REVEJA MARÇO DE 2016

Amoris Laetitia será o título da Exortação Apostólica sobre a Família do Papa Francisco

Cidade do Vaticano, 31.março.2016 – Se intitulará Amoris Laetitia a exortação pos-sinodal do Papa Francisco e a publicação sairá na sexta-feira 8 abril. O anúncio foi dado esta manhã pelo porta-voz vaticano, pe. Federico Lombardi, durante uma coletiva de imprensa improvisada com os jornalistas credenciados na Sala de Imprensa da Santa Sé.

O documento muito esperado, que vai tirar as conclusões das duas assembleias sinodais sobre a família de 2014 e 2015, será apresentado durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira, 8 de abril às 11h30, na Sala de Imprensa do Vaticano.

Estarão presentes para a ocasião: Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos; o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn; o Professor Francesco Miano, docente de filosofia moral na Universidade de Roma Tor Vergata, ex presidente nacional da Ação Católica; a professora Giuseppina De Simone (esposa de Miano), professora de filosofia na Faculdade Teológica do Sul, com sede em Nápoles.
zenit.org

Tweet do Santo Padre nesta quinta-feira
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31/03/2016
O fenómeno migratório põe um sério interrogativo cultural, ao qual não nos podemos eximir de responder.

Audiência: Deus é maior que os nossos pecados

Cidade do Vaticano (RV) – Mais de 30 mil pessoas participaram da Audiência Geral desta quarta-feira (30/03/2016), na Praça S. Pedro, ainda enfeitada com as flores para o dia de Páscoa.

Em sua catequese, o Papa Francisco encerrou a série sobre a misericórdia no Antigo Testamento, meditando sobre o Salmo 51, chamado Miserere.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Terminamos hoje as catequeses sobre misericórdia no Antigo Testamento e o fazemos meditando sobre o Salmo 51, também chamado Miserere. Trata-se de uma oração penitencial em que o pedido de perdão é precedido pela confissão da culpa e em que o orante, deixando-se purificar pelo amor do Senhor, torna-se uma nova criatura, capaz de obediência, de firmeza no espírito e de louvor sincero.

O “título” que a antiga tradição hebraica colocou a este Salmo faz referência ao rei Davi e ao seu pecado com Betsabea, a mulher de Urias, o hitita. Conhecemos bem a história. O rei Davi, chamado por Deus a apascentar o povo e a guiá-lo nos caminhos da obediência à lei divina, trai a própria missão e, depois de ter cometido adultério com Betsabea, faz seu marido morrer. Bruto pecado! O profeta Natã diz a ele sua culpa e o ajuda a reconhecê-la. É o momento da reconciliação com Deus, na confissão do próprio pecado. E aqui Davi foi humilde, foi grande!

Quem reza com esse Salmo é convidado a ter os mesmos sentimentos de arrependimento e de confiança em Deus que teve Davi que, mesmo sendo rei, humilhou-se sem ter medo de confessar a culpa e mostrar a própria miséria ao Senhor, convencido, porém, da certeza da sua misericórdia. E não era um pecado pequeno, uma pequena mentira, aquilo que ele tinha feito: tinha cometido adultério e um assassinato!

O Salmo começa com essas palavras de súplica:
“Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade.
E conforme a imensidade de vossa misericórdia,
apagai a minha iniquidade.
Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado” (v. 3-4).

A invocação é dirigida ao Deus de misericórdia para que, movido por um amor grande como aquele de um pai ou de uma mãe, tenha piedade, isso é, dê graças, mostre o seu favor com benevolência e compreensão. É um apelo apaixonado a Deus, o único que pode libertar do pecado. São usadas imagens muito plásticas: apaga, lava-me, torna-me puro. Manifesta-se, nessa oração, a verdadeira necessidade do homem: a única coisa de que realmente precisamos na nossa vida é sermos perdoados, livres do mal e das suas consequências de morte. Infelizmente, a vida no faz experimentar, tantas vezes, essas situações; e antes de tudo nessas devemos confiar na misericórdia. Deus é maior que o nosso pecado. Não esqueçamos isso: Deus é maior que o nosso pecado! “Padre, eu não sei dizer isso, fiz tantas coisas ruins!”. Deus é maior que todos os pecados que nós podemos cometer. Deus é maior que o nosso pecado. Vamos dizer juntos? Todos juntos: “Deus é maior que o nosso pecado!”. Mais uma vez: “Deus é maior que o nosso pecado!”. Mais uma vez: “Deus é maior que o nosso pecado!”. E o seu amor é um oceano em que podemos mergulhar sem medo de sermos oprimidos: perdoar, para Deus, significa dar-nos a certeza de que Ele nunca nos abandona. Qualquer coisa pela qual possamos nos censurar, Ele é ainda e sempre maior que tudo (cfr Jo 3, 20), porque Deus é maior que o nosso pecado.

Nesse sentido, quem reza com este Salmo procura o perdão, confessa a própria culpa, mas reconhecendo-a celebra a justiça e a santidade de Deus. E depois pede ainda graça e misericórdia. O salmista se confia à bondade de Deus, sabe que o perdão divino é muito mais eficaz, porque cria aquilo que diz. Não esconde o pecado, mas o destroi e o apaga; mas o apaga justamente da raiz, não como fazem na lavanderia quando levamos uma roupa e apagam a mancha. Não! Deus apaga o nosso pecado da raiz, tudo! Por isso o penitente se torna puro novamente, toda mancha é eliminada e ele, agora, é o mais branco da neve sem contaminação. Todos somos pecadores. É verdade isso? Se algum de vocês não se sente pecador que levante a mão…Ninguém! Todos somos.

Nós, pecadores, com o perdão, nos tornamos criaturas novas, cheias do espírito e cheios de alegria. Agora uma nova realidade começa por nós: um novo coração, um novo espírito, uma nova vida. Nós, pecadores perdoados, que acolhemos a graça divina, podemos até mesmo ensinar os outros a não pecar mais. “Mas, padre, eu sou fraco, eu caio, caio”. “Mas se cai, levanta-te! Levanta-te!”. Quando uma criança cai, o que faz? Estende a mão à mãe, ao pai, para que a faça levantar. Façamos o mesmo! Se você cai por fraqueza no pecado, levanta a tua mão: o Senhor a pega e te ajudará a se levantar. Essa é a dignidade do perdão de Deus! A dignidade que nos dá o perdão de Deus é aquela de nos levantarmos, colocarmo-nos de pé, porque Ele criou o homem e a mulher para que estejam de pé.

Diz o Salmista:
“Ó meu Deus, criai em mim um coração puro,
e renovai-me o espírito de firmeza.
[…]
Então aos maus ensinarei vossos caminhos,
e voltarão a vós os pecadores” (vv. 12-15).

Queridos irmãos e irmãs, o perdão de Deus é aquilo de que temos necessidade e é o maior sinal da sua misericórdia. Um dom que cada pecador perdoado é chamado a partilhar com cada irmão e irmã que encontra. Todos aqueles que o Senhor colocou próximo a nós, os familiares, os amigos, os colegas, os paroquianos…todos são, como nós, necessitados da misericórdia de Deus. É belo ser perdoado, mas também você, se quer ser perdoado, perdoa, por sua vez. Perdoa! Conceda-nos, o Senhor, por intercessão de Maria, Mãe de misericórdia, sermos testemunhas do seu perdão, que purifica o coração e transforma a vida. Obrigado.

Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco abençoou uma imagem da Madre Angélica, fundadora da rede de comunicação católica EWTN, falecida no domingo de Páscoa. O Pontífice expressou sua confiança de que ela já goza do céu.

“No céu”, disse o Papa enquanto apontava para o firmamento, dirigindo-se à equipe de EWTN em Roma, depois de assistirem a Audiência levando uma fotografia da religiosa. Também o Papa Emérito Bento XVI afirmou no dia 28/03 que o fato de que Madre Angélica, fundadora do canal católico EWTN, tenha falecido em um domingo de Páscoa “é um dom”.


Francisco felicita líder da Igreja armênia na Argentina

Rádio Vaticano

O Papa Francisco enviou uma carta ao líder da Igreja armênia na Argentina e Chile, o Arcebispo Kissag Mouradian, para felicitá-lo pelos 25 anos de sua consagração episcopal, segundo divulgou o Centro Armênio da República Argentina, em comunicado.

“Desde aqui, me uno a esta celebração e à oração de ação de graças”, afirma a carta do Pontífice a Mouradian, recebida poucos dias antes do aniversário, celebrado em 22 de março passado.

“Querido irmão desejo que o Senhor lhe retribua todo o bem que fazes”. “Dou graças a Deus por teu ministério e rezo para que siga fecundo; e por favor, peço que não te esqueças de rezar por mim”, acrescenta.

Forte amizade

No texto, o Pontífice cumprimenta também os membros da “querida comunidade armênia”, antes de se despedir com um “fraternalmente, Francisco”.

Segundo o Centro Armênio, o Papa e Mouradian mantêm uma “grande relação de amizade” desde a época em que o Cardeal Jorge Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires.

Últimos Tweets do Papa Francisco
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29/03/2016
Jesus nos mostra que o poder de Deus não significa destruição, mas amor; a justiça de Deus não significa vingança, mas misericórdia.

30/03/2016
Se nos abrirmos ao acolhimento da Misericórdia de Deus por nós, tornar-nos-emos por nossa vez capazes de perdão.

Francisco visita Bento XVI durante a Semana Santa

Cidade do Vaticano (RV) – Uma visita estritamente particular com o intuito de levar pessoalmente suas felicitações de Páscoa ao Papa emérito. Assim Francisco foi ao mosteiro Mater Ecclesia, nos Jardins do Vaticano, onde Bento XVI vive desde a sua renúncia.

Durante a Semana Santa – cita a agência Ansa – o Papa emérito presidiu a Liturgia da Paixão e também alguns rituais pascais. Joseph Ratzinger completará 89 no próximo dia 16 de abril.

Apesar de privada, a visita marcou o reencontro entre Francisco e Bento XVI após a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, em 8 de dezembro.

Encontros públicos

O primeiro – histórico – foi o encontro em Castel Gandolfo, no dia 23 de março de 2013, quando Bento XVI e Francisco rezaram juntos por alguns momentos.

Depois disso, em 5 de julho de 2013, Bento XVI apareceu novamente ao lado de Francisco durante a inauguração de um monumento a São Miguel, nos Jardins Vaticanos.

Em 22 de fevereiro de 2014, durante o consistório para a criação de novos cardeais, a Basílica Vaticana teve pela primeira vez na história a presença de dois papas.

Ratzinger voltaria a encontrar o público – e Bergoglio – em 27 de abril de 2014, quando da canonização de São João Paulo II e São João XXIII, na Praça São Pedro.

Dois meses mais tarde, em 28 de setembro, a convite de Francisco, Bento XVI voltou à Praça São Pedro, onde participou do encontro com a terceira idade. O Papa emérito aparecera bem disposto, apesar de caminhar muito devagar e com a ajuda de uma bengala.

Sempre a convite do Papa Francisco, Bento XVI esteve novamente na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2014, quando concelebrou o rito de beatificação do Papa Paulo VI.

Em 2015, Bento XVI voltou à Basílica de São Pedro, onde participou do consistório no qual Francisco criou 20 novos cardeais em 14 de fevereiro.

No final de 2015, Bento XVI passou a Porta Santa da Misericórdia da Basílica de São Pedro, aberta pelo Papa Francisco para o Jubileu, em 8 de dezembro.

Notícias de Bento XVI

A Fundação Joseph Ratzinger mantém um site atualizado com informações acerca das atividades do Papa emérito.

A Rádio Vaticano mantém uma seção especial dedicada às notícias sobre Bento XVI.


Papa no Regina Coeli: “Cristo nos dá força para nos levantarmos”


Cidade do Vaticano 28.março.2016 - Segunda-feira do Anjo (RV) – Na primeira recitação do Regina Coeli deste ano, a oração mariana que substitui o Angelus até a Festa de Pentecostes, o Papa disse que “nossos corações ainda estão repletos da alegria pascal” nesta segunda-feira depois da Páscoa, chamada “Segunda-feira do Anjo”.

“A vida venceu a morte. A Misericórdia e o amor venceram o pecado! Há necessidade de fé e de esperança para se abrir a este novo e maravilhoso horizonte. E nós sabemos que a fé e a esperança são um dom de Deus, e devemos pedir a Ele: 'Senhor, doai-me a fé, doai-me a esperança! Precisamos tanto!' Deixemo-nos invadir pelas emoções que ressoam na sequência pascal: ‘Sim, estamos certos: Cristo ressuscitou verdadeiramente. Ele está vivo no meio de nós’”, recordou Francisco.

Cristo, força para se reerguer

“Esta verdade marcou indelevelmente as vidas dos Apóstolos – continuou o Pontífice – que, depois da ressurreição, sentiram novamente a necessidade de seguir o seu Mestre e, recebido o Espírito Santo, saíram sem medo para anunciar a todos o que tinham visto com seus próprios olhos e experimentado pessoalmente”.

“Se Cristo ressuscitou, podemos olhar com olhos e corações novos a todos os eventos da nossa vida, até mesmo aqueles mais negativos. Os momentos de escuridão, de fracasso e pecado podem se transformar e anunciar um caminho novo. Quando chegamos ao fundo da nossa miséria e da nossa fraqueza, Cristo ressuscitado nos dá a força para levantarmos”, encorajou o Papa.

O silêncio de Maria

“O Senhor crucificado e ressuscitado é a plena revelação da misericórdia – afirmou ainda o Papa – presente e ativa na história. Esta é a mensagem pascal que ainda ressoa hoje e que vai ressoar em todo o tempo da Páscoa até Pentecostes”.

Ao falar novamente do silêncio e da espera de Maria pela ressurreição, que permaneceu aos pés da Cruz e não se dobrou diante da dor, ao contrário, a fé de Nossa Senhora a tornou ainda mais forte, Francisco disse:

“No seu coração dilacerado de mãe permaneceu sempre acesa a chama da esperança. Peçamos a Ela que também nos ajude a aceitarmos plenamente o anúncio pascal da Ressurreição, para encarná-lo na realidade de nossas vidas diárias”, pediu o Papa, para então concluir:

“Que a Virgem Maria nos dê a certeza da fé que, cada passo sofrido do nosso caminho, iluminado pela luz da Páscoa, se tornará bênção e alegria para nós e para os outros, especialmente para aqueles que sofrem por causa do egoísmo e da indiferença”.

Após recitar a oração mariana do Regina Coeli, o Papa condenou o atentado camicase que deixou 72 mortos e 359 feridos – em Lahore, no Paquistão, no Domingo de Páscoa.

Francisco disse que a Páscoa “foi ensanguentada por um execrável atentado, que provocou uma tragédia para tantas pessoas inocentes, a maior parte famílias da minoria cristã – principalmente mulheres e crianças – reunidas em um parque público para passar com alegria a festa pascal”.

“Desejo manifestar minha proximidade a quantos foram atingidos por este crime vil e insensato – disse o Papa –, para então rezar junto com os fiéis na Praça São Pedro pelas numerosas vítimas e por suas famílias”

“Apelo às autoridades civis e a todos os componentes sociais do Paquistão, para que não meçam esforços para proporcionar segurança e serenidade à população e, em particular, às minorias religiosas mais vulneráveis”, reiterou Francisco.

“Repito, mais uma vez, que a violência e o ódio homicida conduzem somente à dor e à destruição; o respeito e a fraternidade são a única estrada para se chegar à paz”, advertiu o Papa.

“Que a Páscoa do Senhor possa suscitar em nós, de maneira ainda mais forte, a oração a Deus para que as mãos dos violentos, que semeiam terror e morte, sejam detidas, e que no mundo possam reinar o amor, a justiça e a reconciliação”, finalizou o Pontífice.

Também na Segunda-feira do Anjo, o Santo Padre publicou em seu Twitter:

28/03/2016
Cada cristão é um «Cristóvão», isto é, um portador de Cristo!

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO


Urbi et Orbi: Papa recorda conflitos e faz apelo pela paz

Cidade do Vaticano (RV/BSS) - O Papa Francisco presidiu, na manhã deste Domingo de Páscoa (27/03/2016), no adro da Basílica de São Pedro, a solene celebração Eucarística da Ressurreição do Senhor, da qual participaram milhares de fiéis e peregrinos de várias partes do mundo.

A cerimônia teve início com o rito do Ressurexit, anúncio da Ressurreição do Senhor. O Papa não fez a homilia durante esta celebração, pois ao final da cerimônia dirigiu aos fiéis suas felicitações de Santa Páscoa e concedeu a Bênção “Urbi et Orbi” à Cidade de Roma e ao mundo inteiro, do balcão central da Basílica Vaticana.

A Praça São Pedro foi adornada com mais de 35 mil flores e plantas provenientes da Holanda, como acontece há 30 anos consecutivos por ocasião da solenidade pascal, uma oferta que o Papa agradeceu.

Texto integral:

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor!

A sua Ressurreição realiza plenamente a profecia do Salmo: a misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente N’Ele, e damos-Lhe graças porque por nós Ele desceu até ao fundo do abismo.

Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu amor esses vazios, esses abismos, e não permitir que submerjamos, mas continuemos a caminhar juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.

O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui, ressuscitou (cf. Mt 28,5-6) oferece-nos a certeza consoladora de que o abismo da morte foi transposto e, com isso, foram derrotados o luto, o pranto e a dor (cf. Ap 21,4). O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, faz-nos agora compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros, com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, ao passo que as crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes têm lugar dentro do lar, e de conflitos armados numa grande escala, que submetem populações inteiras a provas inimagináveis.

Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria, um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado as conversações em curso, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque, Iêmen e na Líbia.

A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a convivência entre israelenses e palestinos na Terra Santa, bem como a disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação de pessoas detidas.

O Senhor Jesus, nossa paz (Ef 2,14), que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade com as vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua a derramar sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões, Costa do Marfim e Iraque; Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular no Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.

Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta de par em par para todos. Que a sua mensagem pascal possa sempre se projetar mais sobre o povo venezuelano nas difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que por todos os lados possam ser tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito mútuo, os quais só podem garantir o bem-estar espiritual e material dos cidadãos.

O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade, reverbera através dos séculos e nos convida não esquecer dos homens e mulheres na sua jornada em busca de um futuro melhor; grupos cada vez mais números de migrantes e refugiados – entre os quais muitas crianças - que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos seus caminhos encontram, com demasiada frequência, a morte ou, ao menos, a recusa dos que poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima rodada da Cúpula Mundial Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.

Neste dia glorioso, «alegre-se a terra que em meio a tantas luzes resplandece» (cf. Proclamação da Páscoa), mas ainda assim tão abusada e vilipendiada por uma exploração ávida pelo lucro, o que altera o equilíbrio da natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando em crises alimentares em diferentes partes do planeta.

Com os nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenhais medo! Eu venci o mundo!» (Jo 16,33). Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e a imortalidade (cf. 2Tm 1,10). «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!» (Melitão de Sardes, Homilia Pascal).

Para aqueles que em nossas sociedades perderam toda a esperança e alegria de viver, para os idosos oprimidos que na solidão sentem as suas forças esvaindo-se, para os jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que faço novas todas as coisas... a quem tiver sede, eu darei, de graça, da fonte da água vivificante» (Ap 21,5-6). Esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com mais coragem e esperança, para assim construirmos estradas de reconciliação com Deus e com os irmãos. E temos tanta necessidade disto!

Estas são as últimas mensagens deixadas pelo Papa Francisco em seu Twitter:

27/03/2016
Jesus Cristo ressuscitou! O amor venceu o ódio, a vida venceu a morte, a luz expulsou as trevas!
26/03/2016
Viver a Páscoa significa entrar no mistério de Jesus que morre e ressuscita por nós.

O Papa pede para não cair na terrível armadilha de ser cristãos sem esperança


Basílica de São Pedro (zenit.org)Publicamos abaixo a homilia do Papa Francisco da Vigília Pascal da noite santa, pronunciado na Basílica Vaticana no sábado, 26 de março de 2016:

***

«Pedro (…) correu ao sepulcro» (Lc 24, 12). Quais poderiam ser os pensamentos que agitavam a mente e o coração de Pedro durante esta corrida? O Evangelho diz-nos que os Onze, incluindo Pedro, não acreditaram no testemunho das mulheres, no seu anúncio pascal. Antes, aquelas «palavras pareceram-lhes um desvario» (v. 11). Por isso, no coração de Pedro, reinava a dúvida, acompanhada por muitos pensamentos negativos: a tristeza pela morte do Mestre amado e a deceção por tê-Lo renegado três vezes durante a Paixão.

Mas há um detalhe que assinala a sua transformação: depois que ouvira as mulheres sem ter acreditado nelas, Pedro «pôs-se a caminho» (v. 12). Não ficou sentado a pensar, não ficou fechado em casa como os outros. Não se deixou enredar pela atmosfera pesada daqueles dias, nem aliciar pelas suas dúvidas; não se deixou absorver pelos remorsos, o medo e as maledicências sem fim que não levam a nada. Procurou Jesus; não a si mesmo. Preferiu a via do encontro e da confiança e, assim como era, pôs-se a caminho e correu ao sepulcro, donde voltou depois «admirado» (v. 12). Isto foi o início da «ressurreição» de Pedro, a ressurreição do seu coração. Sem ceder à tristeza nem à escuridão, deu espaço à voz da esperança: deixou que a luz de Deus entrasse no seu coração, sem a sufocar.

As próprias mulheres, que saíram de manhã cedo para fazer uma obra de misericórdia, ou seja, levar os perfumes ao sepulcro, viveram a mesma experiência. Estavam «amedrontadas e voltaram o rosto para o chão», mas sobressaltaram-se ao ouvir estas palavras do anjo: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?» (cf. v. 5).

Também nós, como Pedro e as mulheres, não podemos encontrar a vida, permanecendo tristes e sem esperança e permanecendo aprisionados em nós mesmos. Mas abramos ao Senhor os nossos sepulcros selados – cada um de nós os conhece -, para que Jesus entre e dê vida; levemos-Lhe as pedras dos ressentimentos e os penedos do passado, as rochas pesadas das fraquezas e das quedas. Ele deseja vir e tomar-nos pela mão, para nos tirar para fora da angústia. Mas a primeira pedra a fazer rolar para o lado nesta noite é esta: a falta de esperança, que nos fecha em nós mesmos. O Senhor nos livre desta terrível armadilha: sermos cristãos sem esperança, que vivem como se o Senhor não tivesse ressuscitado e o centro da vida fossem os nossos problemas.

Vemos e continuaremos a ver problemas perto e dentro de nós. Sempre existirão, mas esta noite é preciso iluminar tais problemas com a luz do Ressuscitado, de certo modo «evangelizá-los». Evangelizar os problemas. Não permitamos que a escuridão e os medos atraiam o olhar da alma e se apoderem do coração, mas escutemos a palavra do Anjo: o Senhor «não está aqui; ressuscitou!» (v. 6); Ele é a nossa maior alegria, está sempre ao nosso lado e nunca nos dececionará.

Este é o fundamento da esperança, que não é mero otimismo, nem uma atitude psicológica ou um bom convite a ter coragem. A esperança cristã é um dom que Deus nos concede, se sairmos de nós mesmos e nos abrirmos a Ele Esta esperança não dececiona porque o Espírito Santo foi infundido nos nossos corações (cf. Rm 5, 5). O Consolador não faz com que tudo apareça bonito, não elimina o mal com a varinha mágica, mas infunde a verdadeira força da vida, que não é a ausência de problemas, mas a certeza de sermos sempre amados e perdoados por Cristo, que por nós venceu o pecado, venceu a morte, venceu o medo. Hoje é a festa da nossa esperança, a celebração desta certeza: nada e ninguém poderá jamais separar-nos do seu amor (cf. Rm 8, 39).

O Senhor está vivo e quer ser procurado entre os vivos. Depois de O ter encontrado, cada um é enviado por Ele para levar o anúncio da Páscoa, para suscitar e ressuscitar a esperança nos corações pesados de tristeza, em quem sente dificuldade para encontrar a luz da vida. Há tanta necessidade disto hoje. Esquecendo de nós mesmos, como servos jubilosos da esperança, somos chamados a anunciar o Ressuscitado com a vida e através do amor; caso contrário, seremos uma estrutura internacional com um grande número de adeptos e boas regras, mas incapaz de dar a esperança de que o mundo está sedento.

Como podemos alimentar a nossa esperança? A Liturgia desta noite dá-nos um bom conselho. Ensina-nos a recordar as obras de Deus. Com efeito, as leituras narraram-nos a sua fidelidade, a história de seu amor por nós. A Palavra viva de Deus é capaz de nos envolver nesta história de amor, alimentando a esperança e reavivando a alegria. Isto mesmo nos lembra também o Evangelho que escutamos. Os anjos, para dar esperança às mulheres, dizem: «Lembrai-vos de como [Jesus] vos falou» (v. 6). Fazer memória das palavras de Jesus, fazer memória de tudo aquilo que Ele fez na nossa vida. Não esqueçamos a sua Palavra e as suas obras, senão perderemos a esperança e nos tornaremos cristãos sem esperança; por isso façamos memória do Senhor, da sua bondade e das suas palavras de vida que nos tocaram; recordemo-las e façamo-las nossas, para sermos sentinelas da manhã que sabem vislumbrar os sinais do Ressuscitado.

Amados irmãos e irmãs, Cristo ressuscitou! E nós temos a possibilidade de abrir-nos e receber o seu dom de esperança. Abramo-nos à esperança e ponhamo-nos a caminho; a memória das suas obras e das suas palavras seja a luz resplandecente, que orienta os nossos passos na confiança, rumo àquela Páscoa que não terá fim.



SEXTA-FEIRA SANTA


Via-Sacra: cruzes que atormentam o mundo na oração do Papa

Roma, 25.março.2016 (RV) – Ao final das 14 estações da Via-Sacra no Coliseu de Roma, o Papa Francisco fez uma oração para denunciar as infinitas cruzes que atormentam a humanidade hoje.

O Pontífice condenou os fundamentalismos, o terrorismo, as guerras e os corruptos. Denunciou a destruição do meio ambiente em detrimento das futuras gerações, os mares que se tornaram “cemitérios insaciáveis”. O Papa falou também dos “ministros infiéis” que despojam os inocentes da sua dignidade. E rezou pelos idosos abandonados, pelas pessoas com deficiência e pelas crianças desnutridas.

Por outro lado, como sinais de esperança, Francisco citou religiosas e consagrados – “os bons samaritanos” – que abandonam tudo para faixar as feridas das pobrezas e da injustiça. E as pessoas que sonham com um coração de criança e que trabalham cada dia para tornar o mundo um lugar melhor, mais humano e mais justo.

“Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que o amanhecer do sol é mais forte do que a escuridão da noite. Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que a aparente vitória do mal se dissipa diante do túmulo vazio e perante a certeza da Ressurreição e do amor de Deus que nada pode derrotar, obscurecer ou enfraquecer”, pediu por fim o Santo Padre.

***

Abaixo, leia a oração do Papa Francisco

Ó Cruz de Cristo!

Ó Cruz de Cristo, símbolo do amor divino e da injustiça humana, ícone do sacrifício supremo por amor e do egoísmo extremo por insensatez, instrumento de morte e caminho de ressurreição, sinal da obediência e emblema da traição, patíbulo da perseguição e estandarte da vitória.

Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos erguida nas nossas irmãs e nos nossos irmãos assassinados, queimados vivos, degolados e decapitados com as espadas barbáricas e com o silêncio velhaco.

O Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos rostos exaustos e assustados das crianças, das mulheres e das pessoas que fogem das guerras e das violências e, muitas vezes, não encontram senão a morte e muitos Pilatos com as mãos lavadas.

Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos doutores da letra e não do espírito, da morte e não da vida, que, em vez de ensinar a misericórdia e a vida, ameaçam com a punição e a morte e condenam o justo.

Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos ministros infiéis que, em vez de se despojarem das suas vãs ambições, despojam mesmo os inocentes da sua dignidade.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos corações empedernidos daqueles que julgam comodamente os outros, corações prontos a condená-los até mesmo à lapidação, sem nunca se darem conta dos seus pecados e culpas.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos fundamentalismos e no terrorismo dos seguidores de alguma religião que profanam o nome de Deus e o utilizam para justificar as suas inauditas violências.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje naqueles que querem tirar-te dos lugares públicos e excluir-te da vida pública, em nome de certo paganismo laicista ou mesmo em nome da igualdade que tu própria nos ensinaste.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos poderosos e nos vendedores de armas que alimentam a fornalha das guerras com o sangue inocente dos irmãos.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos traidores que, por trinta dinheiros, entregam à morte qualquer um.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ladrões e corruptos que, em vez de salvaguardar o bem comum e a ética, vendem-se no miserável mercado da imoralidade.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos insensatos que constroem depósitos para armazenar tesouros que perecem, deixando Lázaro morrer de fome às suas portas.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos destruidores da nossa «casa comum» que, egoisticamente, arruínam o futuro das próximas gerações.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos idosos abandonados pelos seus familiares, nas pessoas com deficiência e nas crianças desnutridas e descartadas pela nossa sociedade egoísta e hipócrita.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje no nosso Mediterrâneo e no Mar Egeu feitos um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e narcotizada.

Ó Cruz de Cristo, imagem do amor sem fim e caminho da Ressurreição, vemos-te ainda hoje nas pessoas boas e justas que fazem o bem sem procurar aplausos nem a admiração dos outros.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ministros fiéis e humildes que iluminam a escuridão da nossa vida como velas que se consumam gratuitamente para iluminar a vida dos últimos.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos rostos das religiosas e dos consagrados – os bons samaritanos – que abandonam tudo para faixar, no silêncio evangélico, as feridas das pobrezas e da injustiça.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos misericordiosos que encontram na misericórdia a expressão mais alta da justiça e da fé.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas pessoas simples que vivem jubilosamente a sua fé no dia-a-dia e na filial observância dos mandamentos.

O Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos arrependidos que, a partir das profundezas da miséria dos seus pecados, sabem gritar: Senhor, lembra-Te de mim no teu reino!

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos Beatos e nos Santos que sabem atravessar a noite escura da fé sem perder a confiança em ti e sem a pretensão de compreender o teu silêncio misterioso.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas famílias que vivem com fidelidade e fecundidade a sua vocação matrimonial.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos voluntários que generosamente socorrem os necessitados e os feridos.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos perseguidos pela sua fé que, no sofrimento, continuam a dar testemunho autêntico de Jesus e do Evangelho.

Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos que sonham com um coração de criança e que trabalham cada dia para tornar o mundo um lugar melhor, mais humana e mais justo.

Em ti, Santa Cruz, vemos Deus que ama até ao fim, e vemos o ódio que domina e cega os corações e as mentes daqueles que preferem as trevas à luz.

Ó Cruz de Cristo, Arca de Noé que salvou a humanidade do dilúvio do pecado, salva-nos do mal e do maligno! Ó Trono de David e selo da Aliança divina e eterna, desperta-nos das seduções da vaidade! Ó grito de amor, suscita em nós o desejo de Deus, do bem e da luz.

Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que o amanhecer do sol é mais forte do que a escuridão da noite. Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que a aparente vitória do mal se dissipa diante do túmulo vazio e perante a certeza da Ressurreição e do amor de Deus que nada pode derrotar, obscurecer ou enfraquecer. Amém!

Mais um Tweet do Santo Padre na Sexta-feira Santa
:

25/03/2016
A Cruz de Jesus é a Palavra com a qual Deus respondeu ao mal do mundo.



Nesta Sexta-Feira Santa especial, onde lembramos em uma só data do Ano Santo da Misericórdia: a Anunciação e a Crucifixão do Senhor, a Encarnação do Verbo e a morte na Cruz do Filho de Deus, visualisamos como um todo o Mistério da Divina Misericórdia.

Deus é Amor.

Papa Francisco publicou nesta Sexta-Feira Santa em seu Twitter
:

25/03/2016
Imprime, Senhor, em nossos corações sentimentos de fé, de esperança, de caridade, de dor pelos nossos pecados.


Papa lava os pés de refugiados: somos todos filhos do mesmo Pai!

Castelnuovo di Porto, 24.mar.2016 (RV) – O Papa deixou o Vaticano na tarde desta Quinta-feira Santa para ir até o norte de Roma onde, na presença de mais de 800 requerentes de asilo, celebrou a Missa da Ceia do Senhor com o Rito do Lava-pés.

A pequena cidade de Castelnuovo di Porto abriga os refugiados que chegam à Itália e permanecem no Centro de Acolhida até obter os documentos para viver legalmente no país.

Em sua homilia feita sem texto preparado, Francisco falou de dois gestos: Jesus que lava os pés aos seus discípulos e Judas que, por 30 moedas, entrega Jesus aos inimigos. "Também hoje aqui existem dois gestos", destacou o Papa:

Integração

“Este: todos nós, juntos, muçulmanos, hindus, católicos, coptas, evangélicos, mas irmãos, filhos do mesmo Deus, que queremos viver em paz, integrados”.

Ao lembrar os atentados terroristas em Bruxelas – “um gesto de guerra, de destruição”, – Francisco recordou que por trás dos camicazes haviam outros interesses:

“Atrás daquele de gesto estão os traficantes de armas que querem o sangue, não a paz, que querem a guerra, não a fraternidade”.

Para contrastar o terrorismo, Francisco citou a reunião de todos – “de diversas religiões, diversas culturas, filhos do mesmo Pai” – para celebrar a Ceia do Senhor contra “aqueles que compram as armas para destruir a fraternidade”. Neste ponto, o Papa recordou as dificuldades enfrentadas pelos refugiados:

Coração aberto

“Este é o gesto que eu faço com vocês: cada um de nós tem uma história, cada um de vocês tem uma história, tantas cruzes e dores, mas também um coração aberto que quer a fraternidade”.

Antes de passar ao Rito do Lava-pés, Francisco pediu que cada um, na sua língua, “rezasse ao Senhor para que esta fraternidade se espalhe pelo mundo”:

“Para que não existam as 30 moedas para matar o irmão, para que sempre exista a fraternidade e a bondade. Assim seja!”, concluiu o Pontífice.


Papa Francisco: “Sentimo-nos prisioneiros de um mundanismo virtual que se abre e fecha com um simples clique”


VATICANO, 24 Mar.2016 / 11:20 am (ACI).- O Papa Francisco presidiu na manhã de hoje a Missa do Crisma na Basílica de São Pedro, na qual consagrou os óleos que serão utilizados durante todo o ano para os distintos sacramentos nas paróquias de Roma.

Confira a seguir a sua homilia na íntegra:

Na sinagoga de Nazaré, ao escutarem dos lábios de Jesus – depois que Ele leu o trecho de Isaías – as palavras «cumpriu-se hoje mesmo este passo da Escritura que acabais de ouvir» (Lc 4, 21), poderia muito bem ter irrompido uma salva de palmas; em seguida, com íntima alegria, teriam podido chorar suavemente como chorava o povo quando Neemias e o sacerdote Esdras liam o livro da Lei, que tinham encontrado ao reconstruir as muralhas. Mas os Evangelhos dizem-nos que os sentimentos surgidos nos conterrâneos de Jesus situavam-se no lado oposto: afastaram-No e fecharam-Lhe o coração. Ao princípio, «todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca» (Lc 4, 22); mas depois uma pergunta insidiosa começou a circular entre eles: «Não é este o filho de José, o carpinteiro? » E, por fim, «encheram-se de furor» (Lc 4, 28); queriam precipitá-Lo do cimo do penhasco... Cumpria-se assim aquilo que o velho Simeão profetizara a Nossa Senhora: será «sinal de contradição» (Lc 2, 34). Com as suas palavras e os seus gestos, Jesus faz com que se revele aquilo que cada homem e mulher traz no coração.

E precisamente onde o Senhor anuncia o evangelho da Misericórdia incondicional do Pai para com os mais pobres, os mais marginalizados e oprimidos, aí somos chamados a escolher, a «combater o bom combate da fé» (1 Tim 6, 12). A luta do Senhor não é contra os seres humanos, mas contra o demónio (cf. Ef 6, 12), inimigo da humanidade. Assim o Senhor, «passando pelo meio» daqueles que queriam liquidá-Lo, «seguiu o seu caminho» (cf. Lc 4, 30). Jesus não combate para consolidar um espaço de poder. Se destrói recintos e põe as seguranças em questão, é para abrir uma brecha à torrente da Misericórdia que deseja, com o Pai e o Espírito, derramar sobre a terra. Uma Misericórdia que move de bem para melhor, anuncia e traz algo de novo: cura, liberta e proclama o ano de graça do Senhor.

A Misericórdia do nosso Deus é infinita e inefável; e expressamos o dinamismo deste mistério como uma Misericórdia «sempre maior», uma Misericórdia em caminho, uma Misericórdia que todos os dias procura fazer avançar um passo, um pequeno passo mais além, avançando na terra de ninguém, onde reinavam a indiferença e a violência.

Foi esta a dinâmica do bom Samaritano, que «usou de misericórdia» (cf. Lc 10, 37): comoveu-se, aproximou-se do ferido, faixou as suas feridas, levou-o para a pousada, pernoitou e prometeu voltar para pagar o que tivessem gasto a mais. Esta é a dinâmica da Misericórdia, que encadeia um pequeno gesto noutro e, sem ofender nenhuma fragilidade, vai-se alargando aos poucos na ajuda e no amor. Cada um de nós, contemplando a própria vida com o olhar bom de Deus, pode fazer um exercício de memória descobrindo como o Senhor usou de misericórdia para conosco, como foi muito mais misericordioso do que pensávamos, e assim encorajar-nos a pedir-Lhe que faça um pequeno passo mais, que Se mostre muito mais misericordioso no futuro. «Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia» (Sal 85/84, 8). Esta forma paradoxal de suplicar um Deus sempre mais misericordioso ajuda a romper aqueles esquemas estreitos onde muitas vezes acomodamos a superabundância do seu Coração. Faz-nos bem sair dos nossos recintos, porque é próprio do coração de Deus transbordar de misericórdia, inundar, espalhando de tal modo a sua ternura que sempre abunde, porque o Senhor prefere ver alguma coisa desperdiçada antes que faltar uma gota, prefere que muitas sementes acabem comidas pelas aves em vez de faltar à sementeira uma única semente, visto que todas têm a capacidade de dar fruto abundante, ora 30, ora 60, e até mesmo 100 por um.

Como sacerdotes, somos testemunhas e ministros da Misericórdia cada vez maior do nosso Pai; temos a doce e reconfortante tarefa de a encarnar como fez Jesus que «andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando» (At 10, 38), de mil e uma maneiras, para que chegue a todos. Podemos contribuir para inculturá-la, a fim de que cada pessoa a receba na sua experiência pessoal de vida e possa, assim, compreendê-la e praticá-la – de forma criativa – no modo de ser próprio do seu povo e da sua família.

Hoje, nesta Quinta-feira Santa do Ano Jubilar da Misericórdia, gostaria de falar de dois âmbitos onde o Senhor Se excede na sua misericórdia. E, uma vez que é Ele quem dá o exemplo, não devemos ter medo de nos excedermos nós também: um âmbito é o do encontro; o outro, o do seu perdão que nos faz envergonhar e nos dá dignidade.

O primeiro âmbito onde vemos que Deus Se excede numa Misericórdia cada vez maior, é o do encontro. Ele dá-Se totalmente e de um modo tal que, em cada encontro, passa diretamente à celebração duma festa. Na parábola do Pai Misericordioso, ficamos estupefatos ao ver aquele homem que corre, comovido, a lançar-se ao pescoço de seu filho; vendo como o abraça e beija e se preocupa por lhe pôr o anel que o faz sentir-se igual, e as sandálias próprias de quem é filho e não um assalariado; e como, em seguida, põe tudo em movimento, mandando que se organize uma festa.

Ao contemplarmos, sempre maravilhados, esta superabundância de alegria do Pai, a quem o regresso do filho consente de expressar livremente o seu amor, sem hesitações nem distâncias, não devemos ter medo de exagerar no nosso agradecimento. A justa atitude, podemos apreendê-la daquele pobre leproso que, vendo-se curado, deixa os seus nove companheiros que vão cumprir o que ordenou Jesus e regressa para se ajoelhar aos pés do Senhor, glorificando e dando graças a Deus em alta voz.

A misericórdia restaura tudo e restitui as pessoas à sua dignidade originária. Por isso, a justa resposta é uma efusiva gratidão: é preciso iniciar imediatamente a festa, vestir o traje, eliminar os ressentimentos do filho mais velho, alegrar-se e festejar.... Porque só assim, participando plenamente naquele clima festivo, será possível depois pensar bem, pedir perdão e ver mais claramente como se pode reparar o mal cometido. Pode fazer-nos bem questionarmo-nos: depois de me ter confessado, festejo? Ou passo rapidamente para outra coisa, como quando, depois de ter ido ao médico, vemos que as análises não deram um resultado assim tão ruim e fechamo-las de novo no envelope, e passamos a outra coisa. E, quando dou esmola, deixo tempo a quem a recebe para expressar o seu agradecimento, festejo o seu sorriso e aquelas bênçãos que nos dão os pobres, ou continuo apressado com as minhas coisas depois de «ter deixado cair a moeda»?

O outro âmbito onde vemos que Deus excede numa Misericórdia cada vez maior, é o próprio perdão. Não só perdoa dívidas incalculáveis, como fez com o servo que lhe suplica e, em seguida, se mostra mesquinho com o seu companheiro, mas faz-nos passar diretamente da vergonha mais envergonhada para a dignidade mais alta, sem qualquer etapa intermédia. O Senhor deixa que a pecadora perdoada o lave, familiarmente, os pés com as suas lágrimas. Logo que Simão Pedro se confessa pecador pedindo-Lhe para Se afastar dele, Jesus eleva-o à dignidade de pescador de homens. Nós, ao contrário, tendemos a separar as duas atitudes: quando nos envergonhamos do pecado, escondemo-nos e caminhamos com os olhos em terra, como Adão e Eva, e, quando somos elevados a qualquer dignidade, procuramos cobrir os pecados e gostamos de nos mostrar, de quase nos pavonearmos.

A nossa resposta ao perdão superabundante do Senhor deveria consistir em manter-nos sempre naquela saudável tensão entre uma vergonha dignificante e uma dignidade que sabe envergonhar-se: atitude de quem procura, por si mesmo, humilhar-se e abaixar-se, mas é capaz de aceitar que o Senhor o eleve para benefício da missão, sem se comprazer. O modelo que o Evangelho consagra e nos pode ser útil quando nos confessamos é o de Pedro, que se deixa interrogar longamente sobre o seu amor e, ao mesmo tempo, renova a sua aceitação do ministério de apascentar as ovelhas que o Senhor lhe confia.

Para entrar mais profundamente nesta «dignidade que sabe envergonhar-se», que nos salva de nos crermos mais ou menos do que somos por graça, pode-nos ajudar ver que – na passagem de Isaías, que o Senhor lê hoje na sua sinagoga de Nazaré – o profeta continua dizendo: «E vós sereis chamados “sacerdotes do Senhor”, e nomeados “ministros do nosso Deus”» (61, 6). É o povo pobre, faminto, prisioneiro de guerra, sem futuro, um resto descartado, que o Senhor transforma em povo sacerdotal.

Nós, como sacerdotes, identifiquemo-nos com aquele povo descartado, que o Senhor salva, e lembremo-nos de que existem multidões inumeráveis de pessoas pobres, ignorantes, prisioneiras, que estão naquela situação porque outros as oprimem. Mas lembremo-nos também de que cada um de nós sabe em que medida tantas vezes somos cegos, estamos privados da luz maravilhosa da fé, e não porque nos falte o Evangelho ao alcance da mão, mas por um excesso de teologias complicadas. Sentimos que a nossa alma morre sedenta de espiritualidade, e não por falta de Água Viva – que nos limitamos a sorver aos goles – mas por um excesso de espiritualidades sem compromisso, espiritualidades superficiais.

Também nos sentimos prisioneiros, não cercados – como tantos povos – por muros intransponíveis de pedra ou barreiras de aço, mas por um mundanismo virtual que se abre e fecha com um simples clique. Somos oprimidos, não por ameaças e empurrões, como muitas pessoas pobres, mas pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores.

E Jesus vem resgatar-nos, fazer-nos sair, para nos transformar de pobres e cegos, de prisioneiros e oprimidos em ministros de misericórdia e consolação. Diz-nos Ele, com as palavras do profeta Ezequiel ao povo que se prostituíra, traindo gravemente o seu Senhor: «Eu lembrar-Me-ei da minha aliança que fiz contigo no tempo da tua juventude (…). Ao recordares a tua conduta, sentirás vergonha, quando receberes as tuas irmãs, as que são mais velhas e as que são mais novas do que tu, pois as dou como filhas, mas não em virtude da tua aliança. Porque Eu estabelecerei contigo a minha aliança e, então, saberás que Eu sou o Senhor, a fim de que te lembres de Mim e sintas vergonha, não abras mais a boca no meio da tua confusão, quando Eu te perdoar tudo o que fizeste – oráculo do Senhor Deus» (És 16, 60-63).

Neste Ano Jubilar, celebremos, com toda a gratidão de que seja capaz o nosso coração, o nosso Pai e supliquemos-Lhe que «Se recorde sempre da sua Misericórdia»; recebamos, com aquela dignidade que sabe envergonhar-se, a Misericórdia na carne ferida de nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos-Lhe que nos lave de todo o pecado e livre de todo o mal; e, com a graça do Espírito Santo, comprometamo-nos a comunicar a Misericórdia de Deus a todos os homens, praticando as obras que o Espírito suscita em cada um para o bem comum de todo o povo fiel de Deus.

Tweets do Papa Francisco nesta Quinta-Feira Santa
:

24/03/2016
Jesus nos amou. Jesus nos ama. Sem limites, sempre, até o fim.
24/03/2016
Ungidos com óleo de júbilo para transmitir a alegria do Evangelho.


A Semana Santa mostra que o amor de Deus não tem limites, disse o Papa na Audiência Geral


Cidade do Vaticano, 23.março.2016 (RV/BSS/zenit.org) – O Papa Francisco começou hoje o tradicional encontro semanal das quartas-feiras com os fieis, entrando na Praça de São Pedro no papamóvel, acenando para as milhares de pessoas reunidas lá. O veículo que o levava deteve-se várias vezes e o Santo Padre abençoou as crianças e bebês que o rodearam.

As medidas de segurança para entrar na praça eram altas como de costume, aparentemente, não mais do que o normal, apesar dos atentados em Bruxelas na terça-feira que atingiu o coração da Europa. No que respeita ao programa da Semana Santa não haverá nenhuma mudança, de acordo com o indicado ontem pela secretaria de imprensa do Vaticano.

A catequese desta quarta-feira fria e com muito vento, apesar de ser o começo da primavera na Europa, começou com a leitura em vários idiomas do evangelho de Lucas. Em seguida o Pontífice explicou que nos três dias da Semana Santa devemos o Tríduo Pascal sentindo a misericórdia de Deus.

“Que o Senhor converta o coração das pessoas cegas pelo fundamentalismo cruel”: esta foi a exortação do Papa Francisco ao final da catequese.

Referindo-se aos atentados em Bruxelas, Francisco dirigiu um apelo a todas as pessoas de boa vontade para unirem-se numa unânime condenação desses "cruéis abomínios, que estão causando somente morte, terror e horror”.

“A todos, peço para preservar na oração e pedir ao Senhor nesta Semana Santa que conforte os corações aflitos e converta os corações dessas pessoas cegas pelo fundamentalismo cruel.”

Francisco convidou os fiéis presentes na Praça S. Pedro à oração e proximidade à “querida população belga, a todos os familiares das vítimas e a todos os feridos”. E rezou com os peregrinos uma Ave-Maria.

No dia das explosões (22/03), o Pontífice enviou um telegrama de pesar ao Arcebispo de Bruxelas, condenando a “violência cega”.

Catequese na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A nossa reflexão sobre misericórdia de Deus nos introduz hoje ao Tríduo Pascal. Viveremos a Quinta, a Sexta e o Sábado santo como momentos fortes que nos permitem entrar sempre mais no grande mistério da nossa fé: a Ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo, nestes três dias, fala de misericórdia, porque torna visível até onde pode chegar o amor de Deus. Escutaremos o relato dos últimos dias da vida de Jesus. O evangelista João nos oferece as chaves para compreender o sentido profundo disso: “Tendo amado os seus que estavam nesse mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). O amor de Deus não tem limites. Como repetia muitas vezes Santo Agostinho, é um amor que vai “até o fim sem fim”. Deus se oferece verdadeiramente todo para cada um de nós e não economiza em nada. O mistério que adoramos nesta Semana Santa é uma grande história do amor que não conhece obstáculos. A Paixão de Jesus vai até o fim do mundo, porque é uma história de partilha com os sofrimentos de toda a humanidade e uma permanente presença nos acontecimentos da vida pessoal de cada um de nós. Em resumo, o Tríduo Pascal é memorial de um drama de amor que nos dá a certeza de que não seremos nunca abandonados nas provações da vida.

Na Quinta-feira Santa, Jesus institui a Eucaristia, antecipando no banquete pascal o seu sacrifício no Gólgota. Para fazer os discípulos compreenderem o amor que o anima, lava seus pés, oferecendo ainda uma vez mais o exemplo em primeira pessoa de como eles mesmos deveriam agir. A Eucaristia é o amor que se faz serviço. É a presença sublime de Cristo que deseja alimentar cada homem, sobretudo os mais frágeis, para torná-los capazes de um caminho de testemunho entre as dificuldades do mundo. Não somente. Em dar-se a nós como alimento, Jesus atesta que devemos aprender a dividir com os outros este alimento para que se torne uma verdadeira comunhão de vida com quantos estão em necessidade. Ele se doa a nós e nos pede para permanecermos Nele para fazermos o mesmo.

A Quinta-feira santa é o momento culminante do amor. A morte de Jesus, que na cruz se abandona ao Pai para oferecer a salvação ao mundo inteiro, exprime o amor dado até o fim, sem fim. Um amor que pretende abraçar todos, ninguém excluído. Um amor que se estende a todo tempo e a todo lugar: uma fonte inesgotável de salvação a que cada um de nós, pecadores, podemos chegar. Se Deus nos demonstrou o seu amor supremo na morte de Jesus, então também nós, regenerados pelo Espírito Santo, podemos e devemos nos amar uns aos outros.

E enfim, o Sábado Santo é o dia do silêncio de Deus. Deve ser um dia de silêncio e nós devemos fazer de tudo para que para nós seja justamente um dia de silêncio, como foi naquele tempo: o dia do silêncio de Deus. Jesus colocado no sepulcro partilha com toda a humanidade o drama da morte. É um silêncio que fala e exprime o amor como solidariedade com os abandonados de sempre, que o Filho de Deus vem para preencher o vazio que apenas a misericórdia infinita do Deus Pai pode preencher. Deus se cala, mas por amor. Neste dia, o amor – aquele amor silencioso – torna-se espera da vida na ressurreição. Pensemos, o Sábado Santo: nos fará bem pensar no silêncio de Nossa Senhora, a “crente”, que em silêncio estava à espera da Ressurreição. Nossa Senhora deverá ser o ícone, para nós, daquele Sábado Santo. Pensar tanto como Nossa Senhora viveu aquele Sábado Santo; à espera. É o amor que não duvida, mas que espera na palavra do Senhor, para que torne evidente e brilhante o dia da Páscoa.

É tudo um grande mistério de amor e de misericórdia. As nossas palavras são pobres e insuficientes para exprimi-lo em plenitude. Pode vir em nosso auxílio a experiência de uma jovem, não muito conhecida, que escreveu páginas sublimes sobre o amor de Cristo. Chamava-se Giuliana di Norwich; era analfabeta, esta menina que teve visões da paixão de Jesus e que depois, tornando-se reclusa, descreveu, com linguagem simples, mas profunda e intensa, o sentido do amor misericordioso. Dizia assim: “Então o nosso bom Senhor me perguntou: ‘Estás feliz que eu tenha sofrido por ti?’. Eu disse: ‘Sim, Senhor, e te agradeço muito; sim, bom Senhor, que tu sejas bendito’. Então Jesus, o nosso bom Senhor, disse: ‘Se tu estás feliz, também eu estou. Ter sofrido a paixão por ti é para mim uma alegria, uma felicidade, uma alegria eterna; e se pudesse sofrer ainda mais eu o faria’”.

Como são belas essas palavras! Permitem-nos entender realmente o amor imenso e sem limites que o Senhor tem por cada um de nós. Deixemo-nos envolver por essa misericórdia que vem ao nosso encontro e, nestes dias, enquanto temos fixo o olhar sobre a paixão e a morte do Senhor, acolhamos no nosso coração a grandeza do seu amor e, como Nossa Senhora, o Sábado, em silêncio, à espera da Ressurreição.

Estes são os tweets que o Papa Francisco publicou na Quarta-feira Santa
:

23/03/2016
Com quanto amor Jesus olha para nós! Com quanto amor cura o nosso coração pecador! Nunca se assusta com os nossos pecados.
23/03/2016
Confio à misericórdia de Deus as pessoas que perderam a vida. #Bruxelas


Papa Francisco expressa sua dor pelos ataques em Bruxelas e condena violência indiscriminada

Roma, 22 Mar.2016 / 10:48 am (ACI).- O Papa Francisco enviou um telegrama de condolências ao Arcebispo do Malines-Bruxelas, Mons. Jozef De Kesel, através do Secretário de estado Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, com motivo dos brutais atentados terroristas cometidos esta manhã em Bruxelas (Bélgica) que provocaram até o momento 34 mortos e dezenas de feridos.

“Ao tomar conhecimento sobre os ataques em Bruxelas, que afetam muitas pessoas, Sua Santidade o Papa Francisco confia à misericórdia de Deus às pessoas que perderam a vida e seus próximos, através da oração pela morte de seus parentes”.

O telegrama expressa a profunda solidariedade do Papa aos feridos e suas famílias e a todos os que contribuem com seu auxílio, “pedindo ao Senhor que lhes traga consolo nesta prova”.

O texto também assinala que “o Papa volta a condenar a violência indiscriminada que causa tanto sofrimento e implora a Deus o dom da paz, invocando sobre as famílias das vítimas e sobre os belgas o benefício das bênçãos divinas”.

Esta manhã, duas explosões consecutivas ocorreram no aeroporto de Bruxelas (Bélgica) e uma terceira foi registrada na estação de metrô de Maelbeek, no centro da capital e muito próxima aos edifícios da Comissão e do Parlamento Europeu.

As duas explosões do aeroporto ocorreram em torno das 07:45 da manhã (hora local). Autoridades belgas confirmaram que se trata de um ataque suicida jihadista.

Testemunhas citadas pela mídia local asseguraram que minutos antes das detonações escutaram gritos em árabe e alguns disparos no aeroporto.

As explosões do metro do Malbeek ocorreram uma hora depois das detonações no aeroporto, por volta das 9:30 da manhã (hora local).


Nesta segunda-feira da Semana Santa, o Papa Francisco publicou em seu Twitter
:

21/03/2016
Levemos a sério o nosso ser cristãos, comprometendo-nos a viver como crentes.



PATRONO DOS GOVERNANTES E POLÍTICOS –– SÃO TOMÁS MORO

Caros amigos,

no dia 22 de junho a Igreja comemora a memória de São Thomas More, que em português chamamos de "Tomás Moro", e que em 31de outubro de 2000 o Papa São João Paulo II proclamou como "Patrono Celeste dos Governantes e Políticos" .

Conheçam a Carta Apostólica desta proclamação e confiemos a São Tomás Moro este momento de tensão política-governamental por que passa nossa pátria.

Observação: é significante notar a coincidência (?) entre os nomes e tipo físico do santo "Patrono Celeste dos Governantes e Políticos" e do juiz brasileiro que encabeça a operação "Lava Jato", Sérgio Moro. Possa São Tomás Moro guiar e inspirar os seus passos, livrando-o da corrupção e da soberba.

São Tomás Moro rogai por nós!



CARTA APOSTÓLICA
SOB FORMA DE MOTU PROPRIO
PARA A PROCLAMAÇÃO DE S. TOMÁS MORO
PATRONO DOS GOVERNANTES E DOS POLÍTICOS
JOÃO PAULO PP. II

PARA PERPÉTUA MEMÓRIA.

1. Da vida e martírio de S. Tomás Moro emana uma mensagem que atravessa os séculos e fala aos homens de todos os tempos da dignidade inalienável da consciência, na qual, como recorda o Concílio Vaticano II, reside «o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser» (Gaudium et spes, 16). Quando o homem e a mulher prestam ouvidos ao apelo da verdade, a consciência guia, com segurança, os seus atos para o bem.

Precisamente por causa do testemunho que S. Tomás Moro deu, até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder, é que ele é venerado como exemplo imperecível de coerência moral. Mesmo fora da Igreja, sobretudo entre os que são chamados a guiar os destinos dos povos, a sua figura é vista como fonte de inspiração para uma política que visa como seu fim supremo o serviço da pessoa humana.

Recentemente, alguns Chefes de Estado e de Governo, numerosos dirigentes políticos, várias Conferências Episcopais e Bispos individualmente dirigiram-me petições a favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. A instância goza da assinatura de personalidades de variada proveniência política, cultural e religiosa, fato esse que testemunha o vivo e generalizado interesse pelo pensamento e comportamento deste insigne Homem de governo.

2. Tomás Moro viveu uma carreira política extraordinária no seu País. Tendo nascido em Londres no ano 1478 de uma respeitável família, foi colocado, desde jovem, ao serviço do Arcebispo de Cantuária, João Morton, Chanceler do Reino. Continuou depois, em Oxford e Londres, os seus estudos de Direito, mas interessando-se também pelos vastos horizontes da cultura, da teologia e da literatura clássica. Dominava perfeitamente o grego e criou relações de intercâmbio e amizade com notáveis protagonistas da cultura do Renascimento, como Erasmo de Roterdam.

A sua sensibilidade religiosa levou-o a procurar a virtude através duma assídua prática ascética: cultivou relações de amizade com os franciscanos conventuais de Greenwich e demorou-se algum tempo na cartuxa de Londres, que são dois dos focos principais de fervor religioso do Reino. Sentindo a vocação para o matrimônio, a vida familiar e o empenho laical, casou-se em 1505 com Joana Colt, da qual teve quatro filhos. Tendo esta falecido em 1511, Tomás desposou em segundas núpcias Alice Middleton, já viúva com uma filha. Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação. Além disso, na vida de família dava-se largo espaço à oração comum e à lectio divina, e também a sadias formas de recreação doméstica. Diariamente, Tomás participava na Missa na igreja paroquial, mas as austeras penitências que abraçava eram conhecidas apenas dos seus familiares mais íntimos.

3. Em 1504, no reinado de Henrique VIII, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento. O rei renovou-lhe o mandato em 1510 e constituiu-o ainda como representante da Coroa na Capital, abrindo-lhe uma carreira brilhante na Administração Pública. No decênio sucessivo, Henrique VIII várias vezes o enviou em missões diplomáticas e comerciais à Flandres e territórios da França atual. Constituído membro do Conselho da Coroa, juiz presidente dum tribunal importante, vice-tesoureiro e cavaleiro, tornou-se em 1523 porta-voz, ou seja, presidente, da Câmara dos Comuns.

Estimado por todos pela sua integridade moral indefectível, argúcia de pensamento, caráter aberto e divertido, erudição extraordinária, foi nomeado pelo rei em 1529, num momento de crise política e econômica do País, Chanceler do Reino. Tomás Moro, o primeiro leigo a ocupar este cargo, enfrentou um período extremamente difícil, procurando servir o rei e o País. Fiel aos seus princípios, empenhou-se por promover a justiça e conter a danosa influência de quem buscava os próprios interesses à custa dos mais débeis. Em 1532, não querendo dar o próprio apoio ao plano de Henrique VIII que desejava assumir o controle da Igreja na Inglaterra, pediu a própria demissão. Retirou-se da vida pública, resignando-se a sofrer, com a sua família, a pobreza e o abandono de muitos que, na prova, se revelaram falsos amigos.

Constatando a firmeza irremovível com que ele recusava qualquer compromisso contra a própria consciência, o rei mandou prendê-lo, em 1534, na Torre de Londres, onde foi sujeito a várias formas de pressão psicológica. Mas Tomás Moro não se deixou vencer, recusando prestar o juramento que lhe fora pedido, porque comportaria a aceitação dum sistema político e eclesiástico que preparava o terreno para um despotismo incontrolável. Ao longo do processo que lhe moveram, pronunciou uma ardente apologia das suas convicções sobre a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pelo patrimônio jurídico inspirado aos valores cristãos, a liberdade da Igreja face ao Estado. Condenado pelo Tribunal, foi decapitado.

Com o passar dos séculos, atenuou-se a discriminação contra a Igreja. Em 1850, foi reconstituída a hierarquia católica na Inglaterra. Deste modo, tornou-se possível abrir as causas de canonização de numerosos mártires. Juntamente com outros 53 mártires, entre os quais o Bispo João Fisher, Tomas Moro foi beatificado pelo Papa Leão XIII em 1886 e canonizado, com o citado Bispo, por Pio XI no ano 1935, quando se completava o quarto centenário do seu martírio.

4. Muitas são as razões em favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. Entre elas, conta-se a necessidade que o mundo político e administrativo sente de modelos credíveis, que lhes mostrem o caminho da verdade num momento histórico em que se multiplicam árduos desafios e graves responsabilidades. Com efeito, existem, hoje, fenômenos econômicos intensamente inovadores que estão a modificar as estruturas sociais; além disso, as conquistas científicas no âmbito das biotecnologias tornam mais aguda a exigência de defender a vida humana em todas as suas expressões, enquanto as promessas duma nova sociedade, propostas com sucesso a uma opinião pública distraída, requerem com urgência decisões políticas claras a favor da família, dos jovens, dos anciãos e dos marginalizados.

Em tal contexto, muito pode ajudar o exemplo de S. Tomás Moro que se distinguiu pela sua constante fidelidade à Autoridade e às instituições legítimas, porque pretendia servir nelas, não o poder, mas o ideal supremo da justiça. A sua vida ensina-nos que o governo é, primariamente, um exercício de virtude. Forte e seguro nesta estrutura moral, o Estadista inglês pôs a sua atividade pública ao serviço da pessoa, sobretudo dos débeis ou pobres; regulou as controvérsias sociais com fino sentido de equidade; tutelou a família e defendeu-a com valoroso empenho; promoveu a educação integral da juventude. O seu profundo desdém pelas honras e riquezas, a humildade serena e jovial, o sensato conhecimento da natureza humana e da futilidade do sucesso, a segurança de juízo radicada na fé conferiram-lhe aquela confiança e fortaleza interior que o sustentou nas adversidades e frente à morte. A sua santidade refulgiu no martírio, mas foi preparada por uma vida inteira de trabalho, ao serviço de Deus e do próximo.

Aludindo a tais exemplos de perfeita harmonia entre fé e obras, escrevi, na Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles laici, que «a unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles têm que se santificar na vida profissional e social normal.

Assim, para que possam corresponder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as atividades da vida quotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento da sua vontade, e também como serviço aos outros homens» (n.º 17).

Esta harmonia do natural com o sobrenatural é talvez o elemento que melhor define a personalidade do grande Estadista inglês: viveu a sua intensa vida pública com humildade simples, caracterizada pelo proverbial «bom humor» que sempre manteve, mesmo na iminência da morte.

Esta foi a meta a que o levou a sua paixão pela verdade. O homem não pode separar-se de Deus, nem a política da moral: eis a luz que iluminou a sua consciência. Como disse uma vez, «o homem é criatura de Deus, e por isso os direitos humanos têm a sua origem n'Ele, baseiam-se no desígnio da criação e entram no plano da Redenção. Poder-se-ia dizer, com uma expressão audaz, que os direitos do homem são também direitos de Deus» (Discurso, 07/04/1998).

É precisamente na defesa dos direitos da consciência que brilha com luz mais intensa o exemplo de Tomás Moro. Pode-se dizer que viveu de modo singular o valor de uma consciência moral que é «testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma» (Carta enc. Veritatis splendor, 58), embora, no âmbito da ação contra os hereges, tenha sofrido dos limites da cultura de então.

O Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Gaudium et spes, observa que tem crescido, no mundo contemporâneo, «a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis» (n.º 26). A vida de S. Tomás Moro ilustra, com clareza, uma verdade fundamental da ética política. De fato, a defesa da liberdade da Igreja face a indevidas ingerências do Estado é simultaneamente uma defesa, em nome do primado da consciência, da liberdade da pessoa frente ao poder político. Está aqui o princípio basilar de qualquer ordem civil respeitadora da natureza do homem.

5. Espero, portanto, que a elevação da exímia figura de S. Tomás Moro a Patrono dos Governantes e dos Políticos possa contribuir para o bem da sociedade. Trata-se, aliás, de uma iniciativa em plena sintonia com o espírito do Grande Jubileu, que nos introduz no terceiro milênio cristão.

Assim, depois de maturada reflexão e acolhendo de bom grado os pedidos que me foram feitos, constituo e declaro S. Tomás Moro Patrono celeste dos Governantes e dos Políticos, concedendo que lhe sejam tributadas todas as honras e privilégios litúrgicos que competem, segundo o direito, aos Patronos de categorias de pessoas.

Bendito e glorificado seja Jesus Cristo, Redentor do homem, ontem, hoje e sempre.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 31 de Outubro de 2000, vigésimo terceiro ano de Pontificado.

IOANNES PAULUS PP. II



O crucifixo é a cátedra de Deus”, disse o Papa na homilia


Cidade do Vaticano (RV/ACI/zenit.org) – Aniquilação e humilhação: estas duas atitudes de Cristo guiaram a homilia do Papa Francisco no Domingo de Ramos (20/03/2016). Milhares de fiéis participaram da Santa Missa, que foi precedida pela tradicional procissão com os ramos na Praça S. Pedro, decorada com cercade 10 mil plantas, abrindo assim as celebrações da Semana Santa.

A seguir, o texto completo de sua homilia:

«Bendito seja o que vem em nome do Senhor» (cf. Lc 19, 38): gritava em festa a multidão de Jerusalém, ao receber Jesus. Fizemos nosso aquele entusiasmo: agitando ramos de palmeira e de oliveira, exprimimos o nosso louvor e alegria e o desejo de receber Jesus que vem a nós. Na realidade, como entrou em Jerusalém, assim deseja entrar nas nossas cidades e nas nossas vidas. Como fez no Evangelho – montando um jumentinho –, Ele vem a nós humildemente, mas vem «em nome do Senhor»: com a força do seu amor divino, perdoa os nossos pecados e reconcilia-nos com o Pai e com nós mesmos.

Jesus fica contente com a manifestação popular de afeto da multidão e quando os fariseus O convidam a fazer calar as crianças e os outros que o aclamam, responde: «Se eles se calarem, gritarão as pedras» (Lc 19, 40). Nada poderia deter o entusiasmo pela entrada de Jesus; que nada nos impeça de encontrar n’Ele a fonte da nossa alegria, a verdadeira alegria, que permanece e dá a paz; pois só Jesus nos salva das amarras do pecado, da morte, do medo e da tristeza.

Entretanto a Liturgia de hoje ensina-nos que o Senhor não nos salvou com uma entrada triunfal nem por meio de milagres prestigiosos. O apóstolo Paulo, na segunda leitura, resume o caminho da redenção com dois verbos: «aniquilou-Se» e «humilhou-Se» a Si mesmo (Flp 2, 7.8). Estes dois verbos indicam-nos até que extremos chegou o amor de Deus por nós. Jesus aniquilou-Se a Si mesmo: renunciou à glória de Filho de Deus e tornou-Se Filho do homem, solidarizando-Se em tudo conosco – que somos pecadores – Ele que é sem pecado. E não só… Viveu entre nós numa «condição de servo» (v. 7): não de rei, nem de príncipe, mas de servo. Para isso, humilhou-Se e o abismo da sua humilhação, que a Semana Santa nos mostra, parece sem fundo.

O primeiro gesto deste amor «até ao fim» (Jo 13, 1) é o lava-pés. «O Senhor e o Mestre» (Jo 13, 14) abaixa-Se até aos pés dos discípulos, como somente os servos faziam. Mostrou-nos, com o exemplo, que temos necessidade de ser alcançados pelo seu amor, que se inclina sobre nós; não podemos prescindir dele, não podemos amar, sem antes nos deixarmos amar por Ele, sem experimentar a sua ternura surpreendente e sem aceitar que o verdadeiro amor consiste no serviço concreto.

Mas isto é apenas o início. A humilhação que Jesus sofre, torna-se extrema na Paixão: é vendido por trinta moedas de prata e traído com um beijo por um discípulo que escolhera e chamara amigo. Quase todos os outros fogem e abandonam-No; Pedro renega-O três vezes no pátio do Sinédrio. Humilhado na alma com zombarias, insultos e escarros, sofre no corpo violências atrozes: as cacetadas, a flagelação e a coroa de espinhos tornam irreconhecível o seu aspeto. Sofre também a infâmia e a iníqua condenação das autoridades, religiosas e políticas: é feito pecado e reconhecido injusto. Depois, Pilatos envia-o a Herodes, e este devolve-O ao governador romano: enquanto Lhe é negada toda a justiça, Jesus sente na própria pele também a indiferença, porque ninguém se quer assumir a responsabilidade do seu destino. E penso em tantas pessoas, tantos marginalizados, tantos deslocados, tantos refugiados, de cujo destino muitos não querem assumir a responsabilidade. A multidão, que pouco antes O aclamara, troca os louvores por um grito de condenação, preferindo que, em vez d’Ele, seja libertado um assassino. Chega assim à morte de cruz, a mais dolorosa e vergonhosa, reservada para os traidores, os escravos e os piores criminosos. Mas a solidão, a difamação e o sofrimento não são ainda o ponto culminante do seu despojamento. Para ser solidário conosco em tudo, na cruz experimenta também o misterioso abandono do Pai. No abandono, porém, reza e entrega-Se: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46). Suspenso no patíbulo, além da zombaria, enfrenta ainda a última tentação: a provocação para descer da cruz, vencer o mal com a força e mostrar o rosto dum deus poderoso e invencível. Mas Jesus, precisamente aqui, no ápice da aniquilação, revela o verdadeiro rosto de Deus, que é misericórdia. Perdoa aos seus algozes, abre as portas do paraíso ao ladrão arrependido e toca o coração do centurião. Se é abissal o mistério do mal, infinita é a realidade do Amor que o atravessou, chegando até ao sepulcro e à morada dos mortos, assumindo todo o nosso sofrimento para o redimir, levando luz às trevas, vida à morte, amor ao ódio.

Pode parecer-nos muito distante o modo de agir de Deus, que Se aniquilou por nós, quando vemos que já sentimos tanta dificuldade para nos esquecermos um pouco de nós mesmos. Ele vem salvar-nos, somos chamados a escolher o seu caminho: o caminho do serviço, da doação, do esquecimento de nós próprios. Podemos encaminhar-nos por esta estrada, detendo-nos nestes dias a contemplar o Crucificado: é «a cátedra de Deus». Convido-vos, nesta semana, a contemplar com frequência esta «cátedra de Deus», para aprender o amor humilde, que salva e dá a vida, para renunciar ao egoísmo, à busca do poder e da fama. Com a sua humilhação, Jesus convida-nos a caminhar por esta estrada. Fixemos o olhar n’Ele, peçamos a graça de compreender pelo menos algo da sua aniquilação por nós; e assim, em silêncio, contemplemos o mistério desta Semana.


Angelus. Papa aos jovens: aguardo-vos numerosos em Cracóvia

No final da Missa na Praça de S. Pedro neste Domingo de Ramos, 20.março.2016 e antes da bênção final, o Papa Francisco dirigiu-se aos jovens da JMJ de Cracóvia e recitou a oração do Angelus, pedindo à Virgem Maria que nos ajude a viver esta Semana Santa com intensidade espiritual.

Na mensagem antes da oração mariana, o Santo Padre referiu-se à 31ª Jornada Mundial da Juventude, que se celebra neste domingo a nível diocesano e terá o seu ápice no final do mês de julho no grande Encontro Mundial em Cracóvia com o tema: “Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.

Saudando todos os jovens do mundo o Papa Francisco a todos convidou para a JMJ de Cracóvia “pátria de S. João Paulo II” que foi o iniciador destes grandes encontros de jovens. Neste Ano Santo da Misericórdia o encontro na Polónia será o “Jubileu dos Jovens”.

Os muitos voluntários da JMJ de Cracóvia presentes na Praça, quando regressarem à Polónia levarão aos responsáveis da nação ramos de oliveira provenientes de Jerusalém, Assis e Montecassino como convite a cultivar propósitos de paz, de reconciliação e de fraternidade. “Prossigam com coragem!” – declarou o Papa no final da sua mensagem pedindo à Virgem Maria “para que nos ajude a viver com intensidade espiritual a Semana Santa”.
Radio Vaticano

No Domingo de Ramos o Papa twittou:

20/03/2016
Vamos até Ele e não tenhamos medo! Vamos para dizer-Lhe do profundo do nosso coração: “Jesus, confio em Ti!”


Papa Francisco: primeiro próximo do Bispo è o seu presbítero

Na manhã deste sábado 19 de março de 2016, solenidade de São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, o Papa francisco presidiu à Santa Missa na basílica de São Pedro, com a ordenação episcopal de Dom Peter Brian Wells, Núncio Apostólico na África do Sul, Botswana, Lesotho e Namíbia, e Dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, Secretário do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso.

Na sua homilia Francisco recordou antes de tudo que foi o próprio Jesus que enviou ao mundo os apóstolos e, para perpetuar esta missão, os doze se rodearam de colaboradores transmitindo-lhes o dom do Espírito Santo coma imposição das mãos. Mas no bispo, circundado pelos seus presbíteros, está sempre presente Cristo, reiterou o Papa:

“É Cristo, de fato, que no ministério do bispo continua a pregar o Evangelho da salvação e a santificar os crentes, mediante os sacramentos da fé. É Cristo que na paternidade do bispo adiciona novos membros ao seu Corpo, que é a Igreja. É Cristo que na sabedoria e prudência do bispo guia o povo de Deus na peregrinação terrena até à felicidade eterna”.

E aos novos bispos Francisco recordou que foram escolhidos de entre os homens e para os homens e constituídos para as coisas de Deus, ressaltando a importância de estar ao serviço do povo de Deus. A primeira tarefa do Bispo é, pois, a oração, a segunda o anúncio da palavra e depois vem o resto – disse Francisco, que também acrescentou:

"Episcopado, na verdade, é o nome de um serviço, não de uma honra. Ao bispo compete mais servir que dominar, segundo o mandamento do Mestre: "Quem é o maior entre vós seja como o menor. E quem governa como quem serve – sede sempre servidores”.

E o Papa Francisco exortou ainda os bispos a serem na Igreja que lhes for confiada fiéis guardiães e administradores dos mistérios de Cristo, seguindo sempre o exemplo do Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas e é conhecido por elas e por elas não hesitou em dar vida. “Por detrás de cada carta que receberem está sempre uma pessoa, disse Francisco, ressaltando ainda:

“Amai com amor de pai e de irmão todos aqueles que Deus vos confiar. Antes de tudo, amai os sacerdotes e os diáconos (…) O primeiro próximo do Bispo é o seu presbítero, o primeiro próximo. Se tu não amas o primeiro próximo, não serás capaz de amar a todos. Próximos dos presbíteros, diáconos e dos vossos colaboradores. Mas também próximos dos pobres, os indefesos e aqueles que necessitam de acolhimento e ajuda”.

E Francisco concluiu com recomendações aos Bispos para prestarem atenção aos que ainda não pertencem ao único rebanho de Cristo, a trazerem sempre consigo a preocupação por toda a Igreja , unidos ao colégio dos bispos, e a vigiarem com amor por todo o rebanho em nome do Pai, de Jesus Cristo, seu Filho e do Espírito Santo que dá vida à Igreja e pelo seu poder nos sustenta na nossa fraqueza.
No final de suas palavras, Francisco destacou as tarefas às quais estão chamados. “Não vos esqueçais – indicou – de que a primeira tarefa do bispo é a oração” e “a segunda tarefa, o anúncio da Palavra”. “Se um bispo não reza, não poderá fazer nada”, garantiu.
Boletim da Santa Sé/zenit.org


Esta foi a mensagem do Papa Francisco no seu Twitter neste sábado, Solenidade de São José
:

19/03/2016
Inicio um novo caminho, no Instagram, para percorrer com vocês a estrada da misericórdia e da ternura de Deus.


Francisco publicou a sua primeira foto no Instagram

O Papa estreou neste sábado a sua conta oficial na popular rede social e fez um pedido em nove línguas: “Orem por mim”



O Papa Francisco estreou neste sábado a sua conta oficial no Instagram, sob o nome Franciscus, coincidindo com o terceiro aniversário da missa que marcou o início de seu pontificado e com a solenidade de São José. O Santo Padre publicou às 12h a sua primeira foto do Vaticano e fez um pedido em nove línguas aos usuários da popular rede social: “Rezem por mim”. O seu primeiro post no Instagram é uma foto de L’Osservatore Romano na qual é visto orando.

O próprio Papa anunciou a sua incursão na rede social através de sua conta oficial no Twitter, @Pontifex, com o seguinte tweet: “Começo um novo caminho, no Instagram, para percorrer com vocês o caminho da misericórdia e da ternura de Deus”. O Papa conseguiu mais de 16 mil seguidores nos primeiros 15 minutos. Até o fechamento dessa edição superou os 435 000.

“Instagram ajudará a contar o pontificado através das imagens para inserir os gestos de ternura e misericórdia para com todos os que desejam acompanhar e conhecer o pontificado do Papa Francisco”, disse o prefeito da Secretaria de Comunicação do Vaticano, mons. Dario Edoardo Viganò. “Escolheremos algumas, tentando conseguir alguns detalhes”, acrescentou.

Dessa forma, mons. Viganò disse que as fotos que serão compartilhadas na nova conta do Instragram tentarão mostrar os aspectos de “proximidade e de inclusão que o Papa vive todos os dias.”

A abertura do perfil papal ocorre depois de que em  fevereiro passado, o Santo Padre teve um encontro com o CEO do Instagram, Kevin Systrom, no Vaticano. Após o encontro com o pontífice, Systrom disse na Internet que ambos falaram do “poder das imagens para unir pessoas de diferentes culturas e línguas”.

zenit.org



Ao caminho neocatecumenal o Pontífice recordou que cada carisma existe para a comunhão - Com o respiro da Igreja

Quando se vive o carisma como graça de Deus para fazer crescer a comunhão «respira-se na Igreja e com a Igreja», recordou Francisco aos seguidores do caminho neocatecumenal, recebidos na manhã de sexta-feira, 18 de março de 2016.

Sete mil pessoas encheram a sala Paulo VI para a audiência papal, durante a qual o Pontífice com o gesto da entrega do crucifixo, enviou em missão trezentas famílias que darão vida a cinquenta e seis novas missio ad gentes em trinta países nos cinco continentes.

«Agradeço-vos, em meu nome mas também em nome de toda a Igreja – disse Francisco, dirigindo-se aos missionários prestes a partir – este gesto de ir, ir ao encontro do desconhecido e até sofrer. Porque haverá sofrimento, mas também a alegria da glória de Deus, a glória que se encontra na cruz».

No seu discurso o Papa confiou ao caminho três palavras-chave na perspectiva da missão: unidade, glória e mundo. E recordando que a última oração de Jesus antes da paixão foi pela comunhão na Igreja, advertiu sobre a tentação de se considerar «bons, talvez melhores do que os outros», alimentando assim julgamentos, fechamentos e divisões. «Cada carisma é uma graça de Deus para aumentar a comunhão» afirmou. Mas, acrescentou, «o carisma pode deteriorar-se quando nos fechamos ou nos orgulhamos, quando queremos distinguir-nos dos outros». Eis o convite a conservá-lo seguindo a «via mestra» da «unidade humilde e obidiente». A Igreja – explicou – não «é um instrumento para nós», nem «uma organização que procura seguidores, nem um grupo que vai em frente seguindo a lógica das suas ideias». Mas, ela é «uma mãe que transmite a vida recebida de Jesus»; e «esta fecundidade exprime-se através do ministério e da guia dos pastores».

Depois, o Pontífice exortou a evitar a «glória mundana», que «se manifesta quando somos importantes, admirados, quando possuímos bens e temos sucesso». Ao contrário, a glória verdadeira «revela-se na cruz: é o amor que ali resplandece e difunde-se». Trata-se de «uma glória paradoxal: sem fragor, lucro nem aplausos»; mas «só esta glória torna o Evangelho fecundo».

Por fim, Francisco recordou que «Deus não se deixa atrair pela mundanidade, aliás, detesta-a; ama o mundo que criou e ama os seus filhos no mundo». E dirigindo-se aos missionários concluiu: «Não será fácil para vós a vida nos países distantes, noutras culturas, não será fácil. Mas é a vossa missão. E fazeis isto por amor, por amor à mãe Igreja, à unidade desta mãe fecunda; fazeis para que a Igreja seja mãe e fecunda».

L’Osservatore Romano

Papa Francisco no twitter nesta sexta-feira:

18/03/2016
Quanto maior for o pecado maior deve ser o amor que a Igreja manifesta em relação àqueles que se convertem.




Papa: por trás de toda dificuldade existem pessoas concretas

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa recebeu em audiência nesta quinta-feira, (17/03/2016), na Sala Paulo VI, cerca de 3 mil universitários participantes da 8ª edição da Conferência da Universidade de Harvard nos modelos das Nações Unidas (WorldMUN), em curso em Roma.

“Estou particularmente feliz de saber que vocês representam muitas nações e culturas, e por isso simbolizam a rica diversidade de nossa família humana”, disse o pontífice em seu discurso.

“Como estudantes universitários, vocês se dedicam à busca da verdade e da compreensão, ao crescimento na sabedoria, não somente para o seu benefício, mas também para o bem de suas comunidades locais e toda a sociedade. Espero que esta experiência os leve a apreciar a necessidade e a importância de estruturas de cooperação e solidariedade que foram forjadas pela comunidade internacional durante os últimos anos. Estas estruturas são particularmente eficazes quando se destinam ao serviço dos vulneráveis e marginalizados do mundo. Rezo para que as Nações Unidas e cada um dos Estados Membros sejam sempre disponíveis  a tal serviço e zelo.”

Os problemas do mundo têm um rosto

Francisco disse aos jovens que “o maior fruto de seu estar juntos aqui em Roma não está na aprendizagem acerca da diplomacia, dos sistemas institucionais e das organizações, que são importantes e merecem o seu estudo, mas no tempo passado juntos, no encontro com as pessoas de várias partes do mundo que representam não somente os muitos desafios atuais, mas sobretudo a rica variedade de talentos e o potencial da família humana”.

O Papa disse que os assuntos e problemáticas que os participantes do encontro trataram possuem um rosto. “Cada um de vocês pode descrever as esperanças e os sonhos, os desafios e os sofrimentos que caracterizam as pessoas de seu país”, disse.

Francisco destacou que nesses dias os jovens estão aprendendo muito uns dos outros e devem se lembrar que por trás de toda dificuldade que o mundo enfrenta estão homens e mulheres, jovens e idosos, pessoas como eles.

“Existem famílias e indivíduos que vivem lutando todos os dias, que procuram cuidar de seus filhos e garantir-lhes não somente um futuro, mas também as necessidades básicas de hoje". "Ao mesmo tempo”, reiterou Francisco, “muitos daqueles que foram atingidos pelos problemas mais graves do nosso mundo atual, pela violência e pela intolerância, tornaram-se refugiados, tragicamente obrigados a abandonar as suas casas, privados de sua terra e sua liberdade”.

A força da comunidade está na compaixão

“Estas pessoas precisam de sua ajuda”, disse o pontífice aos universitários. “Eles pedem a vocês em alta voz para serem ouvidos e são dignos de seu esforço pela justiça, paz e solidariedade.”

São Paulo nos diz que devemos nos alegrar com aqueles que se alegram e chorar com os que choram. “A nossa força como comunidade, em qualquer nível de vida e organização social, se apoia não tanto em nossos conhecimentos e habilidades pessoais, mas na compaixão que temos uns pelos outros, no cuidado que temos sobretudo com aqueles que não podem cuidar de si mesmos”, disse ainda Francisco.

O Papa deseja que a experiência vivida pelos jovens aqui em Roma os leve a ver o compromisso da Igreja Católica no serviço aos pobres e refugiados, no apoio às famílias e comunidades, e na proteção da dignidade inalienável e dos direitos de todo membro da família humana.

Cuidar dos outros é um chamado universal

“Nós cristãos acreditamos que Jesus nos chama a servir os nossos irmãos e irmãs, a cuidar dos outros prescindindo de sua proveniência e circunstâncias. Todavia, esta não é somente uma tarefa dos cristãos, mas um chamado universal, arraigado em nossa humanidade comum”, frisou Francisco.

O Papa concluiu, pedindo a Deus para conceder aos estudantes a mesma felicidade que prometeu aos que têm fome e sede de justiça e trabalham pela paz.




Papa: esperança, virtude humilde e forte que nos sustenta

Cidade do Vaticano (RV) - “A esperança cristã é uma virtude humilde e forte que nos sustenta e não nos deixa afundar nas muitas dificuldades da vida.” Foi o que disse o Papa Francisco na missa matutina desta quinta-feira (17/03/2016), na Casa Santa Marta.

O Pontífice reiterou que a esperança nunca desilude. É fonte de alegria e dá paz ao nosso coração.

Jesus fala com os doutores da lei e afirma que Abraão “exultou na esperança” de ver o seu dia. O Papa Francisco se inspirou na passagem do Evangelho do dia para sublinhar que a esperança é fundamental na vida do cristão. “Abraão teve as suas tentações no caminho da esperança, mas acreditou, obedeceu ao Senhor e se colocou a caminho rumo à terra prometida”, disse o Pontífice.

A esperança nos dá alegria

“Existe um fio de esperança que une toda a história da salvação e é fonte de alegria”, disse Francisco que acrescentou:

“Hoje, a Igreja nos fala da alegria da esperança. Na primeira oração da missa pedimos a graça de Deus para que proteja a esperança da Igreja a fim de que não falhe. Paulo, falando de nosso Pai Abraão, nos diz: ‘Esperando contra toda esperança’. Quando não há esperança humana, há aquela virtude que nos leva adiante, humilde e simples, e nos dá uma alegria, às vezes uma grande alegria, às vezes somente a paz, mas a segurança de que aquela esperança não desilude. A esperança não desilude.”

“Esta alegria de Abraão, esta esperança”, prosseguiu, “cresce na história. Às vezes se esconde, não se vê; às vezes se manifesta abertamente”. Francisco cita o exemplo de Isabel grávida que exulta de alegria quando foi visitada pela sua prima Maria. “É a alegria da presença de Deus que caminha com o seu povo. E quando existe alegria, existe paz. Esta é a virtude da esperança: da alegria à paz”. “Esta esperança nunca desilude, nem mesmo nos momentos da escravidão, quando o Povo de Deus estava em terra estrangeira.”

A esperança nos sustenta

Este fio de esperança começa com Abraão, “Deus que fala a Abraão e termina com Jesus”. Francisco se deteve sobre as características desta esperança. Se, de fato, se pode dizer ter fé e caridade, é mais difícil responder sobre a esperança:

“Isto tantas vezes podemos facilmente dizer, mas quando perguntamos: ‘Você tem esperança? Você tem a alegria da esperança? ‘Mas, Padre, eu não entendo, explica-me’. A esperança, esta virtude humilde, a virtude que escorre por baixo da água da vida, mas que nos sustenta para não nos afogarmos nas muitas dificuldades, para não perdermos o desejo de encontrar Deus, de encontrar aquele rosto maravilhoso que todos nós vamos ver um dia: a esperança."

A esperança não desilude

Hoje, disse o Papa, vai ser um bom dia para pensar sobre isso: o mesmo Deus, que chamou Abraão e o fez sair da sua terra, sem saber para onde estava indo, é o mesmo Deus que vai à cruz, para realizar a promessa que fez":

“É o mesmo Deus que na plenitude dos tempos faz com que a promessa se torne uma realidade para todos nós. E o que une aquele primeiro momento a este último momento é o fio de esperança; e o que une minha vida cristã à nossa vida cristã, de um momento para outro, para ir sempre avante - pecadores, mas avante - é a esperança; e o que nos dá a paz em tempos difíceis, nos momentos mais sombrios da vida é a esperança. A esperança não desilude, está sempre ali: silenciosa, humilde, mas forte”.


Easta foi a mensagem do Papa Francisco em seu Twitter, nesta quinta-feira
:

17/03/2016
Ninguém pode ser excluído da Misericórdia de Deus. A Igreja é a casa que acolhe todos e não rejeita ninguém.


Papa Francisco: O corrupto se considera um vencedor. Naquele ambiente pavoneia-se para diminuir os outros.


E eis que nesse momento de gravíssimos acontecimentos vem muito a calhar aquelas palavras do Papa Francisco, dirigidas à delegação da associação internacional de direito penal, no dia 23 de outubro de 2014:

“A corrupção manifesta-se numa atmosfera de triunfalismo porque o corrupto se considera um vencedor. Naquele ambiente pavoneia-se para diminuir os outros. O corrupto não sente a sua corrupção. Acontece como com o mau hálito: dificilmente quem o tem se apercebe de o ter; são os outros que o sentem e que lho devem dizer. Por este motivo, o corrupto dificilmente poderá sair do seu estado por remorso interno de consciência.

A corrupção é um mal maior que o pecado. Mais do que perdoado, este mal deve ser curado. A corrupção tornou-se natural, a ponto de chegar a constituir um estado pessoal e social ligado ao costume, uma prática habitual nas transações comerciais e financeiras, nas empreitadas públicas, em cada negociação que envolva agentes do Estado. É a vitória das aparências sobre a realidade e do descaramento impudico sobre a discrição honrada.

Contudo, o Senhor não se cansa de bater à porta dos corruptos. A corrupção nada pode contra a esperança.”
zenit.org


Catequese: Papa pede que nações abram portas aos migrantes


Cidade do Vaticano (RV/Canção Nova) – Misericórdia e consolação foram as duas palavras que nortearam a reflexão do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 16.março.2016, na Praça São Pedro. A partir do tema, ele enfatizou o  drama dos migrantes e lançou novo apelo de acolhida.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

No livro do profeta Jeremias, os capítulos 30 e 31 são ditos “livro da consolação”, porque nesses a misericórdia de Deus se apresenta com toda a sua capacidade de confortar e abrir o coração dos aflitos à esperança. Hoje queremos também nós ouvir essa mensagem de consolação.

Jeremias se dirige aos israelitas que foram deportados à terra estrangeira e pré-anuncia o retorno à pátria. Este retorno é sinal do amor infinito de Deus Pai, que não abandona os seus filhos, mas cuida deles e os salva. O exílio foi uma experiência devastante para Israel. A fé havia vacilado porque em terra estrangeira, sem o templo, sem o culto, depois de ter visto o país destruído, era difícil continuar a acreditar na bondade do Senhor. Penso na vizinha Albânia e como, depois de tanta perseguição e destruição, conseguiu se reerguer na dignidade e na fé. Assim sofreram os israelitas no exílio.

Também nós podemos viver às vezes uma espécie de exílio, quando a solicitude, o sofrimento, a morte nos fazem pensar termos sido abandonados por Deus. Quantas vezes ouvimos essa palavra: “Deus se esqueceu de mim”: são pessoas que sofrem e se sentem abandonadas. E quantos nossos irmãos estão vivendo neste tempo uma real e dramática situação de exílio, distantes da sua pátria, tendo nos olhos os escombros de suas casas, no coração o medo e, muitas vezes, infelizmente, a dor pela perda de pessoas queridas! Nestes casos, alguém pode se perguntar: onde está Deus? Como é possível que tanto sofrimento possa se abater sobre os homens, mulheres e crianças inocentes? E quando procuram entrar em qualquer outra parte lhe fecham a porta. E estão ali, na fronteira porque tantas portas e tantos corações estão fechados. Os migrantes de hoje que sofrem o frio, sem comida e não podem entrar, não sentem a acolhida. Gosto tanto de ouvir quando vejo as nações, os governantes que abrem o coração e abrem as portas!

O profeta Jeremias nos dá uma primeira resposta. O povo exilado poderá voltar a ver sua terra e experimentar a misericórdia do Senhor. É o grande anúncio de consolação: Deus não está ausente nem hoje nestas dramáticas situações, Deus está próximo e faz obras grandes de salvação para quem confia Nele. Não se deve ceder ao desespero, mas continuar a ser seguro de que o bem vence o mal e que o Senhor enxugará cada lágrima e nos libertará de todo medo. Por isso Jeremias empresta a sua voz às palavras de amor de Deus pelo seu povo:

“De longe me aparecia o Senhor:
amo-te com eterno amor,
e por isso a ti estendi o meu favor.
Reconstruir-te-ei, e serás restaurada, ó virgem de Israel!
Virás, ornada de tamborins, participar de alegres danças” (31, 3-4)

O Senhor é fiel, não abandona à desolação. Deus ama com um amor sem fim, que nem mesmo o pecado pode frear, e graças a Ele o coração do homem se enche de alegria e de consolação.

O sonho consolante do retorno à pátria continua nas palavras do profeta, que dirigindo-se a quantos retornarão a Jerusalém, diz:

“Regressarão entre gritos de alegria às alturas de Sião
acorrendo aos bens do Senhor:
ao trigo, ao mosto e ao óleo,
ao gado menor e ao maior.
Sua alma se assemelha a jardim bem regado,
e sua fraqueza cessará” (31, 12).

Na alegria e no reconhecimento, os exilados voltarão a Sião, saindo sobre o monte santo rumo à casa de Deus e assim poderão de novo levantar hinos e orações ao Senhor que os libertou. Este retornar a Jerusalém e aos seus bens é descrito com um verbo que literalmente quer dizer “afluir, socorrer”. O povo é visto, em um movimento paradoxal, como um rio em cheia que flui rumo à altura de Sião, movendo em direção ao topo da montanha. Uma imagem corajosa para dizer quanto é grande a misericórdia do Senhor!

A terra, que o povo tinha sido obrigado a abandonar, tinha se tornado vítima de inimigos e desolados. Agora, em vez disso, retoma a vida e refloresce. E os exilados serão como um jardim irrigado, como uma terra fértil. Israel, levado novamente à pátria pelo seu Senhor, assiste à vitória da vida sobre a morte e da benção sobre a maldição.

É assim que o povo é fortificado e consolado por Deus. Esta palavra é importante: consolado! Os repatriados recebem vida de uma fonte que, gratuitamente, os irriga.

A este ponto, o profeta anuncia a plenitude da alegria e sempre, em nome de Deus, proclama:

“Transformar-lhes-ei o luto em regozijo,
e os consolarei após o sofrimento e os alegrarei” (31, 13).

O salmo nos diz que, quando voltaram à pátria, a boca se enche de sorriso; é uma alegria tão grande! É o dom que o Senhor quer dar também a cada um de nós, com o seu perdão que converte e reconcilia.

O profeta Jeremias nos deu o anúncio, apresentando o retorno dos exilados como um grande símbolo da consolação dada ao coração que se converte. O Senhor Jesus, por sua parte, levou a cumprimento esta mensagem do profeta. O verdadeiro e radical retorno do exílio e a confortante luz depois da escuridão da crise de fé se realiza na Páscoa, na experiência cheia e definitiva do amor de Deus, amor misericordioso que dá alegria, paz e vida eterna.

Papa indica preparação para a Jornada Mundial da Juventude

Cidade do Vaticano (RV) – As saudações do Papa aos fiéis de língua árabe e polonesa trouxeram mensagens especiais durante a Audiência geral da quarta-feira (16/03/2016).

Ao recordar os jovens poloneses reunidos em Cracóvia no evento jubilar “Jovens e Misericórdia”, Francisco orientou como deve ser a preparação para a Jornada Mundial da Juventude, em julho:

“Passando pela Porta da Misericórdia, celebrando o sacramento da penitência, recolhendo-se em adoração do Santíssimo Sacramento e na meditação sobre o Bom Samaritano, vocês seguem Cristo misericordioso”.

E acrescentou: “Acolhendo os seus coetâneos durante a próxima JMJ, para que sejam autênticos testemunhos de Cristo”.

Oriente Médio

Durante a reflexão geral, Francisco recordou os exilados de hoje, os migrantes que encontram as portas fechadas na Europa. E, na hora da saudação em árabe, ao dirigir-se em especial aos peregrinos do Oriente Médio, bandeiras da Palestina flamularam na Praça São Pedro.

“A consolação do Senhor está próxima a quem sabe atravessar a dolorosa noite da dúvida, apegando-se e esperando na aurora da misericórdia de Deus, que toda a obscuridade e a injustiça não poderão derrotar jamais”.

Também, nesta quarta-feira o Santo Padre escreveu em seu Twitter
:

16/03/2016
Ao sair do confessionário, sentiremos a sua força que volta a dar vida e o entusiasmo da fé. Depois da confissão renascemos.


Papa anuncia data de canonização de Madre Teresa


Cidade do Vaticano (RV) – Madre Teresa de Calcutá será inscrita no álbum dos Santos no domingo, 4 de setembro. Foi o que anunciou o Papa na manhã desta terça-feira, (15/03/2016), durante um Consistório.

Francisco dispôs ainda as datas para a canonização de outros novos quatro futuros santos:

Em 5 de junho: Estanislau de Jesus Maria (João Papczyński) e Maria Elisabeth Hesselblad

Em 16 de outubro: José Sánchez Del Río e José Gabriel Del Rosario Brochero

"Milagre brasileiro"

O milagre que elevará Madre Teresa à glória máxima dos altares foi reconhecido pelo Vaticano e atribuído à futura santa pela cura inexplicável de um brasileiro, hoje com 40 anos.

A Rádio Vaticano contatou, em Santos (SP), o Padre Caetano Rizzi, promotor de Justiça no processo diocesano que avaliou o caso do miraculado por intercessão de Madre Teresa.


Tweet do Papa Francisco nesta terça-feira:

15/03/2016
O Pai é deveras «rico em misericórdia» e difunde-a em abundância sobre quantos a Ele recorrem com coração sincero.


Papa: Crucifixo não é ornamento, é Mistério do 'aniquilamento'

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco iniciou suas atividades esta terça-feira, (15/03/2016), celebrando a Missa na Casa Santa Marta.

Em sua homilia, Francisco falou de um animal que, na Bíblia, se refere à história da salvação: a serpente. Trata-se do primeiro animal citado no Gênesis e o último no Apocalipse. Um animal que, nas Escrituras, é símbolo poderoso de danação e misteriosamente, afirmou o Papa, de redenção.

Para explicar esse simbolismo, o Pontífice entrelaçou a leitura extraída do Livro dos Números com o trecho do Evangelho de João. A primeira contém o célebre passo do povo de Israel que, cansado de vagar pelo deserto com pouco comida, insulta Deus e Moisés. Também aqui os protagonistas são as serpentes, por duas vezes. Primeiramente, são lançadas do céu contra o povo infiel, que semeiam medo e morte até que a multidão implora a Moisés para que peça perdão. E depois, entra em cena outra serpente:

“Deus diz a Moisés: ‘Faze uma serpente abrasadora (de bronze) e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá’. É misterioso: O Senhor não deixa as serpentes morrerem. Mas se uma delas fizer mal a uma pessoa, que olhe para aquela serpente de bronze e se curará. Elevar a serpente”.

EU SOU

O verbo “elevar”, ao contrário, está no centro do duro confronto entre Cristo e os fariseus descrito no Evangelho. A um certo ponto, Jesus afirma: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, estão sabereis que EU SOU. Antes de mais nada, pontua Francisco, “EU SOU” é também o nome que Deus havia dado a Si mesmo a Moisés para que comunicasse aos israelitas. E ainda, acrescenta o Papa, existe aquela expressão que retorna: “Elevar o Filho do Homem”.

“A serpente, símbolo do pecado. A serpente que mata. Mas uma serpente que salva. E este é o Mistério do Cristo. Paulo, falando deste Mistério, diz que Jesus esvaziou a si mesmo, humilhou a si mesmo, aniquilou-se para nos salvar. É ainda mais forte: ‘Fez-Se pecado’. Usando este símbolo fez-Se serpente. Esta é a mensagem profética das Leituras de hoje. O Filho do Homem, que como uma serpente, ‘feito pecado’, é elevado para nos salvar”.

Esta, diz o Papa, “é a história da nossa redenção, esta é a história do amor de Deus. Se nós queremos conhecer o amor de Deus, olhemos ao Crucifixo: um homem torturado”, um Deus, “esvaziado da divindade, sujo pelo pecado”. Mas um Deus que, conclui, aniquilando-se destrói para sempre o verdadeiro nome do mal, aquele que o Apocalipse chama “a serpente antiga”:

“O pecado é obra de Satanás e Jesus vence Satanás ‘fazendo-Se pecado’ e de lá eleva todos nós. O Crucifixo não é um ornamento, não é uma obra de arte, com tantas pedras preciosas, como se vê por aí: o Crucifixo é o Mistério do ‘aniquilamento’ de Deus, por amor. E aquela serpente que no deserto profetiza a salvação: elevado e quem quer que o olhe será curado. E isso não foi feito com a varinha mágica de um deus que faz coisas: não! Foi feito com o sofrimento do Filho do Homem, com o sofrimento de Jesus Cristo!”.



Papa: quantos “vales tenebrosos”, mas o Senhor está conosco

Cidade do Vaticano (RV) – O sem-teto morto de frio em Roma, as irmãs de Madre Teresa assassinadas no Iêmen, as pessoas que adoecem na “Terra do fogo”, perto de Nápoles. Na missa da manhã desta segunda-feira (14/03/2016), o Papa citou alguns fatos dramáticos dos últimos dias. Diante destes “vales tenebrosos”, disse Francisco, a única resposta é confiar em Deus.

O Pontífice se inspirou na primeira leitura do dia, extraída do Livro de Daniel, em que Susana, uma mulher justa difamada pelas más intenções de dois juízes, prefere confiar em Deus e escolhe morrer inocente a fazer o que aqueles dois homens queriam.

Quantos vales tenebrosos

O Senhor, disse o Papa, sempre caminha conosco, nos quer bem e não nos abandona. E dirige o seu olhar aos “vales tenebrosos” do nosso tempo:

“Quando nós, hoje, olhamos para os muitos vales obscuros, tantas desgraças, tanta gente que morre de fome, de guerra, crianças com problemas, tantas.... você pergunta aos pais: ‘Mas que doença ele tem?’ – ‘Ninguém sabe: se chama doença rara’. Pensemos nos tumores da Terra do fogo … Quando você vê tudo isso, pergunta: onde está o Senhor? O Senhor caminha comigo? Este era o sentimento de Susana. Também o nosso. Você vê essas quatro freiras trucidadas: serviam por amor e acabaram trucidadas por ódio! Quando você vê que se fecham as portas aos prófugos e eles ficam ao relento, com o frio... Mas Senhor, onde você está?”

Por que uma criança sofre?

“Como posso confiar no Senhor – retomou o Papa – se vejo todas essas coisas? E quando as coisas acontecem comigo, cada um de nós pode dizer: mas como me entrego ao Senhor?” “A esta pergunta há uma resposta”, disse Francisco: “Não se pode explicar, eu não sou capaz”:

“Por que uma criança sofre? Não sei: para mim é um mistério. Somente Jesus no Getsêmani me traz uma luz – não à mente, mas à alma: ‘Pai, este cálice, não. Mas seja feita a Sua vontade’. Entrega-se à vontade do Pai. Jesus sabe que tudo não termina com a morte ou com a angústia, e a última palavra da Cruz: ‘Pai, confio-me em Suas mãos!’, e morre assim. Entregar-se a Deus, que caminha comigo, que caminha com o meu povo, que caminha com a Igreja. E este é um ato de fé. Eu me entrego. Não sei: não sei porque isso acontece, mas eu confio. Você saberá porquê”.

O mal não é definitivo

E este, disse, “é o ensinamento de Jesus: quem se entrega ao Senhor que é Pai, não precisa de mais nada”. Ainda que caminhe por um vale tenebroso, acrescentou, “sabe que o mal é um mal momentâneo, o mal definitivo não existirá porque o Senhor ...‘porque Tu estás comigo. O Teu bastão e o Teu cajado me deixam tranquilo”. Esta, destacou, “é uma graça” que devemos pedir: “Senhor, ensinai-me a entregar-me nas Tuas mãos, a confiar em sua guia, mesmo nos maus momentos, nos momentos tenebrosos, no momento da morte”:

“Hoje nos fará bem pensar à nossa vida, aos problemas que temos e pedir a graça de nos entregarmos nas mãos de Deus. Pensar em tantas pessoas que não recebem um último carinho na hora de morrer. Três dias atrás morreu um aqui, nas ruas, um sem-teto: morreu de frio. Em plena Roma, uma cidade com todas as possibilidades para ajudar. Por que, Senhor? Sequer um carinho… Mas eu me entrego, porque Tu não desiludes”.

“Senhor – concluiu o Papa – não Te entendo. Esta é uma bela oração. Mesmo sem entender, me entrego nas Tuas mãos”.

O Papa publicou nesta segunda-feira em seu Twitter
:

14/03/2016
O Sacramento da Reconciliação permite que nos aproximemos com confiança do Pai para ter a certeza do seu perdão.



Papa: Deus não nos identifica com o mal que cometemos


Cidade do Vaticano (RV/zenit.org) - O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (13/03/2016), com os fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste quinto domingo da Quaresma (cf. Jo 8,1-11) é muito bonito. Eu gosto muito de lê-lo e relê-lo. Apresenta a história da mulher adúltera, destacando o tema da misericórdia de Deus, que nunca quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. A cena se passa na esplanada do Templo.

Imagine-a ali, na praça [da Basílica de São Pedro]. Jesus está ensinando as pessoas, e então chegam alguns escribas e fariseus que arrastam perante Ele uma mulher apanhada em adultério. Aquela mulher encontra-se assim entre Jesus e a multidão (cf. v. 3), entre a misericórdia do Filho de Deus e a violência, a fúria de seus acusadores. Na verdade, eles não vieram ao Mestre para pedir sua opinião – eram más pessoas – mas para colocar-lhe uma armadilha. De fato, se Jesus seguir a severidade da lei, aprovando a lapidação da mulher, perderá a sua fama de manso e de bondade que tanto fascina as pessoas; se, pelo contrário, for misericordioso, deverá ir contra a lei, que Ele mesmo disse que não veio para abolir mas para cumprir (cf. Mt 5, 17). E Jesus é colocado nesta situação.

Esta má intenção se esconde sob a pergunta feita a Jesus: “O que você acha?” (V. 5). Jesus não responde, cala e realiza um gesto misericordioso: “abaixou-se e começou a escrever com o dedo na terra” (v. 7). Talvez fossem desenhos, alguns dizem que escrevia os pecados dos fariseus … de qualquer maneira, escrevia, era como se estivesse em outro lugar. Desta forma convida todos à calma, a não agir na impulsividade, e a procurar a justiça de Deus. Mas eles, os maus, insistem e esperam Dele uma resposta. Parecia que tinham sede de sangue. Então Jesus levantou o olhar e disse: “Quem estiver sem pecado, jogue a primeira pedra” (v. 7). Esta resposta quebra os acusadores, desarmando-os no verdadeiro sentido da palavra: todos depuseram as “armas”, isto é, as pedras prontas para serem jogadas, tanto aquelas visíveis contra a mulher, quanto aquelas escondidas contra Jesus. E enquanto o Senhor continua a escrever na terra, a fazer desenhos, não sei…, os acusadores vão saindo um por um, começando pelos mais velhos, mais conscientes de não estarem sem pecado. Quanto bem nos faz sermos conscientes de que também nós somos pecadores! Quando falamos dos demais – tudo coisas que conhecemos bem – , quando bem nos fará ter a coragem de deixar cair por terra as pedras que temos para jogar nos demais, e pensar um pouco nos nossos pecados!

Ficaram lá, sozinhos, a mulher e Jesus: a miséria e a misericórdia, um diante do outro. E isso, quantas vezes nos acontece quando paramos diante do confessionário, com vergonha, para mostrar a nossa miséria e pedir o perdão! “Mulher, onde estão?” (v.10), lhe diz Jesus. E basta esta constatação, e o seu olhar cheio de misericórdia, cheio de amor, para mostrar àquela pessoa – talvez pela primeira vez – que tem uma dignidade, que ela não é o seu pecado, ela tem uma dignidade de pessoa; que pode mudar de vida, pode sai das suas escravidões e caminhar em um novo caminho.

Queridos irmãos e irmãs, aquela mulher representa todos nós, que somos pecadores, ou seja, adúlteros diante de Deus, traidores de sua lealdade. E a sua experiência representa a vontade de Deus para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação através de Jesus. Ele é a graça, que salva do pecado e da morte. Ele escreveu na terra, no pó com o qual é feito todo homem (cf. Gen 2,7), a sentença de Deus: “Não quero que morras, mas que vivas”. Deus não nos prega no nosso pecado, não nos identifica com o mal que realizamos. Temos um nome, e Deus não identifica este nome com o pecado que cometemos. Quer libertar-nos, e quer que também nós o queiramos junto com ele. Quer que a nossa liberdade se transforme do mal para o bem, e isso é possível – é possível! – com a sua graça.

Que a Virgem Maria nos ajude a confiar-nos totalmente à misericórdia de Deus, para se tornar novas criaturas.

Tweet do Santo Padre:

13/03/2016
Rezem por mim.
12/03/2016
... para que as famílias em dificuldade recebam os apoios necessários e as crianças possam crescer em ambientes saudáveis e serenos.


Papa: amar é serviço concreto, humilde e em silêncio

Sábado, dia 12 de março de 2016, audiência jubilar com o Papa Francisco na Praça de S. Pedro: milhares de fiéis saudaram o Santo Padre e ouviram a sua catequese sobre Misericórdia e Serviço.

Tomando como estímulo da sua reflexão o capítulo 13 do Evangelho de S. João nos versículos 12 a 14 em que Jesus lava os pés aos seus discípulos e lhes diz “fazei-o também vós uns aos outros”, o Papa Francisco recordou que, ao aproximar-se a Páscoa, somos convidados a relembrar o gesto marcante que Jesus realizou antes da sua Paixão: o lava-pés.

Ao lavar os pés aos seus discípulos, Ele revela o modo como Deus age conosco e, ao mesmo tempo, dá-nos o exemplo do seu “novo mandamento”, para nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou – afirmou o Papa.

Jesus indicava assim que o caminho para viver a nossa fé e dar testemunho do seu amor é o serviço. De facto, amar significa oferecer aos irmãos um serviço concreto, humilde, feito no silêncio – declarou o Santo Padre.

Supõe colocar à disposição os dons que o Espírito Santo nos deu e partilhar os nossos bens materiais para que ninguém passe necessidade.

O lava-pés significa, assim, confessar uns aos outros as nossas faltas e rezar para que saibamos perdoar de coração. Assim, seguindo Jesus pelo caminho do serviço, seremos misericordiosos como o Pai – sublinhou o Papa no final da sua catequese tendo recordado a carta de uma pessoa que lhe agradecia pelo Ano da Misericórdia e que contava assistir na doença a mãe e um irmão. O Santo Padre disse que este é um exemplo de “lavar os pés” e amar no serviço.

O Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Uma saudação cordial a todos os peregrinos de língua portuguesa. Queridos amigos, nesta última etapa da quaresma, desejo-vos um serviço generoso aos irmãos que ajude a abrir-vos à luz pascal. E peço-vos para rezardes a fim de que as portas da misericórdia se abram em todos os corações. Abençoo-vos a vós e às vossas comunidades.”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção.


Papa: solicitude da Igreja aos que esperam verificação da situação matrimonial

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã deste sábado (12/3/2016), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de setecentos participantes do curso de formação sobre o novo processo matrimonial e o procedimento super rato (ausência de consumação), promovido pelo Tribunal da Rota Romana.

“Durante o recente percurso sinodal sobre a família, emergiram grandes expectativas para tornar mais ágil e eficaz os procedimentos para a declaração de nulidade matrimonial. Muitos fieis, de fato, sofrem por causa do fim de seu matrimônio e muitas vezes são oprimidos pela dúvida se o casamento foi válido ou não. Se perguntam se havia algo nas intenções ou nos fatos que impedissem a realização efetiva do sacramento. Estes fieis, em muitos casos, encontravam dificuldades em ter acesso às estruturas jurídicas eclesiais e sentiam a exigência de que os procedimentos fossem simplificados”, disse o pontífice em seu discurso.

“A caridade e a misericórdia, além da reflexão sobre a experiência, motivaram a Igreja a tornar-se ainda mais próxima a estes seus filhos, indo ao encontro de seu desejo legítimo de justiça. Em 15 de agosto passado, foram promulgados os documentos Mitis Iudex Dominus Iesus e Mitis et Misericors Iesus, que recolhem os frutos do trabalho da comissão especial instituída em 27 de agosto de 2014. Tais procedimentos têm um objetivo eminentemente pastoral: mostrar a solicitude da Igreja para com os fieis que esperam uma avaliação rápida de sua situação matrimonial.”

Francisco disse ainda que “foi abolida a sentença dupla conforme e deu-se início ao processo breve, recolocando no centro a figura e o papel do bispo diocesano, ou do Eparca no caso das Igrejas Orientais, como juiz das causas. Valorizou-se ulteriormente o papel do bispo ou do Eparca em matéria matrimonial. De fato, além da verificação por via administrativa, rato e não consumado, ele tem a responsabilidade da via judiciária para verificar a validade do vínculo”.

“É importante que a nova normativa seja acolhida e aprofundada, especialmente pelos membros dos Tribunais eclesiásticos para prestar um serviço de justiça e caridade às famílias. Para muita gente que viveu uma experiência matrimonial infeliz, o averiguar a validade ou não do matrimônio é uma possibilidade importante; e estas pessoas devem ser ajudadas a percorrer o mais rápido possível esta estrada.”

Francisco encorajou os participantes a conservarem como um tesouro o que estão aprendendo nestes dias e agir mantendo sempre fixo o olhar na salus animarum que é a lei suprema da Igreja.

“A Igreja é mãe e quer mostrar a todos o rosto do Deus fiel ao seu amor, misericordioso e sempre capaz de dar novamente força e esperança”, disse ainda o Papa. “O que mais está em nosso coração, em relação aos separados que vivem uma segunda união, é a sua participação na comunidade eclesial. Enquanto curamos as feridas daqueles que pedem a verificação da verdade sobre o seu matrimônio falido, olhamos com admiração para aqueles que, mesmo em condições difíceis, permanecem fieis ao vínculo sacramental. Estas testemunhas da fidelidade matrimonial devem ser incentivadas e tidas como exemplos a imitar. Quantos homens e mulheres suportam coisas difíceis para não destruir a família, para serem fieis na saúde e na doença, nas dificuldades e na vida tranquila. É a fidelidade”, frisou o Papa.

Francisco agradeceu aos participantes do curso pelo seu compromisso em favor da justiça e os exortou a vivê-lo não como uma profissão ou pior como um poder, mas como um serviço às almas, especialmente aquelas que estão feridas.


Francisco confia intenções de oração para março

Cidade do Vaticano (RV) – Foi divulgado nesta quinta-feira (10/03), o vídeo em que o Papa confia as suas intenções de oração ao Apostolado da Oração para o mês de março.

A família é um dos bens mais preciosos da humanidade, afirma o Pontífice.

- Mas não será também o mais vulnerável?, questiona Francisco.

Ao afirmar que quando a família não é protegida e surgem as dificuldades econômicas, de saúde, de qualquer tipo, as crianças crescem em situações difíceis, o Papa faz a seguinte proposta:

“Quero partilhar com todos e com Jesus a minha intenção deste mês: para que as famílias em dificuldade recebam os apoios necessários e as crianças possam crescer em ambientes saudáveis e serenos”.

Assista ao vídeo: https://youtu.be/C5B4xNuQn-w


Papa Francisco em retiro espiritual em Ariccia desde de domingo, 6 de março de 2016, publicou em seu Twitter
:

09/03/2016
Deus nos acariciou com a sua Misericórdia: levemos aquela carícia aos demais, aos que têm necessidade.

08/03/2016
Pequenos gestos de amor, de ternura, de cuidado, que fazem pensar que o Senhor está conosco e assim abre-se a porta da Misericórdia.











Pe. Lombardi: Francisco, líder crível


Cidade do Vaticano, 8.março.2016 (RV) - Celebra-se no próximo domingo, 13 de março, o terceiro aniversário da eleição de Jorge Mario Bergoglio à Cátedra de Pedro. A nossa emissora entrevistou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, que faz um balanço do Pontificado, com atenção aos desafios que Francisco está enfrentando neste momento.

Pe. Lombardi: “Tenho a impressão de que a credibilidade do Papa cresce como mestre da Igreja e da humanidade, numa perspectiva global, porque durante este ano o Papa tocou quase todos os continentes. Está presente num horizonte global e trata com credibilidade as questões da humanidade e da Igreja de hoje. Fala sobre os temas da paz e da guerra que tocam realmente todos. Fala sobre os grandes temas da sociedade atual no contexto da globalização, ‘a cultura do descarte’, a justiça e a participação. Na Encíclica ‘Laudato si’ conseguiu dar uma visão global das perguntas urgentes e cruciais da humanidade de hoje e da humanidade de amanhã. Este é o aspecto que eu vejo, ou seja, que a humanidade olha ao Papa Francisco como uma pessoa que ajuda a encontrar a orientação, a encontrar mensagens de referência numa situação de grande incerteza. Um líder e mestre crível que fazendo o seu serviço, de caráter especificamente religioso e moral, dá uma ajuda eficaz. É ouvido pelos potentes da terra. Para ele, os potentes e pobres são igualmente importantes e necessários para olhar ao caminho da humanidade rumo ao amanhã.”

A misericórdia é o coração deste terceiro ano de Pontificado ou talvez de todo o ministério petrino de Francisco. Quais são os traços marcantes que o Papa está dando a este Jubileu?

Pe. Lombardi: “Efetivamente, acredito que este tema do anúncio do amor de Deus nesta palavra específica da misericórdia, este anúncio da presença e proximidade do amor de Deus seja a característica da mensagem e do serviço que o Papa Francisco dá à humanidade. Isto desde o início de seu Pontificado. Ele encontrou esta forma, vamos dizer, nova e original de um Jubileu que é um Jubileu espalhado pelo mundo. Não é um jubileu centralizado: Roma é como o coração natural do caminho da Igreja, mas a misericórdia de Deus pode ser encontrada passando pelas portas que se encontram em todos os lugares do mundo. As obras de misericórdia corporais e espirituais dão também concretude a esta atenção aos pobres, às periferias, às pessoas descartadas e objeto de marginalização aos quais o Papa sempre dedicou a sua atenção porque estão no coração de Cristo e do Evangelho. Com este Jubileu, estamos no coração espiritual deste Pontificado que é o Pontificado de uma espiritualidade que encarna, porque se traduz imediatamente em obras de caridade.”

No Angelus de 8 de novembro passado, Francisco disse que “Vatileaks 2” não tira a sua atenção do trabalho de reforma que prossegue com confiança. Por que para o Papa a reforma é tão importante?

Pe. Lombardi: “A reforma é uma tarefa permanente na Igreja, ‘Ecclesia semper reformanda’, isso porque ninguém pode pensar ser perfeitamente fiel ao Evangelho e suas exigências profundas. O Papa, vindo de longe, dá uma perspectiva nova e tem uma grande capacidade de ver todas as expectativas de renovação da Igreja e suas estruturas de governo em função da missão universal, e ir ao encontro das exigências da Igreja em várias partes do mundo. Esta é uma tarefa que o Papa sabe que lhe foi confiada pelos cardeais quando o elegeram Pontífice. Durante as congregações, antes do Conclave, disseram a ele e o Papa sabe disso, e o faz com uma perspectiva espiritual muito característica e importante para entender bem aquilo que faz; num clima de busca contínua de obediência ao Espírito Santo que o leva a enfrentar os problemas com espírito de obediência ao Evangelho, confiança, esperança e liberdade. Os Sínodos são característicos deste comportamento e ter enfrentado um tema central como o da família nos Sínodos mostra o desejo de ir com confiança e coragem ao coração das grandes questões pastorais da vida cristã, encarnada no cotidiano, deixando-se interpelar pelos problemas apresentados pelo tempo de hoje, mas sempre guiado pelo Evangelho.”

Também este ano, não obstante a grande popularidade, não faltaram críticas ao Papa, inclusive de ambientes católicos. Como o senhor explica isso?

Pe. Lombardi: “Explico simplesmente com o fato de que o caminhar em terrenos novos, buscar responder a questões que são colocadas com urgência por um mundo que está mudando, é algo que naturalmente provoca preocupação, temor e incerteza. Caminha-se num campo que, em muitos aspectos, é obscuro. Por isso, o mover-se com coragem, apoiando-se na fé e na esperança, na convicção de que o Espírito Santo acompanha a Igreja no colocar em prática a vontade de Deus no tempo novo, não é assim simples. Nisso, o Papa certamente é um mestre que nos guia, com coragem e realidade. Ele mesmo disse muitas vezes que ao colocar a Igreja a caminho ele não saiba com clareza total qual seria o ponto de chegada ou qual o desígnio global que deve ser alcançado. Não, ele sabe que se coloca a caminho, mas muitas vezes sem saber exatamente para onde. Essa é também a condição de Abraão, a condição do caminho na fé desde sempre.”

Dentre os vários momentos e imagens deste terceiro aniversário de Pontificado existe um que o senhor recorda com emoção particular?

Pe. Lombardi: “São muitos. É um Pontificado tão infinitamente rico de gestos concretos e imagens particulares que identificar um não sei, não sou capaz. Porém, existe uma categoria de experiências e também de imagens e gestos que considero característico: a atenção aos doentes, o abraçar os sofredores. O fato de que o Papa saiba manifestar de maneira concreta e livre, e com gestos físicos a sua proximidade é um sinal que deixa transparecer a proximidade de Deus. São gestos que falam realmente a toda a humanidade e nos toca profundamente. Somos imensamente gratos a ele.”


Papa: greco-católicos ucranianos exemplo de fidelidade nas tribulações

Cidade do Vaticano, 7.março.2016 (RV) - Gratidão e reconhecimento à Igreja greco-católica ucraniana que, nas tribulações, manteve-se sempre fiel à Igreja e ao Sucessor de Pedro. É o que escreve o Papa Francisco em uma mensagem à Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, Arcebispo-Mor de Kiev-Halyč por ocasião da triste comemoração dos 70 anos do pseudo-sínodo de Lviv, que, em 1946, colocou na ilegalidade a Igreja greco-católica ucraniana. O Arcebispo Shevchuk foi recebido sábado, no Vaticano, pelo Papa junto com os membros do Sínodo Permanente da Igreja greco-católica ucraniana.

“Setenta anos atrás, – disse o Papa Francisco na sua mensagem aos greco-católicos ucranianos - o contexto ideológico e político, bem como as ideias contrárias à própria existência da sua Igreja, levaram à organização de um pseudo-Sínodo em Lviv, provocando nos Pastores e nos fiéis décadas de sofrimento”. Na triste “recordação desses eventos”, continua o Papa, “inclinamos nossas cabeças com profunda gratidão àqueles que, também à custa de tribulações e até mesmo do martírio, no decorrer do tempo testemunharam a fé, vivida com dedicação na sua igreja e em união indefectível com o Sucessor de Pedro”.

Reconhecimento aos greco-católicos ucranianos pela sua fidelidade

Ao mesmo tempo, escreve o Papa, “com os olhos iluminados pela mesma fé, olhamos para o Senhor Jesus Cristo, colocando n’Ele, e não na justiça humana, toda a nossa esperança. Ele é a verdadeira fonte de nossa confiança para o presente e para o futuro, pois temos certeza de que somos chamados a anunciar o Evangelho também em meio a quaisquer sofrimentos ou dificuldades”. Francisco, então expressa “profunda gratidão” pela fidelidade dos greco-católicos ucranianos e encoraja-os a serem “testemunhas incansáveis daquela esperança que faz com que torne mais luminosa a nossa existência e de todos os irmãos e irmãs em torno a nós”.

Solidariedade a pastores e fiéis em tempo de guerra e tribulações

O Papa também renova a sua “solidariedade aos Pastores e fiéis por aquilo que eles estão fazendo neste momento difícil, marcado pelas dificuldades da guerra, para aliviar os sofrimentos da população e buscar os caminhos da paz para a querida terra ucraniana”. “No Senhor - conclui - estão a nossa coragem e a nossa alegria. É a ele a quem me dirijo, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos mártires da sua Igreja, para que a consolação divina ilumine os rostos de suas comunidades na Ucrânia e em outras partes do mundo”.

Segunda-feira, Tweet do Papa Francisco:

07/03/2016
O meu dia-a-dia, as minhas atitudes, o modo de andar na vida deve ser um sinal concreto do facto que Deus está próximo de nós.



Início dos Exercícios Espirituais do Papa em Ariccia

Começou na tarde deste domingo, 6.março.2016, na Casa do Divino Mestre na cidade de Ariccia, os Exercícios Espirituais para o Papa e Curia Romana nesta Quaresma de 2016.

A guiar as meditações está o padre Ermes Ronchi, sacerdote da região italiana de Friuli Venezia Giulia da Ordem dos Servos de Maria. Participam neste retiro cerca de sessenta membros da Cúria Romana entre responsáveis de dicastérios, bispos e cardeais.

O Santo Padre e os membros da Curia Romana partiram do Vaticano de ônibus por volta dass 16 horas. Os Exercícios Espirituais iniciaram-se às 18 horas com a Adoração Eucarística.
Radio Vaticano





Papa Francisco no Angelus: Misericordiosos como o Pai

6 de março de 2016, Cidade do Vaticano (RV/zenit.org) – No Angelus na Praça de S. Pedro o Papa Francisco afirmou que a leitura do Evangelho de S. Lucas neste IV Domingo da Quaresma revela-nos o coração de Deus, o Pai Misericordioso.

Leia na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 No décimo quinto capítulo do Evangelho de Lucas, encontramos as três parábolas da misericórdia: a da ovelha perdida (vv. 4-7), a da moeda reencontrada (vv 8-10.), e a grande parábola do filho pródigo, ou melhor, do pai misericordioso (vv. 11-32). Hoje, seria bom que cada um de nós pegasse o Evangelho, este capítulo XV do Evangelho de Lucas, e lesse as três parábolas. Dentro do itinerário quaresmal, o Evangelho apresenta-nos esta última parábola do Pai misericordioso, que tem como protagonista um pai com os seus dois filhos. A narração nos apresenta algumas características desse pai: é um homem sempre pronto a perdoar e que espera contra toda esperança. Impressiona, principalmente, a sua tolerância perante a decisão do filho mais jovem de sair de casa: poderia ter se oposto, sabendo a sua imaturidade, um jovem moço, ou procurar algum advogado para não dar-lhe a herança, estando ainda vivo. Mas, pelo contrário permite-lhe partir, ainda prevendo os possíveis riscos. Assim atua Deus conosco: nos deixa livres, também para errar, porque criando-nos nos deu o grande dom da liberdade. Depende de nós fazer um bom uso. Este dom da liberdade que Deus nos dá sempre me admira!

Mas a separação daquele seu filho é só física; o pai o leva sempre no coração; espera confiante o seu retorno; procura pelo caminho na esperança de vê-lo. E um dia o vê aparecer no horizonte (cf. v. 20). Mas isso significa que esse pai, a cada dia, subia no telhado para ver se o filho voltava! Portanto, se comove ao vê-lo, corre ao seu encontro, o abraça, o beija. Quanta ternura! E este filho tinha errado feio. Mas o pai o acolhia assim mesmo.

A mesma atitude o pai também tem com o filho maior, que sempre permaneceu em casa, e agora, está indignado e protesta porque não entende e não compartilha toda aquela bondade com o irmão que tinha errado. O pai sai ao encontro também deste filho e lhe recorda que eles sempre estiveram juntos, compartilhando tudo (v. 31), mas é preciso acolher com alegria o irmão que finalmente voltou para casa. E isso me faz pensar uma coisa: quando alguém se sente um pecador, se sente realmente pequeno, ou, como ouvi alguém dizer – muitos – : “Pai, eu sou uma sujeira!”, então é o momento de ir ao Pai. Pelo contrário quando alguém se sente justo – “Sempre fiz as coisas bem…” – igualmente o Pai vem procurar-nos porque aquela atitude de sentir-se justo é uma atitude má: é a soberba! Vem do diabo. O Pai espera aqueles que se reconhecem pecadores e vai procurar aqueles que se sentem justos. Esse é o nosso Pai!

Nesta parábola também é possível vislumbrar um terceiro filho. Um terceiro filho? E onde? Está escondido! E aquele que “não considera um privilégio ser como [o Pai], mas esvaziou a si mesmo, assumindo uma condição de servo” (Fl 2,6-7). Este Filho-Servo é Jesus! É “a extensão dos braços e do coração do Pai: Ele acolheu o pródigo e lavou os seus pés sujos; Ele preparou o banquete para a festa do perdão. Ele, Jesus, nos ensina a ser “misericordiosos como o Pai”.

A figura do pai da parábola revela o coração de Deus. Ele é o Pai Misericordioso que em Jesus nos ama além de qualquer medida, sempre aguarda a nossa conversão toda vez que erramos; espera muito o nosso retorno quando nos distanciamos Dele pensando que podemos sem Ele; está sempre pronto para abrir-nos os seus braços independente do que aconteça. Como o pai do Evangelho, também Deus continua a considerar-nos os seus filhos quando voltamos a Ele. E nos fala com tanta bondade quando nós achamos que somos justos. Os erros que cometemos, embora sendo grandes, nem sequer arranham a fidelidade do seu amor. No sacramento da Reconciliação podemos sempre de novo recomeçar: Ele nos acolhe, nos restitui a dignidade de filhos seus e nos diz: “Siga adiante! Esteja em paz! Levante, diga em frente!”

Neste momento da Quaresma que ainda nos separa da Páscoa, somos chamados a intensificar o caminho interior de conversão. Deixemo-nos alcançar pelo olhar cheio de amor do nosso Pai, e voltemos a Ele com todo o coração, rejeitando qualquer pacto com o pecado. A Virgem Maria nos acompanhe até o abraço regenerador com a Divina Misericórdia.

***

Depois do Angelus

Queridos irmãos e irmãs,

Expresso a minha proximidade com as Missionárias da Caridade, pela grande perda que as atingiu dois dias atrás com o assassinato de quatro Religiosas em Aden, no Iemen, onde atendiam os anciãos. Rezo por elas e pelas outras pessoas assassinadas no ataque, e pelos familiares. Estes são os mártires de hoje! Não são capas de jornais, não são notícias: estes dão o seu sangue pela Igreja. Essas pessoas são vítimas do ataque daqueles que as mataram e também da indiferença, desta globalização da indiferença, que não se importa… Que Madre Teresa acompanhe no paraíso estas suas filhas mártires da caridade, e interceda pela paz e o sacro respeito pela vida humana.

Como um sinal concreto de compromisso com a paz e a vida gostaria de citar e expressar admiração pela iniciativa dos corredores humanitários para os refugiados, começada ultimamente na Itália. Este projeto piloto, que une a solidariedade e a segurança, permite ajudar pessoas que fogem da guerra e da violência, como as centenas de refugiados já transferidos para a Itália, entre os quais crianças doentes, pessoas deficientes, viúvas de guerra, com filhos e anciãos. Lembro-me também porque esta iniciativa é ecumênica, recebendo apoio da Comunidade de Santo Egídio, Federação das Igrejas Evangélicas Italianas, Igrejas Valdeses e Metodistas. 

Saúdo todos vós, peregrinos vindos da Itália e de tantos países, em particular os fiéis da Missão Católica de Hagen (Alemanha), bem como aqueles de Timisoara (Roménia), Valencia (Espanha) e da Dinamarca.

Saúdo os grupos paroquiais de Taranto, Avellino, Dobbiaco, Fane (Verona) e Roma; os meninos de Milão, Alemnno São Salvatore, Verdellino-Zingonia, Latiano e os jovens de vigonovo; as Escolas “Dom Carlo Costamagna” de Busto Arsizio e “Imaculada” de Soresina; os grupos de oração “Santa Maria degli Angeli e da esperança”; a Confederação Nacional dos Ex-alunos de escolas católicas.

Peço, por favor, uma lembrança na oração por mim e pelos meus colaboradores, que a partir da noite de hoje até sexta-feira, faremos os Exercícios Espirituais.

Desejo a todos um bom domingo. Bom almoço e até mais!

Também neste 4º domingo da Quaresma, o Santo Padre escreveu-nos em seu Twitter:

06/03/2016
O Jubileu da Misericórdia é uma ocasião propícia para promover no mundo formas de respeito da vida e da dignidade de cada pessoa.


Papa: o perdão é a maior Porta Santa

Cidade do Vaticano (RV) – O último compromisso do Papa na manhã de sexta-feira (04/03/2016) foi a audiência que concedeu aos cerca de 500 participantes do Curso promovido pela Penitenciaria Apostólica. O Curso foi dirigido aos jovens sacerdotes e seminaristas para prepará-los a ministrar o Sacramento da Reconciliação.

Em seu discurso, o Pontífice destacou que a celebração deste Sacramento requer uma adequada e atualizada preparação, para que quem se aproxima dele “possa tocar com a mão a grandeza da misericórdia”.

O perdão é a maior Porta Santa

De fato, acrescentou o Papa, a possibilidade do perdão está realmente aberta a todos, ou melhor, escancarada, como a maior das “portas santas”, porque coincide com o coração próprio do Pai, que ama e aguarda todos os seus filhos, de modo especial os que erraram mais e estão distantes.

A misericórdia do Pai, explicou Francisco, pode alcançar toda pessoa de diferentes maneiras, mas há, todavia, um caminho certo: Jesus, que tem o poder na terra de perdoar todos os pecados e transmitiu esta missão à Igreja.  “O Sacramento da Reconciliação, portanto, é o local privilegiado para celebrar a festa do encontro com o Pai. Não nos esqueçamos disso com facilidade. A festa é parte do Sacramento.”

Sacerdotes são instrumentos da misericórdia de Deus

O Pontífice recordou aos jovens sacerdotes que eles são instrumentos da misericórdia de Deus, portanto, devem estar atentos a não colorem um obstáculo ao dom de salvação. O único desejo do confessor é fazer com que cada fiel possa fazer experiência do amor do Pai, disse o Papa, citando como modelos Leopoldo Mandic e Pio de Pietrelcina.

Depois da absolvição do sacerdote, prosseguiu Francisco, todo fiel tem a certeza de que os pecados não existem mais, foram cancelados pela misericórdia divina. “Gosto de pensar que Deus tem uma fraqueza: uma memória ruim. Uma vez que Ele o perdoa, se esquece. E isso é grande! “Toda absolvição é, de certo modo, um jubileu do coração.”

É importante, portanto, que o confessor seja também um “canal de alegria” e que o fiel, depois de ter recebido o perdão, não se sinta mais oprimido pelas culpas.

“Neste nosso tempo, marcado pelo individualismo, por tantas feridas e pela tentação de fechar-se, é realmente um dom ver e acompanhar pessoas que se aproximam da misericórdia. Isso comporta também, para todos nós, uma obrigação ainda maior de coerência evangélica e de benevolência paterna; somos guardiões, jamais donos, seja das ovelhas, seja da graça.”

O Papa então fez uma exortação: “Coloquemos novamente no centro – e não somente neste Ano jubilar! – o Sacramento da Reconciliação, espaço do Espírito onde todos, confessores e penitentes, podemos fazer experiência do amor de Deus por cada um dos seus filhos – único amor definitivo e fiel e que jamais desilude”.

Sacerdote, ícone do Pai

Se um confessor se encontrar em dificuldade e não puder absolver, Francisco sugeriu que nunca se esqueçam que o sacerdote é o ícone do Pai. Portanto, deve usar gestos e  palavras para que o pecador se sinta acolhido e convidado a repetir a experiência da confissão e saia do confessionário certo de que encontrou um pai e não alguém que o repreendeu:

“Quantas vezes vocês ouviram alguém dizer: ‘Eu nunca me confesso, porque uma vez fui e ele me censurou...’ Mesmo que eu não possa absolver, posso fazer com que sinta o calor de um pai, eh? Nem que seja para rezar um pouco com ele ou com ela. É  pai que está ali.”


Papa: fomos escolhidos para estender a mão e absolver

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu na tarde desta sexta-feira (04/03/2016), na Basílica de São Pedro, a celebração penitencial na qual abriu a inciativa “24 horas para o Senhor” que partiu de Roma e ganhou alcance mundial.

O evento nasceu com o intenção de recolocar no centro a importância da oração, da adoração eucarística e o do dom do sacramento da Reconciliação, e oferecer a todos a possibilidade de fazer experiência pessoal da misericórdia de Deus.

Boletim da Santa Sé

«Que eu veja de novo» (Mc 10, 51): este é o pedido que queremos fazer hoje ao Senhor. Ver de novo, depois de os nossos pecados nos terem feito perder de vista o bem e desviar da beleza da nossa vocação, levando-nos a vagar longe da meta.

Este trecho do Evangelho possui um grande valor simbólico e existencial, porque cada um de nós se encontra na situação de Bartimeu. A sua cegueira levara-o à pobreza e a viver na periferia da cidade, dependendo em tudo dos outros. Também o pecado tem este efeito: empobrece-nos e isola-nos. É uma cegueira do espírito que impede de ver o essencial, fixar o olhar no amor que dá a vida; e, aos poucos, leva a deter-se no que é superficial até deixar insensíveis aos outros e ao bem. Quantas tentações têm a força de anuviar a vista do coração e torná-lo míope! Como é fácil e errado crer que a vida dependa do que se possui, do sucesso ou do aplauso que se recebe; que a economia seja feita apenas de lucro e consumo; que as pretensões próprias devam prevalecer sobre a responsabilidade social! Olhando apenas para o nosso eu, tornamo-nos cegos, amortecidos e fechados em nós mesmos, sem alegria nem verdadeira liberdade.

Mas Jesus passa; passa, mas detém o passo: «parou», diz o Evangelho (v. 49). Então um frémito atravessa o coração, porque nos damos conta de ser contemplados pela Luz, por aquela Luz gentil que nos convida a não ficar fechados nas nossas cegueiras tenebrosas. A presença de Jesus perto de nós faz sentir que, longe d’Ele, falta-nos qualquer coisa importante: faz-nos sentir necessitados de salvação; e isto é o princípio da cura do coração. Depois, quando o desejo de ser curado ganha audácia, leva a rezar, a gritar, com força e insistência, por ajuda, como faz Bartimeu: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» (v. 47).

Infelizmente, há sempre alguém (o Evangelho fala de «muitos») que não quer parar, não quer ser incomodado por quem grita a sua aflição, preferindo mandar calar e repreender o pobre que chateia (cf. v. 48). É a tentação de prosseguir como se nada tivesse acontecido; mas, assim, afastamo-nos do Senhor e deixamos afastados de Jesus também os outros. Reconheçamos todos que somos mendigos do amor de Deus, e não deixemos escapar o Senhor que passa. «Timeo transeuntem Dominum – temo que o Senhor passe» (Santo Agostinho). Demos voz ao nosso desejo mais verdadeiro: «[Jesus], que eu veja de novo!» (v. 51). Este Jubileu da Misericórdia é tempo favorável para acolher a presença de Deus, experimentar o seu amor e voltar a Ele de todo o coração. Como Bartimeu, joguemos fora a capa e ponhamo-nos de pé (cf. v 50), ou seja, joguemos fora aquilo que nos impede de caminhar rapidamente para Ele, sem medo de deixar aquilo que nos dá segurança e a que estamos presos; não fiquemos sentados, ergamo-nos, recuperemos a nossa estatura espiritual, a dignidade de filhos amados que estão diante do Senhor para que Ele nos fixe nos olhos, nos perdoe e recrie. A palavra que, talvez, hoje chega ao nosso coração é a mesma da criação do homem: levante-te, Deus te criou em pé. Levanta-te!

Hoje mais do que nunca, sobretudo nós, pastores, somos chamados também a escutar o grito, talvez abafado, de quantos desejam encontrar o Senhor. Somos obrigados a rever comportamentos que, às vezes, não ajudam os outros a aproximar-se de Jesus; horários e programas que não atendem às reais necessidades daqueles que poderiam aproximar-se do confessionário; regras humanas, quando valem mais do que o desejo de perdão; nossa rigidez que poderia manter longe da ternura de Deus. Certamente não devemos diminuir as exigências do Evangelho, mas não podemos correr o risco de frustrar o desejo que tem o pecador de reconciliar-se com o Pai, porque o regresso do filho a casa é o que acima de tudo anseia o Pai (cf. Lc 15, 20-32).

Que as nossas palavras sejam as dos discípulos que, repetindo as próprias expressões de Jesus, dizem a Bartimeu: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te» (v. 49). Somos enviados para dar coragem, amparar e levar a Jesus. O nosso ministério é o ministério do acompanhamento, de modo que o encontro com o Senhor seja pessoal, íntimo, e o coração possa, com sinceridade e sem medo, abrir-se ao Salvador. Não esqueçamos jamais: o único que age em cada pessoa é Deus. No Evangelho, é Ele que pára e pergunta pelo cego; é Ele que ordena que Lho tragam; é Ele que o escuta e cura. Fomos escolhidos para suscitar o desejo da conversão, ser instrumentos que facilitam o encontro, estender a mão e absolver, tornando visível e operante a sua misericórdia. Que cada homem e mulher que se aproxime do confessionário encontre um pai, encontre um pai que lhe espera, que encontre o Pai que perdoa.

A conclusão do episódio evangélico é densa de significado: Bartimeu «logo recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho» (v. 52). Também nós, quando nos abeiramos de Jesus, vemos de novo a luz para olhar o futuro com confiança, encontramos a força e a coragem para nos pormos a caminho. Com efeito, «quem acredita, vê» (Enc. Lumen fidei, 1) e avança com esperança, porque sabe que o Senhor está presente, ampara e guia. Sigamo-Lo, como discípulos fiéis, para tornar participantes da alegria do seu amor misericordioso a quantos encontrarmos no nosso caminho. E depois do perdão do Pai, façamos festa no nosso coração, porque Ele faz festa.

Nesta sexta-feira, o Papa Francisco voltou a escrever em seu Twitter:

04/03/2016
Com a sua proximidade e ternura, Jesus Cristo nos leva ao espaço da graça e do perdão. É nisto que consiste a misericórdia de Deus.
04/03/2016
Abramos o nosso coração à misericórdia! A misericórdia divina é mais forte que o pecado.



À Pontifícia Academia para a Vida - Valor para proteger

«A cultura contemporânea ainda conserva as premissas para afirmar que o homem», independentemente das «suas condições de vida, é um valor para proteger; contudo, com frequência ela é vítima de incertezas morais, que não lhe permitem defender a vida de modo eficaz: recordou o Papa Francisco aos participantes na assembleia geral da Pontifícia academia para a vida, recebidos na manhã de quinta-feira, 3 de março de 2016.

O Pontífice aprofundou o tema que está no centro do encontro anual da instituição pontifícia fundada em 1994 – «As virtudes na ética da vida» – e frisou que «o bem que o homem realiza não é o resultado de cálculos ou estratégias», mas «o fruto de um coração bem disposto, da opção livre que tende para o bem verdadeiro». Por conseguinte, acrescentou o Pontífice, não são suficientes a ciência e a técnica: «para realizar o bem é necessária a sabedoria do coração».

Com efeito, muitas instituições estão hoje comprometidas no serviço à vida mas, ressaltou o Papa, muitas outras estão «mais preocupadas com o interesse econômico do que com o bem comum». De fato, «falar de virtudes significa afirmar que a escolha do bem diz respeito e compromete a pessoa toda; não se trata de uma questão de “cosmética”, um embelezamento exterior». E também as normas, «mesmo se necessárias», que sancionam o respeito das pessoas, «sozinhas não são suficientes para realizar plenamente o bem do homem» porque «são as virtudes de quem trabalha na promoção da vida a última garantia de que o bem será realmente respeitado». Portanto, nunca deve faltar o «interesse real» pelas pessoas, sobretudo por aquelas mais frágeis. Assim, se é verdade que «hoje não faltam os conhecimentos científicos e os instrumentos técnicos capazes de oferecer apoio à vida humana nas situações nas quais se mostra frágil», é contudo necessário – recomendou Francisco – que «os médicos e os agentes da saúde nunca descuidem de conciliar ciência, técnica e humanidade»: quem se dedica à defesa e à promoção da vida deve ser capaz de mostrar a sua beleza e de trabalhar com «compaixão genuína». Por conseguinte, compete às universidades trabalhar a fim de que os estudantes «possam amadurecer aquelas disposições do coração e da mente que são indispensáveis para acolher e cuidar da vida humana».

Por fim, o Pontífice admoestou contra as «novas colonizações ideológicas» que, «sob forma de virtudes, de modernidade, de atitudes novas», se insinuam no pensamento humano» e «também cristão», privando da liberdade porque «têm medo da realidade tal como Deus a criou».
L'Osservatore Romano



Papa: se o coração estiver fechado, a misericórdia não entra

Cidade do Vaticano (RV) – Somente se o nosso coração estiver aberto, será possível acolher a misericórdia de Deus. Esta foi a exortação que o Papa Francisco fez na manhã de quinta-feira (03/03/2016), na Missa celebrada na Casa Santa Marta.

Na homilia, Francisco comentou a fidelidade de Deus e a fidelidade do seu povo. Na Primeira Leitura extraída do Livro de Jeremias, o Papa destacou que “Deus é sempre fiel, porque não pode renegar a si mesmo, enquanto o povo não presta atenção à sua Palavra. Jeremias narra de “tantas coisas que Deus fez para chamar à atenção os corações do povo”, mas o povo permanece na sua infidelidade.

Se o coração estiver fechado, a misericórdia de Deus não entra

“Esta infidelidade do povo de Deus – advertiu – e também a nossa própria infidelidade, endurece o coração: fecha o coração!”:

“Não deixa entrar a voz do Senhor que, como pai amoroso, sempre nos pede para abrir-nos à sua misericórdia e ao seu amor. Rezamos no Salmo, todos juntos: ‘Escutem hoje a voz do Senhor. Não endureçam o seu coração!’. O Senhor sempre nos fala assim, inclusive com ternura de pai nos diz: ‘Voltem a mim com todo o coração, porque sou misericordioso e piedoso. Mas quando o coração é duro, não se entende isso. A misericórdia de Deus só é compreensível se você é capaz de abrir o seu coração para que possa entrar”.

“O coração se endurece – retomou o Papa – e vemos a mesma história” no trecho do Evangelho de Lucas, onde Jesus é enfrentado por aqueles que tinham estudado as Escrituras, “os doutores da lei que conheciam a teologia, mas eram tão, tão fechados”. A multidão, ao invés, “estava impressionada”, “tinha fé em Jesus! Tinha o coração aberto: imperfeito, pecador, mas o coração aberto”.

Pedir perdão

“Este teólogos”, acrescentou o Papa, “tinham um comportamento fechado! Sempre buscavam uma explicação para não entender a mensagem de Jesus”, pediam-lhe um sinal do céu. Sempre fechados! Era Jesus que tinha de justificar aquilo que fazia”:

“Esta é a história, a história daquela fidelidade falida. A história dos corações fechados, dos corações que não deixam a misericórdia de Deus entrar, que se esqueceram da palavra ‘perdão’, perdoa-me Senhor, simplesmente porque não se sentem pecadores: se sentem juízes dos outros. Uma longa história de séculos. Esta fidelidade falida, Jesus a explica com duas palavras chaves, para colocar fim, para terminar o discurso desses hipócritas: Quem não está comigo, está contra mim. Ou você é fiel, com o seu coração aberto, ao Deus que é fiel a você ou você está contra Ele: ‘Quem não está comigo, está contra mim’.”

Fidelidade a Deus

“Mas é possível um meio termo, uma negociação”, se pergunta o Papa. “Sim”, é a sua resposta. “Existe uma saída: se reconheça pecador! Se você diz: sou pecador, o coração se abre e entra a misericórdia de Deus e você começa a ser fiel:

“Peçamos ao Senhor a graça da fidelidade. O primeiro passo para caminhar nesta estrada da fidelidade é sentir-se pecador. Se você não se sente pecador, você começou mal. Peçamos a graça para que o nosso coração não se endureça, que seja aberto à misericórdia de Deus e à graça da fidelidade. Peçamos, nós, infiéis, a graça de pedir perdão.”


Francisco afirma que a Igreja não precisa de dinheiro sujo


Cidade do Vaticano (RV/acidigital) – Quarta-feira, 2 de março de 2016, audiência geral com o Papa Francisco na Praça de S. Pedro. Na sua catequese o Santo Padre falou sobre misericórdia e a correção do Pai que ajuda a crescer os seus filhos. “O povo de Deus, a Igreja, não precisa de dinheiro sujo, mas de corações abertos à misericórdia de Deus”.

A seguir, confira o texto na íntegra da catequese:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

“Falando da misericórdia divina, evocamos muitas vezes a figura do pai de família, que ama os seus filhos, ajuda-os, cuida deles, perdoa-os. E como pai, educa-os e os corrige quando erram, favorecendo seu crescimento para o bem.

É assim que Deus vem apresentado no primeiro capítulo do profeta Isaías, em que o Senhor, como pai afetuoso, mas também atento e severo, dirige-se a Israel acusando-o de infidelidade e de corrupção, para levá-lo de volta ao caminho da justiça. Começa assim o nosso texto: “Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta, é o Senhor quem fala: “Eu criei filhos e os eduquei; eles, porém, se revoltaram contra mim.
O boi conhece o seu possuidor e o asno, o estábulo do seu dono; mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento”. (1, 2-3).

Deus, mediante o profeta, fala ao povo com a amargura de um pai desiludido: fez crescer os seus filhos, e agora eles se rebelaram contra Ele. Até mesmo os animais são fiéis ao seu dono e reconhecem a mão que os alimenta; o povo, em vez disso, não reconhece mais Deus, rejeita compreender. Mesmo ferido, Deus deixa falar o amor, e apela à consciência desses filhos degenerados para que se arrependam e se deixem amar de novo. Isso é o que Deus faz! Vem ao nosso encontro para que nós nos deixemos amar por Deus.

A relação pai-filho, a qual os profetas muitas vezes fazem referência para falar da relação de aliança entre Deus e o seu povo, se desnaturalizou. A missão educativa dos pais busca fazê-los crescer na liberdade, torná-los responsáveis, capazes de realizar obras de bem para si e para os outros. Em vez disso, por causa do pecado, a liberdade se torna pretensão de autonomia, pretensão de orgulho, e orgulho leva à contraposição e à ilusão de autossuficiência.

Eis então que Deus chama seu povo: “Erraram o caminho”. Afetuosamente e amargamente diz o “meu” povo. Deus nunca nos renega; nós somos o seu povo, o mais maldoso dos homens, a mais maldosa das mulheres, os mais maldosos dos povos são seus filhos. E este é Deus: nunca, nunca nos renega! Diz sempre: “Filho, venha”. E esse é o amor do nosso Pai; essa misericórdia de Deus. Ter um pai assim nos dá esperança, nos dá confiança. Esta pertença deveria ser vivida na confiança e na obediência, com a consciência de que tudo é dom que vem do amor do Pai. E, em vez disso, eis a vaidade, a estupidez e a idolatria.

Por isso o profeta se dirige diretamente a esse povo com palavras severas para ajudá-lo a entender a gravidade da sua culpa: “Ai da nação pecadora […] dos filhos desnaturados! Abandonaram o Senhor, desprezaram o santo de Israel, e lhe voltaram as costas” (v. 4).

A consequência do pecado é um estado de sofrimento, do qual sofre as consequências também o país, devastado e tornado como um deserto, a ponto de Sion – isso é, Jerusalém – se tornar inabitável. Onde há rejeição a Deus, à sua paternidade, não há mais vida possível, a existência perde as suas raízes, tudo parece pervertido e destruído. Todavia, também esse momento doloroso é em vista da salvação. A prova é dada para que o povo possa experimentar a amargura de quem abandona Deus, e então confrontar-se com a face desoladora de uma escolha de morte. O sofrimento, consequência inevitável de uma decisão autodestrutiva, deve fazer o pecador refletir para abri-lo à conversão e ao perdão.

E este é o caminho da misericórdia divina: Deus não nos trata segundo as nossas culpas (cfr Sal 103, 10). A punição se torna o instrumento para provocar a refletir. Compreende-se, assim, que Deus perdoa o seu povo, dá graça e não destrói tudo, mas deixa aberta sempre a porta da esperança. A salvação implica a decisão de escutar e se deixar converter, mas permanece sempre um dom gratuito. O Senhor, portanto, na sua misericórdia, indica um caminho que não é aquele dos rituais de sacrifício, mas sim da justiça. O culto é criticado não porque seja inútil em si mesmo, mas porque em vez de exprimir a conversão, pretende substituí-la; e torna assim busca da própria justiça, criando a crença ilusória de que são os sacrifícios que salvam, não a misericórdia divina que perdoa o pecado. Para entender bem: quando uma pessoa está doente, vai ao médico; quando uma pessoa se sente pecadora, vai ao Senhor. Mas se em vez de ir ao médico, vai ao feiticeiro, não cura. Tantas vezes não vamos ao Senhor, mas preferimos ir por caminhos errados, procurando fora Dele uma justificativa, uma justiça, uma paz. Deus, diz o profeta Isaías, não se agrada com o sangue dos touros e dos cordeiros (v. 11), sobretudo se a oferta é feita com mãos sujas do sangue dos irmãos (v. 15). Penso em alguns benfeitores da Igreja que vêm com a oferta – “Pegue para a Igreja essa oferta” – é fruto do sangue de tanta gente explorada, maltratada, escravizada com o trabalho mal pago! Eu direi a essa gente: “Por favor, leve de volta o seu cheque, queime-o”. O povo de Deus, isso é, a Igreja, não precisa de dinheiro sujo, precisa de corações abertos à misericórdia de Deus. É necessário aproximar-se de Deus com mãos purificadas, evitando o mal e praticando o bem e a justiça. Que belo como termina o profeta: “Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva” (16-17).

Pensem em tantos refugiados que desembarcam na Europa e não sabem para onde ir. Então, diz o Senhor, os pecados, mesmo se forem vermelhos como a púrpura, se tornarão brancos como a neve, e cândidos como a lã e o povo poderá se nutrir dos bens da terra e viver na paz (v. 19).

É este o milagre do perdão que Deus, o perdão que Deus como Pai, quer dar ao seu povo. A misericórdia de Deus é oferecida a todos e essas palavras do profeta valem também hoje para todos nós, chamados a viver como filhos de Deus. Obrigado! ”

O Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para os fiéis da paróquia de Nossa Senhora do Lago de Brasília. Sobre os vossos passos, invoco a graça do encontro com Deus: Jesus Cristo é a Tenda divina no meio de nós. Ide até Ele, vivei na sua amizade e tereis a vida eterna. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus!”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!



Papa: o perdão de Deus não conhece limites

Cidade do Vaticano (RV) – Que o tempo da Quaresma “nos prepare o coração” ao perdão de Deus e a perdoarmos como Ele, isto é, esquecendo das culpas dos outros. Com esta oração, o Papa concluiu a homilia da missa da manhã desta terça-feira (1º/3/2016), celebrada na Casa Santa Marta.A perfeição de Deus tem um ponto fraco exatamente aonde a imperfeição humana tende a não dar desconto: a capacidade de perdoar.

Sem memória 

O pensamento do Papa, na homilia, é conduzido pelas leituras da liturgia. O Evangelho apresenta a célebre pergunta de Pedro a Jesus: quantas vezes devo perdoar um irmão que cometeu uma ofensa contra mim? A leitura, extraída do Profeta Daniel, é centrada na oração do jovem Azarias que, colocado no forno por ter se recusado a adorar um ídolo de ouro, invoca entre as chamas a misericórdia de Deus pelo povo, pedindo-lhe simultaneamente o perdão para si. Este, sublinha Francisco, é o modo justo certo de rezar. Sabendo contar com um aspecto especial da bondade de Deus:

“Quando Deus perdoa, o seu perdão é tão grande que é como se ‘esquecesse’. Todo o contrário daquilo que nós fazemos, das fofocas: ‘Mas ele fez isso, fez aquilo, fez aquilo outro …’, e nós temos de tantas pessoas a história antiga, média, medieval e moderna, eh?, e não esquecemos. Por quê? Porque não temos o coração misericordioso. ‘Trata-nos segundo a Tua clemência’, diz este jovem Azarias. ‘Segundo a Tua imensa misericórdia. Salva-nos. É um apelo à misericórdia de Deus, para que nos dê o perdão e a salvação e esqueça os nossos pecados”.

A equação do perdão

No trecho do Evangelho, para explicar a Pedro que precisa perdoar sempre, Jesus conta a parábola dos dois endividados, o primeiro obtém o perdão do seu patrão, mesmo lhe devendo uma cifra enorme, e pouco depois, é incapaz de ser também ele misericordioso com outro que lhe devia somente uma pequena quantia. Assim observou o Papa:

“No Pai-Nosso rezamos: ‘Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É uma equação, vão juntas. Se você não é capaz de perdoar, como Deus poderá o perdoar? Ele quer perdoar você, mas não poderá se o seu coração estiver fechado, e a misericórdia não poderá entrar. ‘Mas, Pai, eu perdoo, mas não posso esquecer aquele mal que ele me fez …’. ‘Eh, peça ao Senhor que o ajude a esquecer’: mas isso é outra coisa. Pode-se perdoar, mas esquecer nem sempre se consegue. Mas ‘perdoar’ e dizer: ‘você me paga’: isso não! Perdoar como Deus perdoa: perdoar ao máximo”.

Misericórdia que “esquece”

Misericórdia, compaixão, perdão, repete o Papa, recordando que “o perdão do coração que nos dá Deus é sempre misericórdia”:

“Que a Quaresma prepare o nosso coração para receber o perdão de Deus. Recebê-lo e, depois, fazer o mesmo com os outros: perdoar de coração. Talvez não me dirija a palavra, mas no meu coração eu lhe perdoei. E assim nos aproximamos desta coisa tão grande de Deus que é a misericórdia. E perdoando abrimos o nosso coração para que a misericórdia de Deus entre e nos perdoe, a nós. Porque todos nós precisamos pedir perdão: todos. Perdoemos e seremos perdoados. Tenhamos misericórdia com os outros, e nós sentiremos aquela misericórdia de Deus que, quando perdoa, “se esquece"”.