paulo II, que brincava com os filhos dos funcionários nos jardins. Também Bento XVI gostava de ir e à noite ouviam-se as notas do seu piano. Já Pio XI construiu uma horta e uma granja com galinhas e vacas, e ainda hoje, seus produtos são vendidos diariamente no supermercado do Vaticano.


Crianças migrantes, vulneráveis e sem voz preocupam o Papa

Cidade do Vaticano, 13.outubro.2016  (RV) – “Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz”: é o tema com o qual o Papa Francisco chama a atenção para a edição 2017 do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que se celebra em 15 de janeiro.

Acolhimento e responsabilidade no cuidado das crianças

Francisco desenvolve inicialmente o conceito de acolhimento e a responsabilidade que este acarreta. Menciona a exploração de meninas e meninos na prostituição e na pornografia, sua escravização no trabalho ou como soldados e seu envolvimento no tráfico de drogas. Fala de crianças forçadas por conflitos e perseguições a fugir, com o risco de se encontrarem sozinhas e abandonadas.

O Pontífice pede que cuidemos das crianças, pois elas são três vezes mais vulneráveis – menores de idade, estrangeiras e indefesas – quando, por vários motivos, são forçadas a viver longe da sua terra natal e separadas do carinho familiar.

Menores pagam o preço mais oneroso, perdem o direito a ser criança

A respeito da proveniência das migrações, o Papa explica que hoje, o fenômeno toca todos os continentes, e os menores são os que pagam o preço mais oneroso, por serem privados de suas necessidades únicas e irrenunciáveis: o direito a um ambiente familiar saudável e protegido e o direito-dever de receber uma educação adequada. Elas têm também o direito de brincar e fazer atividades recreativas; têm direito a ser criança.

No entanto, as crianças migrantes, vulneráveis, invisíveis e sem voz, ressalva o Pontífice, “acabam facilmente nos níveis mais baixos da degradação humana, onde a ilegalidade e a violência queimam o seu futuro”. Como responder a esta realidade?

O que a Igreja pode fazer? Proteger e defender

O Papa responde: “Com a certeza de que ninguém é estrangeiro na comunidade cristã, a Igreja deve reconhecer o desígnio de Deus também neste fenômeno, que faz parte da história da salvação”. Mas como?  

Em primeiro lugar, garantindo proteção e defesa aos menores migrantes; evitando que as crianças se tornem objeto de violência física, moral e sexual, porque “a linha divisória entre migração e tráfico pode tornar-se às vezes muito sutil”.

Intervir contra quem explora os menores

Por outro lado, há de se combater também a demanda, intervindo com maior rigor e eficácia contra os exploradores. E os próprios imigrantes devem colaborar mais com as comunidades que os recebem, trocando informações e fortalecendo redes para assegurar ações tempestivas e capilares. 

Em segundo lugar, é preciso trabalhar pela integração das crianças e adolescentes migrantes. O Papa recorda que a condição dos migrantes menores de idade é ainda mais grave quando ficam em situação irregular ou ao serviço da criminalidade organizada e são destinados a centros de detenção.

Violência em centros de detenção

Na condição de reclusos por longos períodos, são expostos a abusos e violências de vário gênero. Francisco adverte que os Estados têm o direito de administrar os fluxos migratórios e salvaguardar o bem comum nacional, mas o dever de resolver e regularizar a posição dos migrantes de menor idade.

Outra questão fundamental, do ponto de vista do Papa, é a adoção de procedimentos nacionais adequados e de planos de cooperação concordados entre os países de origem e de acolhimento, tendo em vista a eliminação das causas da emigração forçada dos menores.

Esforço da comunidade internacional para extinguir as causas

Em terceiro lugar, o Papa apela para que se busquem e adotem soluções duradouras e neste sentido, é necessário o esforço de toda a comunidade internacional para extinguir os conflitos e as violências que constringem as pessoas a fugir. 

Incentivar quem acompanha os migrantes

Por fim, Francisco dirigiu uma palavra de encorajamento às pessoas que caminham ao lado de crianças e adolescentes pelas vias da emigração: eles, assim como a Igreja, precisam da sua ajuda preciosa; e os apoia no serviço generoso que prestam. E concluindo, confia todos os menores migrantes, suas famílias e suas comunidades à proteção da Sagrada Família de Nazaré, para que vele por cada um e a todos acompanhe no caminho”.

Esta foi a mensagem que o Papa Francisco no deixou nesta quinta-feira em seu Twitter:

13/10/2016
Vivemos o Evangelho quando ajudamos os pequeninos e vulneráveis. #migrants
13/10/2016
Confio todos os menores migrantes à proteção da Sagrada Família de Nazaré.
13/10/2016
Ninguém é estrangeiro na comunidade cristã. #migrants
13/10/2016
As crianças têm o direito a um ambiente familiar saudável e protegido. #migrants


Papa a católicos e luteranos: juntos testemunhamos a misericórdia de Deus

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência nesta quinta-feira (13/10/2016), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de mil participantes da Peregrinação de Luteranos e Católicos.

O Pontífice manifestou sua alegria por este encontro, realizado no âmbito da peregrinação ecumênica iniciada na região de Lutero, na Alemanha, e concluída na sede do Bispo de Roma. Francisco saudou e agradeceu aos bispos que acompanharam e apoiaram os fiéis nessa iniciativa.

“Demos graças a Deus porque hoje, luteranos e católicos, estão prosseguindo no caminho que vai do conflito à comunhão. Percorremos juntos um pedaço de estrada importante. Ao longo do caminho experimentamos sentimentos contrastantes: dor pela divisão que ainda existe entre nós, mas também alegria pela fraternidade reencontrada. A sua presença tão alegre e numerosa é um sinal evidente desta fraternidade, e nos dá a esperança de que continue crescendo a compreensão recíproca.”

Caminho ecumênico

O Apóstolo Paulo nos diz que, em virtude de nosso Batismo, formamos um único Corpo em Cristo. Todos os membros do corpo formam um só corpo. “Por isso, pertencemos uns aos outros e quando um sofre, todos sofrem, quando um se alegra, todos se alegram. Prossigamos com confiança o nosso caminho ecumênico, pois sabemos que, além das questões abertas que ainda nos separam, já estamos unidos. O que nos une é muito mais do que o que nos divide”, disse ainda Francisco.

O Papa recordou que no final deste mês visitará a Catedral Luterana de Lund, na Suécia, para recordar, junto com a Federação Luterana Mundial, depois de cinco séculos, o início da reforma de Lutero e agradecer ao Senhor pelos cinquenta anos de diálogo oficial entre luteranos e católicos.

União

“Parte essencial desta comemoração será dirigir o nosso olhar para o futuro, em vista de um testemunho cristão comum ao mundo de hoje, que tem muita sede de Deus e de sua misericórdia. O testemunho que o mundo espera de nós é sobretudo o de tornar visível a misericórdia que Deus tem por nós através do serviço aos pobres, aos doentes, a quem abandonou sua terra para procurar um futuro melhor para si e seus entes queridos. Ao nos colocar a serviço dos mais pobres experimentamos o estar unidos: é a misericórdia de Deus que nos une”, disse Francisco.

O Papa encorajou os jovens a serem testemunhas da misericórdia. “Enquanto os teólogos levam adiante o diálogo no campo doutrinal, vocês continuem buscando com insistência ocasiões para se encontrar, se conhecerem melhor, rezar juntos e oferecer sua ajuda recíproca, recordando também de todos aqueles que vivem na necessidade.”

“Assim, livres de todo preconceito e confiando somente no Evangelho de Jesus Cristo, que anuncia a paz e a reconciliação, vocês serão os verdadeiros protagonistas de uma nova era deste caminho, que, com a ajuda de Deus, levará à plena comunhão”, concluiu o Pontífice.


Papa: o cristão está sempre a caminho, fazendo o bem

Rádio Vaticano (RV) - O Papa celebrou a missa matutina na capela da Casa Santa Marta nesta quinta-feira, (13/10/2016). Em sua homilia, Francisco traçou o perfil do bom cristão que deve sempre sentir em si a benção do Senhor e caminhar adiante fazendo o bem.

“O cristão é abençoado pelo Pai, por Deus. É uma pessoa escolhida”, disse o Pontífice detendo-se nos traços desta bênção, partindo da Carta de São Paulo aos Efésios.

“Deus nos chamou um por um, não como uma multidão oceânica. Fomos escolhidos, esperados por Deus”, disse Francisco.

“Pensemos num casal quando espera um filho. Como será? Como será o seu sorriso? Como falará? Ouso dizer que também nós, cada um de nós, foi sonhado pelo Pai, como um pai e uma mãe sonham o filho que esperam. Isso nos dá uma segurança grande. O Pai quis cada um de nós, e não uma massa de gente, não! Cada um de nós. Este é o fundamento, é a base da nossa relação com Deus. Falamos com um Pai que nos quer bem, que nos escolheu, que nos deu um nome.”

Grande consolo

“Entende-se quando um cristão não se sente escolhido pelo Pai. Quando sente que pertence a uma comunidade é como um torcedor de futebol. O torcedor escolhe o time e pertence àquele time”, disse o Pontífice.

“O cristão é um escolhido, é uma pessoa sonhada por Deus. Quando vivemos assim, sentimos no coração um grande consolo, não nos sentimos abandonados, não nos é dito: se vire como puder”, frisou.

O segundo traço da bênção do cristão é o sentir-se perdoado. “Um homem ou uma mulher que não se sente perdoado, não é plenamente cristão.”

Perdão

“Todos nós fomos perdoados com o preço do sangue de Cristo. Mas do que eu fui perdoado? Lembre-se das coisas feias que fez, não as que fez o seu amigo, o seu vizinho, a sua vizinha: mas o que você fez. O que eu fiz de mal na vida? O Senhor perdoou estas coisas. Sou abençoado, sou cristão. O primeiro traço: sou escolhido, sonhado por Deus, com um nome que Deus me deu, amado por Deus. O segundo: sou perdoado por Deus.”

O Papa falou então sobre a terceira característica do cristão. "É um homem e uma mulher rumo à plenitude, ao encontro com Cristo que nos redimiu”.

“Não se pode entender um cristão parado. O cristão sempre deve ir adiante, deve caminhar. O cristão parado é aquele homem que recebeu um talento e por causa do medo da vida, medo de perdê-lo, medo do patrão, medo ou comodismo, o enterrou e deixou o talento ali, e ele fica tranquilo e passa a vida sem caminhar. O cristão é um homem a caminho, uma mulher a caminho, que sempre faz o bem, procura fazer o bem, caminha adiante.”

“Esta é a identidade cristã. Abençoados, porque escolhidos, perdoados e a caminho”. Nós não somos anônimos, não somos soberbos a ponto de não precisar do perdão. Não somos pessoas paradas”, disse o Papa.

“Que o Senhor nos acompanhe com esta graça da benção que nos deu, a benção de nossa identidade cristã”, concluiu.


Papa: ecumenismo de sangue une os cristãos

Cidade do Vaticano (RV) - Antes da Audiência Geral, desta quarta-feira (12/10/2016), o Papa Francisco recebeu na saleta da Sala Paulo VI, no Vaticano, os participantes da Conferência dos Secretários das Comunhões Cristãs Mundiais (Christian World Communions).

Duas frases proferidas pelo responsável da delegação chamaram a atenção do Pontífice. A primeira: Jesus está conosco; e a segunda:
Jesus caminha conosco.

“Estas coisas me fazem refletir e me perguntar: Sou capaz de crer que Jesus está conosco? Sou capaz de caminhar com todos e também com Jesus? Muitas vezes pensamos que o trabalho ecumênico seja apenas o dos teólogos. É importante que os teólogos estudem, entrem de acordo e expressam desacordo. Isso  é muito importante. Entretanto, o ecumenismo se faz a caminho e a caminho com Jesus, não com o meu Jesus contra o teu Jesus, mas com o nosso Jesus”, disse Francisco.

Segundo o Papa, o caminho é simples: “Faz-se com a oração e com a ajuda aos outros. Rezar sempre: ecumenismo da oração uns com os outros e todos pela unidade. O ecumenismo do trabalho em prol de tantas pessoas carentes, muitos homens e mulheres que hoje sofrem injustiças, guerras, coisas terríveis. Todos juntos devemos ajudar, ter caridade para com o próximo. Isto é ecumenismo. Esta é a unidade. Unidade a caminho com Jesus.”
  O Papa Francisco disse que existe outro ecumenismo que devemos reconhecer e que hoje é muito atual: o ecumenismo de sangue.

“Quando os terroristas ou as potências mundiais perseguem as minorias cristãs ou os cristãos, eles não perguntam: “Você é luterano? Ortodoxo? Católico? Reformado? Pentecostal? Não. É cristão e basta.”

“O inimigo não erra, sabe reconhecer bem onde está Jesus. Este é o ecumenismo do sangue. Hoje, somos testemunhas disso. Penso nos irmãos coptas ortodoxos que foram degolados na praia da Líbia, por exemplo. São nossos irmãos. Eles testemunharam Jesus e morreram dizendo: “Jesus ajuda-nos”! Confessaram o nome de Jesus. Portanto, ecumenismo da oração, ecumenismo do caminho. O inimigo nos ensina o ecumenismo de sangue”, concluiu o Papa.


Obras de misericórdia: melhor antídoto ao vírus da indiferença, afirma o Papa

Cidade do Vaticano (RV) – As obras de misericórdia são o melhor antídoto ao vírus da indiferença: foi o que disse o Papa Francisco aos milhares de fiéis reunidos na Praça S. Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira (12/102016).

O Pontífice anunciou que nas próximas semanas dedicará suas catequeses a essas 14 obras – sete corporais e sete espirituais – que a Igreja nos apresenta como o modo concreto de viver a misericórdia.

Não se trata de realizar grandes esforços ou gestos sobre-humanos, explicou o Papa. Jesus nos indica uma estrada muito mais simples, feita de gestos pequenos, mas de tão grande valor aos Seus olhos, sobre os quais seremos julgados.

As que socorrem as pessoas nas suas necessidades materiais são chamadas obras corporais: dar de comer, dar de beber, vestir os nus, abrigar os peregrinos, assistir aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos .

Mas há também as sete obras de misericórdia espirituais: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos.

Obras simples, mas urgentes

“Num mundo infelizmente ferido pelo vírus da indiferença, as obras de misericórdia são o melhor antídoto. De fato, nos educam à atenção para as exigências mais elementares dos nossos irmãos mais fracos, nos quais Jesus está presente. É sempre Jesus que está presente no necessitado. Reconhecer a sua face em quem está na necessidade é um verdadeiro desafio contra a indiferença.”

Com frequência, acrescentou o Papa, estamos distraídos, indiferentes, e quando o Senhor passa perto de nós, perdemos a ocasião de encontrá-Lo. Por isso, as obras de misericórdia despertam em nós a exigência e capacidade de tornar viva e operosa a fé com a caridade.

“Estou convencido de que com esses simples gestos cotidianos podemos realizar uma verdadeira revolução cultural. Se cada um de nós fizer pelo menos uma obra de misericórdia por dia, teremos uma revolução!”

Francisco citou o exemplo de Santa Teresa de Calcutá, que não é lembrada pelas muitas casas que abriu no mundo, mas porque se inclinava sobre cada pessoa que encontrava abandonada no meio da estrada para lhe devolver a dignidade.

“Que o Espírito Santo acenda em nós o desejo de viver com este estilo de vida. Pelo menos uma obra por dia. Aprendamos novamente de cor as obras corporais e espirituais de misericórdia e peçamos ao Senhor que nos ajude a colocá-las em prática todos os dias. É o momento em que vemos Jesus numa pessoa que está necessitada.”


Papa: não à “religião da maquiagem”, refutar aparências

Rádio Vaticano (RV) – A liberdade cristã vem de Jesus, “não das nossas obras”. O Papa desenvolveu sua meditação matutina nesta terça-feira (11/10/2016), a partir da Carta de São Paulo aos Gálatas para então refletir sobre o Evangelho do dia, no qual Jesus repreende um fariseu que só dava atenção às aparências e não à substância da fé.

Àquele doutor da lei, disse o Papa, que havia criticado Jesus porque não havia feito as abluções antes do almoço o Senhor responde claramente:

“‘Vocês fariseus limpam o externo do copo e do prato mas por dentro vocês estão cheio de avidez e de maldade’. Jesus repete isso muitas vezes no Evangelho a esta gente: ‘vocês são maus por dentro, não é justo, não é livre. Vocês são escravos porque não aceitaram a justiça que vem de Deus, a justiça que nos deu Jesus’”.

Em um outro trecho do Evangelho, prosseguiu o Papa, Jesus pede que se reze sem que se seja visto, sem aparecer. Alguns, notou o Papa, eram “caras de pau”, “não tinham vergonha”: rezavam e davam esmolas para que lhes admirassem. O Senhor, ao contrário, indica a estrada da humildade.

Não à “religião da maquiagem”

“O que importa – reflete o Papa e nos diz Jesus – é a liberdade que nos deu a redenção, que nos deu o amor, que nos deu a recriação do Pai”:

“Aquela liberdade interna, aquela liberdade de se fazer o bem escondido, sem tocar os trompetes, porque a estrada da verdadeira religião é a mesma de Jesus: a humildade, a humilhação. E Jesus, Paulo diz aos Filipenses, humilhou a Si mesmo, esvaziou a Si mesmo. É a única estrada para nos tirar o egoísmo, a cobiça, a soberba, a vaidade, a mundanidade. Ao contrário, esta gente que Jesus repreende é gente que segue a religião da maquiagem: a aparência, o aparecer, fingir parecer mas por dentro... Jesus usa para esta gente uma imagem muito forte: ‘Vocês são túmulos reluzentes, bonitos por fora mas dentro cheios de ossos de mortos e podridão’”.

Rejeitar as aparências

“Jesus – retomou Francisco – nos chama, nos convida a fazer o bem com humildade”. “Você – disse – pode fazer todo o bem que quiser mas se não o faz humildemente, como nos ensina Jesus, este bem não serve, porque é um bem que nasce de você mesmo, de sua segurança e não da redenção que Jesus nos deu”. A redenção, acrescentou, “vem pela estrada da humildade e das humilhações porque não se chega à humildade sem as humilhações. E vemos Jesus humilhado na cruz”:

“Peçamos ao Senhor que não nos cansemos de caminhar por esta estrada, de não nos cansarmos de rejeitar esta religião da aparência, do parecer, do fingir ser... E caminhar silenciosamente fazendo o bem, gratuitamente como nós gratuitamente recebemos a nossa liberdade interior. E que Ele proteja esta liberdade interior de todos nós. Peçamos esta graça”.

O Santo Padre continua, incansavelmente, evangelizando de todas as formas, por todos os meios, prega sem cessar: nas homilias quase diárias em Santa Marta, nos Angelus, nas Audiências, nas Vídeo-Mensagens, nos Telefonemas, nas Viagens Apostólicas, nos Tweets, Francisco é um Papa Pregador. Prega Jesus, Jesus Misericordioso. Leiam as últimas mensagens que nos deixou em seu Twitter:

11/10/2016
Aby żyć szczęśliwie, konieczne jest uwolnienie się od żalu, złości, przemocy i zemsty.
11/10/2016
Para viver felizes é necessário deixar de lado o rancor, a raiva, a violência e a vingança.
10/10/2016
Nenhuma sentença vale sem esperança. #NoDeathPenalty


Papa: proximidade às vítimas de furacão no Haiti

No final da Eucaristia do Jubileu Mariano deste Ano da Misericórdia, 9.outubro.2016, o Santo Padre recitou a oração do Angelus e na sua mensagem referiu-se ao furacão que atingiu as Caraíbas, em particular, o Haiti, provocando numerosas vítimas e deslocados e enormes danos materiais.

O Papa Francisco assegurou a sua proximidade às populações e exprimiu a sua confiança no sentido de solidariedade da comunidade internacional, das instituições católicas e das pessoas de boa vontade.

Dirigindo-se aos fiéis presentes na Praça de São Pedro o Santo Padre pronunciou as palavras de S. João Paulo II para Nossa Senhora a 8 de outubro do ano jubilar 2000:

“Maria, queremos confiar-te o futuro que nos espera. A humanidade pode fazer deste mundo um jardim, ou reduzi-lo a um monte de escombros”. Que a Virgem nos ajude a escolher a vida “acolhendo e praticando o Evangelho de Cristo Salvador” – disse o Papa no Angelus.


Papa: agradecer a Deus os benefícios da sua misericórdia

Domingo, 9 de outubro de 2016, Jubileu Mariano neste Ano Santo da Misericórdia. Na homilia da Missa na Praça de S. Pedro o Papa perguntou se somos capazes de dizer obrigado em família, na comunidade e na Igreja.

Íntegra da homilia:

O Evangelho deste domingo convida-nos a reconhecer, com maravilha e gratidão, os dons de Deus. Ao longo da estrada que O leva à morte e à ressurreição, Jesus encontra dez leprosos, que vêm ao seu encontro, param à distância e gritam o seu infortúnio àquele homem em quem a fé deles intuiu um possível salvador: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!» (Lc 17, 13). Estão doentes, e procuram alguém que os cure. Em resposta, Jesus disse-lhes que fossem apresentar-se aos sacerdotes, que, segundo a Lei, estavam encarregados de constatar uma eventual cura. Desta forma, não Se limita a fazer uma promessa, mas põe à prova a sua fé. Pois, naquele momento, os dez ainda não estão curados; recuperam a saúde enquanto vão a caminho, depois de ter obedecido à palavra de Jesus. Então todos, cheios de alegria, se apresentam aos sacerdotes e seguem depois pela sua estrada, mas esquecendo o Doador, ou seja, o Pai que os curou por meio de Jesus, seu Filho feito homem.

Apenas uma exceção: um samaritano, um estrangeiro que vive marginalizado do povo eleito, quase um pagão. Este homem não se contenta com ter obtido a cura através da sua própria fé, mas faz com que uma tal cura atinja a sua plenitude voltando atrás para expressar a sua gratidão pelo dom recebido, reconhecendo em Jesus o verdadeiro Sacerdote que, depois de o ter erguido e salvado, pode fazê-lo caminhar acolhendo-o entre os seus discípulos.

Como é importante saber agradecer, saber louvar por tudo aquilo que o Senhor faz por nós! Assim podemos perguntar-nos: somos capazes de dizer obrigado? Quantas vezes dizemos obrigado em família, na comunidade, na Igreja? Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, a quem está ao nosso lado, a quem nos acompanha na vida? Muitas vezes consideramos tudo como se nos fosse devido! E isto acontece também com Deus. É fácil ir ter com o Senhor para Lhe pedir qualquer coisa, mas voltar para Lhe agradecer… Por isso Jesus sublinha fortemente a falta dos nove leprosos ingratos: «Não foram dez os que ficaram purificados? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?» (Lc 17, 17-18).

Nesta Jornada Jubilar, é-nos proposto um modelo – antes, o modelo – a contemplar: Maria, a nossa Mãe. Depois de ter recebido o anúncio do Anjo, Ela deixou brotar do seu coração um cântico de louvor e agradecimento a Deus: «A minha alma glorifica o Senhor….» Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a entender que tudo é dom de Deus e a saber agradecer: então – garanto-vos eu – a nossa alegria será completa. Só aquele que sabe agradecer, experimenta a plenitude da alegria.

Para saber agradecer, é preciso também a humildade. Na primeira Leitura, ouvimos o caso singular de Naaman, comandante do exército do rei da Síria (cf. 2 Re 5, 14-17). Está leproso; para se curar, aceita a sugestão duma pobre escrava e confia-se aos cuidados do profeta Eliseu, que para ele é um inimigo. Naaman, porém, está disposto a humilhar-se. E, dele, Eliseu não pretende nada; manda-o apenas mergulhar na água do rio Jordão. Esta exigência deixa Naaman perplexo, até mesmo contrariado: poderá porventura ser verdadeiramente um Deus, Aquele que pede coisas tão banais? E estava para voltar a casa, mas depois aceita mergulhar no Jordão e, imediatamente, fica curado.

O coração de Maria, mais do que qualquer outro, é um coração humilde e capaz de acolher os dons de Deus. E, para Se fazer homem, Deus escolheu-A precisamente a Ela, uma jovem simples de Nazaré, que não vivia nos palácios do poder e da riqueza, que não realizou feitos extraordinários. Interroguemo-nos – far-nos-á bem – se estamos dispostos a receber os dons de Deus ou preferimos antes fechar-nos nas seguranças materiais, nas seguranças intelectuais, nas seguranças dos nossos projetos.

É significativo que Naaman e o samaritano sejam dois estrangeiros. Quantos estrangeiros, incluindo pessoas doutras religiões, nos dão exemplo de valores que nós, às vezes, esquecemos ou negligenciamos! É verdade; quem vive a nosso lado, talvez desprezado e marginalizado porque estrangeiro, pode-nos ensinar como trilhar o caminho que o Senhor quer. Também a Mãe de Deus, juntamente com o esposo José, experimentou a separação da sua terra. Por muito tempo, também Ela foi estrangeira no Egito, vivendo longe de parentes e amigos. Mas a sua fé soube vencer as dificuldades. Conservemos intimamente esta fé simples da Santíssima Mãe de Deus; peçamos-Lhe a graça de saber voltar sempre a Jesus e dizer-Lhe o nosso obrigado pelos inúmeros benefícios da sua misericórdia.


Papa Francisco: a oração do Rosário é a síntese da história da misericórdia de Deus que se transforma em história de salvação.

Cidade do Vaticano, 8.outubro.2016 (BSSA) – Amados irmãos e irmãs!
Nesta vigília, repassamos os momentos fundamentais da vida de Jesus, em companhia de Maria. Com a mente e o coração, estivemos nos dias do cumprimento da missão de Cristo no mundo. A Ressurreição como sinal do extremo amor do Pai, que de novo traz tudo à vida, e como antecipação da nossa condição futura. A Ascensão como partilha da glória do Pai, onde a nossa própria humanidade encontra um lugar privilegiado. O Pentecostes, expressão da missão da Igreja na história até ao fim dos tempos, sob a guia do Espírito Santo. Além disso, nos dois últimos mistérios, contemplamos a Virgem Maria na glória do Céu – Ela que, desde os primeiros séculos, foi invocada como Mãe da Misericórdia.

Sob muitos aspetos, a oração do Rosário é a síntese da história da misericórdia de Deus que se transforma em história de salvação para aqueles que se deixam plasmar pela graça. Os mistérios que nos são propostos são gestos concretos, em que se desenvolve a ação de Deus em nosso favor. Através da oração e meditação da vida de Jesus Cristo, revemos o seu rosto misericordioso que vai ao encontro de todos nas várias necessidades da sua vida. Maria acompanha-nos neste caminho, apontando para o Filho que irradia a própria misericórdia do Pai. Ela é verdadeiramente a Odigitria, a Mãe que indica o percurso que somos chamados a fazer para sermos verdadeiros discípulos de Jesus. Em cada mistério do Rosário, sentimo-La perto de nós e contemplamo-La como primeira discípula de seu Filho que põe em prática a vontade do Pai (cf. Lc 8, 19-21).

A oração do Rosário não nos afasta dos cuidados da vida; pelo contrário, insta a encarnar-nos na história de todos os dias para sabermos individuar os sinais da presença de Cristo entre nós. Sempre que contemplamos um momento, um mistério da vida de Cristo, somos convidados a individuar o modo como Deus entra na nossa vida, para depois O acolhermos e seguirmos. Assim descobrimos o caminho que nos leva a seguir Cristo no serviço dos irmãos. Acolhendo e assimilando dentro de nós alguns acontecimentos salientes da vida de Jesus, participamos na sua obra de evangelização, para que o Reino de Deus cresça e se propague no mundo. Somos discípulos, mas também missionários e portadores de Cristo, nos lugares onde Ele nos pede para estar presente. Não podemos, portanto, encerrar o dom de sua presença dentro de nós. Pelo contrário, somos chamados a comunicar a todos o seu amor, a sua ternura, a sua bondade, a sua misericórdia. É a alegria da partilha que não se detém perante coisa alguma, porque leva um anúncio de libertação e salvação.

Maria dá-nos a possibilidade de compreender o que significa ser discípulos de Cristo. Desde sempre predestinada para ser a Mãe, Ela aprendeu a fazer-Se discípula. O seu primeiro passo foi pôr-Se à escuta de Deus. Obedeceu ao anúncio do Anjo e abriu o seu coração para acolher o mistério da maternidade divina. Seguiu Jesus, pondo-Se à escuta de cada palavra que saía da boca d’Ele (cf. Mc 3, 31-35); conservou tudo no seu coração (cf. Lc 2, 19), tornando-Se memória viva dos sinais que o Filho de Deus realizou para despertar a nossa fé. Ouvir, porém, não basta; a escuta é certamente o primeiro passo, mas depois precisa de ser traduzida em ação concreta. De facto, o discípulo põe a sua vida ao serviço do Evangelho.

Por isso, a Virgem Maria foi imediatamente ter com Isabel para a ajudar no tempo da sua gravidez (cf. Lc 1, 39-56); em Belém, deu à luz o Filho de Deus (cf. Lc 2, 1-7); em Caná, teve a peito a situação de dois recém-casados (cf. Jo 2, 1-11); no Gólgota, não retrocedeu frente à dor, mas permaneceu ao pé da cruz de Jesus e, por vontade d’Ele, tornou-Se Mãe da Igreja (cf. Jo 19, 25-27); depois da Ressurreição, animou os Apóstolos reunidos no Cenáculo à espera do Espírito Santo, que os transformaria em corajosos arautos do Evangelho (cf. At 1, 14). Em toda a sua vida, Maria realizou quanto se pede à Igreja que cumpra em perene memória de Cristo. Na sua fé, vemos como abrir a porta do nosso coração para obedecer a Deus; na sua abnegação, descobrimos quão atentos devemos estar às necessidades dos outros; nas suas lágrimas, encontramos a força para consolar aqueles que estão mergulhados na tribulação. Em cada um destes momentos, Maria exprime a riqueza da misericórdia divina, que vem em ajuda de cada um nas suas necessidades diárias.

Nesta tarde, invoquemos a nossa terna Mãe do Céu com a oração mais antiga que os cristãos fizeram para se dirigir a Ela, sobretudo nos momentos de dificuldade e martírio. Invoquemo-La com a certeza de sermos socorridos pela sua materna misericórdia, para que Ela, «gloriosa e bendita», nos possa servir de proteção, ajuda e bênção durante todos os dias da nossa vida: «À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita».


Papa a 'Manos Abiertas' "Misericórdia, viagem de ida e volta"

Cidade do Vaticano (RV) – “Misericórdia, uma viagem do coração às mãos” é o título do encontro nacional da organização argentina de voluntariado cristão “Manos Abiertas”, a quem o Papa enviou uma mensagem gravada em vídeo, sábado (08/10/2016).

A organização

A organização, fundada em 1922 e inspirada nos exemplos de Santo Alberto Hurtado e Santa Teresa de Calcutá, tem como missão servir, promover e restituir dignidade aos mais pobres. Os voluntários estão reunidos em Santa Fé, de 7 a 9 de outubro.

Quando a dor do próximo machuca nosso coração

No vídeo, Francisco menciona dois episódios do Evangelho em que Jesus dá prova da compaixão que ‘do coração vai até mãos’: o Bom Samaritano, que cura o homem machucado no cavalo, e Jesus, que faz o filho da viúva levantar e reviver.

Nos dois casos, o coração dos protagonistas foi tocado pela miséria, gerando misericórdia, e não pena. “Pena é outra coisa”, diz o Papa. “Sentimos pena de um animal ferido ou de uma situação dolorosa; mas misericórdia é quando permito que uma situação de dor toque, sacuda, fira meu coração – e esta é a ‘viagem de ida’”.

Misericórdia não é filantropia

“É diferente de ter bons sentimentos, de fazer filantropia... isso é bom, mas não é misericórdia. A misericórdia é uma graça que deve ser pedida ao Senhor. O único caminho para senti-la é reconhecer os nossos pecados e tê-los perdoados pelo Pai. Só assim, rebaixando-nos, nós a receberemos e poderemos ser misericordiosos”.

A viagem do coração às mãos

“E aqui – continuou o Papa – começa a viagem de volta. A de ida é quando deixamos que a dor do outro machuque nosso coração; a de volta vai do coração às mãos, quando doamos a que recebemos do Senhor aos outros”.

Saudando os voluntários que, como Santo Inácio de Loyola, manifestam o amor “mais com gestos que com palavras”, o Papa os abençoou, pedindo que rezem também por ele.


Papa: "Economia seja iluminada pela ética e a dignidade humana"


Cidade do Vaticano, 7.outubro.2016 (RV) – “Precisamos de uma economia iluminada pela ética, que coloque em primeiro lugar o respeito pelas pessoas e promova sociedades inclusivas, criativas e respeitosas da dignidade de todos. Caso contrário, a justiça não se pode afirmar e prosperar como um autêntico motor de desenvolvimento”. Foi o que disse o Papa em uma mensagem enviada à Bienal da Economia Cooperativa em Bolonha.

Francisco enaltece a iniciativa, que tem o objetivo de abrir uma reflexão sobre a necessidade de uma economia iluminada pela ética e o desenvolvimento integral da pessoa. E faz votos que “o mundo das cooperativas se comprometa sempre na promoção de sociedades inclusivas, contribua na realização de uma convivência mais justa e desperte as forças espirituais sem as quais a justiça não pode se afirmar e prosperar”.

A Bienal da Economia Cooperativa é uma ocasião de confronto sobre temas da economia social e desenvolvimento sustentável que envolve vencedores de Nobel, expoentes do governo italiano, economistas, especialistas e estudiosos. O evento é visto como uma 'porta aberta' de intercâmbio de experiências passadas e presentes e debates sobre as iniciativas que visam alcançar os 17 objetivos fixados pela ONU para o desenvolvimento sustentável.


Dia a dia, desde a Festa de Nossa Senhora do Rosário, comemorada dia 7 de outubro, até hoje, domingo, 9 de outubro, quando na Praça de São Pedro o Papa celebrou a Santa Missa do Jubileu Mariano neste Ano da Misericórdia, Francisco vem falando-nos de Nossa Senhora em seus Tweets:

09/10/2016
Nós cristãos temos uma Mãe; a mesma de Jesus; temos um Pai, o mesmo de Jesus. Não somos órfãos!
08/10/2016
Maria quer trazer a todos nós o grande dom que é Jesus; e com Ele, nos traz seu amor, sua paz e sua alegria.
07/10/2016
O Terço é a oração que acompanha sempre a minha vida; é também a oração dos simples e dos santos... é a oração do meu coração.


Juventude é o tema do próximo Sínodo dos Bispos

Cidade do Vaticano, 6.outubro.2016 (RV)  - “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” é o tema da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realizará em outubro de 2018.

De acordo com um comunicado divulgado pela Santa Sé, como de costume, o Papa Francisco escolheu o tema depois de consultar as Conferências Episcopais, as Igrejas Orientais Católicas sui iuris e a União dos Superiores Gerais, e de ouvir as sugestões dos Padres da última Assembleia Sinodal e o parecer do XIV Conselho Ordinário.

“O tema, expressão da solicitude pastoral da Igreja para com os jovens, está em continuidade com o que emergiu nas recentes Assembleias sinodais sobre a família e com o conteúdo da Exortação  Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia”, lê-se no comunicado da Sala de Imprensa.

O texto acrescenta que a finalidade do próximo Sínodo é acompanhar os jovens em seu caminho existencial rumo à maturidade, para que, através de um processo de discernimento, “possam descobrir seu projeto de vida e realizá-lo com alegria, abrindo-se ao encontro com Deus e com os homens, participando ativamente da edificação da Igreja e da sociedade”.


Papa: ecumenismo não é empobrecimento, mas riqueza

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (06/10/2016), na Sala dos Papas, no Vaticano, o Arcebispo de Cantuária, Dr. Justin Welby, Primaz da Comunhão Anglicana, e trinta e cinco Primazes das Províncias Anglicanas.

O Pontífice agradeceu a sua presença e disse que ver os Primazes de várias Províncias da Comunhão Anglicana juntos com o Bispo de Roma é “um bonito sinal fraterno”.

Encontro histórico

“Celebramos solenemente o 50° aniversário do encontro histórico entre o Beato Paulo VI e o Arcebispo Michael Ramsey. Esse encontro deu muitos frutos, basta pensar na criação do Centro Anglicano em Roma, na nomeação do representante permanente do Arcebispo junto à Santa Sé e no início do diálogo teológico, cujo resultado é o volume que contém cinco documentos da segunda fase da Comissão Internacional Anglicano-Católica (ARCIC 1982-2005). Esses frutos provêm de uma árvore que tem suas raízes no encontro de 50 anos atrás.”

Referindo-se ao prosseguimento do caminho comum entre católicos e anglicanos, o Papa pensou em três palavras: oração, testemunho e missão.

Oração

“Ontem à noite celebramos as Vésperas. Esta manhã, vocês rezaram aqui no Túmulo do Apóstolo Pedro. Não nos cansemos de pedir sempre e insistentemente ao Senhor o dom da unidade.”

Testemunho

“Estes 50 anos de encontro e troca de experiências, assim como a reflexão e os textos comuns, nos falam de cristãos que, por fé e com fé, se ouviram e partilharam tempo e forças. Aumentou a convicção de que o ecumenismo não é um empobrecimento, mas uma riqueza. Amadureceu a certeza de que aquilo que o Espírito semeou no outro produz uma colheita comum. Conservemos esta herança como um tesouro e nos sintamos chamados, todos os dias, a doar ao mundo, como Jesus pediu, o testemunho do amor e da unidade entre nós.”

Missão

“Há momento para tudo e este é o tempo em que o Senhor nos interpela, de modo particular, a sair de nós mesmos e de nossos ambientes para levar o seu amor misericordioso a um mundo sedento de paz. Ajudemo-nos reciprocamente a colocar no centro as exigências do Evangelho e a nos doar concretamente nesta missão.”


Papa em Santa Marta: abrir ao Espírito Santo

Quinta-feira, 6 de outubro de 2016: na Missa em Santa Marta o Papa Francisco na sua homilia referiu-se às atitudes que podemos ter com o Espírito Santo.

Será que a nossa «é uma vida pela metade»? Uma vida que ignora a força do Espírito Santo? Ou somos capazes de nos abrirmos a este «grande dom do Pai»? São as questões levantadas pelo Papa Francisco durante a missa.

Partindo das leituras do dia o Santo Padre disse que o Espírito é o “grande dom do Pai. É a força que faz a Igreja sair com coragem para chegar aos confins da terra. O Espírito é o protagonista deste caminhar da Igreja”. O primeiro trecho (Gálatas 3, 1-5), onde nas palavras de são Paulo se encontra «um debate teológico» dedicado ao Espírito, que é «difícil seguir»; e o segundo (Lucas 11, 5-13), no qual se encontra aquela que o Pontífice definiu uma «surpresa»: uma parábola, na qual Jesus «fala da oração e no final diz: Pedi e ser-vos-á dado. Ser-vos-á dado o Espírito, o Espírito Santo como grande dom».

Precisamente daqui surgiu a primeira indicação de Francisco, que quis sublinhar como o Espírito Santo seja «a promessa de Jesus» na Última ceia e «o grande dom do Pai», como se lê na parábola: «O vosso Pai dar-vos-á o Espírito». Um Espírito que é «também a força da Igreja». Não é por acaso, realçou o Papa, que «quando o Espírito ainda não tinha vindo e Jesus tinha subido ao céu, estavam todos fechados, no Cenáculo, tinham um pouco de medo e não sabiam o que fazer». Ao contrário, «a partir do momento em que vem o Espírito, a Igreja abre-se, sai, vai em frente e a Palavra do Senhor chega até aos confins da terra».

Portanto, disse o Pontífice concluindo este primeiro raciocínio, o Espírito Santo é «o protagonista da Igreja», é «o protagonista deste seguir em frente da Igreja»: sem ele há «fechamento, medo», com ele há «coragem».

Na passagem sucessiva da meditação foi acrescentada a provocação para cada cristão: «como é a nossa atitude com o Espírito, como vivemos com o Espírito»?


O Papa teorizou três respostas possíveis. A primeira faz referência à atitude dos Gálatas aos quais são Paulo falava. «É verdade – disse o Pontífice – que todos nós recebemos a lei, mas depois da lei o Senhor justifica-nos com a graça, com o seu filho morto e ressuscitado». Ou seja, nos foi dado «algo mais que a Lei», isto é, Jesus «que dá sentido à lei». Contudo, aqueles Gálatas, mesmo se tinham acreditado em Jesus crucificado, «depois ouviram alguns teólogos que lhes diziam: “Não, não! A lei é lei! O que te justifica é a Lei». E assim «deixavam Jesus Cristo de lado». Praticamente, eram «demasiado rígidos» e «para eles o que mais contava era a lei: deve-se fazer isto, deve-se fazer aquilo». São o mesmo tipo de pessoas que atacavam Jesus e que ele definia «hipócritas».

O que acontece em quem raciocina deste modo? «Este apego à Lei faz ignorar o Espírito Santo» e não deixa «que a força da redenção de Cristo siga em frente graças à obra do Espírito». Ora bem, especificou o Pontífice, é verdade que «existem os mandamentos e que os devemos seguir», mas sempre a partir «da graça deste dom grande que o Pai nos ofereceu». Só assim se compreende deveras a lei, e não reduzindo «o Espírito e o Filho à Lei».

Era precisamente este, explicou o Papa, «o problema desta gente: ignoravam o Espírito Santo e não sabiam ir em frente. Eram fechados, fechados nas prescrições: deve-se fazer isto, deve-se fazer aquilo». E é a mesma tentação na qual pode cair cada cristão: «ignorar o Espírito Santo».

Há também, continuou Francisco, uma segunda atitude, que faz com que o Espírito Santo se «entristeça». Neste sentido «Paulo aos Efésios diz: “Por favor, não entristeçais o Espírito Santo!”». Mas quando é que isto acontece? Quando, afirmou o Papa, «não deixamos que Ele nos inspire, nos leve em frente na vida cristã; quando dizemos “Sim, sim, há o Espírito que dá sentido à minha vida”, mas não deixamos que Ele nos diga – e não com a teologia da lei, mas com a liberdade do Espírito – o que devemos fazer». Então acontece que «não sabemos com qual inspiração fazemos as coisas e tornamo-nos tíbios». Em síntese: esta é «a mediocridade cristã», que se verifica quando se impede que o Espírito realize «a grande obra em nós».

Portanto, a primeira atitude é a de «ignorar o Espírito Santo». É a dos doutores da lei que, sublinhou o Pontífice, «encantam com as ideias, porque as ideologias encantam». Com efeito, são Paulo pergunta: «Ó Gálatas insensatos, quem é que vos fascinou?». Mas é uma reprovação válida também para todos aqueles que se deixam enganar por «quantos pregam com ideologias» e dão a entender que para eles tudo é claro. Ao contrário, explicou Francisco, se é verdade que a revelação de Deus «é muito clara», é também verdade que «devemos encontrá-la no caminho» e que «quantos pensam» ter «toda a verdade nas mãos são ignorantes».

Em segundo lugar, corre-se o risco de entristecer o Espírito Santo. Por fim, há «a terceira atitude», ou seja, a de «se abrir ao Espírito Santo e deixar que o Espírito nos leve em frente». Foi quanto aconteceu aos apóstolos que no dia de Pentecostes «perderam o medo e se abriram ao Espírito Santo». Precisamente isto é sublinhado também no canto do Evangelho da liturgia do dia: «Abre, Senhor, o nosso coração e acolheremos as palavras do teu Filho». O Papa explicou: «Para compreender, para acolher as palavras de Jesus é necessário abrir-se à força do Espírito Santo. E quando um homem, uma mulher, se abre ao Espírito Santo, é como um barco à vela que se deixa arrastar pelo vento e vai em frente, em frente, sem nunca mais parar».

Para viver plenamente esta realidade, sugeriu Francisco, devemos rezar. Com efeito, é quanto se lê também na parábola evangélica, no trecho onde o homem pede com insistência: «Dá-me o pão. Abre a porta, dá-me o pão». E Jesus recorda: «Dado que sois capazes de dar coisas boas aos vossos filhos, o vosso Pai não vos dará o Espírito, o grande dom, a grande coisa boa».

O Pontífice concluiu a meditação sugerindo que cada um se confronte com uma série de questões: «será que ignoro o Espírito Santo?», será que «a minha vida é uma vida pela metade, tíbia, que entristece o Espírito Santo e não deixa em mim a força de ir em frente» ou «é uma oração constante para se abrir ao Espírito Santo, para que Ele me leve em frente com a alegria do Evangelho e me faça compreender a doutrina de Jesus, a verdadeira doutrina, aquela que não fascina, a que não nos torna insensatos, mas a verdadeira» que ensina «o caminho da salvação?».


“ Que o Senhor nos dê esta graça: abrir-nos ao Espírito Santo para não nos tornarmos tolos, encantados, nem homens e mulheres que entristecem o Espírito” – afirmou Francisco no final da sua homilia.


Audiência: Papa recordou a sua viagem à Geórgia e Azerbaijão

Quarta-feira, 5 de outubro de 2016: na audiência geral na Praça de S. Pedro o Papa Francisco recordou a sua recente viagem apostólica à região do Cáucaso visitando a Geórgia e o Azerbaijão.

Na sua catequese o Santo Padre afirmou que esta sua viagem deu continuidade à viagem à Arménia, do passado mês de junho, e foi uma oportunidade de visitar e confirmar os católicos presentes na região do Cáucaso, e de encorajar esses países no seu caminho para a paz e a fraternidade.

Tanto a Geórgia como o Azerbaijão possuem raízes históricas, culturais e religiosas muito antigas – recordou Francisco – mas enfrentam os desafios próprios de nações que reencontraram a independência há apenas 25 anos.

Neste contexto, a “Igreja católica é chamada a fazer-se presente como sinal de caridade e promoção humana, sempre em diálogo com as demais comunidades cristãs”, como é caso dos Ortodoxos na Geórgia, ou com outras religiões, como os mulçumanos do Azerbaijão – referiu o Papa.

A Eucaristia celebrada na Geórgia – disse o Santo Padre – “coincidiu com a memória de Santa Teresinha, padroeira das missões, dando-me a ocasião de recordar que a missão não se faz com proselitismo, mas atraindo as pessoas a Cristo, partindo de uma forte união com Ele, através da oração, adoração e caridade concreta” – afirmou.

Na capital do Azerbaijão – observou ainda Francisco – “celebrei a Eucaristia com a pequena comunidade católica daquele País, salientando que a comunhão com Cristo não impede mas, ao contrário, impulsiona a procurar o diálogo com todos os que creem em Deus, a fim de construir-se um mundo mais justo e fraterno”.

“Que Deus abençoe a Arménia, a Geórgia e o Azerbaijão e acompanhe o caminho do Seu Povo santo peregrino naqueles países” – declarou o Papa no final da sua catequese.

Nas saudações o Santo Padre dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa presentes na praça, principalmente, os fiéis de Angola, Brasil e Portugal:

“Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, particularmente aos fiéis de Angola, Brasil e Portugal. Queridos amigos, obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! Peçamos ao Espírito Santo, artífice da unidade da Igreja e entre os homens, que nos ajude a buscar sempre o diálogo com as pessoas de boa vontade, para que possamos construir um mundo de paz e solidariedade. Que Deus vos abençoe a vós e aos vossos entes queridos!”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção!


Papa à iniciativa privada: não ser espectador das bombas que caem

Cidade do Vaticano, 5.outubro.2016 (RV) – Construir e não destruir: foi o que pediu o Papa aos funcionários do ramo italiano de uma empresa de telefonia, recebidos no Vaticano antes da Audiência Geral, para falar de projetos da iniciativa privada em benefício da população.

De modo especial, o Pontífice comentou o projeto “Instant Schools for Africa”, para favorecer o acesso on line de jovens africanos a recursos educativos, inclusive para residentes em campos de refugiados.

Esta iniciativa, disse Francisco, se insere no amplo e variegado horizonte de intervenções públicas e privadas orientadas na promoção de um mundo mais inclusivo, mais solidário, mais capaz de oferecer oportunidades de desenvolvimento a pessoas e grupos sociais em risco de exclusão.

Depois de ouvir a explicação do projeto, o Papa fez um pedido: que entre os recursos oferecidos aos jovens, possa haver o acesso aos textos sacros das várias religiões, em diversas línguas. “Isso seria um belo sinal de atenção à dimensão religiosa, tão radicada nos povos africanos, e de encorajamento ao diálogo inter-religioso.”

“Pelo que ouvi, concluiu Francisco, este projeto é construtivo, e hoje é preciso ser construtivos, fazer coisas que levem a humanidade avante e não somente ver como caem as bombas sobre pessoas inocentes, crianças, doentes, cidades inteiras. Construir, não destruir!”


Papa Francisco continua twittando todos os dias:

06/10/2016
Deus-Amor se anuncia amando.
05/10/2016
O diálogo ecumênico e inter-religioso não é um luxo, mas é algo de que o mundo, ferido por conflitos e divisões, precisa sempre mais.
04/10/2016
São Francisco ensina-nos a ser instrumentos da paz, cuja fonte é Deus. #LaudatoSi
03/10/2016
Confio a Maria as ansiedades e as dores das populações que em muitas partes do mundo são vítimas inocentes dos conflitos.

Vaticano: Papa convida católicos norte-americanos a votar «em consciência» nas próximas presidenciais


Lisboa, 02 out 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco aconselhou hoje os católicos norte-americanos a votar “em consciência” nas próximas eleições presidenciais, escusando-se a apontar o nome do candidato que considera mais idóneo.

Um dos 70 jornalistas que o acompanharam no voo de regresso desde o Azerbeijão, chamou a atenção para o fato de que ambos candidatos são favoráveis ou ao divórcio ou ao aborto e lhe perguntou em quem então um católico poderia votar.
"Uma escolha difícil para os católicos porque como você me diz há algumas dificuldades em um e em outro candidato", declarou.

“Em campanhas eleitorais, nunca digo seja o que for. O povo é soberano e apenas lhe digo que estude bem as propostas, que reze e escolha em consciência”.

Francisco considera que nalguns países a vida política está demasiado “politizada”, sem que existe uma verdadeira cultura democrática, e que é papel da Igreja Católica ajudar a criar essa “cultura política”.

A conferência de imprensa do Papa, de 50 minutos, deixou um apelo em favor das “vítimas das guerras”, criticando quem bombardeia hospitais ou escolas.

Além de confirmar a visita a Fátima em maio de 2017, o pontífice argentino adiantou que no próximo ano deve viajar até à Índia e o Bangladesh, deixando em aberto possíveis visitas ao continente africano, condicionadas pela “situação política e as guerras”, tal como acontece na Colômbia.

Questionado sobre as relações Vaticano-Pequim, Francisco mostrou-se “otimista”, mas pediu tempo, descartando a hipótese de poder visitar a China proximamente.

Já em relação aos problemas no Cáucaso, região que visitou pela segunda vez este ano, o Papa começou por dizer que com a guerra se “perde tudo”, propondo o caminho do diálogo e da negociação, se necessário com recurso a um “tribunal internacional” para resolver diferendos.

“A Geórgia tem um problema com a Rússia, a Arménia é um país sem fronteiras abertas, tem um problema com o Azerbaijão. É preciso ir ao tribunal internacional se não houver outra via”, exemplificou.

Francisco realizou hoje uma visita de 10 horas ao Azerbaijão, vindo da Geórgia, onde chegou na sexta-feira para a 16ª viagem internacional do seu pontificado.

O Papa tinha visitado a Arménia, em finais de junho deste ano, naquela que foi a sua primeira deslocação ao Cáucaso.


Vaticano: Papa diz que continua a acompanhar homossexuais e que Jesus não os rejeitaria

Lisboa, 02 out 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje em conferência de imprensa que as suas críticas à ideologia do género não implicam uma rejeição de homossexuais ou transsexuais por parte da Igreja Católica.

“Acompanhei na minha vida de sacerdote, de bispo e até de Papa pessoas com tendência e também com prática homossexual”, disse, no voo de regresso a Roma, desde o Azerbaijão.

"Nunca abandonei ninguém", insistiu.

Francisco foi questionado sobre as suas afirmações de sábado, ainda na Geórgia, quando falou numa “guerra mundial” contra a família e o matrimónio, com duras críticas à teoria do 'gender'.

"É um problema de moral, é um problema de moral e deve resolver-se como for possível, sempre com a misericórdia de Deus", observou.

Francisco disse que é importante distinguir a “doutrinação” da teoria do género do acolhimento de cada pessoa.

“Jesus seguramente não diria: ‘Vai-te embora, porque és homossexual'. Não", sublinhou.

Para o Papa, o que está em causa é que as escolas apresentem às crianças “colonizações ideológicas” sobre os temas da identidade sexual, “contra as coisas naturais”.

Francisco relatou que se encontrou pessoalmente com um católico espanhol que mudou de sexo e lhe escreveu a pedir uma audiência.

“É preciso acolher cada caso, acompanhá-lo, estudar, discernir e integrá-lo. Isto é o que o faria Jesus, hoje”, realçou.

O Papa voltou a afirmar que existe uma “guerra mundial” contra o matrimónio, mas recordou que a Igreja Católica deve tratar com misericórdia as “famílias feridas”.

“No matrimónio há problemas e eles resolvem-se com quatro critérios: acolher as famílias feridas, acompanhar, discernir cada caso e integrar”, precisou.

Francisco realizou hoje uma visita de 10 horas ao Azerbaijão, vindo da Geórgia, onde chegara na sexta-feira para a 16ª viagem internacional do seu pontificado.


Azerbaijão: «Nunca mais violência em nome de Deus»

Baku, 02 out 2016 (Ecclesia) – O Papa encerrou hoje na Grande Mesquita de Baku, capital do Azerbaijão, a sua segunda visita à região do Cáucaso, com uma mensagem em favor do diálogo inter-religioso e contra a instrumentalização violenta da fé.

“Deus não pode ser invocado para interesses de parte nem para fins egoístas; não pode justificar qualquer forma de fundamentalismo, imperialismo ou colonialismo. Mais uma vez, deste lugar tão significativo, levanta-se o grito angustiado: nunca mais violência em nome de Deus”, disse Francisco, durante um encontro inter-religioso, que concluiu a sua viagem de três dias, iniciada esta sexta-feira na vizinha Geórgia.

No último compromisso público no Azerbaijão, onde tinha chegado esta manhã, o Papa sustentou que as religiões não devem ser “instrumentalizadas” nem se podem prestar a “apoiar conflitos e confrontos”.

O Papa descalçou-se à entrada da Mesquita, depois de ter sido recebido pelo xeque dos muçulmanos do Cáucaso, Allahshukur Pashazadeh, com quem trocou presentes.

Já perante representantes de várias Igrejas cristãs e responsáveis judaicos, além de líderes islâmicos, Francisco condenou as “reações rígidas e fundamentalistas” dos que querem impor atitudes “extremas e radicalizadas”, que considerou “as mais distantes do Deus vivo”.

O pontífice argentino defendeu uma atitude de “fraternidade” e “partilha” entre religiões para combater as intenções de quem quer “salientar divisões, reacender tensões e enriquecer à custa de conflitos”.

A intervenção elogiou depois a capacidade das religiões de ajudar os seres humanos “em busca do sentido da vida”.

“A religião é, pois, uma necessidade para o ser humano realizar o seu fim, uma bússola a fim de o orientar para o bem e afastá-lo do mal”, precisou.

Francisco pediu uma “ligação virtuosa entre sociedade e religiões, uma aliança respeitosa”  que exige “efetiva e autêntica liberdade” de consciência e de credo.

O Papa convidou os líderes religiosos a procurar um “futuro de paz”, uma necessidade urgente para a “noite dos conflitos” que o mundo está a viver.

No final do encontro, Francisco deixou votos de que cultura e religiosidade dos povos do Cáucaso inspirem o futuro da região a cultura europeia.

A comitiva papal seguiu depois para o Aeroporto de Bacu, concluindo assim a 16ª viagem internacional do pontificado.

Na Geórgia, o Papa apelou à coexistência pacífica entre povos, religiões e Estados no Cáucaso, além de rezar pelas vítimas dos conflitos na Síria e Iraque, numa inédita oração com a comunidade assírio-caldeia (católica), deixando ainda mensagens de reconciliação com a Igreja Ortodoxa, tradicionalmente crítica do papado e do Vaticano.


Azerbaijão: Papa desafia líderes do Cáucaso a procurar a paz

Baku, 02 out 2016 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje aos responsáveis políticos da região do Cáucaso que façam todos os possíveis para promover a paz, durante um discurso na capital do Azerbaijão, onde chegou esta manhã, vindo da Geórgia.

“A fim de se tornar possível a abertura duma fase nova, propiciadora duma paz estável na região, dirijo a todos o convite a não deixem nada de intentado para se chegar a uma solução satisfatória”, disse Francisco, perante cerca de mil representantes da sociedade civil, do corpo diplomático e das autoridades políticas, incluindo o presidente da República do Azerbaijão, Ilham Heydar Aliyev.

A intervenção recordou todos os que tiveram de deixar a sua terra e os que sofrem por causa de “conflitos sangrentos”.

“Espero que a comunidade internacional saiba oferecer, com constância, a sua ajuda indispensável”, desejou o Papa.

Falando no centro ‘Heydar Aliyev’ de Bacu, o pontífice argentino manifestou o seu desejo de que o Cáucaso,” porta entre o Oriente e o Ocidente” seja um lugar onde se superem divergências, “através do diálogo e da negociação”.

O Papa sustentou que não há “alternativa razoável” à busca às “negociações leais e constantes”.

O discurso aludiu em seguida às tentativas de instrumentalizar convicções políticas ou religiosas para “legitimar desígnios de opressão e domínio”.

“Infelizmente, o mundo experimenta o drama de tantos conflitos que encontram alimento na intolerância, fomentada por ideologias violentas e pela negação prática dos direitos dos mais frágeis”, lamentou o Papa.

Antes de seguir para a Grande Mesquita de Bacu, que recebeu um encontro inter-religioso, acolhido pelo xeque dos muçulmanos do Cáucaso, Francisco afirmou que “o apego aos valores religiosos genuínos” é “totalmente incompatível com a tentativa de impor as próprias conceções aos outros, pela violência”.

O programa oficial desta tarde tinha incluído uma homenagem junto do monumento aos “caídos pela independência”, num momento em que o Azerbaijão se prepara para celebrar 25 anos como nação soberana.

O Papa Francisco visitou a Arménia entre os dias 24 e 26 de junho deste ano, naquela que foi a sua primeira visita ao Cáucaso; esta sexta-feira, na Geórgia, deu início a um segundo périplo pera região.


Papa Francisco falou sobre a fé e o serviço na Missa no Azerbaijão

VATICANO, 02 Out.2016 / 02:00 pm (ACI).- Após a visita à Geórgia , o Papa Francisco chegou hoje no Azerbaijão e celebrou a Santa Missa na Igreja da Imaculada Conceição, no centro salesiano da cidade. Durante a celebração estiveram presentes um grupo de fiéis e algumas religiosas Missionárias da Caridade, congregação fundada por Santa Teresa de Calcutá.

Em sua homilia, Francisco destacou: "O serviço é um estilo de vida; mais ainda, resume em si todo o estilo cristão de vida: servir a Deus na adoração e na oração; estar abertos e disponíveis; amar concretamente o próximo; trabalhar com ardor pelo bem comum”.

O Santo Padre explicou que “os cristãos não são chamados a servir apenas para ter uma recompensa, mas para imitar Deus, que Se fez servo por nosso amor”. Ao mesmo tempo, também não somos chamados a servir apenas “de vez em quando, mas a viver servindo”, acrescentou.

No entanto, advertiu que existem “também as tentações, que afastam do estilo de serviço e acabam por tornar a vida inútil”. “Um “coração tíbio” fechado em uma “vida preguiçosa, pouco a pouco acaba por se contentar com uma vida medíocre”.

Devemos tomar cuidado também com a tentação de “pensar como donos” quando o serviço “torna-se um meio e não um fim, porque o fim passou a ser o prestígio; depois, vem o poder, o desejo de ser grande", disse Francisco.

O Bispo de Roma também pediu aos fiéis no país: “Permanecei sempre unidos, vivendo humildemente em caridade e alegria; o Senhor, que cria a harmonia nas diferenças, vos guardará”.

Em seguida, o Papa Francisco comentou as leituras da liturgia do dia e reconheceu que Deus "não favorece o nosso desejo de mudar o mundo e mudar os outros de maneira imediata, mas procura antes de tudo curar o coração, o meu, o seu e coração de cada pessoa; Deus muda o mundo mudando nossos corações, e isso não pode realizar sem nós".

A respeito da fé, o Pontífice disse que é "um dom de Deus" que "devemos pedir sempre", mas "também precisamos cultivá-la". "Não é uma força mágica que desce do céu, nem um “dote" recebido de uma vez para sempre, nem um poder especial que serve para resolver os problemas da vida."

"Para uma fé recebida para satisfazer as nossas necessidades seria uma fé egoísta, totalmente centrada em nós mesmos. Não devemos confundir a fé com ser uma pessoa boa ou sentir-se bem. A fé é uma linha de ouro que nos une ao Senhor, a alegria de estar unidos a Ele; é um dom que vale a vida inteira, mas que dá frutos se contribuímos colocando a nossa parte”.


Diariamente, nesta viagem à Georgia, o Papa Francisco nos dirigiu mensagens em seu Twitter:

02/10/2016
O Senhor, que cria a harmonia das diferenças, proteja sempre essas amadas terras do Cáucaso.
02/10/2016
Dialogar com os outros e rezar por todos: estes são os nossos meios para fazer surgir amor e paz onde há ódio; e perdão onde há ofensa.
02/10/2016
Deus muda o mundo, mudando os nossos corações: quando encontra um coração aberto e confiante, nele pode realizar maravilhas.
01/10/2016
As pessoas pobres e frágeis são a «carne de Cristo» que interpela os cristãos de todas as Confissões.

Papa na Catedral Patriarcal: a túnica sagrada é sinal da unidade cristã

Cidade do Vaticano (RV) - Francisco concluiu suas atividades em terras georgianas, neste sábado (01/10/2016), com uma visita à Catedral Patriarcal Svetyskhoveli, em Mtsketa, antiga capital do país caucásico.

A Catedral Patriarcal é o Centro espiritual da Igreja Ortodoxa da Geórgia, onde, segundo a tradição, se conserva a Túnica de Jesus, venerada no dia 1º de outubro. Na ocasião, são ordenados os Bispos georgianos.

Ao chegar à Catedral, o Santo Padre foi acompanhado, pelo Patriarca ortodoxo, Elias II, à edícula de Santa Sidônia, lugar onde foi sepultada com a preciosa Túnica do Crucificado.

Aos numerosos presentes na Catedral Patriarcal, Autoridades religiosas Ortodoxas, outras denominações Cristãs, Autoridades civis e representantes do Corpo Diplomático e do mundo Acadêmico e Cultural, o Santo Padre pronunciou seu discurso, dizendo:

“No ponto alto da minha peregrinação à terra da Geórgia, agradeço a Deus por poder deter-me em recolhimento neste templo santo. Desejo agradecer vivamente sua acolhida, o comovente testemunho de fé, o bom coração dos georgianos. “Como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos!”.

Depois, dirigindo-se, de modo particular, ao Patriarca Elias II, o Papa expressou sua alegria pelo encontro fraterno e pelo ósculo santo, o unguento perfumado da concórdia, sinais das abundantes bênçãos no caminho da unidade e daquele amado povo. E acrescentou:

“A língua georgiana é rica de significativas expressões, que bem descrevem a fraternidade, a amizade e a proximidade entre as pessoas. Que a partilha da comunhão, na oração e na união das almas, nas alegrias e nas angústias, seja sinal da atitude cristã fraterna, que marca o nosso caminho comum”.

Esta grandiosa Catedral, que conserva tantos tesouros da fé e da história, disse Francisco, nos convida a manter viva a memória do passado. A história da Geórgia, destacou o Pontífice, é como um livro antigo que, em cada página, fala das testemunhas santas e dos valores cristãos, que forjaram a alma e a cultura do país. Este precioso livro narra também a grande abertura, acolhimento e integração, sobre os quais Francisco disse:

“São valores inestimáveis e sempre válidos para esta terra e toda a região; tesouros que exprimem bem a identidade cristã, que se mantém bem fundada na fé e se mostra também aberta e disponível; mas jamais rígida ou fechada”.

A mensagem cristã, recordou o Bispo de Roma, ao longo dos séculos, foi o pilar da identidade georgiana. Mas, o Senhor jamais abandonou esta amada terra. A proximidade do Senhor está representada naquela Catedral pela presença da “túnica sagrada”, -  uma única peça de tecido, sem costuras, que representa a unidade que vem do Alto - que, desde sempre, atraiu a atenção dos cristãos. E o Papa explicou:

A túnica sagrada, mistério de unidade, leva-nos a sentir uma grande amargura pelas divisões, que se formaram entre os cristãos ao longo da história: são verdadeiras dilacerações da carne do Senhor. Porém, a “unidade que vem do Alto”, o amor de Cristo que nos reuniu, nos estimulam a uma caridade sincera, à mútua compreensão e a um espírito fraterno e cristão”.

No entanto, acrescentou Francisco, isto requer um caminho paciente, que deve ser construído com confiança e humildade, sem medo nem desânimo, mas com júbilo e esperança cristã; incentiva-nos a crer que as contraposições podem ser sanadas e os obstáculos removidos; convida-nos a não renunciar jamais às ocasiões de encontro e de diálogo em curso.

O Papa concluiu dizendo: “Somos chamados a ser um só em Cristo Jesus, não colocando em primeiro lugar as discórdias e divisões, porque é muito mais o que nos une do que o que nos divide”. O amor entre os fiéis em Cristo e tudo o que nos aproxima, reconcilia e une, como a fraternidade e a colaboração, possam aumentar cada vez mais, em todos os níveis.


Papa aos agentes de caridade: vosso trabalho favorece a unidade

Tbilis, 1º.outubro.2016 (RV) – Após o encontro com os religiosos na Igreja da Assunção, em Tbilisi, o Papa Francisco dirigiu-se ao Centro de Assistência dos Camilianos, para encontrar os assistidos e os agentes das Obras de caridade da Igreja Católica.

O Santo Padre foi acolhido pelo Diretor do Centro de Assistência camiliano e pela Diretora da Caritas Geórgia. O encontro teve lugar diante do centro. Estavam presentes doentes, cadeirantes, pessoas assistidas pelas obras de Caridade e agentes das diversas realidades caritativas da Igreja Católica na Geórgia.

Oficialmente reconhecida como organização não-governamental em 1994, atualmente a entidade é dirigida pelo Padre Krzystof Kowa. Nos últimos tempos, foi iniciado também um programa de assistência especial aos refugiados dos territórios atingidos por conflitos, em particular vindos da Síria e do Iraque.

O Santo Padre iniciou o seu breve pronunciamento, agradecendo o trabalho realizado pelos agentes de caridade, trabalho este que expressa de maneira eloquente “o amor ao próximo, distintivo dos discípulos de Cristo”. A cada testemunho destes agentes, o Papa manifestou o seu “generoso compromisso ao serviço dos mais necessitados”:

“A vossa atividade é um caminho de cooperação fraterna entre os cristãos deste país e entre fiéis de diferentes ritos. Este encontro sob o signo da caridade evangélica é testemunho de comunhão e favorece o caminho da unidade. Encorajo-vos a continuar por esta estrada exigente e fecunda: as pessoas pobres e frágeis são a «carne de Cristo» que interpela os cristãos de todas as Confissões, instigando-os a agir sem interesses pessoais, mas apenas seguindo o impulso do Espírito Santo”.

Francisco também dirigiu uma saudação especial aos idosos, atribulados, doentes e assistidos pelas várias realidades caritativas, dizendo alegrar-se em poder estar um pouco junto deles, encorajando-os. “Vós sois prediletos de Jesus, que quis identificar-Se com as pessoas que padecem, sofrendo Ele mesmo na sua Paixão », afirmou.

O Papa assim concluiu :

"As iniciativas da caridade são o fruto maduro duma Igreja que serve, dá esperança e manifesta a misericórdia de Deus. Por isso, queridos irmãos e irmãs, a vossa missão é grande! Continuai a viver a caridade na Igreja e a manifestá-la em toda a sociedade, com o entusiasmo do amor que vem de Deus”.

Após o pronunciamento, um grupo de jovens com trajes, músicas e danças típicas apresentou-se, também com cadeirantes, animando e emocionando os presentes.


Papa: hoje guerra mundial contra matrimónio, gender é grande inimigo

Na tarde do dia 1º de outubro de 2016, às 15.45, hora local, o Papa teve na Igreja de Nossa Senhora da Assunção em Tbilisi um encontro com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas. Ao todo cerca de 250 pessoas. Um encontro denso, distensivo e alegre, mas cheio de ensinamentos importantes.

O Papa ouviu, tomando notas, os testemunhos de um jovem de 23 anos, Kahka, de uma mãe de família, Irina, de um seminarista georgiano, Kote, que está para ser diácono, e de um sacerdote arménio.

No seu discurso, improvisado, o Papa amalgamou as questões por eles apresentadas, começando por provocar uma risada ao falar de uma velhota arménia muito humilde, com um dente de ouro à velha maneira, e que percorreu várias horas de autocarro, para ir da Geórgia onde vive, à Arménia ver o sucessor de Pedro e que incansavelmente seguia o Papa nas suas deslocações. E ao perguntar-lhe porque fazia isso, ela respondeu que era a fé.

Um preâmbulo para o Papa falar da firmeza da fé e dos pilares em que assenta: a capacidade de receber dos outros a fé e de a transmitir aos filhos, aos outros – disse Francisco, recordando que, por essa razão, em Cracóvia, deu aos jovens a missão de falar com os avós, de receber deles  e das mães, a água fresca da fé e a fazê-la crescer: “receber a herança da fé  e fazê-la germinar”. Assim como uma planta sem raízes não cresce, também uma fé sem mães e avós não cresce. Mas se a recebermos e não a doarmos também não cresce – sublinhou Francisco.

Em poucas palavras, firmes na fé significa memória (do passado), coragem (no presente), esperança (no futuro) – rematou o Papa.

Referindo-se ao jovem seminarista que disse que tem orgulho de ser católico e sacerdote georgiano, recordando que quando era pequeno, na missa disse à mãe que queria ser como aquele Padre que estava a celebrar, o Papa disse-lhe que isto é todo um percurso, mas que a palavra-chave é memória, memória da primeira chamada, do momento em que o Espirito Santo nos tocou. Todos na vida temos momentos de escuridão, os consagrados também os têm. E quando isto acontece – aconselhou o Papa - não desistir do caminho, não parar, mas voltar com o pensamento aquele momento em que se foi tocado pelo Espírito, perseverar na vocação, naquela carícia através da qual Deus me disse “vem comigo”. E assim a fé permanece firme – disse o Papa – recordando que todos somos pecadores, precisamos de nos confessar e que a Misericórdia e o amor de Jesus é maior do que os nossos pecados.

O testemunho de Irina que falou da importância da fé no matrimónio, deu a oportunidade ao Papa para se deter sobre a beleza do matrimónio e sobre as ameaças que incubem hoje em dia sobre este sacramento cristão:

Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e por isso quem paga o preço do divórcio não são só os próprios esposos e as crianças que sofrem muito com isso, mas é também a imagem de Deus que fica manchada – disse o Papa. Por isso  é preciso fazer de tudo para salvar o matrimónio. É normal que haja dificuldades, litígios, sobretudo quando se mete pelo meio o diabo apresentando uma mulher mais bonita ou um homem mais competente – disse o Papa, mas nunca ir dormir sem fazer as pazes, porque a guerra fria do dia seguinte é muito pior. E em vez de fazer discursos, optar por uma carícia…

É preciso fazer todo o possível para salvar o matrimónio, ajudando os casais. E se ajuda acolhendo, acompanhando, discernindo, integrando. Na comunidade católica deve-se fazer isso. E no casal nunca esquecer estas palavras: posso?, obrigada, perdão… ter sempre em conta a opinião do outro.

O Papa recordou ainda um outro inimigo do matrimónio hoje: a teoria de género, uma guerra mundial para destruir o matrimónio, não com armas, mas com colonizações ideológicas.

Referindo-se de novo à figura da velhota e da mãe à qual o menino disse que queria ser como aquele homem que celebrava a missa, o Papa disse que as mulheres naquela região do mundo têm fama de ser mulheres de fé. E recordou que a Mãe de Jesus é a nossa mãe, a Igreja, esposa de Jesus é a nossa mãe e que com a Mãe Igreja e a Mãe de Jesus podemos ir para a frente. A mulher. Parece que o Senhor tem preferência pelas mulheres como veículos de fé – disse o Papa frisando que será a Mãe Igreja, a mulher, a defender a fé.  Os Monges orientais já diziam que quando há turbulência espiritual é preciso refugiar-se sob o manto de Nossa Senhora.

As últimas palavras do Papa foram relativas ao ecumenismo. Recomendou que se deixe à Teologia o tratamento dos problemas abstractos e que se seja amigo do vizinho ortodoxo, sem procurar convertê-lo. Nunca fazer proselitismo com os ortodoxos. São nossos irmãos, irmãs. Mas devido a complexidades históricas, nos separamos – disse Francisco, pedindo a graça de sermos todos libertados da mundanidade e a sermos homens e mulheres da Igreja. “Firmes na fé, sob o manto da Santa Mãe de Deus”, disse Bergoglio, que concluiu rezando juntamente com a assembleia a “Ave Maria” .


1º DE OUTUBRO - FESTA DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS E DA SAGRADA FACE

 
"Entrei no Carmelo para rezar pelos Sacerdotes." (Santa Teresinha)




Esta é a oração que o Papa Francisco rezou na Geórgia pela paz no mundo

TIFLIS, 30.Setembro.2016 / 04:00 pm (ACI).- No seu primeiro dia de viagem à Geórgia, o Papa Francisco teve um encontro com a comunidade assírio-caldeia do país, depois do seu encontro com o Patriarca Elias II.

A celebração aconteceu na igreja de São Simão, em Tiflis (capital do país). Na chegada ao local, Francisco foi acolhido pelo Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Dom Louis Raphaël Sako, e pelo pároco desta igreja.

O Santo Padre entrou em procissão na capela do Santíssimo entre os fiéis da diáspora assírio-caldeia. Logo depois de um canto e uma oração rezada em aramaico, rezou a seguinte oração pela paz:


Senhor Jesus,

adoramos a vossa cruz,

que nos liberta do pecado, origem de toda a divisão e de todo o mal;

anunciamos a vossa ressurreição,

que resgata o homem da escravidão do fracasso e da morte;

esperamos a vossa vinda na glória,

que leva a cumprimento o vosso reino de justiça, alegria e paz.

Senhor Jesus,

por vossa paixão gloriosa,

vencei a dureza dos corações, prisioneiros do ódio e do egoísmo;

pela força da vossa ressurreição,

arrancai da sua condição as vítimas da injustiça e da opressão;

pela fidelidade da vossa vinda

confundi a cultura da morte e fazei resplandecer o triunfo da vida.

Senhor Jesus,

uni à vossa cruz os sofrimentos de tantas vítimas inocentes:

as crianças, os idosos, os cristãos perseguidos;

envolvei com a luz da Páscoa quem está ferido no seu íntimo:

as pessoas abusadas, privadas da liberdade e da dignidade;

fazei experimentar a estabilidade do vosso reino a quem vive na incerteza:

os exilados, os refugiados, quem perdeu o gosto pela vida.

Senhor Jesus,

estendei a sombra da vossa cruz sobre os povos em guerra:

que eles aprendam o caminho da reconciliação, do diálogo e do perdão;

fazei saborear a alegria da vossa ressurreição aos povos exaustos pelas bombas:

levantai da devastação o Iraque e a Síria;

reúne sob a vossa doce realeza os vossos filhos dispersos:

sustentai os cristãos da diáspora e dai-lhes a unidade da fé e do amor.

Virgem Maria, Rainha da Paz,

Vós que estivestes ao pé da cruz,

alcançai do vosso Filho o perdão dos nossos pecados;

Vós que nunca duvidastes da vitória da ressurreição,

sustentai a nossa fé e a nossa esperança;

Vós que estais sentada como Rainha na glória,

ensinai-nos a realeza do serviço e a glória do amor.

Amém.


Papa: Com a paz e o perdão, somos chamados a vencer os nossos verdadeiros inimigos


TSIBILI, 30 Set. 16 / 01:00 pm (ACI).- Durante o seu primeiro dia de visita à Geórgia, o Papa Francisco teve também um encontro com o Patriarca de toda a Geórgia, Sua Beatitude Elias II. A reunião aconteceu na sede do Patriarcado Ortodoxo do país.

Depois de um encontro em privado, ambos se dirigiram à Sala das Audiências onde estavam presentes as delegações e alguns expoentes do mundo acadêmico e da cultura.

O coral do Patriarcado entoou um canto e depois foi realizado um oferecimento simbólico do chá e do café de boas-vindas. Em seguida, Elias II pronunciou seu discurso e logo após o Papa Francisco fez o seu discurso.

Confira a seguir o discurso completo do Pontífice:

“Constitui para mim uma grande alegria e uma graça particular encontrar Vossa Santidade e Beatitude e os veneráveis Metropolitas, Arcebispos e Bispos, membros do Santo Sínodo. Saúdo ao senhor Primeiro-Ministro e a vós, ilustres Representantes do mundo académico e da cultura.

Vossa Santidade inaugurou uma página nova nas relações entre a Igreja Ortodoxa da Geórgia e a Igreja Católica, ao realizar a primeira visita histórica ao Vaticano dum Patriarca georgiano. Naquela ocasião, trocou com o Bispo de Roma o ósculo da paz e a promessa de rezarmos um pelo outro. Assim foi possível revigorar os laços de grande significado que existem entre nós desde os primeiros séculos do cristianismo. Tais laços incrementaram-se mantendo-se respeitosos e cordiais, como atestam a recepção calorosa aqui reservada aos meus enviados e representantes, as atividades de estudo e pesquisa nos Arquivos do Vaticano e nas Universidades Pontifícias feitas por fiéis ortodoxos georgianos, a presença em Roma duma vossa comunidade alojada numa igreja da minha diocese, e a colaboração, sobretudo de caráter cultural, com a comunidade católica local. Cheguei como peregrino e amigo a esta terra abençoada, quando, para os católicos, está no seu ponto alto o Ano Jubilar da Misericórdia.

Também o santo Papa João Paulo II viera aqui – o primeiro dos Sucessores de Pedro que o fez – num momento muito importante, ou seja, no limiar do Jubileu do ano 2000: viera reforçar os «vínculos profundos e fortes» com a Sé de Roma [Discurso na cerimónia de boas-vindas, Tbilisi, 8 de novembro de 1999: Insegnamenti XXII/2 (1999), 843] e lembrar a grande necessidade que havia, no limiar do terceiro milénio, do «contributo da Geórgia, esta antiga encruzilhada de culturas e tradições, para a edificação (…) duma civilização do amor» [Discurso no Palácio Patriarcal, Tbilisi, 8 de novembro de 1999: Insegnamenti XXII/2 (1999), 848].

Agora, a Providência divina faz-nos encontrar novamente e, face a um mundo sedento de misericórdia, unidade e paz, pede-nos que os vínculos entre nós recebam novo impulso, renovado ardor, de que o ósculo da paz e o nosso abraço fraterno já são um sinal eloquente. Assim a Igreja Ortodoxa da Geórgia, enraizada na pregação apostólica e de modo especial na figura do apóstolo André, e a Igreja de Roma, fundada sobre o martírio do apóstolo Pedro, têm a graça de renovar hoje, em nome de Cristo e da sua glória, a beleza da fraternidade apostólica. De facto, Pedro e André eram irmãos: Jesus convidou-os a deixar as redes e tornar-se, juntos, pescadores de homens (cf. Mc 1, 16-17). Caríssimo Irmão, deixemo-nos de novo olhar pelo Senhor Jesus, deixemo-nos ainda atrair pelo seu convite a pôr de lado tudo o que nos impede de ser, juntos, anunciadores da sua presença.

Nisto temos o apoio do amor que transformou a vida dos Apóstolos. É aquele amor sem igual que o Senhor encarnou – «ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13) – e no-lo deu, para nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 15, 12). A propósito, parecem dirigidas a nós algumas das famosas palavras do grande poeta desta terra: «Leste como os apóstolos escrevem acerca do amor, como o descrevem, como o louvam? Conhece-o, fixa a tua mente naquelas palavras. É que o amor eleva-nos» (S. Rustaveli, O Cavaleiro na pele de tigre, Tbilissi, 1988, morada 785). Verdadeiramente o amor do Senhor eleva-nos, porque nos permite subir acima das incompreensões do passado, dos cálculos do presente e dos medos do futuro.

O povo georgiano testemunhou, ao longo dos séculos, a grandeza deste amor. Nele encontrou a força para se levantar de novo depois de inúmeras provações; nele se elevou até aos cumes duma beleza artística extraordinária. De facto sem amor, como escreveu outro grande poeta, «o sol não reina na cúpula do céu» e, para os homens, «não há beleza nem imortalidade» (Galaktion Tabidze, Sem amor, Tbilissi, 1982, 25). No amor, encontra-se a razão de ser imortal a beleza do vosso património cultural, que se expressa em múltiplas formas, como, por exemplo, a música, a pintura, a arquitetura e a dança. Irmão caríssimo, disto mesmo nos deu digna expressão Vossa Santidade, especialmente compondo preciosos hinos sacros, alguns mesmo em língua latina e particularmente estimados pela tradição católica. Eles enriquecem o vosso tesouro de fé e cultura, dom único oferecido à cristandade e à humanidade, que merece ser conhecido e apreciado por todos.

A gloriosa história do Evangelho nesta terra deve-se de modo especial a Santa Nino, que é comparada aos Apóstolos: ela espalhou a fé sob o sinal particular da cruz feita de lenho de videira. Não se trata duma cruz desnudada, porque a imagem da videira, para além do fruto que sobressai nesta terra, representa o Senhor Jesus. Na verdade, Ele é «a videira verdadeira» e pediu aos Apóstolos para permanecerem fortemente enxertados n’Ele, como ramos, para dar fruto (cf. Jo 15, 1-8).

E para que o Evangelho dê fruto também hoje, é necessário, caríssimo Irmão, que permaneçamos cada vez mais firmes no Senhor e unidos entre nós. A multidão de Santos, que conta este país, encoraja-nos a colocar o Evangelho em primeiro lugar, evangelizando como no passado, e mais do que no passado, livres das amarras dos preconceitos e abertos à perene novidade de Deus. Que as dificuldades não sejam impedimentos, mas estímulos para nos conhecermos melhor, compartilharmos a seiva vital da fé, intensificarmos a oração de uns pelos outros e colaborarmos com caridade apostólica no testemunho comum, para glória de Deus nos céus e ao serviço da paz na terra.

O povo georgiano gosta de comemorar os seus valores mais queridos, brindando com o fruto da videira. A par do amor que eleva, é reservada um papel particular à amizade. «Quem não procura um amigo, de si próprio é inimigo»: lembra ainda o poeta Rustaveli (O Cavaleiro na pele de tigre, morada 847). Desejo ser amigo sincero desta terra e deste povo querido, que não esquece o bem recebido e cujo tratamento hospitaleiro se alia com um estilo de vida genuinamente esperançoso, mesmo no meio das dificuldades que nunca faltam. Também este caráter positivo se enraíza na fé, que leva os georgianos, à volta da própria mesa, a implorar a paz para todos, lembrando até os inimigos.

Com a paz e o perdão, somos chamados a vencer os nossos verdadeiros inimigos, que não são de carne e sangue, mas os espíritos do mal fora e dentro de nós (cf. Ef 6, 12). Esta terra abençoada é rica de heróis valorosos segundo o Evangelho que souberam, como São Jorge, derrotar o mal. Penso em tantos monges e, de modo particular, nos numerosos mártires, cuja vida triunfou «com a fé e a paciência» (Ioane Sabanisze, Martírio de Abo, III): passou através da prensa do sofrimento, permanecendo unida ao Senhor e assim produziu um fruto pascal, irrigando o solo georgiano com sangue derramado por amor. A sua intercessão dê alívio a tantos cristãos que ainda hoje, no mundo, sofrem perseguições e ultrajes e reforce em nós o desejo bom de vivermos fraternalmente unidos para anunciar o Evangelho da paz”.


O Papa Francisco continuou, nestes dias, enviando-nos mensagens diariamente:

01/10/2016
A Deus não se conhece com altos pensamentos e muito estudo, mas com a pequenez dum coração humilde e confiante.
30/09/2016
Senhor Jesus, estendei a sombra da vossa cruz sobre os povos em guerra: que eles aprendam o caminho da reconciliação, do diálogo e do perdão
30/09/2016
Hoje parto para a Geórgia e o Azerbaijão. Acompanhem-me com suas orações para semear juntos paz, unidade e reconciliação.


Papa: Que as diferenças sejam fonte de enriquecimento recíproco

Tbilisi, 30.setembro.2016 (RV) – O primeiro compromisso do Papa Francisco em terras georgianas foi a visita de cortesia ao Presidente da República Giorgi Margvelashvili.

Acolhido na entrada do Palácio Presidencial, o Pontífice e o Chefe de Estado da Geórgia posaram para a fotografia protocolar, dirigindo-se após à Sala da Presidência para um encontro privado. Ao final do colóquio, o Presidente apresentou ao Papa a sua família e houve a troca de dons.

Na sequência, o Papa e o Presidente transferiram-se ao Pátio de Honra do Palácio, para o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático. Após o discurso do mandatário georgiano, Francisco fez o seu primeiro pronunciamento.

Eis a íntegra de seu pronunciamento:

“Senhor Presidente,

Distintas Autoridades,

Ilustres membros do Corpo Diplomático,

Senhoras e Senhores!

Agradeço a Deus Todo-Poderoso por me ter dado a oportunidade de visitar esta terra abençoada, local de encontro e intercâmbio vital entre culturas e civilizações, que achou no cristianismo, desde a pregação de Santa Nino no início do século IV, a sua identidade mais profunda e o fundamento seguro dos seus valores. Como afirmou São João Paulo II ao visitar a vossa pátria, «o cristianismo tornou-se a semente do sucessivo florescimento da cultura georgiana» [Discurso na cerimônia de boas-vindas, 8 de novembro de 1999, 2: Insegnamenti XXII/2 (1999), 841], e esta semente continua a dar os seus frutos. Recordando com gratidão o nosso encontro do ano passado no Vaticano e as boas relações que a Geórgia sempre manteve com a Santa Sé, agradeço-lhe sentidamente, Senhor Presidente, o seu aprazível convite e as palavras cordiais de boas-vindas que me dirigiu em nome das autoridades do Estado e de todo o povo georgiano.

A história plurissecular da vossa pátria manifesta o enraizamento nos valores expressos pela sua cultura, língua e tradições, inserindo o país a pleno título e de modo fecundo e peculiar no álveo da civilização europeia; ao mesmo tempo, como evidencia a sua posição geográfica, é quase uma ponte natural entre a Europa e a Ásia, um gonzo que facilita as comunicações e as relações entre os povos, tendo possibilitado ao longo dos séculos tanto o comércio como o diálogo e a troca de ideias e experiências entre mundos diversos. Como se diz com pundonor no vosso hino nacional, «o meu ícone é a minha pátria, (...) montanhas e vales esplendorosos são partilhados com Deus». A pátria é como um ícone que define a identidade, delineia as características e a história, enquanto as montanhas, erguendo-se livres para o céu, longe de ser uma muralha insuperável, enchem de esplendor os vales, distinguem-nos e relacionam-nos, tornando cada um deles diferente dos outros e todos solidários com o céu comum que os cobre e protege.

Senhor Presidente, já se passaram vinte e cinco anos desde a proclamação da independência da Geórgia, que durante este período, recuperando a sua plena liberdade, construiu e consolidou as suas instituições democráticas e procurou os caminhos para garantir um desenvolvimento o mais possível inclusivo e autêntico. Tudo isto com grandes sacrifícios, que o povo enfrentou corajosamente para se assegurar a tão suspirada liberdade. Almejo que o caminho de paz e desenvolvimento prossiga com o esforço solidário de todas as componentes da sociedade, para criar as condições de estabilidade, equidade e respeito da legalidade suscetíveis de favorecer o crescimento e aumentar as oportunidades para todos.

Tal progresso autêntico e duradouro tem como indispensável condição prévia a coexistência pacífica entre todos os povos e Estados da região. Isto requer que cresçam sentimentos de mútua estima e consideração, que não podem ignorar o respeito das prerrogativas soberanas de cada país no quadro do direito internacional. Para abrir sendas que conduzam a uma paz duradoura e a uma verdadeira colaboração, é preciso estar ciente de que os princípios relevantes para um relacionamento équo e estável entre os Estados estão ao serviço da convivência concreta, ordenada e pacífica entre as nações. De facto, em demasiados lugares da terra, parece prevalecer uma lógica que torna difícil sustentar as legítimas diferenças e as disputas – que sempre podem surgir – num contexto de verificação e diálogo civil onde prevaleça a razão, a moderação e a responsabilidade. Isto revela-se muito necessário no momento histórico atual, em que não faltam também extremismos violentos que manipulam e distorcem os princípios de natureza civil e religiosa, pondo-os ao serviço de obscuros desígnios de domínio e morte.

É preciso que todos tenham a peito primariamente as sortes do ser humano na sua situação concreta e realizem, com paciência, toda e qualquer tentativa para evitar que as divergências descambem em violências, fadadas a provocar enormes ruínas para o homem e a sociedade. Qualquer distinção de caráter étnico, linguístico, político ou religioso, longe de ser utilizada como pretexto para transformar as divergências em conflitos e estes em tragédias sem fim, pode e deve ser, para todos, fonte de enriquecimento recíproco em benefício do bem comum. Isto exige que cada um possa fazer pleno uso das especificidades próprias, a começar pela possibilidade de viver em paz na sua terra ou de retornar a ela livremente se, por qualquer motivo, foi forçado a abandoná-la. Espero que os responsáveis públicos continuem a ter a peito a situação destas pessoas, empenhando-se na busca de soluções concretas, mesmo fora das questões políticas ainda por resolver. Requerem-se clarividência e coragem para reconhecer o bem autêntico dos povos e demandá-lo com determinação e prudência, sendo indispensável ter sempre diante dos olhos os sofrimentos das pessoas para prosseguir com convicção no caminho, paciente e árduo mas também emocionante e libertador, da construção da paz.

A Igreja Católica – há séculos presente neste país, distinguindo-se particularmente pelo seu empenho na promoção humana e nas obras sócio-caritativas – compartilha as alegrias e preocupações do povo georgiano e deseja prestar o seu contributo para o bem-estar e a paz da nação, colaborando ativamente com as autoridades e a sociedade civil. Faço sentidos votos de que ela continue a dar o seu contributo genuíno para o crescimento da sociedade georgiana, através do testemunho comum da tradição cristã que nos une, do seu compromisso a favor dos mais necessitados e mediante um diálogo renovado e mais intenso com a Igreja Ortodoxa Georgiana antiga e as outras comunidades religiosas do país.

Deus abençoe a Geórgia e lhe conceda paz e prosperidade!”


Paz e diálogo: Papa rumo à Geórgia e ao Azerbaijão

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco deixou o Vaticano na manhã desta sexta-feira (30/09/2016) para realizar sua 16ª viagem apostólica internacional.

Trata-se de sua segunda etapa no Cáucaso. Depois de visitar a Armênia em junho passado, agora é a vez de Geórgia e Azerbaijão. “Acompanhem-me com suas orações para semear juntos paz, unidade e reconciliação”, pediu o Pontífice a seus seguidores no Twitter esta manhã.

Ao chegar à capital georgiana, Tbilisi, quatro eventos aguardam o Papa ainda esta sexta-feira:  a visita de cortesia ao Presidente da República, Giorgi Margvelashvili; o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático; o encontro com Sua Beatitude Elias II, Catholicos e Patriarca de toda a Geórgia e, por fim, a oração pela paz com a comunidade assírio-caldeia. Todos esses eventos serão transmitidos ao vivo pela Rádio Vaticano, com comentários em português.

“Pax Vobis” (a paz esteja convosco) é o lema da viagem à Geórgia, marcada pelo ecumenismo. A Igreja ortodoxa georgiana, com a qual a Santa Sé mantém boas relações, é uma das poucas que não reconhecem a validez do batismo administrado pelos católicos. O Papa Francisco e o Patriarca Elias II se abraçarão, mas não rezarão juntos. O Patriarca e Catholicos dos ortodoxos georgianos não participará pessoalmente da missa celebrada pelo Pontífice no sábado, 1° de outubro, mas decidiu enviar uma delegação.

Raízes cristãs

A peregrinação à Geórgia é uma viagem às raízes cristãs da Europa: o cristianismo foi declarado religião de Estado em 337 d.C. e a Igreja georgiana se proclamou autocéfala, tornando-se autônoma do Patriarcado de Antioquia já no século V.

A viagem na fronteira entre Europa e Ásia se insere na tipologia de visitas que Francisco instituiu no Velho Continente: países pequenos, ainda feridos por conflitos,  onde o Papa espera encorajar percursos de reconciliação e de paz. Países onde os católicos são um “pequeno rebanho”, mas nos quais convivem com outras confissões cristãs e com outras religiões. Além disso, o Pontífice terá a oportunidade de aprofundar o drama dos refugiados que fogem da Síria e do Iraque, reunindo-se com a comunidade assírio-caldeia, e dos refugiados do conflito com a Federação Russa em 2008.

Caminho da paz

Em junho passado, o Papa assim explicou a decisão de conhecer essas três nações do Cáucaso: “Acolhi o convite a visitar esses países por dois motivos: de um lado, valorizar as antigas raízes cristãs presentes naquelas terras – sempre em espírito de diálogo com as outras religiões e culturas – e, de outro, encorajar esperanças e sendas de paz. A história nos ensina que o caminho da paz requer uma grande tenacidade e passos contínuos.”


A IGREJA COMEMORA HOJE OS SANTOS ARCANJOS – MIGUEL, RAFAEL E GABRIEL.


Papa exalta herança de Peres, homem de paz


Cidade do Vaticano, 29.setembro.2016 (RV) – O Papa está “profundamente entristecido” pela morte do ex-Presidente israelense Shimon Peres.
Em um telegrama endereçado ao atual Chefe de Estado israelense, Reuven Rivlin, Francisco expressa as suas “mais sentidas condolências” a todo o povo israelense, recordando com afeto o tempo passado com Peres no Vaticano e renovando o seu “grande apreço” pelos seus “esforços incansáveis” em favor da paz.
O Pontífice expressa o desejo de que a memória de Shimon Peres inspire todos “a trabalhar com sempre maior urgência pela paz e a reconciliação entre os povos. Deste modo, a sua herança será realmente honrada e o bem comum pelo qual trabalhou com tanta diligência encontrará novas expressões”, enquanto “a humanidade se esforça para avançar no caminho de uma paz duradoura”.

O Papa conclui a mensagem de pesar assegurando as suas orações “por todos que estão em luto, sobretudo a família Peres” e invoca “as bênçãos divinas de consolação e força sobre a nação”.

Shimon Peres, o último dos pais fundadores de Israel, faleceu na noite de terça-feira (27/09) aos 93 anos, depois de duas semanas de internação devido a um AVC.

Entrou para a história como um dos artífices do Acordo de Oslo em 1993, recebendo o Prêmio Nobel da Paz.

Os funerais terão lugar em Jerusalém. Peres será sepultado entre os Grandes da Nação no cemitério do Monte Herz, em Jerusalém.

O Papa Francisco twittou hoje:

29/09/2016
O Senhor confiou aos Arcanjos a missão de defender os seres humanos.


Síria: proteger civis é um dever imperativo e urgente, diz Papa

Cidade do Vaticano (RV) – Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira (28/09/2016), o Papa fez mais um apelo em prol da Síria. Eis as palavras de Francisco:

“Meu pensamento vai novamente à amada e martirizada Síria. Continuam chegando notícias dramáticas sobre a condição da população de Aleppo, à qual me sinto unido no sofrimento através da oração e da proximidade espiritual. Ao expressar a minha profunda dor e preocupação com o que está acontecendo nesta sofrida cidade – onde morrem crianças, idosos, doentes, jovens.... todos – renovo  a todos um apelo para que se comprometam, com todas as forças, na proteção dos civis, um dever imperativo e urgente. Apelo à consciência dos responsáveis pelos bombardeios, que deverão prestar contas disso diante de Deus.”

Em sua próxima viagem internacional, que tem início na sexta-feira, o Papa Francisco terá a oportunidade de encontrar representantes da comunidade assírio-caldeia em Tbilisi, capital da Geórgia. Com o Patriarca de Babilônia dos Caldeus, o Pontífice fará uma oração de pela paz, de modo especial pela Síria e pelo Iraque.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou domingo (25/09) que pelo menos 139 pessoas morreram nos últimos dias devido aos ataques na parte leste de Aleppo.



Audiência: "A Igreja é de todos; é tempo de misericórdia!"

Cidade do Vaticano (RV) – “O perdão na Cruz” foi o tema da audiência geral desta quarta-feira (28/09/2016). O Papa Francisco começou o encontro com os fiéis na Praça São Pedro com as palavras proferidas por Jesus “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, e desenvolveu uma reflexão baseada no relato do evangelista Lucas sobre os dois malfeitores crucificados com Jesus, que se dirigiram a ele, cada um de um modo.

Desesperado, o primeiro o insulta: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”. Seu grito era angustiado, diante do mistério da morte, ele sabia que somente Deus podia dar uma resposta de salvação.

Jubileu, tempo de graça para bons e maus

Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, cumpre-se a sua doação de amor e nos salvamos para sempre. Fica demonstrado que a salvação de Deus pode chegar a todos, em qualquer condição, mesmo a mais dolorosa. “Por isso, prosseguiu o Papa, o Jubileu é tempo de graça e misericórdia para todos, bons e maus, estejam em saúde ou na doença. Nada nos pode separar do amor de Cristo!”.

“A quem está crucificado numa cama do hospital, a quem vive recluso num cárcere, a quem está encurralado pelas guerras, eu digo: Levantai os olhos para o Crucificado. Deus está convosco, permanece convosco na cruz e a todos se oferece como Salvador”.

O bom ladrão que respeita Deus

O segundo malfeitor era o chamado ‘bom ladrão’. Suas palavras foram um modelo maravilhoso de arrependimento. Primeiro, ele se dirige a seu companheiro: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena?”, uma expressão que evidencia o temor de Deus – não o medo de Deus – mas o respeito que lhe é devido.

Continuando, o Papa explicou que “o bom ladrão se dirige diretamente a Jesus, confessa abertamente a própria culpa, invoca sua ajuda, o chama por nome, pede a Jesus que se lembre dele: é a necessidade do homem de não ser abandonado. Assim, o condenado à morte se torna modelo do cristão que se entrega a Jesus.

Perdão em gestos concretos

A promessa feita ao bom ladrão – “Hoje estarás comigo no Paraíso” - revela o pleno cumprimento da missão que o trouxe à terra. Desde o início até ao fim, Jesus se revelou como Misericórdia; Ele é verdadeiramente o rosto da misericórdia do Pai: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem». E não se trata apenas de palavras, mas de gestos concretos como no perdão oferecido ao bom ladrão. 

Concluindo, o Papa convidou todos a deixarem que a força do Evangelho penetre em nossos coração e nos console, nos dê esperança e a certeza íntima de que ninguém está excluído do seu perdão.


Papa: rezar com força para vencer a desolação espiritual

Cidade do Vaticano (RV) - O que acontece em nosso coração quando somos tomados por uma ‘desolação espiritual?’ Foi a pergunta feita por Francisco na missa desta manhã, 27.setembro.2016, na Casa Santa Marta, centralizada no personagem de Jó. O Papa acentuou a importância do silêncio e da oração para vencer os momentos mais sombrios. Neste dia de São Vicente de Paulo, o Papa ofereceu sua missa às Irmãs Vicentinas, as Filhas da Caridade, que trabalham na Casa Santa Marta. 

“Jó estava com problemas: havia perdido tudo”. A partir desta leitura, que apresenta Jó despojado de todos os seus bens, inclusive seus filhos, o Papa desenvolveu a homilia. “Jó se sente perdido, mas não maldiz o Senhor”.

Todos, cedo ou tarde, vivemos uma grande desolação espiritual

Jó vive uma grande ‘desolação espiritual’ e desafoga com Deus. É o desabafo de ‘um filho diante de seu pai’. O mesmo o faz o profeta Jeremias, que desabafa com o Senhor, mas sem blasfemar:

“A desolação espiritual é uma coisa que acontece com todos nós: pode ser mais forte ou mais fraca... mas é uma condição da alma obscura, sem esperança, desconfiada, sem vontade de viver, que não vê a luz no fim do túnel, que tem agitação no coração e nas ideias... A desolação espiritual nos faz sentir como se nossa alma fosse ‘achatada’: quando não consegue, não quer viver: ‘A morte é melhor!’ desabafa Jó. Melhor morrer do que viver assim'. E nós devemos entender quando nosso espírito está neste estado de tristeza geral, quando ficamos quase sem respiro. Acontece com todos nós, e temos que compreender o que se passa em nosso coração”.

Esta, acrescentou o Papa, “é a pergunta que devemos nos por: ‘O que se deve fazer quando vivemos estes momentos escuros, por uma tragédia familiar, por uma doença, por alguma coisa que me leva ‘prá baixo’. Alguns pensam em engolir um comprimido para dormir e tomar distância dos fatos, ou beber ‘dois, três, quatro’ golinhos’... “Isto não ajuda. A liturgia de hoje nos mostra como lidar com a desolação espiritual, quando ficamos mornos, prá baixo, sem esperança”.

Quando nos sentimos perdidos, rezar com insistência

No Salmo responsorial 87 está a resposta: “Chegue a ti a minha prece, Senhor”. É preciso rezar – disse o Papa – rezar com força, como disse Jó: gritar dia e noite até que Deus escute:

“É uma oração de bater na porta, mas com força! “Senhor, eu estou cheio de desventuras. A minha vida está à beira do inferno. Estou entre aqueles que descem à fossa, sou como um homem sem forças’. Quantas vezes nós sentimos assim, sem forças... E esta é a oração.  O Senhor mesmo nos ensina como rezar nestes momentos difíceis. 'Senhor, me lançaste na fossa mais profunda. Pesa sobre mim a Tua cólera. Chegue a Ti a minha oração’. Esta é a oração: assim devemos rezar nos piores momentos, nos momentos mais escuros, mais desolados, mais esmagados, que nos esmagam mesmo. Isto é a rezar com autenticidade. E também desabafar como desabafou Jó com os filhos. Como um filho”.

O Livro de Jó, em seguida, fala do silêncio dos amigos. Diante de uma pessoa que sofre, disse o Papa, “as palavras podem ferir”. O que conta é estar perto, fazer sentir a proximidade, “mas não fazer discursos”.

Silêncio, oração e presença, por isso realmente ajuda aqueles que sofrem

“Quando uma pessoa sofre, quando uma pessoa se encontra na desolação espiritual – continuou o Papa -, você tem que falar o mínimo possível e você tem que ajudar com o silêncio, a proximidade, as carícias, com a sua oração diante do Pai":

“Em primeiro lugar, reconhecer em nós os momentos de desolação espiritual, quando estamos no escuro, sem esperança, e nos perguntar por quê? Em segundo lugar, rezar ao Senhor, como na liturgia de hoje, com este Salmo 87 que nos ensina a rezar, no momento de escuridão. 'Chegue a Ti a minha oração, Senhor'. E em terceiro lugar, quando me aproximo de uma pessoa que sofre, seja por doenças, seja por qualquer sofrimento, mas que está na desolação completa, silêncio; mas silêncio com tanto amor, proximidade, ternura. E não fazer discursos que, depois, não ajudam e, também, lhe fazer mal”.

"Rezemos ao Senhor - concluiu Francisco –, para que nos conceda essas três graças: a graça de reconhecer a desolação espiritual, a graça de rezar quando estivermos submetidos a este estado de desolação espiritual, e também a graça de saber acolher as pessoas que passam por momentos difíceis de tristeza e de desolação espiritual”.

Em seu Twitter, o Papa Francisco nos escreveu, nestes dias:

27/09/2016
Promovamos um turismo sustentável, que leve desenvolvimento e encontro às populações locais, e evite todo tipo de discriminação.
26/09/2016
No irmão que ajudamos reconhecemos a face de Deus que ninguém pode ver.


Angelus: rezar pelo México para que cesse a violência

No final da Eucaristia o Papa Francisco recitou na Praça de S. Pedro, como habitualmente aos domingos, a oração mariana do Angelus.

Na sua mensagem o Santo Padre recordou o padre Engelmar Unzeitig sacerdote alemão da Congregação do Missionários de Mariannhill que foi beatificado, neste sábado dia 24 de setembro em Würzburg, na Alemanha e que foi morto no campo de extermínio de Dachau.

Destaque para as palavras do Papa Francisco dirigidas ao México para “apoiar os esforços da Igreja e da sociedade civil em favor da família e da vida, que neste momento exigem uma atenção pastoral e cultural especial em todo o mundo” – disse o Santo Padre.

“E também asseguro a minha oração pelo amado povo mexicano, a fim de que cesse a violência que nos últimos dias atingiu também alguns sacerdotes” – declarou Francisco.

Antes da oração do Angelus o Papa dirigiu uma saudação especial às dezenas de milhares de catequistas presentes na Praça de S. Pedro:

“Queridos catequistas! Obrigado pelo vosso trabalho na Igreja ao serviço da evangelização. Que Maria vos ajude a perseverar no caminho da fé e a testemunhar com a vida aquilo que vós ensinais nas catequeses” – afirmou o Papa Francisco.

Papa Francisco escreveu-nos hoje em seu Twitter:

25/09/2016
O mundo tem necessidade de sinais concretos de solidariedade, sobretudo diante da tentação da indiferença.


Papa Francisco: "Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria"


Homilia do Papa Francisco na Eucaristia por ocasião do Jubileu dos Catequistas neste Ano Santo da Misericórdia:

“Na segunda Leitura, o apóstolo Paulo dirige a Timóteo – e a nós também – algumas recomendações que tinha a peito. Entre elas, pede que «guarde o mandamento, sem mancha nem culpa» (1 Tm 6, 14). Fala apenas de um mandamento, parecendo querer fazer com que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial na fé. De facto, São Paulo não recomenda uma multidão de pontos e aspetos, mas sublinha o centro da fé. Este centro à volta do qual tudo gira, este coração pulsante que a tudo dá vida é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus ama-te, por ti deu a sua vida; ressuscitado e vivo, está ao teu lado e interessa-Se por ti todos os dias. Isto, nunca o devemos esquecer. Neste Jubileu dos Catequistas, pede-se-nos para não nos cansarmos de colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé: o Senhor ressuscitou. Não há conteúdos mais importantes, nada é mais firme e atual. Cada conteúdo da fé torna-se perfeito, se se mantiver ligado a este centro, se for permeado pelo anúncio pascal. Se se isolar, perde sentido e força. Somos chamados continuamente a viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: «Jesus ama-te verdadeiramente, tal como és. Dá-Lhe lugar: apesar das deceções e feridas da vida, deixa-Lhe a possibilidade de te amar. Não te dececionará».”

“O mandamento de que fala São Paulo faz-nos pensar também no mandamento novo de Jesus: «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 15, 12). É amando que se anuncia Deus-Amor: não à força de convencer, nunca impondo a verdade nem mesmo obstinando-se em torno de alguma obrigação religiosa ou moral. Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem comunica-se através do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer bonitos sermões. O Deus da esperança anuncia-Se vivendo no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com novas formas de anúncio.”

“O Evangelho deste domingo ajuda-nos a compreender o que significa amar, especialmente a evitar alguns riscos. Na parábola, há um homem rico que não se dá conta de Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão» (Lc 16, 20). Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar deste estar «coberto de chagas» (ibid.): este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupa fina. Não vê mais além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma. A mundanidade é como um «buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu. Então só se veem as aparências e não nos damos conta dos outros, porque nos tornamos indiferentes a tudo. Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamento «estrábicos»: olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor.”

“Mas o Senhor olha para quem é transcurado e rejeitado pelo mundo. Lázaro é o único personagem, em todas as parábolas de Jesus, a ser designado pelo nome. O seu nome significa «Deus ajuda». Deus não o esquece… Acolhê-lo-á no banquete do seu Reino, juntamente com Abraão, numa rica comunhão de afetos. Ao contrário, na parábola, o homem rico não tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo não faz a história. A insensibilidade de hoje escava abismos intransponíveis para sempre.”

“E há outro detalhe na parábola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome é descrita com ostentação: nele, carências e direitos, tudo é espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao contrário, a pobreza de Lázaro é expressa com grande dignidade: da sua boca não saem lamentações, protestos nem palavras de desprezo. É uma válida lição: como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes e lastimosos. Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna a quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.”

“Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades. Hoje o Senhor pede-nos isto: face aos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: «Ajudar-te-ei amanhã». O tempo gasto a socorrer é tempo dado a Jesus, é amor que permanece: é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra.”

“Concluindo, que o Senhor nos dê a graça de sermos renovados cada dia pela alegria do primeiro anúncio: Jesus ama-nos pessoalmente! Que Ele nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que nos torne sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central, sempre aberta diante de nós.”

Papa a familiares das vítimas do atentado em Nice: desarmar o ódio com o amor

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu, neste sábado (24/09/2016), na Sala Paulo VI, no Vaticano, os familiares das vítimas do atentado perpetrado, em Nice, sul da França, em 14 de julho passado, Dia da Bastilha, onde um caminhão atropelou diversas pessoas que estavam assistindo à queima de fogos. Oitenta e cinco pessoas morreram e várias ficaram feridas.

“Com emoção, encontro-me com vocês que sofrem no corpo e na alma, pois numa noite de festa a violência os afetou cegamente sem olhar origem nem religião. Partilho a sua dor, uma dor que se torna ainda mais forte quando penso nas crianças, nas famílias inteiras, cujas vidas foram ceifadas improvisamente e de forma dramática. Asseguro a cada um de vocês a minha compaixão, proximidade e oração”, disse o Pontífice.

“Queridas famílias, peço a Deus, Pai de todos, para que acolha os seus parentes defuntos e que eles encontrem o descanso e a alegria da vida eterna. Para nós cristãos, o fundamento da esperança é Jesus Cristo, morto e ressuscitado. O Apóstolo Paulo nos garante: ‘Se estamos mortos com Cristo, acreditamos que também viveremos com ele, pois sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele’. Possa a certeza da vida eterna, que pertence também aos fiéis de outras religiões, lhes servir de consolo no decorrer da vida, e ser  um motivo forte de perseverança para prosseguir com coragem o seu caminho aqui na Terra.”

O Santo Padre pediu a Deus misericordioso por todas as pessoas que ficaram feridas, em certos casos mutiladas, na carne e no espírito, e que por esta razão não puderam participar do encontro com o pontífice, pois se encontram ainda no hospital. “A Igreja está próxima a todos vocês e os acompanha com grande compaixão nestes momentos difíceis de enfrentar. Peço ao Senhor para que coloque em seus corações sentimentos de paz e fraternidade”, sublinhou Francisco.

O Papa disse que o atentado perpetrado, em Nice, despertou em vários lugares gestos significativos de solidariedade e acompanhamento. Francisco agradeceu a todas as pessoas que, imediatamente, socorreram as vítimas, e que até hoje ajudam e acompanham as famílias.
“Penso na comunidade católica e seu Bispo, Dom André Marceau, mas também nos serviços de assistência e nas associações, em particular na associação Alpes-Maritimes Fraternité, aqui presente, que possui representantes de todas as confissões religiosas. Isso é um sinal muito bonito de esperança. Alegro-me de ver que entre vocês as relações inter-religiosas são muito vivas, e isso ajuda a aliviar as feridas destes acontecimentos dramáticos.”

Segundo o Papa, “estabelecer um diálogo sincero e relações fraternas entre todos, sobretudo entre aqueles que confessam um Deus único e misericordioso, é uma prioridade urgente que os responsáveis políticos e religiosos devem favorecer e que cada um é chamado a realizar ao seu redor”.

“Quando é grande a tentação de voltar-se para si mesmo ou de responder ao ódio com o ódio e à violência com a violência, é necessária a conversão autêntica do coração. Esta é a mensagem que o Evangelho de Jesus dirige a todos nós. Pode-se responder aos ataques do demônio somente com as obras de Deus que são perdão, amor e respeito pelo próximo, mesmo que seja diferente.”

O Papa concluiu o seu discurso, garantido mais uma vez a sua oração e toda a ternura do Sucessor de Pedro. Disse que reza também pela França e seus responsáveis para que seja construída  uma sociedade justa, pacífica e fraterna.


Papa: jornalista é responsável pelo "primeiro esboço da História"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã desta quinta-feira (22/09/2016) cerca de 400 membros do Conselho da Ordem dos Jornalistas Italianos.

A audiência foi a ocasião para o Pontífice aprofundar as características e a missão do comunicador nos tempos atuais, com os jornais impressos e a televisão que perdem relevância para as redes sociais.

Renovação na Santa Sé

Também a Santa Sé, afirmou o Papa, viveu e está vivendo um processo de renovação do sistema comunicativo, com a Secretaria para a Comunicação que se tornará o ponto de referência para os jornalistas que cobrem os eventos vaticanos.

Consciente da frenesia que a atividade jornalística comporta, sempre atrelada ao “horário de fechamento”, Francisco recorda todavia que o jornalista tem grande responsabilidade, pois de certa maneira escreve “o primeiro esboço da História” e determina a discussão e a interpretação dos eventos. Por isso, é importante “parar e refletir”. E o Pontífice ofereceu três elementos de reflexão: amar a verdade, viver com profissionalismo e respeitar a dignidade humana.

Amar a verdade

Amar a verdade não significa somente afirmar, mas viver a verdade. Testemunhá-la com o próprio trabalho. A questão não é ser ou não um fiel, destacou o Papa, mas ser ou não honesto com si mesmo e com os outros. Na vida não é tudo branco ou preto. Também no jornalismo é preciso saber discernir as nuances de cinza dos fatos a serem narrados, sobretudo nos embates políticos e nos conflitos. Por isso, o trabalho do jornalista é se aproximar o mais possível da verdade dos fatos e jamais dizer ou escrever algo que, se sabe, não corresponde à realidade.

Viver com profissionalismo

Viver com profissionalismo significa compreender e interiorizar o sentido profundo do próprio trabalho. Isto é, não submeter a própria profissão a lógicas econômicas ou políticas. A tarefa do jornalismo, a sua vocação, é promover a dimensão social do homem, favorecer a construção de uma verdadeira cidadania. “Deveria fazer-nos pensar que, no decorrer da história, as ditaduras não só tentaram se apropriar dos meios de comunicação, mas também impor novas regras à profissão jornalística.”

Respeitar a dignidade humana

Quanto ao último elemento, respeitar a dignidade humana, o Papa recordou que é importante em qualquer profissão, mas de modo especial no jornalismo, porque atrás de qualquer notícia há sentimentos, emoções. Enfim, a vida das pessoas. Francisco lembrou as inúmeras vezes que falou das fofocas como “terrorismo”, de como é possível matar uma pessoa com a língua. Se isso vale para cada indivíduo, vale mais ainda para o jornalista. Certamente, a crítica é legítima, assim como as denúncias, mas tudo deve ser feito respeitando o outro. “O jornalismo não pode se tornar uma ‘arma de destruição’ de pessoas e, até mesmo, de povos. Nem deve alimentar o medo diante de mudanças e fenômenos como as migrações forçadas pela guerra ou pela fome.”

O Pontífice concluiu seu discurso fazendo votos de que o jornalismo seja um instrumento de construção, “que não sopre sobre o fogo das divisões”, mas favoreça a cultura do encontro. “Vocês jornalistas podem recordar todos os dias a todos que não há conflito que não possa ser resolvido por mulheres e homens de boa vontade.”


Papa: a vaidade é a osteoporose da alma

Quinta-feira, 22 de setembro de 2016, na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que a vaidade é a osteoporose da alma. O Evangelho do dia apresenta-nos o rei Herodes inquieto porque, depois de ter morto João o Batista, agora sente-se ameaçado por Jesus. Estava preocupado como o pai, Herodes o Grande, depois da visita dos reis magos – afirmou o Papa.

Segundo o Santo Padre, Herodes tem na alma duas inquietações: aquela boa “que nos dá o Espírito Santo e faz com que alma esteja inquieta para fazer coisas boas” e a “inquietação má, aquela que nasce de uma consciência suja”. E os dois Herodes resolviam as suas inquietações “matando” e passando “por cima dos cadáveres” – disse Francisco:

“Esta gente que fez tanto mal, que faz mal, tem a consciência suja e não pode viver em paz, porque vive numa comichão constante, numa urticária que não os deixa em paz... Esta gente praticou o mal, mas o mal tem sempre a mesma raiz, todo o mal: a avidez, a vaidade e o orgulho. E os três não deixam a consciência em paz; os três não deixam que a inquietação saudável do Espírito Santo entre, mas levam a viver assim: inquietos, com medo. Avidez, vaidade e orgulho são a raiz de todos os males”.

O Papa Francisco na sua homilia focou a sua atenção na vaidade e citou a leitura do Eclesiastes proposta pela liturgia do dia tendo sublinhado que a vaidade é como a osteoporose da alma: os ossos parecem bons mas dentro estão estragados – afirmou o Papa:

“A vaidade que nos enche. A vaidade que não tem vida longa, porque é como uma bola de sabão. A vaidade que não nos dá um ganho real. Qual o ganho que tem o homem com toda a trabalheira com a qual se ocupa? Ele está ansioso para aparecer, para fingir, pela aparência. Esta é a vaidade. Se queremos dizer simplesmente: "A vaidade é maquilhar a própria vida. E isso deixa a alma doente, porque se alguém falsifica a própria vida para aparecer, para fazer de conta, e todas as coisas que faz são para fingir, por vaidade, no final o que é que ganha? A vaidade é como uma osteoporose da alma: os ossos do lado de fora parece bons, mas por dentro estão todos estragados. A vaidade leva-nos à fraude”.

O Papa Francisco recordou que existem muitas pessoas que parecem boas, que vão à missa aos domingos e até fazem ofertas para a Igreja, mas isso é o que se vê – comentou – mas “a osteoporose é a corrupção que têm dentro”. “Que o Senhor nos livre destas três raízes de todo os males: a avidez, a vaidade e o orgulho. Mas sobretudo da vaidade, que nos faz tanto mal” – disse o Papa na conclusão da sua homilia.


Papa na Audiência: perdão e doação; pilares da convivência fraterna

Cidade do Vaticano (RV) – “Misericordiosos como o Pai” foi o tema da Audiência Geral desta quarta-feira (21/09/2016), na Praça São Pedro.

Não obstante a chuva que caiu sobre Roma nas primeiras horas do dia, cerca de 25 mil fiéis ouviram o Papa Francisco falar que ser misericordioso não é um slogan, mas um compromisso de vida.

“Mas é realmente possível amar como Deus ama e ser misericordioso como Ele?”, questionou o Pontífice, que explicou:

“Se olharmos a história da salvação, vemos que toda a revelação de Deus é um incessante e incansável amor pelos homens: Deus é como um pai e como uma mãe que ama de amor insondável. A morte de Jesus na cruz é o ápice da história de amor de Deus com o homem. Um amor tão grande que só Deus pode realizar.”

Se comparado com este amor sem medida, prosseguiu o Papa, é evidente que o nosso parecerá imperfeito. “Ser perfeito significa ser misericordiosos”, afirmou. Mas quando Jesus nos pede para sermos misericordiosos como o Pai não pensa na quantidade, mas no compromisso dos discípulos de se tornarem sinais, canais, testemunhas da misericórdia infinita de Deus.

Perdoar e doar-se

Por isso, a Igreja só pode ser sacramento da misericórdia de Deus no mundo, em todos os tempos e por toda a humanidade. Na prática, acrescentou Francisco, ser misericordioso significa saber perdoar e doar-se. Jesus não pretende subverter o decurso da justiça humana, todavia recorda aos discípulos que para ter relações fraternas é preciso suspender os juízos e as condenações.

“O cristão deve perdoar. Por quê? Porque foi perdoado. Todos nós que estamos aqui nesta Praça fomos perdoados. Todos nós, em nossas vidas, sentimos necessidade do perdão de Deus. Porque fomos perdoados, devemos perdoar. Todos os dias rezamos no Pai-Nosso: perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Assim é fácil perdoar. Se Deus me perdoou porque não posso perdoar? Sou maior que Deus? Entenderam bem isso?"

Dignidade

“Julgar e condenar o irmão que peca é errado”, destacou o Papa. “Não temos o poder de condenar o nosso irmão que erra, não estamos acima dele: mas temos o dever de recuperá-lo à dignidade de filho do Pai e de acompanhá-lo no seu caminho de conversão.” “Deus não quer renunciar a nenhum de seus filhos”, frisou o Pontífice. 

Perdoar é o primeiro pilar que sustenta a comunidade cristã, continuou. O segundo é doar-se. Estar disposto a doar-se obedece a uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, se doa ao irmão, e na medida em que se doa ao irmão, se recebe de Deus!

Portanto, concluiu o Papa, o amor misericordioso é o único caminho a percorrer.

“Quanta necessidade temos todos nós de sermos um pouco mais misericordiosos, de não falar mal dos outros, de não julgar, de não falar mal com críticas, com inveja, com ciúme. Não! Perdoar, ser misericordiosos, viver a nossa vida no amor e doar. Este amor permite aos discípulos de Jesus não perder a identidade recebida por Ele, e reconhecer-se como filhos do mesmo Pai. Não se esqueçam disso: misericórdia e dom. Perdão e doação. E assim o coração se alarga no amor. Ao invés, o egoísmo, a raiva faz com que o coração se torne pequeno, duro como uma pedra. O que vocês preferem: um coração de pedra ou um coração cheio de amor?", perguntou aos fiéis na Praça. "Se preferirem um coração repleto de amor, sejam misericordiosos!"

Alzheimer

Ao final da Audiência, Francisco recordou que neste dia 21 de setembro celebra-se o 23º Dia Mundial do Doente de Alzheimer, que este ano tem como tema “Lembre-se de mim”.

“Convido todos os presentes a 'lembrarem-se', com a solicitude de Maria e com a ternura de Jesus Misericordioso, dos que padecem deste mal e de seus familiares para que sintam a nossa proximidade. Rezemos também pelas pessoas que assistem os doentes, que sabem colher suas necessidade, inclusive as mais imperceptíveis, porque vistos com olhos repletos de amor."


Papa Francisco em Assis: somente a paz é santa, não a guerra!


Cidade do Vaticano (RV) - “Não podemos ficar indiferentes. Hoje o mundo tem uma sede ardente de paz.” “Não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração.” Foi o que disse o Papa Francisco na cerimônia conclusiva do Dia Mundial de Oração pela Paz, celebrado na terça-feira (20/09/2016) em Assis.

Na esteira do 30º aniversário do histórico Encontro de Oração pela Paz convocado por João Paulo II (27 de outubro de 1986), reunindo líderes religiosos do mundo inteiro, o evento desta terça-feira teve como tema “Sede de Paz. Religiões e Culturas em Diálogo”, promovido Diocese de Assis, Famílias Franciscanas e a Comunidade romana de Santo Egídio.

Vimos a Assis como peregrinos à procura de paz

Já no início de seu discurso, após agradecer aos ilustres representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões pela presença e participação, Francisco lembrou que todos se encontravam reunidos em Assis como peregrinos à procura da paz, movidos pelo desejo de testemunhar a paz, sobretudo pela necessidade de rezar pela paz, “porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invoca-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda”, frisou.

“Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma”, acrescentou; “são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença”.

Em seguida, o Pontífice caracterizou essa grande enfermidade: “É um vírus que paralisa, torna inertes e insensíveis, um morbo que afeta o próprio centro da religiosidade produzindo um novo e tristíssimo paganismo: o paganismo da indiferença”.

Mundo de hoje tem sede ardente de paz

“Não podemos ficar indiferentes. Hoje o mundo tem uma sede ardente de paz. Em muitos países, sofre-se por guerras, tantas vezes esquecidas, mas sempre causa de sofrimento e pobreza”, disse Francisco, lembrando sua visita à ilha grega de Lesbos (16 de abril passado), na qual viu nos olhos dos refugiados o sofrimento da guerra, a angústia de povos sedentos de paz.

“Penso em famílias, cuja vida foi transtornada; nas crianças, que na vida só conheceram violência; nos idosos, forçados a deixar as suas terras: todos eles têm uma grande sede de paz. Não queremos que estas tragédias caiam no esquecimento. Desejamos dar voz em conjunto a quantos sofrem, a quantos se encontram sem voz e sem escuta. Eles sabem bem – muitas vezes melhor do que os poderosos – que não há qualquer amanhã na guerra e que a violência das armas destrói a alegria da vida.”

A força mansa e humilde da oração

“Não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração. Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências”, disse ainda o Santo Padre.

A paz que invocamos, a partir de Assis, não é um simples protesto contra a guerra, nem é sequer «o resultado de negociações, de compromissos políticos ou de acordos econômicos, mas o resultado da oração», acrescentou Francisco citando palavras João Paulo II no Encontro de Oração pela Paz de 30 anos atrás.

“Procuramos em Deus, fonte da comunhão, a água cristalina da paz, de que está sedenta a humanidade: essa água não pode brotar dos desertos do orgulho e dos interesses de parte, das terras áridas do lucro a todo o custo e do comércio das armas.”

Diferença não é motivo de conflito

Dirigindo-se aos líderes religiosos, o Papa lembrou que nossas tradições religiosas são diversas. “Mas para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polêmica ou de frio distanciamento”, observou.

“Hoje não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente se deu na História. Ao contrário, sem sincretismos nem relativismos, rezamos uns ao lado dos outros, uns pelos outros.”

“Continuando o caminho iniciado há trinta anos em Assis, onde permanece viva a memória daquele homem de Deus e de paz que foi São Francisco, «uma vez mais nós, aqui reunidos, afirmamos que quem recorre à religião para fomentar a violência contradiz a sua inspiração mais autêntica e profunda».”

Só a paz é santa; não a guerra

“Não nos cansamos de repetir que o nome de Deus nunca pode justificar a violência. Só a paz é santa; não a guerra!”, exclamou o Papa.

Francisco ressaltou que a oração e a vontade de colaborar comprometem uma paz verdadeira, não ilusória: “não a tranquilidade de quem esquiva as dificuldades e vira a cara para o lado, se os seus interesses não forem atingidos”.

“Não o cinismo de quem se lava as mãos dos problemas alheios; não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade”, enfatizou.

Após afirmar ser a paz um fio de esperança que liga a terra ao céu, o Pontífice disse tratar-se de uma palavra tão simples e ao mesmo tempo tão difícil. Paz quer dizer perdão, acolhimento, colaboração e educação, disse.

Concluindo, o Papa lembrou que nosso futuro é viver juntos. “Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio”.

Líderes da nações não se cansem de promover a paz

“Nós, como Chefes religiosos, temos a obrigação de ser pontes sólidas de diálogo, mediadores criativos de paz. Dirigimo-nos também àqueles que detêm a responsabilidade mais alta no serviço dos povos, aos líderes das nações, pedindo-lhes que não se cansem de procurar e promover caminhos de paz, olhando para além dos interesses de parte e do momento.”

A paz é uma responsabilidade universal, lembrou Francisco, fazendo uma exortação: “Assumamos esta responsabilidade, reafirmemos hoje o nosso sim a ser, juntos, construtores da paz que Deus quer e de que a humanidade está sedenta.”

Papa Francisco em seus mais recentes tweets:

24/09/2016
Caminhemos juntos cuidando um do outro e também da criação, nossa casa comum
23/09/2016
Deus não se cansa de oferecer sempre o seu perdão cada vez que o pedimos.
22/09/2016
Quanto mais nos deixamos envolver pelo amor de Deus, mais a nossa vida se regenera.
21/09/2016
O diálogo nasce quando sou capaz de reconhecer que o outro é um dom de Deus e tem algo a dizer-me.
20/09/2016
Todo encontro com o outro é uma semente que pode tornar-se uma árvore vigorosa, onde muitos encontrarão abrigo e alimento.

O Papa já está em Assis, visita no signo do diálogo e da paz

O Papa Francisco chegou, hoje, 20.setembro.2016, por volta das 11.20 horas em Assis, de helicóptero. O Pontífice foi recebido pelo bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, Dom Domenico Sorrentino e pelas autoridades locais. Multidões de pessoas quiseram saudá-lo à sua chegada ao campo desportivo Santa Maria dos Anjos. Primeiro momento da visita do Papa ao Sagrado Convento, onde Francisco terá um encontro com o Patriarca Bartolomeu I, o Primaz anglicano Justin Welby e outros representantes cristãos e líderes das outras religiões










Francisco: rezar ao Deus da paz independente da religião

Cidade do Vaticano (RV) – Antes de partir para Assis, o Papa celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta na terça-feira (20/09/2016) e, em sua homilia, explicou com que espírito partiu para a cidade de S. Francisco.

“Não existe um deus da guerra”. A guerra, a desumanidade de um bomba que explode fazendo mortos e feridos, fechando a estrada para a ajuda humanitária que não pode chegar até as crianças, aos idosos e aos doentes é obra do “maligno”, que “quer matar todo mundo”. Por isso, é necessário rezar, e também chorar pela paz, todas as religiões unidas na convicção de que “Deus é Deus de paz”.

Não tapar os ouvidos

“Hoje, homens e mulheres de todas as religiões, iremos a Assis. Não para fazer um espetáculo: simplesmente para rezar e rezar pela paz”, foram as primeiras palavras do Papa na homilia. E em todos os lugares, como pediu o Papa numa carta a todos os bispos, hoje foram organizados “encontros de oração” que convidam “os cristãos, os fiéis e todos os homens e as mulheres de boa vontade, de qualquer religião, a rezar pela paz”, já que – exclamou novamente – “o mundo está em guerra! O mundo sofre!”

“Hoje, a Primeira leitura termina assim: ‘Quem tapa os ouvidos ao clamor do pobre, também há de clamar, mas não será ouvido’. Se nós hoje fechamos os ouvidos ao clamor desta gente que sofre sob as bombas, que sofre a exploração dos traficantes de armas, pode ser que, quando caberá a nós, não obteremos respostas. Não podemos fechar os ouvidos ao grito de dor desses nossos irmãos e irmãs que sofrem pela guerra”.

A guerra começa no coração

A guerra, “nós não a vemos”, disse o Papa. “Nos assustamos” por “qualquer ato de terrorismo” mas “isso não tem nada a ver com aquilo que acontece naqueles países, naquelas terras onde dia e noite as bombas caem e caem” e “matam crianças, idosos, homens e mulheres...”. “A guerra está distante?”, pergunta-se o Papa. “Não! Está muito perto”, porque “a guerra atinge a todos”, “a guerra começa no coração”:

“Que o Senhor nos dê paz ao coração, nos tire qualquer vontade de avidez, de cobiça, de luta. Não! Paz, paz! Que o nosso coração seja um coração de homem e mulher de paz. Além das divisões das religiões: todos, todos, todos! Porque todos somos filhos de Deus. E Deus é Deus de paz. Não existe um deus da guerra: aquele que faz a guerra é o maligno, é o diabo, que quer matar todos”.

Sentir vergonha

Diante disso não podem haver divisões de fé, reitera Francisco. Não basta agradecer a Deus porque talvez a guerra “não nos atinge”. “Sim, agradeçamos por isso – disse – mas pensemos também aos outros”:

“Pensemos hoje não somente nas bombas, nos mortos, nos feridos; mas também nas crianças e idosos a quem a ajuda humanitária não chega com alimentos e remédios. Estão famintos, doentes! Porque as bombas impedem isso. E, enquanto hoje rezamos, seria bom que cada um de nós sentisse vergonha. Vergonha disso: que os humanos, os nossos irmãos, sejam capazes de fazer isso. Hoje, dia de oração, de penitência, de lágrimas pela paz; dia para ouvir o grito do pobre. Este grito que abre nosso coração à misericórdia, ao amor e nos salva do egoísmo.

Tweet do Papa Francisco:


19/09/2016
Servir é o estilo com o qual viver a missão, é o único modo de ser discípulo de Jesus.

Francisco: levar avante a luz da fé, toda máfia é obscura

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta na manhã desta segunda-feira (19/09/2016). Em sua homilia, o Pontífice se inspirou no Evangelho do dia, extraído de Mateus, para falar da luz da fé e dos perigos que podem apagá-la.

“Proteger a luz – disse – é proteger algo que nos foi dado como dom. E se somos luminosos, somos luminosos neste sentido: por ter recebido o dom da luz no dia do Batismo”. O Papa recordou que “nos primeiros séculos da Igreja, assim como em algumas Igrejas orientais, ainda hoje o Batismo se chama a Iluminação”.

Toda máfia é obscura

Francisco prosseguiu dizendo que esta luz não deve ser encoberta. “Se você cobre esta luz, de fato, “se torna morno ou simplesmente” um “cristão de nome”. A luz da fé, disse ainda, “é uma luz verdadeira, que Jesus nos dá no Batismo”, “não é uma luz artificial, uma luz maquiada. É uma luz suave, serena que não se apaga mais”.

Francisco então falou de uma série de comportamentos que podem esconder esta luz, recordando os conselhos que o Senhor nos oferece justamente para que esta luz não se torne obscura. Antes de tudo, exortou, “não deixar esperando quem necessita”:

“Jamais adiar: o bem…o bem não tolera ficar na geladeira: o bem é hoje, e se você não o fizer hoje, amanhã não haverá. Não esconder o bem para amanhã: isso de ‘vai, passa depois, o darei amanhã’ encobre fortemente a luz; e também é uma injustiça… Outro modo – são conselhos para não encobrir a luz: não tramar o mal contra o seu próximo, pois ele confia em você. Mas quantas vezes as pessoas têm confiança numa pessoa e esta trama o mal para destruí-la, para sujá-la, para que seja ignorado… É o pequeno pedacinho de máfia que todos nós temos à mão; quem se aproveita da confiança do próximo para tramar o mal é um mafioso! ‘Mas, eu não pertence a …’: mas esta é máfia, se aproveitar da confiança … E isso encobre a luz. Faz com que se torne obscura. Toda máfia é obscura”!

Não invejar os potentes

O Papa então destacou a tentação de sempre brigar com alguém, o prazer de brigar até com quem não nos fez “nada de mal”. “Sempre – constatou – procuramos alguma coisa para brigar. Mas no final brigar cansa: não se pode viver. É melhor deixar passar, perdoar”, “fingir não ver algumas coisas... não brigar continuamente”.

“Um outro conselho que este Pai dá aos filhos para não cobrir a luz: ‘Não invejem o homem violento e não se irritem por todos os seus sucessos, porque o Senhor tem horror do pervertido, enquanto a sua amizade – do Senhor – é para os justos’.  E muitas vezes, nós, alguns, temos ciúme, inveja daqueles que têm coisas, que têm sucesso, o que são violentos... Mas repassemos um pouco a história dos violentos, dos potentes... É tão simples: os mesmos vermes que nos comerão, comerão eles também; os mesmos! No final seremos todos iguais. Invejar, ah!, o poder, ter ciúmes… isto cobre a luz”.

Luz da fé

Neste ponto, disse o Papa, fica o conselho de Jesus: “Sejam filhos da luz, e não filhos das trevas; sejam guardiões da luz que lhes foi dada no dia do Batismo”. E ainda: “não a escondam debaixo da cama”, mas “cuidem da luz”. E para proteger a luz, destacou, existem estes conselhos para serem praticados todos os dias. “Não são coisas estranhas, todos os dias vemos estas coisas que encobrem a luz”.

“Que o Espírito Santo, que todos nós recebemos no Batismo, nos ajude a não cair nestes maus hábitos que encobrem a luz, e nos ajude a levar adiante a luz recebida gratuitamente, aquela luz de Deus que faz tão bem: a luz da amizade, a luz da mansidão, a luz da fé, a luz da esperança, a luz da paciência, a luz da bondade”.

Papa: corrupção vicia; gera pobreza, exploração e sofrimento

Rádio Vaticano (RV) - A reflexão do Papa no Angelus deste domingo (18/09/2016) teve como inspiração a liturgia do dia. Francisco falou aos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro sobre a diferença entre a "astúcia mundana" e a "astúcia cristã".

“A mundanidade se manifesta com comportamentos de corrupção, de engano, de opressão, e constitui a estrada mais errante, a estrada do pecado, mesmo se é aquela mais cômoda de ser percorrida. O espírito do Evangelho, ao contrário, requer um estilo de vida sério e compromissado, marcado pela honestidade, correto, no respeito aos outros e de sua dignidade, com senso de dever. Esta é a astúcia cristã!”, esclareceu o Papa.

Escolha justa

Francisco afirmou que o “percurso da vida comporta uma escolha entre duas estradas” opostas.

“Não se pode oscilar entre uma e outra, porque se movem sobre lógicas diferentes e contrastantes. É importante decidir qual direção tomar e, a seguir, escolhida aquela justa, caminhar com impulso e determinação, confiando na graça do Senhor e no apoio de seu Espírito”. disse.

Único Patrão

Jesus – prosseguiu o Papa – “hoje nos exorta a fazer uma escolha clara entre Ele e o espírito do mundo, entre a lógica da corrupção e da cobiça, entre aquela da retidão e da partilha”.

“Alguns se comportam com a corrupção como com as drogas: pensa que pode usá-la e parar quando quiser. Porém, a corrupção vicia e gera pobreza, exploração e sofrimento. E quantas vítimas existem hoje no mundo, desta corrupção difusa. Quando, ao contrário, procuramos seguir a lógica evangélica da integridade (...) servimos ao patrão justo: Deus”.

Ao saudar os presentes na Praça São Pedro, Francisco recordou que visitará Assis na próxima terça-feira por ocasião do Dia de Oração pela Paz e convidou todos a rezarem pela paz.

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Abaixo, a íntegra da alocução do Papa com a tradução da redação brasileira.

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Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje Jesus nos leva a refletir sobre dois estilos de vida contrastantes: aquele mundano e aquele do Evangelho. E o faz por meio da parábola do administrador infiel e corrupto, que é louvado por Jesus apesar de sua desonestidade.

É preciso esclarecer imediatamente que este administrador não é apresentado como um modelo a ser seguido, mas como exemplo de dissimulação. Este homem é acusado de má administração dos negócios de seu patrão e, antes de ser afastado, procura com astúcia conquistar a confiança dos devedores, tomando parte dos débitos para assegurar seu futuro. Comentando este comportamento, Jesus observa: “Os filhos deste mundo, de fato, para com os seu semelhantes são mais astutos que os filhos da luz”.

A esta astúcia mundana somos chamados a responder com a astúcia cristã, que é o dom do Espírito Santo. Trata-se de se afastar do espírito e dos valores do mundo, que são tão apreciados pelo demônio, para viver de acordo com o Evangelho. A mundanidade se manifesta com comportamentos de corrupção, de engano, de opressão, e constitui a estrada mais errante, a estrada do pecado, mesmo se é aquela mais cômoda de ser percorrida. O espírito do Evangelho, ao contrário, requer um estilo de vida sério e compromissado, marcado pela honestidade, correto, no respeito aos outros e de sua dignidade, com senso de dever. Esta é a astúcia cristã!

O percurso da vida comporta uma escolha entre duas estradas: entre honestidade e desonestidade, entre fidelidade e infidelidades, entre egoísmo e altruísmo, entre o bem e o mal. Não se pode oscilar entre uma e outra, porque se movem sobre lógicas diferentes e contrastantes. É importante decidir qual direção tomar e, a seguir, escolhida aquela justa, caminhar com impulso e determinação, confiando na graça do Senhor e no apoio de seu Espírito. Forte e categórica é a conclusão do trecho do Evangelho: “Nenhum servo pode servir a dois patrões, porque ou odiará um e amará o outro, o mesmo se afeiçoará a um e desprezará o outro”.

Jesus hoje nos exorta a fazer uma escolha clara entre Ele e o espírito do mundo, entre a lógica da corrupção e da cobiça, entre aquela da retidão e da partilha.

Alguns se comportam com a corrupção como com as drogas: pensa que pode usá-la e parar quando quiser. Porém, a corrupção vicia e gera pobreza, exploração e sofrimento. Quando, ao contrário, procuramos seguir a lógica evangélica da integridade, da pureza nas intenções e nos comportamentos, da fraternidade, nos transformamos em artesãos de justiça e abrimos horizontes de esperança para a humanidade. Na gratuidade e na doação de nós mesmos aos irmãos, servimos ao patrão justo: Deus.

Que Nossa Senhora nos ajude a escolher em todas as ocasiões e a todo custo a estrada justa, encontrando também a coragem de ir contracorrente para seguir Jesus e seu Evangelho.

Papa Francisco, continua, quase diariamente, a escrever-nos em sue Twitter ensinamentos do Amor e da Misericórdia de Deus e ao próximo:

18/09/2016
Como cristãos temos a responsabilidade de ser missionários do Evangelho.
17/09/2016
O sinal concreto de que nos encontramos realmente com Jesus é a alegria que sentimos ao comunicá-la também aos outros.

Francisco: “homem fiel pode caminhar de cabeça erguida”

Rádio Vaticano (RV) – O Papa celebrou a missa pelos 200 anos de fundação da Gendarmeria Vaticana na manhã deste domingo (18/09/2016), na Basílica de São Pedro.

Francisco tomou como base para sua reflexão as leituras do dia que apresentam três tipos de pessoas: o enganador, o explorador e o homem fiel.

Em relação aos exploradores, o Papa disse que, “infelizmente, é um tipo humano que se encontra em todas as épocas, e existem tantos hoje”.

“Me impressiona ver como a corrupção está impregnada em todos os lugares”, lamentou Francisco.

E prosseguiu:

“O enganador ama enganar e odeia a honestidade. O enganador ama os subornos, os acordos feitos nas sombras. E o pior de tudo é que ele acredita que é honesto! A ele não importa – como diz o profeta – pisar os pobres. São aqueles que mantêm as grandes ‘indústrias do trabalho escravo’. E hoje no mundo o trabalho escravo é um estilo de administração”.

Neste ponto, o Papa questionou qual é o dever da Gendarmeria ao longo de dois séculos de história.

“O dever de vocês é evitar as coisas ruins feitas pelos exploradores e enganadores. O dever de vocês é defender e promover a honestidade, e tantas vezes mau pagos. E também fazê-lo com caridade, ternura e arriscando a própria vida”, disse Francisco, ao concluir com o terceiro exemplo:

“O homem fiel pode caminhar de cabeça erguida”.

Papa na Missa com os Núncios: homens em saída e em diálogo

“Sair de si mesmo para anunciar o Evangelho a todos os cantos do mundo”: esta foi a exortação que o Papa fez em sua homilia, na Missa que celebrou na manhã deste sábado dia 17 de setembro de 2016.

Participaram da celebração na Capela da Casa Santa Marta os Núncios Apostólicos em Roma por ocasião do seu Jubileu.

Francisco agradeceu os Núncios pela disponibilidade em desempenhar a missão em um país diferente, com alegria e entusiasmo.

A seguir, partindo da parábola do Semeador, Francisco apreciou a obra dos Núncios, que semeiam a Boa Nova em todas as partes do mundo. O Papa reconheceu que, muitas vezes, a vida dos seus representantes é como a vida de um nômade devido aos constantes deslocamentos:

“Ao aprender bem um idioma, ouve o telefone tocar de Roma: “Oi como vai? Tudo bem?” Ele pensa que o Santo Padre lhe quer muito bem para telefonar-lhe, uma ligação doce como o açúcar... “Olha, eu lhe liguei por este motivo...”: preparar as malas e ir para outro lugar, deixando seus amigos, seus costumes, todas as coisas que fez... Sair de si mesmo, sair daquele lugar para ir a outro e lá recomeçar”.

Ao chegar a um novo país – prosseguiu o Papa – o Núncio se depara com outra “saída”: “sair de si mesmo para conhecer, dialogar, aprofundar a cultura e o modo de pensar diferente”.

Semear a Palavra

Em tom de brincadeira, Francisco disse “sair de si mesmo para ir a recepções, tantas vezes tediosas, mas ali também se semeia: a semente é sempre boa. Alguém – observou – poderia pensar que se trata de um trabalho funcionalista ou administrativo que poderia ser desempenhado por leigos. E explicou:

“Outro dia, falando sobre este assunto, o Secretário de Estado disse: “Vejam, muitos parecem ser superficiais nas recepções, mostrando o hábito talar”. Mas, vocês sabem muito bem o impacto que causaram naquelas pessoas: estar no ambiente mundano sem pertencer a ele, tratando as pessoas como são, ouvi-las, dialogar com elas... este também é um modo do Núncio 'sair de si mesmo', entendendo os outros, dialogando com eles... é uma cruz”!

Jesus, – acrescentou Francisco – diz que “o semeador semeia a semente e depois descansa, porque depois Deus a faz germinar e crescer”. Da mesma forma o Núncio, – disse – “deve sair de si e ir em direção ao Senhor, que faz crescer e germinar a semente; deve sair de si diante do Sacrário, na oração e na adoração”.

Recomeçar

“Recomeçar sempre com alegria e entusiasmo, apesar das dificuldades” – frisou o Papa – explicando que “este é um grande testemunho que o Núncio pode dar: adorar Aquele que faz crescer as coisas, Aquele que dá a vida”:

“Eis as três “saídas” de um Núncio: “saída física, preparar as malas e fazer vida de nômade! Digamos uma “saída cultural”: aprender lidar com uma nova cultura, aprender outra língua... Naquele telefonema, ouviu-se: “Quais línguas você fala? Eu falo bem o inglês, o francês e me arranjo em espanhol”... Bem... muito bem! Então olhe “o Papa pensou em enviar-lhe para o Japão”! E se responde: “Mas eu nem conheço uma palavra daquela língua!”. “Mas, você aprende!”.

Depois, o Papa contou aos Núncios que havia ficado impressionado com um deles, que antes de apresentar suas credenciais, havia aprendido uma língua difícil, na qual até conseguia celebrar missa! Assim, ele empreendeu esta sua “saída” com entusiasmo e alegria.

Serviço à Igreja

Os núncios estão sempre em “saída” para servir a Igreja – afirmou ainda Francisco. Este aspecto é bem mais evidente nos núncios eméritos. Trata-se de uma tarefa de “fraternidade”: o núncio emérito reza mais, deve rezar mais por seus irmãos que estão no ambiente mundano. Mas, – explicou o Papa – o núncio que está na ativa jamais deve esquecer a adoração “para que Semeador faça crescer o que ele semeou. E concluiu:

“São estas as três saídas e os três modos de servir a Jesus Cristo e à Igreja. A Igreja lhes agradece - por estas três “saídas”, lhes agradece muito, e eu também. Aprecio muito todas as vezes que recebo de manhã cedo as suas comunicações! Olha como ele está fazendo bem!”.

Por fim, o Papa fez votos para que “o Senhor possa conceder a sua graça”, afim de que os Núncios atualizem sempre estas “três saídas”, estas “três saídas de si mesmo”!

Papa faz visita-surpresa a pacientes de dois hospitais de Roma

Cidade do Vaticano (RV) – Na tarde da sexta-feira (16/09/2016), o Papa Francisco fez novas visitas-surpresa no âmbito das ‘sextas-feiras da misericórdia’ deste Ano Jubilar ao ir ao encontro das ‘periferias existenciais’.

Há poucos dias da canonização de Madre Teresa, que desenvolveu um importante serviço em favor da vida, o Santo Padre visitou duas instituições sanitárias importantes da capital italiana.

Visita aos pequenos pacientes do San Giovanni, no coração de Roma

A primeira delas aconteceu no Pronto Socorro e na Unidade Neonatal do Hospital San Giovanni de Roma, onde estão internadas 12 crianças recém-nascidas com vários tipos de doenças. Cinco desses bebês (dos quais, dois são gêmeos) estão entubados em terapia intensiva e, apesar da situação grave, recebem assistência e cuidados em uma estrutura com equipamentos modernos e adequados a altos padrões. No andar superior do San Giovanni, Papa Francisco visitou também a unidade infantil onde outras crianças estão hospitalizadas.

O Santo Padre foi recebido com surpresa por toda a equipe de médicos e enfermeiros, pais e pequenos pacientes. Como de regra nos hospitais, Francisco precisou usar máscara de proteção, além de se submeter a todas as precauções higiênicas para respeitar o ambiente. Cada incubadora que recebia um paciente, também ganhava o conforto do Papa. Os pais também foram saudados e encorajados pelo gesto simbólico do Pontífice neste Ano Santo da Misericórida.

O conforto aos doentes em fase terminal do Policlínico Gemelli

Em seguida, o Papa foi até o Policlínico Universitário Gemelli de Roma, da Universidade Católica Sacro Cuore. O Pontífice visitou a unidade “Hospice Villa Speranza”, uma estrutura dedicada aos doentes com câncer e que atende 30 pacientes em fase terminal.

Na sua chegada, os responsáveis deram as boas-vindas ao Santo Padre que desejou saudar cada doente, um por um no seu quarto. Foi uma grande surpresa para todos, pacientes e familiares que viveram em plena sexta-feira à tarde um momento de misericórdia unido a fortes emoções, lágrimas e sorrisos de alegria.

A importância da vida

Com mais essa obra simbólica no Ano da Misericórdia, Papa Francisco quis dar um sinal significativo sobre a importância da vida desde o seu primeiro instante até o seu final natural. Acolher a vida e garantir a sua dignidade em cada momento do seu desenvolvimento é um ensinamento sempre enfatizado pelo Santo Padre.

Com essa dupla visita, Francisco imprimiu mais uma vez a sua marca concreta e tangível de quanto é fundamental – para viver a misericórdia – a atenção às situações mais frágeis e precárias.

Papa: a "lógica do depois do amanhã" e a transformação após a morte

Rádio Vaticano (RV) – “Se Cristo não ressuscitou, tampouco nós ressuscitaremos”. A partir deste trecho da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, o Papa desenvolveu sua meditação matutina na Casa Santa Marta, na manhã desta sexta-feira (16/09/2016). Francisco então enfatizou a “lógica da redenção até o final”.

O Pontífice notou, com um pouco de amargura, que quando recitamos a última parte do Credo, o fazemos com pressa porque nos amedronta pensar ao futuro, à ressurreição dos mortos.

Lógica de Cristo

“É fácil para todos – observou – entrar na lógica do passado, porque é concreta”, e também é “fácil entrar na lógica do presente, porque o vemos”. Mas quando olhamos para o futuro, então pensamos que seria “melhor não pensar”. “Não é fácil – reiterou – entrar na totalidade desta lógica do futuro”.

“A lógica de ontem é fácil. A lógica do hoje é fácil. A lógica do amanhã é fácil: todos morreremos. Mas a lógica do depois de amanhã, esta é difícil. E isto é aquilo que Paulo quer anunciar hoje: a lógica do depois de amanhã. Como será? Como será isso? A ressurreição. Cristo ressuscitou. Cristo ressuscitou e está bem claro que não ressuscitou como um fantasma. No trecho de Lucas sobre a ressurreição: “Toquem-me”. Um fantasma não tem carne, não tem ossos. “Toquem-me. Deem-me de comer”. A lógica do depois do amanhã é a lógica na qual entra a carne”.

Perguntamo-nos, retomou o Papa, “como será o céu?”, se “estaremos todos lá”, mas “não entendemos aquilo que Paulo quer que entendamos, esta lógica do depois do amanhã”. E aqui, advertiu, “somos traídos por um certo agnosticismo” quando pensamos que “será tudo espiritual” e “temos medo da carne”.

Piedade espiritualista

Não esqueçamos, disse Francisco, “que esta foi a primeira heresia”, que o Apostólo João condena: ‘Quem diz que o Verbo de Deus não se fez carne, é do anticristo’.

“Temos medo de aceitar e levar às últimas consequências a carne de Cristo. É mais fácil uma piedade espiritualista, uma piedade de nuances; mas entrar na lógica da carne de Cristo, isto é difícil. E esta é a lógica do depois do amanhã. Nós ressuscitaremos como Cristo ressuscitou, com a nossa carne”.

O Papa recordou que os primeiros cristãos se perguntavam como Jesus ressuscitou e observa que “na fé da ressurreição da carne, estão enraizadas as mais profundas obras de misericórdia, porque há uma conexão contínua”. De outro lado, prosseguiu, São Paulo sublinha com ênfase que todos seremos transformados, o nosso corpo e a nossa carne serão transformados.

Transformação da carne

Ainda, recorda que o Senhor “fez-se ver e tocar e comeu junto com os discípulos após a ressurreição”. E esta “é a lógica do depois do amanhã, aquela que temos dificuldade de entender, na qual todos encontramos dificuldades para entrar”:

“É um sinal de maturidade entender bem a lógica do passado, é um sinal de maturidade se mover na lógica do presente, aquela de ontem e aquela de hoje. É também um sinal de maturidade ter a prudência para enxergar a lógica do amanhã, do futuro. Mas é preciso uma grande graça do Espírito Santo para entender esta lógica do depois do amanhã, depois da transformação, quando Ele virá e nos levará às nuvens, todos transformados, para permanecer sempre com Ele. Peçamos ao Senhor a graça desta fé”.

Tweets do Papa Francisco:

16/09/2016
Somente quem se faz pequeno diante do Senhor pode experimentar a grandeza da Sua misericórdia.
15/09/2016
A Igreja é chamada a caminhar com Jesus pelas estradas do mundo para encontrar a humanidade de hoje.

Audiência: "Jesus não era um príncipe, estava com os pobres"

Cidade do Vaticano (RV) – 14.setembro.2016, quarta-feira de sol, temperatura amena e muita gente na Praça São Pedro para participar da audiência geral do Papa Francisco. Prosseguindo o ciclo de catequeses centradas na Misericórdia, o Pontífice definiu a sua reflexão, inspirada no Evangelho de Mateus, “comovedora”.  

Após a leitura da Palavra, em várias línguas, o Papa quis explicar o significado das expressões do evangelista “vinde a mim”, “tomai o meu jugo” e “aprendei de mim”.

Vinde a mim

No primeiro caso, Jesus se dirige aos cansados e oprimidos oferecendo-lhes a sua misericórdia. Neste convite, os pobres viram finalmente uma resposta às suas expectativas. Eles não podiam contar com nenhuma amizade importante, mas tornando-se discípulos de Jesus, recebem a promessa de encontrar consolo para toda a vida. “Uma promessa que na conclusão do Evangelho é estendida a todos os povos”, disse o Papa.

Os fiéis de todo o mundo que atravessam as Portas da Misericórdia em suas catedrais e santuários, em tantas igrejas e hospitais, fazem o mesmo: vão encontrar Jesus, expressam a conversão do discípulo que se põe no seguimento de Jesus, a descoberta da misericórdia do Senhor, infinita e inesgotável.

Jugo é um vínculo com o povo

O segundo imperativo, “tomai o meu jugo”, Jesus quer que seus discípulos entrem em comunhão com Ele, se tornem partícipes do mistério de sua cruz e de seu destino de salvação. “É um vínculo que une o povo a Deus. O jugo que carregam os pobres e os oprimidos é o mesmo que carregou Cristo antes deles; e por isso, é um jugo leve”, completou Francisco.

Enfim, a exortação “aprendei de mim” feita aos humildes e pequenos, porque compreende os pobres e sofredores e Ele mesmo é pobre e provado pelas dores, tendo carregado sobre suas costas os pecados da humanidade inteira. “Nele – explicou o Pontífice – a misericórdia de Deus assumiu a pobreza dos homens, doando a todos a possibilidade da salvação”.

Pastores 'príncipes' são um mal para a Igreja

Improvisando, Francisco questionou: “Por que Jesus é capaz de dizer estas coisas? Porque Ele era um Pastor que estava em meio às pessoas, aos pobres. Trabalhava todos os dias junto com eles. Ele não era um ‘príncipe’. É feio para a Igreja quando os Pastores se tornam distantes dos pobres e viram ‘príncipes’. Estes pastores eram repreendidos por Jesus; este não é o espírito de Jesus. Ele dizia, sobre eles: “Façam o que dizem, mas não o que fazem!”.

Concluindo a catequese, o Papa consolou os fiéis: “Para todos há momentos de cansaço e de decepção”; e recordou as palavras do Senhor que nos dão tanta consolação e nos fazem entender se colocamos nossas forças a serviço do bem. Somos chamados a aprender Dele o que significa ‘viver de misericórdia’ e ser ‘instrumentos de misericórdia’.

Encontramos conforto na Cruz do Senhor

“Coragem!, exclamou Francisco. Não deixemos que nos tirem a alegria de ser discípulos do Senhor. Não deixemos que nos roubem a esperança de viver esta vida com Ele e com a força da sua consolação”.




Matar em nome de Deus é satânico!, afirmou o Papa em missa pelo Pe. Jacques Hamel

VATICANO, 14.Set.2016 / 11:15 am (ACI).- Na manhã desta quarta-feira, foi celebrada uma Missa pelo Pe. Jacques Hamel, sacerdote francês assassinado no último dia 26 de julho por dois jovens jihadistas enquanto celebrava a eucaristia. Durante a homilia, o Papa Francisco afirmou que o presbítero é um santo porque morreu mártir, e expressou firmemente que “matar em nome de Deus é satânico! ”.

O sacerdote “faz parte desta corrente de mártires”. “Hoje há cristãos perseguidos por que não renegam a Cristo e a crueldade desta perseguição é satânica”.

“Que bom seria que todas as confissões religiosas dissessem: ‘Matar em nome de Deus é satânico’! ”, acrescentou.

Estiveram presentes durante a Missa a irmã do sacerdote, assim como um grupo de 80 fiéis da diocese de Rouen – onde o sacerdote servia - junto com o seu bispo, Dom Dominique Lebrun. Foi uma celebração emotiva, na qual o Papa pediu para colocar uma fotografia do sacerdote assassinado no altar.

“Na cruz de Jesus Cristo –hoje a Igreja celebra a festa da Cruz– compreendemos plenamente o mistério de Cristo, este mistério de aniquilação, de proximidade a nós”, disse Francisco na homilia.

O Pontífice explicou: “Este é o mistério de Cristo. Jesus Cristo é o primeiro mártir, o primeiro que dá a vida por nós, e deste mistério de Cristo começa toda a história do martírio cristão, desde os primeiros séculos até hoje. Os primeiros cristãos recebiam a proposta da apostasia, isto é: “Digam que o nosso deus é o verdadeiro. Façam um sacrifício ao nosso deus ou aos nossos deuses”, e se rejeitavam a apostasia, eram assassinados”.

“Esta história se repete até hoje na Igreja e hoje na Igreja há mais mártires cristãos do que nos primeiros tempos. Hoje há cristãos assassinados, torturados, encarcerados, degolados porque não renegam Jesus Cristo”.

O Pe. Jacques Hamel “foi degolado na Cruz, justamente enquanto celebrava o sacrifício da Cruz de Cristo. “Homem bom, manso, de fraternidade, que sempre buscava fazer a paz, foi assassinado como se fosse um criminoso. Mas há algo, neste homem, que aceitou o seu martírio no altar, algo que me faz pensar muito: em meio ao momento difícil que vivia, em meio a esta tragédia que ele via se aproximar, um homem manso, um homem bom, um homem que fazia fraternidade, não perdeu a lucidez de acusar e dizer claramente o nome do assassino. E disse claramente: ‘Vai embora, Satanás! ’. Deu a vida por nós, deu a vida para não renegar Jesus. Deu a vida no mesmo sacrifício de Jesus no altar e dali acusou o autor da perseguição: ‘Vai embora, Satanás! ’”.

“Que esse exemplo de coragem, mas também de martírio da própria vida, de esvaziar a si mesmo para ajudar os outros, de fazer fraternidade entre os homens, ajude todos nós a ir avante sem medo. Ele do Céu, porque devemos rezar para ele? É um mártir! E os mártires são beatos – devemos rezar para ele, que nos dê a mansidão, a fraternidade, a paz e também a coragem de dizer a verdade: matar em nome de Deus é satânico”.

Papa: vencer a indiferença e construir a cultura do encontro

Cidade do Vaticano (RV) – Trabalhar para construir uma verdadeira cultura do encontro, que vença a cultura da indiferença: foi o que pediu o Papa na Missa celebrada na manhã de terça-feira (13/09/2016) na Casa Santa Marta.

Francisco falou do encontro de Deus com o seu povo, e advertiu para os maus hábitos que, em família, nos afastam da escuta do outro. A Palavra de Deus, iniciou o Pontífice, nos faz hoje refletir sobre um encontro. Com frequência, observou, as pessoas se “cruzam, mas não se encontram”. Cada um “pensa em si mesmo; olha, mas não vê; ouve, mas não escuta”:

“O encontro é outra coisa, é aquilo que o Evangelho hoje nos anuncia: um encontro; um encontro entre um homem e uma mulher, entre um filho único vivo e um filho único morto; entre uma multidão feliz, porque encontrou Jesus e o segue, e um grupo de pessoas, chorando, que acompanha aquela mulher, que saía de uma porta da cidade; encontro entre aquela porta de saída e a porta de entrada. O ovil. Um encontro que nos faz refletir sobre o modo de nos encontrar entre nós”.

No Evangelho, prosseguiu, lemos que o Senhor sentiu “grande compaixão”. Esta compaixão, advertiu, “não é o mesmo que nós sentimos quando andamos na rua e vemos uma coisa triste: ‘Que pena!’” Jesus não passa além, é tomado pela compaixão. Aproxima-se da mulher, a encontra realmente e depois faz o milagre.

O encontro com Jesus vence a indiferença e restitui dignidade

Neste episódio, disse o Papa, vemos não só a ternura, mas também “a fecundidade de um encontro”. “Todo encontro – retomou – é fecundo. Todo encontro restitui as pessoas e as coisas no seu lugar”:

“Estamos acostumados com a cultura da indiferença e temos que trabalhar e pedir a graça de fazer a cultura do encontro, do encontro fecundo que restitui a todas as pessoas a própria dignidade de filhos de Deus. Nós estamos acostumados com esta indiferença, quando vemos as calamidades deste mundo ou as pequenas coisas: “Mas que pena, pobres pessoas, como sofrem”, e ir adiante. Se eu não ver – não é suficiente ver, mas olhar – se eu não paro, não olho, não toco, se não falo, não posso fazer um encontro e nem ajudar a fazer a cultura do encontro”.

Todos, sublinhou Francisco, “ficaram com muito medo e glorificavam a Deus por visitar o seu povo”. O Papa acrescentou que “eu gosto de ver aqui também o encontro de todos os dias entre Jesus e sua esposa”, a Igreja, que aguarda o Seu retorno.

Também em família podemos viver um verdadeiro encontro

“Esta – reiterou – é a mensagem de hoje: o encontro de Jesus com o seu povo”; todos somos “carentes da Palavra de Jesus”. Precisamos do encontro com Ele:

“À mesa, em família, quantas vezes se come, se vê TV ou se escreve mensagens no celular. Todos são indiferentes a este encontro. Até no fulcro da sociedade, que é a família, não existe encontro. Que isto nos ajude a trabalhar por esta cultura do encontro, tão simplesmente como o fez Jesus. Não olhar apenas, mas ver; não ouvir apenas, mas escutar; não só cruzar com os outros, mas parar. Não dizer apenas ‘que pena, pobres pessoas’, mas deixar-se levar pela compaixão. E depois, aproximar-se, tocar e dizer do modo mais espontâneo no momento, na linguagem do coração: ‘Não chore. E dar pelo menos uma gota de vida”.

Nos últimos dois dias, estas foram as mensagens do Papa Francisco para nós, depositadas em seu Twitter:

14/09/2016
O perdão da Igreja deve ter a mesma extensão que o de Jesus na Cruz, e de Maria ao seu pé.
13/09/2016
Peçamos uma fé que nos permita confiar em Deus em qualquer circunstância da vida.


Os Tweets mais recentes do Santo Padre, o Papa Francisco:

12/09/2016
Uma saudação a todas as atletas e os atletas participantes nas Paraolimpíadas: que o esporte seja ocasião de crescimento e de amizade.
11/09/2016
A Palavra de Deus pode fazer um coração árido renascer.






Papa: "Rezar pela unidade na raiz da Igreja"


Rádio Vaticano (RV) – As divisões destroem a Igreja e o diabo tenta atacar a raiz da unidade, isto é, a celebração eucarística: foi o que disse o Papa celebrando a Missa matutina na Casa Santa Marta na segunda-feira (12/09/2016) – dia em que a Igreja faz memória do Nome de Maria.

Divisões e dinheiro, armas do diabo para a destruição

Comentando a carta de São Paulo aos Coríntios, repreendidos pelo Apóstolo por suas brigas, o Papa Francisco reiterou que “o diabo tem duas armas muito potentes para destruir a Igreja: as divisões e o dinheiro”.

E isso ocorreu desde o início: “divisões ideológicas, teológicas, que dilaceravam a Igreja. O diabo semeia ciúmes, ambições, ideias, mas para dividir! E semeia cobiça”.

E assim como acontece depois de uma guerra, “tudo fica destruído. E o diabo vai embora contente. E nós – ingênuos, fazemos o seu jogo”. “As divisões são uma guerra suja – repetiu mais uma vez o Papa – é como um terrorismo”, o das fofocas nas comunidades, da língua que mata: “lança a bomba, destrói e permaneço”:

O diabo vai à raiz da unidade cristã

“E as divisões na Igreja não deixam que o Reino de Deus cresça; não deixam que o Senhor seja visto como Ele é. As divisões mostram esta parte, esta outra parte contra esta e contra alguém … Sempre contra! Não há o óleo da unidade, o bálsamo da unidade. Mas o diabo vai além, não somente na comunidade cristã, vai justamente na raiz da unidade cristã. E isso é o que acontece aqui, na cidade de Corínto, aos Coríntios. Paulo os repreende porque as divisões chegam precisamente à raiz da unidade, isto é, à celebração eucarística”.

No caso dos Coríntios, são feitas divisões entre ricos e pobres bem durante a celebração. Jesus – sublinha o Papa – “rezou ao Pai pela unidade, mas o diabo tenta destruir até isso”:

“Eu lhes peço que façam todo o possível para não destruir a Igreja com divisões, sejam elas ideológicas como de cobiça e ambição, ou ciúmes. E principalmente para que rezem e custodiem a fonte, a raiz própria da unidade da Igreja, que é o Corpo de Cristo; e que nós – todos os dias – celebremos o seu sacrifício na Eucaristia”.

São Paulo fala das divisões entre os Coríntios, 2 mil anos atrás...

“Paulo pode dizê-lo a todos nós, à Igreja de hoje: ‘Irmãos, nisto eu não posso louvá-los porque vocês não se reúnem para o melhor, mas para o pior!’. A Igreja, toda, reunida para o pior, para as divisões: para o pior! Para sujar o Corpo de Cristo! Na celebração eucarística – e o próprio Paulo nos diz, em outra passagem: ‘Quem come e bebe do Corpo e do Sangue de Cristo indignamente, come e bebe a própria condenação’. Peçamos ao Senhor a unidade da Igreja, que não haja divisões; e unidade também na raiz da Igreja, que é precisamente o sacrifício de Cristo, que celebramos todos os dias”.

Estava presente na missa também Dom Arturo Antonio Szymanski Ramírez, arcebispo emérito de San Luis Potosí (México), de 95 anos. No início da homilia, o Papa o mencionou, recordando que participou do Concílio Vaticano II e que hoje ajuda em uma paróquia. O Pontífice o recebeu em audiência no último dia 9 de setembro.

Angelus: Deus faz festa quando voltamos para Ele, arrependidos


A leitura evangélica deste domingo, XXIV do tempo comum, é um trecho tirado do capítulo 15 do Evangelho de São Lucas, considerado o capítulo da misericórdia, pois que reúne três parábolas com as quais Jesus responde às murmurações dos escribas e fariseus que o criticavam por acolher e comer com os pecadores.

E foi precisamente desta leitura que o Papa partiu para a sua breve reflexão antes da oração mariana do Ângelus, ao meio dia da Janela do Palácio Apostólico, sobre a Praça de São Pedro, que como sempre, estava repleta de fiéis e turistas, neste Domingo, 11.setembro.2016

Com essas três parábolas – disse Francisco – “Jesus nos quer fazer compreender que Deus Pai é o primeiro a ter, em relação aos pecadores, uma atitude acolhedora e misericordiosa” .

Essas parábolas são: o pastor que abandona as noventa e nove ovelhas para procurar uma que se tinha perdido; a mulher que perdeu uma moeda e a procura até a encontrar; o pai que regozija e faz festa pelo regresso a casa do filho que se tinha afastado da família.

A mulher, o pastor, o pai, os três fazem festa com amigos e vizinhos quando se resolve a situação que os preocupava.

Com efeito, o elemento comum a estas três parábolas – fez notar o Papa – é o alegrar-se juntos, fazer festa. Nas primeiras duas, a tónica é posta na alegria tão grande que quem a vive sente a necessidade de a partilhar com “os amigos e vizinhos”. Na terceira, é posta na festa que parte do coração do pai misericordioso e se expande por toda a casa. Algo que está em plena sintonia com o Ano jubilar que estamos a viver – acrescentou Francisco:

“Esta festa de Deus para com os que regressam a Ele, arrependidos, está mais do que nunca em sintonia com o Ano jubilar que estamos a viver, como diz o próprio termo “jubileu, isto é júbilo!”

Jesus apresenta-se assim como “um Deus de braços abertos, que trata os pecadores com ternura e compaixão”. A terceira parábola é, no dizer do Papa - a que mais manifesta o amor infinito de Deus, pois que, se por um lado apresenta a triste história dum jovem que cai na degradação, por outro mostra a sua força de se levantar e voltar para o pai. E é isto que mais comove: “Levantar-me-ei e irei ter com o meu Pai”. O Papa vê neste regresso a casa a “via da esperança e da vida nova”. E aqui Francisco volta a sublinhar com força como tem vindo a fazer, que “Deus espera sempre o nosso pôr-se a caminho, ele nos espera com paciência, nos vê quando ainda estamos longe, corre ao nosso encontro, nos abraça, nos beija, nos perdoa. Deus é assim! Assim é o nosso Pai! E o seu perdão cancela o passado e nos regenera no amor. Esquece o passado: e esta é a fraqueza de Deus. Quando nos abraça e nos perdoa, perde a memória. Não tem memória! Esquece o passado.”

Bergoglio frisou ainda que quando “nós pecadores nos convertemos e nos deixamos encontrar por Deus, não nos espera repreensões e durezas, porque Deus salva, volta a acolhermos em casa com alegria e faz festa”.

E fazendo notar que é o próprio Jesus que diz no Evangelho deste domingo que “haverá mais alegria no Céus por um único pecador que se converte,  do que por noventa e nove justos, os quais não precisam de conversão”, o Papa lançou uma pergunta:

 “Haveis jamais pensado que de cada vez que nos aproximamos do confessionário, há alegria e festa no Céu?” Já pensastes nisso? É belo!”

Isto dá – sublinhou o Papa -  grande esperança, porque mostra que não há pecado da qual, com a graça de Deus, não podemos ressurgir; não há ninguém irrecuperável, porque Deus não cessa nunca de querer o nosso bem.

E o Papa rezou à Virgem Maria, refugio dos pecadores, para que faça brotar nos nossos corações aquela confiança que se acendeu no coração do filho pródigo que disse: “ Hei-de levantar-me e ir ter com o meu pai, e dir-lhe-ei: Pai pequei”. Empreendendo este caminho podemos dar alegria a Deus e a sua alegria pode tornar-se a sua e a nossa festa” – rematou Francisco.

Oração especial paro Gabão em crise politica

Depois do Oração mariana do Angelus, o Papa recordou a situação que se está a viver no Gabão pedindo uma oração especial para este país africano…

“Caros irmãos e irmãs, gostaria de convidar a uma oração especial para o Gabão, que está a atravessar um momento de grave crise política. Confio ao Senhor as vítimas do recontros e os seus familiares. Associo-me aos Bispos daquele querido País africano, convidando as partes a recusar todas as formas de violência e a ter sempre como objectivo o bem comum. Encorajo todos, de modo particular os católicos, a ser construtores de paz no respeito da legalidade, no diálogo e na fraternidade”.

Novo Beato

O Papa recordou ainda que neste domingo 11 de Setembro, em Karaganda, no Kazakhstan, é proclamado Beato Ladislao Bukowinski, sacerdote e pároco, perseguido pela sua fé… Como sofreu esse homem! como!… Na vida demonstrou sempre grande amor pelos mais fracos e necessitados e o seu testemunho aparece como um condensado de obras de misericórdia espirituais e corporais.”

E o Papa concluiu a sua alocução saudando todos, romanos, grupos de várias partes da Itália e peregrinos vindos doutros países. A todos desejou bom domingo, despedindo com o habitual pedido de oração para ele.

As mensagens mais recentes do Papa Francisco em seu Twitter:


10/09/2016
A misericórdia pode realmente contribuir na edificação de um mundo mais humano.
09/09/2016
O Senhor se faz presente todos os dias, bate à porta de nosso coração.
08/09/2016
Oferecer testemunho da misericórdia no mundo de hoje é uma tarefa à qual nenhum de nós pode se subtrair.





Redenção: a mais radical libertação de Deus para conosco


A praça de São Pedro voltou a encher-se de gente neste sábado 10 de Setembro de 2016 para a audiência jubilar do Santo Padre, a  nona, desde o início do Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia. Uma oportunidade a mais que o Santo Padre quer dar - a quem vem em peregrinação a Roma e quem o segue mesmo à distância  - para entrar ulteriormente no espírito da misericórdia para o pôr em prática.. .

O Papa assentou a sua catequese no trecho bíblico do Apóstolo Pedro que fala de Misericórdia  e da Redenção, isto é da salvação que nos foi dada através do sangue de Cristo.

Francisco recordou que a palavra “Redenção” é pouco usada, mas é fundamental porque indica a mais radical libertação que Deus podia realizar por nós, por toda a humanidade, por toda a criação.

Mas o homem de hoje, disse o Papa se ilude de poder libertar-se, salvar-se a si próprio sem a intervenção de Deus. Aliás, gaba-se mesmo disto. Mas é uma pura ilusão. Basta pensar – prosseguiu Francisco -  nas numerosas pessoas que, em nome da liberdade, são vendidas como escravas, ou se submetem à droga a isso, àquilo àqueloutro ...

“São escravas, tornam-se escravas em nome da liberdade. Todos temos visto pessoas do género  acabar de rastos. “Precisamos que Deus nos liberte de todas as formas de indiferença, de egoísmo e de auto-suficiência”.

Cristo sacrificou-se por nós, venceu a morte e o pecado para que nós pudéssemos receber uma vida nova, feita de perdão, de amor de alegria. Três palavras bonitas, sublinhou Francisco, repetindo-as e acrescentando que tudo o que Cristo assumiu foi redimido, liberto, salvo.

É claro que a vida apresenta provações e, por vezes, sofremos, mas quando isto acontece somos convidados a dirigir o olhar para Jesus crucificado que sofre por nós e connosco, uma prova certa de que Deus não nos abandona.

E o Papa convidou a não nos esquecermos nunca que nas angústias e perseguições, assim como nos sofrimentos quotidianos, somos sempre libertados pela mão misericordiosa de Deus que nos eleva para si e nos conduz à vida nova.

“O amor de Deus não tem limites: podemos descobrir sempre novos sinais que indicam a sua atenção para connosco e, sobretudo, a sua vontade de vir até nós e de nos preceder. Toda a nossa vida, embora marcada pela fragilidade do pecado, é colocada sob o olhar de Deus que nos ama.”

Afirmando depois que a Sagrada Escritura está cheia de passagens que nos recordam a presença, a proximidade e a ternura de Deus para com cada ser humano, Francisco sublinhou que “Deus tem uma grande ternura, um grande amor sobretudo para com os pobres, os mais fracos, os descartados da sociedade”. Quanto mais estamos na necessidade, mais o seu olhar misericordioso se pousa sobre nós, pois que conhece as nossas fraquezas.

“Conhece os nossos pecados e nos perdoa; perdoa sempre! É muito bom, é muito bom o nosso Pai”

Por esta razão, exortou o Papa, abramo-nos a Ele, acolhamos a sua graça. E citando o salmo 103 (7) que diz “Com o Senhor está a misericórdia, e nele é abundante a redenção” Francisco interagiu com os peregrinos presentes:

“Ouviste bem? "Com o Senhor está a misericórdia, e nele é abundante a redenção.” Outra vez:  "Com o Senhor está a misericórdia, e nele é abundante a redenção” Obrigado.


Papa adverte bispos: divisão e dinheiro são as armas do diabo

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta sexta-feira (09/09/2016), o Papa Francisco recebeu, no Vaticano, os bispos de recente nomeação que participam de um Seminário promovido pela Congregação para a Evangelização dos Povos.

Ao se dirigir aos bispos, o Pontífice falou da realização deste Seminário no Ano Santo da Misericórdia, que lhes dá a possibilidade de se unir a tantos peregrinos de todas as partes do mundo: “Esta experiência nos faz tanto bem, nos faz sentir que todos somos peregrinos da misericórdia”.

Territórios de missão

O Papa notou a proveniência dos bispos, que atuam em áreas consideradas “territórios de missão”. “Portanto, cada um de vocês tem o grande privilégio e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de estar na linha de frente na evangelização”, afirmou Francisco, recordando que são chamados a cuidar do rebanho e ir em busca das ovelhas, especialmente daquelas distantes ou perdidas. “Eu os encorajo a encontrar também as ovelhas que ainda não pertencem ao ovil de Cristo: de fato, a evangelização está essencialmente ligada à proclamação do Evangelho aos que ainda não conhecem Jesus Cristo ou que sempre o rejeitaram".

Nesta missão, o Pontífice citou a importância dos colaboradores, entre os quais os leigos e, principalmente, os presbíteros, “o próximo mais próximo do bispo”. O Papa pediu que respondam imediatamente a suas solicitações, de preferência no mesmo dia, reforçando a necessidade de um acompanhamento no processo de formação já no seminário.

Divisão e dinheiro

Francisco pediu ainda vigilância aos bispos para que as atividades evangelizadoras e pastorais não sejam prejudicadas por divisões existentes ou que possam ser criadas.

“As divisões são a arma mais próxima do diabo para destruir a Igreja. Ele tem duas armas, mas a mais perigosa é a divisão. A outra é o dinheiro. O diabo entre no bolso e destrói com a língua, com as fofocas. E fofocar é um hábito terrorista.”

Etnias

De modo especial, o Papa alertou para as diferenças em decorrência das várias etnias presentes num mesmo território para que não penetrem nas comunidades cristãs a ponto de prevalecer sobre o seu bem. “A Igreja é chamada a saber colocar-se sempre acima das conotações tribais-culturais e o bispo, visível princípio de unidade, tem a tarefa de edificar incessantemente a Igreja particular na comunhão de todos os seus membros”, reiterou.

O discurso de Francisco faz referência também à maturidade dos bispos, pois eles têm o dever de seguir atentamente os problemas e as questões concretas da sociedade a ser evangelizada.

São considerados territórios de missão alguns países de África, Ásia, América Latina e Oceania.


Papa: "Evangelizar não é se vangloriar, mas testemunhar a fé com a vida"

Rádio Vaticano (RV) - Não reduzir a evangelização ao funcionalismo nem a um simples ‘passeio’: é o convite feito pelo Papa Francisco na homilia da manhã da sexta-feira (09/09/2016), na Casa Santa Marta.

O Pontífice destacou a importância que o testemunho deve assumir na vida dos cristãos, alertando para a tentação de fazer proselitismo ou convencer à força de palavras.

O que significa evangelizar e como podemos fazê-lo? Francisco se inspirou na Carta de São Paulo aos Coríntios e questionou sobre o significado de dar testemunho de Cristo. Primeiramente, explicou o que não é evangelizar: ‘reduzi-la a uma função’.

Evangelizar não é se exibir

Infelizmente – disse – hoje, em algumas paróquias, este serviço é vivido como uma função. Leigos e sacerdotes se vangloriam pelo que fazem:

“Isto é a vanglória: eu me vanglorio”; é reduzir o Evangelho a uma função ou mesmo a uma vanglória. “Eu vou evangelizar e levo muitos para a Igreja”. Fazer proselitismo: isto também é uma vanglória. Evangelizar não é fazer proselitismo e nem fazer um passeio, nem reduzir o Evangelho a uma função. Isto é o que Paulo diz: “Pregar o Evangelho para mim não é um motivo de glória, é antes uma necessidade - continua - uma imposição". Um cristão tem a obrigação, mas com esta força, como uma necessidade de levar o nome de Jesus, mas do próprio coração”.

Mas qual seria então o “estilo” da evangelização?, pergunta-se o Papa. “Como posso estar certo de não fazer o passeio, de não fazer proselitismo e não reduzir a evangelização a um funcionalismo?”

O estilo, responde Francisco, “é fazer tudo a todos”, é “ir e compartilhar a vida com os outros, acompanhar no caminho de fé, fazer crescer no caminho da fé”.

Evangelizar é dar testemunho, sem perguntas demais

Devemos colocar-nos na condição do outro: “Se ele está doente, me aproximo, e não enchê-lo com argumentos”, é “estar próximo, assistir, ajudar”. Evangeliza-se “com este comportamento de misericórdia: fazer tudo a todos; é este o testemunho que leva a Palavra”.

Enfim, Francisco recordou que durante o almoço com os jovens, na JMJ de Cracóvia, um jovem lhe perguntou o que deveria dizer a um seu amigo querido, ateu.

“É uma boa pergunta! Todos conhecemos pessoas que estão afastadas da Igreja: o que devemos dizer a elas? E eu respondi: ‘Veja, a última coisa que deves fazer é dizer alguma coisa! Comece a fazer, e ele verá o que tu fazes e te perguntará; e quando te perguntar, tu dizes”. Evangelizar é dar este testemunho: eu vivo assim, porque acredito em Jesus Cristo; eu desperto em ti a curiosidade da pergunta ‘mas porque fazes estas coisas?’. Porque acredito em Jesus Cristo e anuncio Jesus Cristo e não somente com a Palavra – sim, se deve anunciá-lo com a Palavra – mas com a vida”.

Isto é evangelizar, disse o Papa, e “também isto se faz gratuitamente”, “porque recebemos de graça o Evangelho”, “a graça, a salvação não se compra nem se vende: é grátis! E de graça devemos dá-la”.

Viver a fé

Assim o Papa recordou São Pedro Claver, que a Igreja celebra nesta sexta-feira. Um missionário, pontuou, que “foi anunciar o Evangelho”. Talvez, refletiu, “ele pensava que seu futuro seria pregar: no seu futuro o Senhor pediu-lhe que estivesse próximo, junto aos descartados daquele tempo, aos escravos, aos negros, que chegavam lá da África para serem vendidos”:

“E este homem não fez um passeio, dizendo que evangelizava; não reduziu a evangelização a um funcionalismo e nem mesmo a um proselitismo: anunciou Jesus Cristo com gestos, falando aos escravos, vivendo com eles, vivendo como eles! E como ele na Igreja existem tantos! Tantos que aniquilam a si mesmos para anunciar Jesus Cristo. E também todos nós, irmãos e irmãs, temos a obrigação de evangelizar, que não é bater na porta do vizinho ou da vizinha e dizer: ‘Cristo ressuscitou’. É viver a fé, é falar da fé com docilidade, com amor, sem vontade de convencer ninguém, mas gratuitamente. É dar gratuitamente aquilo que Deus de forma gratuita nos deu: isto é evangelizar”.


Papa: visita de pastor evangélico e o caminho para a unidade


Cidade do Vaticano (RV) – “A unidade se faz caminhando”, comentou dessa forma o Papa Francisco depois de ter abraçado o amigo Giovanni Traettino, pastor da Igreja Evangélica da Reconciliação.

Na tarde desta quinta-feira, 8.setembro.2016, o Santo Padre recebeu na Casa Santa Marta a visita de Traettino que estava acompanhado de outros seis pastores das cidades italianas de Turim, Brescia, Palermo, Caserta, Marcianise e Salerno. Ele disse que “para devolver a visita que o Pontífice fez dois anos atrás a Caserta, pensamos em valorizar ainda mais o diálogo dando um horizonte comunitário aos nossos encontros, aumentando, então, o perfil da nossa resposta e vindo encontrar o Papa como família espiritual”.

À espera do Papa com o Pai Nosso

O encontro foi envolvido de um clima de grande simplicidade e fraternidade. Já na chegada da Casa Santa Marta e à espera do Papa, os sete hóspedes rezaram de mãos dadas o Pai Nosso. Então, o pastor Traettino agradeceu o Papa pela ocasião e por encontros como esse em que o diálogo entre as igrejas tenha tido “uma aceleração inesperada nos últimos anos”.

Sublinhou ainda a intenção da Igreja Evangélica da Reconciliação que é próprio “reconciliar os perdidos, reconciliar os cristãos e reconciliar o mundo”. E nesse diálogo sempre mais amigável, acrescentou, “reconhecemos a mão soberana do Senhor”.

Nesse caminho, disse então o pastor, fundamental será “nos reconciliarmos graças às nossas raízes comuns, certos e agradecidos de ter no Pontífice um irmão e um aliado”.

Os passos e o caminho para a unidade

Da sua parte, Francisco enalteceu como certos passos são coisas que “o coração sentiu” e são realizados com espontaneidade. São “passos”. E salientou de novo: “a unidade é feita com os passos. Em caminho”. Um caminho paciente e contínuo.

O Papa, então, acrescentou que se se questiona qual será o dia preciso em que a unidade será plena, a resposta prevê um dia exato: “o dia depois daquele da vinda do Filho do homem”. Aos cristãos, entretanto, depois de tantas coisas que aconteceram na história e os distanciaram entre eles se espera de “rezar, arrepender-se das coisas que não estão fazendo bem e caminhar juntos”.

Fundamentalmente, explicou Francisco, é a disponibilidade ao perdão: “Quando há coisas ruins no passado se deve pedir perdão”. E o perdão deve ter “o estilo de Deus”, que “esquece tudo”.

Papa faz crescer diálogo na Igreja Evangélica

O pastor Traettino disse ao jornal L’Osservatore Romano que “para nós tudo isso é uma graça. Tenho certeza que o Papa Francisco fez na Igreja um pulo para frente de alguns séculos. Essa relação privilegiada, e diria providencial com ele, fez crescer muitíssimo a sensibilidade ao diálogo na Igreja Evangélica. Uma sensibilidade que crescia na escola do Espírito, mas que o Papa Francisco conseguiu incorporá-la na realidade de hoje”.


Papa: não adianta falar de paz se o coração está em guerra


Cidade do Vaticano (RV) - Pedir a Deus a “sabedoria” para promover a paz nas coisas quotidianas porque é a partir dos pequenos gestos que nasce a possibilidade da paz em escala global.

Com este pensamento, o Papa retomou as homilias na Casa Santa Marta nesta quinta-feira (08/09/2016), após a pausa de verão.

A paz não se constrói por meio de grandes consensos internacionais. A paz é um dom de Deus que nasce em lugares pequenos. Em um coração, por exemplo.

Ou em um sonho, como acontece a José, quando um anjo lhe diz que não deve ter medo de se casar com Maria, porque ela doará ao mundo o Emanuel, o “Deus conosco”. E o Deus conosco, diz o Papa, “é a paz”.

Trabalho contínuo

Deste ponto parte a reflexão, de uma liturgia que pronuncia a palavra “paz” desde a primeira oração.

O que atrai a atenção de Francisco em particular é o verbo que se ressalta na oração da coleta, “que todos nós possamos crescer na unidade e na paz”.

“Crescer” porque, destaca, a paz é um dom “que tem seu caminho de vida” e, portanto, cada um deve “trabalhar” para que este se desenvolva:

“E esta estrada de santos e pecadores nos diz que também nós devemos pegar este dom da paz e abrir-lhe caminho em nossa vida, fazê-lo entrar em nós, fazê-lo entrar no mundo. A paz não se constrói da noite para o dia; a paz é um dom, mas um dom que deve ser tomado e trabalhado todos os dias. Para isto, podemos dizer que a paz é um dom artesanal nas mãos dos homens. Somos nós, homens, todos os dias, que devemos dar um passo para a paz: é o nosso trabalho. É o nosso trabalho com o dom recebido: promover a paz”.

Guerra nos corações, guerra no mundo

Mas como é possível atingir esta meta, se questiona o Papa. Na liturgia do dia, explica, há uma outra palavra que fala de “pequenez”.

Aquela da Virgem, da qual se festeja a Natividade, e também aquela de Belém, tão “pequena que tampouco consta nos mapas”, ressalta Francisco:

“A paz é um dom, é um dom artesanal que devemos trabalhar, todos os dias, mas trabalhá-lo nas pequenas coisas: nas pequenezes cotidianas. Não são suficientes os grandes manifestos pela paz, os grandes encontros internacionais se depois não se realiza esta paz no pequeno. Aliás, tu podes falar da paz com palavras esplendidas, fazer uma grande conferência... Mas se no teu pequeno, no teu coração não há paz, na tua família não há paz, no teu bairro não há paz, no teu trabalho não há paz, não haverá tampouco no mundo”.

Questionar-se

É preciso pedir a Deus, sugere o Papa, a graça da “sabedoria de promover a paz nas pequenas coisas quotidianas todavia mirando ao horizonte de toda a humanidade”.

Justamente hoje – repete Francisco – quando “vivemos uma guerra e todos pedem a paz”. No entanto, conclui o Pontífice, será bom questionar-se:

“Como está teu coração hoje? Está em paz? Se não está em paz, antes de falar de paz, coloca teu coração em paz. Como está a tua família hoje? Está em paz? Se não és capaz de levar adiante a tua família, o teu presbitério, a tua congregação, levá-la adiante em paz, não bastam palavras de paz para o mundo... Esta é a pergunta que hoje gostaria de fazer: como está o coração de cada um de nós? Está em paz? Como está a família de cada um de nós? Está em paz? É assim, não? Para chegar a um mundo em paz”.

Eis a Santa dos nossos tempos e para os nossos tempos: A Santa que encarnou a Divina Misericórdia

No alarde,
vivemos tempos de desesperança,
vivemos tempos de desamor,
vivemos tempos de descrença,
vivemos tempos de egoísmo,
vivemos tempos de hedonísmo,
vivemos tempos de violência,
vivemos tempos de escuridão,
vivemos tempos de ateísmo.

Mas no silêncio, no escondimento, Deus
constrói tempos de Esperança,
constrói tempos de Amor,
Constrói tempos de Fé,
constrói tempos de doação,
constrói tempos de desapego,
constrói tempos de Paz,
constrói tempos de Luz,
constrói os Seus Tempos.



Deus constrói os Seus Tempos através de seus pequeninos, engajados no Exército da Mãe de Deus, a Rainha dos pequeninos. a Pequena e Humilde Virgem Maria.
Madre Teresa da Calcutá é um exemplo destes pequeninos que viveram e vivem a Misericórdia e o Perdão do Pai Celeste, revivendo Jesus, o Cristo, Nosso Senhor.


Papa lista 5 obstáculos que impedem de sentir a real presença de Deus

VATICANO, 07.Set.2016 / 11:03 am (ACI).- Na catequese que o Papa Francisco pronunciou hoje na Praça de São Pedro, o Pontífice denunciou os tipos de deuses que alguns criam à sua medida e que se afastam do verdadeiro Deus. O Papa assinalou ainda 5 obstáculos próprios dos nossos tempos que nos impedem sentir a presença de Deus.

"Nós os cristãos acreditamos no Deus de Jesus, o cristão acredita no Deus de Jesus Cristo, seu desejo é crescer na experiência viva de seu mistério de amor”, afirmou o Santo Padre. O Papa Francisco explicou que “também hoje o homem constrói imagens de Deus que lhe impedem de gostar de sua presença real”.

A partir desse aviso, Francisco elencou 5 destes obstáculos que impedem-nos experimentar a presença real de Deus:

“Alguns tecem uma fé ‘faça você mesmo’ que reduz Deus ao espaço limitado dos próprios desejos e das próprias convicções. Mas esta fé não é conversão ao Senhor que se revela, ao contrário, impede-O de provocar a nossa vida e a nossa consciência”.

“Outros reduzem Deus a um falso ídolo; usam seu santo nome para justificar os próprios interesses ou até mesmo o ódio e a violência”.

“Para outros Deus é somente um refúgio psicológico no qual estar seguro nos momentos difíceis: trata-se de uma fé dobrada em si mesma, impermeável à força do amor misericordioso de Jesus que conduz em direção aos irmãos”.

“Outros ainda consideram Cristo somente um bom mestre de ensinamentos éticos, um entre tantos na história”.

“Finalmente, há quem sufoca a fé em uma relação puramente intimista com Jesus, anulando o seu impulso missionário capaz de transformar o mundo e a história.

Em seguida, o Pontífice ressaltou que “a mensagem que a Igreja recebe do relato da vida de Cristo é muito claro: Deus não mandou a seu Filho ao mundo para castigar aos pecadores nem para aniquilar aos malvados”. Na verdade, prosseguiu, Ele “convida à conversão para que vendo os sinais da bondade divina possam reencontrar o caminho de volta”.

“Tenhamos o compromisso de não colocar nenhum obstáculo ao agir misericordioso do Pai, e peçamos o dom de uma fé grande para que também nós sejamos sinais e instrumentos de misericórdia”, concluiu.

Também através de seus tweets quase diários, o Papa quer falar a todos, conviver conosco:


07/09/2016
Deus sempre se compadece quando nos arrependemos.
06/09/2016
Que grande presente nos deu o Senhor ensinando-nos a perdoar para fazer-nos experimentar a misericórdia do Pai!


Assim se expressou o Papa Francisco nesta segunda-feira em seu Twitter:


05/09/2016
Quem constrói em Deus constrói sobre a rocha, porque Ele é sempre fiel, mesmo quando faltamos com a fidelidade.



Papa: Madre Teresa foi dispensadora generosa da misericórdia divina

Cidade do Vaticano, 4 de setembro de 2016 (RV) - A missão de Madre Teresa de Calcutá “permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres”: disse o Papa Francisco na missa de canonização da religiosa fundadora das Missionárias da Misericórdia, cuja celebração foi presidida na Praça São Pedro, lotada por cerca de 120 mil fiéis e peregrinos provenientes de todas as partes do mundo.

Íntrgra da homilia do Santo Padre:

«Qual o homem que conhece os desígnios de Deus?» (Sab 9,13). Esta interrogação do Livro da Sabedoria, que escutamos na primeira leitura, apresenta-nos a nossa vida como um mistério, cuja chave de interpretação não está em nossa posse. Os protagonistas da história são sempre dois: Deus de um lado e os homens do outro. A nossa missão é perceber a chamada de Deus e aceitar a sua vontade. Mas para aceitá-la sem hesitar, perguntemo-nos: qual é a vontade de Deus na minha vida?

No mesmo trecho do texto sapiencial encontramos a resposta: «Os homens foram instruídos no que é do Vosso agrado» (v 18). Para verificar a chamada de Deus, devemos perguntar-nos e entender o que Lhe agrada. Muitas vezes, os profetas anunciam o que é agradável ao Senhor. A sua mensagem encontra uma síntese maravilhosa na expressão: «Misericórdia quero, e não sacrifício» (Os 6,6; Mt 9,13). Para Deus todas as obras de misericórdia são agradáveis, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver (cf. Jo 1,18). E todas as vezes em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, dêmos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus (cf. Mt 25,40). Em definitiva, tocamos a carne de Cristo.

Estamos chamados a por em prática o que pedimos na oração e professamos na fé. Não existe alternativa para a caridade: quem se põe ao serviço dos irmãos, embora não o saibamos, são aqueles que amam a Deus (cf. 1 Jo 3,16-18; Tg 2,14-18). A vida cristã, no entanto, não é uma simples ajuda oferecida nos momentos de necessidade. Se assim fosse, certamente seria um belo sentimento de solidariedade humana, que provoca um benefício imediato, mas seria estéril, porque careceria de raízes. O compromisso que o Senhor pede, pelo contrário, é o de uma vocação para a caridade com que cada discípulo de Cristo põe ao seu serviço a própria vida, para crescer no amor todos os dias.

Escutamos no Evangelho que «seguiam com Jesus grandes multidões» (Lc 14,25). Hoje, a “grande multidão” é representada pelo vasto mundo do voluntariado, aqui reunido por ocasião do Jubileu da Misericórdia. Sois aquela multidão que segue o Mestre, e que torna visível o seu amor concreto por cada pessoa. Repito-vos as palavras do apóstolo Paulo: «Tive grande alegria e consolação por causa do teu amor fraterno, pois reconfortaste os corações dos santos» (Flm 7). Quantos corações os voluntários confortam! Quantas mãos apoiam; quantas lágrimas enxugam; quanto amor é derramado no serviço escondido, humilde e desinteressado! Este serviço louvável dá voz à fé ―  dá voz a fé! ―  e manifesta a misericórdia do Pai que se faz próximo daqueles que passam por necessidade.

Seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; exige radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e descartado da vida e colocar-se ao seu serviço. Para isso, os voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o amor verdadeiro. E cada um pode dizer: “Como o Senhor veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, assim vou ao seu encontro e me inclino sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os enfermos e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos. Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança”. E fazê-lo com a memória viva da mão do Senhor estendida sobre mim quando eu estava por terra.

Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável». Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes ― diante dos crimes! ―  da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.

A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de santidade! Parece-me que, talvez, teremos um pouco de dificuldade de chamá-la de Santa Teresa: a sua santidade é tão próxima de nós, tão tenra e fecunda, que espontaneamente continuaremos a chamá-la de “Madre Teresa”. Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião. Madre Teresa gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura.
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No dia em que Madre Teresa de Calcutá é elevada aos altares, o Papa Francisco escreveu em seu Twitter:

04/09/2016
Levemos no coração o sorriso de Madre Teresa e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho. https://t.co/wXwbtUM95y

Papa: o amor de Deus nunca diminuirá nas nossas vidas e na história do mundo

Cidade do Vaticano (RV) - “Estai sempre prontos para a solidariedade, fortes na proximidade, diligentes para despertar alegria e convincentes na consolação. O mundo precisa de sinais concretos de solidariedade, especialmente diante da tentação da indiferença.”

Foi a exortação do Pontífice ao participantes do Jubileu dos Agentes de Misericórdia, cujo evento teve lugar na manhã deste sábado (03/09) na Praça São Pedro, lotada de voluntários provenientes de todas as partes do mundo, cerca de 24 mil, aos quais o Papa Francisco reiterou o convite a serem agentes de misericórdia diante da tentação da indiferença.

O Jubileu dos Agentes de Misericórdia teve início na sexta-feira tem seu ponto alto este sábado com o encontro com o Santo Padre e terá sua coroação este domingo com a canonização de Madre Teresa de Calcutá, exemplo incansável de agente da Misericórdia de Deus.

Em seu discurso, o Papa ateve-se ao hino do amor que o apóstolo Paulo escreveu para a comunidade de Corinto (Cor 13,1-13) definindo-o como uma das páginas mais belas e exigentes para o testemunho da nossa fé.

O apóstolo afirma que “ao contrário da fé e da esperança, o amor «jamais acabará». Este ensinamento deve ser para nós uma certeza inabalável; o amor de Deus nunca diminuirá nas nossas vidas e na história do mundo. É um amor que permanece para sempre jovem, ativo, dinâmico capaz de atrair para si de modo incomparável. É um amor fiel que não trai, apesar das nossas contradições”, ressaltou.

Descrevendo-o, Francisco disse tratar-se de “é um amor que permanece para sempre jovem, ativo, dinâmico capaz de atrair para si de modo incomparável. É um amor fiel que não trai, apesar das nossas contradições. É um amor fecundo que gera e conduz para além da nossa preguiça. É desse amor que todos nós somos testemunhas”.

O Pontífice frisou que o amor de Deus, que vem ao nosso encontro, “é como um rio na cheia que nos arrasta, mas sem nos anular; muito pelo contrário, é uma condição de vida”, observou, acrescentando que “quanto mais nos deixamos envolver por este amor, mas a nossa vida se regenera. Deveríamos dizer com toda a nossa força: sou amado, logo existo!”.

“O amor de que o Apóstolo fala não é algo abstrato e vago; pelo contrário, é um amor que se vê, se toca e se experimenta em primeira pessoa. A maior e mais expressiva forma desse amor é Jesus. Toda a sua pessoa e a sua vida não são outra coisa senão a manifestação concreta do amor do Pai, chegando até o ponto culminante: «A prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores» (Rm 5,8).”

Diante deste conteúdo tão essencial da fé, prosseguiu o Papa, “a Igreja nunca poderia permitir-se fazer como fizeram o sacerdote e o levita com o homem deixado meio morto por terra (cf. Lc 10,25-36). Não é possível desviar o olhar e tomar outra direção para não ver as muitas formas de pobreza que pedem misericórdia”.

Ditas tais palavras, Francisco fez uma premente admoestação, um imperioso dever evangélico diante do qual a Igreja e nenhum cristão pode furtar-se:

“Não seria digno da Igreja nem de um cristão “passar ao largo”, supondo que se pode ter a consciência tranquila só por termos rezado! O Calvário é sempre atual; de nenhum modo deixou de existir, nem permanece como uma bela pintura nas nossas igrejas. O vértice de “com-paixão”, de onde brota o amor de Deus diante da miséria humana, ainda fala aos nossos dias e impele sempre a dar novos sinais de misericórdia.”

“Nunca me cansarei de dizer que a misericórdia de Deus não é uma ideia bonita, mas uma ação concreta”, advertiu o Santo Padre; “e mesmo a misericórdia humana não é autêntica enquanto não alcança a concretização no seu agir diário. A exortação do Apóstolo João permanece sempre válida: «Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!» (1 Jo 3,18)”.

De fato, “a verdade da misericórdia se confirma nos nossos gestos de cada dia, que tornam visível a ação de Deus no meio de nós”, acrescentou.

Em seguida, Francisco dirigiu-se diretamente ao multifacetário mundo do voluntariado:.

“Irmãos e irmãs, vós representais aqui o grande e variado mundo do voluntariado. Sois justamente vós uma das realidades mais preciosas da Igreja que, muitas vezes no silêncio e escondidos, dais forma e visibilidade à misericórdia. Exprimis o desejo - entre os mais belos no coração do homem: fazer com que a pessoa que sofre se sinta amada. Em diferentes condições de carência e nas necessidades de tantas pessoas, a vossa presença é a mão de Cristo estendida que alcança a todos.

A credibilidade da Igreja, observou com ênfase, “passa de forma convincente através do vosso serviço com as crianças abandonadas, os doentes, os pobres sem comida e trabalho, os idosos, os sem-abrigo, os prisioneiros, refugiados e migrantes, as pessoas afetadas por desastres naturais... enfim, onde quer que exista um pedido de ajuda, ali chega o vosso testemunho ativo e desinteressado. Tornais visível a lei de Cristo: levar os pesos uns dos outros (cf. Gal 6,2, Jo 13,34).

Francisco concluiu com uma premente exortação aos Operadores de Misericórdia do mundo inteiro:

“Estai sempre prontos para a solidariedade, fortes na proximidade, diligentes para despertar alegria e convincentes na consolação. O mundo precisa de sinais concretos de solidariedade, especialmente diante da tentação da indiferença, e exige pessoas capazes de opor-se com as suas vidas o individualismo: pensar só a si mesmo, ignorando os irmãos em necessidade.”

Antes de despedir-se, quis deixar uma advertência: “Estai sempre contentes e cheios de alegria pelo vosso serviço, mas nunca fazei dele um motivo de presunção que leva a se sentir melhor do que os outros. Em vez disso, que a vossa obra de misericórdia seja a prolongação humilde e eloquente de Jesus Cristo, que continua a se curvar e cuidar daqueles que sofrem”.

Por fim, Francisco lembrou que este domingo teremos a alegria de ver Madre Teresa proclamada santa: “Este testemunho da misericórdia dos nossos tempos se une à fileira inumerável de homens e mulheres que tornaram visíveis com a sua santidade o amor de Cristo. Imitemos nós também o seu exemplo, e peçamos para ser humildes instrumentos nas mãos de Deus para aliviar o sofrimento do mundo e dar a alegria e a esperança da ressurreição”.

Cantalamessa: Ecologia sem glorificação a Deus torna o universo opaco

Cidade do Vaticano (RV) –  O Papa Francisco, na tarde desta quinta-feira, 1º de setembro de 2016, presidiu na Basílica de São Pedro às Solenes Vésperas pelo Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. A data foi instituída pelo Santo Padre em 2015, unindo assim a Igreja Católica a uma iniciativa que já era realizada pelas Igrejas Ortodoxas.

“Ó homem, por que tens de ti um conceito tão baixo, quando és tão precioso para Deus?”. Com esta frase - extraída dos Discursos de São Pedro Crisólogo, século V - o Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, iniciou sua longa e articulada reflexão, intitulada “Rezar pela Criação ou rezar com a Criação?”.

Desde o século V – explicou Frei Raniero – “mudou o motivo pelo qual o homem despreza a si mesmo, mas não mudou o fato”. “Hoje o motivo do desprezo é que o homem é menos que nada na imensidão  ilimitada do universo”.

O homem diante do universo

Para contrastar a afirmação de muitos cientistas ateus, que defendem a total marginalidade e insignificância do homem no universo, Frei Raniero propõe um enunciado de Dionísio, o Aeropagita, do século VI que diz, que “não se deve refutar as opiniões dos outros, nem se deve escrever contra uma opinião ou uma religião que não parece boa. Se deve escrever somente a favor da verdade e não contra os outros”. “Não se deve absolutizar este princípios – reiterou -  porque às vezes pode ser necessário refutar doutrinas falsas e perigosas; mas é certo que a exposição positiva da verdade é mais eficaz do que não a rejeição do erro contrário”.

Soberania do homem

Referindo-se novamente ao discurso de Crisólogo, o Pregador da Casa Pontifícia diz que o autor reafirma “a ideia bíblica da soberania do homem sobre o cosmos”, visão completada por São Paulo que indica o lugar que Cristo ocupa nele:

“Estamos diante de um “ecologismo humano” ou “humanístico”: um ecologismo, isto é, que não é um fim por si só, mas em função do homem, não só, naturalmente, do homem de hoje, mas também daquele futuro”.

Criado à imagem e semelhança de Deus

O pensamento cristão nunca deixou de interrogar-se sobre o porque desta transcendência do homem em relação ao resto da criação, encontrando sempre a resposta na afirmação bíblica de que “o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus”.

O renovado diálogo com o pensamento ortodoxo, tornou possível à teologia dar uma explicação realmente satisfatória para a questão, que “é saber em que consiste ser a imagem de Deus”:

“Tudo se alicerça na revelação da Trindade operada por Cristo. O homem é criado à imagem de Deus, no sentido que participa da íntima essência de Deus, que é de ser em relação  de amor entre Pai, Filho e Espírito Santo”. “Eles não têm uma relação entre si, mas são a relação”, como define Santo Agostinho.

Liberdade do homem

Somente o homem - enquanto pessoa capaz de relações livres e conscientes – participa desta dimensão pessoal e relacional de Deus. “Sendo a Trindade uma comunhão de amor, criou o homem como um “ser em relação”. É neste sentido que o homem é “a imagem de Deus””.

O abismo entre Deus e a criatura humana “é preenchido pela graça”, tornando-se “menos profundo do que aquele existente entre o homem e o resto da criação”. Com a redenção operada por Cristo, o homem tornou-se “partícipe da natureza divina”.

Triunfalismo racial?

Esta visão poderia levantar objeções, não somente por parte dos não-crentes: “Tudo isto não é triunfalismo racial?”, levando a um domínio indiscriminado do homem sobre o resto da criação, com as consequências facilmente imagináveis e, infelizmente já em curso?:

“A resposta é: não, se o homem se comporta realmente como imagem de Deus. Se a pessoa humana é imagem de Deus enquanto é “um ser em comunhão”, isto quer dizer que menos se é egoísta, fechados em si mesmos e esquecidos dos outros, mais se é pessoa realmente humana”.

Neste sentido, “a soberania do homem sobre o cosmos não é um triunfalismo de espécie, mas assunção de responsabilidade pelos mais fracos, os pobres, os indefesos. O único título que eles têm para serem respeitados, na ausência de outros privilégios e recursos, é o de ser pessoa humana”.

Deus que ouve o grito dos pobres

“O Deus da Bíblia – mas também de outras religiões – é um Deus “que ouve o grito dos pobres”, que “tem piedade dos fracos e do pobre”, que “defende a causa dos miseráveis”, que “faz justiça aos opressores”, que “nada despreza daquilo que criou”.

A encarnação do Verbo trouxe uma razão a mais para “para assumir o cuidado dos fracos e do pobre, independente da raça ou da religião a que pertença. Com a encarnação, o homem escolheu ser “não rico e poderoso, mas pobre, fraco e indefeso”.

São Francisco

Este foi o passo em frente que Francisco de Assis permitiu que a teologia desse, explicou o Pregador da Casa Pontifícia, “superando o dogma necessário para contrastar a heresia” da época, e que não podia permanecer nisto.

O que comoveu Francisco até as lágrimas no Natal, foi a humildade a pobreza do Filho de Deus:

“Nele, o amor pela pobreza e o amor pela criação andavam lado a lado e tinham uma raiz comum na sua radical renúncia em querer possuir. Francisco pertence a esta categoria de pessoa do qual São Paulo nos diz que “não tendo nada, possuíam tudo””.

Papa Francisco

O Papa Francisco – afirma o Frei Raniero – acolhe esta mensagem quando faz “da íntima relação entre os pobres e a fragilidade do planeta” um das “pedras angulares” da sua Encíclica sobre o ambiente”:

“O que de fato produz, ao mesmo tempo, os piores danos ao ambiente e a miséria de imensas massas humanas, se não o insaciável desejo de alguns de fazer aumentar sem medidas as próprias posses e lucros? À terra se deve aplicar aquilo que os antigos diziam da vida: a ninguém é dada em propriedade, a todos em uso”.

Terremoto

A verdade de que não somos os donos da terra nos é recordada por acontecimentos como “o terrível terremoto da semana passada” e que nos leva a perguntar: “Onde estava Deus?”, questionamento para o qual não temos uma pronta resposta:

“Algo, porém, a fé nos permite dizer. Deus não projetou a criação como se fosse uma máquina ou um computador, onde tudo é programado desde o início em cada detalhe, salvo a operar periodicamente atualizações. Por analogia com o homem, podemos falar de um tipo de “liberdade” que Deus deu à matéria de desenvolver-se segundo leis próprias. Neste sentido ( mas somente neste), podemos até mesmo compartilhar o ponto de vista dos cientistas não-crentes que falam de “acaso e necessidade”. Na evolução tudo ocorre “por acaso”, mas o próprio acaso é previsto pelo Criador e não é “por acaso””.

Assim, à pergunta “Onde estava Deus na noite de 23 de setembro, o fiel não hesita em responder com toda a humildade: “Ele estava ali sofrendo com as suas criatura, acolhendo na sua paz as vítimas que batiam á porta de seu Paraíso”.

Ecologia sem doxologia

O Frei capuchinho recorda que existem muitas tarefas do homem em relação à criação, “algumas mais urgentes que outras, como a água, o ar, o clima, a energia, a defesa das espécies em risco. Disto se fala em todos os ambientes e encontros que se ocupam de ecologia. Mas faz uma ressalva:

“Existe porém, um dever pela criação do qual não se pode falar se não em um encontro entre fieis e é justamente por isto que foi colocado ao centro deste encontro de oração. Tal dever é a doxologia, a glorificação de Deus pela criação. Uma ecologia sem doxologia torna o universo opaco, como um imenso mapa-múndi de vidro, privado da luz que deveria iluminá-lo por dentro”.

Glorificação de Deus

A tarefa primordial das criaturas em relação à criação é de emprestar a ela a sua voz. Foram necessários milhares de anos para que o universo chegasse “à luz da consciência”, alcançada quando apareceu aquela que Teilhard de Chardin chama de “fenômeno humano”. “Mas agora que o universo chegou à sua linha de chegada, exige que o homem cumpra o seu dever, que assuma, por assim dizer, a direção do coro e entoe em nome de toda a criação: “Glória a Deus no alto dos céus!””.

“Nós, crentes, devemos ser a voz não somente das criaturas inanimadas, mas também dos nossos irmãos que não têm a graça da fé. Não esqueçamos, em particular, de glorificar a Deus pelas brilhantes realizações da técnica. São obras do homem, é verdade, mas o homem, de quem é obra? Quem o fez?”.

A glorificação – sublinha Frei Raniero – não serve naturalmente a Deus, mas a nós:

“Com ela, se redime a criação da senilidade e da vaidade, isto é, do não-senso, em que a arrastou o pecado dos homens e a arrasta hoje a incredulidade do mundo”.

Rezar "com" a criação

São Francisco de Assis – conclui o Pregador da Casa Pontifícia – tem algo a dizer ainda hoje a propósito do ecologismo:

“Ele não reza “pela” criação, pelo seu cuidado (no tempo dele não havia ainda necessidade), reza “com a criação”, ou “pela causa da criação”, ou ainda “por motivo da criação”. São todas nuances presentes na preposição “pelo” por ele usada: “Laudato Si, meu Senhor, pelo irmão sol, pela irmã lua, pela irmã mãe terra”. O seu canto é uma doxologia e um hino de ação de graças. Mas precisamente disto deriva o respeito extraordinário por cada criatura pelo qual queria que até às ervas selvagens fosse deixado um espaço para crescer”.
(Frei Raniero Cantalamessa há 40 anos foi escolhido pelo Papa São João Paulo II como pregador da Casa Pontifícia, função que exerce até hoje, já para o terceiro Papa consecutivo: São João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Um fenômeno.)

Francisco: A misericórdia restabelece a dignidade humana


Rádio Vaticano – A misericórdia oferece dignidade. Este foi o tema da Audiência Geral do Papa Francisco nesta quarta-feira (31/08/2016), na Praça São Pedro. Francisco baseou a sua reflexão  a partir do testemunho da mulher “cuja fé salvou”.

“Quanta fé, quanta fé tinha esta mulher. Era considerada impura por causa das hemorragias e, por isso, excluída das liturgias, da vida conjugal, das normais relações com os demais: era uma mulher descartada pela sociedade”.

Este caso nos faz refletir sobre a maneira como a mulher é frequentemente percebida e representada na sociedade, afirmou o Papa.

“Todos devemos estar atentos, inclusive as comunidades cristãs, àquelas visões de feminilidade cheias de preconceitos e suspeitas que lesam a intangível dignidade da mulher”, alertou o Pontífice.

“Jesus admirou a fé desta mulher que todos evitavam e transformou a sua esperança em salvação. Não sabemos o seu nome, mas as poucas linhas com as quais o Evangelho descreve o seu encontro com Jesus delineiam um itinerário de fé capaz de restabelecer a verdade e a grandiosidade da dignidade de todas as pessoas” disse Francisco.

Cristo vê a mulher que se aproxima quase meio escondida. Um olhar de misericórdia e ternura que salva. “Isto significa que Jesus não somente a acolhe, mas a considera digna de tal encontro ao ponto de lhe dirigir a sua palavra e a sua atenção”.

Coragem, filha, tua fé te salvou. Um encorajamento de Cristo que ecoa ainda hoje. “Esta ‘coragem, filha” é a expressão de toda a misericórdia de Deus por aquela mulher e por todas as pessoas descartadas. Quantas vezes nos sentimos interiormente descartados pelos nossos pecados que cometemos. E o Senhor nos diz: ‘coragem, vem, para mim não és um descartado. Coragem filho, tu és um filho e uma filha’. Este é o momento da graça, do perdão, momento de inclusão na vida de Jesus, da Igreja, de misericórdia. Hoje, todos nós, grande ou pequenos pecadores, mas todos somos pecadores, o Senhor nos diz: ‘vem, coragem, não estás mais descartado, eu te abraço, eu te perdoo’. Assim é a misericórdia de Deus. Temos que ter coragem e ir até ele, pedir perdão dos nossos pecados e seguir adiante com coragem como fez esta mulher”.

Este abraço de Cristo coloca tudo às claras:

“Um descartado sempre faz algo escondido, durante toda a vida. Pensemos aos leprosos daquele tempo, ou aos sem teto de hoje, pensemos aos pecadores, a nós pecadores, sempre fazemos algo às escondidas, como se tivéssemos a necessidade de agir assim porque nos envergonhamos daquilo que somos: e Cristo nos liberta disso, e nos coloca em pé: ‘levanta, vem, em pé”.

Antes de conceder a bênção, o Papa saudou os peregrinos de língua portuguesa presentes na Praça: em particular os sacerdotes do Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma, os tripulantes da Marinha do Brasil e os fiéis de Vitória.


Papa Francisco envia carta ao Congresso Mariológico de Fátima



FATIMA, 31 Ago.2016 / 07:00 am (ACI).- O Papa Francisco enviou uma carta para o 24º Congresso Mariológico Mariana Internacional, que acontecerá de 6 a 11 de setembro em Fátima, Portugal, na qual assinala que este será “um evento de singular importância, tempo de oração, meditação e reflexão”.

Este encontro será presidido pelo enviado especial do Papa Francisco, o Cardeal português Dom José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para a Causa dos Santos, a quem o Pontífice destinou a sua carta.

No texto, o Pontífice assinala que “Maria vive com Jesus completamente transfigurada e todas as criaturas cantam a sua beleza. É a mulher ‘vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça’ (Ap 12,1)”.

“Aprouve-nos escrever esta afirmação na carta encíclica Laudato Si (n. 241), em que pedimos à Mãe do Redentor que nos ajude a contemplar este mundo com um olhar mais sapiente”, acrescentou.

Ao desejar “promover oculto mariano na Igreja”, escreve, volta o olhar para o Congresso Mariológico, evento promovido pela Pontifícia Academia Mariana em colaboração com o Santuário de Fátima e com as sociedades mariológicas de diversos países.

Com o tema “O acontecimento de Fátima, cem anos depois: história, mensagem e atualidade””, o congresso celebrará o centenário das aparições da Virgem Maria aos pastorinhos nas colinas da Cova da Iria.

“Esperamos que estas doutas investigações, através do congresso dos estudiosos da Bem-aventurada Virgem Maria, tragam nova inspiração e novo progresso espiritual nas circunstâncias do nosso tempo: na verdade, ‘Maria não só conserva no seu coração toda a vida de Jesus, que ‘guardava’ cuidadosamente (cf Lc 2, 19.51), mas agora compreende também o sentido de todas as coisas”’ (Laudato Si n. 241)”, afirma o Santo Padre.

Dirigindo-se ao seu enviado especial, Dom José Saraiva, Francisco declara: “Através desta carta nomeamos-te nosso enviado extraordinário com a missão de, nos dias do congresso em Fátima, presidires em nosso nome e de comunicares os nossos sentimentos espirituais aos pastores e fiéis aí reunidos”.

“Falarás da Mãe de Jesus que ‘avançou pelo caminho da fé e conservou fielmente a união com o seu Filho até à cruz, junto da qual por desígnio de Deus se manteve de pé (cf Jo 19, 25), sofreu profundamente com o seu Filho unigénito e associou-se de coração materno ao seu sacrifício’ (Lumen Gentium n. 58) e exortarás todos a renovarem a vida espiritual considerando atentamente as circunstâncias e as necessidades espirituais deste tempo”, acrescenta.

O Papa saúda ainda o Bispo de Leiria-Fátima, Dom António Marto, os Prelados e fiéis que participarão do Congresso, bem como as autoridades civis.

“Confiamos todos à nossa oração e convidamos todos a que se empenhem em guardar mais diligentemente o preceito da caridade na vida de cada dia, seguindo fielmente o claro exemplo da Mãe da Igreja”, conclui.

Papa promete ir à região do terremoto para levar consolo e esperança cristã



Vaticano, 29 Ago.2016 / 10:40 am (ACI).- O Papa Francisco expressou sua dor pelas 290 vítimas mortais do terremoto que atingiu o centro da Itália na madrugada da quarta-feira e prometeu visitar a região destruída assim que for possível.

O anúncio foi feito no domingo, depois da Oração do Ângelus: “Queridos irmãos e irmãs, apenas seja possível, também eu espero ir vos encontrar, para levar a vocês pessoalmente o conforto da fé, o abraço do pai e irmão e o apoio da esperança cristã”, disse aos fiéis que estavam reunidos na Praça de São Pedro.

“Desejo renovar a minha proximidade espiritual aos habitantes do Lácio, das Marcas e da Úmbria, duramente atingidos pelo terremoto desses dias”.

“Penso de modo particular – continuou – nas pessoas de Amatrice, Accumoli, Arquata e Pescara del Tronto, Norcia. Mais uma vez volto a dizer à essas pessoas queridas que a Igreja compartilha o seu sofrimento e as suas preocupações. Rezemos pelos mortos e sobreviventes”.

O Santo Padre acrescentou: “A solicitude com que as autoridades, forças de ordem, proteção civil e voluntários estão trabalhando, demonstra como é importante a solidariedade para superar essas provas dolorosas”.


Papa: quando nos colocamos na dimensão da humildade, Deus nos exalta




Cidade do Vaticano, 28.agosto.2016 (RV) – “Quando nos colocamos diante de Deus nesta dimensão de humildade, então Deus nos exalta, se inclina para nós, para elevar-nos para Ele”.

Eis a íntegra da reflexão:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O episódio do Evangelho de hoje, nos mostra Jesus na casa de um dos chefes dos fariseus, com o objetivo de observar como os convidados para a refeição se apressam em escolher os primeiros lugares. É uma cena que vimos tantas vezes: buscar o lugar melhor, mesmo com os cotovelos. Vendo esta cena, ele narra duas pequenas parábolas com as quais oferece duas indicações: uma diz respeito ao lugar, o outro  à recompensa.

A primeira semelhança é ambientada em um banquete de casamento. Jesus diz: "Quando alguém o convidar para um banquete de casamento, não ocupe o lugar de honra, pois pode ser que tenha sido convidado alguém mais digno do que você e aquele que convidou os dois virá e lhe dirá: ‘Dê o lugar a este’. Então, humilhado, você precisará ocupar o lugar menos importante."(Lc 14: 8-9). Com esta recomendação, Jesus não pretende dar regras de comportamento social, mas uma lição sobre o valor da humildade. A história ensina que o orgulho, o carreirismo, a vaidade, a ostentação são a causa de muitos males. E Jesus nos faz entender a necessidade de escolher o último lugar, isto é, de procurar a pequenez e escondimento: a humildade. Quando nos colocamos diante de Deus nesta dimensão de humildade, então Deus nos exalta, se inclina para nós, para levantar-nos para si; "Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado" (v.11).

As palavras de Jesus enfatizam atitudes completamente diferentes e opostas: a atitude de quem escolhe o próprio lugar e a atitude de quem deixa que Deus o indique e espera dele a recompensa. Não esqueçamos disto: Deus paga muito mais do que os homens! Ele nos dá um lugar muito mais bonito do que nos dão os homens! O lugar que nos dá Deus está perto de seu coração e a sua recompensa é a vida eterna. "Você será abençoado – disse Jesus - ... Você receberá a sua recompensa na ressurreição dos justos" (v. 14).

É o que está descrito na segunda parábola, na qual Jesus aponta a atitude de desinteresse que deve caracterizar a hospitalidade, e diz assim: "Mas, quando der um banquete, convide os pobres, os aleijados, os mancos, e os cegos. Feliz será você, porque estes não têm como retribuir. A sua recompensa virá na ressurreição dos justos"(vv. 13-14).  Trata-se de escolher a gratuidade em vez do cálculo oportunista que tenta obter uma recompensa, que busca o interesse e que busca enriquecer-se mais. De fato, os pobres, os simples, os que não contam, eles não poderão nunca retribuir um convite para a refeição. Assim, Jesus demonstra a sua preferência pelos pobres e excluídos, que são os privilegiados do Reino de Deus, e lança a mensagem fundamental do Evangelho que é servir o próximo por amor de Deus. Hoje, Jesus se faz voz aos de quem não tem voz e dirige a cada um de nós um forte apelo para abrir o coração e fazer nossos os sofrimentos e as ansiedades dos pobres, dos famintos, dos marginalizados, dos refugiados, dos derrotados pela vida, daqueles que são descartados pela sociedade e pela arrogância dos mais fortes. E estes descartados representam na realidade a maior parte da população.

Neste momento, penso com gratidão aos refeitórios onde muitos voluntários oferecem seus serviços, dando de comer à pessoas sozinhas, carentes, desempregadas ou sem uma moradia fixa. Estes refeitórios e outras obras de misericórdia – como visitar os doentes, os encarcerados - são academias de caridade que difundem a cultura da gratuidade, porque aqueles que lá trabalham são motivados pelo amor de Deus e iluminados pela sabedoria do Evangelho. Assim, o serviço aos irmãos torna-se um testemunho de amor, que torna credível e visível do amor de Cristo.

Peçamos à Virgem Maria para nos conduzir todos os dias no caminho da humildade; Ela foi humilde toda a vida e de tornar-nos capazes de gestos de gratuidade de acolhida e de solidariedade com os marginalizados, para tornar-nos dignos da recompensa divina”.

Caros amigos,
atualizemos as mensagens que o Papa Francisco continua deixado para nós em seu Twitter



03/09/2016
Imitemos Madre Teresa que fez das suas obras de misericórdia guia de sua vida e caminho para a santidade.
02/09/2016
Caridade significa fazer-se próximo das periferias dos homens e das mulheres que encontramos todos os dias.
01/09/2016
Deus deu-nos a terra para a cultivar e guardar com respeito e equilíbrio.
31/08/2016
Servir com amor e com ternura as pessoas que precisam de ajuda nos faz crescer em humanidade.
29/08/2016
A misericórdia de Deus para conosco nos impele a ter misericórdia para com os outros.
28/08/2016
Uma oração fácil para todos os dias: “Senhor, eu sou um pecador: vinde com a Tua misericórdia”.
27/08/2016
Um impetuoso vento de santidade percorra o Jubileu extraordinário da Misericórdia nas Américas.
26/08/2016
Consolando os que sofrem, poderemos construir um mundo melhor.
23/08/2016
O tráfico de seres humanos, de órgãos, o trabalho forçado e a prostituição são escravidões modernas e crimes contra a humanidade.
21/08/2016
A misericórdia não é “bondosismo”, nem mero sentimentalismo. Nela está a verificação da autenticidade do nosso ser discípulos de Jesus.
19/08/2016
Onde há amor, também há compreensão e perdão.
18/08/2016
Não abandonemos a oração, mesmo quando nos parece inútil rezar.
17/08/2016
Na cruz podemos tocar a misericórdia de Deus e deixarmo-nos tocar por Sua misericórdia.
15/08/2016
Vos confio ao cuidado materno de nossa Mãe, que vive na glória de Deus e sempre acompanha o nosso caminho.
14/08/2016
Peçamos a Maria, nossa Mãe, que nos ajude a rezar com o coração humilde.
13/08/2016
Que as pessoas vejam na nossa vida o Evangelho: um amor generoso e fiel a Cristo e aos irmãos.
12/08/2016
Na Confissão encontramos o abraço misericordioso do Pai. O seu amor nos perdoa sempre.
10/08/2016
Uma sociedade com culturas diferentes deve buscar a unidade no respeito.
09/08/2016
Peçamos que sejam respeitados os povos indígenas, ameaçados na sua identidade e na própria existência.
08/08/2016
Quando em uma família existe o diálogo, as tensões se resolvem bem.
07/08/2016

Aos gestos de ódio e destruição respondamos com gestos de
bondade. Vivemos em  sociedade com diversas culturas
religiões, mas somos irmãos

05/08/2016


Felicitações aos atleta do Rio Sejam sempre mensageiros de
fraternide de autêntico espírito esportivo.

04/08/2016

O perdão de Deus não conhece limites. Deus olha para coração
que pede para ser perdoado.
02/08/2016

O segredo da alegria: não desligar a boa curiosidade, mas
colocar-se em discussão, porque a vida não deve ser fechada
em uma gaveta.

31/07/2016
‘obrigado’, queridos jovens! São João Paulo II se alegrou no
Céu, ajudará vocês a levar a todos os lugares a alegria do
Evangelho.

31/07/2016
Jesus fala a você todos os dias. Que o Seu Evangelho torne-se
seu e que seja o seu "navegador" nos caminhos da vida!

31/07/2016
Deus conta com você por aquilo que você é, não pelo que você
tem. Aos seus olhos você vale e o seu valor é inestimável.

31/07/2016
Deus nos ama como somos, e nenhum pecado, culpa ou erro
Vai fazê-lo mudar de ideia.
30/07/2016

Jesus chama você a deixar a sua marca na vida, um sinal que
marque sua história e a história de muitos.

30/08/2016
Deus está convidando você para sonhar, ele quer mostrar-lhe
que o mundo pode ser diferente com você.

30/07/2016
Viemos ao mundo para deixar uma marca.
   
30/07/2016
Jesus busca corações abertos e afáveis para com os
fracos, nunca ásperos; corações dóceis e transparentes.

30/07/2016
Jesus quer corações verdadeiramente consagrados, que vivam
do perdão recebido d’Ele, para derramá-lo com compaixão
sobre os irmãos.


30/07/2016
"Quero Misericórdia e não sacrifício" Santuário da Divina
Misericórdia.
    


30/07/206
Esta noite, queridos jovens, o Senhor renova a vocês o convite
a se tornarem protagonistas no serviço.

29/07/2016
Abraçando a cruz, Jesus abraça nudez e fome, sede e solidão,
dor e morte dos homens e mulheres de todos os tempos.

29/07/2016
Quem realiza obras de misericórdia, não tem medo da morte.

29/07/2016
Como eu queria que fossemos capazes de ficar ao lado do
doente da maneira de Jesus, com o silêncio, com uma carícia,
com a oração.

28/07/2016
É Jesus Cristo que nos impele a olhar para cima e sonhar alto.
Nestes dias da JMJ, Jesus quer entrar na nossa casa.

28/07/2016
coração misericordioso tem a coragem de deixar o conforto
sabe ir ao encontro dos outros, é capaz de abraçar a todos.
   

28/07/2016
O Senhor gosta de estar presente no nosso dia a dia, para caminhar conosco.

28/07/2016
O Senhor está entre nós e cuida de nós, sem decidir por nós.

27/07/2016
Vivamos juntos a JMJ de Cracóvia!
26/07/2016
Queridos jovens, permaneçamos unidos em oração para qu
esta JMJ seja rica de frutos espirituais. Nos vemos
amanhã!
25/07/2016
Queridos jovens, oferecemos ao mundo um mosaico de tantas
raças, culturas e povos unidos em nome de Jesus!
24/07/2016

Queridos jovens, abençoo os vossos passos rumo a Cracóvia,
porque estamos em peregrinação de fé e fraternidade.
17/07/2016

Recordemos os idosos e os doentes que durante as férias ficam
sozinhos com mais frequência e podem estar em dificuldade.
15/07/2016
Rezo pelas vítimas do atentado em Nice e seus familiares. Peço
a Deusque converta o coração dos violentos, obcecados pelo
ódio.
       
10/07/2016
As férias são um momento para  repousar, mas também para se
regenerar no espírito, especialmente lendo o Evangelho com mais calma.

 07/07/2016
Neste mês, minhas audiências ficam suspensas, mas eu não
deixo de rezar por vocês; e vocês, por favor, rezem por mim!

05/07/2016

Unamos as forças, em todos os níveis, para fazer com que a paz
na amada Síria seja possível! ‪#peacepossible4Syria‬‬

04/07/2016 

As férias são para muitos uma ocasião de repouso. É um tempo
favorável também para cuidar das relações humanas.

03/07/2016 

Amar e perdoar como o próprio Deus ama e perdoa. Trata-se
de um programa de vida que não pode conhecer interrupções
nem excepções.
       
02/07/2016 

A verdadeira alegria que se experimenta na família não é algo
casual nem fortuito, mas profunda e estável.
        

01/07/2016 

Hoje, no mundo do trabalho, é urgente educar para percorrer o
caminho luminoso e exigente da honestidade.

30/07/2016

O Jubileu da Misericórdia é um tempo de reconciliação para
todos.

29/07/2016 

O Senhor repete hoje a cada Pastor: siga-me apesar das
dificuldades; siga-me no anúncio do Evangelho a todos.

28/07/2016 

Se Deus está presente em nossa vida, a alegria de anunciar o
seu Evangelho será a nossa força e a nossa felicidade.
    

27/07/2016 

Jesus nos procura e nos convida a dedicar-lhe espaço no íntimo
do nosso coração. Damo-nos conta?

26/07/2016
Estou feliz por ter visitado a Armênia, primeiro país a abraçar a
fé cristã, e agradeço a todos pela acolhida. ‪#PopeInArmenia‬‬

26/07/2016 

Que a Igreja armênia caminhe em paz e a comunhão entre nós
seja plena.  ‪#PopeInArmenia‬‬
        

25/07/2016 

Os sofrimentos dos armênios nos pertencem, são os
sofrimentos dos membros do Corpo místico de Cristo.
#PopeInArmenia‬‬



Papa: povo armênio sempre encontrou em Cristo a força para se levantar

Yerevan, 24.junho.2016 (RV) - O povo armênio guarda na sua memória não só as feridas do passado, mas também o espírito que sempre lhe permitiu começar de novo: disse o Papa Francisco em seu segundo discurso em terras armênias, no encontro com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo diplomático.

O encontro deu-se no Palácio Presidencial, em Yerevan, na visita de cortesia ao Presidente da República, Serzh Sargsyan.

Tendo manifestado a alegria de visitar o país caucásico, o Pontífice falou de um povo de antigas e ricas tradições, que testemunhou corajosamente a sua fé, que sofreu muito, mas sempre voltou a renascer.

Após ter agradecido as palavras de boas-vindas do Presidente a ele dirigidas em nome do governo e dos habitantes da Armênia, Francisco recordou com esta visita retribuir a que fez o mandatário da nação ao Vaticano, no ano passado, ocasião em que se celebrou o centenário do Metz Yeghérn, o “Grande Mal”, que atingiu o povo armênio e causou a morte duma multidão enorme de pessoas, ressaltou.

Tragédia que atingiu o povo armênio marcou início das imensas catástrofes do século passado

Atendo-se a essa imane tragédia que no século passado se abateu contra o povo armênio, o Papa referiu-se a ela como o início das imensas catástrofes do Séc. XX, explicitando-a:

“Aquela tragédia, aquele genocídio, marcou o início, infelizmente, do triste elenco das imensas catástrofes do século passado, tornadas possíveis por aberrantes motivações raciais, ideológicas ou religiosas, que ofuscaram a mente dos verdugos até ao ponto de se prefixarem o intuito de aniquilar povos inteiros. É muito triste que – tanto neste como nos outros – as grandes potências internacionais olhavam para outro lado.”

Mesmo nos momentos mais trágicos da sua história, o povo armênio “sempre encontrou na Cruz e na Ressurreição de Cristo a força para se levantar de novo e retomar o caminho com dignidade”, disse o Santo Padre evidenciando que isso revela como são profundas as raízes da fé cristã e que tesouro infinito de consolação e esperança a mesma encerra. Feitas tais considerações, o Papa acrescentou, auspiciando com veemência:

Humanidade saiba tirar lições do passado

“Tendo diante dos nossos olhos os resultados nefastos a que conduziram, no século passado, o ódio, o preconceito e a ambição desenfreada de domínio, espero vivamente que a humanidade saiba tirar daquelas experiências trágicas a lição de agir, com responsabilidade e sabedoria, para evitar os perigos de recair em tais horrores.”

O Pontífice exortou a que se multipliquem os esforços, por parte de todos, a fim de que, nas disputas internacionais, prevaleçam sempre o diálogo, a busca constante e genuína da paz, a colaboração entre os Estados e o assíduo empenho das organizações internacionais, a fim de se construir um clima de confiança propício a alcançar acordos duradouros, que olhem para o futuro.

A Igreja Católica deseja colaborar ativamente com todos aqueles que têm a peito o destino da civilização e o respeito pelos direitos da pessoa humana, para fazer prevalecer no mundo os valores espirituais, desmascarando quantos deturpam o seu significado e beleza.

Unir forças para isolar quem instrumentaliza e manipula o Santo Nome de Deus

A esse propósito, Francisco foi taxativo:

“É de importância vital que quantos declaram a sua fé em Deus unam as suas forças para isolar quem quer que use a religião para levar a cabo projetos de guerra, opressão e perseguição violenta, instrumentalizando e manipulando o Santo Nome de Deus.”

Francisco denunciou mais uma vez a perseguição de que os cristãos são vítimas em muitas partes do mundo e os muitos conflitos que não encontram solução positiva.

Hoje, nalguns lugares, particularmente os cristãos – como e talvez mais do que na época dos primeiros mártires – são discriminados e perseguidos pelo simples fato de professarem a sua fé, ao mesmo tempo que demasiados conflitos em várias áreas do mundo permanecem ainda sem soluções positivas, causando lutos, destruições e migrações forçadas de populações inteiras.

Por isso, acrescentou, “é indispensável que os responsáveis pelo destino das nações empreendam, com coragem e sem tardar, iniciativas destinadas a pôr fim a estes sofrimentos, fazendo da busca da paz, da defesa e do acolhimento das pessoas que são alvo de agressões e perseguições, da promoção da justiça e dum desenvolvimento sustentável os seus objetivos primários”.

“O povo armênio experimentou estas situações na própria carne; conhece o sofrimento e a dor, conhece a perseguição; guarda na sua memória não só as feridas do passado, mas também o espírito que sempre lhe permitiu começar de novo. Neste sentido, encorajo-o a prestar a sua valiosa contribuição à comunidade internacional.”

Armênia celebra 25 anos de independência

Francisco recordou que este ano se celebra o 25º aniversário da independência da Armênia.

Os festejos por esta jubilosa ocorrência serão ainda mais significativos, afirmou o Pontífice, “se se tornarem para todos os armênios, na pátria e na diáspora, um momento especial de reunir e coordenar as energias com o objetivo de favorecer um desenvolvimento civil e social, équo e inclusivo, do país”.

O Papa lembrou que a história da Armênia caminha lado a lado com a sua identidade cristã, preservada no decurso dos séculos. Esta identidade cristã, longe de ser obstáculo para a sadia laicidade do Estado, observou, “exige-a e a alimenta, estimulando a cidadania participativa de todos os membros da sociedade, a liberdade religiosa e o respeito pelas minorias.

Identificar caminhos para superar tensões com países vizinhos

O Sucessor de Pedro afirmou ainda que “a coesão de todos os armênios e o maior esforço por identificar estradas úteis para superar as tensões com alguns países vizinhos tornarão mais fácil realizar estes objetivos importantes, inaugurando uma época de verdadeiro renascimento para a Armênia”.

“Deus abençoe e proteja a Armênia, terra iluminada pela fé, pela coragem dos mártires, pela esperança mais forte do que toda a dor”, concluiu o Pontífice.

Encerrada no Palácio Presidencial a visita de cortesia ao presidente armênio, o Santo Padre deslocou-se de Yerevan até Etchmiadzin – a 16Km da capital armênia –, onde, no Palácio Apostólico, teve um encontro pessoal com o Supremo Patriarca e Catholicós de todos os Armênios, Karekin II, seguido da apresentação das Delegações e de 45 bispos armênios apostólicos.

Ao término, Francisco retornou à residência – onde se encontra hospedado –, no Palácio Apostólico, onde jantou de forma privada, concluindo assim seu primeiro dia em terras armênias.

Para amanhã sábado, destaque para a visita ao Complexo Memorial de Tzitzernakaberd, dedicado à memória dos massacres de 1915 perpetrados contra a população armênia sob o império otomano. Ali, o Santo Padre deporá uma coroa de flores na parte externa do Monumento.

Ainda no sábado, destaque também para a santa missa que Francisco presidirá em Gyumri, às 11h locais (4h da manhã de Brasília), e para o Encontro ecumênico e oração pela paz, em Yerevan, às 19 locais (12h de Brasília). A Rádio Vaticano transmitirá ambos os eventos ao vivo, via satélite, para todo o Brasil e demais países de língua portuguesa cujas emissoras nos retransmitem.


Papa na Catedral armênia: renovar o esforço da plena unidade

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa partiu, na manhã desta sexta-feira (24/6/2016) para mais uma Viagem Apostólica, a 14ª do seu Pontificado, que o levou à Armênia.

Antes de partir para uma viagem internacional, o Pontífice costuma ir à Basílica de Santa Maria Maior para rezar diante da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani” pelo bom êxito da sua viagem. O ramalhete de flores que o Papa depositou aos pés da imagem mariana tinha as cores da bandeira armênia: vermelho, laranja e azul.

O Papa partiu do aeroporto romano de Fiumicino às 9h locais (4h de Brasília), com destino à capital armênia, Yerevan. Ao percorrer cerca de 3 mil quilômetros, em quatro horas, o Santo Padre  enviou, como de praxe, telegramas aos chefes de Estado dos países sobrevoados: Itália, Croácia, Bósnia-Erzegóvina, Montenegro, Sérvia, Bulgária e Turquia.

Francisco visita a Armênia a convite do Patriarca e Catholicos de todos os Armênios, Karekin II, e das autoridades políticas e da Igreja Católica.

Após a cerimônia de boas-vindas, no aeroporto de Yerevan, o Papa dirigiu-se para a Catedral Apostólica, em Etchmiadzin, para alguns momentos de oração.

Depois das cordiais saudações do Patriarca Karekin, o Santo Padre pronunciou seu discurso, agradecendo as boas vindas do Catholicós de Todos os Armênios, dizendo:

Fraternidade

“Atravessei, comovido, o limiar deste lugar sagrado, testemunha da história do seu povo, centro irradiador de espiritualidade; considero uma graça de Deus poder me aproximar do santo altar, de onde refulgiu a luz de Cristo na Armênia. Agradeço o grato convite para visitá-los e à Sua Santidade, por ter-me acolhido em sua casa. Este sinal de amor expressa, mais que as palavras, o profundo significado de amizade e caridade fraterna”.

Nesta ocasião, o Papa recordou que “a luz da fé confere à Armênia a sua identidade peculiar de mensageira de Cristo entre as Nações”, que a acompanhou e amparou, sobretudo nos momentos de maior provação:

“Inclino-me diante da misericórdia do Senhor, que quis que a Armênia se tornasse a primeira nação, desde o ano 301, a acolher o cristianismo como sua religião, em uma época em que ainda enfuriavam as perseguições. Para a Armênia, a fé em Cristo foi um elemento constitutivo da sua identidade, um dom de enorme valor defendido à custa da própria vida”.

Unidade

Aqui, o Pontífice invocou as bênçãos divinas sobre este luminoso testemunho de fé, demonstrado até com o martírio, e a fecundidade do Batismo, recebido há mais de 1700 anos. Agradeceu a Deus pelo caminho que a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Armênia realizaram, mediante um diálogo sincero e fraterno, para chegar à plena partilha da Mesa Eucarística:

“Que o Espírito Santo nos ajude a realizar a unidade desejada por nosso Senhor, que pediu para que todos os seus discípulos sejam uma só coisa e o mundo creia. Apraz-me lembrar aqui o impulso decisivo dado à intensificação das relações e ao fortalecimento do diálogo entre as nossas duas Igrejas nos últimos tempos por Vasken I e Karekin I, e por São João Paulo II e Bento XVI”.

A seguir, Francisco afirmou que o nosso mundo - marcado por divisões e conflitos, bem como por graves formas de pobreza material e espiritual, incluindo a exploração das pessoas, crianças e idosos, - espera dos cristãos um testemunho de estima mútua e colaboração fraterna, que faça resplandecer diante de cada consciência o poder e a verdade da Ressurreição de Cristo. E acrescentou:

“O esforço paciente e renovado rumo à plena unidade, a intensificação das iniciativas comuns e a colaboração entre todos os discípulos do Senhor, tendo em vista o bem comum, representam uma luz e um apelo para viver, na caridade e na compreensão mútua, as nossas diferenças. O espírito ecumênico adquire valor exemplar e constitui um forte convite a compor as divergências através do diálogo e da valorização do que nos une”.

O Bispo de Roma concluiu seu pronunciamento ressaltando que “quando a nossa atividade é inspirada e movida pela força do amor de Cristo, crescem o conhecimento e a estima recíprocas, criam-se melhores condições para um caminho ecumênico frutuoso e, ao mesmo tempo, mostra a toda a sociedade um caminho concreto, que pode ser percorrido para harmonizar os conflitos que dilaceram a vida civil e causam divisões”.


Papa Francisco comenta saída do Reino Unido da União Europeia

Yerevan, 24.junho.2016 (RV) - "Foi a vontade expressa pelo povo, e isso requer a todos nós uma grande responsabilidade para garantir o bem do povo do Reino Unido e também o bem e a convivência de todo o continente europeu. Assim eu espero".

Essas foram as palavras do Papa Francisco aos jornalistas ao ser informado, durante o voo de Roma a Yerevan, sobre o resultado do referendo em que, por 52% contra 48%, o povo britânico votou pela saída do país da União Europeia.

Colômbia

Francisco também disse que é "uma bela notícia" aquela da assinatura do Acordo de Paz entre o Governo e as FARC na Colômbia.

"Espero que os países que trabalharam para construir a paz e que dão garantia de que isto vá adiante, blindem isso a tal ponto que não se possa voltar nem de dentro e nem de fora, a um estado de guerra".



Os mais recentes tweets do Papa Francisco
:


24/06/2016
O compromisso pela plena unidade e a colaboração entre todos os discípulos do Senhor são como luz fúlgida numa noite escura. #PopeInArmenia
23/06/2016
Peço que acompanhem com a oração a minha Viagem Apostólica à Armênia.
22/06/2016
Ser cristão significa unir a própria vida, em todos os aspectos, à pessoa de Jesus e, por meio Dele, ao Pai.
21/06/2016
Os povos são os primeiros artífices do próprio desenvolvimento, os primeiros responsáveis.
20/06/2016
Todos estamos em viagem rumo à casa comum do céu, onde poderemos ler com alegre admiração o mistério do universo.

19/06/2016
Unamo-nos em oração aos nossos irmãos ortodoxos pelo Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa, que tem início hoje em Creta.
18/06/2016
O universo é mais que um problema científico, é um mistério de alegria, é uma linguagem de amor de Deus por nós.
17/06/2016
Na oração, experimentamos a compaixão de Deus Pai, cheio de amor misericordioso
16/06/2016
Até mesmo na situação mais difícil da vida, Deus me espera, Deus quer me abraçar, Deus me aguarda
15/06/2016
Caros idosos: Deus não os abandona, está com vocês! Com a Sua ajuda, vocês são memória viva para o seu povo.
14/06/2016
O futuro de um povo supõe necessariamente o encontro fecundo entre jovens e idosos.

Papa: cristãos se olhem no espelho antes de julgar

Cidade do Vaticano (RV) - Antes de julgar os outros, devemos olhar no espelho para ver como somos. Foi a exortação do Papa na missa matutina na Casa Santa Marta em 20.junho.2016. O Pontífice sublinhou que aquilo que distingue o juízo de Deus do nosso não é a onipotência, mas a misericórdia.

O juízo pertence somente a Deus; por isso, se não quisermos ser julgados, nós também não devemos julgar os outros. Concentrando-se na leitura do Evangelho do dia, o Papa observou que ‘todos nós queremos que no Dia do Juízo, o Senhor nos olhe com benevolência, que se esqueça das coisas feias que fizemos na vida’.

Jesus nos chama de hipócritas quando julgamos os outros

Por isso, ‘se você julga continuamente os outros – advertiu – será julgado com a mesma medida’. “O Senhor – prosseguiu – nos pede para nos olharmos no espelho”:

“Olha no espelho... mas não para se maquiar, para que não se vejam suas rugas. Não, não, não é este o conselho... Olha no espelho para ver você mesmo, como é. ‘Por que olha o cisco que está no olho do seu irmão e não percebe a trave que está no seu? Como você pode dizer a seu irmão ‘Deixa eu tirar o cisco do seu olho, enquanto não presta atenção na trave que está no seu olho?’. E como nos define o Senhor, quando fazemos isso? Com uma só palavra: ‘Hipócrita’. Tira primeira a trave do seu olho, e só então, poderá ver direito e tirar o cisco do olho do seu irmão”.

Rezar pelos outros em vez de julgá-los

O Senhor, disse o Papa, podemos notar que “fica um pouco com raiva aqui”, nos chama de hipócritas quando nos colocamos no lugar de Deus”. Isto, acrescentou, é o que a serpente persuadiu a fazer Adão e Eva: “Se vocês comerem isso, vocês serão como Ele”. Eles, disse o Papa, “queriam tomar o lugar de Deus”:

“Por isso é feio julgar. O juízo é só de Deus, somente d’Ele! A nós o amor, a compreensão, rezar pelos outros quando vemos coisas que não são boas, mas também falar com eles: ‘Mas, olha, eu vejo isso, talvez ...' Mas jamais julgar. Nunca. E isso é hipocrisia, se nós julgamos”.

Em nossa opinião falta a misericórdia, só Deus pode julgar

Quando julgamos, continuou, “nós nos colocamos no lugar de Deus”, mas “o nosso julgamento é um julgamento pobre”, nunca “pode ser um verdadeiro julgamento”. “E por que – pergunta-se o Papa - o nosso não pode ser como o Deus? Por que Deus é Todo-Poderoso e nós não?” Não, é a resposta de Francisco, “porque em nosso julgamento falta a misericórdia. E quando Deus julga, julga com misericórdia”:

“Pensemos hoje no que o Senhor nos diz: não julgar, para não ser julgado; a medida, o modo, a medida com a qual julgamos será a mesma que usarão para conosco; e, em terceiro lugar, vamos nos olhar no espelho antes de julgar. ‘Mas aquele faz isso... isto faz o outro...’ ‘Mas, espere um pouco... ', eu me olho no espelho e depois penso. Pelo contrário, eu vou ser um hipócrita, porque eu me coloco no lugar de Deus e, também, o meu julgamento é um julgamento pobre; carece-lhe algo tão importante que tem o julgamento de Deus, falta a misericórdia. Que o Senhor nos faça entender bem essas coisas”.


Francisco: o Pai-Nosso é a pedra angular da oração

Cidade do Vaticano (RV) - Rezando o Pai Nosso sentimos o Seu olhar sobre nós. Foi o que afirmou o Papa na missa matutina na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, (16/06/2016).

Francisco ressaltou que, para um cristão, as orações não são palavras mágicas e recordou que ‘Pai’ é a palavra que Jesus profere sempre nos momentos fortes de sua vida.

Não desperdiçar palavras como os pagãos, não pensar que as orações são palavras ‘mágicas’. O Pontífice se inspirou no Evangelho do dia, quando Jesus ensina a oração do ‘Pai Nosso’ a seus discípulos e refletiu sobre o valor de rezar ao Pai na vida do cristão. Jesus, disse, “indica o espaço da oração em uma só palavra: ‘Pai’”.

Jesus se dirige sempre ao Pai nos momentos fortes de sua vida

Este Pai, observou, “sabe do que precisamos antes que lhe peçamos”. É um Pai que “nos escuta às escondidas, no segredo, como Ele, Jesus, nos aconselha a rezar: no segredo”.

“Este Pai nos dá a identidade de filhos. Eu digo ‘Pai’, mas chego às raízes da minha identidade: a minha identidade cristã é ser filho e esta é uma graça do Espírito. Ninguém pode dizer ‘Pai’ sem a graça do Espírito. ‘Pai’ é a palavra que Jesus usava quando era cheio de alegria, de emoção: “Pai, te louvo porque revelas estas coisas as crianças”; ou chorando, diante do túmulo de seu amigo Lázaro. “Pai, te agradeço porque me ouvistes”; ou ainda, nos momentos finais de sua vida, no fim”.

“Nos momentos mais fortes”, evidenciou Francisco, Jesus diz: ‘Pai’. “É a palavra que mais usa; Ele fala com o Pai. É o caminho da oração e por isso – reiterou – eu me permito dizer, é o espaço de oração”. “Sem sentir que somos filhos, sem dizer ‘Pai’ – advertiu o Papa – a nossa oração é pagã, é uma oração de palavras”.

Rezar ao Pai, Ele conhece as nossas necessidades

Certo, acrescentou, podemos rezar a Nossa Senhora, aos anjos e Santos, mas a pedra angular da oração é o ‘Pai’. Se não formos capazes de iniciar a oração com esta palavra, “a oração não vai dar certo”:

“Pai. É sentir o olhar do Pai sobre mim, sentir que aquela palavra “Pai” não é um desperdício como as palavras das orações dos pagãos: é um chamado para Aquele que me deu a identidade de filho. Este é o espaço da oração cristã – “Pai” - e, em seguida, rezamos a todos os Santos, os Anjos, fazemos também as procissões, as peregrinações... Tudo bonito, mas sempre começando com “Pai” e na consciência de que somos filhos e que temos um Pai que nos ama e que conhece todas as nossas necessidades. Este é o espaço”.

Francisco em seguida dirigiu o pensamento à parte onde na oração do “Pai Nosso”, Jesus refere-se ao perdão do próximo como Deus nos perdoa. “Se o espaço da oração é dizer Pai - observou -, a atmosfera da oração é dizer ‘nosso’: somos irmãos, somos uma família”.

Então o Papa recordou o que aconteceu com Caim, que odiou o filho do Pai, odiou seu irmão. O Pai nos dá a identidade e a família. “Por isso - disse o Papa - é tão importante a capacidade de perdoar, de esquecer, de esquecer as ofensas, a saudável habitude, mas, deixemos para lá... que o Senhor faça, e não carregar o rancor, o ressentimento, o desejo de vingança”.

Faz-nos bem fazer um exame de consciência sobre como rezar ao Pai

“Rezar ao Pai perdoando todos, esquecendo os insultos - disse -, é a melhor oração que você pode fazer":

“É bom que às vezes façamos um exame de consciência sobre isso. Para mim, Deus é Pai, e eu o sinto Pai? E se não o sinto assim, mas peço ao Espírito Santo que me ensine a senti-lo assim. E eu sou capaz de esquecer as ofensas, de perdoar, de deixar para lá e se não, pedir ao Pai, ‘mas também estes são seus filhos, eles me fizeram uma coisa ruim ... ajude-me a perdoar’?. Façamos esse exame de consciência sobre nós e nos fará bem, muito bem. ‘Pai’ e ‘nosso’": nos dão a identidade de filhos e nos dão uma família para “caminhar” juntos na vida”.



Papa na Missa em Santa Marta: rezar pelos nossos inimigos

Terça-feira, 14 de junho de 2016 – na Missa em Santa Marta o Papa Francisco colocou em evidência a oração que se faz por aqueles que “nos querem mal” e afirmou que com essa oração somos “mais filhos do Pai”.

Tomando como estímulo da sua reflexão o Evangelho do dia proposto por S. Mateus, o Santo Padre recordou que Jesus inicia a sua pregação, ostracizado pelos seus adversários e num tempo em que a “explicação da Lei” estava “em crise”.

Segundo Francisco a explicação dos Doutores da Lei era demasiado teórica e casuística. “No centro estavam os casos” – assinalou o Papa que sublinhou que Jesus “retoma o verdadeiro sentido da Lei para levá-la à sua plenitude”.

É a nova luz que Jesus dá aos Mandamentos demonstrando que o amor é “mais generoso do que as palavras da lei” – disse o Papa que salientou a perfeição que Jesus indica no texto de Mateus neste dia: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Francisco no final da sua homilia afirmou que esta oração é poderosa pois melhora os inimigos e faz-nos mais filhos do Pai:

“Que o Senhor nos dê a graça, apenas esta: rezar pelos nossos inimigos; rezar por aqueles que nos desejam mal, que não nos querem bem; rezar por aqueles que nos ferem, que nos perseguem. E cada um de nós sabe o nome e o apelido: rezar por isto... Garanto-vos que esta oração vai fazer duas coisas: ele vai melhorar, porque a oração é poderosa, e nós seremos mais filhos do Pai”.

Papa Francisco: “O terço é a oração do meu coração”

“O terço é a oração que acompanha todo o tempo da minha vida. É também a oração dos simples e dos santos. É a oração do meu coração”: com estas palavras, o Papa Francisco escreveu o prólogo do livro “Il rosario, preghiera del cuore” (“O Rosário, oração do coração”), escrito pelo Pe. Yoannis Lahzi Gaid, um sacerdote copta de rito católico que, há alguns meses, faz parte do seu secretariado particular.

Datado de 13 de maio, festa de Nossa Senhora de Fátima, o prólogo do livro foi inteiramente escrito pelo Santo Padre.
O livro do Pe. Yoannis foi publicado em língua árabe e, pouco tempo depois, mesmo sendo pequena a comunidade copta, já vendeu mais de 130 mil exemplares.

O livro acabou de ser reeditado em italiano, não só com o prólogo escrito pelo Papa, mas também enriquecido com alguns trechos dos seus discursos sobre Maria, e outros de seus predecessores. A peculiaridade desse pequeno livro é que ele permite rezar o terço levando em consideração as tradições oriental e ocidental.

O terço me ajuda a relaxar

Já sabemos o quanto o Papa Francisco ama Maria. Seu vínculo com o terço não é nenhum segredo; de fato, no aniversário do seu primeiro ano de pontificado, o Pe. Alfred Xuereb, então seu secretário pessoal, falou precisamente sobre isso aos microfones da Rádio Vaticano:
“O Papa não perde um minuto! Trabalha incansavelmente – explicou. E quando precisa fazer uma pequena pausa, não fecha os olhos sem fazer nada: ele se senta e reza seu terço. Acho que ele reza o terço três vezes ao dia. Ele me disse: ‘Isso me ajuda a relaxar’. Depois ele retoma o trabalho.”
Aleteia

A Mãe da Misericórdia Divina abra os nossos olhos, para compreendermos o compromisso a que somos chamados, e nos obtenha a graça de vivermos, com um testemunho fiel e fecundo, este Jubileu da Misericórdia

Caros amigos,
recordemos  o motivo pelo qual o Santo Padre, o Papa Francisco convocou este Jubileu Extraordinário, o ANO DA MISERICÓRDIA.


É o próprio Papa que nos explica:




CELEBRAÇÃO DAS PRIMEIRAS VÉSPERAS DO II DOMINGO DE PÁSCOA
OU DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica de São Pedro
Sábado, 11 de Abril de 2015


Ressoa ainda, em todos nós, a saudação de Jesus Ressuscitado aos seus discípulos na noite de Páscoa: «A paz esteja convosco!» (Jo 20, 19). A paz, sobretudo nas últimas semanas, permanece como desejo de muitas populações que sofrem violências inauditas de discriminação e morte, só porque possuem o nome de cristãos. A nossa oração faz-se ainda mais intensa, tornando-se um grito de socorro ao Pai, rico em misericórdia, para que sustente a fé de tantos irmãos e irmãs que estão na tribulação, ao mesmo tempo que Lhe pedimos para converter os nossos corações para passarmos da indiferença à compaixão.

São Paulo recordou-nos que fomos salvos no mistério da morte e ressurreição do Senhor Jesus. Ele é o Reconciliador, que está vivo no meio de nós, para nos oferecer o caminho da reconciliação com Deus e entre os irmãos. O Apóstolo recorda que, apesar das dificuldades e sofrimentos da vida, cresce a esperança na salvação que o amor de Cristo semeou nos nossos corações. A misericórdia de Deus foi derramada em nós, tornando-nos justos, dando-nos a paz.

Presente no coração de muitos está esta pergunta: Por que motivo um Jubileu da Misericórdia, hoje? Simplesmente porque a Igreja é chamada, neste tempo de grandes mudanças epocais, a oferecer mais vigorosamente os sinais da presença e proximidade de Deus. Este não é o tempo para nos deixarmos distrair, mas para o contrário: permanecermos vigilantes e despertarmos em nós a capacidade de fixar o essencial. É o tempo para a Igreja reencontrar o sentido da missão que o Senhor lhe confiou no dia de Páscoa: ser sinal e instrumento da misericórdia do Pai (cf. Jo 20, 21-23). Por isso o Ano Santo deverá manter vivo o desejo de individuar os inúmeros sinais da ternura que Deus oferece ao mundo inteiro, e sobretudo a quantos estão na tribulação, vivem sozinhos e abandonados, e também sem esperança de ser perdoados e sentir-se amados pelo Pai. Um Ano Santo para sentirmos intensamente em nós a alegria de ter sido reencontrados por Jesus, que veio, como Bom Pastor, à nossa procura, porque nos tínhamos extraviado. Um Jubileu para nos darmos conta do calor do seu amor, quando nos carrega aos seus ombros e nos traz de volta à casa do Pai. Um Ano em que sejamos tocados pelo Senhor Jesus e transformados pela sua misericórdia para nos tornarmos, também nós, testemunhas de misericórdia. Eis o motivo do Jubileu: porque este é o tempo da misericórdia. É o tempo favorável para tratar as feridas, para não nos cansarmos de ir ao encontro de quantos estão à espera de ver e tocar sensivelmente os sinais da proximidade de Deus, para oferecer a todos, a todos, o caminho do perdão e da reconciliação.

A Mãe da Misericórdia Divina abra os nossos olhos, para compreendermos o compromisso a que somos chamados, e nos obtenha a graça de vivermos, com um testemunho fiel e fecundo, este Jubileu da Misericórdia.

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Papa ao PMA: “Desnaturalizar” miséria e “Desburocratizar” fome

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitou na manhã desta segunda-feira, (13/06/2016), a sede do Programa Mundial Alimentar (PMA), em Roma.

Após dirigir-se à Conferência, o Pontífice deixou de lado o discurso preparado em espanhol, e falou espontaneamente em italiano aos funcionários da agência humanitária da ONU.

Trabalho escondido

“Obrigado! Obrigado, porque vocês fazem um trabalho escondido, um trabalho nos bastidores, que não se vê, mas que torna possível que tudo vá adiante. Vocês são, como por exemplo, as bases de um prédio: sem as bases o edifício não fica de pé. Muitos projetos, muitas coisas podem ser feitas e se fazem no mundo da luta contra a fome, são feitas por muitas pessoas corajosas. Mas isso graças ao seu apoio, à sua ajuda escondida. Os seus nomes aparecem somente na lista dos funcionários e no final do mês nos contracheques, mas lá fora ninguém sabe como vocês se chamam. Porém, os seus nomes tornam possível esse grande trabalho, esse grande trabalho de luta contra a fome. Graças ao trabalho, a um pequeno ou grande sacrifício que vocês fazem muitas crianças podem comer. Muita fome é resolvida.”

Trabalho corajoso

Francisco disse que quando ouviu falar a diretora do Programa pensou: “Esta é uma mulher corajosa! Acredito que esta coragem todos vocês têm. A coragem de levar adiante um trabalho escondido e sustentar a coragem das pessoas que se veem, porque num corpo existem os pés, as mãos, e também o rosto. Vemos o rosto, mas os pés não, pois estão escondidos dentro dos sapatos. Vocês são os pés, as mãos que sustentam a coragem daqueles que vão adiante. Que sustentaram a coragem de seus mártires, digamos assim, de suas testemunhas. Nunca se esqueçam os nomes daqueles que estão escritos ali na entrada. Eles puderam fazer isso por causa da coragem que tinham, pela fé que tinham em seu trabalho, mas também porque eram auxiliados pelo trabalho de vocês”.

O Papa pediu aos funcionários do PMA para que rezassem por ele a fim de que ele também possa fazer algo contra a fome.

Segue, abaixo, o discurso preparado e entregue pelo Papa Francisco.

Estou contente de me encontrar com vocês num clima simples e familiar, reflexo do estilo que anima a sua entrega ao serviço de muitos irmãos nossos, que hoje encontram em vocês um dos rostos solidários da humanidade. Quero também lembrar os seus colegas que, espalhados pelo mundo, colaboram com o Programa Mundial Alimentar. A todos vocês, obrigado pela calorosa amizade e boas-vindas.

A Senhora Diretora Executiva explicou-me a importância do trabalho que realizais com grande competência e não poucos sacrifícios, de forma generosa, mesmo em situações duras e muitas vezes inseguras por causas naturais ou humanas. A amplitude e gravidade dos problemas enfrentados pelo PMA exigem que vocês prossigam colocando entusiasmo em tudo o que fazem, sempre prontos a servir. Para isso, conta muito a formação permanente, uma intuição perspicaz e sobretudo um grande sentido de compaixão, sem o qual tudo o mais careceria de força e razão de ser.

O PMA depositou em suas mãos uma grande missão. O bom êxito da mesma depende em grande parte de não se deixar vencer pela inércia, mas pôr em tudo capacidade de iniciativa, imaginação e profissionalismo, a fim de procurar cada dia vias novas e eficazes para vencer a desnutrição e a fome que sofrem muitos seres humanos em várias partes do mundo. São eles que nos pedem para lhes prestarmos a nossa atenção. Por isso, é importante que vocês não se deixem sufocar pelos dossiês e consigam descobrir que, por trás de cada folha de papel, existe uma história particular, muitas vezes dolorosa e delicada. O segredo é ver, por trás de cada expediente, um rosto humano que pede ajuda. Ouvir o grito do pobre lhes permitirá a não se fechar em formulários frios. Tudo é pouco para derrotar um fenômeno assim terrível como a fome.

Esta é uma das maiores ameaças à paz e a uma convivência humana serena. Uma ameaça que não podemos nos contentar apenas em denunciá-la ou estudá-la; é preciso enfrentá-la com decisão e resolvê-la urgentemente. Cada um de nós, segundo a respectiva responsabilidade, deve agir na medida das próprias possibilidades a fim de se alcançar uma solução definitiva a esta miséria humana que degrada e corrói a existência de um número enorme de nossos irmãos e irmãs. E, na hora de ajudar aqueles que cruelmente a padecem, ninguém é demais nem pode limitar-se a apresentar uma desculpa, pensando que é um problema que o ultrapassa ou não lhe diz respeito.

O desenvolvimento humano, social, técnico e econômico é o caminho obrigatório para garantir que cada pessoa, família, comunidade ou povo possa enfrentar as próprias necessidades. Isto nos diz que devemos trabalhar, não por uma ideia abstrata nem por uma defesa teórica da dignidade, mas por tutelar a vida concreta de cada ser humano. Nas áreas mais pobres e deprimidas, isso significa dispor de comida em caso de emergências, mas também possibilitar o acesso a meios e instrumentos técnicos, a postos de trabalho, ao microcrédito, fazendo com que a população local reforce a sua capacidade de resposta às crises que possam improvisadamente surgir.

Quando digo isto, não me refiro apenas às questões materiais. Trata-se, primeiramente, de um compromisso moral que permita olhar com responsabilidade para a pessoa que está ao meu lado, bem como para o objetivo geral de todo o Programa. Vocês são chamados a sustentar e defender este compromisso através de um serviço que poderia, mas só à primeira vista, parecer puramente técnico. Ao contrário, o que realizam são ações que precisam de uma grande força moral a fim de contribuir para a edificação do bem comum em cada país e em toda a comunidade internacional.

Diante de tantos desafios, perante os perigos e problemas que surgem continuamente, se tem a impressão de que o futuro da humanidade consistirá apenas em dar resposta a provas e riscos cada vez mais interligados e difíceis de prever tanto na sua amplitude quanto na sua complexidade. Vocês sabem disso por experiência própria. Mas isto não nos deve desanimar. Animem-se e se ajudem mutuamente para que não deixem entrar em seus corações a tentação do desânimo ou da indiferença. Pelo contrário, acreditem firmemente que a ação diária de todos vós está a contribuir para transformar o nosso mundo num mundo com rosto humano, num espaço cujos pontos cardeais sejam a compaixão, a solidariedade, a ajuda mútua e a gratuidade. Quanto maior for a vossa generosidade, a vossa tenacidade, a vossa fé, tanto mais a cooperação multilateral poderá encontrar soluções adequadas para os problemas que muito nos preocupam, ampliar perspectivas parciais e interessadas e abrir novos caminhos à esperança, a um équo desenvolvimento humano, à sustentabilidade e à luta por conter as desigualdades econômicas injustas que tanto ferem os mais vulneráveis.

Sobre cada um de vocês, suas famílias e o trabalho que desempenham no PMA, invoco abundantes bênçãos divinas.

Peço-lhes para que rezem por mim, cada um no seu íntimo, ou pelo menos, quando pensarem em mim, que o façam de modo positivo. Preciso muito disso. Obrigado!

Hoje, também, o Papa Francisco nos deixou uma mensagem no Twitter:

13/06/2016
Convido as instituições internacionais a dar voz às tantas pessoas que passam fome em silêncio. #ZeroHunger

Papa: aceitar sofrimento e limitação para compreender a vida

Cidade do Vaticano (RV) – O Jubileu dos Enfermos e das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais terminou neste domingo, (12/06/2016), com a Santa Missa presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro.

Íntegra da homilia:

“Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 19). O apóstolo Paulo usa palavras muito fortes para expressar o mistério da vida cristã: tudo se resume ao dinamismo pascal de morte e ressurreição recebido no Batismo.

De fato cada um, pela imersão na água, é como se tivesse morrido e fosse sepultado com Cristo (cf. Rm 6, 3-4), e quando reemerge dela, manifesta a vida nova no Espírito Santo.

Esta condição de renascidos envolve a vida inteira, em todos os seus aspectos; também a doença, o sofrimento e a morte ficam inseridos em Cristo, encontrando n’Ele o seu sentido último.

No dia de hoje, jornada jubilar dedicada a todos aqueles que carregam os sinais da doença e da deficiência, esta Palavra de vida tem uma ressonância especial na nossa assembleia.

Na realidade todos nós, mais cedo ou mais tarde, somos chamados a encarar e, às vezes, a lutar contra as fragilidades e as doenças, nossas e alheias.

E como são diferentes os rostos com que se apresentam estas experiências, tão típica e dramaticamente humanas! Mas sempre nos colocam, de forma mais aguda e premente, a questão do sentido da vida.

Perante isso, no nosso íntimo, pode algumas vezes sobrevir uma atitude cínica, como se fosse possível resolver tudo suportando ou contando apenas com as próprias forças.

Outras vezes, pelo contrário, coloca-se toda a confiança nas descobertas da ciência, pensando que certamente deverá haver, em algum lugar da terra, um remédio capaz de curar a doença.

Infelizmente não é assim; e ainda que existisse tal remédio, seria acessível a muito poucas pessoas.

A natureza humana, ferida pelo pecado, traz inscrita em si mesma a realidade da limitação. Conhecemos a objeção que se levanta, sobretudo nestes tempos, à vista de uma vida marcada por graves limitações físicas.

Considera-se que é impossível uma pessoa enferma ou deficiente ser feliz, porque incapaz de realizar o estilo de vida imposto pela cultura do prazer e da diversão.

Em um tempo como o nosso, em que o cuidado do corpo se tornou um mito de massa e, consequentemente, um negócio, aquilo que é imperfeito deve ser ocultado, porque atenta contra a felicidade e a serenidade dos privilegiados e põe em crise o modelo dominante.

É melhor manter tais pessoas segregadas em qualquer “recinto” – eventualmente dourado – ou em “reservas” criadas por um compassivo assistencialismo, para não atrapalhar o ritmo de um falso bem-estar.

Às vezes chega-se a defender que é melhor livrar-se o mais rapidamente possível de tais pessoas, porque se tornam um encargo financeiro insuportável em tempos de crise.

Na realidade, porém, como é grande a ilusão em que vive o homem de hoje, quando fecha os olhos à enfermidade e à deficiência! Não compreende o verdadeiro sentido da vida, que inclui também a aceitação do sofrimento e da limitação.

O mundo não se torna melhor quando se compõe apenas de pessoas aparentemente “perfeitas”, mas quando crescem a solidariedade, a mútua aceitação e o respeito entre os seres humanos. Como são verdadeiras as palavras do Apóstolo: “O que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte” (1 Cor 1, 27)!

O Evangelho deste domingo (Lc 7, 36 – 8, 3) apresenta-nos também uma situação particular de fraqueza. A mulher pecadora é julgada e marginalizada, mas Jesus acolhe-a e defende-a “porque muito amou” (v. 47).

Tal é a conclusão de Jesus, atento como está ao sofrimento e às lágrimas daquela pessoa. A sua ternura é sinal do amor que Deus reserva àqueles que sofrem e são excluídos.

Não existe apenas o sofrimento físico; entre as patologias mais frequentes nos dias de hoje conta-se uma que tem a ver precisamente com o espírito: é um sofrimento que envolve a alma tornando-a triste, porque carente de amor.

Quando se experimenta a decepção ou a traição nas relações importantes, então descobrimo-nos vulneráveis, fracos e sem defesas. Consequentemente, torna-se muito forte a tentação de se fechar em si mesmo e corre-se o risco de perder a ocasião da vida: amar apesar de tudo.

Aliás, a felicidade que cada um deseja pode exprimir-se de muitos modos, mas só é possível alcançá-la se se for capaz de amar: é sempre uma questão de amor, não há outra estrada.

O verdadeiro desafio é o de quem ama mais. Quantas pessoas com deficiência e enfermas se reabrem à vida, logo que descobrem que são amadas! E quão grande amor pode brotar de um coração, até mesmo somente a partir de um sorriso!

Então a própria fragilidade pode tornar-se conforto e apoio para a nossa solidão. Jesus, na sua paixão, amou-nos até ao fim (cf. Jo 13, 1); na cruz, revelou o Amor que se dá sem limites.

Que poderíamos nós censurar a Deus, nas nossas enfermidades e tribulações, que não esteja já impresso no rosto do seu Filho crucificado? Ao seu sofrimento físico, juntam-se a zombaria, a marginalização e a lástima, enquanto Ele responde com a misericórdia que a todos acolhe e perdoa: “fomos curados pelas suas chagas” (Is 53, 5; 1 Ped 2, 24).

Jesus é o médico que cura com o remédio do amor, porque toma sobre Si o nosso sofrimento e redime-o. Sabemos que Deus pode compreender as nossas enfermidades, porque Ele mesmo foi pessoalmente provado por elas (cf. Heb 4, 15).

O modo como vivemos a doença e a deficiência é indicação do amor que estamos dispostos a oferecer. A forma como enfrentamos o sofrimento e a limitação é critério da nossa liberdade em dar sentido às experiências da vida, mesmo quando nos parecem absurdas e não merecidas.

Por isso, não nos deixemos turbar por estas tribulações (cf. 1 Ts 3, 3). Sabemos que, na fraqueza, podemos tornar-nos fortes (cf. 2 Cor 12, 10) e receber a graça de completar em nós o que falta dos sofrimentos de Cristo em favor do seu corpo, que é a Igreja (cf. Col 1, 24); um corpo que, à imagem do corpo do Senhor ressuscitado, conserva as chagas, sinal da dura luta que trava, mas chagas transfiguradas para sempre pelo amor.

Tweet de hoje do Santo Padre:

12/06/2016
Caros doentes, entreguem-se ao Espírito Santo, que não deixará de enviar a luz consoladora de sua presença.

Queridos irmãos, o Santo Padre não se cansa de falar-nos como pai, nos orienta em todos os setores, chamando-nos à conversão, anunciando o Reino de Deus e bradando aos quatro ventos a Misericórdia do Senhor, expressão do seu Amor sem limites. Diariamente o Papa Francisco nos norteia com suas frases no Twitter:

11/06/2016
Não se cansem de pedir através da oração a ajuda do Senhor, especialmente nas dificuldades.
10/06/2016
A ternura de Deus está presente na vida de tantos que cuidam dos doentes, e sabem identificar suas necessidades, com olhos cheios de amor.
09/06/2016
Precisamos reconhecer os valores da nossa comum humanidade, em nome dos quais se pode e se deve colaborar e construir.
08/06/2016
Protejamos os oceanos, que são um bem comum global, essenciais pela água e pela variedade de seres vivos!
07/06/2016
Neste tempo pobre em amizade social, nossa tarefa é construir comunidades.

Papa: diversidade é um desafio que nos faz crescer

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa recebeu no final da manhã deste sábado, (11/06/2016), cerca de 650 participantes no Congresso para Portadores de necessidades especiais, físicas, mentais ou sensoriais, promovido pela Conferência Episcopal Italiana.

Após alguns breves depoimentos dos responsáveis pela Pastoral da Catequese italiana, duas meninas fizeram perguntas ao Papa, representando os diversos portadores de necessidades especiais presentes na Sala Paulo VI.

Ao responder espontaneamente à primeira, Francisco disse que “era uma pergunta muito válida", por se referir às diversidades das pessoas.

Sem medo

“As diversidades, disse o Papa, sobretudo se forem grandes, nos causam medo. Mas, por isto mesmo, elas se tornam um desafio. É muito fácil não se incomodar com as diferenças das pessoas, ou melhor, ignorar a sua diversidade. Porém, a diversidade é uma riqueza”.

Se no mundo tudo fosse igual, seria um “mundo chato”. As diversidades, mesmo as mais dolorosas, nos ajudam, nos desafiam, nos enriquecem. Por isso, não devemos temer as diversidades dos outros. Pelo contrário, devemos superar este medo; colocar em comum o que temos.

Aperto de mãos

Aqui, o Papa recordou um gesto humano muito belo, que fazemos quase inconscientemente, mas que tem um significado muito profundo:

“Apertar a mão. Com este gesto colocamos em comum o que temos com o outro, se este for um gesto sincero. É uma coisa que faz bem a todos. A diversidade é um desafio que nos faz crescer”.

Depois, respondendo à segunda pergunta de uma menina, portadora de necessidades especiais, Francisco falou da discriminação - na paróquia, na Missa, na Comunhão, nos Sacramentos - de uma pessoa portadora de deficiência física, mental ou sensorial.

Todos são iguais e devem participar dos atos eclesiais, quer tenham os cinco sentidos ou não. Diante de Deus, todos somos iguais, porque todos nós amamos a Jesus e sua Mãe Maria. Neste sentido, “a diversidade é igualdade”, “a diversidade é uma riqueza”.

Em uma paróquia, explicou o Papa, devemos acolher todos, indistintamente. Os sacerdotes e os leigos não devem fechar a porta da igreja àqueles que são diferentes de nós: ou todos ou ninguém! Devem ajudar as pessoas diferentes a entender a fé, o amor, a amizade.

Acolher e ouvir

Logo, é preciso “acolher e ouvir” a todos, ou seja, pôr em prática a “pastoral da escuta”.

"Mas, Padre, é tão chato ouvir, porque são sempre as mesmas coisas, as mesmas histórias. Porém, ninguém é igual ao outro. As pessoas trazem Jesus no coração. Por isso devemos ouvi-las com paciência. Acolher e ouvir a todos”.

No final do encontro na Sala Paulo VI, o Papa convidou os presentes a invocar Nossa Senhora, com a oração da “Ave Maria e, por fim, após conceder a sua bênção Apostólica, passou a cumprimentar algumas pessoas portadoras de diversidades especiais mais graves.



Papa a astrônomos: "Acesso à água potável é questão de justiça"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa recebeu na manhã deste sábado, (11/6/2016), na Sala do Consistório, cerca de 45 participantes entre professores e alunos do Curso internacional de Verão do Observatório Astronômico do Vaticano, promovido pelo Padres Jesuítas.

Aos jovens astrônomos, provenientes de diversos países e culturas diferentes, que enriquecem o trabalho de pesquisa em âmbito científico, o Papa expressou seu apreço pela complexa e maravilhosa atividade de compreender cada vez mais o universo, dom incomparável do Criador!

A seguir, Francisco recordou que o Observatório Astronômico do Vaticano foi fundado há 125 anos, precisamente em 1891, pelo Papa Leão XIII para confirmar “o quanto a Igreja é amiga da verdadeira e ponderada ciência, tanto humana como divina”:

Universo

“Todos nós vivemos sob o mesmo céu e todos somos movidos pela beleza, que se revela no cosmos e se reflete também em nossos estudos sobre os corpos e as substâncias celestes. Desta forma, somos unidos pelo desejo de descobrir a verdade sobre este maravilhoso universo, aproximando-nos sempre mais do seu Criador”.

E, comentando o tema discutido neste 15° Curso de Astronomia “a água no sistema solar e em outros lugares”, o Santo Padre advertiu de como é essencial o elemento água aqui na Terra para a vida, os seres vivos e o trabalho humano. A água nos encanta com a sua potência, mas também com a sua humildade:

Água

“As grandes civilizações tiveram origem ao longo dos rios. Não obstante, em nossos dias, o acesso à água pura é um problema de justiça para o gênero humano, ricos e pobres. Por isso, o trabalho de um cientista requer uma grande e árdua responsabilidade, seja em âmbito local como internacional”.

O Papa concluiu encorajando os jovens astrônomos a se dedicar com alegria à sua pesquisa, compartilhando com todos seus resultados, com humildade e fraternidade!


Papa: cristãos devem combater juntos a desertificação espiritual

Cidade do Vaticano (RV) – No final da manhã desta sexta-feira (10/06/2016) o Papa recebeu, no Vaticano, uma delegação da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.

Este encontro, disse Francisco em seu discurso, é um passo a mais no caminho que caracteriza o movimento ecumênico – um caminho abençoado e cheio de esperança.

“Hoje, devemos antes de tudo ser gratos a Deus pela nossa fraternidade reencontrada que, como escreveu S. João Paulo II, ‘não é a consequência de um filantropismo liberal ou de um vago espírito de família; mas está enraizado no reconhecimento do único Batismo e na consequente exigência de que Deus seja glorificado na sua obra’.”

Outro motivo de gratidão, prosseguiu o Papa, é a recente conclusão da quarta fase do diálogo teológico entre a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos sobre o tema da justificação.

“Estou satisfeito em constatar que o relatório final destaque o elo necessário entre a justificação e a justiça”, afirmou Francisco, acrescentando que a fé em Jesus nos leva a viver a caridade mediante gestos concretos, capazes de incidir no nosso estilo de vida.

“Com base no acordo sobre a doutrina da justificação, existem muitos campos em que reformados e católicos podem colaborar para testemunhar juntos o amor misericordioso de Deus, verdadeiro antídoto diante do sentimento de abandono e de indiferença que parece nos circundar.”

Desertificação espiritual e consumismo espiritual

Com efeito, acrescentou o Papa, vivemos com frequência uma “desertificação espiritual”. Sobretudo lá onde se vive como se Deus não existisse, para Francisco os cristãos são chamados a serem “ânforas” que matam a sede com a esperança.

De fato, não é possível comunicar a fé vivendo-a de maneira isolada ou em grupos fechados ou separados. Deste modo, não se consegue responder à sede de Deus que nos interpela e que emerge também em inúmeras formas de religiosidade.

Segundo Francisco, essas novas formas correm o risco de favorecer um espécie de “consumismo espiritual”. Eis então a urgente necessidade de um ecumenismo que, com o esforço teológico para recompor as controvérsias doutrinais, promova uma missão comum de evangelização e de serviço.

Sem dúvida, há muitas iniciativas e boas colaborações em vários lugares, reconheceu o Papa. Mas todos podemos fazer mais para transmitir o amor de Deus. O Papa então concluiu: “Expresso o desejo de que este encontro seja um sinal eficaz da nossa perseverante determinação em caminhar juntos na peregrinação rumo à plena unidade”.


Papa Francisco: Deus fala no silêncio "sonoro"

Cidade do Vaticano (RV) – A vida do cristão pode ser resumida em três comportamentos: estar “de pé” para acolher Deus, estar em paciente “silêncio” para escutar a Sua voz e “em saída” para anunciá-Lo aos demais.

O Papa explicou este trinômio na homilia matutina da sexta-feira, (10/06/2016), na Casa Santa Marta.

Um pecador arrependido que decidiu retornar a Deus ou alguém que consagrou a vida a Ele: ambos, em algum momento, podem ser tomados pelo “medo” de não conseguir manter a escolha. E a fé se embaça enquanto a depressão está à espreita.

De pé e em caminho

Para aprofundar este aspecto e indicar a saída do túnel, o Papa evocou por um momento a situação do filho pródigo, deprimido enquanto observa faminto os porcos. Todavia, Francisco se concentrou sobretudo no Profeta Elias, personagem da liturgia do dia.

Ele, recordou o Papa, é “um vencedor” que “tanto lutou pela fé” e derrotou centenas de idólatras no Monte Carmelo. Mas, ao ser alvo da enésima perseguição, deixa-se abater. Cai por terra sob uma árvore, desencorajado, esperando a morte. Mas Deus não o deixa naquele estado de prostração e envia um anjo com uma frase imperativa: levanta-te, coma, saia:

“Para encontrar Deus é necessário voltar à situação do homem no momento da criação: de pé e em caminho. Assim, Deus nos criou: à Sua altura, à Sua imagem e semelhança e em caminho. “Vai, segue adiante! Cultiva a terra, faça-a crescer; e multiplicai-vos...’. ‘Saia!’. Saia e vá ao Monte e pare no Monte à minha presença. Elias ficou de pé. De pé, ele sai”.

O fio de um silêncio sonoro

Sair, para então colocar-se à escuta de Deus. Mas, “como passa o Senhor? Como posso encontrar o Senhor para ter certeza de que é Ele?”, se perguntou Francisco. O trecho do Livro dos Reis é eloquente. Elias foi convidado pelo anjo para sair da caverna no Monte Horebe, onde encontrou abrigo para estar na “presença” de Deus. No entanto, a induzi-lo a sair não são nem o vento “impetuoso e forte” que quebra as rochas, nem o terremoto que se segue e nem mesmo o sucessivo fogo:

“Muito ruído, muita majestade, muito movimento e o Senhor não estava ali. ‘E depois do fogo, o sussurro de uma brisa suave’ ou, como está no original, ‘o fio de um silêncio sonoro’. E ali estava o Senhor. Para encontrar o Senhor, é preciso entrar em nós mesmos e sentir aquele ‘fio de um silêncio sonoro’ e Ele nos fala ali”.

A hora da missão

O terceiro pedido do anjo a Elias é: “Saia”. O profeta é convidado a refazer seus passos, em direção do deserto, porque lhe foi dada uma tarefa a cumprir. Nisso, ressalta Francisco, se capta o estímulo “a estarmos em caminho, não fechados, não dentro do nosso egoísmo, da nossa comodidade”, mas “corajosos” em “levar aos outros a mensagem do Senhor”, isto é, ir em “missão”:

“Devemos sempre buscar o Senhor. Todos nós sabemos como são os maus momentos: momentos que nos puxam para baixo, momentos sem fé, escuros, momentos em que não vemos o horizonte, somos incapazes de se levantar. Todos nós sabemos isso! Mas é o Senhor que vem, nos restaura com o pão e com a sua força e nos diz: ‘Levante-se e vá em frente! Caminhe!’. Para encontrar o Senhor devemos estar assim: de pé e caminhar. Depois esperar que ele fale conosco: o coração aberto. E Ele vai nos dizer: ‘Sou eu’ e ali a fé se torna forte. A fé é para mim, para preservá-la? Não! É para ir e dar aos outros, para ungir os outros, para a missão”.



Papa: é herético dizer “isso ou nada”, Jesus ensina o realismo

Cidade do Vaticano (RV) - Querer “isso ou nada” não é católico, é “herético”. Foi a advertência que fez o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de quinta-feira, (09/06/2016), na capela da Casa Santa Marta.

A homilia do Pontífice foi centralizada no “realismo saudável” que o Senhor ensinou aos seus discípulos, inspirando-se na exortação de Jesus no Evangelho do dia: “A Vossa justiça deve ser maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus”.

O povo estava um pouco perdido, explicou o Papa, porque quem ensinava a lei não era coerente em seu testemunho de vida. Jesus pede que isso seja superado, que se vá além. E usa como exemplo o primeiro Mandamento: “Amar a Deus e amar ao próximo”. E destaca que quem se enfurece com seu irmão, deverá ser submetido ao juízo.

Insultar o irmão é como esbofetear a sua alma

“É importante ouvir isso, disse o Papa, neste período em que estamos tão acostumados aos adjetivos e temos um vocabulário tão criativo para insultar os outros”. Isso é pecado, é matar, porque é dar um tapa na alma do irmão, à sua dignidade, destacou Francisco. E com amargura acrescentou que, com frequência, dizemos tantos palavrões “com muita caridade, mas as dizemos aos outros”.

É escandaloso um homem de Igreja que faz o contrário daquilo que diz

A este povo desorientado, explicou o Papa, Jesus pede para que olhe “para cima” e vá “avante”. Sem, porém, deixar de relevar quanto mal faz ao povo o contra-testemunho dos cristãos:

“Quantas vezes nós na Igreja ouvimos essas coisas: quantas vezes! ‘Mas, aquele padre, aquele homem, aquela mulher da Ação Católica, aquele Bispo, aquele Papa nos dizem: ‘Vocês têm que fazer assim!’, e ele faz o contrário. Este é o escândalo que fere o povo e não deixa que o povo de Deus cresça, prossiga. Não liberta. Aquele povo tinha visto a rigidez desses escribas e fariseus. Inclusive quando havia um profeta que trazia um pouco de alegria, era perseguido e o matavam: não havia lugar para os profetas ali. E Jesus diz a eles, aos fariseus: ‘Vocês mataram os profetas, os perseguiram: eles que traziam novo ar’”.

Seguir o realismo saudável da Igreja, não a idealismos e rigidez

“A generosidade, a santidade”, que nos pede Jesus, “é sair, mas sempre, sempre para cima. Sair para cima”. Esta, disse Francisco, é a “libertação” da “rigidez da lei e também dos idealismos que não nos fazem bem”. Jesus, - comentou em seguida -, “nos conhece bem”, “conhece a nossa natureza”. Portanto, nos exorta a chegarmos a um acordo quando temos um contraste com o outro. “Jesus - disse o Papa - também nos ensina um realismo saudável”. “Muitas vezes - acrescentou - você não pode alcançar a perfeição, mas, pelo menos, faça o que você puder, chegue a um acordo”:

“Este é o realismo saudável da Igreja Católica, a Igreja Católica nunca ensina ‘ou isto ou aquilo’. Isso não é católico. A Igreja diz: 'Este e este’. ‘Faz a perfeição: reconcilie-se com seu irmão. Não insultá-lo, mas Amá-lo. Mas se houver qualquer problema, pelo menos, coloque-se de acordo, para não iniciar uma guerra. Esse é o realismo saudável do catolicismo. Não é católico dizer “ou isto ou nada”: isso não é católico. Isso é herético. Jesus sempre sabe como caminhar conosco, nos dá o ideal, nos leva em direção ao ideal, libertar-nos deste encarceramento da rigidez da lei e nos diz: “Mas, façam até o ponto que vocês podem fazer'. E ele nos conhece bem. É este o nosso Senhor, é isso o que Ele nos ensina”.

Reconciliar-se entre nós, é a “santidade pequena” das negociações

O Senhor, disse ainda o Papa, nos pede para não sermos hipócritas: de não ir louvar a Deus com a mesma língua com a qual se insulta o irmão. “Façam o que puderem”, acrescentou, “é a exortação de Jesus”, “pelo menos, evitem a guerra entre vocês, coloquem-se de acordo”:
“Eu me permito de dizer-lhes esta palavra que parece um pouco estranha: é a pequena santidade da negociação. ‘Mas, eu não posso tudo, mas eu quero fazer tudo, mas eu me coloco de acordo com você, pelo menos não nos insultamos, não fazemos a guerra e vivemos todos em paz’. Jesus é grande! Ele nos liberta de todas as nossas misérias. Também daquele idealismo que não é católico. Peçamos ao Senhor que nos ensine, em primeiro lugar, a sair de toda rigidez, mas sair para cima, para sermos capazes de adorar e louvar a Deus; que nos ensine a nos reconciliarmos entre nós; e também, nos ensine a colocarmo-nos de acordo até o ponto que podemos fazê-lo”.

Referindo-se à presença de crianças na Missa, exortou a ficar “tranquilos”, “porque a pregação de uma criança na igreja é mais bela que a de um padre, de um bispo e do Papa”. “É a voz da inocência que faz bem a todos”, disse.



Missa em Santa Marta - A bateria do cristão

Se o cristão cede à tentação da «espiritualidade do espelho» não alimenta a sua luz com a «bateria da oração» e enxerga só «a si mesmo» sem se doar aos outros, não pratica a sua vocação e torna-se como uma lâmpada que não ilumina e como sal que não dá sabor.

Recordou o Papa Francisco que, na missa celebrada no dia 7 de junho de 2016 em Santa Marta, tirou da liturgia a célebre comparação evangélica evidenciando a eficácia da linguagem de Jesus que «fala sempre aos seus com palavras fáceis» a fim de que «todos possam compreender a mensagem». De facto, no trecho de Mateus (5, 13-16), frisou o Pontífice, encontra-se «uma definição dos cristãos: o cristão deve ser sal e luz. O sal dá sabor, conserva e a luz ilumina». Um exemplo que exorta à ação, dado que «a luz não foi feita para ficar escondida, porque se permanecer escondida apaga-se» e «nem sequer o sal é um objeto de museu nem de armário porque no final estraga-se com a humidade e perde a sua força, o seu sabor».

Mas, perguntou o Papa, «como fazemos para evitar que a luz e o sal faltem?», isto é, «como se faz para evitar que o cristão decline, que seja débil, se enfraqueça precisamente na sua vocação?». Uma resposta pode vir de outra parábola, a «das dez servas (Mateus 25, 2): cinco estultas e cinco sábias». A sabedoria e a estultice, explicou Francisco, nascem do facto de que «algumas levaram consigo o óleo, para que não faltasse» enquanto as outras, «brincando com a luz, esqueceram-se» e as suas luzes acabaram por se apagar. De resto, acrescentou o Papa com um exemplo mais atual, «até a lanterna, quando começa a enfraquecer, dizemos que é preciso recarregar a bateria».

Contudo, a conclusão é a mesma: «Qual é o óleo do cristão? Qual é a bateria para produzir luz? Simplesmente a oração». A tal propósito, o Pontífice quis aprofundar: «Podes fazer muitas coisas, tantas obras, inclusive obras de misericórdia, podes fazer muitas coisas grandes pela Igreja – uma universidade católica, um colégio, um hospital – e até te farão um monumento como benfeitor da Igreja» mas «se não rezas» tudo isto não trará luz. «Quantas obras – disse – se tornam obscuras, por falta de luz, por falta de oração». Por oração, explicou o Papa, entende-se «a oração de adoração ao Pai, de louvor à Trindade, a oração de ação de graças, também a oração para pedir algo ao Senhor», contudo sempre «uma oração do coração». É precisamente ela «o óleo, a bateria, que dá vida à luz».

Passando para o exemplo do sal, Francisco indicou «outro comportamento do cristão»: assim como o sal que, para não se tornar «algo inutilizável, que se deita fora, um objeto de museu ou esquecido no armário» deve ser usado, também o cristão deve «doar-se» e «temperar a vida dos outros; dar sabor a muitas coisas com a mensagem do Evangelho». O cristão não deve «conservar-se a si mesmo» mas «é sal que se dá». Jesus, disse Francisco, «escolhe bem os seus exemplos»: «tanto a luz como o sal são para os outros, não para nós mesmos». Com efeito «a luz não ilumina a si mesma» e «o sal não tempera a si mesmo». Alguém poderia objetar: «Se me doar, me doar, doar o meu sal e também a minha luz, eles acabarão e acabarei no escuro». Mas, esclareceu o Papa, «há a força de Deus, porque o cristão é um sal doado por Deus no Batismo: é o sal do Pai, do Filho e do Espírito Santo que vem à tua alma; é a luz do Pai, do Filho e do Espírito Santo que vem à tua alma».

Este dom continua a ser doado a ti se o compartilhares: «E nunca acaba». Isto é explicado, por exemplo, na Escritura com o episódio narrado na primeira leitura (1 Re 17, 7-16) onde Elias diz à viúva de Sarepta: «Não temas que acabe a cevada e o óleo; volta e faz como disseste» e até pede: «prepara-me antes com isso um pãozinho, e traz-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até ao dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra». Também neste caso, explicou o Pontífice, «é o Senhor que faz este milagre».

Portanto, concluiu o Papa dirigindo-se a cada cristão: «Ilumina com a tua luz, mas defendes-te da tentação de te iluminar a ti mesmo». A «espiritualidade do espelho» é «horrível». E acrescentou: «Defendes-te da tentação de te curar a ti mesmo. Sê luz para iluminar e sal para dar sabor e conservar». Sobre as obras, lê-se na Escritura, «que se vejam as vossas obras boas e se deem glória ao vosso Pai que está nos Céus». Isto é, explicou Francisco, é preciso «voltar» Àquele «que te concedeu a luz e o sal» e pedir ajuda ao Senhor a fim de que «nos auxilie nisto: cuidar sempre da luz, não a esconder, pô-la em ato; do sal, doá-lo, o justo, o que for necessário, mas doá-lo». O sal que se espalha «aumenta» e a luz «ilumina muitas pessoas»: são estas «as boas obras do cristão».

L'Osservatore Romano

Papa: as bem-aventuranças são o "GPS" da vida cristã

Cidade do Vaticano (RV) - Seguir e viver as bem-aventuranças, que como “bússola” indicam aos cristãos a direção justa da vida.

Este foi o convite que o Papa Francisco dirigiu na Missa celebrada na manhã desta segunda-feira, (06/06/2016), na capela da Casa Santa Marta.

Para não se perder no caminho da fé, disse o Pontífice, os cristãos têm um indicador exato de direção: as bem-aventuranças.

Ignorar as rotas que elas propõem, significa escorregar nos três degraus da antítese da lei cristã: a idolatria das riquezas, da vaidade e do egoísmo.

O “GPS” da vida cristã

Em sua homilia, o Papa se inspira no Evangelho de Mateus, que mostra Jesus instruindo as multidões com o célebre sermão da montanha.

Francisco reiterou que Cristo ensinava a nova lei, que não cancela a antiga, mas a aperfeiçoa, levando-a “à sua plenitude”:

“Esta é a lei nova, esta que nós chamamos ‘as bem-aventuranças’. É a nova lei do Senhor para nós. São o guia da rota, do itinerário, são a bússola da vida cristã. Neste caminho, segundo as indicações deste ‘GPS’, podemos prosseguir na nossa vida cristã”.

Os três degraus da perdição

Francisco prosseguiu a homilia completando o texto de Mateus com as considerações que o evangelista Lucas coloca no final das Bem-aventuranças: ai de vocês, os ricos, ai de vocês, que agora têm fartura, ai de vocês, que agora riem, ai de vocês, se todos os elogiam.

O Papa recordou que disse muitas vezes que “as riquezas são boas, mas o que faz mal é o apego às riquezas” que se torna “uma idolatria”.

“Isto é contrário à lei. É o GPS errado. É curioso! Estes são os três degraus que levam à perdição, assim como estas Bem-aventuranças são os degraus que levam adiante na vida. Os três degraus que levam à perdição são: o apego às riquezas, porque eu não preciso de nada. O segundo é a vaidade. Quero que todos falem bem de mim. Se todos falam bem me sinto importante, muito incenso e eu acredito ser justo, não como aquele ou como aquele outro. Pensemos na parábola do fariseu e do publicano: ‘Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens...’. ‘Obrigado, Senhor, porque sou um bom católico, não como o meu vizinho ou a minha vizinha’. Todos os dias isso acontece! O terceiro degrau: o orgulho, que é a saciedade, as risadas que fecham o coração.”

A chave está na mansidão

Dentre todas as Bem-aventuranças, Francisco seleciona uma que, afirmou, “não digo ser a chave” de todas, “mas nos faz pensar muito”: “Bem-aventurados os mansos”. A mansidão:

“Jesus diz de si mesmo: Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração. A mansidão é uma maneira de ser que nos aproxima muito de Jesus. Ao invés, o comportamento contrário sempre procura as inimizades, as guerras, tantas coisas ruins que acontecem. Mas a mansidão, a mansidão de coração que não é tolice. É outra coisa. É a profundidade em entender a grandeza de Deus, e adoração.”


Papa nas canonizações: vitória de Deus sobre o sofrimento e a morte

Na sua homilia, o Papa Francisco falou da vitória de Deus sobre o sofrimento e a morte, e do Evangelho da esperança que brota do mistério pascal de Cristo, ao qual devemos permanecer intimamente unidos para que se manifeste em nós o poder da sua ressurreição:

“Realmente, na Paixão de Cristo, temos a resposta de Deus ao grito angustiado, e às vezes indignado, que a experiência do sofrimento e da morte suscita em nós. É preciso não fugir da Cruz, mas permanecer lá, como fez a Virgem Mãe que, sofrendo juntamente com Jesus, recebeu a graça de esperar para além de toda a esperança”.

E o Papa deu o exemplo de Estanislau de Jesus Maria e de Maria Isabel Hesselblad, hoje proclamados Santos, que souberam permanecer intimamente unidos à paixão de Jesus e assim se manifestou neles o poder da sua ressurreição.

A primeira leitura e o Evangelho deste domingo – prosseguiu Francisco - apresentam-nos dois sinais prodigiosos de ressurreição e nos dois casos os mortos são filhos ainda muito novos de mulheres viúvas e que são restituídos, vivos, à respectiva mãe.

Muito particular o caso da viúva de Sarepta, indignada com o profeta e com Deus, pois enquanto Elias estava lá hospedado, o bebé dela adoeceu e morreu, mas o profeta disse àquela mulher: «Dá-me o teu filho».

“Esta é uma palavra-chave: exprime a atitude de Deus face à nossa morte (em todas as suas formas). Não diz: «Fica com ela, arranja-te!»; mas: «Dá-ma a Mim». Com efeito, o profeta toma o menino e leva-o para o quarto de cima e lá sozinho, em oração, «luta com Deus», fazendo-Lhe ver o absurdo daquela morte”.

E o Senhor escutou a voz de Elias, disse o Papa, porque era Ele próprio a falar e agir no profeta, era Ele que, pela boca de Elias, dissera à mulher: «Dá-me o teu filho»,  e agora era Ele que o devolvia, vivo, à mãe.

Do mesmo modo, no Evangelho, a  ternura de Deus revela-se plenamente em Jesus que sentiu «grande compaixão» por aquela viúva de Naim, na Galileia, que acompanhava à sepultura o seu único filho, ainda adolescente. Jesus aproxima-Se, toca no caixão, pára o cortejo fúnebre e acaricia o rosto banhado de lágrimas daquela pobre mãe, dizendo «Não chores», como se lhe pedisse: «Dá-me o teu filho».

“Jesus pede para Si mesmo a nossa morte, para nos libertar e devolver-nos a vida. E, de facto, aquele rapaz acordou como que de um sono profundo e começou novamente a falar. E Jesus «entregou-o à sua mãe» (v. 15). Não é um mago! É a ternura de Deus encarnada; n’Ele atua a imensa compaixão do Pai.

Também no apóstolo Paulo vemos uma espécie de ressurreição, ele que  que de inimigo e perseguidor feroz dos cristãos se torna testemunha e arauto do Evangelho. E com os pecadores, um a um, Jesus não cessa de fazer resplandecer a vitória da graça que dá a vida, disse ainda Francisco:

“Diz à Mãe-Igreja: «Dá-me os teus filhos», que somos todos nós. Toma sobre Si os nossos pecados, tira-no-los e devolve-nos, vivos, à própria Igreja. E isto acontece de maneira especial durante este Ano Santo da Misericórdia”

.E hoje particularmente – concluiu Francisco - a Igreja mostra-nos na pessoa dos dois novos santos dois dos seus filhos que são testemunhas exemplares deste mistério de ressurreição e que podem cantar eternamente com as palavras do salmista «Vós convertestes o meu pranto em festa; Senhor, meu Deus, eu Vos louvarei para sempre».


"Como uma mãe amorosa" - Papa reforça tutela de menores e indefesos

Os bispos que forem negligentes em relação a abusos sexuais envolvendo menores poderão ser removidos dos seus cargos. É quanto estabelece o Papa Francisco com uma Carta Apostólico Motu Próprio, que traz a data de hoje, 4 de Junho de 2016. Tal “Como uma mãe amorosa” (título da Carta) o Papa sublinha que a Igreja ama todos os seus filhos, mas cuida e protege com particular afeição os mais pequenos e indefesos. Uma tarefa que toca a toda a comunidade cristã, mas de modo particular aos pastores. Por isso, bispos diocesanos, eparcas e aqueles que têm responsabilidades de uma igreja particular, e não tiverem esse cuidado, poderão ser removidos dos seus cargos. O Papa reforça assim o empenho da Igreja na tutela dos menores.

Francisco estabelece que de entre “as causas graves” que o Direito Canónico já prevê para a remoção do cargo eclesiástico de bispos, eparcas e superiores maiores, deve ser incluída também a negligência em relação a abusos sobre menores ou adultos indefesos.

No texto do Motu Próprio, articulado em cinco artigos, sublinha-se que a remoção só terá lugar se o bispo diocesano ou eparca tiver objectivamente e de forma muito grave faltado à diligência dele esperado, mesmo que não haja grave culpa moral da sua parte.

Em todos os casos em que haja sérios indícios de negligência, a Congregação da Cúria Romana poderá dar início a investigações, informando o interessado e dando-lhe a possibilidade de se encontrar com a referida Congregação e de se defender mediante os meios previstos pelo Direito. Depois das argumentações por ele apresentadas, a Congregação pode decidir fazer investigações suplementares, ou encontrar outros bispos ou mesmo o Sínodo dos Bispos antes de se reunir para tomar uma decisão definitiva, decisão que deverá ser, contudo, submetida e aprovada pelo Papa.

Estas normas entrarão em vigor a partir de 5 de Setembro próximo.



"Não é grande quem manda, mas quem serve" - Papa aos Diáconos

O Papa Francisco recebeu em audiência, neste sábado (04/06/2016) no Vaticano, uma Delegação do Centro Internacional do Diaconato, por ocasião do seu quinquagésimo aniversário, comemorado no fim do ano passado. No discurso que lhes dirigiu o Papa ressaltou a importância desta visita no contexto do Ano Santo da Misericórdia, contexto espiritual que quer renovar em nós a consciência da importância da misericórdia na nossa vida e no nosso ministério.

O Senhor Jesus confiou aos apóstolos um mandamento novo, o mandamento do amor, e este mandamento do amor é a última vontade de Jesus, entregue aos discípulos no Cenáculo depois da lavagem dos pés – disse Francisco:

“Amando-se uns aos outros os discípulos continuam a missão pela qual o Filho de Deus veio ao mundo. E compreendem, com a ajuda do Espírito Santo, que este mandamento implica serviço aos irmãos e às irmãs”.

Para poderem cuidar das pessoas nas suas necessidades, os Apóstolos escolheram alguns "diáconos", isto é, servidores, prosseguiu o Papa. Os diáconos manifestam, portanto, de modo particular o mandamento de Jesus: imitar a Deus no serviço aos outros, imitar a Deus, que nos amou ao ponto de servir-nos. Este modo de agir de Deus, com paciência, benevolência, compaixão e disponibilidade para nos fazer melhores, deve ser o modo de agir dos ministros de Cristo: os bispos como sucessores dos Apóstolos, os sacerdotes, seus colaboradores, e os diáconos, no “serviço à mesa”, ressaltou Francisco.

E acrescentou:

“São precisamente os diáconos o rosto da Igreja na vida quotidiana, de uma comunidade que vive e caminha entre as pessoas, e onde não é grande quem manda, mas quem serve”.

A terminar, o Papa desejou que a peregrinação dos diáconos a Roma durante o Jubileu seja uma experiência intensa da misericórdia de Deus que lhes ajude a crescer na vocação como ministros de Cristo.

“Que o Senhor vos sustente no vosso serviço para terdes uma fé cada vez maior no seu amor, para vivê-lo com alegria e dedicação”, concluiu Francisco, assegurando a sua oração e bênçãos e pedindo-lhes, por favor, para que não se esqueçam  de rezar por ele.


"Sem mística, a vossa missão não é nada" - Papa aos Diretores das POM

O Papa recebeu hoje, 4 de Junho de 2016, na Sala Clementina, no Vaticano, 170 participantes na Assembleia das Pontifícias Obras Missionárias (POM, um encontro que recordou o Papa, calhou este ano no centenário da fundação da Pontifícia União Missionária.

Foi, de fato, em 1916 que o Papa Bento XV aprovou essa União surgida da mente do Beato Paolo Manna, sacerdote missionário do PIME, Pontifício Instituto Missões Estrangeiras.

Em 1950, 40 anos depois, o Papa Pio XII qualificava a União de “Pontifícia”. Obra que levou a Igreja a ter uma consciência cada vez maior da sua natureza missionária e se consolidou com o Concilio Vaticano II.

No discurso dirigido aos Diretores Nacionais das POM e aos Colaboradores da Congregação para a Evangelização dos Povos, Francisco recordou que a tarefa da União Missionária é iluminar, dar ânimo, agir organizando os sacerdotes com vista à missão. Mas isto não significa – disse o Papa – reduzir tudo a uma realidade simplesmente clerical. Há que envolver todos; fiéis, pastores, casados e consagrados, Igreja universal e Igrejas particulares, por forma a manter a Igreja sempre e em todo o lado em estado de missão, que é, todavia, obra de Deus. “A missão faz com que a Igreja se mantenha fiel à vontade de Deus” – prosseguiu o Papa, exortando as POM a não se limitarem à recolha e distribuição de ajudas econômicas, pois que “o coração do vosso empenho” – disse-lhes – é “um generoso trabalho de formação permanente à missão”, no sentido de alimentar a identidade missionária da Igreja inteira.

Francisco disse temer que as POM sejam perfeitamente organizativas, como uma ONG, mas sem paixão, sem mística, a mística dos santos, e disse-lhes: "sem a mística a vossa ação não é nada".

O Papa sublinhou também o fato de as igrejas particulares mais jovens ajudas pelas POM poderem transmitir às mais antigas um novo vigor na fé, a esperança cristã, mesmo no martírio, e encorajou as POM a “servirem com grande amor as Igrejas que, graças ao martírio, nos dão testemunho da forma como o Evangelho nos torna partícipes da vida de Deus e o fazem por atração e não por proselitismo”.

E neste Ano Santo da Misericórdia – concluiu Francisco – o ardor missionário do Beato Paolo Manna continue a ajudar no entusiasmo, na renovação, no repensar e no reformar o serviço das POM à Igreja.


Pontífice recordou que Deus e as pessoas são os dois polos do ministério sacerdotal

Para onde se dirige o ponteiro da bússola de um coração sacerdotal? Foi «a questão fundamental» levantada por Francisco aos milhares de sacerdotes e seminaristas que – após a jornada jubilar dividida em três meditações papais nas basílicas de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo fora dos Muros – participaram na missa na praça de São Pedro na manhã de sexta-feira, 3 de junho de 2016, solenidade do sagrado Coração.

Íntegra da homilia:

Celebrando o Jubileu dos Sacerdotes na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, somos chamados a concentrar-nos no coração, ou seja, na interioridade, nas raízes mais robustas da vida, no núcleo dos afetos, numa palavra, no centro da pessoa. E hoje fixamos o olhar em dois corações: o Coração do Bom Pastor e o nosso coração de pastores.

O Coração do Bom Pastor é, não apenas o Coração que tem misericórdia de nós, mas a própria misericórdia. Nele resplandece o amor do Pai; nele tenho a certeza de ser acolhido e compreendido como sou; nele, com todas as minhas limitações e os meus pecados, saboreio a certeza de ser escolhido e amado. Fixando aquele Coração, renovo o primeiro amor: a memória de quando o Senhor me tocou no mais íntimo e me chamou para O seguir; a alegria de, à sua Palavra, ter lançado as redes da vida (cf. Lc 5, 5).

O Coração do Bom Pastor diz-nos que o seu amor não tem limites, não se cansa nem se arrende jamais. Nele vemos a sua doação incessante, sem limites; nele encontramos a fonte do amor fiel e manso, que deixa livres e torna livres; nele descobrimos sempre de novo que Jesus nos ama «até ao fim» (Jo 13,1) – não se detém antes, ama até ao fim –, sem nunca se impor.

O Coração do Bom Pastor está inclinado para nós, concentrado especialmente sobre quem está mais distante; para aí aponta obstinadamente a agulha da sua bússola, por essa pessoa revela um fraquinho particular de amor, porque deseja alcançar a todos e não perder ninguém.

À vista do Coração de Jesus, surge a questão fundamental da nossa vida sacerdotal: para onde está orientado o meu coração? Uma pergunta que nós, sacerdotes, nos devemos pôr muitas vezes, cada dia, cada semana: para onde está orientado o meu coração? O ministério aparece, com frequência, cheio das mais variadas iniciativas, que o reclamam em tantas frentes: da catequese à liturgia, à caridade, aos compromissos pastorais e mesmo administrativos. No meio de tantas atividades, permanece a questão: onde está fixo o meu coração? (Vem-me à mente aquela oração tão bela da liturgia: «Ubi vera sunt gaudia…»). Para onde aponta o coração? Qual é o tesouro que procura? Porque – diz Jesus – «onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21). Todos nós temos fraquezas e também pecados. Mas procuremos ir ao fundo, à raiz: Onde está a raiz das nossas fraquezas, dos nossos pecados, ou seja, onde está precisamente aquele «tesouro» que nos afasta do Senhor?

Os tesouros insubstituíveis do Coração de Jesus são dois: o Pai e nós. As suas jornadas transcorriam entre a oração ao Pai e o encontro com as pessoas. Não distanciamento, mas o encontro. Também o coração do pastor de Cristo só conhece duas direções: o Senhor e as pessoas. O coração do sacerdote é um coração trespassado pelo amor do Senhor; por isso já não olha para si mesmo – não deveria olhar para si mesmo –, mas está fixo em Deus e nos irmãos. Já não é «um coração dançarino», que se deixa atrair pela sugestão do momento ou que corre daqui para ali à procura de consensos e pequenas satisfações; ao contrário, é um coração firme no Senhor, conquistado pelo Espírito Santo, aberto e disponível aos irmãos. E nisso têm solução os seus pecados.

Para ajudar o nosso coração a inflamar-se na caridade de Jesus Bom Pastor, podemos treinar-nos a fazer nossas três ações que as Leituras de hoje nos sugerem: procurar, incluir e alegrar-se.

Procurar. O profeta Ezequiel lembrou-nos que Deus em pessoa procura as suas ovelhas (34, 11.16). Ele – diz o Evangelho – «vai à procura da que se tinha perdido» (Lc 15, 4), sem se deixar atemorizar pelos riscos; sem hesitação, aventura-se para além dos lugares de pastagem e fora das horas de trabalho. E não exige pagamento das horas extraordinárias. Não adia a busca; não pensa: «hoje já cumpri o meu dever; veremos se me ocupo disso amanhã», mas põe-se imediatamente em campo; o seu coração está inquieto enquanto não encontra aquela única ovelha perdida. Tendo-a encontrado, esquece-se do cansaço e carrega-a aos ombros, cheio de alegria. Umas vezes terá de sair à sua procura, falar-lhe, convencê-la; outras deverá permanecer diante do Sacrário, «lutando» com o Senhor por aquela ovelha.

Tal é o coração que procura: é um coração que não privatiza os tempos e os espaços. Ai dos pastores que privatizam o seu ministério! Não é cioso da sua legítima tranquilidade – disse «legítima»; nem sequer desta –, e nunca pretende que não o perturbem. O pastor segundo o coração de Deus não defende as comodidades próprias, não se preocupa por tutelar o seu bom nome, mas será caluniado, como Jesus. Sem medo das críticas, está disposto a arriscar para imitar o seu Senhor. «Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem…» (Mt 5, 11).

O pastor segundo Jesus tem o coração livre para deixar as suas coisas, não vive fazendo a contabilidade do que tem e das horas de serviço: não é um contabilista do espírito, mas um bom Samaritano à procura dos necessitados. É um pastor, não um inspetor do rebanho; e dedica-se à missão, não a cinquenta ou sessenta por cento, mas com todo o seu ser. Indo à procura encontra, e encontra porque arrisca. Se o pastor não arrisca, não encontra. Não se detém com as deceções nem se arrende às fadigas; na realidade, é obstinado no bem, ungido pela obstinação divina de que ninguém se extravie. Por isso não só mantém as portas abertas, mas sai à procura de quem já não quer entrar pela porta. Como todo o bom cristão, e como exemplo para cada cristão, está sempre em saída de si mesmo. O epicentro do seu coração está fora dele: é um descentrado de si mesmo, porque centrado apenas em Jesus. Não é atraído pelo seu eu, mas pelo Tu de Deus e pelo “nós” dos homens.

Segunda palavra: incluir. Cristo ama e conhece as suas ovelhas, dá a vida por elas e nenhuma Lhe é desconhecida (cf. Jo 10, 11-14). O seu rebanho é a sua família e a sua vida. Não é um líder temido pelas ovelhas, mas o Pastor que caminha com elas e as chama pelo nome (cf. Jo 10, 3-4). E quer reunir as ovelhas que ainda não habitam com Ele (cf. Jo 10, 16).

Assim é também o sacerdote de Cristo: é ungido para o povo, não para escolher os seus próprios projetos, mas para estar perto do povo concreto que Deus, através da Igreja, lhe confiou. Ninguém fica excluído do seu coração, da sua oração e do seu sorriso. Com olhar amoroso e coração de pai acolhe, inclui e, quando tem que corrigir, é sempre para aproximar; não despreza ninguém, estando pronto a sujar as mãos por todos. O Bom Pastor não usa luvas... Ministro da comunhão que celebra e vive, não espera cumprimentos e elogios dos outros, mas é o primeiro a dar uma mão, rejeitando as murmurações, os juízos e os venenos. Com paciência, escuta os problemas e acompanha os passos das pessoas, concedendo o perdão divino com generosa compaixão. Não ralha a quem deixa ou perde a estrada, mas está sempre pronto a reintegrar e a compor as contendas. É um homem que sabe incluir.

Alegrar-se. Deus está «cheio de alegria» (Lc 15, 5): a sua alegria nasce do perdão, da vida que ressurge, do filho que respira novamente o ar de casa. A alegria de Jesus Bom Pastor não é uma alegria por Si, mas uma alegria pelos outros e com os outros, a alegria verdadeira do amor. Esta é também a alegria do sacerdote. É transformado pela misericórdia que dá gratuitamente. Na oração, descobre a consolação de Deus e experimenta que nada é mais forte do que o seu amor. Por isso permanece sereno interiormente, sentindo-se feliz por ser um canal de misericórdia, por aproximar o homem do Coração de Deus. Nele a tristeza não é normal, mas apenas passageira; a dureza é-lhe estranha, porque é pastor segundo o Coração manso de Deus.

Queridos sacerdotes, na Celebração Eucarística, reencontramos todos os dias esta nossa identidade de pastores. De cada vez podemos fazer verdadeiramente nossas as suas palavras: «Este é o meu corpo que será entregue por vós». É o sentido da nossa vida, são as palavras com que, de certa forma, podemos renovar diariamente as promessas da nossa Ordenação. Agradeço-vos pelo vosso «sim», e por tantos «sins» diários, escondidos, que só o Senhor conhece. Agradeço-vos pelo vosso «sim a doar a vida unidos a Jesus: aqui está a fonte pura da nossa alegria.


"Criar uma cultura da misericórdia", pede Papa aos sacerdotes

Cidade do Vaticano (RV) – No final da tarde desta quinta-feira (02/06/2016), o Papa Francisco reuniu-se com sacerdotes e seminaristas na Basílica São Paulo fora-dos-muros, para a terceira meditação dos Exercícios Espirituais, no âmbito do Jubileu dos Sacerdotes.

Na reflexão intitulada "O bom odor de Cristo e a luz de sua misericórdia", o Santo Padre refletiu sobre as obras de misericórdia na sua dimensão social, no amor pelos pobres, na postura do sacerdote no confessionário e exortou à criação de uma "cultura da misericórdia".

Francisco recordou, inicialmente, que “as obras de misericórdia estão muito ligadas aos ‘sentidos espirituais’”, que nos abrem para uma maior sensibilidade à vida, percebendo os necessitados existentes ao nosso redor.

Servindo os pobres – disse o Papa – “somos o bom odor de Cristo” e isto “é distintivo da Igreja; sempre o foi”.

‘O amor pelos pobres – afirmou o Santo Padre – é o sinal, a luz que faz com que as pessoas glorifiquem o Pai. E é isto que o povo aprecia no Padre: se cuida dos pobres, dos doentes, se perdoa os pecadores, ensina e corrige com paciência”:

Desapego das riquezas

“O nosso povo perdoa muitos defeitos nos padres, exceto o de serem agarrados ao dinheiro, o povo não perdoa. E não é tanto pela riqueza em si, mas porque o dinheiro nos faz perder a riqueza da misericórdia. O nosso povo pressente os pecados que são graves para o pastor, que matam o seu ministério porque o transformam num funcionário ou, pior, num mercenário, e, diversamente, os pecados que são, não diria secundários, mas possíveis de suportar, carregar como uma cruz, até que o Senhor finalmente os purifique, como fará com a cizânia. Ao contrário, o que atenta contra a misericórdia é uma contradição principal: atenta contra o dinamismo da salvação, contra Cristo que «Se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza»”.

Misericordioso, "o modo de ser"

Francisco exorta então a deixar-se “misericordiar” por Deus, “em todos os aspectos de nossa vida e a sermos misericordiosos com os outros em toda a nossa atividade”. Para nós – recordou – “a misericórdia é o modo de transformar toda a vida do povo de Deus em sacramento. Ser misericordioso não é apenas “um modo de ser”, mas “o modo de ser”, frisou.

Este olhar de misericórdia, que “vê o que falta para colocar imediatamente o remédio”, deve ser ensinado e cultivado “desde o Seminário e deve alimentar todos os planos pastorais”, defendeu o Pontífice.

Obras que não crescem

O Papa recorda que nas “nossas obras de misericórdia, sempre somos abençoados por Deus e encontramos ajuda e colaboração no nosso povo”. E se algum projeto, obra ou plano pastoral não funciona, não avança, é porque não é abençoado, lhe falta misericórdia:

“Falta aquela misericórdia que tem a ver mais com um hospital de campanha do que com uma clínica de luxo; aquela misericórdia que, apreciando algo de bom, prepara o terreno para um futuro encontro da pessoa com Deus, em vez de a afastar com uma crítica patente...”.

Encorajamento para o futuro

Sempre na linha da misericórdia, o Papa propôs uma oração “com a pecadora perdoada”, para pedir para “ser misericordiosos na Confissão”. “No seu diálogo com a adúltera – diz Francisco – o Senhor abre outros espaços: um é o espaço da não condenação: “Onde estão os que te condenavam?” e o outro é o “espaço livre”: “Doravante não peques mais”. “Esta – disse Francisco - é a delicadeza da misericórdia, que olha com piedade o passado e encoraja para o futuro”:

“Esta imagem do Senhor que põe as pessoas a caminhar é muito apropriada: Ele é o Deus que Se põe a caminho com o seu povo, que faz avançar e acompanha a nossa história. Por isso, o objeto que visa a misericórdia é muito concreto: tem em vista aquilo que impede um homem ou uma mulher de caminharem no seu lugar, com os seus queridos, ao seu ritmo, para a meta aonde Deus os convida. O que faz pena, o que comove é que uma pessoa se perca, ou que fique para trás, ou que erre por presunção. Que esteja – digamos – fora do seu lugar; que não esteja à disposição do Senhor, disponível para a tarefa que Ele quiser confiar-lhe; que uma pessoa não caminhe humildemente na presença do Senhor”.

Sacerdotes, sinal e instrumento de um encontro

Francisco passa então “ao confessionário”. Os sacerdotes, disse ele, são “sinal e instrumento” de um encontro. “Sinal, quer dizer que devemos atrair” e o instrumento “vale por sua eficácia, por estar ao alcance e incidir na realidade de forma concreta, adequada.

Somos instrumentos, se verdadeiramente as pessoas se encontrarem com Deus misericordioso; a nós cabe “fazer com que se encontrem”, que fiquem face a face. O que fizerem depois é lá com eles”.

Deve ficar claro em relação ao nosso ministério – reiterou Francisco –  que devemos “ser sinal e instrumento para que eles se encontrem. Fique claro que não somos o pai, nem o pastor, nem o samaritano.

Antes, como pecadores, estamos do lado dos outros três. O nosso ministério tem de ser sinal e instrumento daquele encontro. Por isso, estamos situados no âmbito do mistério do Espírito Santo, que é quem cria a Igreja, quem faz a unidade, quem reaviva de cada vez o encontro”.

Outras características próprias dum sinal e dum instrumento – precisou o Pontífice – são a sua “não-autorreferência” - pois “ninguém fica no sinal, logo que compreendeu a significação” – e a sua disponibilidade: “que o instrumento esteja pronto para ser usado”, que seja visível.

Mediadores

Mas a essência do sinal e do instrumento é “serem mediadores”: “Talvez esteja aqui a chave da nossa missão neste encontro da misericórdia de Deus com o homem”:

“Devemos aprender com os bons confessores, com aqueles que têm delicadeza com os pecadores bastando-lhes meia palavra para compreenderem tudo, como Jesus com a hemorroíssa, e naquele mesmo momento sai deles a força do perdão. A integridade da confissão não é uma questão de matemática. Às vezes, a vergonha fica-se a dever mais ao número do que ao nome do próprio pecado. Mas, para isso, é preciso deixar-se comover perante a situação das pessoas – às vezes, é uma mistura de coisas, de doença, de pecado e de condicionalismos impossíveis de superar – como Jesus que Se comovia ao ver as pessoas, sentia-o nas entranhas, nas vísceras e, por isso, curava; e curava mesmo que o outro «não lho pedisse» como aquele leproso, ou andasse às voltas como a Samaritana, que era como o pardal: piava num lado, mas tinha o ninho noutro”.

Devemos também – acrescentou o Papa – “aprender com os confessores capazes de fazer com que o penitente sinta vontade de emenda dando um pequeno passo em frente, como Jesus que dava uma penitência suficiente mas sabia apreciar quem voltava para agradecer, quem fazia mais”.

Olhar do "funcionário"

Ao concluir o reflexão sobre a Confissão, Francisco deu dois conselhos:

“O primeiro, nunca adotem o olhar do funcionário, de quem só vê «casos» e livra-se deles. A misericórdia livra-nos de ser um padre juiz-funcionário que, à força – digamos – de tanto julgar «casos», perde a sensibilidade pelas pessoas, pelos rostos. A regra de Jesus é «julgar como queremos ser julgados». Na medida íntima que uma pessoa emprega para julgar se a trataram com dignidade, se a ignoraram ou maltrataram, se a ajudaram a levantar-se..., está a chave para julgar os outros (tenhamos presente que o Senhor confia nesta medida, tão subjetivamente pessoal). E não tanto porque essa medida seja a «melhor», mas porque é sincera e, a partir dela, pode-se construir uma boa relação. O segundo conselho: Não sejais curiosos no confessionário”.

Ao chegar à “dimensão social das obras de misericórdia”, o Papa propôs aos sacerdotes a meditação de “alguns dos parágrafos finais dos Evangelhos”, pois lá “o próprio Senhor estabelece a conexão entre o que recebemos e o que devemos dar”.

Após citar algumas passagens bíblicas, Francisco afirmou que “as ações do Senhor, as suas obras não são meros fatos mas sinais em que se manifestam, de forma pessoal e única por cada um, o seu amor e a sua misericórdia.

Misericórdia é fecunda e inclusiva

Podemos contemplar o Senhor, que nos envia a fazer este trabalho, através da imagem de Jesus misericordioso, tal como foi revelada à Irmã Faustina. Naquela imagem, podemos ver a Misericórdia como uma única luz que vem da interioridade de Deus e que, ao passar pelo coração de Cristo, sai diversificada com uma cor própria para cada obra de misericórdia”.

“As obras de misericórdia são infinitas – disse o Papa - cada uma com o seu cunho pessoal, com a história de cada rosto. Não são apenas as sete corporais e as sete espirituais em geral”. “E a misericórdia – sublinhou – é fecunda e inclusiva”:

“É verdade que estamos habituados a pensar nas obras de misericórdia uma a uma e enquanto ligadas a uma obra: hospitais para os doentes, sopa dos pobres para os famintos, abrigos para os que vivem pela estrada, escolas para quem precisa de instrução, o confessionário e a direção espiritual para quem necessita de conselho e perdão… Mas, se as olharmos em conjunto, a mensagem que daí resulta é que a misericórdia tem por objeto a própria vida humana na sua totalidade. A nossa própria vida, enquanto «carne», é faminta e sedenta, carecida de vestuário, casa e visitas, bem como de um enterro digno, coisa que ninguém pode fazer para si mesmo. Mesmo o mais rico, ao morrer, fica reduzido a uma miséria e ninguém leva atrás do cortejo fúnebre o caminhão com a mercadoria da casa mudada. A nossa própria vida, enquanto «espírito», precisa de ser educada, corrigida e encorajada (consolada). Temos necessidade que outros nos aconselhem, perdoem, apoiem e rezem por nós”.

Cultura da misericórdia

"Também na família – observa o Papa – praticam-se estas obras de misericórdia de forma tão justa e desinteressada que nem se dá por ela, mas basta que, numa família com crianças pequenas, falte a mãe para que tudo fique na miséria. A miséria mais absoluta e cruel é a duma criança na rua, sem pais, à mercê dos abutres”.

Por fim Francisco exorta os sacerdotes a criarem uma cultura de misericórdia – que é bem diferente de uma cultura de beneficência - através do “agir”. E “como sacerdotes, peçamos duas graças ao Bom Pastor: a de nos deixarmos guiar pelo sensus fidei do nosso povo fiel e também pelo seu «sentido do pobre». Ambos os «sentidos» estão ligados com o seu «sensus Christi», com o amor e a fé que o nosso povo tem por Jesus”.

Por fim, o Papa deu algumas recomendações aos sacerdotes: não deixar de rezar, “mesmo que se adormente diante do Tabernáculo”; deixar-se olhar por Nossa Senhora e olhá-la como Mãe; não perder o zelo e a proximidade com as pessoas e não perder o senso de humor.


Papa: a misericórdia não é Photoshop, renova realmente o coração

 “O melhor confessor costuma ser o que melhor se confessa”: este foi o conceito inicial expresso pelo Pontífice na manhã desta quinta-feira (02/06/2016), em sua segunda meditação aos sacerdotes participantes do Jubileu dos Sacerdotes.

O encontro se realizou na Basílica de Santa Maria Maior, às 12h, horário de Roma. Antes de iniciar a sua meditação, o Papa se deteve em oração diante do ícone de Maria, "Salus Populi Romani", que habitualmente venera antes e depois de suas viagens apostólicas.

Estavam presentes muitos cardeais e colaboradores da Cúria Romana. A Basílica estava repleta também de sacerdotes e seminaristas.

O tema da reflexão de Francisco foi “O recipiente da misericórdia”, que é o nosso coração ferido e cicatrizado com a misericórdia e o perdão de Deus.

“Deus não Se cansa de perdoar, mesmo quando vê que a sua graça não consegue criar raízes fortes no terreno do nosso coração, que é caminho duro, agreste e pedregoso. Ele volta a semear a sua misericórdia e o seu perdão, renova assim o odre em que recebemos o seu perdão; o nosso coração se torna ‘misericordiado’ e misericordioso”, disse o Papa.

Grandes Santos, grandes pecadores

Prosseguindo, explicou que “no exercício da misericórdia que repara o mal alheio, não há ninguém melhor do que a pessoa que possui a sensação de ter sido ‘misericordiada’ do mesmo mal. E citou como exemplo aqueles que trabalham com viciados, que são as pessoas que melhor compreendem, ajudam e sabem exigir dos outros, porque já foram resgatadas.

Neste sentido, Francisco lembrou que quase todos os grandes Santos foram grandes pecadores, como Paulo, Pedro, João, Agostinho, Francisco, Inácio, o Santo Cura d'Ars, o Beato argentino Cura Brochero, e até Nossa Senhora, “o recipiente simples e perfeito através do qual se pode receber e distribuir a misericórdia”.

O Papa, que visitou o México em Fevereiro passado, revelou aos participantes do encontro que quando esteve diante da imagem da Virgem de Guadalupe, rezou e pediu a Ela pelos sacerdotes, para que sejam bons padres. Então lhes falou sobre os ‘modos’ de olhar de Nossa Senhora.

Acolhida, tecelagem, atenção

O primeiro é o olhar que acolhe, onde os homens, sempre órfãos e deserdados, buscam um abrigo, um lar. Um outro ‘modo de olhar de Maria’ tem a ver com a tecelagem: Ela olha ‘tecendo’, vendo como pode combinar para bem todas as coisas que o povo Lhe apresenta:

“A misericórdia faz a mesma coisa: não nos ‘pinta’ por fora uma cara de bons, não faz ‘Photoshop’, mas com os fios de nossas ‘misérias’ e pecados, entrelaçados com amor de Pai, tece-nos de tal maneira que a nossa alma se renova recuperando a sua verdadeira imagem: a de Jesus”. Consequentemente, exortou os sacerdotes:

“Sejam capazes de imitar esta liberdade de Deus; não se deixem levar pela vã pretensão de mudar o povo, como se o amor de Deus não tivesse força suficiente para o mudar”.

O terceiro modo de olhar é o da atenção: Maria se concentra e se envolve inteiramente com a pessoa que tem à sua frente, como uma mãe quando só tem olhos para o seu filho que lhe conta alguma coisa.

“Nestas situações, alertou Francisco, nunca falte a sua paternidade de bispos para com os seus sacerdotes. Encorajem a comunhão entre eles; façam com que possam aperfeiçoar os seus dons; insiram-nos nas grandes causas, porque o coração do apóstolo não foi feito para coisas pequenas”.

Finalmente, Maria olha de modo ‘integral’, unindo tudo: o nosso passado, presente e futuro. Não tem uma visão fragmentada, pois a misericórdia sabe ver a totalidade e intui aquilo que é mais necessário. 

Maria, sinal e sacramento da misericórdia de Deus

O Pontífice conclui rezando a Maria, Mãe da Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa: “Seus olhos misericordiosos são aqueles que consideramos o melhor recipiente da misericórdia, nos fazem ver as obras da misericórdia de Deus na história dos homens e descobrir Jesus em seus rostos”.

As meditações estão sendo transmitidas ao vivo pela Rádio Vaticano, com comentários em português.

Na sexta-feira, o Papa Francisco preside à Santa Missa na Solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, com transmissão ao vivo da Rádio Vaticano.


Papa: receptáculo da misericórdia é o nosso próprio pecado

Está a decorrer em Roma o Jubileu dos Sacerdotes neste Ano Santo da Misericórdia que terá o seu momento maior amanhã dia 3 de junho com a celebração eucarística na Praça de S. Pedro presidida pelo Papa Francisco por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

Nesta quinta-feira, 2 de junho de 2016, os sacerdotes estão em ritmo de retiro com uma pregação do Santo Padre nas três basílicas papais: às 10h na Basílica de S. João de Latrão, às 12h na Basílica de Santa Maria Maior e às 16h na Basílica de S. Paulo Fora de Muros.

O tema da misericórdia foi o ponto central da primeira meditação do Papa aos sacerdotes na Basílica de S. João de Latrão com o tema genérico: “Do Distanciamento à Festa”.

Francisco afirmou que a misericórdia de Deus faz passar imediatamente da distância à festa, da vergonha pelas próprias misérias à dignidade a que nos eleva o perdão de Deus, como faz o pai da parábola com o filho pródigo. A partir desta página do Evangelho o Santo Padre explicou as dinâmicas mais profundas da misericórdia.

A misericórdia de Deus é um tal perdão que “podemos passar sem preâmbulos da distância à festa, como na parábola do filho pródigo e aceitar como recetáculo da misericórdia o nosso próprio pecado” – afirmou o Papa.

Na pregação de Francisco destaque para um novo verbo: “misericordiar”, ou seja, usar de misericórdia para receber misericórdia, para ser “misericordiado”. O importante – sublinhou o Papa com intensidade – é fazer como o filho pródigo:

“Devemos situar-nos aqui no espaço onde convivem a nossa miséria mais vergonhosa e a nossa maior dignidade. Sujos, mesquinhos e vaidosos (o pecado dos padres é a vaidade) e, ao mesmo tempo, chamados e eleitos, abençoados pela nossa gente, amados e curados.”

Nesta primeira meditação do Santo Padre importante referência para a liberdade pois “a misericórdia faz-nos experimentar a nossa liberdade” e, nisto, podemos experimentar “a liberdade de Deus”, que “usa de misericórdia com quem for misericordioso” – declarou o Papa Francisco.


Missa em Santa Marta - Mulheres corajosas

Reconhecem-se dois «comportamentos» como «sinais» inequívocos do ser cristão: o «serviço na alegria» e o «ir ao encontro dos outros». Na missa celebrada no dia 31 de maio de 2016 em Santa Marta, o Papa Francisco dispensou conselhos para os cristãos que «acreditam que o são» mas na realidade «não o são plenamente». E exortou a seguir o exemplo de «mulheres corajosas» como Maria, capazes de enfrentar dificuldades e obstáculos para servir os outros.

Face à liturgia hodierna «repleta de alegria que enche o nosso coração» o Pontífice retomou alguns trechos da primeira leitura tirada do profeta Sofonias (3, 14-18): «Solta gritos de alegria! Solta gritos de júbilo! Alegra-te e rejubila de todo o teu coração! O Senhor está no meio de ti; não conhecerás mais a desgraça»; e ainda: «O teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito». Isto é, explicou, «é Deus que rejubila connosco». Um excerto que exprime «uma alegria grande, uma alegria que enche o nosso coração e a nossa vida». Depois Francisco falou sobre o Evangelho de Lucas (1, 39-56): «no encontro de Maria com a sua prima» – observou – respira-se a «mesma atmosfera de alegria: “ A minha alma glorifica ao Senhor, o meu espírito exulta de alegria em Deus”». Até Jesus se regozija e sobressalta no ventre da mãe: «ali tudo é alegria, tudo».

«Este – comentou o Papa – é o ar puro que hoje nos traz a liturgia: a mensagem de alegria». E prosseguiu: que «horror» são «os cristãos amuados, os cristãos tristes», uma situação «muito feia». Com efeito, «pensam» que são cristãos «mas não o são plenamente».

Nesta atmosfera de alegria «que a liturgia nos oferece hoje como um dom», o Pontífice quis evidenciar dois aspetos: «uma atitude» e «um facto».

A atitude que se deve relevar no trecho evangélico é o «serviço». De facto, Maria «vai servir». Francisco frisou «os dois verbos que introduzem esta história no Evangelho de Lucas» isto é: «Maria levantou-se», ou seja decidiu: «faço algo» e portanto, «foi às pressas». O que «admira», disse o Pontífice, é precisamente «esta jovem de 16, 17 anos, não mais, que vai apressadamente por este caminho, no qual certamente havia salteadores, mas era corajosa. Levanta-se e vai». Maria não procura desculpas como: «Não, estou grávida», ou: «Sou a rainha do mundo, porque o rei nascerá de mim». Ela simplesmente «levanta-se e vai», mostrando toda a sua «coragem de mulher».

A tal propósito o Papa abriu uma parênteses recordando «as mulheres corajosas que há na Igreja» e que «são como Nossa Senhora»: mulheres que «levam em frente a família» e «a educação dos filhos», capazes de enfrentar «muitas adversidades, muito sofrimento», mulheres que «cuidam dos doentes... Corajosas: levantam-se e servem, servem». Nelas reconhece-se o «sinal cristão» do serviço. E, recordando que «quem não vive para servir, não serve para viver», Francisco evidenciou a importância da atitude do «serviço na alegria». Uma alegria que, contudo, requer também «mortificação», isto é não escolher fazer só o que agrada. Maria, por exemplo, «levantou-se e foi às pressas rumo à região montanhosa, a uma cidade judaica», foi «longe», e «certamente sozinha. Era corajosa».

Depois o Evangelho propõe também um «facto», isto é «o encontro» entre Maria e Isabel. Estas duas mulheres – disse o Pontífice – encontram-se mas encontram-se com alegria, como quando se encontram as mulheres que se querem bem: abraçam-se, beijam-se...». Resumindo, um encontro caracterizado pela «festa». Portanto «o encontro é outro sinal cristão». Com efeito, explicou o Papa, «uma pessoa que diz que é cristã mas não é capaz de ir ao encontro dos outros, de encontrar os outros, não é totalmente cristã». E acrescentou: «tanto o serviço como o encontro exigem que saiamos de nós mesmos: sair para servir e encontrar, para abraçar outra pessoa».

Precisamente com este tipo de serviço e de encontro, em Maria – que uma semana antes «trabalhava, sem saber que a sua prima estava grávida» e depois à «grande alegria da maternidade» acrescenta «a alegria de servir e do encontro» – «renova-se a promessa do Senhor» e realiza-se «naquele presente».

Francisco comentou a propósito: «Se aprendêssemos isto – servir e encontrar os outros, não rejeitar os encontros – se aprendêssemos isto, como mudaria o mundo». E concluiu, afirmando: «Só duas coisas, servir e encontrar-se, e experimentaremos a alegria, esta alegria grande da presença de Deus no meio de nós».

Assim se expressou o Papa Francisco nestes 8 dias em seu twitter:

06/06/2016
Temos que descobrir as riquezas de cada um: que as comunidades transmitam os próprios valores e acolham as experiências dos outros.
05/06/2016
Os Santos não são super-heróis nem nasceram perfeitos. Quando conheceram o amor de Deus, o seguiram, a serviço dos outros.
04/06/2016
Escutemos o grito das vítimas e daqueles que sofrem: nenhuma família sem casa, nenhuma criança sem infância.
03/06/2016
A nossa vida sacerdotal se doa no serviço, na proximidade ao Povo fiel de Deus, com a alegria de quem escuta o Senhor.
02/06/2016
Rezemos juntos pelo Jubileu dos Sacerdotes de 1º a 3 de junho. Visitem https://t.co/JlPoMG5nYe
01/06/2016
Quando é transparente no coração e sensível na vida, o discípulo de Cristo leva a luz do Senhor aos lugares onde vive e trabalha.
31/05/2016
No final do mês de maio, uno-me espiritualmente às numerosas expressões de devoção a Maria Santíssima.
30/05/2016
Somos guardiões, não senhores desta terra e é responsabilidade de cada um preservar a criação, precioso dom de Deus.


Crianças do mundo unam-se às da Síria em oração pela Paz - Papa no Angelus


No final da Missa, nas palavras proferidas antes da oração do Angelus em 29.maio.2016, o Papa Francisco saudou de forma especial os “Caros Diáconos, vindos da Itália e de diversos Países”, agradecendo-lhe pela “sua presença hoje, mas sobretudo na Igreja”.

Depois, saudou os peregrinos, mencionando de modo particular a Associação europeia dos “Schutzen”, organismo nascido há cerca de um século e meio na Alemanha e que anima a vida católica nas aldeias.

O Papa citou também os participantes no “Caminho do Perdão” promovido pelo Movimento Celestiano; a Associação nacional italiana para a “Tutela das Energias Renováveis” empenhada em acções de educação à preservação do Ambiente.

Recordou ainda que hoje se celebra o Dia Nacional italiano do Alívio, que tem por objectivo ajudar as pessoas a viver bem a fase final da existência terrena; assim como a tradicional peregrinação que se realiza neste domingo na Polónia, junto do Santuário mariano de Piekary e pediu à Mãe da Misericórdia para que apoie as famílias e os jovens em direcção à Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia.

E no aproximar-se do Dia Internacional da Criança, Francisco disse:

“Quarta-feira próxima, 1 de Junho, por ocasião da Jornada Internacional da Criança, as comunidades cristãs da Síria, tanto católicas como ortodoxas, viverão juntas uma oração especial para a paz, que terá como protagonistas a própria criança. As crianças sírias convidam as crianças do mundo inteiro a unirem-se com elas em oração pela paz”.

E o Papa concluiu invocando por estas intenções todas a intercepção de Nossa Senhora, confiando-lhe ao mesmo tempo a vida e o ministério dos Diáconos do mundo.
Radio Vaticano

Servir é assumir o estilo de Deus - Papa aos Diáconos

A esplanada da Basílica de São Pedro pintou-se de branco na manhã deste domingo, 29.maio.2016 com as vestimentas dos diáconos e sobre as quais sobressaía o emblema deste Ano Jubilar da Misericórdia. Vieram numerosos, de várias partes do mundo, acompanhados por familiares, para os três dias de Jubileu a eles dedicados e que se concluíram com Missa presidida na Praça de São Pedro pelo Santo Padre.

Na sua homilia Francisco recordou-lhes o espírito de serviço que deve animar o seu ser diáconos, indicou os passos principais nesta caminhada, encorajou na oração e sugeriu alguns modelos a seguir: antes de mais Cristo que “se fez diácono de todos”, que se fez “nosso servo”. Assim também “são chamados a fazer os seus anunciadores”. Aliás, apóstolo e servidor são dois termos que não podem ser separados, disse o Papa, citando a carta de São Paulo aos Gálatas. “Quem anuncia Jesus é chamado a servir e quem serve anuncia Jesus” . Há, portanto, que imitar Cristo.

“Por outras palavras, se evangelizar é a missão confiada a cada cristão pelo Baptismo, servir é o estilo com o qual viver essa missão, o único modo de ser discípulos de Jesus. É seu testemunho quem faz como Ele: quem serve os irmãos e as irmãs, sem se cansar de Cristo humilde, sem se cansar da vida cristã que é vida de serviço”.

Por onde começar, então, para se tornar “servos bons e fiéis” ? – perguntou-se o Papa, logo respondendo que, antes de mais, é preciso disponibilidade, quer dizer não permanecer agarrado ao próprio tempo, não ser escravo de uma agenda pré-definida, mas doar a vida, ser dócil de coração, estar sempre pronto para o irmão e aberto ao imprevisto, que nunca falta, e é muitas vezes a surpresa quotidiana de Deus. Saber abrir as portas mesmo a quem chega fora de horário, pois o servidor é aberto às surpresas quotidianas de Deus, disse o Papa sublinhando que se sente amargurado quando vê que uma paróquia está aberta da hora tal á hora tal e que para além desse horário não há padres, diácono, ou leigo para receber as pessoas… Isto faz doer o coração – disse, encorajando os diáconos a transgredirem os horários, mesmo quando isso interfere com o merecido repouso:

“Assim, caros diáconos, vivendo na disponibilidade, o vosso serviço será privo de interesses pessoais e a evangelização será fecunda” .

O Papa recordou depois que o evangelho deste domingo fala de serviço indicando dois exemplos de humildade a seguir: o servo do centurião e o próprio centurião que disse não se sentiu digno que Jesus se deslocasse à sua casa. Palavras que tocaram Jesus, pela sua mansidão, discrição, pequenez, tal “como é o estilo de Deus” que “é manso e humilde de coração” – insistiu Bergoglio,  dizendo que a mansidão é uma das virtudes do diácono, diácono que a seu ver não deve imitar o Padre, mas ser humilde, manso. E recordou que Deus que é amor, por amor chega mesmo a servir-nos:  é paciente connosco, benévolo, sempre pronto e bem disposto, sofre pelos nossos erros e procura a via para nos ajudar a melhorar.

“Estas são as características benignas e humildes do serviço cristão que é imitar Deus servindo os outros: acolhendo-os com amor paciente, compreendendo-os sem se cansar, fazendo-lhes sentir-se acolhidos, em casa, na comunidade eclesial, onde não é grande quem manda, mas quem serve. E nunca repreender, nunca! Assim, caros diáconos, na benignidade, amadurecerá a vossa vocação de ministros da caridade”. 

Para além do apóstolo Paulo e do centurião, o Papa falou ainda dum terceiro servo que as leituras de hoje nos apresentam: aquele que é curado por Jesus. Mais que a doença física, Francisco orientou a reflexão para a saúde do coração, necessária para “ser hábeis servidores” – disse . “Um coração sanado por Deus, que se sinta perdoado e não seja fechado, nem duro”.

E Francisco recomendou e encorajou aos diáconos a pedirem isso a Jesus todos os dias na oração, uma oração, confiante, na qual apresentar as fadigas, os imprevistos, os cansaços  e as esperanças: “uma oração verdadeira, que leve a vida ao Senhor e o Senhor à vida”  - frisou, rematando:

“Assim, disponíveis na vida, benignos no coração e em constante diálogo com Jesus, não tereis medo de ser servidores de Cristo, de encontrar e acariciar a carne do Senhor nos pobres de hoje”.
Radio Vaticano


Ministro da saúde fala de 11 mil mortes causadas por aborto no Brasil, a cada ano, enquanto dados do SUS falam de 66

Em artigo publicado no jornal Gazeta do Povo a Dra. Lenise Garcia contestou os números do aborto divulgados pelo ministro da saúde, Ricardo Barros.”Em entrevista concedida ao assumir a pasta – escreveu a Dra. Lenise – Ricardo Barros afirmou: ‘recebi a informação de que é feito 1,5 milhão de abortos por ano. Desse total, 250 mil mulheres ficam com alguma sequela e 11 mil vão a óbito’. Ignoro a fonte da “informação” dada ao ministro, mas sugiro que deixe de utilizá-la. Vamos à fonte oficial do próprio ministério, disponível em http://datasus.saude.gov.br”.
A presidente do Movimento Brasil, analisando o número de óbitos maternos, “que é o mais confiável, dado que oriundo de atestados de óbito obrigatórios”, destaca que os “últimos dados disponíveis são os de 2013 (consolidados) e 2014 (preliminares) encontrados no site indicado, fazendo-se o percurso Acesso à Informação => TABNET => Estatísticas Vitais”.
Portanto, “Em 2013 morreram no Brasil 523.195 mulheres, sendo 66.790 em idade fértil. Os óbitos maternos (mulheres que morrem em decorrência da gravidez, parto e puerpério) correspondem a 1.686.”. Sendo assim, denunciou a Dr. Lenise, o número que o ministro da saúde apresentou como mortes decorrentes de aborto é 6,5 vezes maior que o de todas as mortes maternas.

A Dr. Lenise, observou também em seu artigo que “o aborto está longe de ser a principal causa de morte materna. Tem-se mantido, nos últimos anos, entre a quarta e a quinta causa. A principal é pressão alta, geralmente não controlada pela falta de um bom pré-natal”. Nesse sentido, afirmou a doutora que “Em 2013, as mortes maternas em função de aborto provocado foram no máximo 66, incluindo-se aí os não especificados. O número é mais de 150 vezes menor do que aquele que lhe foi apresentado”.

“Em 2014, dados ainda preliminares, tivemos 1.651 mortes maternas, das quais 40 podem ser atribuídas a aborto provocado. Senhor ministro, para diminuirmos as mortes maternas no Brasil – um dos objetivos do milênio – não precisamos legalizar o aborto, e sim estabelecer um bom atendimento às grávidas, que evite que elas continuem a morrer por pressão alta e problemas cardíacos”, conclui a Dra. Lenise.
zenit.org


Leia o que Santo Padre escreveu em seu twitter nestes dois dias:

29/05/2016
Recebendo a Eucaristia, nós alimentamo-nos com o Corpo e Sangue de Jesus; e no entanto, entrando em nós, é Jesus que nos une ao seu Corpo!
28/05/2016
Permanecer firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho!

Francisco convida os orionitas a sair para levar a todos a misericórdia de Deus - Os sacerdotes que correm

O convite a «sair para levar a misericórdia de Deus a todos» foi dirigido pelo Pontífice aos participantes no capítulo geral da Pequena obra da divina providência, recebidos em audiência na manhã de 27 de maio de 2016, na Sala Clementina. Como garantiu o padre Tarcisio Gregório Vieira, novo superior-geral, saudando o Pontífice no início da audiência, a grande família dos orionitas está comprometida a promover «o caminho de conversão da congregação em fidelidade ao carisma de fundação e ao caminho indicado à Igreja de hoje» por Francisco.
L'Osservatore Romano




Papa: Eucaristia, centro e forma da vida da Igreja


Cidade do Vaticano, 26.maio.2016 (RV) – O primeiro dos três momentos presididos pelo Papa na Solenidade de Corpus Christi foi a Santa Missa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão.

Na breve homilia, Francisco recordou a instituição da Eucaristia, o “partir” do pão que se tornou o sinal mais evidente da comunidade cristã, além da força do “amor do Senhor ressuscitado” que vem da Eucaristia.

Abaixo, a íntegra da homilia do Papa:

“Fazei isto em memória de Mim” (1 Cor 11, 24.25). Esta ordem de Jesus é citada duas vezes pelo apóstolo Paulo, quando narra à comunidade de Corinto a instituição da Eucaristia.

É o testemunho mais antigo que temos das palavras de Cristo na Última Ceia.

“Fazei isto” ou seja, tomai o pão, dai graças e parti-o; tomai o cálice, dai graças e distribuí-o.

Jesus ordena que se repita o gesto com que instituiu o memorial da sua Páscoa, pelo qual nos deu o seu Corpo e o seu Sangue.

E este gesto chegou até nós: é o “fazer” a Eucaristia, que tem sempre Jesus como sujeito, mas atua-se por meio das nossas pobres mãos ungidas de Espírito Santo.

“Fazei isto”. Já antes Jesus pedira aos seus discípulos para “fazerem” algo que Ele, em obediência à vontade do Pai, tinha já decidido no seu íntimo realizar; acabamos de ouvir isso no Evangelho.

À vista das multidões cansadas e famintas, Jesus diz aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9, 13). Na realidade, é Jesus que abençoa e parte os pães até saciar toda aquela multidão, mas os cinco pães e os dois peixes são oferecidos pelos discípulos, e era isto o que Jesus queria: que eles, em vez de mandar embora a multidão, colocassem à disposição o pouco que tinham.

E, depois, há outro gesto: os pedaços de pão, partidos pelas mãos santas e veneráveis do Senhor, passam para as pobres mãos dos discípulos, que os distribuem às pessoas.

Também isto é “fazer” com Jesus, é “dar de comer” juntamente com Ele. Evidentemente, este milagre não pretende apenas saciar a fome de um dia, mas é sinal daquilo que Cristo pretende realizar pela salvação de toda a humanidade, dando a sua carne e o seu sangue (cf. Jo 6, 48-58).

E, no entanto, é preciso viver sempre estes dois pequenos gestos: oferecer os poucos pães e peixes que temos; receber o pão partido das mãos de Jesus e distribuí-lo a todos.

“Partir”: esta é a outra palavra que explica o significado da frase “fazei isto em memória de Mim”.

O próprio Jesus Se repartiu, e reparte, por nós. E pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros. Foi precisamente este “partir o pão” que se tornou ícone, sinal de reconhecimento de Cristo e dos cristãos.

Lembremo-nos de Emaús: reconheceram-No “ao partir o pão” (Lc 24, 35). Recordemos a primeira comunidade de Jerusalém: “Eram assíduos (…) à fração do pão” (At 2, 42).

É a Eucaristia que se torna, desde o início, o centro e a forma da vida da Igreja. Mas pensemos também em todos os santos e santas – famosos ou anônimos – que se “repartiram” a si mesmos, a própria vida, para “dar de comer” aos irmãos.

Quantas mães, quantos pais, juntamente com o pão quotidiano cortado sobre a mesa de casa, repartiram o seu coração para fazer crescer os filhos, e fazê-los crescer bem!

Quantos cristãos, como cidadãos responsáveis, repartiram a própria vida para defender a dignidade de todos, especialmente dos mais pobres, marginalizados e discriminados!

Onde eles encontram a força para fazer tudo isto? Precisamente na Eucaristia: na força do amor do Senhor ressuscitado, que também hoje parte o pão para nós e repete: “Fazei isto em memória de Mim”.

Possa o gesto da Procissão Eucarística, que em breve realizaremos, ser também resposta a esta ordem de Jesus. Um gesto para fazer memória d’Ele; um gesto para dar de comer à multidão de hoje; um gesto para repartir a nossa fé e a nossa vida como sinal do amor de Cristo por esta cidade e pelo mundo inteiro.


Diariamente, o Papa Francisco vem nos enriquecendo com suas mensagens no Twitter:


27/05/2016
Maria torna-Se ícone de como a Igreja deve estender o perdão de Deus a todos os que o imploram.
26/05/2016
Jesus entrega-se a nós na Eucaristia, faz-se alimento, o alimento espiritual que sustém a nossa vida.
25/05/2016
Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos
24/05/2016
Deus pode preencher com o seu amor os nossos corações, e permitir que caminhemos juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.


Papa: Jesus nos dá a verdadeira alegria, não a riqueza

Cidade do Vaticano (RV) - “O cristão vive na alegria e no estupor graças à ressurreição de Jesus Cristo”, disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta segunda-feira, (23/05/2016), na Casa Santa Marta.

Comentando a Primeira Carta de São Pedro Apóstolo, o Pontífice sublinhou que não obstante as provações, nunca nos será tirada a alegria “daquilo que Deus fez em nós. Regenerou-nos em Cristo e nos deu a esperança”.

A carteira de identidade do cristão é a alegria do Evangelho

“Podemos caminhar rumo àquela esperança que os primeiros cristãos representavam como uma âncora no céu. Aquela esperança que nos dá alegria”, disse Francisco, que acrescentou:

“O cristão é um homem e uma mulher da alegria, um homem e uma mulher com a alegria no coração. Não existe cristão sem alegria! Mas, Padre, eu já vi tanta coisa! Não são cristãos! Dizem que são, mas não são! Falta-lhes alguma coisa. A carteira de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido escolhido por Jesus, salvo por Ele, regenerado por Jesus. A alegria daquela esperança que Jesus espera de nós, a alegria que, nas cruzes e nos sofrimentos desta vida, se expressa de outra maneira que é a paz, na certeza de que Jesus nos acompanha. Está conosco”.

“O cristão faz esta alegria crescer com a confiança em Deus. Deus se lembra sempre de sua aliança. O cristão sabe que Deus se lembra dele, que Deus o ama, que Deus o acompanha, que Deus o espera. Esta é a alegria”, disse ainda o Papa.

É um mal servir a riqueza, no final faz-nos tristes

Francisco, assim, dirigiu sua atenção para a passagem do Evangelho de hoje que narra o encontro de Jesus com o jovem rico. Um homem, disse, que “não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza”, “porque possuía muitos bens”:

“Era apegado aos bens! Jesus nos disse que não se pode servir a dois senhores: ou serve a Deus ou serve as riquezas. As riquezas não são ruins em si mesmas: mas servir a riqueza, esse é o mal. O pobre homem foi embora triste... “Ele franziu a testa e retirou-se triste”. Quando em nossas paróquias, nas nossas comunidades, em nossas instituições, encontramos pessoas que se dizem cristãs e querem ser cristãs, mas são tristes, algo está errado. E nós devemos ajudá-las a encontrar Jesus, a tirar essa tristeza, para que possa se alegrar com o Evangelho, possa ter essa alegria que é própria do Evangelho”.

Ele se concentrou sobre a “alegria e o estupor”. “O estupor bom – disse o Papa – diante da revelação, diante do amor de Deus, diante das emoções do Espírito Santo”.

O cristão “é um homem, uma mulher de estupor”. Uma palavra, destacou, que volta hoje no final, “quando Jesus explica aos Apóstolos que aquele jovem tão bom não conseguiu segui-lo, porque ficou preso às riquezas”.

Quem pode ser salvo, se perguntam então os Apóstolos? A eles, o Senhor responde: “Impossível aos homens”, mas “não a Deus!”.

Não buscar a felicidade em coisas que, no final, nos entristecem

A alegria cristã, portanto, “o estupor da alegria, de ser salvos de viver presos às coisas, à mundanidade – as muitas mundanidades que nos afastam de Jesus – isso pode ser superado somente com a força de Deus, com a força do Espírito Santo”:

“Peçamos hoje ao Senhor que nos dê o estupor diante Dele, diante das muitas riquezas espirituais que nos deu; e com este estupor nos dê a alegria, a alegria da nossa vida e de viver com paz no coração as inúmeras dificuldades; e nos proteja da busca da felicidade em muitas coisas que, no final, nos entristecem: prometem muito, mas não nos darão nada! Lembrem-se bem: um cristão é um homem e uma mulher de alegria, de alegria no Senhor; um homem e uma mulher de estupor”.



Francisco: “Ouvir o pranto das vítimas e mudar estilo de vida”

Istambul, 23.maio.2016 (RV) – “A nenhum refugiado seja negado acolhimento”, é o conceito expresso pelo Papa Francisco e lido pelo Secretário de Estado, Card. Piero Parolin, aos participantes da Conferência Humanitária Mundial promovida pelas Nações Unidas, em andamento em Istambul.

Futuro assegurado para todos

“Não deve haver famílias sem casa, refugiados sem acolhimento, feridos sem curas, nenhuma criança tenha sua infância subtraída; nenhum homem e nenhuma mulher devem ser privados do futuro, não pode haver idosos sem uma velhice digna”.

Enaltecida a obra dos operadores humanitários

“Que este evento seja também a ocasião para reconhecer o trabalho daqueles que servem os seus próximos e contribuem para consolar os sofrimentos das vítimas de guerras e calamidades, dos refugiados deslocados e daqueles que assistem a sociedade, especialmente com escolhas corajosas em favor da paz, do respeito, da cura e do perdão. É desta maneira que vidas humanas são salvas”.

“Ninguém ama um conceito, ninguém ama uma ideia - escreve ainda o Papa - nós amamos as pessoas. O sacrifício de si, a verdadeira doação, brota do amor para com os homens e mulheres, crianças e idosos, povos e comunidades ... rostos, aqueles rostos e nomes que enchem nossos corações”.

Ouvir o pranto das vítimas e mudar estilo de vida

Em sua mensagem, o Pontífice lança um desafio à Conferência: “Ouçamos o pranto das vítimas e daqueles que sofrem. Deixemos que nos deem uma aula de humanidade. Mudemos o nosso estilo de vida, a política, as decisões econômicas, os comportamentos e atitudes de superioridade cultural”, acrescenta o Papa.

“Aprendendo das vítimas e daqueles que sofrem, seremos capazes de construir um mundo mais humano”, conclui Francisco, assegurando a todos as suas orações e bênçãos de sabedoria, força e paz.


Papa no Angelus: Deus é família aberta, não devemos nos fechar

Cidade do Vaticano, 22.maio.2016 (RV) – A dimensão trinitária nos “ensina que Deus é uma ‘família’ de três pessoas que se amam tanto de modo a formar uma só coisa. Esta ‘família divina’ não é fechada em si mesma, mas é aberta, comunica-se na criação e na história e entrou no mundo dos homens para chamar todos a fazerem parte”.

Foi o que disse o Papa Francisco neste domingo, antes do Angelus, aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na sua reflexão, o Santo Padre falou do mistério trinitário, mistério da fé cristã, na Solenidade da Santíssima Trindade.

Imagem e semelhança de Deus

Um “horizonte” de comunhão – continuou o Papa – “que envolve todos e nos estimula a viver no amor e na partilha fraterna, certos de que onde há amor, há Deus”:

“O nosso ser, criados à imagem e semelhança de Deus-comunhão nos chama a compreender nós mesmos como seres-em-relação e a viver as relações interpessoais na solidariedade e no amor recíproco. Tais relações são reproduzidas, em primeiro lugar, no âmbito de nossas comunidades eclesiais, para que seja sempre mais clara a imagem da Igreja ícone da Trindade”.
 
Solenidade da Santíssima Trindade

Mas se reproduzem também – continuou o Papa – “em todas as relações sociais, da família até as amizades no ambiente de trabalho: são oportunidades concretas que são oferecidas para construir relações sempre mais humanamente ricas, capazes de respeito mútuo e amor altruísta”.

“A festa da Santíssima Trindade nos convida a nos comprometermos nos eventos diários para sermos fermento de comunhão, de consolação e de misericórdia. Nesta missão, somos sustentados pelo poder que o Espírito Santo nos dá: ele cuida da carne da humanidade ferida pela injustiça, pela opressão, pelo ódio e pela ganância”.

O Papa Francisco concluiu recordando a Virgem Maria, que “na sua humildade, aceitou a vontade do Pai e concebeu o Filho por obra do Espírito Santo. Que ela nos ajude, espelho da Trindade, a fortalecer a nossa fé no Mistério trinitário e encarná-la com escolhas e atitudes de amor e unidade”.


Francisco explica como Jesus supera as ciladas dos ‘teólogos iluminados’

Refletindo sobre o Evangelho de hoje, 20.maio.2016 o Papa Francisco definiu a cilada que os fariseus prepararam contra Jesus como ‘a cilada da casuística’, montada por um ‘pequeno grupo de teólogos iluminados’ convencidos de possuir toda a ciência e a sabedoria do povo de Deus. Um risco do qual Jesus escapa indo ‘além’, indo até ‘a plenitude do matrimônio’.

Nesse sentido o Papa recorda que Jesus já havia feito isso no passado, com os saduceus, em relação à mulher que tinha tido sete maridos, mas que na ressurreição não será esposa de nenhum, porque no céu não se tem ‘mulher nem marido’.

Naquele caso Cristo, observou o Papa, se referiu à ‘plenitude escatológica’ do matrimônio. Com os fariseus, ao contrário, ‘vai à plenitude da harmonia da criação’. ‘Deus os criou homem e mulher, os dois serão uma só carne’.

“Não são mais dois, mas uma só carne. Assim, ‘o homem não divida o que Deus uniu. Seja no caso do levirato, seja neste, Jesus responde da verdade esmagadora, da verdade contundente – esta é a verdade! – da plenitude sempre! E Jesus nunca negocia a verdade. E estes, este pequeno grupo de teólogos iluminados, negociavam sempre a verdade, reduzindo-a à casuística. Jesus não negocia a verdade e esta é a verdade sobre o matrimônio, não existe outra”.

“Mas Jesus – prossegue Francisco – é tão misericordioso, tão grande, que jamais, jamais, fecha a porta aos pecadores. Por isso, não se limita a expressar a verdade de Deus, mas pergunta também aos fariseus o que Moisés estabeleceu na lei. E quando os fariseus lhe repetem que contra o adultério é lícito escrever ‘um ato de repúdio’, Cristo replica que aquela norma foi escrita ‘para a dureza do seu coração’. Quer dizer, explicou o Papa, Jesus distingue sempre entre a verdade e a fraqueza humana, sem rodeios”.

“Neste mundo em que vivemos, com esta cultura do provisório, a realidade do pecado é muito forte, mas Jesus, recordando Moisés, nos diz: ‘Se há dureza do coração, se há pecado, algo se pode fazer: o perdão, a compreensão, o acompanhamento, a integração, o discernimento destes casos… Mas a verdade não se pode vender nunca! E Jesus é capaz de dizer esta verdade tão grande e, ao mesmo tempo, ser tão compreensivo com os pecadores, com os fracos”.

Assim, sublinhou Francisco, estas são as duas coisas que Jesus nos ensina: a verdade e a compreensão, o que os ‘teólogos iluminados’ não conseguem fazer porque estão fechados na cilada da ‘equação matemática ‘pode?’ ou ‘não pode?’ e, portanto, são incapazes de horizontes maiores e de amar a fraqueza humana.

É «curioso» observar que Jesus «falando da verdade diz palavras claras: mas com quanta delicadeza trata os adúlteros». E assim «àquela mulher, que levaram diante dele para ser lapidada, com quanta delicadeza» diz: «Mulher, ninguém te condenou, também eu não te condeno, vai em paz e não voltes a pecar!». E «com quanta delicadeza Jesus trata a samaritana, que tinha uma grande história de adultérios», dizendo-lhe: «chama o teu marido» e deixando que ela diga: «eu não tenho marido».

Em conclusão, Francisco desejou «que Jesus nos ensine a ter com o coração uma grande adesão à verdade e também com o coração uma profunda compreensão e acompanhamento de todos os nossos irmãos que se encontram em dificuldade». E «isto é um dom: o Espírito Santo é que o ensina e não estes doutores iluminados que para nos ensinar precisam reduzir a plenitude de Deus a uma equação da casuística».
zenit.org


Confira as últimas mensagens do Papa Francisco em seu Twitter:

23/05/2016
Num mundo dividido, comunicar com misericórdia significa contribuir para a proximidade entre os filhos de Deus.

22/05/2016
A festa da Santíssima Trindade renova-nos a missão de viver a comunhão com Deus e entre nós segundo o modelo da Comunhão divina.
21/05/2016
Cada um de vocês pode ser uma ponte entre culturas e religiões diversas, um caminho para redescobrir a nossa comum humanidade.
20/05/2016
O firme compromisso pelos direitos humanos nasce da consciência do valor único e irrepetível de cada pessoa.


Francisco: explorar as pessoas é um pecado mortal

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa iniciou a quinta-feira, (19/05/2016), celebrando a Missa na capela de sua residência, a Casa Santa Marta.

Na homilia, Francisco comentou a primeira leitura do dia, extraída da carta de São Tiago. Trata-se de uma forte advertência aos ricos que acumulam dinheiro explorando as pessoas.

“As riquezas em si mesmas são boas – explicou o Pontífice, mas são “relativas, não uma coisa absoluta.” De fato, erra quem segue a chamada “teologia da prosperidade”, segundo a qual “Deus mostra que você é justo se lhe dá tantas riquezas”. O problema é não apegar o coração às riquezas, porque – recordou o Papa – “não se pode servir Deus e as riquezas”.

Estas podem se tornar “correntes” que tiram “a liberdade de seguir Jesus”. São Tiago diz: “Vede: o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que vós deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso”:

Sanguessugas

“Quando as riquezas são feitas explorando as pessoas, aqueles ricos que exploram: explorando o trabalho dos outros e aquela pobre gente se torna escrava. Mas pensemos hoje, aqui: em todo o mundo isso acontece. ‘Quero trabalhar’ – ‘Ok: será feito um contrato. De setembro a junho’. Sem possibilidade de aposentadoria, sem assistência médica… Em junho o contrato é suspenso, e em julho e agosto deve-se alimentar de ar. E em setembro se recomeça. Quem faz isso são verdadeiras sanguessugas e vivem do sangue que jorra das pessoas transformadas em escravos do trabalho”.

Trabalho informal

Francisco citou o que lhe disse uma jovem que encontrou um emprego de 11 horas diárias por 650 euros na informalidade. E disseram a ela: “Se quiser, o emprego é seu, caso contrário, pode ir embora. Há quem queira”, há uma fila atrás de você!

Esses ricos – observou – “amontoam tesouros” e o apóstolo diz: “cevando para o dia da matança”. “O sangue de toda esta gente que vocês sugaram” e “do qual viveram é clamor ao Senhor, é um grito de justiça. A exploração das pessoas – afirmou ainda o Papa - “hoje é uma verdadeira escravidão” e acrescentou:

“Nós pensávamos que os escravos não existissem mais, mas existem. As pessoas não vão mais buscá-los na África para vendê-los na América: não. Mas estão em nossas cidades. E existem esses traficantes, estes que tratam as pessoas com trabalho sem justiça”:

“Ontem, na audiência, meditamos sobre o homem rico e Lázaro. Este rico estava em seu mundo, não percebia que do outro lado da porta de sua casa havia alguém que tinha fome. Aquele rico não percebia e deixava que o outro morresse de fome. Isto é pior. É fazer as pessoas morreram de fome com o seu trabalho para o meu proveito! Viver do sangue das pessoas. Isto é pecado mortal. É pecado mortal. É preciso muita penitência, muita reparação para se converter deste pecado”.

No caixão não entram riquezas

O Papa recordou a morte de um homem mesquinho e as pessoas que diziam: “O funeral foi arruinado. Não puderam fechar o caixão”, porque “ele queria levar consigo tudo o que tinha, e não podia”. “Ninguém pode levar consigo as próprias riquezas”. O Papa Francisco concluiu:

“Pensemos neste drama de hoje: a exploração das pessoas, o sangue das pessoas que se tornam escravas, os traficantes de seres humanos e não somente aqueles que traficam prostitutas e crianças para o trabalho infantil, mas aquele tráfico mais ‘civilizado’: Eu pago você, mas sem direito a férias e assistência médica, tudo clandestino. Porém, eu me torno rico! Que o Senhor nos faça entender aquela simplicidade que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: É mais importante um copo de água em nome de Cristo que todas as riquezas acumuladas com a exploração das pessoas”.


O Papa Francisco disse em seu Twitter nos últimos dias:

19/05/2016
Amar e perdoar constituem o sinal concreto e visível de que a fé transformou os nossos corações.
18/05/2016
Para a festa do Jubileu, Jesus convida mesmo a todos, sem fazer distinções nem excluir ninguém.
17/05/2016
O mundo necessita da coragem, da esperança, da fé e da perseverança dos discípulo de Cristo.
16/05/2016
O dom do Espírito Santo foi-nos concedido em abundância, para vivermos com fé genuína e caridade laboriosa.
15/05/2016
Vinde, Espírito Santo! Livrai-nos de todo fechamento e infundi em nós a alegria de anunciar o Evangelho.


Papa a diplomatas: "Integrar os migrantes é um enriquecimento"

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta quinta-feira, (19/05/2016), o Papa recebeu os embaixadores recém-nomeados da Estônia, Malauí, Namíbia, Seychelles, Tailândia e Zâmbia.

Os diplomatas, segundo Francisco, “têm a missão humana de cuidar da sociedade e da criação”, especialmente neste momento em que “muitas pessoas no mundo sofrem com conflitos e guerras, migrações e incertezas causadas por problemas econômicos”.

“Em um mundo polarizado e fragmentado”, disse o Pontífice em seu discurso ao grupo, “o dever da solidariedade se torna sempre mais difícil, porque amedrontadas pelo terrorismo, as pessoas se isolam, temem que os imigrantes possam mudar sua cultura, sua estabilidade econômica e seu estilo de vida”.

“Estas preocupações”, frisou o Papa, “devem ser enfrentadas com sabedoria e compaixão, para que os direitos e as necessidades de todos sejam respeitados e defendidos”.

Dar voz à condição dos migrantes

O centro do discurso foi a questão do acolhimento às pessoas que migram em fuga da violência: pessoas cuja condição crítica deve ser ouvida e que a diplomacia pode ajudar, ampliando e transmitindo a sua voz, ‘frágil e aflita’.

“Esta ajuda se pratica no esforço de privar de armas aqueles que usam violência e colocar fim no tráfico humano e no comércio de drogas, que quase sempre acompanham este mal”.

Francisco chamou em causa a “cultura do diálogo” em iniciativas que ajudem as populações a permanecerem em suas pátrias, mas também na assistência aos que as deixam, migrando.

“Mal-entendidos e medos não podem enfraquecer a nossa determinação em promover uma integração que respeite a identidade dos migrantes e preserve a cultura de quem os recebe, enriquecendo ambas”.

Responsabilizar todos os membros das comunidades

“Se favorecermos o diálogo e a solidariedade, individual e coletivamente, experimentaremos o melhor da humanidade e garantiremos a paz duradoura para todos, segundo o desígnio do Criador”.

Antes de concluir o encontro, o Papa encorajou os diplomatas a serem sempre mensageiros de esperança e paz, especialmente junto aos cristãos e às comunidades minoritárias, que sofrem perseguições por causa da fé.


Divulgados lema e logotipo da viagem do Papa à Armênia

Cidade do Vaticano (RV) – O lema “Visita ao primeiro país cristão” e o logotipo da viagem apostólica que o Papa Francisco realizará de 24 a 26 de junho à República da Armênia, foram divulgados esta quinta-feira, 19.maio.2016. A conversão da Armênia, de fato, remonta ao ano 301, graças a São Gregório “o Iluminador”. A nação portanto – como disse o Papa Francisco - pode ser definida como “a primeira entre as nações que no decorrer dos séculos abraçaram o Evangelho de Cristo” (Mensagem aos Armênios, 12 de abril de 2015).

O logotipo

O logotipo da viagem, em formato circular, retrata o Monte Ararat, símbolo da Armênia, e o “Khor Virap” de Artashad (“poço profundo”) no qual São Gregório ficou aprisionado por quase 14 anos, e onde hoje está o Mosteiro homônimo. Uma vez libertado, São Gregório, que tornou-se o primeiro primaz da Armênia, declarou junto ao Rei Tirdate III, o cristianismo como religião de Estado da Armênio. No logotipo são representados os brasões e as cores – vileta e amarelo – da Igreja Apostólica e da Santa Sé.

Programa da viagem

Segundo o programa oficial, Francisco chegará na capital Yerevan na tarde da sexta-feira, 24 de junho. Após a oração na Catedral armênio-apostólica de Etchmiadzin, com a saudação ao Katolicós, terá lugar o encontro com o Presidente e as autoridades civis e o discurso ao Corpo Diplomático. No sábado, 25, nos passos de João Paulo II, o Papa visitará o Memorial do massacre dos armênios sob o Império Otomano, entre 1915 e 1916. Em Gymuri, segunda cidade em população da Armênia, atingida por um violento terremoto no final dos anos 80, Francisco celebrará a Missa e visitará a Catedral armênio-apostólica das Sete Chagas e a Catedral armênio-católica dos Santos Mártires. Na noite, novamente em Yerevan, o encontro ecumênico e a oração pela paz. Domingo, 26 de junho, terceiro e último dia da visita à Armênia, o encontro do Papa com o bispos católicos armênios no Palácio Apostólico em Etchmiadzin e a participação na Divina Liturgia na Catedral armênio-apostólica. Após o almoço, o encontro com os delegados e benfeitores da Igreja Armênio-apostólica e a assinatura de uma Declaração conjunta. Antes do retorno ao Vaticano, o Santo Padre rezará no Mosteiro de Khor Virap.


Papa: ignorar o pobre é desprezar Deus

Quarta-feira, 18 de maio de 2016 – na audiência geral na Praça de S. Pedro o Papa Francisco falou na sua catequese sobre pobreza e misericórdia referindo-se à parábola do rico avarento e do pobre Lázaro.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Eu gostaria de refletir com vocês hoje sobre a parábola do homem rico e do pobre Lázaro. A vida dessas duas pessoas parece se desenrolar em vias paralelas: as suas condições de vida são opostas e totalmente sem comunicação. A porta da casa do rico está sempre fechada aos pobres, que está lá fora tentando comer alguma sobra da mesa do rico. Esse veste roupas de luxo, enquanto Lázaro estava coberto de feridas; o rico todos os dias tem um banquete luxuoso, enquanto Lázaro está morrendo de fome. Somente os cachorros cuidavam dele e vinham lamber-lhe as feridas. Esta cena lembra a repreensão dura do Filho no juízo final: “Tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, eu estava […] nu e não me vestistes” (Mt. 25,42 a 43). Lázaro representa bem o grito silencioso dos pobres de todos os tempos e a contradição de um mundo onde imensa riqueza e recursos estão nas mãos de poucos.

Jesus diz que um dia aquele homem rico morreu: os pobres e os ricos morrem, têm o mesmo destino, como todos nós, não há exceções a esta regra. E então aquele homem se volta a Abraão, pedindo-lhe com o título de “pai” (vv. 24,27). Portanto, ele afirma ser seu filho, pertencente ao povo de Deus. Mas na vida não mostrou nenhuma consideração por Deus, mas tornou-se o centro de tudo, trancado em seu próprio mundo de luxo e desperdício. Excluindo Lázaro, não teve qualquer consideração nem ao Senhor nem à sua lei. Ignorar o pobre é ignorar Deus! Isto devemos aprender bem: ignorar o pobre é desprezar Deus. Há uma particularidade que deve ser observada nessa parábola: o rico não tem nome, apenas o adjetivo: “o rico”; enquanto o nome do pobre é repetido cinco vezes e “Lázaro” significa “Deus ajuda”. Lázaro, encontrando-se na frente da porta, é um chamado vivo para que o rico se lembre de Deus, mas o rico não acolhe esse chamado. Será condenado, portanto, não por sua riqueza, mas por ser incapaz de sentir compaixão de Lázaro e socorrê-lo.

Na segunda parte da parábola, encontramos Lázaro e o homem rico após a morte (vv. 22-31). Daqui em diante a situação se inverte: Lázaro foi levado pelos anjos ao céu a Abraão, o rico se precipita em meio aos tormentos. Em seguida, o rico “olhou para cima e viu ao longe Abraão, e Lázaro ao seu lado.” Ele parece ver Lázaro pela primeira vez, mas suas palavras o contradizem: “Pai Abraão, diz – tenha misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar a ponta do seu dedo e me refrescar a língua, porque estou atormentado nesta chama”. Agora o rico reconhece Lázaro e pede ajuda, enquanto em vida, fingia não vê-lo. Quantas vezes as pessoas fingem não ver os pobres! Para eles, os pobres não existem. Antes negou-lhe até mesmo as sobras de sua mesa e agora pede o que beber! Ainda assim, ele acredita que pode reivindicar direitos por sua condição social. Declarando impossível atender seu pedido, o próprio Abraão fornece a chave de toda a história: ele explica que o bem e o mal foram distribuídos para compensar a injustiça terrena, e a porta que separava em vida o rico e o pobre, é transformada em “um grande abismo.” Enquanto Lázaro estava em sua casa, para o rico havia uma chance de salvação, abrir a porta, ajudar Lázaro, mas agora que estão mortos, a situação se tornou irreparável. Deus não foi nunca chamado diretamente, mas a parábola adverte claramente: a misericórdia de Deus para conosco é proporcional à nossa misericórdia para com o próximo. Quando esta falta, quando não tem lugar no nosso coração fechado, ela não pode entrar. Se eu não escancarar a porta do meu coração aos pobres, a porta está fechada. Mesmo para Deus. E isso é terrível.

Neste ponto, o homem rico pensa nos seus irmãos, que estão suscetíveis de ter o mesmo destino, e pede que Lázaro retorne ao mundo para avisá-los. Mas Abraão responde: ‘Eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos.’ Para converter a nós mesmos, não devemos esperar acontecimentos milagrosos, mas abrir o coração à Palavra de Deus, que nos chama a amar Deus e o próximo. A Palavra de Deus pode reviver um coração murcho e curá-lo de sua cegueira. O rico conhecia a Palavra de Deus, mas não deixou que ela entrasse em seu coração, não a escutou, então foi incapaz de abrir os olhos e ter compaixão pelo pobre. Nenhum mensageiro e nenhuma mensagem pode substituir o pobre que encontramos na estrada, porque neles encontramos o próprio Jesus: “Tudo o que você fizer ao menor destes meus irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25: 40), diz Jesus. Então na reversão das fortunas que a parábola descreve está escondido o mistério da nossa salvação, em que Cristo une a pobreza à misericórdia. Queridos irmãos e irmãs, ouvindo esse Evangelho, todos nós, junto aos pobres da terra, podemos cantar com Maria: “Depôs poderosos de seus tronos e exaltou os humildes; Ele encheu os famintos com coisas boas, despediu os ricos de mãos vazias “(Lc 1,52-53).
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé


Entrevista do Papa Francisco ao jornal católico francês "La Croix"

Cidade do Vaticano, 17.maio.2016 (RV) – Migrações, coexistência entre cristãos e muçulmanos, laicidade do Estado, pedofilia. Estes foram alguns dos temas da entrevista do Papa Francisco concedida aos jornalistas Guillaume Goubert e Sébastien Maillard, do jornal francês La Croix, recebidos na Casa Santa Marta na segunda-feira, 9 de maio.

O Papa confirmou que recebeu um convite do Presidente Hollande e do episcopado francês para visitar o país, mas ainda não existem datas. A cidade de Marselha poderá ser uma etapa da viagem, por representar “uma porta aberta ao sul do mundo” e nunca ter sido visitada por um Pontífice.

O tom descontraído do encontro foi marcado pela pergunta sobre o que a França representava para o Papa. “A filha mais velha da Igreja, mas não a mais fiel!”, respondeu Francisco, em meio a risos. “É uma periferia a ser evangelizada. Mas é preciso ser justo com a França – observou. A Igreja possui uma capacidade criativa.

A França é também uma terra de grandes santos, grandes pensadores: Jean Guitton, Maurice Blondel, Emmanuel Levinas – que não era católico – Jacques Maritain”. E Santa Teresa de Lisieux é a sua santa francesa preferida, confidenciou.

Leigos e Evangelização

Ao falar sobre a evangelização, Francisco sublinhou que “necessariamente não há necessidade de sacerdotes” para realizá-la, citando o exemplo histórico da Coreia, que depois da chegada dos primeiros missionários vindos da China, viu os leigos como protagonistas da evangelização por dez séculos.

“O Batismo – afirma o Papa – dá a força para evangelizar e o Espírito Santo nele recebido impele a sair para difundir a mensagem cristã com coragem”. “O Espírito Santo é o protagonista daquilo que a Igreja faz, seu motor. E muitos cristãos o ignoram”, afirmou.

O Papa mais uma vez voltou a alertar sobre o “clericalismo”, por ele definido como “um perigo”. “Os padres querem clericalizar os leigos e os leigos querem ser clericalizados, por facilidade”. A questão do clericalismo “é particularmente importante na América Latina", observou.

"Se a piedade popular é forte, é precisamente porque é somente uma iniciativa dos leigos que não foram clericalizados. E isto não é entendido pelo clero”.

Tolerância zero para pedofilia

O Papa respondeu ainda sobre os problemas atuais da Igreja na França, sacudida nas últimas semanas por casos de pedofilia. “Neste âmbito – observa – não pode haver prescrição”. “Por causa destes abusos, um sacerdote que é chamado a guiar uma criança a Deus, a destrói”. “Semeia o mal, o ressentimento e a dor. Como disse Bento XVI, a tolerância deve ser zero”.

A este respeito, com base nos elementos de que tem conhecimento, defendeu o Arcebispo de Lyon, Cardeal Philippe Babarin, que está sob investigação.

“Ele tomou as medidas necessárias”, avaliou Francisco, que o definiu como “um homem corajoso, criativo, um missionário”. O Papa disse esperar pela conclusão do processo judiciário, sublinhando que não é o caso de falar de demissão, o que agora seria “um contrassenso”, “uma imprudência”.

Lefebvrianos

Outro tema ligado à Igreja na França tratado na entrevista é a relação com a Fraternidade São Pio X. “Avançamos lentamente e com prudência”, afirmou o Papa, recordando que o Concílio Vaticano II tem o seu valor e é necessário dialogar com os tradicionalistas.

Francisco considera os lefebvrianos como “católicos a caminho da plena comunhão”, afirmando que o Superior, Dom Bernard Fellay, “é um homem com o qual se pode dialogar”.

Migrantes, guerras e subdesenvolvimento

Ao ser interpelado se o “Velho Continente” tem a capacidade para acolher tantos imigrantes, Francisco respondeu que as portas “não podem ser abertas de formas irracional”, mas indicou que é necessário interrogar-se sobre questões fundamentais, como “o por quê” das migrações, a origem da fuga de milhões de pessoas.

“Os problemas iniciais são as guerras no Oriente Médio e na África e o subdesenvolvimento do continente africano, que provoca a fome. Se existem guerras, é porque existem fabricantes de armas – que podem ser justificados por propósitos defensivos – e sobretudo traficantes de armas. Se existe assim tanto desemprego, é por falta de investimentos capazes de levar o trabalho de que a África tanto precisa”.

O Papa convida os europeus a favorecerem a integração, “pois a pior forma de acolhida é a guetização”. “Esta integração é quanto mais necessária hoje, devido à busca egoística do bem-estar. A Europa está vivendo o grave problema de uma taxa de natalidade em declínio”.

Livre mercado deve ser regulado

Francisco voltou a citar um “sistema econômico em nível mundial que caiu na idolatria do dinheiro”. “Mais de 80% das riquezas da humanidade estão nas mãos de 16% da população", denunciou. Um mercado completamente livre não funciona.

Os mercados em si, são um bem, mas requerem uma terceira parte ou um Estado que os monitore e os equilibre. Em outras palavras, é necessária uma economia social de mercado”.

Coexistência pacífica entre cristãos e muçulmanos

A coexistência entre cristãos e muçulmanos é possível – reiterou o Papa – não acredito que exista medo do Islã, enquanto tal”, mas do Estado Islâmico e da sua “guerra de conquista”. “É verdade – continuou – que a ideia da conquista pertence ao espírito do Islã, mas se poderia interpretar segundo a mesma ideia de conquista que temos no final do Evangelho de Mateus, quando Jesus envia os seus discípulos a todas as nações”.

Neste contexto, o Papa convidou a interrogar-se sobre o modo em que “um modelo muito ocidental de democracia foi exportado a países como o Iraque, onde um governo forte existia anteriormente. Ou mesmo na Líbia, onde existe uma estrutura tribal”. “Não podemos ir em frente sem levar em consideração estas culturas”, concluiu Francisco.

Laicidade do Estado

Ao tratar da questão da laicidade em relação à liberdade religiosa, o Papa afirmou claramente que “um Estado deve ser leigo”. Os “Estados confessionais – acrescenta – acabam mal. São contra a história”. E explica: “Acredito que uma versão da laicidade, acompanhada por uma sólida lei que garanta a liberdade religiosa, ofereça um quadro de referência para ir em frente; somos todos iguais, como filhos e filhas de Deus ou com a nossa dignidade de pessoas.

Mas cada um deve ter a liberdade de exteriorizar a própria fé”. “Se uma mulher muçulmana quer usar o véu, deve poder fazê-lo, assim como um católico que queira usar um crucifixo. As pessoas devem ser livres para professar a sua fé no coração da própria cultura e não à margem dela".

A “modesta crítica” que o Papa dirigiu à França diz respeito ao fato que “exagera com a laicidade”, ao considerar as religiões como “subculturas, antes que culturas propriamente ditas, com os seus direitos”. “Temo que esta abordagem – disse o Papa – um compreensível patrimônio do Iluminismo, continue a existir”.

O desejo é que o país dê “um passo em frente em relação a este tema, para aceitar que a abertura à transcendência é um direito para todos”.

Leis e direito à objeção de consciência

Francisco foi interpelado sobre como os católicos devem defender as suas convicções diante de leis como a eutanásia e as uniões de fato. “Diz respeito ao Parlamento discutir, argumentar, dar as razões. É assim que uma sociedade cresce. Todavia, uma vez que a lei foi aprovada, o Estado deve também respeitar as consciências.

O direito à objeção de consciência deve ser reconhecido dentro de cada estrutura jurídica, porque é um direito humano. Também para o funcionário público, que é um ser humano. O Estado deve também levar em consideração as críticas. Esta seria uma verdadeira forma de laicidade”

Na entrevista, o Papa também falou sobre a diferença entre os dois Sínodos sobre a família realizados no Vaticano e as raízes cristãs da Europa, raízes estas “plurais” para o Pontífice, em mérito às quais lamenta tons de discussão que define às vezes “triunfalistas” ou “vingativos” e que sabem de “colonialismo”.

Missa em Santa Marta - Aquela vontade de subir

Existe uma «tentação» que «divide e destrói a Igreja»: é a «vontade mundana de ter poder», a inveja e o desejo «de subir». Disse o Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de terça-feira, 17 de maio de 2016, explicando que esta tentação corresponde ao «pensamento do mundo», enquanto Jesus fala «de serviço, de humilhação».

Refletindo sobre o trecho evangélico do dia, tirado do Evangelho de Marcos (9, 30-37), toda a meditação do Pontífice se desenvolveu sobre a contraposição entre estes «dois modos de falar». De facto, a Escritura apresenta Jesus que «ensina aos seus discípulos» e dizendo-lhes «a verdade sobre a própria vida» – sobre a sua, explicou Francisco, mas «também sobre a vida dos cristãos, a verdade “autêntica”» – revela: «O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens e eles matá-lo-ão; morrerá mas depois de três dias ressuscitará».

Diante desta verdade – «Vim para esta tarefa, para cumprir esta missão: dar a minha vida pela salvação de todos» – os discípulos não compreenderam. Aliás, «não queriam entender» e, por «receio de o interrogar», desistiram, como para dizer: «tudo se arranjará por si mesmo». O Papa explicou: «O temor fechava o seu coração à verdade que Jesus lhe estava a ensinar».

A narração evangélica prossegue e lê-se que eles «continuaram a estrada mas não em silêncio»: os discípulos «continuaram a falar». Quando chegaram a Cafarnaum, Jesus perguntou: «Sobre o que faláveis pelo caminho?». Nenhuma resposta. De facto, eles «sentiam vergonha de dizer a Jesus sobre o que discutiam. Com efeito, pelo caminho discutiram entre si sobre quem fosse o maior».

Portanto, eis a contraposição: «Jesus usa uma linguagem de humilhação, de morte, de redenção, e eles uma linguagem de arrivistas: quem irá subir mais no poder?». Esta, disse Francisco, é uma tentação que eles tinham – «eram tentados pelo modo de pensar mundano» – mas «não só eles». Também a mãe de Tiago e João, recordou o Pontífice, foi ter com Jesus – o episódio pode ser lido nas páginas de Mateus (20, 20-21) – para «pedir que os seus filhos estivessem um à direita e outro à esquerda, quando Cristo chegasse ao Reino». Como se hoje se pedisse: «Um faça o primeiro-ministro e o outro o ministro da economia» para poder dividir «todo o poder». De facto, é precisamente este «o pensamento do mundo: quem é o maior?». Por conseguinte Jesus apressa-se a chamar os doze e a dizer-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último e o servo de todos».

Este ensinamento de Jesus é válido para todos: «No caminho que Ele nos indica para prosseguir – disse Francisco – o serviço é a regra. O maior é quem mais serve, que está mais ao serviço dos outros, não quem se vangloria, busca o poder, o dinheiro, a vaidade, o orgulho». Ensinamento necessário porque, observou o Papa, esta «é uma história que acontece todos os dias na Igreja, em cada comunidade» onde com frequência nos perguntamos: «Mas aqui, quem é o maior? Quem comanda?». Emergem as «ambições», a «vontade de subir, de possuir o poder».

O tema é tratado também na primeira leitura, tirada da carta de são Tiago (4, 1-10), na qual o apóstolo escreve: «Meus irmãos, de onde vêm as guerras, os litígios que estão no meio de vós?». E continua: «Não vêm porventura das vossas paixões?», isto é, «da paixão pelo poder, por comandar, dominar»? Tiago acusa: «Estais cheios de desejos», aludindo às invejas e ciúmes deles. E acrescenta: «Não obtendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal».

Neste ponto, o Pontífice exortou a analisar com atenção a passagem seguinte, «para pensar no modo como rezamos mal». Com efeito, o apóstolo explica aos seus interlocutores: «pedis mal, isto é, pedir para satisfazer as vossas paixões». E pergunta: «Não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus?» Precisamente aqui, explicou o Papa, encontra-se «o núcleo deste trecho» e da mensagem dirigida hoje à Igreja.

A síntese está na contraposição já mencionada: «Jesus usa uma linguagem de serviço, de humilhação, aliás ele diz: “Não vim para ser servido mas para servir”». Pelo contrário, «a linguagem do mundo é: “quem tem mais poder para comandar?”. Esta linguagem mundana é inimiga de Deus». De facto, quando há «vaidade», prosseguiu Francisco, a «vontade mundana de ter poder, não de servir, mas de ser servido», usam-se todos os meios. Por exemplo, assim há «os mexericos», «sujar os outros». Sabemos todos, acrescentou, «que a inveja e os ciúmes percorrem esta vereda e destroem».

Tudo isto, observou de maneira amarga o Pontífice, «acontece hoje em todas as instituições da Igreja: paróquias, colégios, outras instituições, até nos episcopados... todos». Eis os «dois modos de falar»: por um lado o «espírito do mundo, que é espírito de riqueza, vaidade e orgulho»; do outro Jesus que diz: «o Filho do homem será entregue nas mãos dos homens e eles matá-lo-ão». Ele «veio para servir e ensinou-nos o caminho na vida cristã: o serviço, a humildade». De resto, explicou Francisco, «quando os grandes santos diziam que se sentiam muito pecadores, é porque tinham entendido este espírito do mundo que estava dentro deles e sentiam muitas tentações mundanas». De facto «nenhum de nós pode dizer: “não, eu não, não eu... sou uma pessoa santa, pura”». Todos nós somos tentados por estas coisas, somos tentados a destruir o outro para subir mais alto». É uma «tentação mundana» que «divide e destrói a Igreja» e não é certamente «o Espírito de Jesus».

Concluindo a sua reflexão, o Papa disse que, tendo nos olhos a cena evangélica que foi lida, «far-nos-á bem pensar nas muitas vezes que vimos isto na Igreja e naquelas em que fizemos isto, e pedir ao Senhor que nos ilumine, para compreender que o amor pelo mundo, isto é, por este espírito mundano, é inimigo de Deus».
L'Osservatore Romano


Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões
 



MENSAGEM
Dia Mundial das Missões
Domingo, 15 de maio de 2016

 

“Queridos irmãos e irmãs!

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja está a viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidados a sair, como discípulos missionários, pondo cada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira. Em virtude do mandato missionário, a Igreja tem a peito quantos não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor. Ela tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho (Bula Misericordiae Vultus, 12), e anunciá-la em todos os cantos da terra, até alcançar toda a mulher, homem, idoso, jovem e criança.

A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempre que encontra cada criatura humana; desde o princípio, Ele dirige-Se amorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque a sua grandeza e poder manifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os mais pequenos, os descartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deus benigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos, o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas as criaturas (cf. Sal 144, 8-9).

A misericórdia encontra a sua manifestação mais alta e perfeita no Verbo encarnado. Ele revela o rosto do Pai, rico em misericórdia: não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio a encarna e a personifica (JOÃO PAULO II, Enc. Dives in misericordia, 2). Aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dos Sacramentos, com a ação do Espírito Santo, podemos tornar-nos misericordiosos como o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo da nossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade (cf. Bula Misericordiae Vultus, 3). A primeira comunidade que, no meio da humanidade, vive a misericórdia de Cristo é a Igreja: sempre sente sobre si o olhar d’Ele que a escolhe com amor misericordioso e, deste amor, ela deduz o estilo do seu mandato, vive dele e dá-o a conhecer aos povos num diálogo respeitoso por cada cultura e convicção religiosa.

Como nos primeiros tempos da experiência eclesial, há tantos homens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amor de misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosas famílias –, realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. Ao lado da obra evangelizadora e sacramental dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias que entendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabem enfrentá-los de modo oportuno e por vezes inédito: cuidando da vida, com uma acrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendo valer todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia, relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tanto no setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social e cultural e, de modo particular, no cuidado dos pobres.

Em muitos lugares, a evangelização parte da atividade educativa, à qual o trabalho missionário dedica esforço e tempo, como o vinhateiro misericordioso do Evangelho (cf. Lc 13, 7-9; Jo 15, 1), com paciência para esperar os frutos depois de anos de lenta formação; geram-se assim pessoas capazes de evangelizar e fazer chegar o Evangelho onde ninguém esperaria vê-lo realizado. A Igreja pode ser definida «mãe», mesmo para aqueles que poderão um dia chegar à fé em Cristo. Espero, pois, que o povo santo de Deus exerça o serviço materno da misericórdia, que tanto ajuda os povos que ainda não conhecem o Senhor a encontrá-Lo e a amá-Lo. Com efeito a fé é dom de Deus, e não fruto de proselitismo; mas cresce graças à fé e à caridade dos evangelizadores, que são testemunhas de Cristo. Quando os discípulos de Jesus percorrem as estradas do mundo, é-lhes pedido aquele amor sem medida que tende a aplicar a todos a mesma medida do Senhor; anunciamos o dom mais belo e maior que Ele nos ofereceu: a sua vida e o seu amor.

Cada povo e cultura tem direito de receber a mensagem de salvação, que é dom de Deus para todos. E a necessidade dela redobra ao considerarmos quantas injustiças, guerras, crises humanitárias aguardam, hoje, por uma solução. Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz. O mandato do Evangelho – «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20) – não terminou, antes pelo contrário impele-nos a todos, nos cenários presentes e desafios atuais, a sentir-nos chamados para uma renovada «saída» missionária, como indiquei na Exortação Apostólica Evangelii gaudium: «cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (n. 20).

Precisamente neste Ano Jubilar, celebra o seu nonagésimo aniversário o Dia Mundial das Missões, promovido pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé e aprovado pelo Papa Pio XI em 1926. Por isso, considero oportuno recordar as sábias indicações dos meus Predecessores, estabelecendo que fossem destinadas a esta Opera todas as ofertas que cada diocese, paróquia, comunidade religiosa, associação e movimento, de todo o mundo, pudessem recolher para socorrer as comunidades cristãs necessitadas de ajuda e revigorar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra. Também nos nossos dias, não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; não restrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas alarguemo-lo aos horizontes da humanidade inteira.

Santa Maria, ícone sublime da humanidade redimida, modelo missionário para a Igreja, ensine a todos, homens, mulheres e famílias, a gerar e guardar por todo o lado a presença viva e misteriosa do Senhor Ressuscitado, que renova e enche de jubilosa misericórdia as relações entre as pessoas, as culturas e os povos”.

Vaticano, 15 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2016.


Papa: deixemo-nos guiar pelo Espírito e não seremos orfãos

Domingo, 15 de maio de 2016, Solenidade de Pentecostes – na Missa na Basílica de S. Pedro o Papa Francisco afirmou que já não somos órfãos e sublinhou o dom do Espírito Santo, cume da missão de Jesus que nos liga ao Pai.

O Santo Padre centrou a sua homilia nas palavras do Senhor no Evangelho de João: “Não vos deixarei órfãos”. Francisco comentou que graças ao Espírito Santo já não somos escravos mas “filhos adotivos”, reativando-se em nós a paternidade de Deus.

No entanto, também no nosso tempo – referiu o Papa – podemos verificar “sinais desta nossa condição de órfãos”:

“Aquela solidão interior que sentimos também no meio da multidão e que, às vezes, pode transformar-se em tristeza existencial; aquela presumível autonomia de Deus, que acompanha uma certa nostalgia da sua proximidade; aquele difuso analfabetismo espiritual pelo qual nos vemos incapazes de rezar; aquela dificuldade de sentir verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e floresce para além da morte; aquela dificuldade em reconhecer o outro como irmão enquanto filho do mesmo Pai; e outros sinais similares.”

A condição de filhos de Deus é a vocação originária do ser humano, é por isso que fomos criados, é o nosso “mais profundo DNA” que, no entanto, entrou em ruína e para reerguer-se precisou do “sacrifício do Filho Unigénito” – afirmou Francisco:

“Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na Cruz, brotou para toda a humanidade, como uma imensa cascata de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem se imerge com fé neste mistério de regeneração renasce para a plenitude da vida filial.”

Não vos deixarei órfãos, repete ainda hoje Jesus – observou o Papa que recordou a presença materna de Maria no Cenáculo, ela que é “memória viva do Filho e invocação viva do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja”.

Pela intercessão de Maria o Papa Francisco lembrou “todos os cristãos, as famílias e as comunidades que neste momento têm mais necessidade da força do Espírito Santo”, Espírito que nos faz entrar numa “nova dinâmica de fraternidade”:

“Mediante o Irmão Universal, que é Jesus, podemo-nos relacionar com os outros em modo novo, não mais como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemo-nos olhar como irmãos e as nossas diferenças fazem multiplicar a alegria e a maravilha de pertencer a esta única paternidade e fraternidade.”


O Santo Padre segue twittando todos os dias:

14/05/2016
Comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.
13/05/2016
Se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.
12/05/2016
Caros Religiosos e Religiosas: despertai o mundo! Sede testemunhas de um modo diferente de pensar, de agir, de viver!
11/05/2016
Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus.


Regina Caeli: "Ser cristão é ligar a própria vida a Jesus", diz Papa

“Que o Espírito Santo nos dê jovens fortes, que tenham o desejo de partir e anunciar o Evangelho”, pediu o Papa no Regina Caeli

À janela do apartamento pontifício, o Papa Francisco presidiu a recitação da oração do ‘Regina Caeli’, neste último domingo do tempo pascal em 2016, 15 de maio. A oração se deu após a Missa de Pentecostes na Basílica vaticana.

O Papa recordou que a Festa de Pentecostes leva ao cumprimento o Tempo Pascal, precisamente cinquenta dias após a Ressurreição de Cristo. “A Liturgia nos convida a abrir a nossa mente e o nosso coração ao dom do Espírito Santo, que Jesus prometeu em diversas ocasiões aos seus discípulos, o primeiro e principal dom que Ele obteve para nós com a sua Ressurreição”. recordou.

O Papa explicou que essas palavras de Jesus aos seus discípulos – “Se me amais, observareis os meus mandamentos; e eu rezarei ao Pai e ele vos dará um outro Paráclito, para que permaneça sempre convosco e para sempre” –  recordam antes de tudo que o amor por uma pessoa, e também pelo Senhor, se demonstra não com as palavras, mas com os fatos”. Disse ainda que a observância dos mandamentos, deve ser entendidano sentido existencial, de modo que toda a vida seja envolvida por eles.

“De fato, ser cristãos não significa principalmente pertencer a uma certa cultura ou aderir a uma certa doutrina, mas sim ligar a própria vida, em todos os seus aspectos, à pessoa de Jesus e, por meio dele, ao Pai. Para este objetivo Jesus promete a efusão do Espírito Santo aos seus discípulos. Precisamente graças ao Espírito Santo, Amor que une o Pai e o Filho e deles procede, todos podemos viver a mesma vida de Jesus. O Espírito, de fato, nos ensina cada coisa, ou seja, a única coisa indispensável: amar como Deus ama”.

Francisco apresentou então outra definição dada por Jesus ao Espírito Santo, ou seja, “o Paráclito”. “Ao prometer o Espírito Santo, Jesus o define como ‘um outro Paráclito’, que significa Consolador, Advogado, Intercessor, aquele que nos assiste, nos defende, está ao nosso lado no caminho da vida e na luta pelo bem e contra o mal. Jesus diz ‘um outro Paráclito’, porque o primeiro é Ele, Ele mesmo, que se fez carne precisamente para assumir a nossa condição humana e libertá-la da escravidão do pecado”.

Além disto, o Santo Padre recordou que o Espírito Santo exerce a função de ensinamento e de memória. “O Espírito Santo não traz um ensinamento diferente, mas torna vivo, torna atuante o ensinamento de Jesus, para que o tempo que passa não o apague ou não o arrefeça. O Espírito Santo coloca este ensinamento dentro de nosso coração, nos ajuda a interiorizá-lo, fazendo-o tornar-se parte de nós, carne da nossa carne. Ao mesmo tempo, prepara o nosso coração para que seja capaz realmente de receber as palavras e os exemplos do Senhor. Todas as vezes que a palavra de Jesus é acolhida com alegria em nosso coração, isto é obra do Espírito Santo”.

Ao concluir, o Papa Francisco pediu a intercessão da Virgem Maria, para que “nos obtenha a graça de sermos fortemente animados pelo Espírito Santo, para testemunhar Cristo com franqueza evangélica e abrir-nos sempre mais à plenitude de seu amor”.

Após rezar o Regina Coeli com os milhares de fieis presentes na Praça São Pedro, o Santo Padre falou que neste domingo de Pentecostes foi publicada a sua Mensagem para o próximo Dia Mundial das Missões, a ser  celebrado no terceiro domingo de outubro. “Que o Espírito Santo dê força a todos os missionários ad gentes e sustenha a missão da Igreja no mundo inteiro. E que o Espírito Santo nos dê jovens – moças e rapazes – fortes, que tenham vontade de anunciar o Evangelho. Peçamos isto hoje ao Espírito Santo”.

Por fim, saudou os diversos grupos presentes, provenientes de diversas partes do mundo, concluindo com o tradicional “não esqueçam de rezar por mim! Bom almoço e até logo!”.
agencia.ecclesia.pt


Papa convida cristãos à unidade e alerta para perigo da fofoca

Jesus, antes da Paixão, reza pela “unidade dos fiéis, das comunidades cristãs” para que sejam uma só coisa como Ele e o Pai, a fim de que o mundo creia”. Com estas palavras do Evangelho do dia, o Papa Francisco iniciou a homilia da Missa celebrada nesta quinta-feira, 12.maio.2016, na Casa Santa Marta, no Vaticano.

“A unidade das comunidades cristãs, das famílias cristãs são testemunho: são o testemunho do fato de o Pai ter enviado Jesus. Talvez, chegar à unidade numa comunidade cristã, numa paróquia, numa diocese, numa instituição cristã e numa família cristã, seja uma das coisas mais difíceis. A nossa história, a história da Igreja, nos envergonha muitas vezes, pois provocamos guerra contra os nossos irmãos cristãos! Pensemos numa, na Guerra dos Trinta Anos”, lembrou o Pontífice.

Francisco afirmou ainda que onde os cristãos incitam guerra entre eles, ali “não há testemunho”.

Pedir perdão

“Devemos pedir perdão ao Senhor por esta história! Uma história muitas vezes de divisões, não somente no passado, mas também hoje! O mundo vê que estamos divididos e diz: ‘Mas que entrem num acordo, depois vamos ver. Jesus ressuscitou e está vivo e estes seus discípulos não estão de acordo? Uma vez, um cristão católico disse a outro cristão do Oriente, também católico: ‘O meu Cristo ressuscita depois de amanhã. E o seu quando ressuscita?’ Não somos unidos nem mesmo na Páscoa! Isso no mundo inteiro, e o mundo não crê”.

De acordo com o Papa, foi a “inveja do diabo” que fez entrar o pecado no mundo. E, nas comunidades cristãs “é quase habitual” que haja egoísmo, ciúmes, invejas e divisões. Isto leva a falar mal um do outro. Na Argentina, estas pessoas são chamadas de fofoqueiras: semeiam discórdia, dividem. E ali as divisões começam com a língua, por causa da inveja, ciúmes e também fechamento!

“Morder a língua”

A língua é capaz de destruir uma família, uma comunidade, uma sociedade. É capaz de semear ódio e guerras”, disse o Papa. Ao invés de procurar esclarecer, “é mais cômodo falar mal” e destruir “a fama do outro”. O Papa citou a anedota conhecida de São Filipe Neri que, a uma mulher que tinha falado mal, deu como penitência depenar uma galinha e espalhar suas penas pelo bairro para depois recolhê-las. “Mas não é possível!”, exclamou a mulher.

Assim, é o falar mal:

“Suja o outro. Aquele que fala mal, suja! Destrói! Destrói a fama, destrói a vida e muitas vezes, várias vezes!, sem motivo contra a verdade. Jesus rezou por nós, por todos nós que estamos aqui e por nossas comunidades, por nossas paróquias, por nossas dioceses: ‘Que sejam um’. Peçamos ao Senhor que nos dê a graça, pois a força do diabo, do pecado que nos impulsiona a criar desunião, é muito grande. Que Ele nos dê a graça, que nos dê o dom. Qual é o dom que faz a unidade? O Espírito Santo! Que Ele nos dê este dom que cria harmonia, porque Ele é a harmonia, a alegria em nossas comunidades”.

Francisco concluiu pedindo ao Senhor que conceda a paz, porém com a unidade. “Peçamos a graça da unidade para todos os cristãos, a grande graça e a pequena graça de todos os dias para as nossas comunidades, as nossas famílias, e a graça de morder a língua!”

Francisco pede para ‘queimar’ a vida por Jesus

«Consumir a vida por causas nobres»: eis uma oportunidade oferecida aos jovens de hoje, que imersos numa «cultura do consumismo» e «do narcisismo» com frequência vivem insatisfeitos e pouco felizes. Na missa celebrada na manhã de terça-feira 10 de maio de 2016 em Santa Marta, o Papa Francisco pôs no centro da própria reflexão o testemunho dos missionários – «a glória da nossa Igreja» – propondo-a como modelo para os jovens.
A homilia do Papa foi inspirada pela primeira leitura do dia tirada dos Atos dos apóstolos (20, 17-27), na qual se lê o que – disse o Papa – «poderíamos chamar “a despedida de um apóstolo”». É a passagem na qual «Paulo faz vir a Mileto os presbíteros de Éfeso e diz-lhes que não os verá mais porque deve partir, o Espírito o impele a ir a Jerusalém».

Analisando este texto, vê-se que, antes de tudo, o apóstolo faz um «exame de consciência: “sabeis como me comportei convosco todo este tempo”». É um exame minucioso no qual Paulo «faz uma narração do modo como se comportou» e, num primeiro momento, parece até «que se vangloria um pouco». Na realidade «não é assim», a ponto que ele mesmo acrescenta: «Simplesmente foi o Espírito que me levou a isto». E continua: «Constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém. O Espírito enviou-me aqui para anunciar Jesus e agora envia-me a Jerusalém». Depois do exame de consciência emerge outro elemento: a «docilidade» ao Espírito Santo. É uma despedida na qual Paulo exprime quer «uma nostalgia ao constatar o que o Senhor fez com ele», quer «um sentimento de gratidão ao Senhor».

Este trecho da Escritura, observou Francisco, faz vir à mente «o bonito excerto literário do espanhol Pemán» no qual se lê «a descrição da despedida da vida de são Francisco Xavier no litoral da China. Também ele faz um exame de consciência: sozinho, diante de Deus».

É significativa também a continuação da narração, porque se pode questionar: «O que espera Paulo?». De facto o apóstolo escreve que «vai a Jerusalém “sem saber o que lá acontecerá”». Como um missionário que parte «sem saber o que o espera».Tem a certeza de uma única coisa: «Só sei que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e perseguições». E, comentou o Pontífice, também «o missionário sabe que a vida não será fácil mas prossegue».

Por fim Paulo acrescenta «outra verdade, que faz chorar os presbíteros de Éfeso: “Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós”». Depois, «dá alguns conselhos. Acompanham-no até à embarcação e na praia lançaram-se ao pescoço de Paulo, chorando… Ele despede-se assim» da comunidade de Éfeso, na cidade de Mileto.

«O fim do apóstolo é o fim dos missionários» comentou o Papa. «Penso – explicou – que este trecho» evoque «a vida dos nossos missionários: muitos jovens, moças e moços, que deixaram a pátria, a família e foram para longe, para outros continentes, anunciar Jesus Cristo».

Também eles «eram “constrangidos” pelo Espírito Santo», era a sua «vocação». E hoje, quando naqueles lugares «visitamos os cemitérios» e «vemos as suas lápides», damo-nos conta de que «tantos morreram jovens, com menos de quarenta anos», frequentemente porque não estavam preparados para suportar as doenças locais. Entendemos que estes jovens «deram a vida», «consumiram a vida». Significativa a reflexão de Francisco: «Penso que eles, naquele último momento, distantes da pátria, da família, dos amigos, disseram: “Valia a pena fazer o que fiz!”».

Em recordação destes jovens, «heróis da evangelização dos nossos tempos», considerando que a Europa povoou outros continentes de missionários que partiam sem voltar – e que provavelmente, no seu «último momento», o da «despedida», disseram como Xavier: «Deixei tudo, mas valia a pena!» – o Papa afirmou: «Acho que seja justo dar graças ao Senhor pelo seu testemunho». Alguns morreram «anónimos», outros como «mártires, isto é, oferecendo a vida pelo Evangelho»: são, afirmou Francisco, «a nossa glória estes missionários! A glória da nossa Igreja!».

Face a tais exemplos, o Pontífice dirigiu um pensamento «aos moços e moças de hoje», com frequência em dificuldade na «cultura do consumismo, do narcisismo». E disse-lhes: «Olhai para o horizonte! Olhai para os nossos missionários!». Por isso, acrescentou, é preciso «rezar ao Espírito Santo para que os constranja a ir para longe, a “consumir” a vida» Usou precisamente esta expressão forte, explicando: «É uma palavra um pouco dura, mas a vida vale a pena vivê-la; mas para a viver bem» é necessário «”consumi-la” no serviço, no anúncio; e ir em frente. E esta é a alegria do anúncio do Evangelho».

Concluindo a homilia, o Papa exortou todos a dar graças ao Senhor «por Paulo, pela sua capacidade de ir a um lugar e de o deixar quando o Espírito Santo o chamou para outro», mas também «por tantos missionários da Igreja» que, no passado assim como ainda hoje, tiveram a coragem de partir. O Pontífice convidou também a rezar a fim de que o Espírito entre «no coração dos nossos jovens», onde «há um pouco de insatisfação» e «constranja-os a ir além, a consumir a vida por causas nobres». Provavelmente, disse, disto permanecerá só «uma lápide, com o nome, a data de nascimento, a data da morte; e passados alguns anos ninguém se lembrará deles», mas eles «despedir-se-ão do mundo em serviço. E esta é uma coisa boa!». Eis a invocação final: «Que o Espírito Santo, que vem agora, semeie no coração dos jovens esta vontade de partir e anunciar Jesus Cristo, “consumindo” a própria vida».
Zenit.org

Nesta terça-feira, o Santo Padre publicou em seu Twitter:

10/05/2016
As dificuldades podem revelar-se promotoras de unidade, para vencer todos os medos e construir juntos o futuro da Europa e do mundo.

O Papa Francisco tem twittado quase todos os dias

09/05/2016
Jesus, que subiu ao Céu, agora está no Senhorio de Deus, presente em cada espaço e tempo, próximo de cada um de nós.
08/05/2016
https://t.co/LZN8YrZXUL https://t.co/FEo1BAJcTm
07/05/2016
O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. #ComMisericordia50
06/05/2016
Cristo é a nossa maior alegria, está sempre ao nosso lado e nunca nos dececionará.
05/05/2016
O Senhor nos conforta. Todos estamos chamados a confortar os nossos irmãos, testemunhando que só Deus pode eliminar as causas dos
dramas.
04/05/2016
As dificuldades no caminho ecumênico nos estimulem a conhecermo-nos melhor, a rezar juntos e a colaborar nas obras de caridade.
03/05/2016
Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou.
02/05/2016
Temos o grave problema do trabalho, especialmente pelos altos níveis de desemprego juvenil, mas também pela questão da dignidade do
trabalho
01/05/2016
Cordiais bons votos aos fiéis das Igrejas do Oriente que celebram hoje a Santa Páscoa. Χριστὸς ἀνέστη!
30/04/2016
Trabalhar é próprio da pessoa humana: exprime a sua dignidade de ter sido criada à imagem de Deus.
29/04/2016
Cristo venceu o mal pela raíz: é a Porta da salvação, escancarada para que cada um possa encontrar a misericórdia.
28/04/2016 
Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, somente Deus com sua uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação.                              



Papa: o Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais

“O Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais”, disse o Papa na missa celebrada na manhã desta segunda-feira, 9.maio.2016. Francisco dirigiu ainda um pensamento especial às religiosas vicentinas que trabalham na Casa Santa Marta, no dia da festa litúrgica da fundadora da Companhia, Santa Luísa de Marillac.

O Pontífice exortou os fiéis a se deixarem guiar pelo Espírito Santo, que ensina o caminho da verdade. ‘Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo’, disse o Papa comentando o diálogo entre Paulo e alguns discípulos, em Éfeso, para se deter na presença do Espírito Santo na vida dos cristãos.

“Também hoje acontece como aconteceu aos discípulos que, mesmo crendo em Jesus, não sabiam quem era o Espírito Santo”, frisou Francisco, acrescentando que muitas pessoas dizem que aprenderam no catecismo que o Espírito Santo está na Trindade e não sabem mais nada além disso.

Não mais órfãos

“O Espírito Santo é aquele que move a Igreja. É aquele que trabalha na Igreja, em nossos corações. Ele faz de cada cristão uma pessoa diferente da outra, e de todos juntos faz a unidade. O Espírito Santo é aquele que leva adiante, escancara as portas e convida a testemunhar Jesus.”

Francisco observa que no inicio da missa, os fiéis ouviram: receberão o Espírito Santo e serão minhas testemunhas no mundo. “O Espírito Santo é aquele que nos impulsiona a louvar a Deus, nos induz a rezar. Ele reza, em nós. O Espírito Santo é aquele que está em nós e nos ensina a olhar para o Pai e dizer-lhe: Pai. Ele nos liberta da condição de órfão para a qual o espírito do mundo quer nos conduzir.”

“O Espírito Santo é o protagonista da Igreja viva. É aquele que trabalha na Igreja”, frisou ainda Francisco. “Porém, quando não vivemos isso, quando não estamos à altura dessa missão do Espírito Santo, a fé corre o risco de se reduzir a uma moral ou uma ética”.

“Não devemos nos deter em cumprir os mandamentos e nada mais. Isso pode ser feito, isso não; até aqui sim, até lá não! Dali se chega à casuística e a uma moral fria”.

Não tornar o Espírito Santo “prisioneiro de luxo”

O Santo Padre reitou dizendo que a vida cristã não é uma ética: é um encontro com Jesus Cristo e é o próprio Espírito Santo que leva a este encontro com Jesus Cristo.

“Mas nós, em nossas vidas, temos em nossos corações o Espírito Santo como um ‘prisioneiro de luxo’: não deixamos que ele nos impulsione, não deixamos que nos movimente. Ele faz tudo, sabe tudo, sabe nos lembrar o que Jesus disse, sabe nos explicar as coisas de Jesus. Somente uma coisa o Espírito Santo não sabe fazer: ‘cristãos de salão’. Ele não sabe fazer ‘cristãos virtuais’. Ele faz cristãos reais, Ele assume a vida real como ela é, com a profecia de ler os sinais dos tempos e assim nos levar avante. É o maior prisioneiro do nosso coração. Nós dizemos: é a terceira Pessoa da Trindade e acabamos ali.”

Refletir sobre o que o Espírito Santo faz em nossas vidas

Esta semana, acrescentou o Papa, será de reflexão sobre o que o Espírito Santo faz em “nossa” vida e perguntar-se se ele “nos” ensinou o caminho da liberdade.

“O Espírito Santo, que habita em mim, pede-me para sair: tenho medo? Como é a minha coragem, que o Espírito Santo me dá para sair de mim mesmo, para dar testemunho de Jesus?”continuou Francisco, e disse ainda: “Como está a minha paciência nas provações? Porque o Espírito Santo também dá a paciência.”

O Papa convida todos a pensar nesta semana de preparação para a Festa de Pentecostes se realmente acredita no Espírito Santo ou é apenas uma palavra.

“Procuremos falar com ele e dizer: “Eu sei que estás no meu coração, que estás no coração da Igreja, que levas adiante a Igreja, que fazes a unidade entre nós, mas diferentes entre nós, na diversidade de todos nós”, disse Francisco.

Ao concluir, o Pontífice orienta para “falarmos todas essas coisas e pedir a graça de aprender, mas praticamente na minha vida, o que Ele faz. É a graça da docilidade para com Ele: ser dócil ao Espírito Santo. Esta semana vamos fazer isso: pensemos no Espírito Santo, e falemos com ele.”


Papa: "Em todas as cidades vemos o mesmo céu, habitado por Cristo"

Cidade do Vaticano (RV) – Na oração mariana do Regina Coeli deste VII Domingo de Páscoa, dia 8 de maio de 2016, o Papa Francisco refletiu sobre o significado da Ascensão do Senhor em nossos dias:

Desde o dia da Ascensão, foi possível para todos os Apóstolos e discípulos habitar em qualquer cidade do mundo, até mesmo nas mais atingidas por injustiças e violências, porque acima de toda cidade há o mesmo céu, e cada morador pode levantar os olhos com esperança, porque naquele céu habita Deus, que se revelou tão próximo de nós que assumiu as feições de um homem, Jesus de Nazaré.

A proximidade aos doentes, encarcerados, idosos

E nós somos testemunhas da alegria de Deus não apenas com as palavras, mas com a vida cotidiana:

“Deus nunca nos deixa sós. Este é o testemunho que devemos levar durante a semana às casas, escritórios, escolas, aos lugares de encontro e de diversão; aos hospitais, cárceres, casas de idosos, periferias... e anunciar a todos a conversão, para o perdão dos pecados”.

Diante de uma multidão de fiéis que lotaram a Praça São Pedro, Francisco explicou ainda que esta missão anunciadora tem um segredo: a presença do Senhor ressuscitado, que com o dom do Espírito Santo abre nossas mentes e corações para anunciar seu amor e sua misericórdia, inclusive nos ambiente mais adversos de nossas cidades.

Deus está vivo e sempre conosco

Ele é sempre o ‘Deus conosco’, lembremo-nos: Emanuel, Deus conosco, que não nos deixa sós!, exclamou o Pontífice, convidando-nos a olhar adiante e reconhecer nosso futuro. “Ele está vivo!”, exclamou.

Comunicadores ergam pontes

Após rezar o Regina Coeli, o Papa quis se unir espiritualmente aos fiéis reunidos no Santuário de Pompeia para a tradicional Súplica à Nossa Senhora do Rosário. Em seguida, recordou que neste domingo (08/05), celebra-se o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, instituído pelo Concílio Vaticano II na consciência da importância crucial das comunicações, que “podem erguer pontes entre pessoas, famílias, grupos sociais e povos, seja no ambiente físico seja no digital”.

“Dirijo a todos os comunicadores uma saudação cordial e faço votos que o nosso modo de comunicar na Igreja tenha sempre um claro estilo evangélico, que uma verdade e misericórdia”.

Dia de todas as mães

Enfim, o Papa mencionou que em muitos países, hoje, celebra-se o dia das mães:

“Recordamos com gratidão e carinho todas as mães: as que estão hoje na praça, as que estão entre nós e as que foram para o céu. Confiamos todas elas a Maria, a mãe de Jesus. E juntos, rezemos a Ave Maria... “.


Alegria e esperança caminham juntas, explica Papa

Na manhã desta sexta-feira, 6.maio.2016, o Papa Francisco presidiu a Missa na Capela Santa Marta, no Vaticano. Sua homilia foi centrada na leitura do dia, extraída do Evangelho de João.

Antes da Paixão, Jesus adverte os discípulos que eles ficarão tristes, mas que esta tristeza se transformará num grito de alegria. Para explicar, Ele fala da imagem de uma mulher ao dar à luz. “É na dor porque chegou a sua hora; mas quando dá à luz o menino, esquece o sofrimento: espera na dor e exulta na alegria”.

Francisco disse que a dor é dor, mas se vivida com alegria e esperança abre as portas à alegria de um fruto novo. ” Esta imagem do Senhor nos deve ajudar nas dificuldades; dificuldades por vezes árduas, que nos levam até a duvidar de nossa fé… Mas com a alegria e a esperança vamos adiante, porque depois da tempestade chega um homem novo, como a mulher quando dá à luz. E Jesus diz que esta alegria e esperança são duradouras, não passam”.

Alegria e esperança caminham juntas

O Papa explicou que a alegria sem esperança é simples divertimento, passageira e que uma esperança sem alegria não é esperança, não vai além de um saudável otimismo.

“Mas alegria e esperança vão juntas e as duas fazem esta explosão que a Igreja, em sua liturgia, quase grita, sem pudor: Exulte a tua Igreja! Exulte de alegria. Sem formalidades, porque quando uma alegria é forte, não existe formalidade: é alegria”.

Francisco disse que a alegria fortalece a esperança e a esperança floresce na alegria. “E assim vamos adiante, mas todas as duas, com este comportamento que a Igreja quer dar a estas duas virtudes cristãs, indicam um ‘sair de nós mesmos’. A pessoa alegre não se fecha em si mesma; a esperança a leva lá, é precisamente uma âncora na praia do céu que nos faz sair de nós mesmos, com alegria e esperança”.

Alegria verdadeira

A alegria humana, explicou o Papa, pode ser extraída de qualquer coisa, inclusive das dificuldades. Ele explicou que Jesus, ao contrário, quer dar uma alegria que ninguém pode tirar.

“É duradoura, até nos momentos mais sombrios”. É o que acontece na Ascensão do Senhor: “Os discípulos, quando o Senhor vai embora e não o veem mais, ficam olhando para o céu com um pouco de tristeza, mas os anjos vêm a despertá-los”. E Lucas refere que “voltaram felizes, repletos de alegria”. “Aquela alegria de saber que a nossa humanidade entrou no céu, pela primeira vez!”, diz o Papa.

Ao concluir, Francisco explicou que a esperança de viver e de chegar ao Senhor se torna uma alegria que se apodera de toda a Igreja.

“Que o Senhor nos dê esta graça, de uma alegria grande, que seja a expressão da esperança, uma esperança forte, que se torne alegria em nossa vida. Que o Senhor custodie esta alegria e esta esperança, para que ninguém as tire de nós”.


Europa seja uma mãe acolhedora, deseja Papa Francisco

Em cerimônia no Vaticano, o Papa Francisco recebeu, na manhã desta sexta-feira, 6.maio.2016, o Prêmio ‘Carlos Magno’ e proferiu às autoridades presentes um discurso reiterando, já no início, que esse reconhecimento é dedicado a toda a Europa.

Ilustres Senhoras e Senhores!

Dou-vos as minhas cordiais boas-vindas e agradeço a vossa presença. Sinto-me particularmente agradecido aos senhores Marcel Philipp, Jürgen Linden, Martin Schulz, Jean-Claude Juncker e Donald Tusk pelas suas amáveis palavras. Desejo reiterar a minha intenção de dedicar à Europa este prestigioso Prémio com que sou honrado: com efeito não estamos a comemorar qualquer gesto, mas queremos aproveitar o ensejo para, juntos, almejarmos um novo e corajoso impulso a este amado Continente.

A criatividade, o engenho, a capacidade de se levantar e sair dos seus limites pertencem à alma da Europa. No século passado, ela deu testemunho à humanidade de que era possível um novo começo: depois de anos de trágicos confrontos, culminados na guerra mais terrível de que se tem memória, surgiu – com a graça de Deus – uma novidade sem precedentes na história. As cinzas dos escombros não puderam extinguir a esperança e a busca do outro que ardiam no coração dos Pais fundadores do projeto europeu. Estes lançaram os alicerces dum baluarte de paz, dum edifício construído por Estados que se uniram, não por imposição, mas por livre escolha do bem comum, renunciando para sempre a guerrear-se. Finalmente, depois de tantas divisões, a Europa reencontrou-se a si mesma e começou a edificar a sua casa.

Esta «família de povos»,1 que entretanto se foi louvavelmente ampliando, nos últimos tempos parece sentir como menos suas as paredes da casa comum distanciando-se por vezes, na sua consolidação, do luminoso projeto arquitetado pelos Pais. Aquela atmosfera de novidade e aquele desejo ardente de construir a unidade aparecem sempre mais amortecidos; nós, filhos daquele sonho, somos tentados a ceder aos nossos egoísmos, tendo em vista apenas os próprios interesses e pensando em construir recintos particulares. Estou convencido, porém, de que a resignação e o cansaço não pertencem à alma da Europa e que as próprias «dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade».2

No Parlamento Europeu, tomei a liberdade de falar de Europa avó. Dizia aos eurodeputados que crescia, de diferentes partes, a impressão geral duma Europa cansada e envelhecida, não fértil e sem vitalidade, onde os grandes ideais que a inspiraram parecem ter perdido o seu fascínio; uma Europa decadente que parece ter perdido a sua capacidade geradora e criativa; uma Europa tentada mais a querer garantir e dominar espaços do que a gerar processos de inclusão e transformação; uma Europa que se vai «entrincheirando», em vez de privilegiar ações que promovam novos dinamismos na sociedade; dinamismos capazes de envolver e mobilizar todos os atores sociais (grupos e indivíduos) na busca de novas soluções para os problemas atuais, que frutifiquem em acontecimentos históricos importantes; uma Europa que, longe de proteger espaços, se torne mãe geradora de processos (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 223).

Que te sucedeu, Europa humanista, paladina dos direitos humanos, da democracia e da liberdade? Que te sucedeu, Europa terra de poetas, filósofos, artistas, músicos, escritores? Que te sucedeu, Europa mãe de povos e nações, mãe de grandes homens e mulheres que souberam defender e dar a vida pela dignidade dos seus irmãos?

O escritor Elie Wiesel, sobrevivente dos campos nazistas de extermínio, dizia que hoje é de importância capital realizar uma «transfusão de memória». É preciso «fazer memória», distanciar-se um pouco do presente para ouvir a voz dos nossos antepassados. A memória permitir-nos-á não só de evitar cometer os mesmos erros do passado (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 108), mas dar-nos-á acesso também às conquistas que ajudaram os nossos povos a ultrapassar com êxito as encruzilhadas históricas que iam encontrando. A transfusão de memória liberta-nos da tendência atual, muitas vezes mais fascinante, de forjar à pressa, sobre areias movediças, resultados imediatos que poderiam produzir «ganhos políticos fáceis, rápidos e efémeros, mas que não constroem a plenitude humana» (ibid., 224).

Para isso, será útil evocar os Pais fundadores da Europa. Eles souberam procurar estradas alternativas, inovadoras num contexto marcado pelas feridas de guerra. Tiveram a audácia não só de sonhar a ideia de Europa, mas ousaram transformar radicalmente os modelos que provocavam apenas violência e destruição. Ousaram procurar soluções multilaterais para os problemas que pouco a pouco se iam tornando comuns.

No ato que muitos reconhecem como o nascimento da primitiva comunidade europeia, disse Robert Schuman: «A Europa não se fará duma só vez, nem através duma construção de conjunto; far-se-á através de realizações concretas que criem, antes de tudo, uma solidariedade de facto».3 Precisamente agora, neste nosso mundo dilacerado e ferido, é preciso voltar àquela solidariedade de facto, à mesma generosidade concreta que se seguiu à II Guerra Mundial, porque «a paz mundial – continuava Schuman – não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam».4 Os projetos dos Pais fundadores, arautos da paz e profetas do futuro, não estão superados: inspiram-nos hoje, mais do que nunca, a construir pontes e a derrubar muros. Parecem expressar um premente convite a não contentar-se com retoques cosméticos ou compromissos tortuosos para se corrigir qualquer Tratado, mas a estabelecer corajosamente bases novas, com raízes fortes; como afirmava Alcide De Gasperi, é preciso que nós «todos, igualmente animados pela preocupação do bem comum das nossas pátrias europeias, da nossa Pátria Europa», recomecemos, sem medo, um «trabalho construtivo que requer todos os nossos esforços de paciente e longa cooperação».5

Esta transfusão de memória permite inspirar-nos no passado para enfrentar corajosamente o complexo quadro multipolar dos nossos dias, aceitando com determinação o desafio de «atualizar» a ideia de Europa; uma Europa capaz de dar à luz um novo humanismo baseado sobre três capacidades: a capacidade de integrar, a capacidade de dialogar e a capacidade de gerar.

Capacidade de integrar
Na sua estupenda obra A ideia de Europa, Erich Przywara desafia-nos a pensar a cidade como um lugar de convivência entre vários órgãos e níveis. Estava ciente da tendência reducionista que está presente em cada tentativa de pensar e sonhar o tecido social. A beleza, encontrada em muitas das nossas cidades, deve-se ao facto de serem capazes de conservar ao longo do tempo as diferenças de épocas, nações, estilos, perspetivas. Basta olhar o inestimável património cultural de Roma, para se confirmar uma vez mais que a riqueza e o valor dum povo se radicam precisamente no facto de saber articular todos estes níveis numa sadia convivência. Os reducionismos e todas as tentativas uniformizadoras, longe de gerar valor, condenam os nossos povos a uma pobreza cruel: a da exclusão. E a exclusão, longe de trazer grandeza, riqueza e beleza, provoca vilania, penúria e brutalidade. Longe de proporcionar nobreza ao espírito, fá-lo cair na mesquinhez.

As raízes dos nossos povos, as raízes da Europa foram-se consolidando no decurso da sua história, aprendendo a integrar em sínteses sempre novas as culturas mais diversas e sem aparente ligação entre elas. A identidade europeia é, e sempre foi, uma identidade dinâmica e multicultural.

A atividade política sabe que tem entre mãos este trabalho fundamental e inadiável. Sabemos que «o todo é mais do que a parte, sendo também mais do que a simples soma delas», pelo que será preciso esforçar-se por «alargar sempre o olhar para reconhecer um bem maior que trará benefícios a todos nós» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 235). Somos convidados a promover uma integração que encontra na solidariedade a forma de fazer as coisas, a forma de construir a história; uma solidariedade que nunca se pode confundir com a esmola, mas há de ser entendida como geração de oportunidades para que todos os habitantes das nossas cidades – e de muitas outras cidades – possam desenvolver a sua vida com dignidade. O tempo tem-nos ensinado que não é suficiente a mera inserção geográfica das pessoas; o desafio é uma vigorosa integração cultural.

Assim a comunidade dos povos europeus poderá vencer a tentação de refugiar-se em paradigmas unilaterais e aventurar-se em «colonizações ideológicas»; em vez disso redescobrirá a amplitude da alma europeia, nascida do encontro de civilizações e povos, mais vasta do que as fronteiras atuais da União e chamada a tornar-se modelo de novas sínteses e de diálogo. Com efeito, o que caracteriza o rosto da Europa não é contrapor-se aos outros, mas trazer impressos os traços de várias culturas e a beleza de vencer os confinamentos. Sem esta capacidade de integração, as palavras pronunciadas outrora por Konrad Adenauer ressoarão hoje como profecia de futuro: «O futuro do Ocidente não está ameaçado tanto pela tensão política, como sobretudo pelo perigo da massificação, da uniformidade do pensamento e do sentimento; em resumo, por todo o sistema de vida, pela fuga da responsabilidade, tendo como única preocupação o próprio eu».6

Capacidade de diálogo
Se há uma palavra que devemos repetir, sem nunca nos cansarmos, é esta: diálogo. Somos convidados a promover uma cultura do diálogo, procurando por todos os meios abrir instâncias para o tornar possível e permitir-nos reconstruir o tecido social. A cultura do diálogo implica uma autêntica aprendizagem, uma ascese que nos ajude a reconhecer o outro como um interlocutor válido, que nos permita ver o forasteiro, o migrante, a pessoa que pertence a outra cultura como sujeito a ser ouvido, considerado e apreciado. Hoje é urgente envolvermos todos os atores sociais na promoção duma «cultura que privilegie o diálogo como forma de encontro», fomentando «a busca de consenso e de acordos mas sem a separar da preocupação por uma sociedade justa, capaz de memória e sem exclusões» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 239). A paz será duradoura na medida em que armarmos os nossos filhos com as armas do diálogo, lhes ensinarmos a boa batalha do encontro e da negociação. Desta forma, poderemos deixar-lhes em herança uma cultura que saiba delinear estratégias não de morte mas de vida, não de exclusão mas de integração.

Esta cultura do diálogo, que deveria constar em todos os currículos escolares como eixo transversal das disciplinas, ajudará a incutir nas gerações jovens uma forma de resolver os conflitos diferente daquela a que os temos habituado. Hoje é urgente poder realizar alianças já não apenas militares ou económicas, mas culturais, educacionais, filosóficas, religiosas; alianças que ponham em evidência que frequentemente, por trás de muitos conflitos, está em jogo o poder de grupos económicos; alianças, capazes de defender o povo de ser manipulado para fins impróprios. Armemos o nosso povo com a cultura do diálogo e do encontro.

Capacidade de gerar
O diálogo, com tudo o que implica, lembra-nos que ninguém se pode limitar a ser espetador, nem mero observador. Todos, desde o menor ao maior, são parte ativa na construção duma sociedade integrada e reconciliada. Esta cultura é possível, se todos participarmos na sua elaboração e construção. A situação atual não admite meros observadores de lutas alheias; pelo contrário, é um forte apelo à responsabilidade pessoal e social.

Neste sentido, têm um papel preponderante os nossos jovens. Estes não são apenas o futuro dos nossos povos, mas o presente; são aqueles que já hoje estão a forjar, com os seus sonhos, com a sua vida, o espírito europeu. Não podemos pensar no amanhã, sem lhes proporcionar uma participação real como operadores de mudança e transformação. Não podemos imaginar a Europa sem os tornar participantes e protagonistas deste sonho.

Refletindo recentemente sobre este aspeto, interrogava-me: Como podemos fazer os nossos jovens participantes desta construção, quando os privamos de emprego, de trabalhos dignos que lhes permitam desenvolver-se com as suas mãos, a sua inteligência e as suas energias? Como pretendemos reconhecer-lhes o valor de protagonistas, quando não param de crescer as taxas de desemprego e subemprego de milhões de jovens europeus? Como evitar a perda dos nossos jovens, que acabam por sair para outros lugares à procura de ideais e sentido de pertença, porque aqui, na sua terra, não lhes sabemos oferecer oportunidades nem valores?

«A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral».7 Se queremos imaginar diferentes as nossas sociedades, precisamos de criar postos de trabalho digno e bem remunerado, especialmente para os nossos jovens.

Isto requer a busca de novos modelos económicos, mais inclusivos e equitativos, orientados não para o serviço de poucos, mas para benefício do povo e da sociedade. Isto pede-nos a passagem duma economia líquida a uma economia social. Penso, por exemplo, na economia social de mercado, encorajada pelos meus Predecessores.8 Passar duma economia que tenha em vista o rendimento e o lucro com base na especulação e empréstimo com juros, para uma economia social que invista nas pessoas criando postos de trabalho e qualificação.

Devemos passar duma economia líquida, que tende a favorecer a corrupção como meio para obter lucro, a uma economia social que garanta o acesso à terra, à casa, por meio do trabalho como âmbito onde as pessoas e as comunidades possam fazer valer as suas «muitas dimensões da vida: a criatividade, a projetação do futuro, o desenvolvimento das capacidades, a exercitação dos valores, a comunicação com os outros, uma atitude de adoração. Por isso, a realidade social do mundo atual exige que, acima dos limitados interesses das empresas e duma discutível racionalidade económica, “se continue a perseguir como prioritário o objetivo do acesso ao trabalho para todos”9» (Enc. Laudato si’, 127).

Se queremos apontar para um futuro que seja digno, se queremos um futuro de paz para as nossas sociedades, só o poderemos alcançar apostando na verdadeira inclusão: «a inclusão que dá o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário».10 Esta passagem (duma economia líquida a uma economia social) não só criará novas perspetivas e concretas oportunidades de integração e inclusão, mas dar-nos-á novamente a capacidade de sonhar aquele humanismo, cujo berço e fonte é a Europa.

Para o renascimento duma Europa cansada mas ainda rica de energias e potencialidades, pode e deve contribuir a Igreja. A sua tarefa coincide com a sua missão: o anúncio do Evangelho, que hoje, mais do que nunca, se traduz sobretudo em sair ao encontro das feridas do homem, levando a presença forte e simples de Jesus, a sua misericórdia consoladora e encorajante. Deus quer habitar entre os homens, mas só o pode fazer através de homens e mulheres que, como os grandes evangelizadores do Continente, sejam tocados por Ele e vivam o Evangelho sem outras ambições. Só uma Igreja rica de testemunhas poderá de novo dar a água pura do Evangelho às raízes da Europa. A propósito, o caminho dos cristãos rumo à plena unidade é um grande sinal dos tempos, ditado pela exigência de responder urgentemente ao apelo do Senhor «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21).

Com a mente e o coração, com esperança e sem vãs nostalgias, como um filho que reencontra na mãe Europa as suas raízes de vida e de fé, sonho um novo humanismo europeu, «um caminho constante de humanização», ao qual servem «memória, coragem e utopia sadia e humana».11 Sonho uma Europa jovem, capaz de ainda ser mãe: uma mãe que tenha vida, porque respeita a vida e dá esperanças de vida. Sonho uma Europa que cuida da criança, que socorre como um irmão o pobre e quem chega à procura de acolhimento porque já não tem nada e pede abrigo. Sonho uma Europa que escuta e valoriza as pessoas doentes e idosas, para que não sejam reduzidas a objetos de descarte porque improdutivas. Sonho uma Europa, onde ser migrante não seja delito, mas apelo a um maior compromisso com a dignidade de todos os seres humanos. Sonho uma Europa onde os jovens respirem o ar puro da honestidade, amem a beleza da cultura e duma vida simples, não poluída pelas solicitações sem fim do consumismo; onde casar e ter filhos sejam uma responsabilidade e uma alegria grande, não um problema criado pela falta de trabalho suficientemente estável. Sonho uma Europa das famílias, com políticas realmente eficazes, centradas mais nos rostos do que nos números, mais no nascimento dos filhos do que no aumento dos bens. Sonho uma Europa que promova e tutele os direitos de cada um, sem esquecer os deveres para com todos. Sonho uma Europa da qual não se possa dizer que o seu compromisso em prol dos direitos humanos constituiu a sua última utopia. Obrigado.


Papa fala sobre tipos de cristãos: múmias, errantes e teimosos

Jesus é o caminho justo da vida cristã e é importante verificar constantemente se o estamos seguindo com coerência ou se a experiência de fé foi perdida ou interrompida ao longo do caminho. Este foi o centro da reflexão feita pelo Papa Francisco na missa da manhã desta terça-feira, 3.maio.2016, na Casa Santa Marta.

A vida da fé é um caminho e ao longo dele se encontram vários tipos de cristãos. O Papa fez uma breve lista deles: cristãos-múmias, cristãos errantes, cristãos teimosos, cristãos meio-termo – aqueles que se encantam diante de um belo panorama e ficam parados. Gente que por uma ou outra razão se esqueceu que o único caminho justo, como recorda o Evangelho do dia, é Jesus, que confirma a Tomé: “Eu sou o caminho, quem me viu, viu o Pai”.

“Múmias espirituais”

Francisco examinou cada uma destas tipologias de cristãos confusos, começando antes de tudo pelo cristão que “não caminha”, que dá a ideia de ser um pouco “embalsamado”.

“Um cristão que não caminha, que não percorre a estrada, é um cristão um pouco ‘paganizado’: fica ali, parado, não vai avante na vida cristã, não faz florescer as bem-aventuranças em sua vida, não faz obras de misericórdia… É estático. Desculpem-me a palavra, mas é como se fosse uma ‘múmia’, uma ‘múmia espiritual’. Parados… Não fazem mal, mas não fazem bem”.

Os teimosos e os errantes

Eis então que surge o cristão obstinado. Quando se caminha, explicou Francisco,  pode-se errar a estrada, mas isso não é o pior. Para o Papa, “a tragédia é ser teimosos e dizer ‘este é o caminho’ e não deixar que a voz do Senhor nos diga ‘volte atrás e retome o caminho certo’. E depois, existe a quarta categoria, a dos cristãos que caminham, mas não sabem para onde vão”.

“São errantes na vida cristã, vagantes. A vida deles é vagar, aqui e ali, e perdem assim a beleza de se aproximar de Jesus na vida de Jesus. Perdem o caminho porque vagam e, muitas vezes, esse vagar, vagar errante, os levam a uma vida sem saída: o muito vagar se transforma em labirinto e depois não sabem sair. Perderam o chamado de Jesus. Não têm bússola para sair e vagam; procuram. Há outros que no caminho são seduzidos por uma beleza, por algo e param na metade do caminho, fascinados por aquilo que veem, por aquela ideia, por aquela proposta, por aquela paisagem … E param! A vida cristã não é um fascínio: é uma verdade! É Jesus Cristo!”.

O momento das perguntas

Diante dessas reflexões Francisco disse que podemos nos questionar. Como vai o caminho cristão que iniciei no Batismo? Está parado? Errei o caminho? Vago continuamente e não sei aonde ir espiritualmente? Paro diante das coisas que gosto: a mundanidade, a vaidade ou vou sempre adiante, tornando concretas as Bem-aventuranças e as Obras de misericórdia? Porque o caminho de Jesus é tão cheio de consolações, de glória e também de cruzes. Mas sempre com paz na alma”.

“Esta é a nossa pergunta do dia, façamo-la, cinco minutinhos. Como eu sou neste caminho cristão? Parado, errante, vagando, parando diante das coisas de que gosto ou diante de Jesus ‘Eu sou o caminho’? E peçamos ao Espírito Santo que nos ensine a caminhar bem, sempre! E quando nos cansarmos, façamos uma pequena pausa e avante. Peçamos esta graça”.


Papa explica ação do Espírito Santo no coração do homem

O Papa Francisco começou a semana celebrando, nesta segunda-feira, 2.maio.2016 a Missa na capela de sua residência, a Casa Santa Marta. Próximo da celebração de Pentecostes, as leituras falam sempre mais do Espírito Santo.

Francisco recordou uma passagem dos Atos dos Apóstolos em que o Senhor abriu o coração de uma mulher de nome Lídia, uma comerciante de púrpura que, na cidade de Tiatira, ouvia as palavras de Paulo.

“Essa mulher sentiu algo dentro de si, que a levou a dizer: ‘Isso é verdade! Eu estou de acordo com aquilo que este homem diz, este homem que testemunha Jesus Cristo. O que ele diz é verdade!’. Mas quem tocou o coração desta mulher? Quem lhe disse: ‘Ouça, porque é verdade’? Foi precisamente o Espírito Santo que fez com que esta mulher sentisse que Jesus era o Senhor; fez com que sentisse que a salvação estava nas palavras de Paulo; fez com que esta mulher ouvisse um testemunho.”

O Papa explicou que o Espírito dá testemunho de Jesus e todas as vezes que nós sentimos no coração algo que nos aproxima de Jesus, é o Espírito que trabalha dentro de nós.

Perseguição

Francisco disse que o Evangelho fala de um testemunho duplo: o Espírito que testemunha Jesus e o nosso testemunho. Nós somos testemunhas do Senhor com a força do Espírito. Jesus convida os discípulos a não se escandalizarem, porque o testemunho carrega consigo as perseguições. Das “pequenas perseguições das fofocas”, das críticas àquelas grandes perseguições, de que a história da Igreja está repleta, que leva os cristãos à prisão e os leva até mesmo a dar a vida.

“É o preço do testemunho cristão”, disse Jesus. “Expulsarão vocês das sinagogas e chegará a hora em que alguém, ao matar vocês, pensará que está oferecendo um sacrifício a Deus. O cristão, com a força do Espírito, testemunha que o Senhor vive, que o Senhor ressuscitou, que está entre nós e celebra conosco Sua Morte e Ressurreição, toda vez que nos dirigimos ao altar. O cristão dá também testemunho, ajudado pelo Espírito, em sua vida cotidiana, com o seu modo de agir, mas, muitas vezes, esse testemunho provoca ataques e perseguições.”

Francisco explicou que o Espírito Santo, que nos fez conhecer Jesus, é o mesmo que nos impele a torná-Lo conhecido, não tanto com palavras, mas com o testemunho de vida.

“É bom pedir ao Espírito Santo que venha ao nosso coração para dar testemunho de Jesus, e dizer-lhe: ‘Senhor, que eu não me distancie de Jesus. Ensina-me o que Jesus ensinou. Faz-me lembrar o que Jesus disse e fez, e ajuda-me a testemunhar estas coisas. Que a mundanidade, as coisas fáceis, as coisas que vem do pai da mentira, do príncipe deste mundo, o pecado, não me distanciem do testemunho'”.

Que os cristãos caminhem na luz, não na vida dupla, pede Papa

Na homilia desta sexta-feira, 29.abril.2016, o Papa Francisco comentou o trecho da Carta de São João, em que o Apóstolo coloca os fiéis diante da responsabilidade de não ter uma vida dupla: luz de fachada e trevas no coração. A vida do cristão é ser límpido como Deus e sem pecado, porque não há erro reconhecido que não atraia a ternura e o perdão do Pai.

“Se dizemos que não temos pecado, fazemos de Deus um mentiroso”, afirmou Francisco, ressaltando a eterna luta do homem contra o pecado e pela graça. “Se você diz que está em comunhão com o Senhor, então caminhe na luz. Mas vida dupla, não! Isso não! Aquela mentira que nós estamos tão acostumados a ver, e também a cair, não? Dizer uma coisa e fazer outra. Sempre a tentação… A mentira nós sabemos de onde vem: Na Bíblia, Jesus chama o diabo de ‘pai da mentira, o mentiroso”.

“Meus Filhos” é o início da carta de São João, uma introdução carinhosa, observou Francisco, e que reflete a doçura das palavras do Evangelho do dia, quando Jesus define como “leve” o seu fardo e promete descanso aos fadigados e oprimidos. Do mesmo modo, o apelo de João é para não pecar, mas se alguém o fez, não deve se desencorajar, pois Deus é maior que o pecado humano e está sempre esperando para perdoar.

E essa é a misericórdia de Deus, concluiu o Papa, a grandeza de Deus que sabe que o homem não é nada e somente Dele vem a força. “Caminhemos na luz, porque Deus é luz. Não caminhar com um pé na luz e outro nas trevas. Não seja mentiroso. E outra: todos pecamos, ninguém pode dizer: ‘Este é um pecador, esta é uma pecadora. Eu, graças a Deus, sou justo’. Não, somente um é o Justo, aquele que pagou por nós. E se alguém peca, Ele espera, nos perdoa, porque é misericordioso e sabe que somos plasmados, recorda que nós somos pó. Que a alegria que esta Leitura nos dá nos leve avante na simplicidade e na transparência da vida cristã, principalmente quando nos dirigimos ao Senhor, com a verdade”.

Papa: o Espírito Santo é o protagonista da Igreja

O protagonista da Igreja é o Espírito Santo, afirmou o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 28.abril.2016, na Casa Santa Marta. O Santo Padre comentou a célebre passagem dos Atos dos Apóstolos sobre o chamado “Concílio” de Jerusalém.

O Papa observou que o protagonista da Igreja é o Espírito Santo. “É Ele que desde o primeiro momento deu força aos apóstolos para proclamar o Evangelho. É o Espírito que faz tudo, o Espírito que conduz a Igreja adiante mesmo com seus problemas, mesmo quando se desencadeia a perseguição”.

É o Espírito quem dá a força para os fiéis permanecerem na fé, inclusive diante da resistência a insistência dos doutores da lei. Neste caso, explicou o Papa, há uma dupla resistência à ação do Espírito: a daqueles que acreditavam que Jesus tinha vindo somente para o povo eleito e daqueles que queriam impor a lei de Moisés, incluindo a circuncisão, aos pagãos convertidos. O Papa observou que houve uma grande confusão em tudo isso.

“O Espírito colocava seus corações em uma estrada nova: eram as surpresas do Espírito. E os apóstolos viram-se em situações que nunca teriam imaginado, situações novas. E como lidar com estas novas situações?”

Francisco explicou que por isso os discípulos convocaram uma reunião em Jerusalém, na qual cada um contou sua experiência de como o Espírito Santo também descia sobre os pagãos. Os presentes ouviam Barnabé e Paulo, que relatavam os sinais e prodígios que Deus havia realizado entre as nações.

“Ouvir, não ter medo de ouvir. Quando alguém tem medo de ouvir, não tem o Espírito em seu coração. Ouvir: ‘Você o que acha e por quê?’. Ouvir com humildade. E depois de terem ouvido, decidiram enviar às comunidades gregas, isto é, aos cristãos que vieram do paganismo, enviar alguns discípulos para tranquilizá-los e dizer-lhes: ‘Tudo bem, continuem assim’”.

O Santo Padre explicou ainda que, ao final da reunião, os discípulos decidiram escrever uma carta em que o protagonista era o Espírito Santo, era aquele que os acompanhavam em todas as suas decisões. Este é o caminho da Igreja, enfatizou o Papa.

“E quando o Espírito nos surpreende com uma coisa que parece nova, ‘que nunca foi assim’, ‘deve-se fazer assim’. Pensem no Vaticano II, nas resistências ao Concílio… e o cito porque é um evento próximo de nós. Quantas resistências: ‘mas não…’. Ainda hoje persistem resistências, de uma forma ou outra, e o Espírito vai adiante. O caminho da Igreja é esse: reunir-se, unir-se juntos, ouvir-se, discutir, rezar e decidir. Esta é a chamada sinodalidade da Igreja, na qual se expressa a comunhão da Igreja. E quem faz a comunhão? É o Espírito! De novo é ele o protagonista. O que nos pede o Senhor? Docilidade ao Espírito. O que nos pede o Senhor? Para não termos medo ao ver que é o Espírito que nos chama. Peçamos ao Senhor a graça de entender como a Igreja vai avante”

Papa na catequese: quem ignora o sofrimento do homem ignora Deus

A Parábola do Bom Samaritano foi o foco da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 27 de abril de 2016, com mais de 25 mil fiéis de Roma e de todo o mundo.

Francisco resumiu aos fiéis a parábola: um homem, viajando no caminho entre Jerusalém e Jericó, foi interceptado por bandidos que o roubaram e o agrediram. Um sacerdote, um levita e um samaritano passaram por ali. O sacerdote e o levita eram religiosos, conheciam a Palavra de Deus, mas ignoraram o homem que acabava de ser assaltado e agredido. A ajuda veio do samaritano, um judeu cismático, visto como estrangeiro, pagão e impuro.

Catequese na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje refletimos sobre a Parábola do Bom Samaritano (cfr Lc 10, 25-37). Um doutor da Lei coloca Jesus à prova com esta pergunta: “Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” (v. 25). Jesus lhe pede que dê ele mesmo a resposta, e ele a dá perfeitamente: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a sua alma, com toda a tua força e com toda a tua mente, e o teu próximo como a si mesmo” (v.27). Jesus então conclui: “Faça isso e viverás” (v. 28).

Então aquele homem faz outra pergunta, que se torna muito preciosa para nós: “Quem é o meu próximo?” (v. 29) e implica: “os meus parentes? Os meus compatriotas? Aqueles da minha religião?”. Em suma, quer uma regra clara que lhe permita classificar os outros de “próximo” e “não-próximo”, naqueles que possam se tornar próximos e naqueles que não possam se tornar próximos.

E Jesus responde com uma parábola, que coloca em cena um sacerdote, um levita e um samaritano. Os dois primeiros são figuras ligadas ao culto do templo; o terceiro é um judeu cismático, considerado como um estrangeiro, pagão e impuro, isso é, o samaritano. No caminho de Jerusalém a Jericó, o sacerdote e o levita se deparam com um homem moribundo, que os assaltantes assaltaram, derrubaram e abandonaram. A Lei do Senhor em situações similares previa a obrigação de socorrê-lo, mas ambos passam além sem parar. Estavam com pressa… O sacerdote, talvez, olhou para o relógio e disse: “Mas, chego tarde à Missa…Devo dizer Missa”. E o outro disse: “Mas, não sei se a Lei me permite, porque há sangue ali e ficarei impuro…”. Vão por outro caminho e não se aproximam. E aqui a parábola nos oferece um primeiro ensinamento: não é automático que quem frequenta a casa de Deus e conhece a sua misericórdia saiba amar o próximo. Não é automático! Você pode conhecer toda a Bíblia, você pode conhecer todas as rubricas litúrgicas, você pode conhecer toda a teologia, mas do conhecer não é automático o amar: o amar tem outro caminho, é preciso inteligência, mas também algo a mais… O sacerdote e o levita veem, mas o ignoram; olham, mas não providenciam. No entanto, não existe verdadeiro culto se esse não se traduz em serviço ao próximo. Não esqueçamos isso nunca: diante do sofrimento de tanta gente esgotada pela fome, pela violência e pelas injustiças, não podemos permanecer espectadores. Ignorar o sofrimento do homem, o que significa? Significa ignorar Deus! Se eu não me aproximo daquele homem, daquela mulher, daquela criança, daquele idoso ou daquela idosa que sofre, não me aproximo de Deus.

Mas venhamos ao centro da parábola: o samaritano, isso é, justamente aquele desprezado, aquele em quem ninguém apostaria nada e que também tinha os seus compromissos e as suas coisas a fazer, quando vê o homem ferido, não passou além como os outros dois, que eram ligados ao Templo, mas “teve compaixão” (v. 33). Assim diz o Evangelho: “Teve compaixão”, isso é, o coração, as vísceras, se comoveu! Eis a diferença. Os outros dois “viram”, mas seus corações permaneceram fechados, frios. Em vez disso, o coração do samaritano estava sintonizado com o próprio coração de Deus. De fato, a “compaixão” é uma característica essencial da misericórdia de Deus. Deus tem compaixão de nós. O que quer dizer? Sofre conosco, sente nossos sofrimentos. Compaixão significa “compartilhar com”. O verbo indica que as vísceras se movam e tremem diante do mal do homem. E nos gestos e nas ações do bom samaritano reconhecemos o agir misericordioso de Deus em toda a história da salvação. É a mesma compaixão com que o Senhor vem ao encontro de cada um de nós: Ele não nos ignora, conhece as nossas dores, sabe quanto precisamos de ajuda e de consolação. É próximo a nós e nunca nos abandona. Cada um de nós, faça-se a pergunta e responda no coração: “Eu acredito nisso? Eu acredito que o Senhor tem compaixão de mim, assim como sou, pecador, com tantos problemas e tantas coisas?”. Pensar nisso e a resposta é: “Sim!”. Mas cada um deve olhar no coração se tem a fé nessa compaixão de Deus, de Deus bom que se aproxima, nos cura, nos acaricia. E se nós o rejeitamos, Ele espera: é paciente e está sempre próximo a nós.

O samaritano se comporta com verdadeira misericórdia: acaba com as feridas daquele homem, leva-o para um albergue, cuida dele pessoalmente e providencia sua assistência. Tudo isso nos ensina que a compaixão, o amor, não é um sentimento vago, mas significa cuidar do outro até pagar pessoalmente. Significa comprometer-se realizando todos os passos necessários para “aproximar-se” do outro até identificar-se com ele: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Eis o mandamento do Senhor.

Concluída a parábola, Jesus toma a pergunta do doutor da Lei e lhe pergunta: “Quem destes três te parece que tenha sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?” (v. 36). A resposta é, finalmente, inequivocável: “Quem teve compaixão dele” (v. 27). No início da parábola, para o sacerdote e o levita o próximo era o moribundo; ao término, o próximo é o samaritano que se fez próximo. Jesus toma a perspectiva: não classificar os outros para ver quem é o próximo e quem não é. Você pode se tornar o próximo de quem quer que esteja em necessidade, e o será se tiver compaixão no teu coração, isso é, se tiver aquela capacidade de sofrer com o outro.

Esta parábola é um presente maravilhoso para todos nós e também um compromisso! A cada um de nós Jesus repete isso que disse ao doutor da Lei: “Vá e faça assim” (v. 37). Somos todos chamados a percorrer o mesmo caminho do bom samaritano, que é figura de Cristo: Jesus se inclinou sobre nós, se fez nosso servo, e assim nos salvou, para que também nós possamos amar como Ele nos amou, do mesmo modo.
Canção Nova


O Papa denuncia o clericalismo e a criação de uma “elite laical”

Vaticano, 26.abril.2016 (zenit.org) – Em carta dirigida ao Exmo. Card. Marc Ouellet, presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, o Papa Francisco refletiu sobre a participação pública dos leigos na vida dos povos latino-americanos, tema este abordado no encontro do pontífice com os membros participantes da Assembleia da Pontifícia Comissão para a América Latina e do Caribe, ou seja, o “indispensável compromisso dos fieis leigos na vida pública dos países latino-americanos”.

Francisco partiu de um olhar para o povo santo de Deus, entendendo que “um pai não se entende a si mesmo sem os seus filhos. Pode ser um excelente trabalhador, profissional, esposo, amigo, mas o que o torna pai tem rosto: são os seus filhos. O mesmo acontece conosco, somos pastores. Um pastor não se concebe sem um rebanho que está chamado a servir”.

Por tanto, refletir nos leigos significa sair das belas frases e passar para a ação. É reconhecer que todos entramos na Igreja como leigos. “Ninguém foi batizado sacerdote ou bispo”, esclareceu o papa.

Um dos principais erros – já denunciado em outras ocasiões pelo bispo de Roma – é o do clericalismo. Esta atitude anula a personalidade dos cristãos e tem a tendência de diminuir e desvalorizar a graça batismal, segundo Francisco. “O clericalismo se esquece de que a visibilidade e a sacramentalidade da Igreja pertence a todo o Povo de Deus e não só a uns poucos eleitos e iluminados”

Contudo o papa destaca nessa carta que a religiosidade popular tem sido um dos poucos lugares livres do clericalismo. Apontou, assim, que “Uma ação que não fica ligada à esfera íntima da pessoa mas, pelo contrário, se transforma em cultura”.

O pastor tem, portanto, a missão de acompanhar o leigo, mas não de atuar no lugar dele. Escreveu o pontífice:

“Nunca é o pastor que deve dizer ao leigo o que deve ou não dizer. Eles sabem o mesmo ou até mais do que nós. Não é o pastor que deve determinar o que o leigo deve dizer nos diversos âmbitos. Como pastores, unidos ao nosso povo, devemos perguntar-nos como estamos estimulando e promovendo a caridade e a fraternidade, o desejo do bem, da verdade, e da justiça. Como fazemos para que a corrupção não crie raízes nos nossos corações”

Erroneamente criamos uma ‘elite laical’ – afirmou o Papa – acreditando que só são leigos comprometidos aqueles que trabalham em “coisas de padres” e esquecemos, descuidamos do fiel que muitas vezes queima a esperança na luta diária por viver a fé”

O pastor, assim, está sempre “discernindo com o nosso povo e nunca pelo nosso povo ou sem o novo povo”.

Nesse sentido, “A enculturação é um trabalho de artesãos e não uma fábrica de produção em série de processos que se dedicariam a “fabricar mundos ou espaços cristãos”.

A principal tarefa dos pastores é a de cuidar especialmente de duas memórias, segundo Francisco: a memória de Jesus Cristo e a memória dos antepassados porque “Perder a memória é desenraizar-nos de onde viemos e, por conseguinte, não saberemos para onde vamos”

Por fim, Francisco destacou o papel da família na vida de fé dos leigos. “Foi no silêncio da vida familiar onde a maioria de nós aprendeu a rezar, amar, viver a fé”.

Leia as últimas mensagens do Papa Francisco, publicadas em seu Twitter:

27/04/2016
A esperança cristã é um dom que Deus nos concede, se sairmos de nós mesmos e nos abrirmos a Ele.
26/04/2016
Abramos ao Senhor os nossos sepulcros selados – cada um de nós os conhece -, para que Jesus entre e dê vida.
25/04/2016
Todos são chamados a cuidar da vida das famílias: elas não são um problema, são uma oportunidade.


"Que o tempo no cárcere seja experiência de crescimento"

Cidade do Vaticano, 25.abri.2016 (RV) - “Não se fechem no passado; transformem-no em caminho de crescimento, de fé e de caridade. Deem a Deus a possibilidade de fazê-los brilhar através desta experiência”. É o que escreve o Papa em uma carta aos detentos do cárcere de Velletri, nas proximidades de Roma. A carta de Francisco é uma resposta à mensagem recebida pelo Bispo Dom Marcello Semeraro em sua visita à prisão, em 5 de março passado, quando celebrou uma missa.

“Agradeço por pensarem em mim em meio às dificuldades da sua vida atual”, afirma o Papa. “Confesso que eu também muitas vezes penso em vocês e nas pessoas que vivem nas prisões. “É por isso que quando faço visitas pastorais, peço sempre – quando é possível – para encontrar irmãos e irmãs como vocês, que vivem uma liberdade com limites, para levar o meu carinho e a minha proximidade”.

“Vocês vivem uma experiência na qual o tempo parece estar parado, parece que não passa nunca, mas a dimensão real do tempo não é a do relógio. Estejam certos de que Deus nos ama pessoalmente; para Ele a sua idade e cultura não têm importância, nem mesmo o que vocês foram, as coisas que fizeram, as metas que alcançaram, os erros que cometeram, as pessoas que feriram”.

“Na história da Igreja, muitos chegaram à santidade através de experiências duras e difíceis”, conclui o Papa, fazendo um convite aos detentos: “Abram a porta de seu coração a Cristo e será Ele a reverter a sua situação”.

O cárcere de Velletri foi construído em 1999 e abriga atualmente 505 detentos, em dois pavilhões.

O mal da corrupção
      
A corrupção é considerada pela ONU o crime mais dispendioso de todos, causa de muitos outros. A corrupção propicia a ocupação de cargos por pessoas indignas, manobras políticas, compra de votos, licitações desonestas, o desvio, a malversação e o desperdício do dinheiro público, a impunidade, o tráfico de drogas, a sua veiculação nos presídios etc.
Certa vez, um rei perguntou aos seus ministros a causa de o dinheiro público não chegar ao seu destino como quando saiu da sua fonte. Um ministro mais velho, sentado na outra cabeceira da mesa, tomou uma grande pedra de gelo e pediu que a passassem de mão em mão até o Rei. Quando a pedra lá chegou estava bem menor. O ministro então disse: é essa a explicação: “passa por muitas mãos e sempre deixa alguma coisa”.  
        
“Aquele que ama o ouro não estará isento de pecado; aquele que busca a corrupção será por ela cumulado. O ouro abateu a muitos... Bem-aventurado o rico que foi achado sem mácula... Quem é esse homem para que o felicitemos? Àquele que foi tentado pelo ouro e foi encontrado perfeito está reservada uma glória eterna:... ele podia fazer o mal e não o fez” (Eclo 31, 5-10). São palavras de Deus para todos nós.

Ao ler o título desse artigo, pensa-se logo nos políticos. Mas há muita gente, fora da política, que se enquadra nesse título: quantos exploradores da coisa pública, quantos sugadores do Estado, que não são políticos! Aí se enquadram todos os profissionais ou amadores que se corrompem pelo dinheiro.  Quem vota por dinheiro é corrupto. Quem vota apenas por emprego próprio é corrupto. Quem corre atrás dos políticos para conseguir benesses espúrias é corrupto.
 
O Papa Francisco tem insistido sobre a diferença entre pecado e corrupção, entre o pecador e o corrupto. Segundo ele, pecadores somos todos nós, mas o corrupto é aquele que deu um passo a mais: perdeu a noção do bem e do mal. Já não tem mais o senso do pecado. Os corruptos fazem de si mesmos o único bem, o único sentido; negando-se a reconhecer a Deus, o sumo Bem, fazem para si um Deus especial: são Deus eles mesmos. O Papa lembrou que São Pedro foi pecador, mas não corrupto, ao passo que Judas, de pecador avarento, acabou na corrupção. “Que o Senhor nos livre de escorregar neste caminho da corrupção. Pecadores sim, corruptos, não.” (Homilia, 4/6/2013).

A Igreja proclamou padroeiro dos Governantes e dos Políticos São Tomás More, “o homem que não vendeu sua alma”, exatamente porque soube ser coerente com os princípios morais e cristãos até ao martírio. Advogado, Lorde Chanceler do Reino da Inglaterra, preferiu perder o cargo com todas as suas regalias e a própria vida a trair sua consciência.

No atual clima de corrupção e venalidade que invadiu o sistema social, político, eleitoral e governamental, possa o exemplo de Santo Tomás More ensinar aos políticos, atuais e futuros, e a todos nós, que o homem não pode se separar de Deus, nem a política da moral, e que a consciência não se vende por nenhum preço, mesmo que isto nos custe caro e até a própria vida.

Dom Fernando Rifan - Bispo administrador apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Francisco pede no Regina Coeli a libertação dos sequestrados na Síria e no mundo

Agradece aos jovens pelo seu “alegre e sonoro testemunho” e lhes recorda o exemplo dos beatos mártires de Burgos

Após a missa que o papa Francisco celebrou na Praça de São Pedro, diante de uns 70 mil jovens participantes do Jubileu da Misericórdia, e por ocasião do canto do Regina Coeli, o Papa disse as seguintes palavras, transcritas aqui por ZENIT:

Texto completo:

“No final desta celebração jubilar, o meu pensamento se dirige particularmente a vós, queridos meninos e meninas. Vieram da Itália e de várias partes do mundo para viver momentos de fé e de fraterna convivência. Obrigado por vosso alegre e sonoro testemunho. Sigam em frente com coragem!

Ontem em Burgos, Espanha, foram proclamados beatos os sacerdotes Valentín Palencia Marquina e os seus quatro companheiros mártires, jovens assassinados pela sua fé durante a guerra civil espanhola. Louvemos ao Senhor por estes valentes testemunhos e por sua intercessão supliquemos a eles a libertação do mundo de todas as violências.

Está sempre vivo em mim a preocupação pelos irmãos bispos, sacerdotes e religiosos, católicos e ortodoxos, sequestrados há muito tempo na Síria. Que Deus misericordioso toque o coração dos sequestrados e conceda o mais rapidamente possível a estes irmãos a libertação e que possam voltar às suas comunidades. Por isso convido todos a rezar, sem esquecer-se das outras pessoas sequestradas no mundo.

Confiamos as nossas aspirações e nossas esperanças à intercessão de Maria, Mãe de Misericórdia”.

(Depois da bênção).

“Queridos jovens, você celebraram o Jubileu: agora voltem para casa com alegria da vossa identidade cristã. De pé, com a cabeça erguida, e com a vossa identidade nas vossas mãos e no vosso coração. Que o Senhor vos acompanhe. E, por favor, rezem também por mim. Obrigado”.

Texto completo da homilia do Papa no jubileu dos adolescentes

“O amor é o único documento válido para ser discípulos de Jesus”, evitando falso modelos, com amor concreto na sua vida

«Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35).

Cidade do Vaticano, 24.abril.2016 (zenit.org) – Queridos adolescentes, que grande responsabilidade nos confia hoje o Senhor! Diz-nos que as pessoas reconhecerão os discípulos de Jesus pelo modo como se amam entre si. Por outras palavras, o amor é o bilhete de identidade do cristão, é o único «documento» válido para sermos reconhecidos como discípulos de Jesus. O único documento válido. Se este documento perde a validade e não se volta a renová-lo, deixamos de ser testemunhas do Mestre. Por isso vos pergunto: Quereis acolher o convite de Jesus para ser seus discípulos? Quereis ser seus amigos fiéis? O verdadeiro amigo de Jesus distingue-se essencialmente pelo amor concreto; não um amor «nas nuvens», não; o amor concreto que brilha na sua vida. O amor é sempre concreto. Quem não é concreto e fala de amor, faz uma telenovela, um romance televisivo. Quereis viver este amor que Ele nos dá? Quereis ou não? Procuremos então frequentar a sua escola, que é uma escola de vida, para aprender a amar. E este é um trabalho de todos os dias: aprender a amar.

Antes de mais nada, amar é belo, é o caminho para sermos felizes. Mas não é fácil: é exigente, requer esforço. Pensemos, por exemplo, quando recebemos um presente: isto torna-nos felizes; mas, para preparar aquele presente, houve pessoas generosas que dedicaram tempo e esforço; e, assim, dando-nos algo de presente, deram-nos também um pouco de si mesmas, algo de que souberam privar-se. Pensemos também na prenda que vos deram os vossos pais e animadores, permitindo-vos vir a Roma para este Jubileu que vos é consagrado. Projetaram, organizaram, prepararam tudo para vós: e isto dava-lhes alegria, embora tenham talvez renunciado a uma viagem para eles. Esta é a dimensão concreta do amor. De facto, amar quer dizer dar… e não só coisas materiais, mas algo de nós mesmos: o próprio tempo, a própria amizade, as próprias capacidades.

Olhemos para o Senhor, que é imbatível em generosidade. D’Ele recebemos tantos dons, e todos os dias deveremos agradecer-Lhe… Gostava de vos perguntar: Agradeceis ao Senhor todos os dias? Mesmo que nos esqueçamos, Ele não Se esquece de nos oferecer cada dia um dom especial; não se trata de um presente que se possa ter materialmente nas mãos e usar, mas de um dom maior, um dom para a vida. Que nos oferece o Senhor? Oferece-nos uma amizade fiel, dom de que nunca nos privará. O Senhor é o amigo para sempre. Mesmo se O dececionas e te afastas d’Ele, Jesus continua a amar-te e a permanecer junto de ti, continua a crer em ti mais de quanto crês tu em ti próprio. Esta é a dimensão concreta do amor que Jesus nos ensina. E isto é muito importante! Pois a principal ameaça, que impede de crescer como se deve, é ninguém se importar de ti – e isto é triste -, é quando sentes que te deixam de lado. Ao contrário, o Senhor está sempre contigo e sente-Se contente em estar contigo. Como fez com os seus jovens discípulos, fixa-te nos olhos e chama-te para O seguir, «fazer-te ao largo» e «lançar as redes» confiado na sua palavra, ou seja, a pôr a render os teus talentos na vida, juntamente com Ele, sem medo. Jesus espera pacientemente por ti, aguarda uma resposta, espera o teu «sim».

Queridos adolescentes, na vossa idade, surge também em vós, de modo novo, o desejo de vos afeiçoardes e de receberdes afeto. Se fordes assíduos à escola do Senhor, Ele ensinar-vos-á a tornar mais belos também o afeto e a ternura. Colocar-vos-á no coração um intuito bom: querer bem sem me apoderar, amar as pessoas sem querer possuí-las, mas deixando-as livres. Pois o amor é livre! Não existe verdadeiro amor que não seja livre! É a liberdade que nos deixa o Senhor, quando nos ama. Ele sempre está perto de nós. De facto, existe sempre a tentação de poluir o afeto com a pretensão instintiva de agarrar, «possuir» aquilo de que se gosta; e isto é egoísmo. A própria cultura consumista agrava esta tendência. Mas, se se aperta muito uma coisa, esta mirra-se, estraga-se: depois fica-se dececionado, com o vazio dentro. Se ouvirdes a voz do Senhor, revelar-vos-á o segredo da ternura: cuidar da outra pessoa, o que significa respeitá-la, protegê-la e esperar por ela. E essa é a dimensão concreta da ternura e do amor.

Nestes anos de juventude, sentis também um grande desejo de liberdade. Muitos dir-vos-ão que ser livre significa fazer aquilo que se quer. Mas a isto é preciso saber dizer não. Se tu não sabes dizer não, não és livre. Livre é aquele que sabe dizer sim e sabe dizer não. A liberdade não é poder fazer sempre aquilo que me apetece: isto torna-nos fechados, distantes, impede-nos de ser amigos abertos e sinceros; não é verdade que, quando eu estou bem, tudo está bem. Não, não é verdade. Ao contrário, a liberdade é o dom de poder escolher o bem: esta é a liberdade. E é livre quem escolhe o bem, quem procura aquilo que agrada a Deus, ainda que custe; não é fácil. Mas penso que vós, jovens, não tendes medo dos esforços, sois corajosos! Só com opções corajosas e fortes é que se realizam os sonhos maiores, os sonhos pelos quais vale a pena gastar a vida. Opções corajosas e fortes. Não vos contenteis com a mediocridade, com «deixar correr» ficando cómodos e sentados; não vos fieis de quem vos distrai da verdadeira riqueza que sois vós, dizendo que a vida só é bela se se possuir muitas coisas; desconfiai de quem quer fazer-vos crer que valeis quando vos mascarais de fortes, como os heróis dos filmes, ou quando vestis pela última moda. A vossa felicidade não tem preço, nem se comercializa; não é uma “app” que se descarrega do telemóvel: nem a versão mais atualizada vos poderá ajudar a tornar-vos livres e grandes no amor. A liberdade é outra coisa.

Com efeito, o amor é o dom livre de quem tem o coração aberto; o amor é uma responsabilidade, mas uma responsabilidademaravilhosa, que dura toda a vida; é o compromisso diário de quem sabe realizar grandes sonhos. Ai dos jovens que não sabem sonhar, que não ousam sonhar! Se um jovem, na vossa idade, não é capaz de sonhar, já se aposentou, não serve. O amor nutre-se de confiança, respeito, perdão. O amor não se realiza falando dele, mas quando o vivemos: não é uma poesia suave que se aprende de memória, mas uma opção de vida a pôr em prática! Como podemos crescer no amor? Também nisto o segredo é o Senhor: Jesus dá-Se-nos a Si mesmo na Missa, oferece-nos o perdão e a paz na Confissão. Aí aprendemos a acolher o seu Amor, a assumi-lo, a repô-lo em circulação no mundo. E quando parece exigente amar, quando é difícil dizer não àquilo que é errado, erguei os olhos para a cruz de Jesus, abraçai-a e não largueis a sua mão que vos conduz para o alto e vos levanta quando caís. Na vida, sempre se cai, porque somos pecadores, somos fracos. Mas temos a mão de Jesus que nos ergue, que nos levanta. Jesus quer-nos de pé! Aquela bela palavra que Jesus dizia aos paralíticos: «Levanta-te». Deus criou-nos para estarmos de pé. Existe uma bela canção que os alpinos cantam quando sobem. A canção diz assim: «na arte de subir, importante não é o não cair, mas o não permanecer caído»! Ter a coragem de levantar-se, de nos deixarmos reerguer pela mão de Jesus. E esta mão muitas vezes chega até nós pela mão de um amigo, pela mão dos pais, pela mão daqueles que nos acompanham na vida. O próprio Jesus em pessoa está ali. Levantai-vos! Deus quer-nos de pé, sempre de pé!

Sei que sois capazes de gestos de grande amizade e bondade. Sois chamados a construir o futuro assim: juntamente com os outros e para os outros, jamais contra outro qualquer! Não se constrói «contra»: isto chama-se destruição. Fareis coisas maravilhosas, se vos preparardes bem já desde agora, vivendo plenamente esta vossa idade tão rica de dons, e sem ter medo do esforço. Fazei como os campeões desportivos, que alcançam altas metas treinando-se, humilde e duramente, todos os dias. O vosso programa diário sejam as obras de misericórdia: treinai-vos com entusiasmo nelas, para vos tornardes campeões de vida, campeões de amor! Assim sereis reconhecidos como discípulos de Jesus. Assim tereis o bilhete de identidade de cristãos. E garanto-vos: a vossa alegria será completa.

Tweet do Papa Francisco neste Domingo:

24/04/2016
Queridos jovens, com a graça de Deus, vocês podem ser cristãos autênticos e corajosos, testemunhas de amor e de paz.

Papa faz visita surpresa em Roma para apoiar iniciativa ecológica


Francisco associou-se à «Aldeia para a Terra», dos Focolares

Roma, 24 abr 2016 (Ecclesia) – O Papa efetuou hoje uma visita surpresa ao parque de Villa Borghese, em Roma, para associar-se a uma iniciativa ecológica do Movimento dos Focolares, a ‘Aldeia da Terra’.

“Vocês são pessoas que fazem com que o deserto se torne floresta”, disse no palco da ‘Aldeiai, deixando de lado o discurso previamente preparado.

Francisco saiu esta tarde do Vaticano, numa viagem não anunciada, rumo a Villa Borghese, onde estavam reunidas cerca de 3500 pessoas, entre elas a presidente dos Focolares, Maria Voce.

“Nunca, nunca e nunca virar as costas para não ver. Neste mundo, parece que quem não paga, não pode viver: no centro está o deus-dinheiro. Quem não se pode aproximar para adorá-lo, acaba na fome, na doença e na exploração”, alertou.

O Papa advertiu depois que muitos se fecham em “desertos”, “no coração e nas cidades, nas periferias”.

“Vivemos uma terceira guerra mundial aos bocados. É preciso correr o risco de aproximar-se para conhecer a realidade”, observou.

Francisco explicou que em qualquer conflito existe “risco e oportunidade”.

“É preciso viver a vida tal como ela nos é dada, como faz um guarda-redes no futebol. Não devemos ter medo de ir ao deserto para transformá-lo em vida”, prosseguiu.

A intervenção ressaltou ainda a importância do perdão, que contraria “a amargura, o ressentimento”.

“Temos todos de trabalhar juntos, respeitar-nos e, assim, veremos este milagre: um deserto que se transforma em floresta”, concluiu.

A ‘Aldeia para a Terra’ foi organizada com a finalidade de fazer redescobrir “a vocação à fraternidade universal da cidade de Roma”, através de workshops, jogos, aprofundamentos e a partilha de experiências.

O evento foi organizado para acompanhar a assinatura do Acordo de Paris na sede na ONU, em Nova Iorque, e por ocasião do Dia da Terra (22 de abril).

Jubileu: Vida sem Jesus é como celular sem sinal, diz Papa aos adolescentes

Francisco associou-se a vigília de oração e festa no Estádio Olímpico de Roma

Cidade do Vaticano, 24 abr 2016 (Ecclesia) – O Papa associou-se na noite de sábado à vigília de oração e festa que os participantes no Jubileu dos adolescentes celebraram no Estádio Olímpico de Roma, e disse-lhes que a vida sem Jesus é como um telemóvel sem sinal.

 “Estou certo de que isto também acontece convosco: às vezes o telemóvel fica sem sinal, nalguns lugares. Pois bem, lembrem-se que se Jesus não está em nossa vida é como não ter sinal. Não se consegue falar e fechamo-nos em nós mesmos”, declarou, numa videomensagem transmitida nos ecrãs gigantes do estádio.

Francisco convidou os jovens a ficar “onde há sinal” que lhes permite viver a sua fé, “a família, a paróquia, a escola”.

A noite de testemunhos, oração e reflexão foi uma das etapas da celebração do Jubileu que os adolescentes celebraram com o Papa, horas depois de o próprio pontífice se ter associado à celebração do Sacramento da Reconciliação, confessando vários jovens na Praça de São Pedro.

Na videomensagem transmitida no Estádio Olímpico de Roma, Francisco agradeceu a presença dos jovens e falou dos lenços que muitos deles estavam a usar, evocando as obras corporais de misericórdia.

“As obras são gestos simples, que pertencem à vida de todos os dias, permitindo reconhecer o rosto de Jesus no rosto de tantas pessoas. Inclusive jovens! Jovens como vocês que têm fome, sede, que são refugiados ou forasteiros ou doentes e pedem a nossa ajuda e a nossa amizade”, explicou.

Francisco disse ainda que ser misericordiosos significa também ser capazes de perdoar, algo que “não é fácil”.

“Não permaneçamos com rancor ou com desejo de vingança! Não serve para nada: é um bicho que come a alma e não nos permite ser felizes. Perdoemos”, apelou.

Imagem da Virgem Maria resistiu a terremoto e consola Equador

GUAYAQUIL, 22 Abr2016 / 12:00 pm (ACI).- Tudo desabou ao seu redor, entretanto, a urna de vidro com a imagem de Nossa Senhora da Luz permaneceu intacta depois do terremoto de 7,8 graus que ocorreu no sábado, 16 de abril, no Equador.

A foto da imagem da Virgem Maria que resistiu o sismo circula nas redes sociais. Esta foto foi tirada na unidade educativa Leonie Aviat da paróquia de Tarqui em Manta, uma das zonas costeiras mais afetadas pelo sismo.

Nuestra Sra de la Luz

Conforme explicou ao Grupo ACI a Irmã Patricia Esperança, da comunidade das Oblatas de São Francisco de Sales em Guayaquil, na escola administrada pela sua congregação apenas restou escombros e as religiosas ainda estão surpreendidas pelo que aconteceu.

A urna da Virgem Maria, padroeira das Oblatas, não sofreu nenhum dano, apesar de a escola ficar totalmente destruída.



Papa aparece de surpresa para confessar adolescentes no Vaticano

Neste sábado, 23.abr.2016, a Praça São Pedro se transformou em um grande confessionário a céu aberto, com 150 sacerdotes atendendo confissões dos jovens, entre eles o próprio Pontífice, para a surpresa dos fiéis.

O Jubileu dos adolescentes reúne em Roma 70 mil participantes, com idades entre os 13 e os 16 anos provenientes de todas as dioceses de Itália e também de Portugal,  Espanha, França e Inglaterra.

O programa da celebração jubilar para os mais novos está estruturado em quatro momentos principais: a peregrinação à Porta Santa da Basílica de São Pedro, a Festa dos Adolescentes no Estádio Olímpico de Roma, hoje ao fim do dia, a Missa com o Papa Francisco, este domingo, e as Tendas da Misericórdia.

Sete praças no Centro Histórico de Roma vão acolher as ‘Tendas da Misericórdia’, com testemunhos sobre as obras de misericórdia espiritual e corporal.

Francisco divulgou em janeiro uma mensagem para este Jubileu da Misericórdia dos Adolescentes, intitulada ‘Crescer misericordiosos como o Pai’.

“Não acreditem nas palavras de ódio e terror que se repetem com frequência; pelo contrário, construam novas amizades. Ofereçam o vosso tempo, preocupem-se sempre com que lhes pede ajuda. Sejam corajosos, contra a corrente”, escreve o Papa.

“Estejam preparados para se tornarem cristãos capazes de escolhas e gestos corajosos, capazes de construir cada dia, mesmo nas pequenas coisas, um mundo de paz”, acrescenta.

A mensagem explica os objetivos do ano santo extraordinário (dezembro de 2015-novembro de 2016), o terceiro na história da Igreja Católica, como um período de reflexão e de descoberta.

Aos adolescentes que vivem em áreas de conflitos, de guerras e de extrema pobreza, Francisco pede para que não percam a esperança.

“O Senhor tem um grande sonho a realizar juntamente com vocês. Os amigos da mesma idade, que vivem em condições menos dramáticas do que as suas, lembram-se de vocês e comprometem-se para que a paz e a justiça possam pertencer a todos”, assinala.

Também nos últimos dias o Papa Francisco deixou mensagens em seu Twitter:

23/04/2016
Queridos jovens, os seus nomes estão escritos no céu, no coração misericordioso do Pai. Sejam corajosos, contracorrente!
22/04/2016
Uma verdadeira abordagem ecológica sabe cuidar do ambiente e da justiça, ouvindo o clamor da terra e o clamor dos pobres.
21/04/2016
As mudanças climáticas constituem hoje um dos principais desafios para a humanidade, e a resposta requer a solidariedade de todos.

Missa em Santa Marta - Cristãos com três dimensões

O cristão, «homem de esperança», sabe e testemunha que «Jesus está vivo» e «entre nós», que Jesus reza ao Pai «por cada um de nós» e que «voltará». Na missa celebrada em Santa Marta na sexta-feira 22 de abril de 2016, o Papa Francisco sintetizou assim a relação entre cada crente e Jesus ressuscitado. Partindo da liturgia do dia, o Pontífice frisou três palavras fundamentais para a vida do cristão: o «anúncio», a «intercessão» e a «esperança».

Antes de tudo o anúncio. Como se lê também na leitura que contém um trecho dos Atos dos apóstolos (13, 26-33). “Quando João e Pedro foram levados ao Sinédrio, depois da cura do paralítico, e os sacerdotes os proibiram de falar do nome de Jesus, da Ressurreição; eles, com toda a coragem e a simplicidade diziam: ‘Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos, o anúncio. E nós, cristãos pela fé, temos o Espírito Santo dentro de nós, que nos faz ver e escutar a verdade sobre Jesus, que morreu por nossos pecados e ressuscitou. Este é o anúncio da vida cristã: Cristo é vivo! Cristo ressuscitou e está entre nós na comunidade, nos acompanha no caminho”.

O anúncio é substancialmente «o testemunho que os apóstolos dão da ressurreição de Jesus». Assim Paulo afirma na sinagoga: «Depois de ter cumprido tudo quanto estava escrito acerca dele, desceram-no da cruz, colocaram-no no sepulcro. Mas Deus ressuscitou-o dos mortos e ele apareceu por muitos dias aos que tinham ido com ele da Galileia até Jerusalém, e que agora dele dão testemunho ao povo». Portanto, sintetizou o Papa, o «anúncio é: Jesus morreu e ressuscitou por nós, para a nossa salvação. Jesus está vivo!». Eis quanto transmitiram os primeiros discípulos «aos judeus e aos pagãos do seu tempo» e «testemunharam até com a sua vida e com o seu sangue».

“Quando João e Pedro foram levados ao Sinédrio, depois da cura do paralítico, e os sacerdotes os proibiram de falar do nome de Jesus, da Ressurreição; eles, com toda a coragem e a simplicidade diziam: ‘Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos, o anúncio. E nós, cristãos pela fé, temos o Espírito Santo dentro de nós, que nos faz ver e escutar a verdade sobre Jesus, que morreu por nossos pecados e ressuscitou. Este é o anúncio da vida cristã: Cristo é vivo! Cristo ressuscitou e está entre nós na comunidade, nos acompanha no caminho”.

Muitas vezes, comentou o pontífice, “fadigamos em receber este anúncio, mas Cristo ressuscitado é uma realidade e é necessário dar testemunho disso. Aquilo que vimos com os nossos olhos, o que ouvimos, aquilo que tocámos com as nossas mãos...». Como para dizer: «Cristo ressuscitado é uma realidade e eu dou testemunho disto». como afirma João.

A segunda palavra-chave proposta pelo Pontífice é a «intercessão». Desta vez, a sugestão veio-lhe do Evangelho de João (14, 1-6). De fato, durante a ceia da Quinta-Feira Santa, os apóstolos estavam tristes e Jesus disse: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós”.

“Que isso quer dizer? Como Jesus prepara o lugar? Com a sua oração por cada um de nós. Jesus reza por nós e esta é a intercessão. Jesus trabalha neste momento com a sua oração por nós. Assim como disse a Pedro uma vez, “Pedro rezei por ti’, antes da Paixão, também agora Jesus é o intercessor entre o Pai e nós”.

Mas, a este ponto, surge a pergunta: «E como reza Jesus?». A resposta de Francisco foi muito «pessoal» – «uma coisa minha», especificou, «não é um dogma da Igreja» – e abrangente: «Eu penso que Jesus mostra as chagas ao Pai, porque as levou consigo, depois da ressurreição: mostra as chagas ao Pai e nomeia cada um de nós». Segundo o Pontífice, pode-se imaginar assim a oração de Jesus. E o cristão está animado por este certeza: «neste momento Jesus intercede por nós».

Por fim, o Papa falou da terceira dimensão do cristão: a esperança. “O cristão – disse ele – é uma mulher e um homem de esperança, que espera a volta do Senhor”. Toda a Igreja, prosseguiu, “aguarda a vinda de Jesus: Ele voltará. E esta é a esperança cristã”:

“Podemos nos perguntar, cada um de nós: como é o anúncio na minha vida? Como é a minha relação com Jesus que intercede por mim? E como é a minha esperança? Acredito realmente que o Senhor ressuscitou? Acredito que o Pai reza por mim? Toda vez que o chamo, Ele está rezando por mim, intercede. Acredito realmente que o Senhor voltará, virá? Nos fará bem perguntar isso sobre a nossa fé: acredito no anúncio? Acredito na intercessão? Sou um homem ou uma mulher de esperança?” Precisamente porque «espera que o Senhor volte». A este propósito, acrescentou o Pontífice, «é bom» observar «como inicia e como termina a Bíblia». No início lê-se: «No princípio...», ou seja, «quando as coisas começaram». E o Apocalipse termina «com a oração: “Vem Senhor Jesus». De fato, toda a Igreja «está na expectativa da vinda de Jesus: Jesus voltará». Esta é, disse o Pontífice, a esperança cristã».

Por isso, concluiu o Papa sintetizando a sua meditação, cada um pode questionar-se: «Como é o anúncio na minha vida? Como é a minha relação com Jesus que intercede por mim? E como é a minha esperança? Acredito deveras que o Senhor ressuscitou? Acredito que reza por mim ao Pai?»; e por fim: «Acredito verdadeiramente que o Senhor voltará?». Por outras palavras: «creio no anúncio? Creio na intercessão? Sou um homem ou uma mulher de esperança?».
L'Osservatore Romano/zenit.org

Papa: fazer memória das coisas belas de Deus na nossa vida

Quinta-feira, 21 de abril de 2016 – na Missa na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco afirmou que devemos fazer memória das coisas belas de Deus na nossa vida, porque isso reforça o caminho da fé.

Partindo da leitura do dia em que S. Paulo entra na sinagoga de Antioquia e anuncia o Evangelho partindo dos primórdios do povo eleito, passando por Abraão e Moisés, o Egito e a Terra Prometida, Francisco considerou que é fundamental a “pregação histórica” dos discípulos porque permite recordar os momentos mais salientes e os sinais da presença de Deus na vida de cada um.

Fazer memória, tal como na Eucaristia, permite ver a presença de Deus na nossa vida – disse o Papa – “faz bem ao coração cristão fazer memória do meu caminho: como o Senhor me conduziu até aqui, como me trouxe pela mão” – afirmou.

Fazer memória permite também agradecer a Jesus que não deixa nunca de caminhar na “nossa história” mesmo quando lhe fechamos a porta – observou o Santo Padre no final da sua homilia – porque a “memória aproxima-nos de Deus”:

“Eu aconselho-vos isto, simplesmente: fazei memória! Como foi a minha vida, como foi o meu dia hoje ou como foi este último ano? Memória. Como foram as minhas relações com o Senhor. Memória das coisas belas, grandes que o Senhor fez na vida de cada um de nós.”
Radio Vaticano

Papa Francisco deixou uma mensagem em seu Twitter:

21/04/2016
As mudanças climáticas constituem hoje um dos principais desafios para a humanidade, e a resposta requer a solidariedade de todos.

Francisco à Caritas: sede para os pobres a carícia da Igreja

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (21/04/2016), na Sala Paulo VI, no Vaticano, os participantes da conferência promovida pela Caritas Italiana, um encontro que teve lugar em Sacrofano, cidade próxima de Roma, e contou com a presença de membros das Caritas espalhadas pelas dioceses italianas.

O pontífice recordou que há 45 anos nascia esse organismo eclesial, fortemente desejado pelo Beato Paulo VI. Em 1972, por ocasião do primeiro encontro nacional da Caritas, ele confiou ao organismo o seguinte mandato: “Conscientizar as Igrejas locais e os fiéis ao sentido e dever da caridade em formas cônsonas às necessidades e aos tempos”.

“Hoje, com fidelidade renovada ao Evangelho e ao mandato recebido, vós entrais em novas estradas de confronto e avaliação para aprofundar e orientar melhor o que até agora foi feito e desenvolvido. A sua missão educacional, que visa sempre à comunhão na Igreja e a um serviço com horizontes amplos, requer o compromisso de um amor concreto a todo ser humano, com uma opção preferencial pelos pobres”, destacou o Papa.

“Diante dos desafios e contradições do nosso tempo, a Caritas tem a difícil, mas fundamental tarefa de fazer com que o serviço caritativo se torne um compromisso de cada um de nós e que toda comunidade cristã se torne sujeito de caridade. Eis o objectivo principal do ser e agir da Caritas: ser estímulo e ânimo a fim de que toda a comunidade cresça na caridade e saiba encontrar caminhos novos para estar próxima aos pobres, seja capaz de ler e enfrentar as situações que oprimem milhões de fiéis, na Itália, em demais países da Europa, e no mundo.”

O Papa também recordou que “diante dos desafios globais que semeiam medo, iniquidade, especulações financeiras, degradação ambiental e guerras, é necessário educar para o encontro respeitoso e fraterno entre culturas e civilizações para o cuidado da Criação e por uma ecologia integral”.

Francisco encorajou os membros da Caritas a promoverem comunidades que tenham paixão pelo diálogo e reconciliação, que se esforcem para prevenir a marginalização, que incidam nos mecanismos que geram injustiça, trabalhem contra toda estrutura de pecado. “Trata-se de educar pessoas e grupos a estilos de vida conscientes a fim de que todos se sintam responsáveis por todos. Este é o trabalho valioso e extenso das Caritas paroquiais que é preciso difundir cada vez mais no território.”

O Papa convidou também as Caritas a prosseguirem no compromisso e proximidade aos migrantes.
“O fenómeno das migrações, que hoje apresenta aspectos críticos que devem ser geridos com políticas orgânicas e previdentes, permanece uma riqueza e um recurso, sob diferentes pontos de vista. Que possais favorecer cada vez mais a integração entre populações estrangeiras e cidadãos italianos, oferecendo aos agentes instrumentos culturais e profissionais adequados à complexidade do fenómeno e suas peculiaridades”, disse Francisco.

“O testemunho da Caritas se torna autêntico e crível quando envolve todos os momentos e relações da vida, mas o seu berço e sua casa é a família, Igreja doméstica. A família é constitucionalmente ‘Caritas’ porque o próprio Deus a fez assim: a alma da família e da sua missão é o amor. Este amor misericordioso que eu recordei na Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, sabe acompanhar, discernir e integrar as situações de fragilidade”, concluiu o Pontífice.
Radio Vaticano

Páscoa judaica: mensagem do Papa à Comunidade Judaica de Roma

Cidade do Vaticano, 21.abril.2016 (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem de felicitações à Comunidade Judaica de Roma por ocasião da festa de Pesach, que comemora a libertação do povo de Israel da escravidão na terra do Egito. A festa judaica tem início esta sexta-feira (22/04) e prossegue até sábado, 30 de abril.

Na mensagem, o Pontífice recorda sua visita, em 17 de janeiro passado, à Comunidade judaica da cidade. Francisco ressalta que a festa de Pesach recorda que o Onipotente libertou seu amado povo da escravidão e o conduziu à terra prometida.

“Ele vos acompanhe também hoje com a abundância de suas bênçãos, proteja a vossa comunidade e, em sua misericórdia, conceda a cada um a paz”, auspicia o Santo Padre pedindo que rezem por ele, ao tempo em que assegura suas orações. “O Altíssimo nos conceda poder crescer sempre mais na amizade”, conclui o Papa.

Momento político
      
Muitos cobram da Igreja um pronunciamento sobre o momento político. Permanecendo no campo dos princípios, “a Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende de modo algum imiscuir-se na política dos Estados, mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação... (Bento XVI, Caritas in Veritate, 9). “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política... não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça... não poderá firmar-se nem prosperar” (Bento XVI, Deus caritas est, 28). “Todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a se preocupar com a construção de um mundo melhor” (Francisco, EG 183).

Assim sendo, seguindo essa orientação, a CNBB, em sua 54ª Assembleia Geral, sobre o impeachment da Presidente, não emitiu juízo jurídico ou político, “pois tal procedimento cabe às instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito”. Mas adverte que “a crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos poderes da República, restaure a credibilidade das instituições e garanta a governabilidade”.

O tema central desta Assembleia dos Bispos foi sobre a ação dos Cristãos Leigos na Igreja e na sociedade. Se a hierarquia da Igreja não se intromete na política, os fiéis leigos têm essa obrigação: “Para animar cristãmente a ordem temporal, ... os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum... A Igreja louva o trabalho dos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo, a serviço dos homens” (S. J. Paulo II, Christif. Laici, 42).

O ambiente político, porém, é cheio de ciladas e miragens enganadoras. Muitas vezes, agremiações e partidos enganam a muitos pela semelhança da sua ideologia com a doutrina da Igreja, especialmente com relação ao socorro aos pobres e marginalizados.  Por isso, a Igreja adverte: “Há cristãos, hoje em dia, que se sentem atraídos pelas correntes socialistas e pelas suas diversas evoluções. Eles procuram descobrir aí certo número de aspirações, que acalentam em si mesmos, em nome da sua fé..., contudo, tal corrente foi e continua a ser, em muitos casos, inspirada por ideologias incompatíveis com a fé cristã... (Paulo VI, Octogesima Adveniens, 31). “O socialismo, como doutrina ou fato histórico ou ação, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã” (Pio XI, Quadragesimo Anno, 116).
Dom Fernando Rifan - Bispo administrador apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Papa na Audiência: distinguir entre pecado e pecador

Cidade do Vaticano, 20.abril.2016 (RV) – Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano. O Papa Francisco recebeu milhares de fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro e, antes de sua catequese, os saudou a bordo do seu papamóvel. Do Brasil, havia inúmeros membros da Comunidade Obra de Maria.

Neste Ano Jubilar, o Pontífice tem feito suas catequeses sobre o tema da misericórdia. Nesta quarta, ele comentou o trecho bíblico lido no início da Audiência, extraído do Evangelho de Lucas. Trata-se do episódio da mulher pecadora que chorou seus pecados aos pés de Jesus, quando Ele Se encontrava à mesa na casa de um fariseu chamado Simão.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje queremos nos concentrar em um aspecto da misericórdia bem representado pelo trecho do Evangelho de Lucas que ouvimos. Trata-se de um fato acontecido a Jesus enquanto era hóspede de um fariseu de nome Simão. Este quis convidar Jesus à sua casa porque tinha ouvido falar bem Dele como de um grande profeta. E enquanto se encontram sentados à mesa, entra uma mulher conhecida por todos na cidade como uma pecadora. Esta, sem dizer uma palavra, coloca-se aos pés de Jesus e cai aos prantos; as suas lágrimas banham os pés de Jesus e ela as enxuga com os seus cabelos, depois lhe beija e lhe unge com um óleo perfumado que levou consigo.

Ressalta o confronto entre as duas figuras: aquela de Simão, o zeloso servidor da lei, e aquela da pecadora anônima. Enquanto o primeiro julga os outros com base nas aparências, a segunda, com os seus gestos, exprime com sinceridade o seu coração. Simão, mesmo tendo convidado Jesus, não quer se comprometer nem envolver a sua vida com o Mestre; a mulher, ao contrário, se confia plenamente a Ele com amor e com veneração.

O fariseu não concebe que Jesus se deixe “contaminar” pelos pecadores. Ele pensa que se fosse realmente um profeta deveria reconhecê-los e manter-se distante para não ser manchado, como se fossem leprosos. Essa atitude é típica de um certo modo de entender a religião e é motivado pelo fato de que Deus e o pecado se opõem radicalmente. Mas a Palavra de Deus nos ensina a distinguir entre o pecado e o pecador: com o pecado não se deve ter compromisso, enquanto os pecadores – isso é, todos nós! – são como os doentes, que precisam ser curados, e para curá-los é preciso que o médico se aproxime deles, visite-os, toque-os. E, naturalmente, o doente, para ser curado, deve reconhecer ter necessidade do médico!

Entre o fariseu e a mulher pecadora, Jesus se une a esta última. Jesus, livre de preconceitos que impedem a misericórdia de se exprimir, deixa-a fazer. Ele, o Santo de Deus, deixa-se tocar por ela sem temor de ser contaminado. Jesus é livre, porque próximo a Deus que é Pai misericordioso. E esta proximidade a Deus, Pai misericordioso, dá a Jesus a liberdade. Antes, entrando em relação com a pecadora, Jesus coloca fim àquela condição de isolamento a que o julgamento impiedoso do fariseu e dos seus concidadãos – que a exploravam – a condenava: “Os teus pecados estão perdoados” (v.48). A mulher agora pode seguir “em paz”. O Senhor viu a sinceridade da sua fé e da sua conversão; por isso, diante de todos, proclama: “A tua fé te salvou” (v. 50). Por um lado, aquela hipocrisia do doutor da lei, por outro lado, a sinceridade, a humildade e a fé da mulher. Todos nós somos pecadores, mas tantas vezes caímos na tentação da hipocrisia, de acreditarmos ser melhores que os outros e dizemos: “Olha o teu pecado…”. Todos nós devemos, em vez disso, olharmos para o nosso pecado, as nossas quedas, os nossos erros e olhar para o Senhor. Esta é a linha da salvação: a relação entre o “eu” pecador e o Senhor. Se eu me sinto justo, esta relação de salvação não se dá.

Nesse ponto, um espanto ainda maior atinge os que estão à mesa: “Quem é este que perdoa até os pecados?” (v. 49). Jesus não dá uma resposta explícita, mas a conversão da pecadora está diante dos olhos de todos e demonstra que Nele resplandece o poder da misericórdia de Deus, capaz de transformar os corações.

A mulher pecadora nos ensina a ligação entre fé, amor e reconhecimento. Foram-lhe perdoados “muitos pecados” e por isso ama muito; “em vez disso aquele ao qual se perdoa pouco, ama pouco” (v. 47). Também o próprio Simão deve admitir que ama mais aquele ao qual foi condenado mais. Deus inclui todos no mesmo mistério de misericórdia; e deste amor, que sempre nos precede, todos nós aprendemos a amar. Como recorda São Paulo: “Em Cristo, mediante o seu sangue, temos a redenção, o perdão das culpas, segundo a riqueza da sua graça. Ele a derramou em abundância sobre nós” (Ef 1, 7-8). Neste texto, o termo “graça” é praticamente sinônimo de misericórdia e é dita “abundante”, isso é, além da nossa expectativa, porque atua o projeto salvífico de Deus por cada um de nós.

Queridos irmãos, somos reconhecidos pelo dom da fé, agradeçamos ao Senhor pelo seu amor assim grande e imerecido! Deixemos que o amor de Cristo se derrame em nós: neste amor o discípulo se baseia e se funda; deste amor cada um pode se alimentar e alimentar. Assim, no amor reconhecido que derramamos sobre nossos irmãos, nas nossas casas, em família, na sociedade se comunica a todos a misericórdia do Senhor.

Nesta audiência o Papa Francisco lançou um apelo pela Ucrânia recordando a iniciativa de ajuda àquele pais que decorre no próximo domingo dia 24 de abril:

“A população da Ucrânia sofre há algum tempo as consequências de um conflito armado, esquecido por tantos. Como sabeis, convidei a Igreja da Europa a apoiar a iniciativa por mim impulsionada para ir ao encontro de tal emergência humanitária. Agradeço antecipadamente todos os que contribuírem generosamente nesta iniciativa que terá lugar domingo próximo, 24 de abril.”

Também nesta audiência geral o Santo Padre saudou especialmente os peregrinos vindos da Ucrânia e da Bielorrússia. Em particular, alguns sobreviventes da tragédia da central nuclear de Chernobyl no 30º aniversário daquele acontecimento. O Santo Padre renovou o seu reconhecimento por todas as iniciativas que tentam aliviar os sofrimentos das vítimas.

O Papa enviou, também, uma mensagem de solidariedade ao povo do Equador, após o sismo de sábado que provocou mais de 500 mortos e 4 mil feridos.

“Nesta língua que nos une, Espanha e América Latina, quero manifestar aos nossos irmãos do Equador a nossa proximidade, a nossa oração neste momento de dor”, referiu, durante a audiência geral que decorreu na Praça de São Pedro.


Papa reencontra sacerdote preso 28 anos pelo regime albanês

Cidade do Vaticano (RV) – Foi com um beijo na mão que o Papa Francisco acolheu na manhã desta quarta-feira, na Praça São Pedro, o sacerdote albanês Padre Ernest Simoni, que passou 28 anos na prisão durante a perseguição comunista na Albânia. O Santo Padre já o havia abraçado comovido em 21 de setembro, em Tirana, após ter ouvido a história da sua perseguição.

“Por 11 mil dias Padre Ernest foi submetido a torturas e trabalhos forçados”, conta ao L’Osservatore Romano Mimmo Muolo, jornalista do “Avvenire”, que escreveu o livro “Padre Ernest Simoni. Da perseguição ao encontro com Francisco”. E foi precisamente o sacerdote que entregou esta manhã uma cópia do livro ao Papa. Ele estava acompanhado pela Ir. Marisa, representante das Edições Paulinas, responsável pela publicação da obra.

A prisão

“A minha perseguição – afirmou Padre Simoni ao jornal da Santa Sé – teve início na noite do Natal de 1963 quando, pelo simples fato de ser sacerdote, fui preso e colocado na cela de isolamento, torturado e condenado à morte”. Seu companheiro de cela recebeu a ordem de registrar “a previsível raiva” do sacerdote contra o regime, mas Padre Ernest pronunciou somente palavras de perdão e de oração aos seus algozes. Assim, a pena prescrita foi de 25 anos de trabalhos forçados, a ser cumprida nas minas e nos esgotos de Scutari. “Na prisão – recorda  ele – celebrei a missa em latim de cor e também distribuí a comunhão”.

A liberdade

Finalmente, em 5 de setembro de 1990, chegou a liberdade e Padre Ernest recomeçou sua atividade pastoral que – confia – em realidade nunca havia interrompido, “mas somente vivido em um contexto especial”. E o seu primeiro ato foi o de confirmar o perdão aos seus algozes: “para eles – precisou – invoco constantemente a misericórdia do Pai”.

Oração

À inevitável pergunta sobre como pode resistir a tal perseguição sem curvar-se, o sacerdote respondeu com um sorriso antes de revelar o seu segredo: “Mas eu não fiz nada de extraordinário, sempre rezei a Jesus, sempre falei de Jesus”.

Perseguição será temas de mais dois livros

A edição do L’Osservatore Romano dedica uma página inteira ao tema das perseguições contra a Igreja na época da União Soviética. Em 21 de abril, às 17h30min, de fato, será apresentado o livro organizado por Jan Mikrut intitulado “A Igreja e o comunismo na Europa Centro-oriental e na União Soviética” (San Pietro in Cariano, Gabrielli Editori, 2016, 797 páginas, 48 euros). Entre as pessoas que se pronunciam no livro estão o Cardeal Miloslav Vkl, Arcebispo Emérito de Praga, que assinou o Prefácio; Dom Cyril Vasil, Secretário da Congregação para as Igrejas Orientais; o historiador jesuíta Nuno da Silva Gonçalves e o curador da obra, de quem são publicados trechos da apresentação.

O projeto editorial prevê outros dois livros que analisarão “a refinada e multiforme batalha dos comunistas contra a religião em geral e, de modo particular, contra a Igreja Católica”. Em particular, o segundo volume será dedicado aos testemunhos dos cristãos na Europa Centro-oriental, enquanto o terceiro tratará inteiramente da Igreja Católica em território da União Soviética.

Papa recebe atletas: "mensageiros da força unificadora do esporte"

Cidade do Vaticano (RV) – Antes de se dirigir à Praça São Pedro e se encontrar com os milhares de fiéis que o aguardavam para a audiência semanal, nesta quarta-feira, (20/04), o Papa se deteve alguns minutos com um grupo de atletas austríacos, praticantes de esqui, na saleta Paulo VI, para saudá-los.

No encontro, o Pontífice ressaltou a responsabilidade que os atletas têm na integração e na difusão de virtudes como o empenho, a perseverança, a determinação, a retidão, a solidariedade e o espírito de grupo. “Com seu exemplo, vocês contribuem na formação da sociedade”, afirmou.

Mencionando as belezas naturais da Áustria, Francisco recordou que os atletas também desempenham a função de “mensageiros da salvaguarda do meio ambiente e da beleza da Criação de Deus”.

Meta de turismo especialmente nos meses de inverno, o país se torna um paraíso branco para os praticantes deste esporte e palco das mais renomadas competições internacionais.

O Santo Padre também se manifestou nesta terça e quarta-feira pelo Twitter:

20/04/2016
Formar uma família é ter a coragem de fazer parte do sonho de Deus, de construir um mundo onde ninguém se sinta só.
19/04/2016
O caminho privilegiado para a paz é reconhecer no outro, não um inimigo a combater, mas um irmão a acolher.

Papa Francisco pede que vejamos nos refugiados o rosto de Cristo

VATICANO, 20 Abr.2016 / 01:30 pm (ACI).- “Cada refugiado que bate à nossa porta, tem o rosto de Deus”, expressou o Papa Francisco na terça-feira, 19 de abril de 2016, em uma videomensagem enviada ao Centro Astalli (Itália), que acolhe refugiados. Ele também pediu para perdoar a indiferença das sociedades que muitas vezes não sabem acolhê-los e que os olham como um peso ao invés de um dom.

Sob o título “Era forasteiro e me acolheram”, o Santo Padre afirmou: “Cada um de vocês, refugiados, que bate à nossa porta, tem o rosto de Deus, é carne de Cristo. As suas experiências de dor e de esperança nos recordam que somos todos estrangeiros e peregrinos nesta Terra, acolhidos por alguém com generosidade e sem nenhum mérito”.

“Quem, como vocês, fugiu da própria terra por causa da opressão, da guerra, de uma natureza desfigurada pela poluição e pela desertificação, ou da injusta distribuição dos recursos do planeta, é um irmão com quem compartilhar o pão, a casa, a vida”, disse o Papa no vídeo enviado por ocasião dos 35 anos do Centro Astalli, administrado pelo Serviço dos Jesuítas para os refugiados na Itália.

Entretanto, advertiu que “muitas vezes não os acolhemos! Perdoem o fechamento e a indiferença das nossas sociedades que temem a mudança de vida e de mentalidade que a vossa presença pede. Tratados como um peso, um problema, um custo, entretanto, vocês são um dom”.

“Vocês são o testemunho de como nosso Deus clemente e misericordioso sabe transformar o mal e a injustiça que vocês padecem em um bem para todos. Porque cada um de vocês pode ser uma ponte que une povos distantes, que torna possível o encontro entre culturas e religiões diversas, uma estrada para redescobrir a nossa comum humanidade”, afirmou Francisco.

Por isso, o Santo Padre agradeceu ao Centro Astalli por ser “exemplo concreto e cotidiano desta acolhida” e encorajou todos os envolvidos a prosseguir com seu trabalho, pois 35 anos “são somente o começo de um caminho que se torna cada vez mais necessário, único caminho para uma convivência reconciliada. Sejam sempre testemunho da beleza do encontro. Ajudem que nossa sociedade escute a voz dos refugiados”.

“Continuem a caminhar com coragem ao lado dos migrantes: eles conhecem os caminhos que levam à paz porque conhecem o odor acre da guerra”, finalizou o Papa.

Busca por videntes ou cartomantes? O Papa tem algo a lhe dizer

As coordenadas da vida cristã são muito simples, não é necessário ir à procura de mil conselhos: é suficiente seguir uma voz, como fazem as ovelhas com o seu pastor. E precisamente a imagem de Jesus bom pastor esteve no centro da homilia pronunciada pelo Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta na segunda-feira 18 de abril de 2016.

A liturgia do dia, aliás, propunha uma espécie de «eco das leituras» do 4º domingo de Páscoa, chamado «domingo do bom pastor, em que Jesus se apresenta como o “bom pastor”». E exatamente sobre este tema, no Evangelho de João (10, 1-10) comentado pelo Pontífice, emergiam «três realidades» acerca das quais o Papa quis «refletir um pouco: a porta, o caminho e a voz».

Em primeiro lugar a «porta». O trecho evangélico cita as palavras de Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador» Eis então a primeira imagem, frisou Francisco: «Ele é a porta: a porta para entrar no aprisco das ovelhas é Jesus. Não há outra». Devemos observar, disse o Papa, que Jesus fala sempre com as pessoas utilizando «imagens simples»: com efeito, «toda aquela gente conhecia como era a vida de um pastor, porque a via todos os dias». Portanto, quem o ouvia compreendia muito bem: «só se entra pela porta do aprisco das ovelhas». Aqueles que, ao contrário, querem entrar no aprisco passando «pela janela ou por outra parte, são delinquentes». O Evangelho define-os ladrões ou salteadores».

Portanto, tudo é muito claro: «Não se pode entrar na vida eterna por outra parte a não ser pela porta, ou seja, Jesus». E, acrescentou o Pontífice, o Senhor «é a porta da nossa vida e não só da vida eterna, mas também da nossa vida quotidiana». Assim, por exemplo, qualquer decisão pode ser tomada «em nome de Jesus, pela porta de Jesus», ou, utilizando uma «linguagem simples», pode ser tomada «de contrabando». Mas o Senhor «fala claro»: no aprisco entra-se «somente pela porta, que é Jesus».

O Evangelho de João continua e nas palavras do Senhor encontra-se outro elemento importante: o «caminho». De facto, lê-se: «O guardião abre-lhe a porta e as ovelhas ouvem a sua voz; ele chama as suas ovelhas cada uma por nome, levando-as para fora. E depois de ter impelido para fora todas as suas ovelhas, caminha diante delas e elas seguem-no».

Francisco analisa esta segunda palavra-chave: «O caminho é precisamente este: seguir Jesus». Também aqui é envolvida a vida do dia a dia: com efeito, fala-se do «caminho da vida, da vida de todos os dias», que «é seguir Jesus». E também neste ponto a indicação é clara: «Não errar!», recomendou o Papa. Jesus «é a porta através da qual entramos e pela qual saímos com ele para percorrer o caminho da vida», e é Jesus que «nos indica a estrada». Portanto, «quem segue Jesus não erra».

Não obstante tudo, as ocasiões para empreender um caminho errado não faltam, a ponto que o Pontífice teorizou uma situação que se poderia apresentar da seguinte forma: «Eh, padre, sim, mas as coisas são difíceis... Muitas vezes não sei claramente o que fazer... Disseram-me que ali havia uma vidente e lá fui; fui ter com uma cartomante, que me leu as cartas...». O conselho do Papa é imediato: «Se fizeres isto, tu não segues Jesus! Segues outra pessoa que te mostra outro caminho, diferente», porque «não há outro que possa indicar o caminho».

A dificuldade descrita é a contra a qual o próprio Jesus tinha advertido: «Virão outros que dirão: o caminho do Messias é este, esse... Não os escutem! Eu sou o caminho!». Esta, disse o Papa, é a certeza: «Se seguirmos Jesus não erraremos».

Enfim, a terceira palavra: a «voz». Com efeito, as ovelhas seguem Jesus «porque conhecem a sua voz». Um conceito que o Pontífice quis aprofundar para evitar mal-entendidos: «Conhecer a voz de Jesus! Não penseis que estou falando de uma aparição, que Jesus virá e dirá: “Faz isto”. Não, não!». E então alguém poderia perguntar: «Como posso, padre, conhecer a voz de Jesus? E também defender-me da voz daqueles que não são Jesus, que entram pela janela, que são bandidos, que destroem, que enganam?». Mais uma vez a «receita» é «simples» e prevê três indicações. Em primeiro lugar, sugeriu Francisco, «encontrarás a voz de Jesus nas bem-aventuranças». Portanto, se alguém ensinar «um caminho contrário às bem-aventuranças, é um que entrou pela janela: não é Jesus!». Depois: a voz de Jesus pode-se reconhecer em quem «nos fala das obras de misericórdia. Por exemplo, no capítulo 25 de são Mateus». Por conseguinte, esclareceu o Papa: «Se alguém te disser o que Jesus diz ali, é a voz de Jesus». Enfim, a terceira indicação: «Podes conhecer a voz de Jesus quando te ensina a dizer «Pai», ou seja, quando te ensina a rezar o Pai-Nosso.

O Pontífice concluiu: «É tão fácil a vida cristã! Jesus é a porta; ele guia-nos pelo caminho e nós conhecemos a sua voz nas bem-aventuranças, nas obras de misericórdia e quando nos ensina a dizer “Pai”». E acrescentou uma oração: «Que o Senhor nos faça compreender esta imagem de Jesus, este ícone: o pastor, que é a porta, indica o caminho e ensina-nos a ouvir a sua voz».
L'Osservatore Romano

Leia os últimos tweets do Papa Francisco
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18/04/2016
Rezemos pelas vítimas dos terremotos no Equador e no Japão. Que a ajuda de Deus e dos irmãos conceda a todos força e sustento.
17/04/2016
Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus, que nos perdoa e nos convida a segui-lo.
16/04/2016
Hoje é o aniversário de Bento XVI: rezemos por ele e agradeçamos a Deus por tê-lo doado à Igreja e ao mundo.
16/04/2016
Refugiados não são números, são pessoas: são rostos, nomes e histórias, e assim devem ser tratados.

Papa Francisco no Regina Caeli: escutar a voz do Pastor

Às 12 horas de Roma deste domingo 17.abril.2016. O Papa Francisco procedeu a recitação do Regina Caeli na Praça de S. Padro repleta de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes da Itália e do mundo para assistir a celebração. primeiro da Santa missa  na Basílica de S. Pedro e em seguida, do Regina Caeli, neste domingo do Bom Pastor e dia mundial de oração para as vocações ao sacerdócio e  à vida consagrada.

Comentando o Evangelho deste domingo do Bom Pastor, Francisco iniciou por contestualizar o ambiente no qual nasceram as palavras sobre a imagem da ovelha e do pastor pronunciadas por Jesus no Evangelho de hoje : é a festa da dedicação do Templo de Jerusalém que se celebrava no mês de dezembro. E Jesus se encontrava precisamente nos arredores do Templo e é precisamente este espácio sagrado a sugerir-Lhe a imagem da ovelha e do pastor.

Jesus, disse o Santo Padre, se apresenta como “o Bom Pastor” e diz: <<As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão>>.

<<Estas palavras ajudão-nos a compreender que ninguém pode considerar-se discipulo de Jesus, se não escuta a sua voz. E este escutar não deve ser entendido de maneira superficial, mas envolvente até ao ponto de tornar possível um verdadeiro conhecimento recíproco a partir da qual pode provir um seguimento generoso(...) Trata-se de um escutar não só com as orelhas, mas também com o coração>>.

Portanto, observou o Papa, a imagem do pastor e das ovelhas indica a estreita relação que Jesus quer estabelecer com cada um de nós. Ele é o nosso Guia, o nosso Mestre, o nosso Amigo, o nosso modelo, mas sobretudo é o nosso Salvador. De fato, Jesus afirma: “Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão>>.

Estas palavras, disse Francisco, comunicam-nos o sentido de segurança e de imensa ternura. A nossa vida está plenamente segura nas mãos de Jesus e do Pai que são uma única coisa: um único amor, uma única misericórdia revelados uma vez por todas no sacrifício da cruz. No mistério da cruz Jesus nos deu a vida, a vida em abundância e este mistério renova-se sempre e com humildade surprendente, na eucarestia. É na eucarestia que as ovelhas se reunem para se alimentarem, é na eucarestia que elas se tornam num só corpo entre eles e em união com o Bom Pastor.

Por isso, concluiu dizendo o Santo Padre, não temos mais medo: a nossa vida é doravante salvada da perdição. Nada e ninguém pode arrebatar-nos das mãos de Jesus precisamente porque nada e ninguém pode vencer o seu amor. O Maligno, esse grande inimigo de Deus e das suas criaturas, não pode realizar nenhum mal contra nós, a não ser que sejamos nós a abrir-lhe as portas da nossa alma, seguindo as suas lusingas, as suas propostas enganadoras.

Que a virgem Maria que escutou e seguiu a voz a do Bom Pastor, nos ajude então a acolher com júbilo, o convite de Jesus a tornarmo-nos seus discípulos e a viver sempre com a certeza de estarmos nas mãos de Deus.

Após a recitação do Regina Caeli, o Papa agradeceu “quantos acompanharam com a oração a visita pastoral que realizou ontem, juntamente com o Patriarca Ecuménico de Constantinópla Bartolomeu e o Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, Ierónymus, ao campo dos refugiados de Moria, na Ilha grega de Lesbos. Ao mesmo tempo que agradeceu também aos milhares de peregrinos congregados na Praça de S. Pedro, pela sua amável presença e saudou de maneira particular os fiéis  e peregrinos provenientes da Espanha, da Cidade de S. Paulo do Brasil, da Varsávia e  das diversas dioceses da Itália acompanhados dos seus respetivos Bispos.

<<Esta noite, disse Francisco, um terremoto violento se verificou no Equador causando númerosas vítimas e tanto danos. Rezemos para aquelas populações e também para as populações do Japão que foram vítimas também de um terremoto nestes dias. Que a ajuda de Deus e dos irmãos conceda a todos força e sustento>>, disse Francisco.

Finalmente o Papa recordou aos presentes que hoje decorre a Jornada Mundial de Oração para as Vocações. “Somos todos convidados, disse Francisco, a rezar para as vocações sacerdotais e a vida consagrada. Informou ter ordenado esta manhã na Basílica de S. Pedro, onze novos sacerdotes aos quais renovou as sua saudação estendida também aos seus parentes e amigos. E o Papa convidou todos os sacerdotes e seminaristas a participarem do Jubileu dos sacerdotes que será celebrado nos primeiros três dias do proximo mês de Junho.
Radio Vaticano


O Papa ordena 11 novos sacerdotes: Cristo não tem sentido sem a Cruz

Vaticano, 17 Abr.2016 / 08:00 am (ACI).- Na ordenação de 11 novos sacerdotes na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco recomendou regularmente ler com assiduidade a Palavra de Deus, assim como levar a todos a Boa Nova imitando o Bom Pastor, cujo dia é comemorado hoje.

“Levem a morte de Cristo em vocês, caminhai na vida nova, sem cruz não encontrareis nunca o verdadeiro Jesus e uma cruz sem Cristo não tem sentido”, explicou.

Sobre os fiéis, exortou-os a conceder “a todos a Palavra de Deus, aquela Palavra que vocês receberam com alegria”, assinalou. “Recordem a vossa história, daquele dom da Palavra que o Senhor lhes deu por meio de suas mães, suas avós – e como diz Paulo – dos catequistas e de toda a Igreja”.
 
Por outro lado, Francisco os aconselhou a ler e meditar “assiduamente a Palavra de Deus para crer naquilo que leram, aquilo que assumiram na fé, aquilo que vocês ensinaram”.

Os diáconos que foram ordenados pertencem aos seminários da Diocese de Roma: Pontifício Seminário Maior Romano, o Almo Colégio Capranica, Colégio Diocesano Missionário Redemptoris Mater e do Seminário de Nossa Senhora do Divino Amor.

Por sua vez, o Papa lhes pediu para imitar “aquele que celebrais para que assim, participando no mistério da morte e ressurreição do Senhor, levemos a morte de Cristo a nossos membros e caminham com Ele na vida nova”.

 “Com o Batismo, farão novos fiéis ao povo de Deus. Com o Sacramento da Penitência, perdoarão os pecados em nome de Cristo e da Igreja”, recordou.

“Por favor, em nome do próprio Senhor e em nome da Igreja, peço-lhe que sejam misericordiosos. Com o óleo santo, darão alívio ao s enfermos. Celebrando os sagrados ritos e realizando as diversas horas do dia a oração das laudes e de súplica, serão a voz do povo de Deus e de toda a humanidade”.

Por fim, o Santo Padre lhes pediu que sejam conscientes de que foram escolhidos por Deus “um a um”. “Elegidos entre os homens e constituídos em seu favor, não em meu favor!”, acrescentou.

Regresso a Roma: conversa do Papa com os jornalistas

Cidade do Vaticano – Apesar de breve, o voo de regresso da Grécia para Roma teve espaço para uma conferência de imprensa do Papa com os jornalistas a bordo.

Francisco passou em resenha alguns pontos gerais, sobretudo sobre a crise migratória. O Papa defendeu uma política de integração para os migrantes da Europa, respondeu à questões sobre a Exortação Amoris Laetitia e sobre porquê trouxe para Roma 3 famílias muçulmanas.

Abaixo, a íntegra das perguntas e respostas.

Inês San Martín: Santo Padre, espero não incomodar mas lhe farei duas perguntas sobre dois argumentos distintos. A primeira específica em relação à viagem. Esta viagem acontece depois do acordo entre a União Europeia e a Turquia na tentativa de resolver a questão dos refugiados na Grécia. Acredita que este plano possa funcionar, ou que é uma resposta política para ganhar tempo e ver o que acontece? A segunda pergunta, se posso, é esta: esta manhã o senhor encontrou o candidato à presidência dos Estados Unidos, Bernie Sanders, na Casa Santa Marta. Gostaria de pedir um comentário sobre este encontro e se este é o seu modo de se inserir na política dos Estados Unidos. Peço, por favor, que responda em italiano. Obrigada.

Papa Francisco: Não, antes de tudo não há nenhuma especulação política porque estes acordos entre a Turquia e a Grécia eu não conhecia bem; mas, li nos jornais e mais nada: é uma coisa puramente humana. É humanitário, foi uma inspiração, de uma semana atrás, de um meu colaborador, e eu aceitei imediatamente, imediatamente, imediatamente, porque vi que era o Espírito que falava. Todas as coisas foram feitas regularmente: eles vêm com os documentos, os três governos – o Estado da Cidade do Vaticano, o governo italiano e o governo grego – todos, inspecionaram tudo, inspecionaram tudo e deram o visto. Serão acolhidos pelo Vaticano: será o Vaticano, com a colaboração da Comunidade de Santo Egídio a procurar um trabalho para eles, se houver, ou o manutenção, ou o que for necessário. Mas são hóspedes do Vaticano, e se somam às duas famílias sírias que já foram acolhidas nas duas paróquias vaticanas. Segundo. Esta manhã, quando saía, estava lá o senador Sanders que veio para o congresso da “Centesimus Annus”. Ele sabia que eu sairia àquela hora e teve a gentileza de me saudar. Eu o saudei, apertei a sua mão,  a de sua esposa e a um outro casal que estava com ele, que se alojaram na Casa Santa Marta: porque todos os membros, excepto os dois presidentes participantes que penso terem sido hóspedes das embaixadas do seu país, todos ficaram na Casa Santa Marta. E eu, quando desci, ele se apresentou, saudou, um aperto de mão e nada mais. É educação, esta; chama-se ‘educação’ e não se meter em política, eh! E se alguém pensa que um aperto de mão seja se meter-se em política, penso que deva procurar um psiquiatra...(risos).


Famílias muçulmanas

Franca Giansoldati: O senhor fala muito de ‘acolhimento’, mas talvez muito pouco de ‘integração’. Vendo o que está acontecer na Europa, especificamente sob este maciço fluxo de migrantes, vemos que há muitas cidades em que existem bairros-guetos. Em tudo isso, é claro que os migrantes muçulmanos são aqueles que mais têm dificuldade em se integrarem com os nossos valores, com os valores ocidentais. Gostaria de perguntar: não seria talvez mais útil para a integração privilegiar a chegada, privilegiar a emigração dos migrantes muçulmanos. E ainda: porque hoje com este gesto tão bonito, muito nobre, privilegiou três famílias inteiramente muçulmanas?

Papa Francisco: não escolhi entre cristãos e muçulmanos; estas três famílias tinham os documentos válidos e se podia proceder. Havia, por exemplo, duas famílias cristãs na primeira lista que não tinham os documentos: não é um privilégio. Todos os 12 são filhos de Deus. O privilégio é o fato de serem filhos de Deus: isso é verdade. Sobre a integração: é muito inteligente aquilo que dizes e agradeço por o ter dito. Usaste uma palavra que na nossa cultura atual parece ter sido esquecida, depois da guerra... Mas hoje existem os guetos. E alguns dos terroristas que perpetraram atos terroristas – alguns – são filhos e netos daqueles que nasceram no país, na Europa. O que aconteceu? Não houve uma política de integração e isso para mim é fundamental, a tal ponto que se leres na Exortação pós-sinodal sobre a família – este é um outro problema – mas uma das três dimensões pastorais para as famílias em dificuldade é a integração na vida da Igreja. Hoje, a Europa deve retomar esta capacidade que sempre teve, de integrar. Porque à Europa chegaram os nômades e todas estas pessoas, e foram integradas e isso enriqueceu a sua cultura... Acredito que precisamos de um ensinamento e de uma educação à integração. Obrigado.


Sonho Europeu

Elena Pinardi: Santo Padre, fala-se em reforços nas fronteiras de vários países da Europa, de controles, de deslocamento de tropas para as fronteiras da Europa. É o fim de Schengen, é o fim do sonho Europeu?

Papa Francisco: Não sei. Mas, eu entendo os governos, e também os povos, que têm um certo medo. Isso eu entendo e devemos ter uma grande responsabilidade na acolhimento. Uma das coisas desta responsabilidade é esta: como se integram estas pessoas e nós? Sempre disse que construir muros não é a solução: vimos, no século passado, a queda de um. Não resolve nada. Devemos construir pontes. Mas as pontes se fazem de maneira inteligente, com o diálogo, com a integração. E, por isso, eu entendo um certo temor. Mas fechar as fronteiras não resolve nada, porque este fechamento a longo prazo faz mal ao próprio povo. A Europa deve urgentemente realizar políticas de acolhimento e integração, de crescimento, de trabalho, de reforma da economia… Todas estas coisas são as pontes que nos levarão a não construir muros. Mas, o medo tem toda a minha compreensão. Mas depois de tudo o que vi – e mudo o tema, mas o devo dizer hoje – e vocês também viram naquele campo de refugiados... mas era de chorar! As crianças... trouxe comigo os desenhos que as crianças me deram. Que querem as crianças? Paz, porque sofrem. É verdade que lá elas têm cursos de educação… O que viram as crianças? Olhem este: também, viram uma criança se afogar... Estas coisas as crianças as trazem no coração, eh! Realmente, hoje era de chorar. Era de chorar. O mesmo tema fez esta criança do Afeganistão, que o barco que vem do Afeganistão volta à Grécia: mas, estas crianças têm uma memória disto! E será preciso tempo para elaborar aquilo. Este, é o sol que vê e chora: mas se o sol é capaz de chorar, também nós: uma lágrima nos fará bem.


Guerra x fome

Fanny Carrier: Bom dia. Porque o senhor não faz diferença entre aqueles que fogem da guerra e aqueles que fogem da fome? A Europa pode acolher toda a miséria do mundo?

Papa Francisco: É verdade. Hoje disse no discurso “alguns que fogem das guerras, outros que fogem da fome”.  Ambos são efeito da exploração seja da terra... Me dizia um chefe de governo da África, há mais ou menos um mês, que a primeira decisão do seu governo era reflorestar porque a terra morreu com a deflorestação. Boas obras devem ser feitas com todos os dois. Mas algum foge pela fome e outros da guerra. Eu convidaria os traficantes de armas – porque as armas, até um certo ponto, existem acordos, se fabricam, mas os traficantes, aqueles que traficam para fazer as guerras em diversos lugares, por exemplo, na Síria: quem dá as armas aos diversos grupos – eu convidaria a passar um dia naquele campo. Acredito que fará bem À saúde!


Madre Teresa

Néstor Pongutá: Santidade, boa noite. Pergunto em espanhol mas pode responder em italiano. Esta manhã o senhor disse algo de muito especial que me chamou muito a atenção: “que esta era uma viagem triste”, que esta era uma viagem... – e demostrou por meio de suas palavras, porque esta muito comovido... Porém, algo deve ter mudado também no seu coração, sabendo que existem 12 pessoas que com este pequeno gesto dão uma lição àqueles que – às vezes – dão as costas diante de tanta dor, a esta terceira guerra mundial fragmentada que o senhor anunciou...

Papa Francisco: Faço um plágio. Respondo com uma frase que não é minha. Perguntaram a mesma coisa para Madre Teresa: ‘Mas a senhora, tanto esforço, tanto trabalho, para ajudar a gente a morrer, somente. Aquilo que a senhora faz não serve! É tanto o mar! E ela respondeu: ‘É uma gota naquele mar! Mas depois desta gota o mar não será mais o mesmo”. Respondo assim. É um pequeno gesto. Mas aqueles pequenos gestos que todos nós devemos fazer, homens e mulheres, para estendermos a mão a quem precisa.


Austeridade cristã

Jornalista do grupo das Américas: Obrigado, Santo Padre. Viemos a um país de migração, mas também de política econômica de austeridade. Gostaria de perguntar se o senhor tem um pensamento sobre a economia de austeridade?

Papa Francisco: A palavra austeridade  tem um significado e segundo o ponto de vista de quem a interpreta: economicamente significa um capítulo de um programa; politicamente significa uma outra coisa, cristã e espiritualmente uma outra ainda. Quando falo de austeridade, falo de austeridade em relação ao desperdício. Ouvi dizer na FAO – acho que era na FAO; não sei bem, mas  numa reunião –que com o desperdício de alimentos se poderia “alimentar” toda a fome do mundo. E nós, em casa, quanto desperdício – quanto desperdício! – fazemos sem querer, não? E esta cultura do descarte, do desperdício: falo de austeridade neste sentido, no sentido cristão. Paremos aqui e vivamos com um pouco de austeridade.


Sonho americano

Francisco Romero: Santidade, gostaria de simplesmente dizer que o senhor disse que esta crise dos refugiados é a pior depois da II Guerra Mundial. Gostaria de perguntar: o que pensa da crise dos migrantes que chegam nos Estados Unidos, do México, da América Latina.

Papa Francisco: É a mesma coisa, porque ali chegam fugindo da fome, também. É o mesmo problema. Na Ciudad Juárez celebrei a Missa a menos de 100 metros dos confins dos EUA. Do outro lado havia cerca de 50 bispos dos Estados Unidos e um estádio com 50 mil pessoas que seguiam a missa nos telões; do lado de cá, no México, havia aquele campo cheio de pessoas... Mas é o mesmo! Chegam ao México a partir da América Central. O senhor se lembra, dois meses atrás, de um conflito com a Nicarágua porque não queria que os refugiados transitassem: foi resolvido. Os levavam de avião a um outro país, sem passar pela Nicarágua. É um problema mundial. Falei sobre isso lá com os bispos mexicanos; pedi que cuidassem bem dos refugiados lá.


Amoris Laetitia

Francis Rocca: Obrigado Santo Padre! Vejo que as perguntas sobre imigração que havia pensado já foram feitas e respondidas muito bem. Portanto, se me permite, gostaria de fazer uma pergunta sobre a Exortação Apostólica. Como o senhor bem sabe, houve muita discussão sobre um dos pontos – sei que nos concentramos muito sobre ele – depois da publicação: alguns sustentam que nada tenha mudado em relação à disciplina que governa o acesso aos  Sacramentos para os divorciados e recasados, e que a lei e a práxis pastoral e, óbviamente, a doutrina continuam assim; outros defendem ao invés que muito tenha mudado e que existem tantas novas aberturas e possibilidades. A pergunta é para uma pessoa, um católico que quer saber: existem novas possibilidades concretas, que não existiam antes da publicação da Exortação, ou não?

Papa Francisco: Eu posso dizer sim! E ponto.. Mas seria uma resposta muito breve. Aconselho a todos que leiam a apresentação que fez o cardeal Schönborn, que é um grande teólogo. Ele foi secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e conhece bem a doutrina da Igreja. Naquela apresentação a sua pergunta terá uma resposta. Obrigado!

Guénard: Havia a mesma pergunta, mas é uma pergunta complementar, porque não se entendeu porquê o senhor escreveu esta famosa nota na “Amoris Laetitia” sobre o problema dos divorciados e recasados, a nota 351...

Papa Francisco: que memória!

Guénard: Sim, porquê uma coisa tão importante numa pequena nota? O senhor previu oposições ou quis dizer que este ponto não é assim tão importante.

Papa Francisco: Escute, um dos últimos Papa, falando sobre o Concílio, disse que havia dois Concílio: aquele Vaticano II, que se fazia na Basílica de São Pedro, e o outro, o Concílio dos Mídia. Quando convoquei o primeiro Sínodo, a grande preocupação da maioria dos mídia era: “Ah, poderão comungar os divorciados e os recasados?”. E como não sou santo, isso me incomodou um pouco, e depois me provocou um pouco de tristeza. Porque penso: “Mas aqueles mídias dizem isso e tudo mais, não se dão conta que não é um problema importante? Não se dão conta que a família, no mundo inteiro, está em crise? E a família é a base da sociedade! Não se dão conta que os jovens não querem se casar? Não se dão conta que a queda da natalidade na Europa faz chorar? Não se dão conta que a falta de trabalho e que as possibilidade de emprego fazem sim que o pai e a mãe tenham dois trabalhos e as crianças cresçam sozinhas e não aprendem a crescer em diálogo com o pai e a mãe? Estes são os grandes problemas! Eu não recordo daquela nota, mas com certeza se algo do gênero está numa nota é porque foi dita na Evangelii Gaudium...com certeza! Deve ser uma citação da Evangelii Gaudium, com certeza! Não recordo o número, mas com certeza é!


Declaração Conjunta assinada pelos três líderes religiosos em Lesbos

A tragédia humanitária que os imigrantes vivem requer “uma resposta de solidariedade, compaixão, generosidade, e um imediato e eficaz empenho de recursos”, porque a “proteção de vidas humanas é uma prioridade”.

É o que se afirma na Declaração Conjunta assinada em Lesbos pelo Papa Francisco, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e o arcebispo ortodoxo de Atenas e de toda a Grécia Ieronymos, no fim do seu encontro com os refugiados na ilha grega.

Acompanhe a íntegra da Declaração conjunta

Nós, Papa Francisco, Patriarca Ecumênico Bartolomeu e Arcebispo Ieronymos de Atenas e de toda a Grécia, reunimo-nos na Ilha grega de Lesbos para manifestar a nossa profunda preocupação pela situação trágica de numerosos refugiados, migrantes e requerentes asilo que têm chegado à Europa fugindo de situações de conflito e, em muitos casos, ameaças diárias à sua sobrevivência. A opinião mundial não pode ignorar a crise humanitária colossal, criada pelo incremento de violência e conflitos armados, a perseguição e deslocamento de minorias religiosas e étnicas e o desenraizamento de famílias dos seus lares, violando a sua dignidade humana, os seus direitos humanos fundamentais e liberdades.

A tragédia da migração e deslocamento forçados afeta milhões de pessoas e é, fundamentalmente, uma crise da humanidade, clamando por uma resposta feita de solidariedade, compaixão, generosidade e um compromisso econômico imediato e prático. Daqui, de Lesbos, fazemos apelo à comunidade internacional para responder com coragem a esta maciça crise humanitária e às causas que lhe estão subjacentes, por meio de iniciativas diplomáticas, políticas e caritativas e através de esforços de cooperação simultaneamente no Médio Oriente e na Europa.

Como líderes das nossas respetivas Igrejas, estamos unidos no nosso desejo de paz e na nossa disponibilidade para promover a resolução de conflitos através do diálogo e da reconciliação. Enquanto reconhecemos os esforços que já se vão fazendo para fornecer ajuda e assistência aos refugiados, migrantes e requerentes asilo, apelamos a todos os líderes políticos para que usem todos os meios possíveis a fim de garantir que os indivíduos e as comunidades, incluindo os cristãos, permaneçam nos seus países de origem e gozem do direito fundamental de viver em paz e segurança.

Há necessidade urgente de um consenso internacional mais amplo e um programa de assistência para sustentar o Estado de direito, defender os direitos humanos fundamentais nesta situação insustentável, proteger minorias, combater o tráfico humano e o contrabando, eliminar rotas inseguras como as do Egeu e de todo o Mediterrâneo, e desenvolver procedimentos seguros de reinstalação.

Deste modo seremos capazes de ajudar os países diretamente envolvidos na resposta às necessidades de inúmeros irmãos e irmãs nossos que sofrem. De modo particular, afirmamos a nossa solidariedade ao povo da Grécia que, não obstante as suas próprias dificuldades econômicas, tem respondido generosamente a esta crise.

Juntos, solenemente, imploramos o fim da guerra e da violência no Médio Oriente, uma paz justa e duradoura e o regresso honroso daqueles que foram forçados a abandonar as suas casas. Pedimos às comunidades religiosas que aumentem os seus esforços para receber, assistir e proteger os refugiados de todas as crenças, e que os serviços religiosos e civis de assistência se empenhem por coordenar os seus esforços.

Enquanto perdurar a necessidade, pedimos a todos os países que alarguem o asilo temporário, ofereçam o estatuto de refugiado a quantos se apresentarem idôneos, ampliem os seus esforços de socorro e colaborem com todos os homens e mulheres de boa vontade para um rápido fim dos conflitos em curso.

Hoje, a Europa enfrenta uma das suas crises humanitárias mais sérias desde o fim da II Guerra Mundial. Para vencer este grave desafio, fazemos apelo a todos os seguidores de Cristo para que tenham em mente as palavras do Senhor, segundo as quais seremos um dia julgados: «Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo. (…) Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 35-36.40).

Da nossa parte, em obediência à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo, estamos firme e sinceramente decididos a intensificar os nossos esforços para promover a plena unidade de todos os cristãos. Reafirmamos a nossa convicção de que, a reconciliação [entre os cristãos] envolve a promoção da justiça social dentro e entre todos os povos (…). Juntos, faremos a nossa parte para oferecer aos migrantes, refugiados e requerentes asilo uma recessão humana na Europa (Charta ecumênica, 2001). O nosso objetivo, ao defender os direitos humanos fundamentais dos refugiados, requerentes asilo e migrantes e de tantas pessoas marginalizadas nas nossas sociedades, é cumprir a missão de serviço das Igrejas ao mundo.

O nosso encontro de hoje pretende dar coragem e esperança a quantos procuram refúgio e a todos aqueles que os acolhem e assistem. Instamos a comunidade internacional a fazer da proteção das vidas humanas uma prioridade e a apoiar, em todos os níveis, políticas inclusivas que se estendam a todas as comunidades religiosas. A terrível situação de todas as pessoas afetadas pela atual crise humanitária, incluindo muitos dos nossos irmãos e irmãs cristãos, clama pela nossa oração constante.

Lesbos, 16 de abril de 2016.
Radio Vaticano


Lesbos: Oração pelas vítimas das migrações


Cidade do Vaticano, 16.ABR.2016 (RV) - No Porto de Lesbos, o Papa, acompanhado dos outros dois líderes religiosos, Bartolomeu I e Hieronymus II, recitou a seguinte oração pelas vítimas das migrações:

“Deus de misericórdia, pedimo-vos por todos os homens, mulheres e crianças, que morreram depois de ter deixado as suas terras à procura de uma vida melhor.

Embora muitos dos seus túmulos não tenham nome, cada um é conhecido, amado e querido por vós. Que nunca sejam esquecidos por nós, mas possamos honrar o seu sacrifício mais com as obras do que com as palavras.

Confiamo-vos todos aqueles que realizaram esta viagem, suportando medos, incertezas e humilhações, para chegar a um lugar seguro e esperançoso.

Como vós não abandonastes o vosso Filho quando foi levado para um lugar seguro por Maria e José, assim agora mantende-vos perto destes vossos filhos e filhas através da nossa ternura e proteção. Fazei que, cuidando deles, possamos promover um mundo onde ninguém seja forçado a deixar a sua casa e onde todos possam viver em liberdade, dignidade e paz.

Deus de misericórdia e Pai de todos, acordai-nos do sono da indiferença, abri os nossos olhos às suas tribulações e libertai-nos da insensibilidade, fruto do bem-estar mundano e do confinamento em nós mesmos.

Dai inspiração a todos nós, nações, comunidades e indivíduos, para reconhecer que, quantos atingem as nossas costas, são nossos irmãos e irmãs.

Ajudai-nos a partilhar com eles as bênçãos que recebemos das vossas mãos e a reconhecer que juntos, como uma única família humana, somos todos migrantes, viajantes de esperança rumo a vós, que sois a nossa verdadeira casa, onde todas as lágrimas serão enxugadas, onde estaremos na paz, seguros no vosso abraço”.

Depois das orações, o Papa Francisco, o Patriarca Bartolomeu I e o Arcebispo de Atenas Hieronymos II lançaram três coroas de louro no mar, em memória das vítimas das migrações.


Papa Francisco à população de Lesbos: "Quero expressar a minha admiração ao povo grego

Lesbos, 16 Abr.2016 / 09:45 am (ACI).- O Papa Francisco teve um encontro com a população e a comunidade católica no porto de Mitilene, em Lesbos, em memória das vítimas das migrações.

Em seu segundo discurso, o Santo Padre disse palavras de gratidão especialmente a Deus por ter concedido a ele cumprir esta esperada visita, e gratidão às autoridades da Grécia, ao Patriarca Bartolomeu e ao Arcebispo Jerônimo.

A seguir, a íntegra do texto:

Senhor Chefe do Governo,

Distintas Autoridades,

Queridos irmãos e irmãs!

Desde que Lesbos se tornou uma meta para tantos migrantes à procura de paz e dignidade, senti o desejo de vir aqui. Agradeço a Deus que me concedeu fazê-lo hoje. E agradeço ao Senhor Presidente Paulopoulos por me ter convidado, juntamente com o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Hieronymos.

Quero expressar a minha admiração ao povo grego, que, apesar das graves dificuldades que enfrenta, soube manter abertos os corações e as portas. Muitas pessoas simples puseram à disposição o pouco que tinham, partilhando-o com quem estava privado de tudo. Deus recompensará esta generosidade, tal como a doutras nações vizinhas que, desde os primeiros momentos, receberam com grande disponibilidade inúmeros migrantes forçados.

E abençoada é também a presença generosa de tantos voluntários e numerosas associações que, juntamente com as várias instituições públicas, prestaram a sua ajuda, e continuam a fazê-lo, expressando de modo concreto uma proximidade fraterna.

Quero hoje, perante uma situação tão dramática, lançar de novo um veemente apelo à responsabilidade e à solidariedade. Muitos refugiados, que se encontram nesta ilha e em várias partes da Grécia, estão a viver em condições críticas, num clima de ansiedade, medo e por vezes de desespero, devido às limitações materiais e à incerteza do futuro.

As preocupações das instituições e da população, aqui na Grécia como noutros países da Europa, são compreensíveis e legítimas. Mas nunca devemos esquecer que, antes de ser números, os migrantes são pessoas, são rostos, nomes, casos. A Europa é a pátria dos direitos humanos, e toda a pessoa que ponha pé em terra europeia deverá poder experimentá-lo; assim tornar-se-á mais consciente de dever, por sua vez, respeitá-los e defendê-los. Infelizmente alguns, incluindo muitas crianças, nem sequer conseguiram chegar: perderam a vida no mar, vítimas de viagens desumanas e sujeitos às tiranias de ignóbeis algozes.

Vós, habitantes de Lesbos, dais provas de que nestas terras, berço de civilização, ainda pulsa o coração duma humanidade que sabe reconhecer, antes de tudo, o irmão e a irmã, uma humanidade que quer construir pontes e evita a ilusão de levantar cercas para se sentir mais segura. Na verdade, em vez de ajudar o verdadeiro progresso dos povos, as barreiras criam divisões e, mais cedo ou mais tarde, as divisões provocam confrontos.

Para sermos verdadeiramente solidários com quem é forçado a fugir da sua própria terra, é preciso trabalhar para remover as causas desta dramática realidade: não basta limitar-se a resolver a emergência do momento, é preciso desenvolver políticas de amplo respiro, não unilaterais. Em primeiro lugar, é necessário construir a paz nos lugares aonde a guerra levou destruição e morte e impedir que este câncer se espalhe noutros lugares. Para isso, é preciso opor-se firmemente à proliferação e ao tráfico das armas e às suas teias muitas vezes ocultas; há que privar de todo e qualquer apoio quantos perseguem projetos de ódio e violência. Por outro lado, promova-se incansavelmente a colaboração entre os países, as Organizações Internacionais e as instituições humanitárias, não isolando mas sustentando quem enfrenta a emergência. Nesta perspetiva, renovo os meus votos de bom sucesso à I Cimeira Humanitária Mundial que terá lugar, em Istambul, no próximo mês.

Tudo isto só se pode fazer em conjunto: juntos, podemos e devemos procurar soluções dignas do homem para a complexa questão dos refugiados. E, nisto, é indispensável também a contribuição das Igrejas e das Comunidades Religiosas. A minha presença aqui, juntamente com o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Hieronymos, é testemunho da nossa vontade de continuar a cooperar para que este desafio epocal se torne ocasião, não de confronto, mas de crescimento da civilização do amor.

Queridos irmãos e irmãs, perante as tragédias que se abatem sobre a humanidade, Deus não permanece indiferente, não está longe. É o nosso Pai, que nos sustenta na construção do bem e rejeição do mal. E não só nos sustenta, mas em Jesus mostrou-nos o caminho da paz: face ao mal do mundo, fez-Se nosso servo e, com o seu serviço de amor, salvou o mundo. Este é o verdadeiro poder que gera a paz, só quem serve com amor, constrói a paz. O serviço faz cada um sair de si mesmo para cuidar dos outros: não deixa que as pessoas e as coisas caiam em ruína, mas sabe guardá-las, superando o espesso manto da indiferença que ofusca as mentes e os corações.

A vós, eu digo obrigado, porque sois guardiões da humanidade, porque cuidais ternamente da carne de Cristo, que sofre no menor dos irmãos, faminto e forasteiro, que acolhestes (cf. Mt 25, 35).


Papa Francisco aos refugiados de Mória:
Quero dizer-vos que não estais sozinhos.

Lesbos, 16 Abr.2016 / 09:00 am (ACI).- O Papa Francisco, em uma breve viagem neste sábado, 16, à ilha grega de Lesbos, visitou pouco depois do meio dia (hora local) o Campo de Refugiados de Mória. O Pontífice chegou a um micro-ônibus acompanhado pelo Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, Jerónimo, e pelo Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu.

O Santo Padre recordou aos refugiados que “não estão sozinhos” e compartilhou seu desejo de estar com eles, sabendo o quanto sofrem ao se verem obrigados a fugir, buscando construir uma nova vida pelo bem de seus filhos.

A seguir, a íntegra do discurso do Papa:

Queridos irmãos e irmãs!

Desejei vir estar convosco hoje. Quero dizer-vos que não estais sozinhos. Ao longo destes meses e semanas, sofrestes inúmeras tribulações na vossa busca duma vida melhor. Muitos de vós sentiram-se obrigados a escapar de situações de conflito e perseguição, sobretudo por amor dos vossos filhos, dos vossos pequeninos. Suportastes grandes sacrifícios por amor das vossas famílias. Experimentastes a amargura de ter deixado para trás tudo o que vos era querido e – o que é talvez mais difícil – sem saber o que o futuro vos reservava. Há ainda muitos outros, como vós, que se encontram à espera, em campos de refúgio ou na cidade, ansiando construir uma nova vida neste continente.

Vim aqui com os meus irmãos, o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Hieronymos, apenas para estar convosco e ouvir os vossos dramas. Viemos a fim de chamar a atenção do mundo para esta grave crise humanitária e implorar a sua resolução. Como pessoas de fé, desejamos unir as nossas vozes para falar abertamente em vosso nome. Esperamos que o mundo preste atenção a estas situações de trágica e verdadeiramente desesperada necessidade e responda de modo digno da nossa humanidade comum.

Deus criou o género humano para ser uma única família; quando sofre algum dos nossos irmãos ou irmãs, todos nos ressentimos. Todos sabemos por experiência como é fácil, para algumas pessoas, ignorar as tribulações dos outros e até aproveitar-se da sua vulnerabilidade; mas sabemos também que estas crises podem fazer despontar o melhor de nós mesmos. Viste-lo em vós próprios e no povo grego, que, apesar de imerso nas suas próprias dificuldades, respondeu generosamente às vossas necessidades. Viste-lo também em muitas pessoas, sobretudo jovens originários de toda a Europa e do mundo, que vieram ajudar-vos. É verdade que ainda há muitíssimo a fazer; mas damos graças a Deus porque, nos nossos sofrimentos, nunca nos deixou sozinhos. Há sempre alguém que pode dar uma mão para nos ajudar.

Esta é a mensagem que, hoje, vos quero deixar: não percais a esperança! O maior presente que podemos oferecer uns aos outros é o amor: um olhar misericordioso, a solicitude por nos ouvirmos e compreendermos, uma palavra de encorajamento, uma oração. Oxalá possais partilhar este presente uns com os outros. Nós, cristãos, gostamos de contar o episódio do Bom Samaritano, um estrangeiro que viu um homem necessitado e, imediatamente, se deteve para o socorrer. Para nós, é uma parábola alusiva à misericórdia de Deus, que se destina a todos (Ele é o Misericordioso); mas é também um apelo a demonstrarmos a mesma misericórdia àqueles que passam necessidade. Que todos os nossos irmãos e irmãs, neste continente, possam – à semelhança do Bom Samaritano – vir em vosso auxílio, animados por aquele espírito de fraternidade, solidariedade e respeito pela dignidade humana que caracterizou a sua longa história.

Queridos irmãos e irmãs, que Deus vos abençoe a todos, especialmente às vossas crianças, aos idosos e àqueles que sofrem no corpo e no espírito. A todos vos abraço com afeto. Sobre vós e quem vos acompanha, invoco os dons divinos da fortaleza e da paz.

Missa em Santa Marta - Papa assegura que a chave para abrir o coração a Deus é a humildade

«Levanta-te e vai»: é o convite feito pelo Senhor a Saulo, que caiu por terra no caminho de Damasco, e a Ananias enviado a batizar o perseguidor convertido. «Levanta-te e vai», disse o Papa, é um convite também para cada um de nós, porque um cristão «deve estar de pé e com a cabeça levantada», enquanto «um homem com o coração fechado é um homem por terra». Com uma meditação sobre o trecho bíblico da conversão de Saulo, tirado dos Atos dos Apóstolos (9, 1-20), na missa celebrada em Santa Marta na sexta-feira 15 de abril, Francisco voltou a falar da importância da docilidade à ação do Espírito Santo e a refletir «sobre a atitude daquelas pessoas que têm o coração fechado, o coração endurecido, o coração soberbo».

A liturgia de quinta-feira 14 evidenciou «que tanto o apóstolo Filipe como o ministro da rainha tinham um coração aberto à voz do Espírito». Nesta sexta-feira da terceira semana de Páscoa, ao contrário, confrontamo-nos com a história de Saulo, «história de um homem que deixa que Deus transforme o seu coração: a transformação de um homem de coração fechado, endurecido, num homem de coração dócil ao Espírito Santo».

Saulo, explicou o Pontífice, «estava presente no martírio de Estêvão» e «concordava». Ele era «um homem jovem, forte, corajoso, zeloso na sua fé, mas com o coração fechado»: de facto, não só «não queria ouvir falar de Jesus Cristo» mas foi além e começou «a perseguir os cristãos». Por isso, seguro de si, pediu autorização para «fazer o mesmo» em Damasco.

Quando estava em viagem, prosseguiu o Papa resumindo o episódio, «de repente ficou envolvido por uma luz do céu» e, «caindo por terra ouviu a voz». Precisamente ele, «Saulo o forte, o corajoso, estava por terra». E ali em baixo, continuou Francisco, «compreende a sua verdade; compreende que não era um homem como Deus queria, porque Deus nos criou, a todos nós, para estar em pé, com a cabeça levantada».

A este ponto o Senhor pronuncia «uma palavra-chave, a mesma que tinha dito a Filipe para lhe confiar a missão de ir visitar aquele prosélito etíope: «Levanta-te e vai!». Não só, mas a Saulo, homem corajoso, que sabia tudo, é comunicado: «Entra na cidade e dir-te-ão dito o que deves fazer». Como para dizer: «Tu tens ainda que aprender». Uma humilhação. E não era tudo.

Ao levantar-se, Saulo «apercebe-se de que estava cego» e então «deixa-se guiar». Precisamente aqui, frisou o Papa, «começou a abrir-se o seu coração», obrigado a ser guiado pela mão no caminho de Damasco. «Este homem, estava por terra» e «compreendeu imediatamente que tinha que aceitar esta humilhação». A este propósito o Pontífice explicou que é precisamente «a humilhação o caminho para abrir o coração». De facto, «quando o Senhor nos envia humilhações ou permite que elas aconteçam, é precisamente para isto: para que o coração se abra, seja dócil» e «se converta ao Senhor Jesus». Por conseguinte, a narração desloca-se para a figura de Ananias. Também a ele o Senhor disse: «Vai. Levanta-te e vai». Assim o discípulo «foi, entrou na casa, impôs-lhe as mãos e disse: “Saulo, irmão, enviou-me a ti o Senhor para que tu readquiras a vista e sejas colmado de Espírito Santo”». Uma frase que encerra um pormenor fundamental: «o protagonista destas histórias – observou Francisco – não são nem os doutores da lei, nem Estêvão, nem Filipe, nem o eunuco, nem Saulo... é o Espírito Santo. Protagonista da Igreja é o Espírito Santo que conduz o povo de Deus».

A este ponto, nos Atos lê-se que «caíram dos olhos de Saulo como que umas escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado»: a sua «dureza de coração», com a passagem da humilhação, tinha-se tornado «docilidade ao Espírito Santo». Ele, «que se considerava o detentor da verdade e perseguia os cristãos, recebe a graça do Senhor de ver e compreender a sua verdade: “És um homem caído por terra mas deves levantar-te!”».

Trata-se de uma lição para todos: «é bom – disse o Papa – ver como o Senhor é capaz de transformar os corações e de fazer com que um coração endurecido, teimoso se torne um coração dócil ao Espírito». Mas, acrescentou, é preciso que «não esqueçamos aquelas palavras-chave». Antes de mais: «Levanta-te», porque «um cristão deve estar de pé e com a cabeça levantada». Depois: «Vai», porque «um cristão deve ir, não pode ficar fechado em si mesmo». Por fim: «Deixa-te guiar», tal como Paulo que «se deixou guiar, como uma criança; entregou-se às mãos de outrem, que não conhecia». Em tudo isto, explicou o Pontífice, há a «obra do espírito Santo».

Esta mensagem diz respeito a todos nós, porque todos «temos coisas duras no coração»: quem «não as tem», acrescentou o Papa, «levante a mão, por favor!». Portanto, sugeriu, «peçamos ao Senhor que nos mostre que estas durezas nos arrasam; nos envie a graça e também – se for necessário – as humilhações para não permanecer por terra e para nos levantarmos, com a dignidade com que Deus nos criou, ou seja, a graça de um coração aberto e dócil ao Espírito Santo».

Refugiados: Francisco em Lesbos, sem papamóvel, para ver situação «quase explosiva»

Cidade do Vaticano, 15.abr.2016 (Ecclesia) - O presidente da Conferência Episcopal da Grécia advertiu que a situação na ilha de Lesbos, que este sábado vai acolher o Papa, é “quase explosiva”.

“A situação não é pacífica e não sei como vai evoluir. Todos têm razão: os refugiados, porque não resistem à situação desumana dos centros de acolhimento. Os moradores, porque temem as reações violentas dos refugiados, como saques”, disse D. Fraghiskos Papamanolis à Rádio Vaticano.

O responsável antecipava a visita de cinco horas que Francisco vai realizar a Lesbos, na companhia do patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu, e do arcebispo ortodoxo de Atenas, Jerónimo II.

A visita é apresentada pelo Vaticano como “humanitária” e “ecuménica”, não prevendo qualquer deslocação em papamóvel pelas ruas da ilha.

O programa inclui um encontro com 2500 refugiados no campo de Mória e o almoço com alguns deles dentro de um contentor, bem como o gesto simbólico de lançar coroas ao mar, no porto da ilha, para homenagear os migrantes que perderam a vida no mar.

O presidente da Conferência Episcopal da Grécia sublinha o impacto da crise humana na ilha de 90 mil habitantes e nas outras ilhas do Egeu, que dependem do turismo.

“A crise económica esvazia as carteiras de todos, inclusive da Igreja Católica. Fomos obrigados a fechar algumas obras sociais e até a interromper atividades pastorais”, relata D. Fraghiskos Papamanolis.

Francisco, Bartolomeu e Jerónimo II vão ser recebidos no aeroporto de Mitilene, capital de Lesbos, pelo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras.

Em seguida, vão fazer juntos um trajeto de 16 quilómetros em minibus para chegar ao campo de refugiados de Mória, onde se vão encontrar com 150 crianças e cumprimentar individualmente 250 requerentes de asilo, sobretudo muçulmanos, na grande tenda.

Depois do almoço com oito refugiados, os líderes cristãos fazem novo percurso em minibus (8 quilómetros) para encontrar-se com representantes da sociedade civil e da comunidade católica.

O programa prevê um minuto de silêncio e o lançamento de três coroas ao mar, que vão ser entregues aos líderes cristãos por três crianças.

A visita do Papa conclui-se com encontros privados, no aeroporto, com Jerónimo II, Bartolomeu e o primeiro-ministro Alexis Tspiras.

Ontem, quinta-feira, 14.abr.2016, Francisco deslocou-se à Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para rezar diante da imagem da Virgem Maria, Salus Populi Romani, pedindo a sua “proteção” para a visita a Lesbos, informou o Vaticano.

Em Santa Maria Maggiore, Papa Francisco pede à Nossa Senhora que proteja sua viagem à ilha grega de Lesbos

VATICANO, 15.Abr.2016 / 11:00 am (ACI).- O Papa Francisco se dirigiu na tarde de ontem à Basílica da Santa Maria Maior, em Roma, para rezar ante a Virgem pela viagem que realizará neste sábado, 16, à ilha grega de Lesbos.

Como de costume, antes de realizar uma visita apostólica, o Pontífice reza ante a imagem da Salus Populi Romani entre às 19h e as 19h30 (hora local).

Segundo informações da Santa Sé, Francisco solicitou a proteção da Mãe de Deus para sua visita à Grécia e lhe ofereceu um buquê de rosas brancas e azuis, as cores da bandeira do país.







Tweet do Santo Padre publicado nesta sexta-feira
:

15/04/2016
Nos dias amargos da família, há uma união com Jesus abandonado, que pode evitar uma ruptura.


Papa: a docilidade ao Espírito leva avante a Igreja, não a lei

Cidade do Vaticano (RV) - É preciso ser dóceis ao Espírito Santo, não apresentar resistência. Foi o que destacou Francisco na Missa celebrada na manhã de quinta-feira (14/04/2013) na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa se inspirou na primeira leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, em que Filipe evangeliza o etíope, alto funcionário da rainha Candace.

Não resistir ao Espírito com a desculpa da fidelidade à lei

O protagonista deste encontro, de fato, não é Filipe nem mesmo o etíope, mas o próprio Espírito. “É Ele que faz as coisas. É o Espírito que faz nascer e crescer a Igreja”:

“Nos dias passados, a Igreja nos propôs o drama da resistência ao Espírito: os corações fechados, duros, tolos, que resistem ao Espírito. Viam os fatos – a cura do paralítico feita por Pedro e João na Porta Formosa do Templo; as palavras e as grandes coisas que fazia Estêvão... – mas ficaram fechados a esses sinais do Espírito e resistiram a Ele. E buscavam justificar essa resistência com uma suposta fidelidade à lei, isto é, à letra da lei”.

Hoje, disse o Papa referindo-se às Leituras, “a Igreja nos propõe o oposto: não a resistência ao Espírito, mas a docilidade a Ele, que é justamente a atitude do cristão”. “Ser dóceis ao Espírito – reiterou – e esta docilidade faz de modo que o Espírito possa agir e ir avante para construir a Igreja”. O Pontífice citou Filipe, um dos Apóstolos, “atarefado como todos os bispos, e aquele dia certamente tinha os seus planos de trabalho”. Mas o Espírito lhe diz para deixar de lado o que havia programado e ir ao encontro do etíope, “e ele obedeceu”. Francisco então ilustrou o encontro entre Filipe e o etíope, ao qual o Apóstolo explica o Evangelho e a sua mensagem de salvação. O Espírito, disse, “trabalhava no coração do etíope”, oferece a ele “o dom da fé e este homem sentiu algo de novo no seu coração”. E, ao final, pede para ser batizado, pois foi dócil ao Espírito Santo.

A docilidade ao Espírito nos doa alegria

“Dois homens – comentou o Papa –: um evangelizador e um que não sabia nada de Jesus, mas o Espírito tinha semeado uma curiosidade saudável e não aquela curiosidade das fofocas”. E no final o eunuco prossegue o seu caminho com alegria, “a alegria do Espírito, à docilidade ao Espírito”:

“Ouvimos nos dias passadas o que faz a resistência ao Espírito; hoje temos o exemplo de dois homens que foram dóceis à Sua voz. E o sinal é a alegria. A docilidade ao Espírito é fonte de alegria. ‘Mas eu gostaria de fazer algo, isso… Mas sinto que o Senhor me pede outra coisa. A alegria encontrarei lá, onde há o chamado do Espírito!’”.

A docilidade ao Espírito leva avante a Igreja

O Papa prosseguiu propondo uma bela oração para pedir esta docilidade, que pode ser encontrada no Primeiro Livro de Samuel. Trata-se da oração que o sacerdote Eli sugere ao jovem Samuel, que à noite ouvia uma voz que o chamava: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”:

“Esta é uma bela oração que nós podemos fazer sempre: ‘Fala, Senhor, porque teu servo escuta’. A oração para pedir esta docilidade ao Espírito Santo e com esta docilidade levar avante a Igreja, ser os instrumento do Espírito para que a Igreja possa prosseguir. ‘Fala, Senhor, que o teu servo escuta’. Rezemos assim, várias vezes por dia: quando temos uma dúvida, quando não sabemos ou quando simplesmente quisermos rezar. E com esta oração pedimos a graça da docilidade ao Espírito Santo”.


O Papa Francisco twittou na manhã desta quinta-feira:

4/04/2016
O amor é a única luz que ilumina incessantemente um mundo às escuras.


Papa: vivemos numa cultura muitas vezes hostil ao Evangelho

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (14/04/2016), na Sala do Consistório, no Vaticano, trinta e cinco membros da Comunidade do Pontifício Colégio Escocês, em Roma, por ocasião do quarto centenário de transformação do instituto num seminário para a formação sacerdotal.

“Este aniversário é rico de significado, não somente pelos muitos anos transcorridos, mas sobretudo porque recordamos a fidelidade dos dezesseis homens que, em 11 de março de 1616, manifestaram sua determinação em retornar à Escócia como sacerdotes a fim de pregar o Evangelho. Aquela decisão nasceu do sangue de um mártir”, disse o Papa em seu discurso.

O martírio de São João Ogilvie, cuja condenação teve como objetivo reduzir ao silêncio a fé católica, foi um incentivo para a sua promoção e a defesa da liberdade da Igreja de permanecer em comunhão com a Sé de Pedro.

“O sim proclamado pelos dezesseis homens quatrocentos anos atrás foi eloquente, não simplesmente por suas boas intenções, mas porque eles perseveraram e se prepararam bem, retornando à Escócia para enfrentar as dificuldades que os esperavam, não obstante isso significasse se tornar mártires. A deles foi uma vida que aspirava àquela alegria e àquela paz que somente Cristo podia oferecer. Olhando vocês hoje, podemos ver que, mediante a graça de Deus o martírio de São João e a coragem dos dezesseis homens deram frutos em sua Pátria amada”, disse Francisco.

O Papa recordou que também nós vivemos em tempos de martírio, numa cultura muitas vezes hostil ao Evangelho. O Santo Padre exortou a Comunidade do Pontifício Colégio Escocês a ter o mesmo espírito de dedicação que tiveram os seus predecessores.

“Amem Jesus acima de todas as coisas! Façam de modo que o seu sim seja marcado pela resolução firme de se doar completamente à formação sacerdotal, de modo que o seus anos em Roma possam preparar vocês para o retorno à Escócia a fim de oferecer plenamente a sua vida. Se vocês tiverem o mesmo ardor de seus irmãos de quatro séculos atrás, o mesmo amor pela Igreja e pela Escócia, vocês farão honra à história e aos sacrifícios que hoje recordamos. Vocês se tornarão em nossos dias um sinal para o povo escocês, especialmente para os jovens, quando os  encontrarem na vida cotidiana, quando forem aos que estão distantes de Cristo”.
 
Mostrem a eles, a cada um e a todos, que Deus está sempre conosco e que a sua misericórdia permanece para sempre.

Neste Jubileu da Misericórdia peço ao Senhor para que lhes dê a coragem e a graça de ser fieis à sua vontade, dedicando-se à oração, amando Jesus especialmente na Eucaristia, e confiando vocês mesmos à proteção de Maria, nossa Mãe.

Papa: não a religiosidade de fachada, misericórdia é salvação

Quarta-feira, 13 de abril de 2016 –   Audiência geral com o Papa Francisco na Praça de S. Pedro. Muitos milhares de fiéis saudaram o Santo Padre e ouviram a sua catequese sobre a necessidade de misericórdia e não de sacrifícios.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Ouvimos o Evangelho do chamado de Mateus. Mateus era um “publicano”, isso é, um cobrador de impostos do império romano e, por isso, considerado pecador público. Mas Jesus o chama a segui-Lo e a se tornar seu discípulo. Mateus aceita e o convida a jantar em sua casa junto com os discípulos. Então surge uma discussão entre os fariseus e os discípulos de Jesus pelo fato de que esses dividem a mesa com os publicanos e os pecadores. “Mas tu não podes ir à casa dessa gente!”, diziam eles. Jesus, de fato, não os afasta, antes, frequenta suas casas e senta próximo a eles; isso significa que também eles podem se tornar seus discípulos. E além disso é verdade que ser cristãos não nos torna impecáveis. Como o publicano Mateus, cada um de nós se confia à graça do Senhor apesar dos próprios pecados. Todos somos pecadores, todos temos pecados. Chamando Mateus, Jesus mostra aos pecadores que não olha para o passado deles, para a condição social, para as convenções exteriores, mas em vez disso abre a eles um futuro novo. Uma vez ouvi um ditado belo: “Não há santo sem passado e não há pecador sem futuro”. Isso é o que Jesus faz. Não há santo sem passado nem pecador sem futuro. Basta responder ao convite com o coração humilde e sincero. A Igreja não é uma comunidade de perfeitos, mas de discípulos em caminho, que seguem o Senhor porque se reconhecem pecadores e necessitados do seu perdão. A vida cristã, portanto, é escola de humildade que nos abre à graça.

Um tal comportamento não é compreendido por quem tem a presunção de acreditar ser “justo” ou melhor que os outros. Soberba e orgulho não permitem reconhecer-se necessitados de salvação, antes, impedem de ver a face misericordiosa de Deus e de agir com misericórdia. Esses são um muro. A soberba e o orgulho são um muro que impedem a relação com Deus. No entanto, a missão de Jesus é justamente essa: vir em busca de cada um de nós, para sanar as nossas feridas e nos chamar a segui-Lo com amor. Diz isso claramente: “Não são os sadios que têm necessidade do médico, mas os doentes” (v.12). Jesus se apresenta como um bom médico! Ele anuncia o Reino de Deus, e os sinais da sua vinda são evidentes: Ele cura das doenças, liberta do medo, da morte e do demônio. Diante de Jesus, nenhum pecador é excluído – nenhum pecador é excluído! – porque o poder restaurador de Deus não conhece enfermidades que não possam ser curadas; e isso deve nos dar confiança e abrir o nosso coração ao Senhor para que venha e nos restaure. Chamando os pecadores à sua mesa, Ele os restaura restabelecendo aquela vocação que esses acreditavam ter perdido e que os fariseus esqueceram: aquela de enviados ao banquete de Deus. Segundo a profecia de Isaías: “O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos, nesse monte, um banquete de carnes gordas, um festim de vinhos velhos, de carnes gordas e medulosas, de vinhos velhos purificados. (…) Naquele dia dirão: ‘Eis nosso Deus do qual esperamos nossa libertação. Congratulemo-nos, rejubilemo-nos por seu socorro” (25, 6-9).

Se os fariseus veem nos enviados somente pecadores e rejeitam sentar-se com eles, Jesus, ao contrário, recorda a eles que também esses são comensais de Deus. Deste modo, sentar-se à mesa com Jesus significa ser por Ele transformado e salvo. Na comunidade cristã, a mesa de Jesus é dupla: há a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia (cfr Dei Verbum, 21). São esses os bálsamos com os quais o Médico Divino nos restaura e nos alimenta. Com o primeiro – a Palavra – Ele se revela e nos convida a um diálogo entre amigos. Jesus não tinha medo de dialogar com os pecadores, os publicamos, as prostitutas…Não, ele não tinha medo: amava todos! A sua Palavra penetra em nós e, como um bisturi, opera em profundidade para nos libertar do mal que se esconde em nossa vida. Às vezes essa Palavra é dolorosa, porque incide sobre hipocrisias, desmascara as falsas desculpas, coloca à luz as verdades escondidas; mas ao mesmo tempo ilumina e purifica, dá força e esperança, é um tônico precioso no nosso caminho de fé. A Eucaristia, da sua parte, nos alimenta da própria vida de Jesus e, como um poderosíssimo remédio, de modo misterioso renova continuamente a graça do nosso Batismo. Aproximando-se da Eucaristia nós nos alimentamos do Corpo e Sangue de Jesus, no entanto, vindo a nós, é Jesus que nos une ao seu Corpo!

Concluindo aquele diálogo com os fariseus, Jesus recorda a eles uma palavra do profeta Oseas (6,6): “Ide e aprendei o que quer dizer: misericórdia eu quero e não sacrifício” (Mt 9,13). Dirigindo-se ao povo de Israel, o profeta o repreendeu porque as orações que elevava eram palavras vazias e incoerentes. Apesar da aliança de Deus e a misericórdia, o povo vivia muitas vezes uma religiosidade “de fachada”, sem viver em profundidade o mandamento do Senhor. Eis porque o profeta insiste: “Misericórdia eu quero”, isso é, a lealdade de um coração que reconhece os próprios pecados, que se arrepende e torna a ser fiel à aliança com Deus. “E não sacrifício”: sem um coração arrependido, toda ação religiosa é ineficaz! Jesus aplica essa frase profética também às relações humanas: aqueles fariseus eram muito religiosos na forma, mas não estavam dispostos a partilhar a mesa com os publicanos e os pecadores; não reconheciam a possibilidade de uma reforma e, por isso, de cura; não colocavam em primeiro lugar a misericórdia: mesmo sendo fiéis protetores da Lei, demonstravam não conhecer o coração de Deus! É como se te presenteassem com um pacote com um presente dentro e, em vez de ir e procurar o presente, você olhasse somente para o papel no qual veio embrulhado: somente as aparências, a forma, e não o cerne da graça, do dom que é dado!

Queridos irmãos e irmãs, todos nós somos enviados à mesa do Senhor. Façamos nosso o convite a sentarmo-nos próximo a Ele junto aos seus discípulos. Aprendamos a olhar com misericórdia e a reconhecer em cada um deles um comensal nosso. Somos todos discípulos que precisam experimentar e viver a palavra consoladora de Jesus. Todos temos necessidade de nos alimentarmos da misericórdia de Deus, porque é dessa fonte que emana a nossa salvação. Obrigado!

Após a catequese, o Papa Francisco pediu que os fiéis rezem por sua visita à ilha grega de Lesbos neste sábado, 16/04/2016. O Santo Padre visita o local para um encontro com os refugiados, numerosos nessa região.

“Visitarei a ilha de Lesbos, onde nos meses passados transitaram inúmeros prófugos. Irei com os meus irmãos o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, e o arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, Jerônimo, para expressar proximidade e solidariedade seja aos prófugos, seja aos cidadãos de Lesbos e a todo o povo grego, tão generoso no acolhimento. Peço por favor que me acompanhem com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo e a materna intercessão da Virgem Maria”, disse o Papa após a catequese de hoje.

Como reiterou o Papa em seu pedido de oração, a visita à Grécia tem uma significativa dimensão ecumênica. A assistência aos refugiados na Ilha é feita sobretudo pelos ortodoxos, sendo a maioria da população, com grande sinergia com instituições católicas e de outras confissões cristãs.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira, 12, pela Organização Internacional para Migrações, mais de 173.000 migrantes e refugiados chegaram à Grécia, Itália, Chipre e Espanha pelo Mar Mediterrâneo em 2016 (dados contabilizados entre 1º de janeiro e 11 de abril). O número de mortes na região subiu para 723.

Grécia

A organização calcula que somente na Grécia, mais de 153 mil pessoas entraram no país desde o início do ano. A OIM diz ainda que mais de 53 mil refugiados e migrantes estão sem ter como se locomover na Ilha. Boa parte deles está alojada em centros de acolhimento no norte do país.

Os sírios formam a maioria dos migrantes e refugiados que chegam à Grécia, seguidos pelos afegãos, iraquianos, paquistaneses e iranianos.
news.va/canção nova

Papa Francisco escreveu um Tweet nesta quarta-feira:

13/04/2016
As pessoas com deficiência são, para a família, um dom e uma oportunidade para crescer no amor, na ajuda recíproca e na unidade.


Papa Francisco: A perseguição ‘educada’ tira do homem a liberdade de objetar com a consciência

Refletindo sobre o martírio de Estêvão o Papa Francisco, em sua homilia na casa Santa Marta, fala sobre a perseguição do mundo que tira a liberdade dos filhos de Deus. “Quando as potências querem impor comportamentos e leis contra a dignidade do Filho de Deus, perseguem-no e vão contra o Deus Criador”

Dois tipos de perseguições foram destacadas pelo Papa Francisco hoje, 12.abril.2016, na sua homilia em Santa Marta. Por um lado a perseguição selvagem e por outro a perseguição com “luvas brancas”, disfarçadas de “cultura”.

Seguindo o episódio do martírio de Estêvão, descrito no trecho dos Atos dos Apóstolos proposto pela liturgia, afirmou o Pontífice:

“A perseguição, eu diria, é o pão cotidiano da Igreja. Jesus o disse. Nós, quando fazemos um pouco de turismo por Roma e visitamos o Coliseu, pensamos que os mártires eram aqueles mortos com os leões. Mas os mártires não foram somente aqueles ali ou outros. São homens e mulheres de todos os dias: hoje, no dia de Páscoa, somente três semanas atrás… aqueles cristãos que festejavam a Páscoa no Paquistão foram martirizados justamente porque festejavam o Cristo Ressuscitado. E assim a história da Igreja vai avante com os seus mártires”.

O martírio de Estêvão provocou uma cruel perseguição anticristã em Jerusalém, análoga às que sofrem quem não é hoje livre de professar a sua fé em Jesus. “Mas – observa Francisco – existe outra perseguição, da qual não se fala muito: a perseguição mascarada de cultura, de modernidade, de progresso”.

“É uma perseguição – diria com um pouco de ironia – ‘educada’. É quando o homem não é perseguido por confessar o nome de Cristo, mas porque quer ter e manifestar os valores do Filho de Deus. É uma perseguição contra Deus Criador na pessoa de seus filhos! E assim, vemos todos os dias que as potências fazem leis que obrigam a seguir este caminho e a nação que não respeita estas leis modernas, cultas, ou que não quer tê-las em sua legislação, é acusada, perseguida educadamente. É a perseguição que tira do homem a liberdade, inclusive de objetar com a consciência!”.

“Esta é a perseguição do mundo que tira a liberdade”, enquanto “Deus nos fez livres de dar testemunho do Pai que nos criou e de Cristo que nos salvou”, disse o Papa, acrescentando que “esta perseguição tem até um líder”:

“O líder da perseguição ‘educada’, Jesus o nomeou: é o príncipe deste mundo. Quando as potências querem impor comportamentos e leis contra a dignidade do Filho de Deus, perseguem-no e vão contra o Deus Criador. É a grande apostasia. Assim, a vida dos cristãos vai avante, com estas duas perseguições. O Senhor nos prometeu que não se afastará de nós. “Estejam atentos, atenção!” Não caiam no espírito do mundo. Estejam atentos, mas prossigam, Eu estarei com vocês!”.
zenit.org

Papa Francisco: peçamos a Deus que nos ajude a romper a dureza de coração

VATICANO, 11 Abr.2016 / 02:00 pm (ACI).- Na Missa que presidiu na manhã de hoje na Casa Santa Marta, o Papa Francisco exortou a superar a insensatez e a dureza de coração que impede de compreender e abrir-se à Palavra de Deus.

O Pontífice centrou sua reflexão na primeira leitura, extraída do Livro dos Atos dos Apóstolos, segundo a qual os doutores da lei acusam Estêvão com calúnias porque não conseguem “resistir à sabedoria e ao espírito” por meio da qual fala. Instigam a falsos testemunhas para que digam que ouviram “pronunciar palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus”.

Estêvão, afirmou o Papa, termina como todos os profetas, termina como Jesus. Isso se repete na história da Igreja. “A história nos fala de muita gente que foi morta e julgada, não obstante fosse inocente. Julgada com a Palavra de Deus, contra a Palavra de Deus. Pensemos na caça às bruxas ou em Santa Joana D’Arc, em muitos outros que foram queimados e condenados, porque não se ajustaram, segundo os juízes, à Palavra de Deus”.

“É o modelo de Jesus que, por ter sido fiel e obedecido à Palavra do Pai, termina na cruz. Com muita ternura, Jesus diz aos discípulos de Emaús: ‘Ó tolos e tardos de coração’”.

“Peçamos hoje ao Senhor para que, com a sua ternura, olhe as pequenas e grandes tolices de nosso coração, nos acaricie e diga: ‘Ó tolos e tardos de coração’ e comece a nos explicar as coisas”, exortou o Santo Padre.

Conforme assinala Rádio Vaticano, Francisco explicou que “o coração fechado à verdade de Deus fica preso somente à verdade da lei”, ou melhor, “mais do que pela lei, pela letra” e “não encontra outra saída a não ser a mentira, o falso testemunho e a morte”. Jesus já os havia repreendido por esta atitude, porque “seus pais tinham matado os profetas” e eles, agora, construíam monumentos a esses profetas.

A resposta dos “doutores da letra” é mais “cínica” do que “hipócrita”: “Se nós estivéssemos na situação dos nossos pais, não teríamos feito o mesmo”.

E “assim – explicou o Papa – se lavam as mãos e se julgam puros diante de si mesmos. Mas o coração está fechado à Palavra de Deus, está fechado à verdade, está fechado ao mensageiro de Deus que traz a profecia para levar avante o povo de Deus”.

“Faz-me mal quando leio aquele pequeno trecho do Evangelho de Mateus, quando Judas arrependido vai aos sacerdotes e diz ‘pequei’ e quer dar… e dá as moedas. ‘Que nos importa! – dizem eles – o problema é seu!’. Um coração fechado diante deste pobre homem arrependido que não sabia o que fazer. ‘O problema é seu’ e foi se enforcar. E o que eles fazem quando Judas vai se enforcar? Falam e dizem, ‘mas, pobre homem? Eh, sim…’. Não! As moedas, rápido! ‘Essas moedas são a preço de sangue, não podem entrar no templo …’ e a regra é esta, esta e esta... Os doutores da letra”.

Em seguida, o Santo Padre disse: “A eles não importa a vida de uma pessoa, a eles não importa o arrependimento de Judas: o Evangelho diz que ele voltou arrependido. A eles importa somente o seu esquema de leis e muitas palavras e coisas que construíram.

“Esta é a dureza de seu coração. Esta é a dureza do coração, da tolice do coração dessa gente que, como não podia resistir à verdade de Estêvão, vai procurar testemunhos, testemunhas falsas para julgá-lo”, concluiu o Papa Francisco.

Nesta segunda-feira, o Papa Francisco escreveu em seu Twitter:

11/04/2016
O bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja.

Regina Coeli: Papa Francisco pede levar o anúncio da Ressurreição aos marginalizados

VATICANO, 10 Abr.2016 / 12:30 pm (ACI/EWTN Noticias).- Antes da Oração do Regina Coeli no Terceiro Domingo de Páscoa, o Papa Francisco dirigiu umas palavras aos fiéis reunidos na Praça São Pedro a fim de encoraja-los a levar a mensagem da Ressurreição de Jesus e “sua potência misericordiosa” a todos aqueles que encontramos, especialmente aos que sofrem e aos marginalizados.

“O grande anúncio da Ressurreição infunde nos corações dos crentes uma íntima alegria e uma esperança invencível. Cristo ressuscitou verdadeiramente! Também hoje a Igreja continua fazendo este anúncio alegre”, expressou o Santo Padre.

Inspirado no Evangelho do dia, que narra a pesca milagrosa, Francisco mergulhou nos sentimentos que brotaram no coração dos discípulos após a ressurreição: “o conheceram, haviam deixado tudo para segui-lo, cheios de esperança, e agora? O haviam visto ressuscitado, mas depois pensavam: "Foi embora e nos deixou…Foi como um sonho". As redes vazias, representavam, num certo sentido, "o balanço de sua experiência com Jesus".

Mas é o Senhor que vai novamente procurá-los, e no amanhecer, se apresenta na margem do lago, pedindo para que joguem novamente as redes. Eles não o reconheceram, mas o milagre da pesca abundante, transforma o sentimento de desolação que imperava. “É o Senhor”, disse João a Pedro, que “pula na água e nada até a margem, ao encontro a Jesus”.

“Naquela exclamação: “É o Senhor! ”, há todo o entusiasmo da fé pascal, plena de alegria e de estupor, que contrasta fortemente com a perda, o desconforto, o sentimento de impotência, que haviam se acumulado na alma dos discípulos. A presença de Jesus ressuscitado transforma todas as coisas: a escuridão é vencida pela luz, o trabalho inútil torna-se novamente frutuoso e prometedor, o sentimento de cansaço e de abandono dá lugar a um novo ímpeto e à certeza de que Ele está conosco”, afirma o Pontífice.

Em seguida, o Papa assinalou: “se com um olhar superficial pode parecer às vezes que as trevas do mal e o cansaço do viver cotidiano tem a supremacia, a Igreja sabe com certeza, que sobre aqueles que seguem o Senhor Jesus, resplandece a luz da Páscoa que não se apaga mais. O grande anúncio da Ressurreição infunde nos corações dos fieis uma íntima alegria e uma esperança invencível.

“Cristo ressuscitou verdadeiramente! ”, exclamou o Papa, e pediu levar o anúncio da Ressurreição de Jesus “a todos os que encontramos, especialmente quem sofre, está só, quem se encontra em condições precárias, os doentes e os marginalizados. “Façamos chegar a todos um raio da luz de Cristo ressuscitado, sinal do seu poder misericordioso”, prosseguiu.

Ao finalizar, o Santo Padre pediu que “o Senhor renove em nós a fé pascal. Nos torne sempre mais conscientes da nossa missão a serviço do Evangelho e dos irmãos; nos preencha com seu Santo Espírito para que, apoiados pela intercessão de Maria, com toda a Igreja possamos proclamar a grandeza de seu amor e a riqueza da sua misericórdia”.

O Santo Padre publicou hoje um Tweet:

10/04/2016
A Palavra de Deus é uma companheira de viagem, mesmo para as famílias que estão em crise ou imersas em alguma tribulação.

Audiência jubilar: a esmola é um aspecto essencial da misericórdia

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre presidiu, na manhã deste sábado (09.abr.2016) na Praça São Pedro, no Vaticano, à audiência jubilar, por ocasião do Ano Santo da Misericórdia.

Entre os numerosos peregrinos e fiéis, provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, encontravam-se os membros da Federação Italiana dos Semanais Católicos, por ocasião dos seus 50 anos de atividades, que reúne os principais jornais diocesanos da ação pastoral da Igreja na Itália.

Estiveram presentes também cerca de 1500 representantes da Universidade Católica do Sagrado Coração e da Fundação Policlínico Gemelli de Roma, por ocasião da Jornada Universitária, que se realiza neste domingo em toda a Itália. A Universidade Católica do Sagrado Coração, a maior universidade não estatal da Europa, foi fundada em 1921.

Em seu discurso, o Papa partiu da liturgia do dia, que permite descobrir um aspecto essencial da misericórdia: a esmola.

“Dar esmola pode parecer uma coisa simples, mas devemos fazer atenção para não esvaziar o grande conteúdo deste gesto. A palavra ‘esmola’, em grego, significa exatamente ‘misericórdia’. Logo, ela traz consigo toda a riqueza da misericórdia”.

O dever de dar esmola, explicou Francisco, é antigo como a Bíblia. O sacrifício e a esmola eram dois deveres obrigatórios para uma pessoa religiosa, que deveria recordar-se, de modo especial, dos pobres, dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas. Era como um estribilho bíblico. E o Papa acrescentou:

“Isto significa que a caridade requer, antes de tudo, uma atitude de alegria interior. Praticar a misericórdia não deve ser um peso ou um tédio, do qual livrar-nos rapidamente. Jesus deixou-nos um ensinamento insubstituível: não dar esmola para sermos louvados e admirados pela nossa generosidade”.

Não é a aparência que conta, adverte o Santo Padre, mas a capacidade de parar e olhar no rosto de quem pede esmola. Logo, não devemos identificar a esmola com uma simples moeda dada, sem olhar para quem a recebe e sem se informar sobre as suas necessidades. E o Papa concluiu:

“A esmola é um ato de amor que fazemos a quem encontramos; é um gesto de atenção sincera a quem pede ajuda. Tal gesto deve ser feito secretamente. Somente Deus pode ver e compreender o seu valor. Há maior alegria em dar do que em receber”.

Ao término da sua catequese, o Papa Francisco passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça São Pedro. Eis a saudação que fez aos fiéis de língua portuguesa:

“Com grande afeto, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, em particular os grupos de Pontal e do Colégio São Bento do Rio de Janeiro, com votos de que possais vós todos dar-vos sempre conta do dom maravilhoso que é pertencer à Igreja. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e instrumento de caridade no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus.


Papa Francisco vai em breve visitar a Arménia, Geórgia e Azerbaijão

A Sala de Imprensa da Santa Sé, comunicou neste sábado dia 9 de abril de 2016, que o  Papa Francisco se vai deslocar proximamente em visita apostólica à região do Cáucaso.

Acolhendo o convite de Sua Santidade Karekin II, Supremo Patriarca e Catholicos de todos os Arménios, das Autoridades civis e da Igreja católica, o Papa Francisco fará uma visita à Arménia de 24 a 26 de Junho próximo.

Ao mesmo tempo, acolhendo o convite de Sua Santidade e Beatitude Ilia II, Catholicos Patriarca de toda a Geórgia, e das Autoridades civis e religiosas da Geórgia e do Azerbaijão, o Santo Padre completará a sua viagem ao Cáucaso, visitando estes dois países de 30 de Setembro a 2 de Outubro deste ano.





Este foi o Tweet do Papa Francisco publicado neste sábado:

09/04/2016
A família é o lugar onde os pais se tornam os primeiros mestres da fé para seus filhos.

Apresentada a exortação apostólica que reúne os frutos dos dois sínodos sobre a família celebrados em 2014 e 2015 - A alegria do amor

«Reafirmar com vigor não o “ideal” da família, mas a sua realidade rica e complexa» para refletir «sobre o amor na família» juntamente com as mulheres e os homens do nosso tempo. Com esta finalidade o Papa Francisco assinou no dia 19 de março, solenidade de são José, a exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia. Apresentado na manhã de 8 de abril, na Sala de imprensa da santa Sé, o muito esperado documento usa a linguagem da experiência oferecendo um olhar amplo, profundamente positivo, que se nutre não de abstrações nem de projeções ideais, mas de uma atenção pastoral à realidade. Leitura intensa com muitas referências espirituais e com sábia prática, útil para todos os casais ou pessoas que desejam construir uma família, foi fruto de experiência concreta com pessoas que sabem por experiência o que significa a família e a convivência por muitos anos.

Ampla e articulada, a exortação é subdividida em nove capítulos e mais de trezentos parágrafos, os quais contêm os resultados de dois sínodos sobre a família proclamados pelo Papa Francisco em 2014 e 2015. Com efeito, os relatórios conclusivos das duas assembleias são amplamente citados, juntamente com documentos e ensinamentos dos seus predecessores e numerosas catequeses sobre a família do Pontífice. E, como já aconteceu noutras circunstâncias, o Papa utiliza também os contributos de várias conferências episcopais – do Quénia, até à Austrália e Argentina – e citações de personalidades do calibre de Martin Luther King ou Erich Fromm, e até o mundo cinematográfico como quando Francisco cita o filme A festa de Babette, para explicar o conceito de gratuitidade.

Particularmente significativa a premissa de Amoris laetitia, explicitada nos sete parágrafos introdutórios, que evidencia a consciência da complexidade do tema e o aprofundamento que requer. Com efeito, ela é fruto dos pronunciamentos dos Padres no sínodo, os quais compuseram um «precioso poliedro» que deve ser preservado. A tal propósito o Papa esclarece que «nem todos os debates doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidos com intervenções do magistério». Portanto, para algumas questões «em cada país ou região se podem procurar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De facto, “as culturas são muito diversas entre si e cada princípio geral [..] tem necessidade de ser inculturado, se quiser ser observado e aplicado”». Mas, sobretudo, Francisco convida desde o início a sair da estéril contraposição entre ansiedade de mudança e aplicação pura e simples de normas abstratas. «Os debates que se encontram nos meios de comunicação ou nas publicações e até entre os ministros da Igreja – escreve – vão desde um desejo desenfreado de mudar tudo sem suficientes reflexão e fundamento, até à atitude que pretende resolver tudo aplicando normativas gerais ou tirando conclusões excessivas de algumas reflexões teológicas».
L’Osservatore Romano

Texto da exortação apostólica


Tweet publicado hoje pelo Papa Francisco:

08/04/2016
A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja.


Papa: “A perseguição e os sofrimentos fazem parte do testemunho cristão”

O Santo Padre celebrou nesta tarde de 8 de abril de 2016 a Eucaristia, na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, com membros do Centro Aletti.

Nunca podemos dar testemunho sozinhos, mas sempre devemos fazê-lo com o Espírito Santo. Assim indicou o Papa Francisco na homilia da missa celebrada esta tarde com os membros do Centro Aletti.

A missa foi celebrada na capela “Redemptoris Mater”, localizada no Vaticano, no segundo andar do Palácio Apostólico e chamada também Capela Sistina dos nossos tempos. Está decorada com vários mosaicos que cobrem as paredes e o teto e foi terminada antes do Jubileu do ano 2000.

Referindo-se à primeira leitura em que os apóstolos saíram do sinédrio felizes por terem merecido ultrajes pelo nome de Jesus, o Santo Padre garantiu que este é “outro sinal do testemunho cristão”.

Neste sentido, fez questão de frisar que “o testemunho sempre perde”, porque “o testemunho sempre leva ao sofrimento, à perseguição”. Bem como ensina – recordou – a última das bem-aventuranças. Da mesma forma, o Papa afirmou que “a perseguição, os sofrimentos, são parte do testemunho cristão”.

Neste sentido, observou que alguns podem pensar que esta seja uma espiritualidade masoquista, mas esta é “a espiritualidade do Reino de Deus.”

Por outro lado, também lembrou às pessoas que não derramaram seu sangue, mas que vivem silenciosamente, sem julgar, dando testemunho de mansidão, “sempre perdem”, “não ganham”. O testemunho cristão – advertiu – não é para ganhar. “Se sigo Jesus Cristo para ganhar sigo o Deus dinheiro, o outro patrão”, acrescentou.

Por fim, o Santo Padre disse que ele gosta de rezar o terço na frente de um quadro de Nossa Senhora no qual ela está no centro do ícone. Nos braços tem Jesus. Na realidade – destacou – no centro é sempre Jesus que vem e Ela é a grande Mãe que fez possível este milagre do rebaixamento de Deus para caminhar como um de nós, para ser um de nós.

Ao concluir sua homilia, o Papa convidou a rezar uns pelos outros “para que Deus nos dê a graça de dar testemunho verdadeiro de Jesus Cristo com a força do Espírito Santo e também com as bem-aventuranças, da perseguição e da humilhação, coisas que o Senhor sofreu em sua vida”.

O Centro de Estudos e Pesquisas “Ezio Aletti” é um centro que se acrescenta à missão que a Companhia de Jesus desempenha no Pontifício Instituto Oriental. Os jesuítas abriram-no em um edifício doado à Companhia pela Senhora Anna Maria Gruenhut Bartoletti Aletti com o desejo de que se tornasse um centro de encontro e de reflexão intercultural.

O Centro Aletti é destinado, principalmente, “a estudiosos e artistas de inspiração cristã do centro e leste de Europa, cuja finalidade é facilitar o encontro com os colegas do oeste europeu. Encontrar-se na caridade favorece a atitude criativa que brota do estudo da memória e se deixa interpelar pelo devir de hoje”, explicam na sua página. Da mesma forma, destacam que o Centro promove a convivência de ortodoxos, católicos de rito oriental e latino estimulando-lhes o crescimento na própria Igreja, na caridade do único Cristo.



Papa Francisco escreve prefácio de obra sobre monges assassinados na Argélia
     
Cidade do Vaticano, 07 abr 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco escreveu o prefácio do livro ‘Tibhirine. L’heritage’ (Tibhirine. A herança), que recolhe testemunhos sobre os frutos da mensagem de paz e de convivência entre o cristianismo e o islão dos sete monges trapistas sequestrados e mortos na Argélia em 1996.

“Vinte anos após a sua morte, somos convidados a ser sinais de simplicidade e de misericórdia, no exercício quotidiano do dom de si, a exemplo de Cristo. Não haverá outro modo de combater o mal que tece a sua teia no nosso mundo”, refere, num texto divulgado pelo Vaticano.

O livro que recolhe testemunho de paz e da convivência entre cristãos e muçulmano inspira-se nos sete monges trapistas sequestrados e mortos na Argélia em 1996, onde vivam desde 1938.

“Em Tibhirine vivia-se o diálogo da vida com os muçulmanos. Nós, cristãos, queremos ir de encontro ao outro, onde quer que ele esteja, para estabelecer laços de amizade espiritual e o diálogo fraterno que poderão vencer a violência”, acrescenta Francisco em ‘Um sinal sobre a montanha’.

O Papa comenta que os religiosos “não fugiram diante da violência” mas combateram com “as armas do amor, do acolhimento fraterno, da oração comunitária”.

“Deram testemunho com o seu sangue, na sua carne, venceram o ódio no dia da grande provação”, observa sobre a história, que inspirou o filme 'Dos homens e dos deuses'.

Francisco assinala que foi com “toda a sua vida” que os monges trapistas são “testemunhas – mártires - do amor” algo que não se realizou “sem dificuldades”.

Segundo o prior da pequena comunidade trapista, o padre francês Christian de Chergé, ofereciam “o coração inteiramente a Deus”, algo que não é da responsabilidade apenas de monges e monjas.

“Todos nós somos chamados a dar a nossa vida no detalhe de nossos dias, em família, no trabalho, na sociedade, a serviço da ‘casa comum’ e do bem de todos”, escreveu por sua vez Francisco.

Para o Papa, Christian de Chergé e os seus companheiros escolheram viver de modo simples a sua vocação contemplativa naquela bela e árida região do Atlas argelino onde eram “’hóspedes’ da casa do islão” e “trabalhavam a terra e partilhavam a vida pobre dos camponeses”.


Papa a metodistas: "Servindo juntos, nossa comunhão aumenta"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu na manhã desta quinta-feira, (07/04), uma delegação de representantes do Conselho Metodista Mundial, que acaba de abrir em Roma um escritório ecumênico.

A Comissão teológica conjunta de católicos e metodistas está preparando um documento, “O chamado à santidade”, que deve estar pronto até o final deste ano.

“Uns têm muito a aprender com os outros sobre como compreender e viver a santidade; a Declaração Comum encorajará a ajuda mútua na vida de oração e na devoção”, disse o Pontífice, discursando ao grupo.

Francisco mencionou John Wesley, um clérigo anglicano e teólogo britânico, precursor do movimento metodista, e sua “Carta a um católico romano”: Católicos e metodistas são chamados a ajudar-se reciprocamente em qualquer coisa (...) que conduza ao Reino”.

“É verdade que não pensamos da mesma maneira a respeito de muitas questões relativas aos ministérios ordenados e à ética; ainda há muito o que fazer, mas nenhuma destas diferenças é obstáculo para amarmos e darmos um testemunho comum diante do mundo. Nossa vida na santidade deve sempre incluir o serviço de amor ao mundo. Quando servimos juntos quem precisa, nossa comunhão aumenta”, completou o Papa.

O Presidente do Conselho Metodista Mundial é o Bispo brasileiro Paulo Tarso de Oliveira Lockmann, que estava na audiência com o Pontífice.


Presença do Papa em Lesbos é chamado à solução para crise migratória

Cidade do Vaticano, 7.abril.2016 (RV) – Após confirmar a visita do Papa à ilha de Lesbos no próximo dia 16, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, concedeu uma entrevista à Rádio Vaticano.

Ele fala do significado da visita do Papa à ilha, da questão ecumênica e do chamado à ação da Comunidade Internacional representado pela presença dos líderes religiosos em Lesbos.

Pe. Lombardi: Como sabemos, o Papa está sempre extremamente atento a todas as grandes emergências do mundo de hoje, em particular quando existem pessoas que sofrem, que precisam de nossa solidariedade e de nossa ajuda. Assim como foi a Lampedusa, apenas poucos meses após o início do Pontificado, para manifestar a sua proximidade na fronteira do Mediterrâneo, entra a África e a Itália, também agora, quando a emergência é tão forte no fronte do Egeu, o Papa deseja naturalmente fazer presente – também concretamente – a sua participação e preocupação.

Ecumenismo

Contudo, uma vez que estamos em uma área que é, do ponto de vista da Igreja cristã, principalmente ortodoxa, o fará junto das autoridades ortodoxas competentes, que são o Patriarca de Constantinopla e o Arcebispo de Atenas.

Portanto, é um gesto de solidariedade e de proximidade cristã ao grande problema dos refugiados, dos prófugos, dos migrantes, que é feito ecumenicamente pelos representantes das Igrejas cristãs. Este é, naturalmente, um convite à responsabilidade e ao compromisso de todos: o Papa não realiza ações de caráter diretamente político, realiza ações de caráter humano, moral e religioso extremamente significativos que chamam todavia à responsabilidade de cada um, de acordo com seus deveres e da sua situação na sociedade e nas relações humanas.

Chamado à ação

Certamente, é também um convite aos políticos a agir para encontrar soluções mais humanas, respeitosas e solidárias para as pessoas que sofrem nestes grandes movimentos problemáticos do mundo de hoje.


Tweet do Santo Padre nesta quinta-feira
:

07/04/2016
Encorajo-vos a dar testemunho a partir de um estilo de vida pessoal e associativo: de gratuitidade, de solidariedade, de serviço.


Papa: santos e mártires de hoje levam a Igreja adiante

Cidade do Vaticano (RV) – São os santos da vida ordinária e os mártires de hoje que levam a Igreja adiante com a coerência e o corajoso testemunho de Jesus ressuscitado, graças à obra do Espírito Santo: foi o que disse, em síntese, o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã desta quinta-feira (07/04/2016) na Casa Santa Marta.

A primeira leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, fala da coragem de Pedro que, depois da cura do paralítico, anuncia a Ressurreição de Jesus diante dos chefes do Sinédrio que, furiosos, queriam matá-lo.

Ele foi proibido de pregar em nome de Jesus, mas continuou a proclamar o Evangelho porque – afirma – “é preciso obedecer a Deus e não aos homens”. Este Pedro “corajoso” – disse o Papa Francisco – não tem nada a ver com o “Pedro covarde” da noite da Quinta-feira Santa, “quando, repleto de medo, renega o Senhor três vezes”. Agora, Pedro se tornou forte no testemunho. “O testemunho cristão – observou o Papa – tem o mesmo caminho de Jesus: dar a vida”. Num modo ou no outro, o cristão “coloca a vida em jogo no verdadeiro testemunho”:

Coerência cristã

“A coerência entre a vida e aquilo que vimos e ouvimos é justamente o início do testemunho. Mas o testemunho cristão tem outro aspecto, não é somente de quem o dá: o testemunho cristão, sempre, é feito por duas pessoas. ‘E desses fatos somos testemunhas nós e o Espírito Santo’. Sem o Espírito Santo não há testemunho cristão. Porque o testemunho cristão, a vida cristã é uma graça, é uma graça que o Senhor nos dá com o Espírito Santo”.

“Sem o Espírito”, ressalta o Papa, “não conseguimos ser testemunhas”. A testemunha é aquele que é “coerente com aquilo que diz, com o que faz e com o que recebeu, ou seja, o Espírito Santo”. “Esta é a coragem cristã, este é o testemunho”:

Mártires

“É o testemunho de nossos mártires hoje. Muitos, expulsos de suas terras, deslocados, decapitados e perseguidos, têm a coragem de confessar Jesus até o momento da morte. É o testemunho daqueles cristãos que vivem sua vida seriamente e dizem: ‘Eu não posso fazer isto, eu não posso fazer o mal ao outro; eu não posso trapacear; eu não posso conduzir uma vida pela metade, eu devo dar o meu testemunho’. E o testemunho é dizer o que viu e ouviu na fé, ou seja, Jesus Ressuscitado, com o Espírito Santo que recebeu como dom.”

“Nos momentos difíceis da história”, sublinha o Papa, se ouve dizer que “a pátria precisa de heróis. Isso é verdade. É justo”. Mas do que a Igreja precisa hoje? De testemunhas, de mártires”:

“São as testemunhas, ou seja, os santos, os santos de todos os dias, os da vida cotidiana, mas com coerência, e também as testemunhas até o fim, até a morte. Estes são o sangue vivo da Igreja; estes são aqueles que levam a Igreja adiante, as testemunhas; aqueles que atestam que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo, e o testemunham com a coerência de vida e com o Espírito Santo que receberam como dom.”


Papa na catequese: misericórdia de Deus cancela miséria humana

Na catequese desta quarta-feira, 6 de abril de 2016, o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses sobre a misericórdia. Dessa vez, o tema é refletido sob a ótica do Evangelho, ou seja, lembrando como o próprio Jesus realizou essa misericórdia.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre a misericórdia de Deus no Antigo Testamento, hoje começamos a meditar sobre como o próprio Jesus a levou a seu cumprimento. Uma misericórdia que Ele expressou, realizou e comunicou sempre, em todo momento da sua vida terrena. Encontrando as multidões, anunciando o Evangelho, curando os doentes, aproximando-se dos últimos, perdoando os pecadores, Jesus torna visível um amor aberto a todos: ninguém excluído! Aberto a todos sem limites. Um amor puro, gratuito, absoluto. Um amor que alcança o seu ápice no sacrifício da cruz. Sim, o Evangelho é realmente o “Evangelho da Misericórdia”, porque Jesus é a Misericórdia!

Todos os quatro Evangelhos atestam que Jesus, antes de começar o seu ministério, quis receber o batismo de João Batista (Mt 3, 13-17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-22; Jo 1, 29-34). Este acontecimento imprime uma orientação decisiva a toda a missão de Cristo. De fato, Ele não se apresentou ao mundo no esplendor do tempo: podia fazê-lo. Não se fez anunciar ao som da trombeta: podia fazê-lo. E nem mesmo veio nas vestes de um juiz: podia fazê-lo. Em vez disso, depois de trinta anos de vida escondida em Nazaré, Jesus foi ao rio Jordão, junto a tanta gente do seu povo, e se colocou em fila com os pecadores. Não teve vergonha: estava ali com todos, com os pecadores, para fazer-se batizar. Portanto, desde o início do seu ministério, Ele se manifestou como o Messias que assume a condição humana, movido pela solidariedade e pela compaixão. Como Ele mesmo afirma na sinagoga de Nazaré, identificando-se com a profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso me consagrou com unção e me enviou para levar aos povos o anúncio, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista; para remeter em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-19). Tudo o que Jesus realizou depois do batismo foi realizado pelo programa inicial: levar a todos o amor de Deus que salva. Jesus não levou o ódio, não levou a inimizade: levou-nos o amor! Um amor grande, um coração aberto para todos, para todos nós! Um amor que salva!

Ele se fez próximo aos últimos, comunicando a eles a misericórdia de Deus que é perdão, alegria e vida nova. Jesus, o Filho enviado pelo Pai, é realmente o início do tempo da misericórdia para toda a humanidade! Quantos estavam presentes às margens do Jordão não entenderam logo a extensão do gesto de Jesus. O próprio João Batista se surpreendeu com sua decisão (cfr Mt 3, 14). Mas o Pai celeste não! Ele fez ouvir a sua voz do alto: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição” (Mc 1, 11). De tal modo, o Pai confirma a vida que o Filho assumiu como Messias, enquanto desceu sobre Ele como uma pomba o Espírito Santo. Assim o coração de Jesus bate, por assim dizer, em uníssono com o coração do Pai e do Espírito, mostrando a todos os homens que a salvação é fruto da misericórdia de Deus.

Podemos contemplar ainda mais claramente o grande mistério deste amor dirigindo o olhar a Jesus crucificado. Enquanto está para morrer inocente por nós pecadores, Ele suplica ao Pai: “Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). É na cruz que Jesus apresenta à misericórdia do Pai o pecado do mundo: o pecado de todos, os meus pecados, os teus pecados, os vossos pecados. E ali, na cruz, Ele os apresenta ao Pai. E com o pecado do mundo todos os nossos pecados são cancelados. Nada e ninguém fica excluído dessa oração de sacrifício de Jesus. Isso significa que não devemos ter medo de nos reconhecermos e de confessarmos sermos pecadores. Quantas vezes nós dizemos: “Mas, este é um pecador, fez isso e isso…”, e julgamos os outros. E você? Cada um de nós deveria se perguntar: “Sim, aquele é um pecador. E eu?”. Todos somos pecadores, mas todos somos perdoados: todos temos a possibilidade de receber este perdão que é a misericórdia de Deus. Não devemos ter medo, portanto, de nos reconhecermos pecadores, confessarmos ser pecadores, porque todo pecado foi levado pelo Filho na Cruz. E quando nós confessamos arrependidos confiando-nos a Ele, estamos certos de sermos perdoados. O sacramento da reconciliação torna atual para cada um a força do perdão que vem da cruz e renova na nossa vida a graça da misericórdia que Jesus conquistou para nós! Não devemos ter medo das nossas misérias: cada um de nós tem as próprias. O poder do amor do Crucificado não conhece obstáculos e nunca se esgota. E essa misericórdia cancela as nossas misérias.

Caríssimos, neste Ano Jubilar, peçamos a Deus a graça de fazer experiência do poder do Evangelho: Evangelho da misericórdia que transforma, que faz entrar no coração de Deus, que nos torna capazes de perdoar e de curar o mundo com mais bondade. Se acolhemos o Evangelho do Crucificado Ressuscitado, toda a nossa vida é moldada pela força do seu amor que renova.


Após a catequese, o Papa Francisco saudou e abençoou Lizzy Myers, a menina norte-americana de seis anos atingida pela Síndrome de Usher de tipo 2, doença genética rara que priva progressivamente da vista e da audição.

O Papa colocou as mãos sobre os olhos da menina, abraçou-a e trocou algumas palavras com ela e com seus familiares, que a acompanham de Ohio, onde residem.

A pequena Lizzy pôde, assim, realizar o seu sonho de encontrar-se com o Santo Padre, também graças à intervenção da Unitalsi (União Nacional Italiana de transporte de doentes a Lourdes e santuários internacionais), que se colocou à disposição da família Myers por ocasião de sua estadia em Roma.

Canção Nova

Papa Francisco twittou nesta quarta-feira
:

06/04/2016
O Jubileu é um ano inteiro no qual acolher todos os dias a misericórdia, para que toda a nossa existência se torne santa.


Bispo chinês símbolo de fidelidade ao Papa e membro do Movimento Sacerdotal Mariano morre aos 96 anos

Lisboa, 05 Abr. 16 / 12:30 pm (ACI).- Bispo chinês que foi símbolo de fidelidade ao Papa e ao Vaticano, Dom Zeng Jing Mu faleceu no sábado, 2 de abril, após sofrer uma queda em casa. Ele era Bispo emérito da Diocese de Yujiang e tinha 96 anos, dos quais 23 passou na prisão por causa da sua lealdade à Igreja Católica.

Dom Zeng Jing Mu foi ordenado sacerdote em 1949 e, conforme assinala a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), conheceu de perto a violência do regime comunista de Mao Tse-Tung sobre a comunidade cristã.

Por conta da perseguição aos cristãos, praticada durante os tempos da Revolução Cultural, e por causa de sua recusa em pertencer à chamada Associação Patriótica, com a qual o governo de Pequim pretende controlar os católicos chineses, dezenas de ordens de prisão foram expedidas contra este Prelado.

O Vaticano nomeou como seu sucessor em Yujiang Dom John Peng Weizhao, cuja ordenação ocorreu em 2014. Logo em seguida, em maio desse mesmo ano, o novo Prelado foi detido, mas o libertaram posteriormente em novembro.

O funeral do Bispo emérito de Yujiang está marcado para esta quarta-feira, dia 6 de abril.

São muitos os Bispos e sacerdotes da Igreja Católica Apostólica Romana que estão ainda presos pelo regime comunista ateu chinês e a maioria deles morre na prisão. Um familiar do Bispo de Yixian (China), Dom Cosmas Shi Enxiang, informou no início de 2015 que o Prelado faleceu aos 94 anos, após estar durante 14 anos na prisão.

Dom Shi Enxiang nasceu em 1921 e foi ordenado sacerdote em 1947. Foi preso pela primeira vez em 1954. Detido novamente em 1957, realizou trabalhos forçados, dos quais só foi libertado em 1980. Em 1981 foi detido novamente por exercer o seu ministério sacerdotal.

Foi ordenado Bispo Auxiliar de Yixian secretamente em 1982. Em 1989 foi para a prisão novamente, sendo libertado em 1993, graças à pressão internacional.

Dom Shi Enxiang tornou-se Bispo de Yixian depois da renúncia de seu predecessor Dom Liu Guandong, em 1995.

Em declarações à agência UCA News, a sobrinha neta do Bispo, Shi Chunyan, de 42 anos, assinalou que autoridades do governo da cidade de Baoding lhes informaram em 30 de janeiro que Dom Shi Enxiang havia falecido, entretanto “não disseram quando morreu exatamente ou qual foi a causa de sua morte”.

O Bispo de Yixian foi detido em 13 de abril de 2001, Sexta-feira Santa, na casa de sua sobrinha em Beijing, e desde então esteve preso em um local secreto.

Shi Chunyan indicou que “agora estamos esperando que o Prelado, seja seu corpo ou suas cinzas, seja levado a Shizhuang, nosso povo natal, antes de decidirmos o que vamos fazer”.

“Meus pais e os outros irmãos dele estão particularmente tristes. Tentaram, sem êxito, descobrir a sua localização por muitos anos. Agora a resposta para as suas perguntas é que está morto”, disse.

Uma fonte da Igreja disse ao UCA News que a família do Bispo “não soube mais nada desde o telefonema” de 30 de janeiro, mas assinalou que “Shizhuang faz parte de Baoding, por isso não deveria levar muito tempo para o seu corpo regressar”.

Ainda continuou preso em local desconhecido o bispo de Baoding, Dom James Su Zhimin, detido sem nenhuma acusação em outubro de 1997.

Quatro parentes que exigiram saber onde o bispo estava foram presos durante três dias no final do mês de janeiro, disseram fontes da Igreja.

Em setembro de 2015 católicos da província de Hebei (China), pediram novamente a libertação do Bispo de Baoding, Dom James Su Zhimin, encarcerado há 18 anos.

O pedido foi realizado logo depois que o presidente chinês, XI Jinping, por ocasião dos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, concedeu no fim do mês passado a anistia a todos os veteranos de guerra, moribundos e doentes que estavam prisioneiros. Todos são maiores de 75 anos. O mais velho do grupo tem 95 anos de idade.

Segundo Xinhua News Agency, esta é a oitava anistia concedida a milhares de veteranos de guerra desde a fundação da República Popular da China em 1949.

Além disso, outorgaram este indulto àqueles prisioneiros que deixaram de ser considerados uma ameaça para a sociedade.

Entre os libertados estavam os criminosos que lutaram contra a coalizão de tropas entre os japoneses e os Kuomintang, liderado por Chiang Kai-Shek, durante a guerra civil chinesa, entre os anos 1946 e 1949.

Os defensores do pedido para a libertação de Dom Su Zhimin escreveram uma carta à Frente Unida de Trabalho Departamental de Baoding, o Partido Comunista que decide a respeito dos assuntos religiosos.

“Pelo fato de não conhecer o seu estado de saúde, cabe pensar que um homem de 80 anos seja como uma vela exposta ao vento. Nestes 18 anos que permaneceu preso, sua liderança, sua capacidade de organização e influência na Igreja já diminuíram”, escreveram.

Também indicaram que a libertação de Dom Su Zhimin teria um “significado enorme e positivo para o país”.

Dom Su, de 83 anos, foi preso em 1996 acusado de ser um “contrarrevolucionário” pelo governo comunista, pois rejeitou unir-se à Associação Patriótica Católica da China, a instituição “católica” dominada pelo governo.

Fugiu em 1997, antes de ser preso novamente. Sua família o descobriu por acaso, em um hospital de Baoding em 2003. Desde então, não foi visto em público.

Sua família apelou aos oficiais da Frente Unida de Beijing em outubro do ano passado. Apelaram novamente em janeiro deste ano ante o Yu Zhengsheng, importante membro do comitê do Bureau Político, órgão através do qual os máximos dirigentes do Partido Comunista da China tomam suas decisões.

Como resposta ao seu pedido, a família esteve sob prisão domiciliar durante vários dias.

O último pedido foi assinado por Su Tianyou, sobrinho do Bispo, um líder leigo em Baoding; o Pe. Pietro Cui Xingang, ex-reitor do santuário Mariano Donglu de Baoding Donglu, que atualmente serve em Roma; e o Pe. Lu Genjun, vigário geral da comunidade clandestina de Baoding, fundada em agosto de 2014, logo depois de ser libertado, após oito anos de prisão.

Entretanto, uma fonte próxima à família manifestou à Agência UCANews que no dia 28 de agosto os oficiais da Frente Unida de Trabalhadores disseram aos familiares de Dom Su Zhimin que a sua prisão foi realizada nesse momento pela Comissão Política e Legal e que eles desconhecem seu paradeiro atual.

“Os oficiais disseram que o Bispo é uma moeda de troca. Será difícil libertá-lo se as relações entre a China e o Vaticano não melhorarem”, acrescentou a fonte.

Desaparecidos

Outros dois Bispos de Hebei desapareceram logo depois de serem presos pelas autoridades chinesas. Dom Cui Tai, Bispo coadjutor de Xuanhua, desapareceu depois de sua prisão em agosto de 2014, e Dom Cosmas Shi Enxiang.

Uma fonte disse à UCANews que Dom Shi morreu em janeiro dentro da prisão. Entretanto, uma autoridade governamental assegurou que o Prelado não estava morto, mas recusou revelar sua localização.


Francisco: cristãos vivam em harmonia, não em tranquilidade

Cidade do Vaticano (RV) – O Pontífice celebrou nesta terça-feira (05/04/2016), a missa matutina na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano. E baseou a sua homilia, como habitualmente, nas leituras do dia.

Um só coração, uma só alma, nenhum pobre e bens distribuídos segundo as necessidades. Os sentimentos e o estilo de vida da primeira comunidade cristã podem ser resumidos em uma única palavra, segundo os Atos dos Apóstolos: harmonia.

A harmonia e seu inimigo

Uma palavra sobre a qual é preciso um consenso – afirma o Papa no início da homilia, porque não se trata de uma concórdia qualquer, mas de um dom do céu para quem renasceu do Espírito Santo, como os primeiros cristãos:

“Nós podemos fazer acordos, uma certa paz... mas a harmonia é uma graça interior que somente o Espírito Santo pode promover. E estas comunidades viviam em harmonia, e os sinais da harmonia são dois: ninguém fica na necessidade, porque tudo era em comum. Em que sentido? Tinham um só coração, uma só alma e ninguém considerava o que lhe pertencia como propriedade, porque tudo era em comum. Ninguém deles era carente. A verdadeira ‘harmonia’ do Espírito Santo tem uma relação muito forte com o dinheiro: o dinheiro é inimigo da harmonia; o dinheiro é egoísta e, por isso, todos davam o que tinham para que não faltasse nada a ninguém”.

Harmonia não é tranquilidade

O Papa se detém sobre este aspecto e repete o exemplo virtuoso oferecido pelo trecho dos Atos, o de Barnabé, que vende sua terra e entrega o dinheiro aos Apóstolos. No entanto, os versículos seguintes, não incluídos na leitura do dia, propõem outro episódio, oposto ao primeiro, que Francisco cita: o de Ananias e Safira, um casal que finge dar o arrecadado com venda de suas terras, mas na realidade retém uma parte do dinheiro; uma escolha que para eles terá um preço muito amargo, a morte. Deus e o dinheiro são dois patrões “cujo serviço é irreconciliável”, repete Francisco, que logo depois esclarece também o equívoco que pode surgir sobre o conceito de ‘harmonia’. Não se trata – afirma – de ‘tranquilidade’.

“Uma comunidade pode ser muito tranquila, em que tudo vai bem: tudo funciona… Mas não está em harmonia. Uma vez, ouvi dizer de um bispo algo muito sábio: ‘Na diocese há tranquilidade. Mas se você tocar um problema, ou este ou aquele outro problema, logo começa a guerra’. Esta seria uma harmonia negociada, e esta não é a do Espírito Santo. É uma harmonia – digamos – hipócrita, como aquela de Ananias e Safira com aquilo que fizeram”.

O Espirito e a coragem

Francisco conclui convidando à releitura dos Atos dos Apóstolos sobre os primeiros cristãos e sua vida em comum. “Nos fará bem”, disse ele, para entender como testemunhar a novidade em todos os ambientes em que se vive. Consciente de que, assim como para a harmonia, também no empenho do anúncio se colhe o sinal de outro dom:

“A harmonia do Espirito Santo nos dá esta generosidade de não ter nada próprio enquanto há alguém necessitado. A harmonia do Espírito Santo nos dá uma segunda postura: ‘Com grande força, os apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus, e todos regojizavam de grande favor’, isto é, de coragem. Quando existe harmonia na Igreja, na comunidade, existe coragem, a coragem de testemunhar o Senhor Ressuscitado”.


Também nesta segunda e terça-feira, o Papa Francisco escreveu em seu Twitter
:

05/04/2016
O Senhor pede-nos para sermos homens e mulheres que irradiem a verdade, a beleza e a força do Evangelho que transforma a vida.
04/04/2016
A fé cristã é um dom que recebemos com o Batismo e que nos permite encontrar Deus.

Vídeomensagem papal sobre as intenções de oração de abril

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco divulgou uma vídeomensagem, nesta terça-feira (05/04/2016), sobre as intenções de oração do mês de abril para o Apostolado de Oração.

Eis o texto proferido pelo pontífice na vídeomensagem.

“Obrigado, camponês. O teu contributo é imprescindível para toda a humanidade. Como pessoa, filho de Deus, mereces uma vida digna.

Mas... pergunto-me: Como são retribuídos os teus esforços?

A terra é um dom de Deus. Não é justo utilizá-la para favorecer apenas alguns, despojando a maioria dos seus direitos e dos seus benefícios.

Gostaria que pensasses nisso e unisses a tua voz à minha por esta intenção: que os pequenos agricultores recebam a justa compensação pelo seu precioso trabalho.”

Veja o vídeo: https://youtu.be/ppajlp8IhPg


Papa Francisco: “Sou homem ou mulher do sim, ou do não, ou olho para o outro lado para não responder?”

Cidade do Vaticano (zenit.org) - O Pontífice dedicou sua homilia desta segunda-feira, 04/04/2016, à hodierna solenidade da Anunciação do Senhor, celebrada no Vaticano. Aliás, disse ele, a história da humanidade foi feita de uma “corrente” de “sim” a Deus, à esperança do Senhor, a partir de Abraão e Moisés.

Abraão obedece ao Senhor, aceita o seu chamado e parte de sua terra sem saber onde chegaria. Isaías, quando o Senhor lhe pede que fale a seu povo, responde que tem os “lábios impuros”. Então o Senhor purifica os seus lábios e Isaías diz “sim!”. O mesmo vale para Jeremias, que se considerava incapaz de falar, mas depois diz “sim” ao Senhor:

“E hoje, o Evangelho nos fala do final desta corrente de sim, e do início de outro “sim”, que começa a crescer: o ‘sim’ de Maria. E este ‘sim’ faz com que Deus não somente olhe para o homem, não somente caminhe com o seu povo, mas que se faça um de nós e tome a nossa carne. O ‘sim’ de Maria que abre a porta ao sim de Jesus: ‘Eu venho para fazer a Tua vontade’, este ‘sim’ que acompanha Jesus toda a vida, até à Cruz”.

Francisco se detém no sim de Jesus que pede ao Pai para afastar dele o cálice, mas acrescenta: “Seja feita a tua vontade”.  Em Jesus Cristo “está o sim de Deus: Ele é o sim”.

“Este é um dia bonito para agradecer ao Senhor por nos ter ensinado este caminho do sim, mas também para pensar em nossa vida”, disse o Pontífice. Um pensamento que o Papa dirige em particular a alguns sacerdotes presentes, que celebram 50 anos de ordenação.

“Todos nós, todos os dias, devemos dizer sim ou não e pensar se sempre dizemos sim ou se muitas vezes nos escondemos, com a cabeça baixa, como Adão e Eva, para não dizer não, mas fazer como aquele que não entende, que não entende o que Deus pede. Hoje, é a festa do sim. No sim de Maria se encontra o sim de toda a História da Salvação e começa ali o último sim do homem e de Deus.”

Ali, acrescentou o Papa, “Deus recria, como no início que com um sim fez o mundo e o homem, aquela Criação bonita” e agora com este sim “maravilhoso recria o mundo, recria todos nós. É o sim de Deus que nos santifica, que nos faz ir adiante em Jesus Cristo”:

“É um dia para agradecer ao Senhor e nos perguntar: Sou homem ou mulher do sim, ou sou homem ou mulher do não, ou sou homem ou mulher que olha para o outro lado para não responder? Que o Senhor nos dê a graça de entrar neste caminho de homens e mulheres que souberam dizer sim.”



Regina Caeli: Francisco faz apelo em favor da paz na Ucrânia

Vaticano, 03 Abr.2016 / 08:50 am (ACI).- Após a Missa pelo Jubileu da Divina Misericórdia, o Papa Francisco presidiu a oração  do Regina Coeli e anunciou que no próximo domingo, 24 de abril, uma coleta especial será realizada em todas as igrejas católicas na Europa como uma ajuda para as vítimas da guerra na Ucrânia.

O anúncio foi feito ao falar sobre a situação que há tempos se vive naquele país por causa do conflito com a Rússia, e ao assinalar em concreto que seu pensamento neste dia estava com “todas as populações que têm maior sede de reconciliação e de paz”.

“Penso, em particular aqui na Europa, no drama de quem sofre as consequências da violência na Ucrânia, dos que ficaram nas terras devastadas pelas hostilidades que já causaram vários milhares de mortos, e tantos – mais de um milhão – que foram levados a deixa-la por causa da grave situação que perdura”.

Francisco pediu especialmente pelos “idosos e crianças”. “Além de acompanha-los com meu constante pensamento e com minha ração, decidi promover uma ajuda humanitária em seu favor. Para isso, acontecerá uma coleta especial em todas as igrejas católicas da Europa no próximo domingo, 24 de abril”. “Convido os fiéis a se unir a esta iniciativa do Papa com uma generosa contribuição”, acrescentou.

O Papa ainda manifestou: “Este gesto de caridade, para além de aliviar os sofrimentos materiais, quer exprimir a minha proximidade e solidariedade pessoal e a de toda a Igreja em relação à Ucrânia”.

“Desejo sinceramente que isto possa ajudar a promover sem mais atrasos a paz e o respeito do direito nesta terra tão provada”.

“E enquanto rezamos pela paz – disse a seguir –, recordamos que amanhã se celebra o Dia Internacional de Alerta as Minas Terrestres e Assistência à Desminagem. Muitas pessoas continuam a ser mortas ou mutiladas por estas armas terríveis e bravos homens e mulheres arriscam suas vidas para recuperar os terrenos minados. Renovemos, por favor, o compromisso por um mundo sem minas!”, exclamou.

Conflito na Ucrânia

O conflito na Ucrânia começou em novembro de 2013, quando o governo da Ucrânia se recusou a assinar o Acordo de Associação com a União Europeia.

Em 22 de fevereiro, o parlamento do país destituiu o presidente Yanukóvich, mudou a constituição e convocou eleições antecipadas. Várias áreas da Ucrânia oriental e meridional não reconheceram a legitimidade do governo autoproclamado de Kiev (capital da Ucrânia) e, com protestos em massa, reivindicaram a federalização do país. Estes protestos, feitos principalmente na parte noroeste do país para apoiar a aproximação da Ucrânia com a União Europeia, foram rejeitados pelas comunidades russófilas na parte sudeste do país, composto principalmente de russos étnicos e ucranianos de língua russa.

Após a derrubada de Yanukóvich, vários grupos pró-russos se manifestaram contra o novo governo em Kiev e proclamaram seu desejo de estreitar seus vínculos (ou mesmo incluir-se) com a Federação Russa.

Esses protestos se concentraram na península da Crimeia e alguns oblast (província) na região fronteiriça entre a Rússia e a Ucrânia. Vários governos regionais propuseram referendos separatistas e produziram uma série de levantes militares, incluindo tanto as tropas locais como tropas russas.


Últimas publicações no Twitter do Santo Padre
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03/04/2016
Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, e abre o nosso coração à esperança de sermos amados para sempre.
02/04/2016
Crescer misericordiosos significa aprender a ser corajosos no amor prático e desinteressado.

Papa: somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho


Cidade do Vaticano (RV) - O Evangelho da misericórdia procura “bons samaritanos”, pede servos generosos e alegres, que amam gratuitamente sem nada pretender em troca: foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã deste II Domingo da Páscoa, festa da Divina Misericórdia, 3 de abril de 2016.

Após a vigília de oração da tarde precedente, a Praça São Pedro voltou a lotar-se este domingo para a missa com o Santo Padre, na qual Francisco reiterou que “tudo o que Jesus disse e fez é expressão da misericórdia do Pai”.

O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus, disse o Papa, acrescentando que “o Evangelho da misericórdia permanece um livro aberto, onde se há de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Cristo, gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia”.

«Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro» (Jo 20, 30). O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus, que havemos de ler e reler, porque tudo o que Jesus disse e fez é expressão da misericórdia do Pai. Nem tudo, porém, foi escrito; o Evangelho da misericórdia permanece um livro aberto, onde se há de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Cristo, gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia. Todos somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho, portadores da Boa Nova a cada homem e mulher de hoje. Podemos fazê-lo praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia, que são o estilo de vida do cristão. Através destes gestos simples e vigorosos, mesmo se por vezes invisíveis, podemos visitar aqueles que passam necessidade, levando a ternura e a consolação de Deus. Deste modo damos continuidade ao que fez Jesus no dia de Páscoa, quando derramou, nos corações assustados dos discípulos, a misericórdia do Pai, efundindo sobre eles o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.

Mas, na narração que ouvimos, aparece um contraste evidente: por um lado, temos o medo dos discípulos, que fecham as portas da casa; por outro, temos a missão, por parte de Jesus, que os envia ao mundo para levarem o anúncio do perdão. O mesmo contraste pode verificar-se também em nós: uma luta interior entre o fechamento do coração e a chamada do amor para abrir as portas fechadas e sair de nós mesmos. Cristo, que por amor entrou nas portas fechadas do pecado, da morte e da mansão dos mortos, deseja entrar também em cada um para abrir de par em par as portas fechadas do coração. Ele que venceu, com a ressurreição, o medo e o temor que nos algemam, quer escancarar as nossas portas fechadas e enviar-nos. A estrada que o Mestre ressuscitado nos aponta é estrada de sentido único, segue-se apenas numa direção: sair de nós mesmos, sair para testemunhar a força sanadora do amor que nos conquistou. Muitas vezes vemos, diante de nós, uma humanidade ferida e assustada, que tem as cicatrizes do sofrimento e da incerteza. Hoje, face ao seu doloroso clamor de misericórdia e paz, ouçamos como que dirigido a cada um de nós o convite feito confiadamente por Jesus: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós (Jo 20, 21).

Cada doença pode encontrar na misericórdia de Deus um auxílio eficaz. Com efeito, a sua misericórdia não se detém à distância: quer vir ao encontro de todas as pobrezas e libertar de tantas formas de escravidão que afligem o nosso mundo. Quer alcançar as feridas de cada um, para medicá-las. Ser apóstolos de misericórdia significa tocar e acariciar as suas chagas, presentes hoje também no corpo e na alma de muitos dos seus irmãos e irmãs. Ao cuidar destas chagas, professamos Jesus, tornamo-Lo presente e vivo; permitimos a outros que palpem a sua misericórdia, e O reconheçam «Senhor e Deus» (cf. Jo 20, 28), como fez o apóstolo Tomé. Eis a missão que nos é confiada. Inúmeras pessoas pedem para ser escutadas e compreendidas. O Evangelho da misericórdia, que se deve anunciar e escrever na vida, procura pessoas com o coração paciente e aberto, «bons samaritanos» que conhecem a compaixão e o silêncio perante o mistério do irmão e da irmã; pede servos generosos e alegres, que amam gratuitamente sem nada pretender em troca.

«A paz esteja convosco!» (Jo 20, 21): é a saudação que Cristo leva aos seus discípulos; é a mesma paz que esperam os homens do nosso tempo. Não é uma paz negociada, nem a suspensão de algo errado: é a sua paz, a paz que brota do coração do Ressuscitado, a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz que não divide, mas une; é a paz que não deixa sozinhos, mas faz-nos sentir acolhidos e amados; é a paz que sobrevive no sofrimento e faz florescer a esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de Deus, que tira a ansiedade do cor